quinta-feira, 6 de junho de 2013

Beltaine em junho

No Brasil em junho temos fogueiras, como tem na Europa em maio. Nós não temos maypole, mas temos pau de sebo.
Maio passou a 200 km/h. Durante esse tornado, nós iniciamos o processo de mudança de domicílio e os preparativos para a cirurgia da ortognática.
Foram vários meses privado da boa companhia dos meus progenitores espirituais e do consolo de estar no santuário no sítio.
O rescaldo de abril e maio não é favorável. Eu não consegui realizar o trabalho voluntário, o psicodrama foi uma arapuca e o exercício de vocalização eu vou fazendo no serviço.
Houve um breve intervalo, eu pude rever minha senhora e meu senhor. Eu tive a chance de ouvir o oráculo e Ifá e a oportunidade para ofertar as entidades que governam meu destino. Findo maio, findou o linimento. Oh bem, eu passei 48 anos quebrando pedras e comendo carvão, dificilmente coisas boas acontecem e raramente duram. Mesmo atravessando esse caminho espinhoso eu aprendi algumas coisas. Do jeito mais dificil, claro.
Eu consegui controlar meu temperamento. Eu mantive os problemas e dificuldades fora do ambiente de trabalho. Eu aprendi a parar de criar expectativas, positivas ou negativas. Eu apredi que é inútil ficar com pessimismo. Eu aprendi que ficar ensaiando ou roteirizando coisas, eventos ou fatos futuros é um desperdício.
Quando eu fizer a cirurgia eu passarei 15 dias me recuperando, uma quinzena. Falar quinzena tem menos impacto que falar quarentena, embora tenham o mesmo sufixo e tenham o mesmo intuito de marcar um período de tempo.
No fim das contas, crer e confiar a vida, o destino, aos Deuses, requer coragem, confiança e paciência. O chato faz pouco das crenças, religiões e espiritualidades. Como náufragos que passaram muito tempo ilhados, esqueceram que há algo além do oceano, duvidam que todos hão de voltar para suas origens. Tudo que o náufrago acha que sabe é baseado naquilo que é convencionado por realidade. Por mais fatos e evidências, a realidade do náufrago continua sendo uma ilha, não é nada racional atentar à ilha e esquecer o oceano, bem como o que nos trouxe a existir neste mundo.
Um caminho espiritual é baseado na intuição e na prática. mesmo o caminho científico necessita de alguma crença. Quando Cristóvão Colombo saiu para descobrir o "Novo Mundo", mesmo possuindo os mapas náuticos dos chineses, ele teria que crer, confiar que aquele traçado era exato. Um caminho espiritual é como um mapa e requer que se passe pela experiência.
Na jornada haveremos de encontrar pessoas com quem compartilhar o pão, vinho, catre, música e amor. No entanto a caminhada sempre será individual, solitária. Vínculos de sangue e linhagem nos dão a força para seguir adiante. Mas nos momentos dificeis, desafiadores, não haverá nada no mapa, no raciocínio, na lógica, na evidência, que poderá nos auxiliar.
Nós somos Cristóvão Colombo, navegando a nau de nosso corpo, através do mar da vida. Pobre dos náufragos, esqueceram o porto, esqueceram o destino, esqueceram a jornada.
Problemas, sofrimento, dor, fazem parte da existência. Triste é saber que muitos nós mesmos nos causamos e, feito crianças mimadas, só sabemos reclamar e culpar outras coisas, pessoas e mesmo os Deuses.
Nesse instante, sem bússola, sem vento, sem estrela, ao sabor das correntes da maré, eu não vou tentar adivinhar ou fazer uma cena do que virá. O que será, será.

sábado, 4 de maio de 2013

Debaixo da luz da lua

Eu estava em missão, tentando fazer teatro a trabalho voluntário, sem rumo, sem bússola, sem porto, quando chegou um alívio, descanso, ajuda e uma nova rota: explorar o universo feminino.
Disse-me o oráculo divino que meu maior desafio é o medo, quando eu consigo controlar esse medo eu posso realizar meus desejos. Então eu me pergunto de onde vem esse medo, medo de quê ou de quem e por que eu tenho medo.
Foi-me sugerido para a exploração do universo feminino uma pesquisa com as mulheres que são importantes e fazem parte da minha vida. Algumas questões eram delicadas e eu senti um certo constrangimento em fazê-las.
Seria o meu medo o receio de ser atrevido? Não, pois eu fui atrevido em diversas circunstâncias. Seria o meu medo o receio de ofender? Não, pois em diversas ocasiões eu me comportei de modo ofensivo e nem me dei conta disso. Seria meu medo o respeito ao recato, ao pudor? Não, pois como bom filho e servo do Deus da Floresta, eu sou despudorado.
Meu medo é o receio de não ser capaz de lidar com o inesperado, aquilo que não pode ser previsto e controlado. Meu medo é de que eu seja rejeitado, desprezado, segregado. Então nisso reside a minha carência de atenção e até minha hipersexualidade, que eu tento espelhar em meu modelo de mulher ideal.
O primeiro ato, talvez o mais difícil para este momento, foi o de descartar a idéia preconcebida que eu tenho do que é ser mulher, do papel que esta formidável pessoa exerce no mundo/sociedade e do que é o sagrado feminino. Tornar minha mente uma folha em branco e, como uma esponja, absorver tudo.
Eu criei uma expectativa de que minha pesquisa, minha entrevista, minhas perguntas, fossem aumentar a minha péssima reputação. Estas mulheres, maravilhosas, como era de se esperar, surpreenderam, simpáticas, responderam sem reservas mesmo a perguntas que eu achava indiscretas.
Descobri que a mulher é naturalmente predisposta ao Ofício porque nela há o ventre, o caldeirão da transformação, regido pelos ciclos da lua, domínio da noite, dos espíritos, entidades e divindades.
Descobri que ser mulher é uma enorme responsabilidade, pois ela é quem cria, educa, cuida e nutre.
Descobri que a mulher é quem escolhe sua posição e papel no mundo, na sociedade - não existem vítimas. A mulher é quem escolhe, há tempos, antes dos teóricos da Revolução Cultural ( a maioria homens), como querem viver e gerenciar sua vida erótico-afetiva.
A grande verdade é que nós nos encontramos no matriarcado há tempos. O malvado patriarcado é só uma fachada. Os homens acham que estão no comando mas os sábios sabem bem quem está realmente regendo este mundo. Nós, homens, a metade da humanidade, estamos para sempre sujeitos aos nossos laços, com nossas irmãs, esposas, mães, amigas, sacerdotisas. E eu me submeto com prazer a todas estas manifestações da Deusa.

sábado, 6 de abril de 2013

Em busca da consciência divina

De conversas com Bia.
Dioniso era filho de uma "virgem" [mulher não casada] e também foi sacrificado [pelas menades]. Dioniso ensinava aos homens e realizava milagres. Dioniso, como mestre do mistério e iniciador da humanidade em busca do divino, induzia ao torpor dos sentidos...através da anulação do "ego" [consciência] se resgatava a essência humana, divina. Cristo não diz para negar tudo, pegar a cruz e segui-lo? Negação do ego também. Mas pela disciplina do corpo. Pede-se uma ação consciente, não simplesmente seguir uma doutrina. Então precisamos de exemplos, de estrutura, de pessoas que passaram por isso e nos podem mostrar o caminho, mas nós que temos que trilhar.
Eu tenho um tipo de diário para anotar. O intuito é o de se aproximar do que é real, alcançar a "iluminação", para usar um termo espiritual. Naquele que eu escolhi, eu não preciso negar a carne, visto que esta faz parte da criação divina. Mas preciso domar, visto que o apetite nunca cessa...Quando começamos em um caminho há sempre quem nos ajuda e está mais avançado. E vendo a historia de cada um nós acreditamos que também podemos conseguir. Eu estou tendo q trabalhar bastante, muito esforço. Essa é a provação. Eu tenho que acertar pendencias com meu Self (nossa consciência divina).
Existem dois tipos de "sofrimento". Aqueles que são naturais e os que são adquiridos.
Naturais acontecem por que perdemos nossa ligação com Deus. Adquiridos acontecem pelo meio ou tipo de vida que construímos.
O engraçado é que nos rebelamos contra essas coisas que nós mesmos construímos e culpamos a Deus. Em alguns casos crônicos, acreditamos que nos bastamos a nós mesmos.
Deus nos dá em abundância. Se existe fome ou miséria, é o Homem que a causa, para ter mais dinheiro, poder, influencia social...Nós construímos esse meio, esse tipo de vida. Nós somos os responsáveis. Carregamos muita raiva, rancor e mágoa por delegar a outros a culpa. Isso faz parte da nossa escolha. Nós pedimos para vir a esse mundo. No processo, vamos nos distanciando de Deus e nos tornamos mundanos.
Não precisava ser assim. O mundo não é nosso inimigo, mas nós mesmos. Deus está onde sempre esteve e não mudou. Somos nós que mudamos. Acabamos prisioneiros de um mundo construído por nossas ilusões. Ou seja, [nos falta] disciplina com responsabilidade e consciência sobre nossos atos e omissões.
Os exercícios que me são passados fazem parte do que eu chamo Oficio. 
Eu carrego comigo muitas falsas memorias do meu passado, mágoas.
Essa é a situação geral. Onde cada um de nós está agora tem um propósito. Resistir ou se revoltar é pior.
Isso é resultado da recusa em aceitar a responsabilidade sobre nossos atos. Preferimos atribui-los aos "outros". O que eu estou começando a ver e entender é que os "outros" são um espelho.
No fundo, toda crença, toda espiritualidade, toda religião é um mapa que devia servir exatamente para recordarmos e recuperarmos nossa essência divina.
No processo de vir ao Mundo dos Homens, esquecemos quem somos, de onde viemos. Adquirimos necessidades, inventamos algumas carências e nos punimos, nos cobramos, se por acaso não atendermos às espectativas, às exigências sociais.
Ser humano é assim. Vê pessoas comendo ele pergunta "cade minha parte", não se pergunta "no que eu contribui para a festa?" Em outros aspectos o comportamento é igual. Quando sofre, o homem quer culpar alguém, não se pergunta o que fez para chegar nisso. Evidente, o homem sabe disso e cria uma organização religiosa que se sustenta explorando essa necessidade humana de jogar a responsabilidade no "bode expiatório".
Conforme eu buscava informação, eu descobri que esses "demônios", como a Igreja chama, eram Deuses antigos e que estes tinham uma ligação mais próxima de meus ancestrais. Essa ligação com os ancestrais, nossa origem e herança, é um principio importante em várias religiões, como dizem: honrai teu pai e tua mãe. Hoje em dia essas religiões estão sendo recuperadas, daí o termo "neopaganismo". Outra característica é que a expiação por nossas falhas - consciência e responsabilidade - é individual.
O sentido de "piedade" e "caridade" são ligados ao agir corretamente, em relação à nós, à nossa comunidade, aos nossos Deuses. Um dever conosco, nossos familiares, nossa cidade e o divino.
Não há o conceito de culpa, pecado, vergonha. Há o conceito de que toda ação - ou omissão - tem uma consequência. Há o conceito de que a natureza - começando por nosso corpo - é sagrado.
Então os Deuses não vão nos castigar por agirmos conforme nossa natureza humana - nem poderiam, pois estariam atingindo a si mesmos - nem vão nos ameaçar com o Inferno. Nós não cremos nisso. Seria inconcebível Deus ser assim, nos criar com uma natureza para depois nos punir por agir segundo um programa que Ele nos dotou. Cremos na consequência. Podemos viver no Paraíso ou no Inferno. Nosso livre arbítrio. Mas nós somos os responsáveis por isso. Uma vida terrena é curta, consideramos que um Deus seria incapaz de nos mandar para um lugar de punição eterna. Nem seria possível existir um lugar onde Deus não está presente ou distante demais para agir.
Em nossa concepção o Homem é filho dos Deuses. Nós carregamos em nós a "fagulha divina". {nós teríamos] consciência disso, se não tivéssemos esquecido. Temos um enorme potencial. Mas pelo mundo que nós construímos, ao preferir viver essa ilusão - essa falsa imagem - como se fosse real, perdemos nossa ligação com essa Fonte - Deus - por isso vivemos sempre insatisfeitos. Por estarmos sempre insatisfeitos e tomando a ilusão como real, fazemos coisas que tem consequências terríveis: miséria, fome, guerra. E o que o homem faz quando vê sofrimento e miséria criados, construídos por ele? Se revolta contra Deus e muitos, ao invés de assumir sua responsabilidade com consciência, tentam negar o divino.
O processo de buscar pelo divino, por Deus, consiste em re-ligar *daí o nome religião* o humano à sua consciência divina. Em sua mensagem é isso que Cristo veio trazer: que o Homem se tornasse Cristo. A mensagem "gnóstica". O sacrifício de Cristo foi para que nós víssemos o que podemos fazer quando não temos a consciência divina e o que temos que fazer para tê-la [sacrifício, ou melhor dizendo, controle consciente e responsável, disciplina sobre o corpo]. Pelo controle consciente e responsável, deixamos de querer/fazer coisas desnecessárias, deixamos de causar/sofrer ações prejudiciais, passamos a ter uma ação correta em relação a nós mesmos, em relação à nossa comunidade e em relação ao divino. Ao aceitar ser ator de sua vida, pelo auto-domínio, deixamos de "pecar", não há mais culpa ou vergonha, resgatamos nossa consciência divina, resgatamos nossa essência de luz, nos tornamos Cristo.
Uma das coisas q me afastou do Cristianismo é a idéia de que atração, desejo, prazer são "proibidos por Deus". Tal como o mundo, nosso corpo não é nosso inimigo. Nosso Deus é incapaz de criar algo que não seja bom. O problema não está nas coisas, mas do que fazemos delas. Deus nos deu o conhecimento, a consciência e a capacidade. Infelizmente usamos para prejudicar nosso irmão. 
Eu aprendi a procurar por Deus, pessoalmente. O problema é quando deixamos que igrejas, grupos e pessoas nos digam o que ou quem é Deus. No meu caso, Deus eu encontrei dentro de mim, em minha volta [natureza] e nas pessoas [humanidade]. A função do pastor/padre/sacerdote é indicar o caminho. A prática efetiva [como no Oficio] se encarrega de nos mostrar como sentir, ver, ouvir e falar com Deus. Maaaas...é você quem tem que ter essa experiência com Deus. Vivencia diária, prática constante.

sábado, 9 de março de 2013

Tipos de Politeísmos

Provavelmente um dos maiores debates nas comunidades pagãs é o debate sobre politeísmo duro vs suave. Realmente, ninguém pode resolver isso, ou tem sido capaz de, porque todos nós viemos de diferentes origens e perspectivas sobre o politeísmo.
Para esclarecer, é sobre (e para) aqueles que realmente acreditam que os deuses e deusas são seres físicos, reais. Este post vai ter pouco a ver com os pagãos por aí, que consideram os seres divinos como Arquétipos na mente, mas que na verdade não existe como um indivíduo tal como as pessoas.
Politeísmo suave, como regra, acredita que há um Deus e uma Deusa, indivíduos em si e por si mesmos. No entanto, o PS não considera os deuses e deusas como tendo identidades distintas, mas sim os vê como aspectos de um Deus ou Deusa maiores. Assim, por exemplo, Hera e Frigga são apenas aspectos da Deusa, como seria Freyja, Afrodite, ou Brigid. Para explicar que um aspecto às vezes pode ser um pouco complicado, alguns dizem que é uma "face" da Deusa ou do Deus. Suponho que uma forma moderna de entender isso é que os vários nomes das divindades que temos podem ser visto como "Nomes de usuário" metafísicos dos referidos Deus ou Deusa.
Politeísmo duro funciona de outra maneira. Cada Deus, Deusa, espírito, etc, é uma pessoa individual (bem, exceto espíritos que trabalham como forma de pensamento ou coisa do tipo), assim como as pessoas são. Ares é Ares, Thor é Thor, Freyja é Freyja, etc. Eles não são aspectos, faces ou "usernames" de um Grande Deus ou Deusa.
Eu, pessoalmente, sou um politeísta duro. Principalmente porque eu acredito fortemente no individualismo e, como eu não sou mais um aspecto do Blogger ou do homem, então me parece um pouco insultuoso dizer que Thor é um aspecto dd Deus da Tempestade ou Deus. O Deus das Tempestades [ou o Deus do Trovão, como a cultura pop o representa - NT] talvez seja uma das profissões de Thor, mas tanto como uma pessoa não é apenas o seu trabalho ou o seu sexo, nem é uma divindade.
Isso, para mim, é realmente onde o politeísmo suave tende a bater um pouco na parede ou obstáculo. Na minha experiência, os pagãos, ou crentes em escala maior de qualquer fé, tendem a imitar na vida como nós vemos os nossos deuses. Assim, em observação pessoal, eu tendo a achar que politeístas suaves acreditam que um homem ou mulher deve abraçar todos os "aspectos" do que significa ser homem ou mulher (ou transgênero, como seja o caso), a fim de ter um equilíbrio adequado vida. Um homem tem que ser guerreiro, estudioso, pacifista, provedor, homem sábio, juventude, etc, o tempo todo em uma quantia "equilibrada".
Sim, isso é impossível. É uma idéia bonita, e tudo isso, mas se você é um pau para toda obra, bem, você é um mestre de ninguém. E às vezes você precisa de um mestre de comércio.
Minha própria experiência como um politeísta duro vai para um "amplo espectro" de "equilíbrio". Pessoas podem se "especializar" em áreas onde eles têm uma afinidade natural. Assim, se alguém gosta de agricultura, deixe-o ser um fazendeiro, não insista que ele tem de saber tudo sobre digamos investimentos bancários, gerenciamento de hotel, ou o que seja.
Claro, há um pouco de "segurança" se você vai no politeísmo duro. Veja, você diz que todos os deuses são aspectos de Deus, e todas as deusas são aspectos da Deusa, bem, então porque o Deus e a Deusa não são apenas aspectos de um Deus Uno? Parabéns, você voltou direto ao monoteísmo, que é de propriedade das religiões abraâmicas. Mantendo-se nas idéias do politeísmo duro, é impossível sustentar esse argumento.
Eu não quero discutir com politeístas macios aqui, apenas levar adiante por que eu sustento o politeísmo duro. No entanto, eu não creio que escrever isso vai resolver o debate, que vai continuar. Vamos ver aonde este debate na comunidade pagã vai ter um efeito em todos nós, que nos consideramos pagãos.
Original: "A Heathen's Path".
Traduzido com a ajuda do Gooogle Tradutor.

terça-feira, 5 de março de 2013

Fazendo estoria com H

Eu escrevo estorias e, como bom escritor, não pretendo que aquilo que escrevo seja a mais cristalina verdade.
Como os antigos, eu faço meus próprios mitos e lendas, sem que isto queira dizer que eu minto.
Ainda por luxo, eu crio quadrinhos onde, tal como nos sonhos, eu posso ser quem, o que ou quando eu quiser. Eu não sou tão conhecido quanto Paulo Coelho ou Mauricio de Souza, mas continuo criando.
Historia é diferente, muitos personagens, poucos protagonistas, roteiro beirando o caótico. Teve um teórico que tentou explicar a marcha da história em termos do materialismo dialético. Uma dicotomia muito pobre para descrever a colorida nuância da história. Consequência: sua teoria ficou na história e caducou com o tempo. Podemos perceber isso claramente nos países socialistas ou comunistas, onde a "Ditadura do Proletariado" tornou-se um tipo de monarquia ou caudilhismo. No Brasil então, nem se fala, reina o mais absoluto pragmatismo eleitoreiro.
Nós temos uma criatividade admirável. Construímos nossa cultura e seus produtos. Construímos seus templos, sacerdotes e oficiantes também. Não obstante, não conseguimos tornar reais tantas idéias e ideais, nossa vida diária e social é extremamente medíocre. Por algum estranho complexo, não acreditamos ser merecedores da mesma sorte, fortuna, sucesso e felicidade que nossos personagens imaginários têm. Todos temos um vislumbre de como devia ser uma sociedade ideal, a Utopia, o Paraíso Terrestre. Mas na hora de abrir mão de alguns hábitos, costumes, confortos e comportamentos, desistimos fácil de construir nosso Nirvana.
Do jeito que falo parece fácil, mas não é. Criamos um ambiente artificial para habitarmos e este sistema, este meio de vida, tornou-se tão parte de nós que não damos conta que está nos asfixiando.
Paradoxo interessante este. Para que eu me torne uma pessoa melhor, eu tenho que me matar. Para que, da minha morte, eu renasça e recupere minha essência.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

O Fruto liberado

O sonho da Revolução Cultural broxou, disse o Profeta do Profano.
O alien de X1S diz, no Manifesto Onigâmico, que está apenas começando. Latência?
Em diversos países se discute [com bons resultados] o reconhecimento dos direitos e da cidadania da população LGBT. A despeito do discurso enfurecido, fundamentalista e homofóbico da Direita Religiosa.
Protestos feministas usam [a contragosto de outras feministas] a nudez como arma de conscientização.
Nina Hartley rediscute e redimensiona qual seria a real vocação e espaço da pornografia em uma sociedade sexualmente saudável. Na internet escreve-se sobre o sexo ser a salvação. Criamos incessantemente diversas fantasias sexuais, imagens, icones que abundam sexualidade e liberdade.
Qualquer opinião ou posição sobre amor, relacionamento e sexualidade vai acabar atingindo velhos tabus e proibições arraigados em nossa sociedade sexualmente doentia, sexista, machista, patriarcal. E não dá para não me referir à raiz do problema: Cristianismo. Mas mesmo a raiz do problema tem se demonstrado "acessível" a essa questão tão carnal, necessária e natural.
Nem mesmo tabus e proibições são nossas reais limitações. Matar nosso semelhante é um tabu e proibição da humanidade, mas não temos nem vemos problema algum na cultura de violência. Filmes americanos são um bom exemplo dessa cultura de violência e agressividade.
Então o problema, como sempre, está na humanidade. Ou melhor, no comportamento, em caráter coletivo e individual. Nisso não somos muito diferentes de nossos avós e ancestrais. Criamos fantasmas e medos desnecessários para algo que devia ser normal, natural, desejável, desfrutável, belo.
Refazer ou recriar comportamentos em cima de outros inculcados, impostos, não é nada fácil. Em minha jornada, quebrar com velhos hábitos arraigados é o meu maior desafio. Seja por criação familiar, por imposição social, seja por doutrinação religiosa, seja por mentiras que nos contamos sobre nós mesmos, aquilo que somos não é nossa real essência, mas algo que construímos para "funcionar" nessa sociedade, nesse mundo.
Devia ser bem simples. Todos são livres e tem o direito de amar quem quiser, quantos quiser, sendo em mutuo consentimento e tendo maturidade. Nascemos com isso e a sexualidade devia ser algo normal, natural. Eu sou homem e gosto de mulher. Outro homem pode ser homem e gostar de homem. Outro homem pode ser "mulher" e gostar de homem. Um homem escolhe o que ele é e gosta e definir seu tipo de relação: monogâmica ou poligâmica. O mesmo devia ser verdadeiro para a mulher, para o/a transgênero. Mas não funciona assim. Vivemos em uma sociedade onde novela e futebol é mais importante do que política.
Não temos problemas com a ingerência governamental, mas criamos problemas quando algo resvala nossas inseguranças, recalques ou preconceitos no tocante ao amor, relacionamento, sexualidade. Conversar sobre liberar a maconha é mais fácil do que conversar sobre liberar o amor.
Teorias revolucionárias forma majoritariamente escritas por homens. Como antigamente eram escritos livros sobre fidelidade, casamento, virgindade. Homens impulsionam a Industria da Pornografia, a Industria do Sexo, nós demos origem às boates e às trocas de casais. E continuamos insatisfeitos, porque o sistema se mantém enquanto nos mantivermos condicionados a viver essa sexualidade doentia, enquanto permitirmos sermos sexualmente reprimidos, oprimidos e alienados. Metade da humanidade, a mulher, está ainda mais restringida, lutando para cumprir com sua função social como trabalhadora e mãe, mantendo um contrato social [casamento] porque acredita na instituição e porque teme a punição social se ousar infringi-la. Metade da humanidade, a mulher, ainda mantém o sonho romântico medieval de fidelidade conjugal e de que não é próprio para uma "mulher direita" buscar sua plenitude, inclusive a sexual.
O Fruto está bem na nossa frente. A Iniciadora nos oferece. Não há Deus algum que nos proíba, nem há Deus algum que possa nos castigar. Na verdade, Ele está bem ao nosso lado, aguardando ansiosamente pelo nosso Despertar. O ato deve ser consciente. Cabe a nós querer colher o Fruto, saboreá-lo e receber o Conhecimento.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Ambiente, habitat, natureza

Meus caros diletos e eventuais leitores devem ter passado por essa situação, onde "Testemunhas do Ambiente", Greenpeace e congêneres, abordam o público com o propósito de assinalar o futuro apocalíptico que nos aguarda se não preservarmos a natureza. Enfoque equivocado, a natureza não precisa de resguardo, mas a humanidade, a natureza continuará a existir depois que nós mesmos nos extinguirmos.
Mas este texto não é sobre profetas, vaticínios, Apocalipse, mas sobre nossa visão e conceituação do que vem a ser "natureza". Meus caros diletos e eventuais leitores vão convir comigo que, a primeira idéia que vem à cabeça, ao se falar em "natureza", é uma floresta intocada pela mão humana.
No Paganismo, o ser humano é parte da natureza, a falta de consideração ou cuidado com a natureza somente vai prejudicar o maior interessado: nossa espécie.
Cuidar da natureza não é somente "cuidar da Amazônia", um lugar longe de São Paulo e que poucos paulistanos podem ou vão viajar para conhecer. Cuidar da natureza começa com o cuidado com nosso corpo, com uma dieta alimentar equilibrada, exercícios, lazer, leitura e também relações erótico-afetivas. Cuidar da natureza incui nossa cidade, um habitat articficial, mas não obstante, o ambiente que existe e foi construído com materiais que vieram da natureza, ou seja, preservar parques e praças públicas deveria ser uma preocupação tão importante quanto preservar a Mata Atlântica. Exigir de nossos governantes pela despoluição dos rios e lagos. Exigir formas mais eficientes de coleta e reciclagem de lixo. Exigir politicas publicas que propiciem a melhoria da qualidade do ar na cidade.
Isso apenas para ficar nos aspectos mais locais do que devemos perceber como sendo "natureza". Natureza não se limita às coisas naturais deste mundo [se me permitem a redundância], mas também aquilo que está fora deste mundo, como o sol, a lua, as estrelas. Natureza são também os sentimentos, os pensamentos, as emoções. Cuidar dessa natureza faz parte do oficio sagrado de todo pagão.