terça-feira, 30 de setembro de 2014

Os rituais espartanos

Dizemos em nossos rituais:

“Ouvi as palavras da Grande Mãe. Em meus altares os jovens da Lacedemônia em Esparta ofereciam o devido sacrifício”.

Após um breve busca no oráculo virtual [Google] eu encontrei quais templos, quais Deusas e quais rituais existiam em Esparta:

Ártemis Ortia

O Santuário de Ártemis Ortia era um dos mais importantes em Esparta. A dedicação dos espartanos ao seu culto é evidente nas 100.000 pequenas dedicações encontradas em volta do relicário. A deusa era uma híbrida entre a olimpiana Ártemis e Ortia, uma divindade local. Os ritos de Ártemis Ortia eram centrados nos ritos da passagem para a idade adulta e fertilidade. Era no santuário dela que os jovens garotos espartanos passavam por iniciações rituais duras. Mascarados, eles deviam roubar queijo do altar da deusa. Também eram ritualmente açoitados para se purificarem. Uma sacerdotisa supervisionava os golpes segurando uma estátua da deusa. Se os golpes não fossem fortes o suficiente, acreditava-se que a estátua ficava mais pesada. O sangue derramado pelo açoitamento servia como substituto para o sacrifício humano banido por Licurgo, possivelmente para garantir a fertilidade do local. Outros rituais também tinham esse propósito. Garotinhas eram sacrificadas para Ártemis Ortia durante a primavera, trazendo roupas ou arados como oferta. As danças rituais também eram feitas como parte desses ritos agriculturais.

Atena Chalkioikos

Atena ocupava uma posição especial na sociedade espartana como guardiã da cidade. Ela era conhecida como Atena Chalkioikos, ou Atena da Casa de Bronze, por causa de seu templo banhado a bronze na acrópolis espartana. Ela também era associada com o poder militar de Esparta, e uma cabra era sacrificada para ela antes dos exércitos irem para a batalha.

Fonte: Ehow

Como a maioria dos povos antigos, a religião tinha uma função importante em Esparta:

A religião ocupou em Esparta um lugar mais importante do que em outras cidades. O grande número de templos e santuários é disso revelador: quarenta e três templos dedicados a divindades, vinte e dois templos de heróis, uma quinzena de estátuas de deuses e quatro altares. A esta lista é necessário juntar os numerosos monumentos funerários, dado que em Esparta os mortos eram enterrados no interior das muralhas, sendo que alguns destes monumentos funcionaram como locais de culto, Divindade, As divindades femininas desempenharam em Esparta um papel bastante importante: dos cinquenta templos mencionados por Pausânias, trinta e quatro estão dedicados a deusas. A deusa Atena era a mais adorada de todas. O deus Apolo tinha poucos templos, mas a sua importância era crucial: desempenhava um papel em todas as festas espartanas e o monumento mais importante na Lacónia era o trono de Apolo em Amyclai, Outro traço distintivo era o culto aos heróis da guerra de Troia. Segundo Anaxágoras, Aquiles era aqui adorado como um deus e Esparta tinha dois santuários dedicados a ele, Outras personagens de Troia honradas por Esparta foram Agamemnon, Cassandra, Clitemnestra, Menelau e Helena, Esparta prestava também culto a Castor e Pólux. A tradição afirmava mesmo que teriam nascido na cidade. A dualidade das personagens faz lembrar a existência de dois reis em Esparta. Vários milagres foram-lhes atribuídos, sobretudo relacionados com a defesa dos exércitos espartanos (representações dos gémeos em ânforas eram levadas para o campo de batalha ao lado dos reis).

Por último, Héracles era, em Esparta, uma espécie de "herói nacional". Segundo a tradição, o herói teria ajudado Tíndaro a reconquistar o seu trono. O tema dos ""Doze Trabalhos" foi largamente explorado pela iconografia espartana.

Sacrifícios e sinais divinos, Como consequência do exposto, os sacerdotes desempenhavam um papel importante em Esparta. Os dois reis tinham eles próprios um estatuto de sacerdotes: estavam encarregues de realizar os sacrifícios públicos, que eram bastante valorizados, sobretudo em tempos de guerra. Antes da partida de uma expedição militar, efetuava-se um sacrifício a Zeus; no momento em que se passavam as fronteiras realizava-se a Zeus e Atena e antes da batalha a Ares Enyalios.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Crise Ambiental e Paganismo Moderno

Eu completei 49 anos de idade em 04 de agosto e muita coisa aconteceu nos últimos dois anos. Eu mudei muita coisa nesse período, agora é o momento de concluir a mudança. Eu cansei de vez de tentar dialogar com cristãos, ateu e pagão. O que eu tiver que comentar ou escrever sobre algum assunto, notícia ou artigo na mídia, eu farei aqui.

Eu tenho acompanhado alguns artigos no Patheos que demonstram que há algo que não vai bem na Comunidade Pagã. Eu escrevi aqui a minha controvérsia sobre o excessivo enfoque na Deusa e denunciei diversas vezes o Dianismo como um mero monoteísmo travestido. Diga-se de passagem que o problema não é que sejam pagãos monoteístas, mas o discurso exclusivista.

Recentemente o Patheos lançou o assunto sobre o Ambiente e a Crise Ambiental com uma pergunta simples: “Has Pagan Environmentalism Failed?” Traduzindo: “O Ambientalismo Pagão Falhou?”

Das opiniões e artigos no Canal Pagão, a que me chamou a atenção foi o texto de Rhyd Wildermuth intitulado “A Call to War”. Traduzindo: “Uma Chamada para a Guerra”. Preocupante, muito preocupante. O Cristianismo tem uma mácula enorme em sua história por ter levado a humanidade a diversas guerras, assassinatos, genocídios e outros crimes contra a humanidade. Tudo em nome de Deus. Os Pagãos Modernos farão o mesmo em nome do Ambiente? Vamos cometer os mesmos erros dos Cristãos e outros credos monoteístas?

Eu vou analisar alguns quesitos levantados pelo autor, que devem ser respondidas, não apenas por pagãos modernos, mas por qualquer ser humano.

Os pagãos modernos é quem deveriam consertar isso.

Não, nós não temos que consertar isso. Nós temos uma crença que respeita e reverencia a natureza, mas nós não temos a capacidade, a autoridade ou a competência de impingir nossas crenças às outras pessoas. Nossa missão não é o de oferecer uma “salvação” de qualquer tipo.

Os pagãos devem ser ambientalistas.

Engano que, infelizmente, existe na própria Comunidade Pagã. Diversas religiões, nativas, étnicas, aborígenes, bem como tradições pagãs usam sacrifício animal. Defensores do direito animal acham isso uma barbárie, mas o abate religioso é feito de uma forma com muito mais regras e ética do que de muito abatedouro. Se isso é ético e moral, eu devo dizer que nutrição não tem coisa alguma com ética e moral.

As religiões baseadas na natureza devem ser ambientalistas.

Não, não devem. Uma coisa, como eu disse anteriormente, é reverenciar e respeitar a Natureza. Outra é mitificar ou idealizar nossa relação com Ela. A Natureza tem um comportamento que não é harmônico ou justo. Temos vulcões, terremotos, furacões. Temos espécies que extinguiriam a vida se tivessem a oportunidade. Nossa política de proteção ao ambiente é mais para evitar que sejamos extintos do que evitar que a Natureza seja destruída. Mesmo religiões nativas, étnicas, aborígenes e pagãs, ainda que reverenciem e respeitem a Natureza, realizam sacrifício animal.

O ambientalismo deve ser uma crítica ao capitalismo.

Idealismo utópico. Nossa espécie precisa produzir para existir, para sobreviver e isso demanda a exploração dos recursos naturais. Nossos ancestrais guerrearam, mataram, pilharam, estupraram, escravizaram, caçaram, desflorestaram e cometiam atos que, nos dias de hoje, chocaria os pagãos modernos abobados.

O capitalismo tem destruído o ambiente.

O capitalismo é apenas um modo de produção, aqui não entram noções de moral ou ética. Nós não podemos culpar o capitalismo pelo nossa ganância e futilidade.

O capitalismo tem destruído culturas nativas.

Assim como o Colonialismo, o Imperialismo, fatos históricos que, se não tivessem acontecido, nosso mundo contemporâneo não existiria. Curiosamente é graças ao capitalismo malvado que muito pagão moderno pôde ter o conhecimento e contato com essas culturas nativas.

O capitalismo tem destruído religiões ancestrais e pagãs.

O pagão moderno não deve ler história e antropologia. Desde que o mundo é mundo e o ser humano existe, diversas religiões “ancestrais e pagãs” modificaram, sumiram ou foram assimiladas por outras religiões igualmente ancestrais e pagãs. Nossa crença contemporânea é resultado desse sincretismo, seria muito difícil senão impossível resgatar as “religiões ancestrais” em sua pureza mais cristalina.

O pagão moderno tem que atacar a raiz desse mal.

Não, não tem. Nós vivemos e somos produto do capitalismo. O Paganismo Moderno surgiu e cresceu dentro do capitalismo. O problema não é o sistema de produção, mas a forma como este é estruturado e funciona, de forma politica, social e ambiental.

Conclusão:

O Pagão Moderno não deve ser como o Cristão, não deve matar nem declarar guerra, seja qual for sua justificativa, explicação, causa ou bandeira. Ao invés de declarar guerra ao modo de produção, devemos agir dentro dele, para que, por meios políticos e sociais, possamos incluir o ambiental.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

O tesão de Pondé

O titulo desta crítica tem um propósito e um alvo bem evidente, que é a onda reacionária e conservadora que assola a Imprensa e o Mundo.

Luiz Felipe Ponde não resolveu ainda sua fase oral então continua posando de intelectual com um cachimbo na boca, sem se dar conta de que isto é um símbolo fálico, como disse titio Freud. Ele é o típico filhote da ditadura, da década de 50, da PUC, do Catolicismo capenga, do recalque, dessa eterna condenação do corpo, do desejo, do prazer, dessa herança cultural judaico-cristã.

Pondé daria um excelente padre, afinal ele reclama que a direita precisa aprender a ser descolada para se dar bem com as mulheres. Ah, Pondé, sua misoginia, sexismo e cacoete patriarcal aparecem até quando você que pagar pau de gatinho filósofo, mas tem gente que filosofa melhor nesta taverna.

Ele fala do desejo, “que hoje em dia se fala muito, se diz ser o centro da vida, mas que murcha sob a bota da vida correta e saudável. Nunca se desejou tão pouco, como nos dias atuais, em que se fala tanto de sexo. A morte do desejo salta aos olhos nas besteiras teóricas de gente que diz que sexo é construção social (teorias de gênero). O sexo brocha diante do gênero”.

Pondé é um reacionário e conservador, não nos esqueçamos. Ele provavelmente acha que sexo só depois de casar, de preferência com a luz desligada e apenas na posição papai-mamãe. Nunca se desejou tanto e é exatamente isto que amedronta Pondé em seu mundo de Pequeno Príncipe, onde o ideal de amor é o platônico. Para se falar de sexo, algo impensável na geração de Pondé, é preciso que se deseje, que se rompa as regras, que se questione as imposições sociais, que se democratize a questão do gênero, identidade e opção sexual. O sexo desabrocha nas inúmeras alternativas de gênero, para o desespero do carola do Pondé.

Pondé faz o jogo de espelho, projetando nos outros seus próprios defeitos, falando em censura, da patrulha do politicamente correto. E entrega seu jogo de sombras quando fala da ópera Salomé:

“Por que Salomé seria incorreta? Porque a peça fala de como Salomé, enlouquecida pelo profeta João Batista, que a despreza, manda cortar sua cabeça. A ideia de que uma mulher mande cortar a cabeça do homem que a despreza, por tesão e ressentimento, parece um absurdo no mundo dos corretinhos em que vivemos”.

Gongo nele, Chacrinha. Pondé errou feio. Se ele tivesse lido com mais atenção a história de Salomé, que por sinal nem sequer é nomeada em seu “original” bíblico, teria visto que a cabeça de João Batista foi decepada mais por uma questão política do que por uma mulher desprezada.

“Todos conhecem a história do Novo Testamento na qual a princesa da Judeia Salomé pede ao seu padrasto Herodes a cabeça do profeta João Batista, que acusava sua mãe de prostituta”.

Todos menos o Pondé. João Batista tinha uma crença onde, uma mulher somente pode se deitar com seu marido, sem exigir dinheiro em troca. Para João Batista e toda a cultura judaico-cristã, uma mulher que cobra um preço pelo prazer, principalmente a um homem estranho, é uma adultera, que merece ser apedrejada, é uma prostituta que merece ser segregada da sociedade dos “homens de bem”. Ou seja, Pondé fala em desejo, mas é contra Salomé e a favor de João Batista. Pondé deixou cair a máscara. Quanta hipocrisia e falso moralismo podem ser disfarçados de intelectualidade!

“Supostamente, Salomé, que é objeto de desejo enlouquecido do padrasto, faz esse pedido, após dançar para ele, por conta das ofensas do profeta contra sua mãe”.

De novo, Pondé mostra como é falsa sua preocupação com a falta de desejo e liberdade sexual. Nada mais classe média e ideologia pequeno-burguesa do que fazer escândalo com velhos tabus sociais. A história, inclusive a da Igreja está recheada de padrastos que se engraçam com a enteada e gera descendentes com ela. Enquanto forem maduros e houver consentimento, todos tem o direito e a liberdade de amar quem quiser, quantos quiser, disse o Profeta do Profano. Ficar chocado com isso é exatamente a ideologia do Politicamente Correto. Que pena, Pondé, sua máscara caiu de novo.

“Aí vem a grande sacada de Oscar Wilde. Haveria outro motivo para um pedido tão monstruoso? O desejo de Herodes por ela é conhecido, mas e se ela fosse apaixonada pelo profeta?”

“Seu pedido seria, para Oscar Wilde, na verdade, uma vingança passional contra o amante que a desprezou”.

Wishful thinking, Pondé. Salomé, jovem, sensual, desejada por homens ricos e poderosos, iria sentir algo por um personagem que veste um saco e come grilos? Apenas nojo, desprezo. Eu diria que a pregação de João Batista é que é um desejo reprimido do profeta em desvendar os sete véus de Salomé.

“À medida que o profeta canta seu amor por Deus e seu desprezo pelo mundo da carne, ela vai ficando com tesão. A castidade dele a enlouquece”.

Vai ver que é exatamente esse o fetiche e tara de Pondé, que vive feito um padre. Ele quer que aquela piedosa senhora, recatada, que piedosamente reza o terço, seja uma Salomé em seu quarto. Geralmente é assim. São os padres que desviam as mulheres de sua congregação.

“Mas, imagino que num mundo no qual sexo será de uma vez por todas careta como tudo que é correto, esta Salomé não existirá. Provavelmente, estará por aí, sendo fálica, lutando com uma espada, querendo ser homem”.

Pondé confuso e desorientado. Ele deseja que a mulher seja a Salomé, mas ainda se debate com o fato evidente que o gênero é uma construção social, ainda tem ojeriza pelo fato que criança e adolescente seja um ser sexuado. Será que eu estou vendo a confirmação de que Pondé não superou sua fase oral, querendo que a mulher seja uma transex, ele quer que sua Salomé seja “espada”?

Pondé tentou esconder e disfarçar suas próprias inseguranças e seus próprios medos atrás da opera Salomé e do escritor Oscar Wilde. Não foi desta vez, Pondé. Nós estamos no século XXI. Esse pensamento Vitoriano, Puritano, recalcado, frustrado, é um fóssil dos anos 50 que nós não vamos desenterrar. A humanidade vai continuar sua evolução, os humanos vão continuar gozando na cara dos caretas.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Recuperando a verdadeira identidade européia

Discurso de Vlassis G. Rassias no Congresso Europeu de Religiões Étnicas (ECER), no Parlamento da Lituânia (Lietuvos Respublikos Seimas), em Vilnius, na Lituânia,  em 9 de julho de2014.
A Europa é um continente que durante séculos deu origem a muitas culturas notáveis, tradições étnicas e civilizações, com características comuns como a dignidade e auto-determinação do ser humano, a busca pela virtude e pela verdade, reverência pelo sagrado, o respeito para com a natureza, afirmação vitalícia do valor do indivíduo e a estima que vem disso, bem como o ideal de liberdade.
Infelizmente, esta tapeçaria de diversas culturas politeístas, tradições e civilizações étnicas, semelhantes e complementares, deixou de existir quando uma religião oriental, estranha, contagiosa e intolerante, instalou-se com força e exigiu o desaparecimento total de tudo o que as pessoas sabiam, mantinham como sagrado e preservado como valores sociais e espirituais. O que se seguiu a esta invasão sem precedentes na Europa, é mais ou menos conhecido. Absoluto colapso cultural e cognitivo, a barbárie, o monoteísmo, a superstição, o ódio por tudo o que existia anteriormente, autocracia política e uma teocracia insana, invasiva, declínio moral, humilhação, genocídio e etnocídio, e, claro, as fogueiras. Fogueiras que surgiram e consumiram seres humanos infelizes, obras de arte e literatura, tudo o que direta ou indiretamente representava o velho mundo "pagão" que os novos governantes desejavam exterminar.
A pior conseqüência de todas essas calamidades foi a destruição da auto-consciência do "ethnos" politeísta da Europa e o gradual formatação de sua memória étnica. Várias gerações de pessoas infelizes passou toda a sua vida sem nenhuma noção real da identidade, ou que seus antepassados ​​eram e como eles viam a si mesmos, sem saber da história da terra que ocupavam. Eles tinham até esquecido o termo "Patris" (terra dos pais, pátria), e por muitos séculos, o continente testemunhou seus filhos que vivem completamente alienados da sua alma, feitos para acreditarem que eles tinham sido "civilizados" graças às espadas sangrentas de Constantino, Carlos Magno e outros homicidas monoteístas, e louvando a escuridão como [se fosse - NT] a luz. Eles ainda foram longe a ponto de exportar sua barbárie e intolerância, primeiro na forma de cruzadas sanguinárias para o leste, e, mais tarde, na forma de "explorações" sedentas de sangue [a colonização - NT] para, de acordo com seu próprio vocabulário, "novos mundos".
Vislumbres da luz perdida dos tempos pré-cristãos voltaram para a nossa amada Europa somente nos últimos séculos, e só através de uma seqüência longa e dolorosa de reintegrações, renascimentos, revoluções, movimentos de iluminação e, claro, com a gradual re-aquisição das genuínas identidades abandonadas, por algumas vanguardas intelectuais de vários "ethnos" europeus. Desde o século 19 da cronologia da religião arrogante que se atreveu a cingir a própria história da humanidade, a maioria dos povos da Europa estão cientes de que eles não são uma massa humana sem raízes e amorfa sob a cruz ou o Corão, mas os descendentes de um "ethnos" antigo historicamente existente e, a maioria deles, glorioso e avançado.
Alguns desses europeus, porém, incluindo nós, desenvolveram uma visão mais profunda sobre o assunto. Todos os que percebem o fluxo do tempo como circular e não linear, sabe muito bem que a História não tem destino final, mas simplesmente segue as tendências e tensões criadas dentro dela pelos sujeitos históricos em cada turno único da roda da Eternidade. E eles também não sabem, muito bem, que para alguém ganhar o título de "sujeito histórico", eles devem ser capazes de ter as suas propostas e idéias vivas e atraentes sobre a mesa, cada vez que a humanidade é chamada a escolher o seu próximo passo dentro do fractal infinito da História.
Para nós, cada única realidade é um laço. Cada momento revive todo o passado e compreende a dinâmica de todo o futuro. Vendo as coisas de tal maneira, nós, os representantes das antigas, étnicas, nativas e aborígenes Tradições e Religiões da Europa,  mas ainda vivas, trabalhamos duro para transformar a questão das nossas identidades coletivas e complementares, de um privilégio espiritual de uma vanguarda iluminada, em uma consciência orgulhosa e identificação de todos os europeus, em frente a este mosaico admirável das culturas originais, tradições étnicas e civilizações de nossos antepassados. Nós reclamamos a identidade européia. Nós reclamamos nossos sistemas de valores verdadeiros e os nossos verdadeiros caminhos. Nosso objetivo é claro, restaurar aquilo que uma vez foi derrotado, mas não extinto, as culturas de alegria, liberdade, politeísmo, dignidade, piedade e retidão, e, sendo um helenista, por favor, deixe-me acrescentar, da razão, do humanismo, da eunomia e da poliarquia.
Que a luz de Apolo sempre brilhe em você. 
Muito obrigado pela sua atenção.Vlassis G. Rassias
Fonte: E.C.E.R.
Traduzido com ajuda do Google Tradutor.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

O fantasma na concha

Deleuze e Guattari descrevem, no Anti Édipo, conceitos de filosofia e psicanálise bem provocantes.

Para os autores, o ser humano, a sociedade, o governo, são máquinas desejantes. Para compreender a obra, temos que considerar que órgão se refere tanto as partes que formam um corpo quanto as partes que formam uma maquina. Portanto, nós, humanos somos máquinas naturais e os aparelhos são máquinas artificiais.

A provocação consiste quando inserimos que a maquina tem uma função que é a de produzir algo. Uma maquina deixa de ser funcional quando suas partes (órgãos) estão quebradas, defeituosas, desreguladas, desgastadas. Para cada máquina e problema, existem técnicos para produzir o conserto ou substituição da peça.

Nós vemos constantemente no serviço uma placa avisando: “em manutenção”. Em inglês, o sentido fica mais interessante: “out of order”. A provocação fica evidente quando passamos das maquinas artificiais para as maquinas naturais.

O que fazemos com um indivíduo, uma pessoa, quando ela fica “fora de ordem”? Nós a mandamos, ou para a prisão, ou para o manicômio. Com esse sentido, aqui entramos no assunto do livro, a psicanalise e a preocupação dos autores em indicar os motivos pelos quais nós maquinas piramos: pelos desejos que produzimos. Por isso que falam em maquinas desejantes.

O sistema, outra maquina desejante, formada pelas maquinas desejantes chamadas sociedade e governo, funciona de forma cruel e sádica. Ora instiga, provoca e patrocina o desejo. Ora limita, proíbe e reprime o desejo. Por isso que falam que o capitalismo é esquizofrênico.

O que há de tão misteriosos, místico e perigoso nesse tal de desejo, que pode produzir tanto o recalque quanto o fetiche, pode produzir tanto o reacionário quanto o revolucionário?

Não é mera coincidência que o título desse texto seja uma referência ao anime “Ghost in the Shell”. O desenho não é explícito, mas dá a entender que, em um futuro utópico, androides enlouqueceram porque desenvolveram uma alma humana. Seria o desejo a alma, a essência humana?

Quanto a isso, a cultura oriental se sai melhor do que a ocidental. No oriente, todas as coisas possuem um espírito. No ocidente existe apenas o niilismo. No oriente, o sexo é visto como algo normal, natural e saudável. No ocidente ainda somos assombrados pela esfinge de Édipo e tentamos matar toda forma de espiritualidade para resolver nossos problemas com a figura paternal.

sábado, 13 de setembro de 2014

Laico "sem deus"

Navegando pela internet eu encontrei um site chamado Atheist Nexus e ali eu encontrei uma curiosa camiseta escrita "godless heathen".
De acordo com o dicionário, heathen é: pessoa que adota a religião de um povo ou nação que não reconhece o Deus do Judaísmo, do Cristianismo ou do Islamismo; não convertido; uma pessoa que adotou uma religião neopagã [paganismo moderno] que procura reviver as crenças e práticas dos povos antigos; uma pessoa que é considerada irreligiosa, selvagem ou ignorante.
Há uma grande controvérsia quando um ateu fala do Estado Laico, como se fosse um Estado irreligioso e que não reconhece ao divino. O Estado Laico não é antirreligioso, apenas não possui uma religião oficial e seus dirigentes não são influenciados por alguma organização religiosa. Em suma, o Estado é Laico porque o assunto da religião pertence ao leigo, à pessoa comum, não ao clero ou a uma organização religiosa. Algo bem diferente do que alguns ateus militantes, com Richard Dawkins tem apregoado, dando a entender que Estado Laico deve ser, necessariamente, ateu.
Uma questão permanece. A pessoa comum, ou uma pessoa simples, uma pessoa da terra, um camponês, é uma pessoa irreligiosa, sem Deus? Se excluirmos quem é declaradamente ateu ou agnóstico, a pessoa comum tem uma forma de espiritualidade difusa. Ainda que frequente os templos das religiões oficiais, o individuo frequenta locais onde se professam crenças e práticas alternativas, demonstra interesse ou curiosidade sobre o esoterismo e o misticismo. No caso das pessoas que preservaram as crenças nativas de seus ancestrais ou que tentam resgatá-las, algumas fazem oferendas e reverenciam um ou mais espíritos da natureza e outras tem um culto voltado a um ou mais Deuses. Para as religiões oficiais e as organizações religiosas que as representam, essas pessoas são pejorativamente tachadas de idólatras, selvagens, ignorantes, consideradas "sem Deus" porque não reconhecem o Deus Cristão, Judeu ou Muçulmano, mas definitivamente não são descrentes nem professam o ateísmo.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

O canto do sapo

O Sapo de Fora não pode Cantar, diz o ditado.

Mas o Sapo de Fora tem algo a dizer, algo a falar, algo a cantar.

Dizem tanto que a liberdade de expressão e opinião são direitos universais, então não podem censurar o Sapo de Fora.

O Sapo cantou para cristãos e foi enxotado como servo do Diabo.

O Sapo cantou para descrentes e foi enxotado como promotor da superstição.

O Sapo cantou para pagãos e foi enxotado como semeador da discórdia.

Por que o Canto do Sapo de Fora incomoda?

Os sapos são ambíguos por natureza, não são nem aquáticos nem terrestres; não são nem peixes, nem repteis, nem animais.

O Sapo de Fora incomoda porque seu canto perturba os delírios, fala de sinceridade, honestidade, coerência.

O Canto incomoda pela honestidade os cristãos, que vivem em uma hipocrisia e farsa.

O Canto incomoda pela coerência os descrentes, que vivem em uma mitificação e presunção.

O Canto incomoda pela sinceridade os pagãos, que vivem em um narcisismo e vigarice.

Pobre Sapo, por que insiste em Cantar?

Meu cantar é para que acabe o fundamentalismo, crente ou descrente.

Meu cantar é para que acabe o monopólio e privilégio sobre a verdade.

Meu cantar é para quebrar o encanto dos títulos de autoridade.

Meu canto é para tirar a máscara da ovelha que finge ser lobo.

Meu canto é para libertar as ovelhas do falso pastor.

Meu canto é para quebrar as jaulas das organizações religiosas.

Meu canto não busca grandeza, aplauso, reconhecimento.

Meu canto é escândalo porque serve aos Deuses.