domingo, 20 de abril de 2014

A ilusão da matéria

Niels Bohr, físico dinamarquês que fez contribuições significativas para a compreensão da estrutura atômica e teoria quântica, uma vez disse: "Se a mecânica quântica não profundamente chocado, você não entendeu isso ainda".
A física quântica tem deixado os cientistas de todo o mundo perplexo, especialmente com a descoberta de que a nossa realidade material físico, não é realmente físico. "Tudo o que chamamos de real é feito de coisas que não podem ser considerados como real." Parece que os filósofos de nosso passado antigo estavam certos, os nossos sentidos realmente nos enganam.
Mais uma vez, a nossa realidade material física não é realmente física. O sentido, o significado e as implicações destes resultados dentro do nosso mundo quântico levaram a uma infinidade de idéias e teorias, algumas das quais colocam dentro do rótulo de "pseudo-ciência". Este artigo irá apresentar evidência científica que mostra claramente as ligações entre a consciência e o que chamamos de realidade e como estes não podem ser negados. Ele também irá refletir sobre as implicações deste conhecimento, e como essa percepção desempenha um papel importante no potencial de transformação do nosso planeta, em um momento em que precisamos dele mais.
Estudos científicos mudam continuamente ao longo da história humana. "Saberes" velhos são constantemente descartado quando nos deparamos com novos. Algumas dessas idéias ameaçam nossa compreensão atual da física, mas como podemos até ter uma compreensão da física quando o que chamamos de "matéria" não é mesmo real? Como podemos entender isso se quando observamos um átomo em seu nível mais ínfimo o comportamento de que as mudanças de átomo? O mundo quântico é, definitivamente, um estranho e é seguro dizer que nós não entendemos isso, mas temos que reconhecer a importância e potencial que tem para ajudar a transformar o nosso mundo. Estamos começando a reconhecer que as propriedades não-físicas governam o universo, e estamos voltando nossa atenção para a consciência e do papel que desempenha no que diz respeito à constituição física da nossa realidade.
A noção de que o átomo era a menor partícula no universo caiu com a descoberta de que o próprio átomo é composta de elementos subatômicos, ainda menores. O que foi ainda mais chocante foi a revelação de que essas partículas subatômicas emitem vários "estranhas energias." Os defensores argumentam que os resultados dentro da física quântica só se aplicam e são significativas no nível subatômico, mas para aqueles que eu digo, não somos nós tudo existente no nível subatômico? Quando observamos a nós mesmos e nosso ambiente físico no menor nível, não estamos composta de átomos? Não somos feitos de partículas subatômicas? Não somos nós que observamos?
Na virada do século XIX, os físicos começaram a explorar a relação entre energia e estrutura da matéria. Ao fazer isso, a crença do universo material que estava no coração do saber científico foi abandonado e foi substituido pela percepção de que o "real" não é senão uma ilusão. Os cientistas começaram a reconhecer que tudo no Universo é feito de energia.
Os físicos quânticos descobriram que os átomos físicos são feitos de vórtices de energia que estão constantemente girando e vibrando, cada um irradiando sua própria assinatura energia única. Portanto, se nós realmente queremos nos observar e descobrir o que nós somos, nós somos realmente seres de energia e vibração, irradiando a nossa própria energia única assinatura, isso é fato e é o que a física quântica mostrou-nos uma e outra vez. Somos muito mais do que aquilo que percebemos sermos e é hora de começarmos a nos ver nessa luz. Se você observar a composição de um átomo com um microscópio, você veria um pequeno tornado, invisível como vórtice, com um número de vórtices de energia infinitamente pequenas chamadas quarks e fótons. Estes são o que compõem a estrutura do átomo. Como você focado em cada vez mais perto da estrutura do átomo, você iria ver nada, você iria observar um vazio físico. O átomo não tem estrutura física, não temos estrutura física, as coisas físicas realmente não tem qualquer estrutura física! Os átomos são feitos de energia invisível, não importa o tangível.
É bem o enigmático, não é? A nossa experiência diz-nos que a nossa realidade é feita de coisas materiais físicas e que o nosso mundo é um só objeto que existe independentemente. Novamente, o que mecânica quântica revela é que não há verdadeira "fisicalidade" no universo, que os átomos são feitos de vorticies focados, tornados em miniatura de energia que estão constantemente aparecendo, dentro e fora da existência. A revelação de que o universo não é um conjunto de partes físicas, sugeridas pela física newtoniana mas de um emaranhado de ondas de energia imaterial como previsto no trabalho de Albert Einstein, Max Planck e Werner Heisenberg, entre outros.
Apesar das descobertas da física quântica, muitos cientistas hoje ainda se apegam para a visão de mundo orientada para o assunto predominante, sem uma boa razão. Como mencionado anteriormente, estes cientistas restringir a validade da teoria quântica para o mundo subatômico. Se sabemos que a matéria não é físico, como podemos promover nossa descoberta científica tratando-o como físico?
O que significa que a nossa realidade material físico não é realmente físico em tudo? Isso pode significar uma série de coisas, e conceitos como este não pode ser explorado se os cientistas permanecer dentro dos limites do mundo apenas percepção existente, o mundo que vemos. Felizmente, muitos cientistas já tomaram o salto, e já questionou o significado e as implicações do que nós descobrimos com a física quântica. Um destes potenciais revelações que é "o observador cria a realidade."
Um grande exemplo que ilustra o papel da consciência no mundo material físico (o que sabemos não ser tão físico) é a experiência da dupla fenda. Este experimento foi usado várias vezes para explorar o papel da consciência na formação da natureza da realidade física.
Um sistema óptico da dupla fenda foi usado para testar o possível papel da consciência no colapso da função de onda quântica. A relação de potência espectral da dupla fenda do padrão de interferência a seu poder espectral de fenda única foi previsto que diminuiria quando a atenção estava voltada para a dupla fenda em relação a ele. O estudo constatou que os fatores associados com a consciência, como a meditação, experiência, marcadores eletrocorticais de atenção focalizada e fatores psicológicos, tais como abertura e absorção, significativamente correlacionada de formas previstas com perturbações no padrão de interferência dupla fenda.
O problema apresentado neste experimento é chamado o problema da medição quântica (QMP). Refere-se o efeito intrigante em que objetos quânticos parecem se comportar de forma diferente quando observado que quando não observado. Os cientistas apenas o vê como um problema porque desconsidera que os nossos sentidos nos dizem, que o mundo é completamente independente de observação. Este problema levou ao estudo do papel de observação e medição, que muitos acreditam ser um aspecto da consciência devido à nossa capacidade mental como de consciência, atenção e intenção.
Esses tipos de experiências não são os únicos disponíveis que mostram que a consciência tem um papel, e está interligado com a nossa realidade material físico de alguma forma. A possível influência da consciência humana sobre o comportamento de sistemas físicos ou biológicos tem sido objeto de pesquisa e documentação rigorosa para um número de anos por diversas pesquisas. Muitos dos experimentos que usam o papel da consciência humana e como isso afeta o nosso mundo material físico ter sido feito no âmbito do Departamento de Defesa e as agências militares, assim permanecendo como segredos da ciência e escondidos dos olhos do público em geral.
Agora que nós estabelecemos que nossa constituição física é aquela que não é físico em tudo, para onde vamos a partir daqui? Somos átomos, constituídos de partículas subatômicas, que são, na verdade, um monte de energia que vibra em uma determinada frequência. Somos, esses seres vibracionais de consciência exposição de energia, que foi mostrado para se manifestar, criar e correlacionar com o nosso mundo material físico. A próxima questão a se perguntar é: qual o nível de consciência / estado de ser que nós, individualmente e, mais importante ainda, operamos em conjunto?
Estudos têm demonstrado que emoções positivas e operacional de um lugar de paz dentro de si mesmo pode levar a uma experiência muito diferente para a pessoa que emite as emoções e para aqueles ao seu redor. No nosso nível subatômico, é que a freqüência vibracional mudar a manifestação da realidade física?Se sim, de que maneira? Sabemos que quando um átomo muda de estado, ela absorve ou emite freqüências eletromagnéticas, que são responsáveis ​​por mudar seu estado. Diferentes estados de emoção, percepção e sentimentos resultam em diferentes freqüências eletromagnéticas? Sim! Isto foi provado.
O mundo não-físico é estranho, não é? O fato de que substâncias materiais aparecem do nada, com muita evidência apontando para a consciência como o que está a criá-lo, é bastante intrigante. Um minuto estamos a realizar um objeto físico em nossas mãos, como uma moeda, em seguida, no minuto seguinte, percebemos que, se fôssemos focar na substância material moedas com um microscópio atômico, veríamos que estamos realmente segurando nada.
O melhor que podemos fazer agora é entender que a raça humana deve operar a partir de um lugar de paz, um lugar de cooperação e compreensão. Temos de perceber que estamos todos interligados, que podemos resolver os nossos problemas aqui facilmente, dado o fato de que temos uma série de soluções.A única maneira que será capaz de implementar e utilizar estas soluções é através de uma mudança na consciência. O mundo está realmente acordando. Minha alma conhece o significado destes resultados, é difícil para a mente explicar. Esperemos que eu tenha feito um trabalho decente.
Fonte: Xposethereal. Traduzido com ajuda do Google tradutor.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Cientistas afirmam que há vida após a morte

Nos EUA, um livro intitulado «Biocentrism - How Life and Consciousness Are the Keys to Understanding the Nature of the Universe» («Biocentrismo - Como a Vida e a Consciência São as Chaves para Entender o Universo») tem causado alguma agitação porque contém uma noção segundo a qual a vida não acaba quando o corpo morre e pode durar para sempre. O autor do livro, Dr. Robert Lanza, é por alguns considerado como o terceiro cientista vivo mais importante. 
Lanza, especialista em medicina regenerativa e director científico da Advanced Cell Technology Company - Companhia de Tecnologia Celular Avançada - conhecido pela sua pesquisa com células estaminais, e pelo seu sucesso na clonagem de espécies em perigo de extinção, elaborou uma teoria denominada Biocentrismo, resultado da convergência da Física, da Mecânica Quântica e da Astrofísica, isto com os seus conhecimentos em matéria biológica. No essencial, o Biocentrismo ensina que a vida e a consciência são essenciais no Universo. A seu ver, é a consciência que cria o universo material e não o contrário.
Segundo Lanza, a própria estrutura do Universo, as suas leis, forças e constantes, parecem focadas na vida, o que implica, diz, que a inteligência existia já antes da matéria. 
Afirma também que o tempo e o espaço não são objectos ou coisas mas apenas ferramentas para o nosso entendimento animal. As pessoas carregam o tempo e o espaço consigo «como tartarugas com carapaças», e quando a carapaça sai, as pessoas ainda existem. 
A teoria indica portanto que a morte da consciência pura e simplesmente não existe. Ou existe apenas como um pensamento porque as pessoas se identificam com o seu corpo, acreditando por isso que desaparecem quando este corpo morre, porque pensam que é o corpo que gera a consciência. O biocentrismo diz que não, que o corpo apenas recebe a consciência, da mesma maneira que uma caixa de tv cabo recebe sinais por via satélite. E, assim, a consciência não desaparece quando o dito receptor físico desaparece. A consciência pode por seu turno existir fora dos constrangimentos do espaço e do tempo. Pode mover-se para toda a parte: no corpo humano e fora dele. Em suma, é não-local do mesmo modo que os objectos quânticos são não-locais.
Lanza afirma também que podem existir múltiplos universos simultaneamente. Num universo, o corpo pode estar morto; noutro, pode continuar a existir, absorvendo a consciência que para este outro universo tenha migrado. Isto significa que uma pessoa morta a viajar através do famoso túnel vai dar não ao céu ou ao inferno, mas a um mundo similar onde ele ou ela em tempos viveu. 
E assim infinitamente.
É deveras interessante como isto corresponde a certas concepções ditas célticas de que a pessoa que morre renasce noutro mundo...
De notar que, com o acordo de outros importantes cientistas, esta concepção de universo múltiplo, o chamado Multiverso, é já considerada científica.
A ideia já tinha sido abordada pelo escritor de ficção científica H. G. Wells numa história de 1895 intitulada «A Porta na Parede». A ideia foi já na segunda metade do século XX desenvolvida pelo Dr. Hugh Everett na sua tese de graduação da Universidade de Princeton. Diz basicamente que o universo divide-se num dado momento em infinitos instantes similares, e assim sucessivamente. Nalguns destes universos pode um indivíduo estar a ler um livro e noutro a fazer outra coisa qualquer.
Recordo já agora a obra, também de ficção científica, intitulada «Traidor aos Vivos», de Philip José Farmer, editada em Portugal na colecção Argonauta, que postula uma concepção que creio ser similar à de Lanza - que a energia dos vivos não morre e passa para outro universo, onde eventualmente não terá fim.
É aqui que entra o que diz o Dr. Stuart Hameroff: uma experiência de quase-morte acontece quando a informação quântica que existe no nosso sistema nervoso deixa o corpo e dissipa-se pelo universo. Adianta Hameroff, e também o físico britânico Sir Roger Penrose, que a consciência reside em microtúbulos das células cerebrais, que são os sítios primordiais do processo quântico. Depois da morte, esta informação é libertada do corpo, significando que a consciência a acompanha. Foi argumentado que a nossa experiência de consciência é o resultado dos efeitos da gravidade quântica nestes microtúbulos, teoria polémica que tem o nome de Redução Objectiva Orquestrada, já muito criticada mas aparentemente reforçada com uma nova descoberta.
Estes dois autores teorizam a consciência ou pelo menos proto-consciência como uma propriedade fundamental do Universo, presente até no primeiro momento do mesmo durante o chamado «Big Bang».
Assim, as nossas almas seriam feitas do próprio tecido do universo - e podem bem ter existido desde o começo dos tempos. Os nossos cérebros seriam apenas receptores e amplificadores da proto-consciência que é intrínseca ao tecido espácio-temporal. Diz Hameroff: «Digamos que o coração pára de bater, o sangue pára de fluir, os microtúbulos perdem o seu estado quântico. A informação quântica nos microtúbulos não é destruída, não pode ser destruída, pura e simplesmente distribui-se e dissipa-se pelo universo.» Lanza acrescentaria que esta consciência pode existir noutros universos. 
E continua, Hameroff: «se o paciente é ressuscitado, esta informação quântica pode voltar aos microtúbulos e o paciente diz "tive uma experiência de quase morte". Se não for ressuscitado, e fica morto, é possível que esta informação quântica possa existir fora do corpo, talvez indefinidamente, como alma.»
Publicado no Gladius.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Pornô: arte, contestação e discurso

A sociedade brasileira está passando por uma interessante encruzilhada.
Passados 50 anos do golpe civil-militar, vê-se até professores defendendo a ditadura, desfilando o mesmo discurso reacionário, cheio de neuroses, paranóias e teorias de conspiração, retórica completamente obsoleta no século XXI.
Não deve ser mera coincidência ver discursos, por parte da Igreja, de grupos conservadores e da "nova direita" liberal, discursando contra a Revolução Sexual como a "culpada" pelos males do mundo contemporâneo, no tocante ao "relativismo moral", a "perda dos valores familiares" e na "libertinagem".
Ainda em pleno século XXI, falar em sexo e política, acaba em polêmica e discussão. Parece uma questão banal para preocupar tantas instituições, públicas, privadas e religiosas, mas o nosso corpo, o nosso desejo e prazer, são como um território que deve ser controlado, dominado, regulamentado, por terceiros. Quem controla nosso corpo pode controlar nossa mente. Existe uma conexão entre a política sexual, seja esta explítica ou velada, mantida pelo Estado, pela Sociedade, pela Igreja e o controle social do indivíduo. A isto eu defino como política sexual, o discurso oficial e oficioso é necessário e utilizado para manter certos grupos em sua posição de autoridade, privilégio e prestígio.
Quando vozes discordantes, dissonantes ou libertárias apontam para a existência dos grilhões, denunciando nosso estado de indigência erótico-afetiva e apresentando idéias alternativas que começaram a surgir no século XVIII, os donos do poder usam e abusam do terrorismo psicológico para manter o sistema. A homofobia, a misoginia e a violência sexual são sintomas dessa conjuntura de repressão e opressão sexual.
Discutir ou contestar conceitos arbitrários quanto a identidade sexual, de gênero, de opção sexual, de formas de relacionamento e da formatação da família parece abalar os alicerces de instutições monolíticas. Os donos do poder, desesperados, tentam evitar, contornar ou assimilar essas idéias revolucionárias e libertárias. A cooptação dos ideais da Revolução Sexual teve como resultado o surgimento da comercialização do sexismo e da Indústria Pornográfica nos meios de comunicação de massa.
Eu posso discordar da pornografia como esta é explorada pelos meios de comunicação de massa, não por esta existir, mas por razões de estética, ética e forma. Houve uma época em que a pornografia estava inserida na arte, na literatura, na poesia, no teatro. A pornografia era, na antiguidade, um discurso estético onde o ser humano representava, por meio da arte, suas fantasias, pulsões, medos e necessidades. Nese âmbito, a pornografia torna-se um discurso, não para estimular ou censurar, determinados comportamentos e tendências sexuais, mas para servir como veículo de catarse, diminuindo ou evitando desvios e violências sexuais. Na Renascença, a pornografia ressurgiu como um discurso de resistência e contestação aos dogmas da Igreja e, nesse discurso, ao questionar as normas, os limites e a falsa moralidade da Igreja, deu forma ao que convencionou chamar de Revolução Sexual, onde o indivíduo tenta retomar o senhorio de seu corpo, seu desejo, seu prazer.
Conforme as formas de totalitarismo, secular e clerical, foram perdendo seu poder e influência, amadureceram-se os ideais, a revolução, a contestação e o discurso contra os conceitos arbitrários impostos pelos donos do poder. Neste cenário apareceram os trabalhos de Wilhem Reich e Alfred Kinsley, dando um endosso acadêmico ao discurso da Revolução Sexual. Somente então, por uma questão científica, médica e de saúde, surgiu a pílula anticoncepcional. Alguns anos mais tarde, aconteceu a Contracultura e, pelas mãos de diversos artistas, as idéias da Revolução Sexual chegaram ao conhecimento do público, tornando-se um fenônemo de massa.
A Indústria Pornográfica, paradoxalmente, foi a resposta dos donos do poder, do sistema, para evitar, contornar ou assimilar a tendência do público em retomar o controle político de seu corpo, sua sexualidade, seu desejo e seu prazer. Ao massificar, vulgarizar, mercantilizar e comercializar a pornografia, o sistema reiterou, ressaltou e reforçou o discurso do sistema dominante, machista, sexista, classista, frustrado, recalcado e sexualmente oprimido/reprimido. As necessidades, tendências, pulsões e medos da humanidade diante do sexo são as mesmas, a pornografia nos meios de comunicação de massa agiram como estimulante dos problemas psicológicos humanos neste campo e criou espaço para o desenvolvimento de diversos desvios e violências sexuais. Por fornecer um simulacro da coisa real, não a satisfação real, a pornografia comercializada pelos veiculos de comunicação de massa tornam-se insuficientes e ineficazes, mas servem ao discurso reacionário em prol da escravização do cidadão nas mãos dos donos do poder.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Preconceito na Imprensa

Caros diletos e eventuais leitores, para variar um pouco sobre os assuntos favoritos desse pagão que vos escreve, eu gostaria de comentar a recente polêmica levantada pela nossa Imprensa, que ultimamente tem vivido mais de escândalos, sensacionalismo e tragédia do que de jornalismo.
Vamos aos fatos: um professor de filosofia, em uma prova aplicada a alunos do Centro de Ensino Médio 3 de Taguatinga, trouxe uma questão polêmica, ao citar a funkeira Valesca Popozuda como uma "grande pensadora contemporânea". A Imprensa adora colocar professores em uma sinuca de bico, haja visto a forma como foi explorado o escândalo com o prof. Eduardo Gualazzi.
Eu reproduzo aqui uma notícia com comentário do prof. Antonio Kubitschek, defendendo sua idéia:
"Para o professor, Valesca Popozuda pode ser considerada uma pensadora, pois, ele afirma que, de acordo com a filosofia antiga francesa, qualquer indivíduo que forma um conceito pode ser considerado um filósofo ou pensador. "Nesse sentido, Valesca é uma pensadora e só gera tanta repercussão por ser mulher. Se fosse o Mister Catra, nao geraria tanta polêmica", opinou."[Correio Braziliense]
Eu reproduzo uma notícia que resume o preconceito e a polêmica que suscitou essa pergunta na prova:
"Quando a classificamos como grande pensadora contemporânea, a rotulamos como alguém que de fato tem pensamentos sistematizados dentro dos princípios filosóficos ou científicos. A Valesca pode ser, sim, uma contestadora, visto que canta funk, e o funk é uma música de contestação, mas daí a classificá-la como grande pensadora contemporânea é equivocado", avalia a pedagoga e mestre em educação Francisca Paris, diretora de serviços educacionais da Saraiva."[Correio Braziliense]
Resumo da ópera: sobrou sensacionalismo e preconceito e faltou filosofia.
O que faz alguém um grande pensador? Um grande pensador não é apenas aquele que cursou ou frequentou uma faculdade de filosofia, mas certamente é um indivíduo culto, intelectual e que gosta de ler muito, mesmo que sejam textos pobres, superficiais, tendenciosos ou preconceituosos. Um grande pensador é aquele que vê o óbvio e tem a coragem de expressá-lo diante do público, contrariando o sistema, as patrulhas ideológicas e a ditadura da mediocridade. Um grande pensador é aquele que tem a capacidade e a liberdade de explorar, analisar, dissecar, conhecer, criticar e contestar, nas mais diversas disciplinas, os [pre]conceitos formados, mantidos e reproduzidos por uma sociedade. O dileto e eventual leitor que identificou esse pagão que vos escreve nessa definição ganhou uma torta de maçã.
Dentro dessa definição, por que a Valesca Popozuda não pode ser uma grande pensadora? Primeiro ponto: não devemos julgar a pessoa pelo seu "produto artístico". Que o funk tem um gosto estético, musical, poético e cultural no mínimo duvidoso, não há dúvidas. Valesca Popozuda não pode ser uma grande pensadora por que? Por ser mulher? Sexismo. Por não ter escolaridade? Academicismo. Por pertencer a uma classe social menos favorecida? Elitismo.
Capacidade de pensar, a Valesca Popozuda demonstrou ter ao comentar a matéria:
"...talvez se ele tivesse colocado um trecho de qualquer música de MPB ou até mesmo de qualquer outro gênero musical que não fosse o FUNK talvez não tivesse gerado tal problema sabia! Sim eu acredito nisso! E se a polêmica é apenas por ser uma música de funk? E se fosse MPB ou uma música americana que tanto é valorizada por nós? Será que daria a mesma polêmica?"[Divirta-se Uai]
Diante dos comentários irônicos e sarcásticos dos envolvidos, a Imprensa bem que podia aprender a pensar um pouco mais antes de sair utilizando um fato irrelevante para criar uma polemica desnecessária, unicamente para ganhar mais dinheiro com o escândalo, o sensacionalismo, o preconceito e a tragédia.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Resgatando uma lenda

No mundo contemporâneo existe o costume de utilizar, de forma pejorativa, as palavras "mito" e "lenda" no sentido de "mentira" ou de algo "falso".
Na antiguidade, fato, mito e lenda eram simplesmente formas de ver o mundo, igualmente válidas e fonte de conhecimento. No mundo contemporâneo, o mundo das idéias de Platão seria considerado superstição, crendice. No pensamento ateu apenas aquilo que pode ser comprovado por fatos, evidências e experiências é que pode ser considerado como real, como existente. Curiosamente o ateu aceita sem pestanejar a existência de diversos elementos que não são materialmente visíveis, energias, ondas e partículas que se tornam visíveis graças à aparelhos que mostram em um monitor uma imagem desse elemento, mas não a coisa em si mesma.
O mesmo pode se dizer do unicórnio. O que temos são imagens, representações, recursos artísticos que apareceram posteriormente ao folclore popular. Das representações tardias vem essa concepção de que um unicórnio deva parecer, necessáriamente, um cavalo, branco, portador de um único chifre que desponta de sua testa. Não se pode analisar um ser nos baseando em apenas uma concepção ou uma única imagem.
No folclore europeu, o unicórnio é muitas vezes descrito como um tipo de cavalo ou bode branco com um longo chifre e os cascos fendidos.
O unicórnio é um animal lendário que tem sido descrito desde a antiguidade como um animal com um grande chifre em espiral, projetando a partir de sua testa. O unicórnio foi mencionado pelos antigos gregos em contas de história natural por vários escritores, incluindo Ctesias , Estrabão, Plínio, o Jovem e Eliano .
Escritores gregos de História Natural estavam convencidos da realidade do unicórnio, localizado na Índia, um reino distante e fabuloso para eles. A mais antiga descrição é de Ctesias que os descreveu como asnos selvagens, com um chifre de um côvado e meio de comprimento e de cor branca, vermelha e preta. Aristóteles deve ser citado Ctesias quando ele menciona dois animais de um chifre, o órix (espécie de antílope). Estrabão diz que no Cáucaso havia cavalos de um chifre com cabeças como de veado. Plínio, o Velho menciona o órix e um boi indiano como animais de um chifre, bem como "um animal muito feroz chamado de Monoceros, que tem a cabeça do veado, os pés do elefante e a cauda de o javali, enquanto o resto do corpo é como a do cavalo, faz um barulho mugido profundo e tem um único chifre preto, que se projeta a partir do meio da testa, com dois côvados de comprimento". Eliano, citando Ctesias, acrescenta que a Índia tem também um cavalo de um chifre e diz que o Monoceros foi chamado às vezes cartazonos, que pode ser uma forma do árabe karkadann , que significa " rinoceronte ".
Caçadas para um animal real tendo como a base do mito do unicórnio, de acordo com a concepção de escritores da Antiguidade que ele realmente existia em algum lugar na borda da terra conhecida, adicionou mais uma camada de mitificação sobre o unicórnio.[wikipedia]
A mitologia e a mitografia migrou do imaginário popular para a nobreza e para o clero, de onde vem a concepção moderna estereotipada da imagem do unicórnio. Sua origem e existência há muito foi integrada no imaginário, perdendo sua referência com a biologia das espécies e no mundo asséptico, estéril e mecanicista do ateu, qualquer coisa que não se encaixe ou não passe pelo escrutínio da ciência, o unicórnio é relegado a uma figura fantástica, impossível e improvável de existir, mera superstição e crendice, que deve ser expurgada. Impossivel calcular a perda cultural que a humanidade teria se por acaso essa convicção se tornasse uma verdade absoluta e inquestionavel.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Flatulência de cátedra

Meus caros diletos e eventuais leitores devem estar ou felizes ou intrigados por este blog estar voltando a falar de temas congêneres, como sexo, política, filosofia e psicologia. Os caros leitores hão de concordar comigo que blogues com um tema e direção fixos acabam ficando chatos e monótonos. Bom, contentando ou não meus leitores, os que têm o costume de ler meus textos deve ter visto o fim de Joãozinho.
Rodrigo Constantino em sua coluna acerta de vez em quando, quando comenta com ironia sobre a esquerda caviar e quando comenta com severidade sobre o comportamento humano. Não foi o caso do artigo dele, como de muitos pela internet, fazendo alarde porque o professor Eduardo Gualazzi não pode fazer seu discurso elogiando a “revolução de 1964”.
Os mais exaltados [testas de ferro, marionetes] clamaram pelo “cerceamento do legitimo direito de liberdade de expressão”, os mais apaixonados clamaram contra o “predomínio do marxismo” nas universidades.
O texto é de uma excrescência sem igual, houve um golpe militar nos idos de 1º de abril de 1964, uma piada sem graça que durou até 15 de março de 1985. E uma vez que o professor frequentou e trabalha no meio universitário, esse argumento de que existe um predomínio do marxismo nas faculdades não cola mais. Nisso, até o Rodrigo Constantino concorda comigo. Que o Rodrigo teria problemas sérios em um regime tal como foi defendido pelo professor, não há dúvidas, pois certos setores da “direita” não veriam o “liberalismo” dele com bons olhos. Daí a razão de eu discordar do Rodrigo Constantino [e de muitos outros] ao tentar “defender” o direito de liberdade de expressão do sr Gualazzi.
Primeiro ponto: se o professor tem o direito de ter a liberdade de se expressar, há o direito [meu, seu, nosso] de discordar e criticar, principalmente quando não sobram razões para repudiar um texto tão escroto.
Segundo ponto: a garantia constitucional da liberdade de expressão não é absoluta, tem limites jurídicos e não pode abrigar, em sua abrangência, manifestações que implicam ilicitude penal. [snip] um direito individual não pode constituir-se em salvaguarda de condutas ilícitas, como sucede com os delitos contra a honra. Prevalência dos princípios da dignidade da pessoa humana e da igualdade jurídica. [voto do STF]
Isto posto, vamos analisar o texto do professor Gualazzi.
Gualazzi descreve como ele definiu sua personalidade, nos idos de 31 de março de 1964, em 12 palavras a) aristocracismo; b) burguesismo; c) capitalismo; d) direitismo; e) euro-brasilidade; f) família; g) individualismo; h) liberalismo; i) música erudita; j) pan-americanismo; k) propriedade privada; l) tradição judaico-cristã. Vamos por partes, como diria Chico Picadinho.
Aristocracia – ou o governo dos melhores, em bom grego. Na Grécia Antiga eram poucos os aristocratas, eram pessoas de famílias nobres, possuíam muitas propriedades e tinham seu próprio exército. Nós estamos há milênios dessa sociedade e eu acho pouco provável que exista um grupo de pessoas, brasileiras natas, que preencham todos os requisitos para ser um aristocrata.
Burguesia – ou habitante de um burgo, vulgo cidade. O termo foi largamente [mal] utilizado no pensamento marxista, o que causa estranheza em ver o sr Gualazzi utilizá-lo como divisa e motivo de orgulho.
Capitalismo – ou modelo econômico centrado no capital. Este termo também foi largamente [mal] utilizado no pensamento marxista e o sr Gualazzi parece desconhecer aquilo que orgulhosamente defende.
Direitismo – ou ter uma opinião ou visão política de “direita”. Como todo campo humano, essa visão política tem diversas vertentes e opiniões, o conjunto do que o sr Guanazzi defende poderia muito bem ser considerado subversivo na época da ditadura militar.
Euro-brasilidade – uma designação ridícula e tão vaga quanto “pan-americanismo”. O Brasil é um país feito de tantos povos, de tantas origens que, promover o ufanismo à pátria sem considerar nossa mescla, chega a ser racismo.
Família – um conceito imposto e definido pelos senhores da sociedade. O conceito de família ora imposto é tão absurdo e arbitrário quanto impor uma “tradição judaico-cristã” em um Estado laico.
Individualismo – ou o elogio ao ego. Nesse quesito o sr Guanazzi teria problemas com a ditadura militar. Como em todo Estado Totalitário, apenas a opinião oficial e oficiosa é permitida, não há espaço para o individualismo.
Liberalismo – definitivamente neste quesito o sr Guanazzi poderia facilmente entrar na “estatística” de casualidades civis ocorridas na ditadura militar. Os direitos e as liberdades individuais forma sacrificadas desde o primeiro ato institucional.
Música erudita – coisa de gente que quer fazer pose de rica ou intelectual. Gostar de música erudita não deve excluir outras formas de músicas, como MPB, samba, rock.
Pan-americanismo – um conceito vago e sem sentido. Fez parte da ideologia nos anos de chumbo. O pan-americanismo foi uma tentativa de Integrar diversos países em um bloco. Funcionou até chegar ao México. Quando a ideia chegou aos EUA, evidente, a iniciativa murchou. A ditadura era militar, mas os EUA continuavam a ser o “Boss”.
Propriedade privada – neologismo desnecessário, segundo os críticos do socialismo, o que existe é propriedade. O Estado tem o dever de assegurar o direito à propriedade, bem como posse e usufruto. Nuances que passam despercebidas no discurso reacionário.
Tradição judaico-cristã – faz tanto sentido quanto “euro-brasilidade” e “pan-americanismo”. O Brasil é um país com tanta diversidade de cultura e tradições que clamar por privilégio ou monopólio para essa tradição judaico-cristã torna-se absurdo e arbitrário.
O texto continua, com mais sandices. O sr Guanazzi divide o mundo na dicotomia obsoleta, entre o “Capitalismo Direitista Liberal” e o “Socialismo/Comunismo Esquerdista Totalitário”. O autor não fornece nenhuma fonte ou referência para essa divisão política dualista e, diante de tantos regimes “capitalistas de direita” que foram totalitários, a análise demonstra ser falha, tendenciosa e desonesta. O autor comete o mesmo erro costumeiro dos críticos do socialismo, a saber, não se critica a teoria, a ideologia ou a filosofia, o foco da crítica concentra-se na desastrosa implantação do “socialismo real”. Por razões mais próprias dos países e das lideranças onde o socialismo foi implantado é que foi possível acontecer excessos, como também aconteceram excessos nos regimes “capitalistas de direita”, portanto a quantidade de mortos é irrelevante para uma análise imparcial.
O sr Guanazzi reproduz a paranoia e neurose que foi propagada na época, ideias e conceitos propagados pelos algozes que tomaram o poder pela quartelada. O autor ignorou os dados econômicos da época onde o Brasil fechava sua fatura anual com déficit interno e externo. O autor insere um conceito questionável e discutível, afirmando que os “revolucionários” implantaram uma infraestrutura e uma superestrutura que tornou o país imune a qualquer subversão do perfil histórico do país. O sr Guanazzi tem uma concepção bem estranha e equivocada do que deve ser o perfil histórico do Brasil e “subversão” era tudo ou qualquer coisa que não era sancionado ou permitido pela ditadura militar, inclusive os ideais mais básicos de um Estado Democrático de Direito.
Contando vitória sem mérito, o sr Guanazzi relembra que em nossa época contemporânea é perceptível a decadência ideológica, mas não por que o “capitalismo liberal de direita” venceu. Se hoje temos e desfrutamos de muitas conquistas sociais é porque houve a garantia de direitos, houve liberdade e houve influência da filosofia socialista. Paradoxalmente, o “sucesso” do capitalismo deve muito à assimilação de ideias do socialismo e isso certamente o Rodrigo Constantino irá negar.

Os caçadores de sonhos da Córsega

Autora: Dorothy Carrington
Parte 1: Os corsos e os Mortos
A tradição do povo corso está principalmente relacionada com a morte. A atitude dos corsos para os mortos é ambivalente, como você pode ler mais tarde. No entanto, eles não são um povo particularmente melancólico. Eles sabem como se divertir com um entusiasmo indisfarçável em ocasiões apropriadas: casamentos da família e festas de batizado, festas locais, o carnaval. A celebração de uma eleição bem sucedida é feita com explosões de arma de fogo, fogos de artifício e música. Mas os corsos herdaram uma religião de veneração dos mortos, a dos construtores megalíticos, que sobrepôs uma seita insular anterior do mesmo caráter; uma que talvez fosse natural para um povo que dão tão grande valor à vida humana.
A arqueologia tem mostrado que os dólmens e outros tipos de sepulcros megalíticos foram projetados para o enterro coletivo. Na Córsega, as estátuas-menires são explícitas. Dificilmente se pode duvidar de que eles comemorar chefes falecidos, guerreiros e heróis.
O culto megalítico dos mortos persistiu no inconsciente coletivo do povo corso, crenças determinam atitude e costumes. Os ritos fúnebres não cristãos, o voceru (canção em homenagem ao falecido), o caracolu (dança ritual), a prática de sepultamento coletivo na arca (local de sepultamento debaixo do altar), os túmulos familiares mais elaborados, a atenção dada aos mortos no Dia de Finados, a própria vendetta, que decretou que o assassinato deve vingar o assassinato e apaziguar o espírito do homem assassinado, todos esses costumes, bem como várias crenças populares certamente deve remontar à crença da Era Megalítica, sobreviveu ao longo dos séculos, juntamente com o cristianismo, às vezes entrelaçando com ele, às vezes, sufocando, mas nunca extirpada até hoje.
Na véspera do Dia de Finados os mortos são pensados para voltar para suas casas. Cada família toca o sino da igreja para convocar seus espíritos. Os fogos nas casas ficam acesos e as portas abertas, para acolher os mortos. O alimento pode ser colocado para fora para eles na mesa de jantar, ou na borda externa de um parapeito da janela. É o costume de compartilhar essas bebidas com parentes e vizinhos que, por consumi-los, são imaginados para dar prazer aos mortos.
Na Córsega os mortos reinam, ditando ações e atitudes.
Venerados, eles também são temidos. Se seus túmulos são negligenciados, e nenhuma comida ou água está preparada para eles na noite de seu retorno, se os seus conselhos morte foi deixado sem vingança, eles podem causar a sua própria vingança, levando os vivos com eles.
Os mortos, se tratada com o devido respeito, pode ser invocado para orientação. Na Idade Média, e até mesmo posteriores assembleias de aldeia e tribunais foram realizadas em um cemitério, conhecido como o Arringo, com os participantes agrupados em volta de uma laje de pedra, o petra d'Arringo, colocada sobre o túmulo. Os mortos eram confiáveis para inspirar decisões sábias.
Uma morte em uma casa na Córsega era até recentemente a ocasião de cerimônias tradicionais espetaculares que deviam pouco ao cristianismo. A família reunida em volta do cadáver, que foi colocado sobre a mesa de jantar. Janelas, persianas e portas estavam fechadas, o quarto estava iluminado apenas por uma única vela, às vezes, a casa foi pintada de preto. As mulheres gritavam e choravam e arrancavam os cabelos, arranhou o rosto com as unhas, de modo que algumas delas permaneceram desfiguradas para a vida. As viúvas esperavam, assim, apaziguar os espíritos de seus maridos mortos.
O clímax dessas metáforas é "você era meu irmão", pois para um corso o laço de sangue é o vínculo mais sagrado. Passou de boca em boca e de orelha em orelha, essas músicas foram publicados em intervalos desde a última parte do século 19.
O voceru era muitas vezes uma intimação para vingança, em que qualquer pretensão de submissão cristã foi impedida. As palavras da voceratrice eram calculadas para agitar os instintos sanguinários dos homens reunidos no fundo, batendo no chão com as extremidades de suas armas.
Havia até mesmo uma dança ritual, o caracolu, em que os enlutados ligado mãos e brincam volta do cadáver. Esta dança, bem como a voceru foram condenadas pelo clero.  O caracolu parece ter sido um movimento circular de origem pré-cristã projetada para restaurar a harmonia natural quebrado pela morte, como é a procissão conhecida como a granitula.
O manghjaria, o enorme banquete funeral tradicional ocorre após um enterro na casa do falecido.  Todos os familiares estão presentes, muitas pessoas foram convidadas, muitos sacerdotes foram incluídos entre os convidados. Estas refeições enormes foram projetadas não tanto para alimentar os convidados como para honrar os mortos.
O costume do banquete aparentemente remonta a tempos pré-históricos.  O arqueólogo François de Lanfranchi detectou vestígios de uma festa funeral em um cemitério da Idade do Ferro na Alta Rocca.