quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Um efeito da falta de educação sexual

Que no Ocidente Cristão assuntos que envolva o corpo, o prazer, o sexo e o relacionamento entre pessoas seja motivo de alarde, escândalo, puritanismo e moralismo hipócrita, não é novidade a este pagão ou a este blog.
Por exemplo, eu ainda espero por uma resposta [via email] do Luis Pondé aos meus comentários a seu texto "Terrorismo Sexual":
O autor escreve: "Sexo é assunto da vida privada e familiar", mas esquece que em muitas famílias falar sobre ou a respeito de sexo ainda é tabu.
Curiosamente o autor desconfia da intenção e da formação das pedagogas: "Nenhuma escola ou pedagoga maníaca por sexo deveria entrar nas cabeças das crianças com suas fantasias travestidas de teorias", mas se vamos desconfiar da formação e da intenção de uma pessoa com formação acadêmica, o autor deveria desconfiar de si mesmo.
O autor pergunta candidamente, como se não houvesse dado uma "resposta" anteriormente: "Quem são os teóricos de confiança? Quem descobriu o sexo correto?" A resposta pode não ser a adequada ou a preferida do autor, mas certamente não podemos continuar a fingir que o ser humano não possui sua sexualidade desde que nasce, apenas mudando as formas de manifesta-la, segundo Reich e as 5 fases da sexualidade humana.
Em seguida o autor comete o mesmo equívoco, difamação, calúnia e injúria que osd argumentos dos fundamentalistas cristãos recorrem quando o assunto é educação sexual, sexualidade, crianças e adolescentes: "No futuro, talvez revoguem a lei contra a pedofilia em nome dos avanços conra os preconceitos e a pedofilia venha a ser correta", mas esquece de estabelecer o vínculo causal entre um argumento e outro. Violência sexual sempre será crime, o que pode variar é a questão da idade ou do consentimento entre as pesoas que se relacionam. O fato é que a nova geração tem maior acesso à informação do que a nossa, em especial sobre sexo e sexualidade, mas sem a devida orientação/educação/formação. Os casos de pedofilia é apenas uma ponta convenientemente explorada pela sociedade hipócrita para voltar a vigorar o puritanismo.
O autor é incensado, sem razão, pelos católicos ao repudiar a educação sexual, descrevendo-a como ridícula, mas sem essa educação haverá apenas um aumento de casos de pedofilia, de violência sexual contra crianças e adolescentes, de gravidez não planejada. Não contente, ainda sugere que a professora tenha um exame de sanidade mental ou de atestado de que tenha uma vida sexual feliz para abilitá-la a dar aulas de sexo. O autor por acaso fez um auto-exame?
O autor reproduz o estado de ignorância social quanto ao sexo: "Sexo saudável é sexo pelo sexo, sem preconceitos? Conversa fiada, sexo sempre é dificil porque seu contexto passa por fantasias, mentiras, insegurança e infidelidades", sem se dar conta que tal situação ocorre exatamente porque nós vivemos um século dominado pelo puritanismo, pela repressão e opressão sexual.
O autor entra no mesmo argumento que resvala a "teoria de conspiração" tão acalentada entre os fundamentalistas: "Educação sexual é uma armadilha a serviço de todo tipo de lobby", um engano que tem causado manifestações de homofobia. Então recorre ao velho apelo à maioria: "Se o bando da educação sexual fosse de homoafetivos [...]? você [...] heteroafetivo(s), aceitari(am) somente porque o bando em questão acusaria você(s) de maioria esmagadora preconceituosa?" O autor se esquece que nem sempre a maioria está certa, só por ser maioria, ou o autor se esquece que o Nazismo conquistou o poder graças à essa maioria? Estamos em um Estado de Direito, onde mesmo as minorias tem seus direitos resguardados. Mesmo que equivocada ou tendenciosa, uma formação educacional tem que refletir a realidade sexual humana e o Estado de Direito. Os incomodados que continuem em seu puritanismo recalcado.
A discussão sobre a sexualidade, em especial da criança e do adolescente ainda é um tabu, uma proibição, resultante do obscurantismo que a Igreja impõe no Ocidente Cristão. Não foi nenhuma surpresa ao me deparar com as reações a esta notícia:
Virou moda entre muitas meninas britânicas o uso de pulseiras de plástico coloridas, apelidadas de "shag bands" ("pulseiras do sexo", em tradução-livre).
Cada cor representa um ato afetivo ou sexual que, em teoria, a meninas precisariam fazer caso um menino consiga arrebentar a pulseira. Esses atos vão desde um inocente abraço até sexo oral e relações sexuais completas.[BBC]
Poderia confundir-se com mais uma daquelas modas que pega, uma vez que é usado por milhares em várias escolas primárias e preparatórias no Reino Unido e custa apenas uns cêntimos em qualquer banca ao virar da esquina.
Andam uns atrás dos outros nos recreios das escolas, na tentativa de rebentar uma das pulseiras. Quem a usava terá de “oferecer” o acto físico a que corresponde a cor.[Destak]
Não é necessário ter nivel superior para saber que se for proibido vai ser pior. O que se precisa é perceber que a responsabilidade é da própria sociedade, que usa a sexualidade para fins comerciais, que mantém uma indústria pornográfica, enquanto pelo outro lado continua a tratar a criança e adolescente como um ser alienado, ingênuo, inocente.

A religião doméstica

Não é necessário representar esta antiga religião como as que foram fundadas mais tarde, com a humanidade mais evoluída. Há muitos séculos que o gênero humano não admite mais uma doutrina religiosa senão com duas condições: uma, que tenha um único deus; outra, que se dirija a todos os homens, e seja acessível a todos, sem afastar sistematicamente nenhuma classe ou raça. Mas a religião dos primeiros tempos não preenchia nenhuma dessas condições. Não somente não oferecia à adoração dos homens um único deus, mas ainda seus deuses não aceitavam a adoração de todos os homens. Não se apresentavam como sendo os deuses do gênero humano. Não se assemelhavam nem mesmo a Brama, que era, pelo menos, o deus de uma grande casta, nem a Zeus Pan-heleno, que era deus de toda uma nação. Nessa religião primitiva cada deus só podia ser adorado por uma família. A religião era puramente doméstica.
O culto dos mortos de nenhum modo se assemelha ao que os cristãos dedicam aos santos. Uma das primeiras regras desse culto era que não podia ser observado senão pelos familiares de cada modo. Os funerais não podiam ser religiosamente observados senão pelo parente mais próximo. Quanto ao banquete fúnebre, que depois se celebrava em épocas determinadas, apenas a família tinha o direito de assisti-lo, e os estranhos eram severamente excluídos. Acreditava-se que o morto não aceitava a oferta senão da mão dos parentes, não queria o culto senão de seus descendentes. A presença de um homem que não pertencesse à família perturbava o repouso dos manes. A lei, portanto, proibia aos estranhos aproximar-se de um túmulo. Tocar com o pé, mesmo por descuido, uma sepultura, era ato de impiedade, pelo qual se devia aplacar o morto e purificar-se. A palavra pela qual os antigos designavam o culto dos mortos é significativa: os gregos diziam pratiázein, os latinos parentare, porque as preces e oferendas não eram endereçadas senão aos antepassados de cada um. O culto dos mortos era, verdadeiramente, o culto dos antepassados.
Na Índia, como na Grécia, a oferta não podia ser feita ao morto senão pelos seus descendentes. A lei dos hindus, como a ateniense, proibia receber estranhos, embora amigos, no banquete fúnebre. Era de tal modo necessário que o banquete fosse oferecido pelos descendentes do morto, e não por outras pessoas, que se supunha até que os manes, em sua morada, faziam freqüentemente este voto: “Que nasçam sucessivamente de nossa estirpe filhos que nos ofereçam, na continuidade dos tempos, arroz cozido em leite, mel e manteiga purificada”.
Por essa razão na Grécia e em Roma, como na Índia, o filho tinha o dever de fazer libações e sacrifícios aos manes do pai e de todos os ancestrais. Faltar a esse dever era a mais grave impiedade que se podia cometer, pois a interrupção desse culto provocava uma série de mortes, e destruía a felicidade. Tal negligência era considerada verdadeiro parricídio, multiplicado tantas vezes quantos antepassados possuía o filho negligente.
Se, pelo contrário, os sacrifícios eram sempre observados de acordo com os ritos, se os alimentos eram levados ao túmulo nos dias marcados, então o antepassado tornava-se deus protetor. Hostil a todos os que não descendiam dele, expulsava-os de seu túmulo, castigando com doenças os que dele se aproximavam; para os seus, porém, era bom e compassivo.
Havia perpétua troca de favores entre os vivos e os mortos de cada família. O ancestral recebia dos descendentes a série de banquetes fúnebres, isto é, a única alegria que podia experimentar em sua segunda vida. O descendente recebia do antepassado a ajuda e a força de que necessitava neste mundo. O vivo não podia abandonar o morto, nem o morto ao vivo. Por esse motivo estabelecia-se poderosa união entre todas as gerações de uma mesma família, constituindo assim um corpo inseparável.
Cada família tinha seu túmulo, onde seus mortos vinham descansar um após outro, sempre juntos. Todos os que descendiam do mesmo sangue aí deviam ser enterrados, e nenhum homem de outra família podia ser nele admitido. Nele celebravam-se as cerimônias e aniversários. Cada família acreditava possuir antepassados sagrados. Nos tempos mais remotos, o túmulo ficava dentro da propriedade da família, no centro da casa, não longe da porta “a fim de que — diz um antigo — o filho, entrando ou saindo de sua morada, encontrasse todas as vezes os pais, dirigindo-lhe vez por vez uma invocação". Assim o antepassado mantinha-se no meio dos seus; invisível, mas sempre presente, continuava a fazer parte da família, e a ser o pai. Imortal, feliz, divino, interessava-se por aquilo que deixara de mortal sobre a terra; conhecia-lhes as necessidades e amparava-os na fraqueza. E aquele que ainda vivia, que trabalhava que, segundo expressão antiga, não se havia desempenhado da existência, esse tinha junto a si guias e apoio, que eram os pais. No meio das dificuldades, invocava sua antiga sabedoria; no sofrimento pedia-lhes consolo; no perigo, apoio; depois de uma falta, perdão.
Na verdade, hoje em dia muito dificilmente poderemos compreender que o homem possa adorar ao pai ou a um antepassado. Mas reflitamos que os antigos não tinham idéia da criação; para eles o mistério da geração era o que para nós pode ser o mistério da criação. O que gerava parecia-lhes uma criatura divina, e por isso adoravam os antepassados. Era necessário que esse sentimento fosse muito natural e poderoso, porque aparecia como princípio de uma religião na origem de quase todas as sociedades humanas; encontramo-lo entre os chineses, como entre os antigos getas e citas; entre os povos da África, como entre os do Novo Mundo.
O fogo sagrado, que tão intimamente estava ligado ao culto dos mortos, tinha também, como caráter essencial, pertencer apenas a uma família, representava os antepassados; era a providência da família; não tinha nada em comum com o fogo da família vizinha, que era outra providência. Cada lar protegia apenas os seus.
Toda essa religião limitava-se ao círculo de uma casa. O culto não era público. Pelo contrário, todas as cerimônias, eram celebradas apenas pelos familiares. O fogo sagrado nunca era colocado fora da casa, nem mesmo perto da porta externa, onde um estranho poderia vê-lo. Os gregos colocavam-no sempre em um recinto fechado, para protegê-lo do contacto e olhar dos profanos. Os romanos escondiam-no no meio da casa. Todos esses deuses, fogo sagrado, lares, manes, eram chamados de deuses escondidos, ou deuses do interior. Para todos os atos dessa religião exigia-se segredo; se uma cerimônia fosse assistida por um estranho, era considerada perturbada, manchada por um único olhar.
Para essa religião doméstica não havia nem regras uniformes, nem ritual comum. Cada família tinha a mais completa independência. Nenhum poder exterior tinha direito de dar regras para esse culto ou crença. Não havia outro sacerdote além do pai; como sacerdote, ele não conhecia nenhuma hierarquia. O pontífice de Roma, ou o arconte de Atenas, podia certificar-se de que o pai de família cumprisse todos esses ritos religiosos, mas não tinha o direito de obrigá-lo a nenhuma modificação. Cada família tinha suas cerimônias, que lhe eram próprias, suas festas particulares, suas fórmulas de oração e seus hinos. O pai, único intérprete e pontífice dessa religião, era o único que tinha o poder de ensiná-la, e não o podia fazer senão a seu filho. Os ritos, as palavras da oração, os cantos, que faziam parte essencial dessa religião doméstica, eram patrimônio ou propriedade sagrada, que a família não participava a ninguém, e que era até proibido revelar a estranhos.
Assim, a religião não residia nos templos, mas nas casas; cada um tinha seus deuses; cada deus protegia apenas a uma família, e era deus apenas de uma casa. Não se pode supor razoavelmente que uma religião com tais características fosse revelada aos homens pela imaginação poderosa de alguém, ou que fosse ensinada por uma casta de sacerdotes. Ela nasceu espontaneamente no espírito humano; seu berço foi a família; cada família fez seus próprios deuses.

Esta religião não podia propagar-se senão pela geração. O pai, ao dar vida ao filho, dava-lhe ao mesmo tempo sua fé, seu culto, o direito de manter o fogo sagrado, de oferecer o banquete fúnebre, de pronunciar fórmulas de orações. A geração estabelecia misterioso vínculo entre a criança que nascia para a vida e todos os deuses da família. Tais deuses eram sua própria família, theòi enghenéis; seu próprio sangue theòi synaimoi. A criança, portanto, ao nascer, recebia o direito de adorá-los, e de oferecer-lhes sacrifícios, assim como, mais tarde, quando a morte, por sua vez, o divinizasse, ele devia ser contado entre os deuses da família.
Mas é necessário notar esta particularidade: a religião doméstica não se propagava senão de varão para varão. Isso, sem dúvida, prendia-se à idéia que os homens faziam da geração. A crença das idades primitivas, tal como a encontramos nos Vedas, e nos vestígios que ficaram em todo o direito romano e grego, era que o poder reprodutor residia unicamente no pai. Somente o pai possuía o princípio misterioso do ser, e transmitia a centelha da vida. Dessa antiga opinião resultou que o culto doméstico passou sempre de homem para homem; a mulher, dele não participava senão por intermédio do pai ou do marido; depois que estes morriam, a mulher não tomava a mesma parte que o homem no culto e cerimônias do banquete fúnebre.
Autor: Fustel de Coulanges - a Cidade Antiga
Fonte: Ebooks Brasil



quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Da necessidade de estudar as mais velhas crenças

Para conhecer a verdade a respeito desses povos antigos, deve-se estudá-los sem pensar em nós, como se nos fossem completamente desconhecidos, com o mesmo desinteresse e liberdade de espírito com que estudaríamos a Índia antiga ou a Arábia.
Encaradas desse modo, a Grécia e Roma apresentam-se-nos com um caráter absolutamente inimitável. Nada do que é moderno lhes é semelhante. E no futuro nada poderá ser-lhes semelhante.
As grandes transformações, que de tempos em tempos aparecem na constituição das sociedades, não podem ser efeito do acaso, ou apenas da força. A causa que as provoca deve ser poderosa, e essa causa deve estar no próprio homem.
A história da Grécia e de Roma é testemunha e exemplo da estreita relação que há entre as idéias da inteligência humana e o estado social de um povo.
Mas, à frente dessas instituições e dessas leis, colocai as crenças, e os fatos tornar-se-ão claros e sua explicação tornar-se-á evidente. Se, considerando as primeiras idades dessa raça, isto é, a época em que fundou suas instituições, observamos a idéia que fazia então da criatura humana, da vida, da morte, da segunda existência, do princípio divino, percebe-se íntima relação entre essas opiniões e as regras antigas do direito privado, entre os ritos que se originaram dessas crenças e as instituições políticas.
A comparação das crenças e das leis mostra que a família grega e romana foi constituída por uma religião primitiva, que igualmente estabeleceu o casamento e a autoridade paterna, fixando as linhas de parentesco, consagrando o direito de propriedade e de sucessão. Essa mesma religião, depois de estabelecer e formar a família, instituiu uma associação maior, a cidade, e predominou sobre ela como o fazia na família. Dela se originaram todas as instituições, como todo o direito privado dos antigos. Da religião a cidade tirou seus princípios, regras, costumes e magistraturas.
É necessário, portanto, estudar antes de mais nada a crença desses povos. As mais antigas são as que devemos conhecer melhor, porque as instituições e crenças que encontramos na época áurea da Grécia e de Roma nada mais são que a evolução de crenças e instituições anteriores; é necessário que busquemos as raízes em um passado bem longínquo. Foi em época mais antiga, em uma antiguidade que escapa às datas, que se formaram as crenças e se estabeleceram e prepararam as instituições.
Felizmente, o passado nunca morre por completo para o homem. O homem pode esquecê-lo, mas continua sempre a guardá-lo em seu íntimo, pois o seu estado em determinada época é produto e resumo de todas as épocas anteriores. Se ele descer à sua alma, poderá encontrar e distinguir nela as diferentes épocas pelo que cada uma deixou gravada em si mesmo.
Autor: Fustel de Coulanges - A Cidade Antiga
Fonte: Ebooks Brasil

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Dia Internacional da Não-Violência Contra a Mulher


Nesta terça-feira [hoje] é comemorado o Dia Internacional da Não-Violência contra a Mulher. A data foi reconhecida oficialmente pelas Nações Unidas (ONU) em 1999 e é uma homenagem às irmãs Mirabal, assassinadas a mando do ditador Trujillo, contra cujo governo na República Dominicana (1930-1961) haviam se rebelado.
Trata-se de umas das principais datas marcadas pela Campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres, que inclui ainda 1º de dezembro (Dia Mundial de Combate à Aids), 6 de dezembro ( Massacre de Mulheres de Montreal) e 10 de dezembro (Dia Internacional dos Direitos Humanos).
O Dia Internacional da Não-Violência contra a Mulher, assim como a Campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres têm como principal objetivo buscar reflexão e atitudes concretas de mudança em toda a sociedade (Fonte: UNESCO).
Mais de 50% das mulheres da América Latina e do Caribe já foi vítima da violência, revelou nesta terça-feira o Instituto Internacional de Pesquisas e Capacitação da ONU para a Promoção da Mulher (INSTRAW, na sigla em inglês).
Os números fazem parte de um estudo divulgado pelo INSTRAW por ocasião do Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra a Mulher, lembrado nesta quarta.
O trabalho destaca que a América Latina e o Caribe são lugares perigosos para as mulheres, já que mais da metade das mulheres da região foram alvo de agressões.
Sediada em Santo Domingo, a organização apontou que os níveis de violência de gênero na região são altos e deu como exemplo a Bolívia, onde 52,3% das mulheres de entre 15 e 49 anos foram vítimas de atos violentos cometidos por seus parceiros.
Este fenômeno também afeta o Haiti, onde 17% das mulheres foram alvo de violência sexual, enquanto 68% das peruanas sofreram violência emocional.
Na República Dominicana, o estudo estima que 24,8% das mulheres que vivem em áreas urbanas e 21,9% das de áreas rurais foram agredidas fisicamente durante algum período de sua vida, embora as denúncias não sejam feitas na prática.
O resumo do estudo divulgado à imprensa aponta que a violência de gênero "representa uma ameaça para a segurança humana tanto no continente, como no âmbito global".
"As mulheres e as meninas são especialmente vulneráveis às diferentes ameaças contra a segurança, seja em seus lares, por conflitos, ou por deficiência na governabilidade", acrescentou.
De acordo com o estudo, a segurança para as mulheres da região depende da criação de um círculo de proteção dentro de seus lares, assim como a defesa contra a violência e o assédio sexual em locais públicos e no ambiente de trabalho.
Além disso, ressaltou que a existência dessas situações exige e demonstra que o Estado tem que pôr em prática ações adequadas e concretas, dirigidas a satisfazer as necessidades das mulheres latino-americanas.(Fonte: EFE)
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, reiterou o compromisso do organismo com a meta de erradicar no mundo as agressões contra a mulher. "A violência de gênero é um ataque contra todos nós, contra os alicerces de nossa civilização", afirmou em discurso durante o ato na sede das Nações Unidas.
Ban ressaltou que as mulheres são "as que dão à luz e cuidam de nossos filhos e, em muitos lugares do mundo, são as que semeiam os grãos que nos alimentam". Para ele, as agressões sofridas pelas mulheres são uma "abominação" que entra em contradição com o significado da Carta das Nações Unidas.
O secretário-geral da ONU insistiu em que os homens têm a obrigação de se mobilizar para erradicar essas práticas que perpetuam a pobreza e causam agravamento da saúde de toda a sociedade.
"A violência de gênero não pode ser tolerada em nenhuma de suas expressões, sob nenhum contexto ou circunstância, nem por líderes políticos ou governos", afirmou.
Ele lembrou que a ONU iniciou no ano passado a campanha global "Unidos para pôr fim à violência contra a mulher", que tem como meta erradicar este tipo de agressões até 2015, o mesmo ano que foi definido como marco para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM).
Para poder medir o avanço em direção a esta meta, a organização inaugurou uma base de dados na qual serão registradas as medidas adotadas pelos 192 países-membros da ONU para combater as agressões contra a mulher.
A diretora do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher, Inés Alberdi, lembrou em mensagem institucional que a convenção para a eliminação de todas as formas de discriminação contra a mulher (CEDAW), de 1979, já reconheceu a segregação por gênero como a raiz da violência contra as mulheres.
Como consequência disso, a comunidade internacional decidiu, na Conferência Mundial de Direitos Humanos de 1993, reconhecer que os direitos das mulheres são direitos humanos, e que a violência contra elas constitui um abuso destes direitos, disse.
Alberdi ressaltou que "a meta pela qual as mulheres marcharam há já mais de um século por uma vida livre de pobreza e violência se estendeu a países de todo o mundo".
"Em todas as partes, as pessoas acreditam que a vida dos homens e das mulheres podem ser diferentes, e os governos têm a obrigação fundamental de respeitar, proteger, cumprir e fazer cumprir os direitos humanos", acrescentou.
A Unifem aproveitou os atos para chamar a atenção para a situação da população feminina no Afeganistão, país que, oito anos depois da queda do regime dos talibãs, continua sendo o lugar do mundo onde ser mulher é mais perigoso.(Fonte: Delas)

domingo, 22 de novembro de 2009

Conciliação impossivel

Que a história mostra como o Cristianismo foi sendo formado [forjado?] por um grupo interessado em seu sucesso (a Igreja), mesmo que tomando símbolos e pensamentos de culturas e povos que, depois de Constantino e Teodósio, foram tachados pejorativamente de Pagãos, explica muito a atual tendência do mesmo grupo em ampliar seu ecumenismo e diversificar seu sincretismo.
Recentemente o sr Ratzinger, o Don Corleone de Cristo, fez uma "proposta irrecusável" aos Anglicanos, lhes oferecendo uma forma para retornarem à Igreja, passando por cima de muitos dos dogmas dessa instuição que ele representa. Eu não duvido muito que, em breve, a Igreja faça mais "exceções" como incluir o casamento homossexual ou mesmo "permitir" o aborto, tudo é uma questão política e social.
Portanto eu não me espanto que haja grupos de católicas em defesa do direito de escolha pelo aborto [Católicas Pelo Direito de Decidir] nem que haja uma igreja protestante [Betel-RJ] voltada aos homossexuais para incluí-los no rebanho, a despeito da doutrina impossibilitar tal ponte.
Entre nós, Pagãos Modernos, existem cada vez mais pessoas que [con]fundem doutrinas distintas, como o  Cristianismo com  o Sagrado Feminino, o Matriarcado, a Bruxaria e o Paganismo [incluindo aqui as religiões reconstrucionistas]. Mesmo entre nós, há os que apregoam que: "Todas as vezes que assuntos como pagamentos por ensinamentos na Arte são levantados e as pessoas se inflamam em indignação, me sinto no meio de um bando de Cristãos que valorizam a pobreza e acham o dinheiro sujo e pecaminoso, em vez de naturalmente desejarem valorizar aqueles que disponibilizam seu tempo e energia para a instrução de outros." E veio, do mesmo grupo, o "Manifesto contra falsas iniciações", o que me rendeu uma tentativa de debate com a personagem Eddie Van Feu. Se o mesmo grupo ora elogia a comercialização (tudo que envolve troca de dinheiro por bens ou serviço é comércio) ora ataca, isso é sinal de hipocrisia, fraude.
Mas o tópico de hoje é para analisar a perspectiva de existir um "matriarcado cristão", como encontrei em um blog de um hermano:
Antes de tudo, "Matriarcado Cristão" é o nome deste blog, [o que eu cito] no qual  defendemos  a matrilinearidade como o melhor modelo para a realização do que Jesus chamava de Reino de Deus. [Por que o Reino não é da Deusa?] Buscamos a extinção do patriarcado dominante e piramidal, por meios pacíficos porém valentes, mediante a elevação de uma fé adulta, desvinculada de toda instituição religiosa hierarquizada. [Bravo! Encore! Se não fosse pelo problema Cristianismo = Patriarcado]
É uma aposta pelo matriarcado, partindo da intuição de que uma sociedade distinta, matrilocal e matrilinear é possível. Nossa sociedade patriarcal ocidental, piramidal e hierárquica, é incapaz de gerenciar os recursos do planeta e as necessidades espirituais da humanidade.
Metade da humanidade tem submetido à outra metade mediante violência, religião e as categorias do pensamento apolíneo. A mulher, as meninas e os meninos, devem ser libertados de toda forma de opressão, injustiça e abuso. [Falando por eu mesmo, esta luta tem sido soberbamente bem conduzida pelas Feministas sem precisar da nossa "ajuda"]
É cristão, mas não no sentido clássico e exclusivo. Não importa se é católico, nem batizado, nem crer nos dogmas da Igreja. [Isso é interessante e digno de nota: nem todo Cristão é Católico, nem todo Cristão é batizado ou crê em todas as doutrinas da Igreja. Por isso que muitos Cristãos foram perseguidos, presos, torturados e mortos por heresia pela Igreja] Somente, ser simpatizante do personagem chamado Jesus de Nazaré, que deu a vida para defender a ética do amor, da paz e da justiça. [O problema é que é um personagem. Tudo que se pode saber sobre ele vem de escritos compilados pela Igreja] Muitos estão familiarizados com o Cristianismo e é o ponto de partida. [Eu vejo aqui a velha mania do cristão de exclusividade, privilégio, monopólio] Mas de fato, o matriarcado cristão está desvinculado de toda a igreja posterior à primeira comunidade primitiva de Jesus de Nazaré. [Isso é vago, principalmente porque as comunidades primitivas tinham dois núcleos: o dos Judeus Helenizados e o dos Gentios] É universal, pois todos cabem no Reino de Deus. [Cadê a Deusa?] Incluindo os ateus estão convidados a construir este mundo novo onde se prima pelo respeito. [Algo não está certo aqui. Ou o autor parte do pressuposto que cristão=respeito ou que ateu=desrespeito. Em ambos os casos, tal afirmação é errada]
É também um espaço aberto para a recuperação daas cosmovisões que recuperam a sacralidade do feminino em uma pluralidade de manifestações simbólicas e multiplas tealogias. [A intenção do autor é boa, se não fosse todo o arcabouço doutrinário do Cristianismo a respeito da mulher, do corpo, do prazer] No meu entender, deve deixar de existir esta separação dualista entre o Pagão e o Cristão, pois o mais positivo de uma e outra dimensão, no fundo, conduziriam ao mesmo objetivo: um mundo melhor. [Impossivel, uma vez que a posição de muitos Cristãos/Judeus/Muçulmanos seja a de que quem pertença a outra religião necessáriamente está condenado por Deus]
Insisto, se inspira nos valores proclamados por jesus: o amor, a libertação, a justiça, a crítica a todos os poderes estabelecidos, ao ritualismo e à antiga lei. [O autor esqueceu que Jesus dissse que veio para cumprir a lei, não para revogá-la. Esqueceu também da "demonstração" de amor que Jesus deu aos cambistas no templo] Jesus tentou asuperar um modelo eminentemente patriarcal, mediante a implantação da ética do amor, baseada no respeito á liberdade alheia, o desejo ao bem do próximo e a doação incondicional. [Dificil de provar, mesmo com um enorme talento de "interpretação" dos Evangelhos] As mais beneficiadas por esta ética foram as mulheres. [O autor nunca se perguntou porque apenas homens foram chamados de apóstolos?]
A Ressurreição de Cristo pode ser perfeitamente entendida por todos como um relato imaginário de origem femenino: elas foram as primeiras a compreender que Jesus não podia morrer, devia seguir vivo para manter a esperança das gerações futuras. [Na realidade, as mulheres foram ao túmulo por causa que esta era a obrigação social delas] Segundo a tradição judaica, Deus ressucitaria aos justos. [E as justas, não?]
De certa forma, é um ato de fé em uma história de salvação que deve ser levada a termo pelas mulheres. [Do que precisamos ser salvos, mesmo?]
Se inspira também no feminismo da diferença: homens e mulheres não são iguais, ainda que tenham a mesma dignidade. [Ainda essa confusão entre igualdade real e igualdade ideal?!?] Se diferenciam na compreensão do próprio corpo, nas relações subjetivas e suas escalas de valores. [O Cristianismo proibe qualquer tipo de abordagem que envolva o corpo, sua compreensão e sua emancipação] É um convite a participar da transformação a partir deste novo modelo no qual a autoridade flui das mães, não dos pais. [Autoridade é algo delegado por uma comunidade a uma pessoa, independentemente de seu gênero]
Não significa ameaça alguma ao varão, ao contrário, é uma oportunidade de nos libertarmos das cargas culturais que nos tem sido impostas ao ter que assumir toda a autoridade em todos os ambitos da vida. [E bem que tem muito varão que tem mais amor pelo poder do que pela mulher] Pecamos por orgulho se segumos desconfiando da mulher. Devemos deixar de agir como pais para nos redescobrirmos filhos. [O problema é que ainda tem esse tal de "pecado". E um homem não é apenas "filho", mas também amante]
A força dos mitos cristãos que desafiam  lógica ocidental masculina, principalmente a Ressurreição e a Virgindade de Maria, na minha opinião mitos que remetem ao ouroboros e à primazia do feminino, respectivamente, devem ser resgatados das interpretações patriarcais que tem desvirtuado seu poder transformador. [Mais devagar com o andor. A Ressurreição faz parte do mito do Ha-Massiah, um mito patriarcal, tanto que não se cogita que uma mulher pudesse ser uma Ungida, por causa da enorme carga negativa que as mulheres carregam pela religião patriarcal. o Mito da Virgindade de Maria é a maior expressão dessa carga negativa. Maria foi tornada "virgem" pela Igreja para que esta pudesse ascender ao Paraíso, ou seja, ela foi "purificada", como se houvesse algo de errado na gestação, na gravidez, no coito] São mitos que nos unem à terra e são capazes de impulsionar o nascimento de uma nova humanidade. [Um tanto dificil, uma vez que a tônica do Cristianismo gire em torno de um desprezo por este mundo e pelas coisas materiais, carnais] Estes mitos se opõem ao frio reducionismo patriarcal e nos abrem ao apaixonado poder criativo da mulher, livre e autônoma, guardiã da vida. [A inspiração vinda das Musas é uma idéia do Paganismo Clássico, não do Cristianismo, que segue mais o pensamento de Aristóteles, onde o Pensamento é um atributo de Apolo]
O primeiro núcleo matriarcal cristão foi a comunidade de Mria e das demais mulheres, junto a João [o apóstolo] fiéis a Jesus e presentes no instante de sua morte. [Dificil de engolir. Os núcleos de Jesus, como todos os grupos messiânicos, são patriarcais. As mulheres tinham a "permissão" de estarem presentes como servas, escravas] Jesus tinha a Maria como referência fundamental. [A influência de Jesus foi a escola rabínica, de uma sinagoga, de uma religião patriarcal] Sem a influência de Maria, Jesus não teria transcendido a ordem estabelecida. Apesar de parecer termos incompatíveis, matriarcado e Reino de Deus pertencem a uma mesma ordem, uma ordem diametralmente oposta ao patriarcal. [E continuam sendo incompatíveis enquanto não reconhecerem a existência de uma Deusa e de que o Reino é da humanidade]
Mesmo Jesus recebeu o pseudonimo de "nazareno" por ser o lugar de origem de sua mãe, não de seu pai José, cuja família era de Belém. [Nem tanto. Em alguns trechos dos Evangelhos, ele é chamado de Galileu. Alguns analistas acham que ele era chamado de "nazareno" por causa de seu voto de nazirenato]
Basta de interpretações patriarcais sobre a mensagem de Jesus. [Mas a mensagem de Jesus é patriarcal. Os homens foram curados, enquanto as mulheres foram "perdoadas", como se fosse parte da natureza delas o "pecado"]  A teologia e a filosofia tem atuado como anticristo durante séculos, instrumentalizando a verdade sobre Maria e seu Filho, manchando os valores de paz, amor e libertação proclamados por Maria e Jesus. [Mas foi Jesus mesmo quem disse que veio trazer a guerra, não a paz] o Reino de Deus é, principalmente, das mulheres e para suas filhas e filhos. [O Reino é da humanidade. O próprio sentido de reino nos induz a uma forma de dominação, de ordem, de governo. Ao estipular que o Reino seja de Deus, o autor acaba por contradizer o matriarcado]
Para concluir, não podemos nos esquecer que o Cristianismo surgiu de uma realidade socio-política e, salvo por alguns trechos esotéricos, os Evangelhos refletiu essa realidade. A realidade é que falamos de uma sociedade marcantemente patriarcal [os Judeus], que tinha uma religião monoteísta [devoção a apenas um único Deus, YHVH, depois que este foi divorciado de Asherah], que pregava a purgação/purificação da carne [e nesse escopo, a mulher era posta em uma situação ainda mais grave que o homem], que acreditava na vinda de um Reino de Deus feito apenas para alguns, homens, purificados, escolhidos [as visões do Paraíso Judaico-Cristão não mostram a presença de mulheres] e - principalmente - que tudo aquilo que fosse diferente ou discordante dessa cosmovisão seria condenado [varrido, apagado, erradicado] pois era identificado como sendo algo diabólico.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Comemorando a consciência

Em um país em transe, os brasileiros irão comemorar amanhã (20/11) o Dia da Consciência Negra, algo que certamente deve horrorizar os racistas, que irão falar que isso é "racismo inverso", etc.
O cerne da comemoração é a consciência, algo que não tem cor nem etnia, mas é a questão de ter uma atitude positiva diante de situações de discriminação, de preconceito, de intolerância.
Isso ocorre por causa de um sistema vigente que age de forma prejudicial e desfavoravel contra uma opção sexual, como a homossexualidade; contra um gênero, como as mulheres; contra uma etnia, como os negros; contra uma religião, como o Paganismo. O sistema é estruturado para favorecer uma opção sexual, como a heterossexualidade; para favorecer um gênero, como o homem; para favorecer uma etnia, como os brancos, para favorecer uma religião, como o Catolicismo.
Em outras palavras, o sistema vigente exclui, segrega e marginaliza certas pessoas por causa de seu gênero, de sua origem, de sua etnia, de sua opção sexual ou religiosa. O próprio sistema é uma expressão que patrocina a alguns privilegiados e oprime os demais. O próprio sistema se manifesta em prol do homem, do branco, do heterossexual, do cristão. Entretanto, em sociedades contemporâneas, onde vigora o Estado de Direito, estes grupos, chamados de "minorias" devem ser resguardados das ações abusivas por parte dos grupos privilegiados, chamados de "maioria".
Evidentemente, aqueles que são privilegiados pelo sistema irão tentar resistir, para manter sua influência e seu poder na sociedade. Por causa disso que atos como o Dia da Consciência Negra, a Parada Gay e o Dia do Orgulho Pagão são importantes. Servem para despertar o ativismo social dos que estão oprimidos, segregados, excluídos. Servem para lembrar que os direitos existem para todos e não apenas aos privilegiados. Servem para mostrar que as "minorias" são mais numerosas do que se pensa. Servem para ensinar que as diferenças devem ser celebradas e não temidas.
Que amanhã seja um dia para todos os brasileiros despertarem e exercerem sua consciência.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Mais um bom motivo

Camisinha reduz aquecimento global, diz agência da ONU.
O aquecimento global pode ser reduzido pelo simples uso de camisinhas, gerando uma consequente desaceleração do crescimento da população. É o que acredita o Fundo de População das Nações Unidas ao afirmar nesta quarta-feira (18) que os países devem incentivar a distribuição gratuita de preservativos.
A agência não recomendou aos países o estabelecimento de limites de quantas pessoas devem ter filhos, mas disse: "As mulheres com acesso a serviços de saúde reprodutiva têm menores taxas de fertilidade, que contribuem para um crescimento mais lento de emissões de gases do efeito estufa".
O Fundo de População das Nações Unidas reconhece que não tem provas do efeito que teria o controle da população sobre a mudança climática. "As ligações entre a população e as alterações climáticas são, na maioria dos casos complexos e indiretos", disse o relatório.
Ainda assim, Thoraya Ahmed Obaid, diretora-executiva do Fundo de População das Nações Unidas, disse em uma entrevista coletiva em Londres que o aquecimento global pode ser catastrófico para as pessoas nos países pobres, particularmente as mulheres.
"Temos agora um ponto em que a humanidade está à beira do desastre", disse ela.[Abril]
Para a organização Optimum Population Trust (OPT), dedicada a defender o controle de natalidade, “o crescimento populacional é amplamente reconhecido como uma das principais causas da mudança climática, mas ainda assim os políticos e os ambientalistas raramente discutem isso por temor a provocar polêmica”.
Segundo o argumento da ONG, mesmo se o mundo todo conseguir uma redução de 60% nos níveis de emissões de CO2 até 2050 em relação aos níveis de 1990, de acordo com as recomendações do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU), isso será praticamente anulado pelo crescimento populacional no período.
“O impacto do crescimento populacional no clima é enorme. Baseado nas emissões médias per capita de 4,4 toneladas de CO2 até 2050 (o cenário ‘médio’ traçado pelo IPCC), o crescimento de 2,5 bilhões na população mundial até aquela data, de 6,7 bilhões para 9,2 bilhões, significará emissões de 11 bilhões de toneladas de CO2 a mais por ano”, afirma o documento de lançamento da campanha.
Segundo os cálculos da OPT, um cidadão britânico médio gera 750 toneladas de CO2 durante sua vida, num impacto equivalente a 620 vôos de ida e volta entre Londres e Nova York.
Considerando um “custo social” de US$ 85 (cerca de R$ 172) por tonelada de CO2, de acordo com o estimado por um relatório do governo britânico, o documento da ONG avalia em 30 mil libras (cerca de R$ 121,5 mil) o custo de cada britânico em sua vida em termos de emissões de dióxido de carbono.
“Uma camisinha de 0,35 libra (cerca de R$ 1,42), que poderia evitar aquele custo de 30 mil libras em um único uso, significa assim um espetacular potencial de retorno para o investimento – cerca de 9.000.000%”, afirma a organização.
“Uma estratégia para o clima baseada na população envolve menos dos impostos, das regulamentações e dos outros limites à liberdade individual e à mobilidade hoje considerados como resposta às mudanças climáticas. Para concluir, seria mais fácil, mais rápido, mais barato, mais livre e mais verde”, conclui o documento.[BBC]
Apoiadíssimo. Sobretudo que, para que se usem mais camisinhas, será necessário aumentar as atividades sexuais. Mi casa o su casa, Nana?