sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Pelo retorno de Héstia

Somos a geração de mulheres que não podem mais ter tempo livre: estamos sempre a remarcar o café com as amigas e a salvar nos favoritos as receitas sem glúten que nunca testamos, postergamos a caminhada relaxante no final do dia e deixamos secar as suculentas e violetas que não temos tempo de regar, marcamos “tenho interesse” em inúmeros eventos de lazer que raramente conseguimos comparecer e nos esforçamos para não esquecer dos livros de poesia que um dia, quando sobrar tempo, tentaremos ler.

Essa é a condição da mulher contemporânea que passou a ver como única condição para a sua existência o acúmulo de títulos, cargos e cursos. Ora estamos pressionados a buscar com obstinação o alcance de uma vaga de emprego “estável”, ora estamos comprimidos na severa linha de produção acadêmica. Mediante tamanha exposição a ideologia do sucesso individual e incitação a competição, assistimos com medo a nutrição de nossas sombras egoístas e invejosas. Enquanto nossos objetivos não são alcançados recebemos com receio as atualizações dos nossos contatos no linkedIn e acompanhamos com ansiedade o lattes de nossos concorrentes em concursos que se quer foram lançados.

Estamos todas imersas (submersas e nos afogando!) nesse cenário que apesar de se apresentar como sinônimo de emancipação e libertação tem nos colocado sob um regime de escravidão. Para cumprir as metas impostas por esse sistema estamos negligenciando nossos ciclos, forçando nossos limites pessoais e adiando para a aposentadoria o nosso almejado contato com a arte, com o lúdico, com outras mulheres, com a natureza e com tudo aquilo que representa o prazer e o bem-estar em nossas jornadas. Na medida em que uma atividade não avoluma nossas contas bancárias ou não estica nossos currículos ela é imediatamente alvo de julgamento e repressão. Como consequência desse fenômeno, alojamos em nossos ombros o peso da culpa e seguimos dizendo sim a essa sociabilidade cruel que em troca do nosso sangue e da nossa essência, oferece a promessa do sucesso individual. Estamos todas no mesmo barco, ele está afundando e o nosso socorro virá somente no dia em que Héstia retornar ao governo de nossos lares-corações.

Héstia é a deusa que tem como símbolo o círculo, a deusa da lareira que mantinha acesa a chama nos lares, templos e cidades gregas. Sua presença era solicitada sempre que se fazia necessário o aquecimento ou a consolidação de uma lar e o estabelecimento do compartilhar nas relações. Héstia possuía qualidades essenciais que podiam ser honradas com fluidez pois ela não se deixava perturbar por influências e coerções externas. Em um momento em que nos encontramos afastadas dos caminhos dos nossos corações e que constatamos nosso compartilhar sendo substituído pelo competir parece fundamental acolhermos a presença arquetípica de Héstia.

A presença de Héstia nos auxilia a mergulhar em nosso interior e a reacender a intuição para que nosso foco seja direcionado para a plenitude de nossas essências individuais e não para as pressões que vem de fora. Héstia representa a mulher que imersa na organização de seu lar entra em profunda meditação e estado de harmonia. A mulher sob a presença de Héstia cuida dos detalhes de seu quintal ao mesmo tempo em que rega seu jardim interno. Nesse momento ela esta sob o domínio da paz interior e o tempo que corre agitado lá fora, ali no seu lar-coração já não existe mais. A mulher que nutre sua Héstia e aquece seu lar com amor não o faz para agradar alguém mas como uma forma de cuidado íntimo consigo.

Héstia enquanto protetora da lareira não é uma deusa de grandes causas ou com uma personalidade reconhecida, ela se sustenta em seu anonimato e na alegria interior de reinar sobre seu lar e sobre si mesma. A mulher que cultiva o arquétipo de Héstia permanece inabalável em relação a pressão para aquisição de bens, títulos ou prestígio. Ela simplesmente é e sua vida simples é plena de significados, sentidos e a conecta ao todo. A desvalorização de Héstia afasta a mulher do seu centro de paz interior e da sua capacidade de ser absorvida pelo tempo, de perder-se nele realizando algo que lhe dá prazer e que pacifica sua alma.

Convocar Héstia para o nosso cotidiano nos ajuda a nos desapegarmos das cobranças e olhares externos, da opressão do relógio e das metas exteriores que nos são impostas diariamente. Convidar Héstia para nos possuir significa meditar através do cuidado diário e afetivo com uma planta ou com um animal, significa entregar-se a preparação de um jantar ou desprender amor a organização de uma estante de livros. Héstia nos estimula a entregar nosso tempo a nós mesmas, aos nosso anseios mais íntimos e as pequenas coisas que nos dão prazer.

A participação da mulher no mundo do trabalho e na produção do conhecimento são conquistas louváveis e consequências de lutas e engajamentos importantíssimos. No entanto, é preciso repensar a forma como nos apropriamos dessas conquistas. Temos realizado a entrega irrestrita do nosso tempo a caminhos que muitas vezes não condizem com os caminhos do nosso coração e aceitado jornadas que nos são ditadas por fatores externos e que fortalecem e perpetuam ideologias com as quais não concordamos.

A competitividade e a busca por notoriedade e triunfo vem fazendo com que as mulheres se omitam em relação as suas aspirações particulares mais sinceras e também com que se afastem umas das outras, deixando que se dissipe a riqueza e a sacralidade do tempo feminino compartilhado. Convoquemos Héstia para nos amparar enquanto afirmamos para esse sistema que podemos considerar nosso lar o nosso reino, que ele pode ser constituído somente por nós mesmas e ainda assim, estaremos realizadas.

Que Héstia nos ampare enquanto proclamamos que podemos estar plenas em uma carreira profissional proeminente mas também temos o direito de nos contentar com carreiras anônimas, ter salários modestos e uma vida simples que nos proporcione tempo livre para realizarmos tarefas que aqueçam nosso coração e façam o relógio sumir. Lutemos para que nossas lareiras estejam sempre protegidas e o fogo em nossas almas sempre aceso. Lutemos para que nossos desejos mais íntimos sejam ouvidos e não mais substituídos pelas necessidades alheias. Lutemos pelo fim de nossa rendição a esse sistema sufocante que esfria nossos corações e perturba nossas mentes. Lutemos pelo retorno de Héstia.

Autora: Talita do Lago Anunciação.
Original: Brasil 247.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

O mistério do logotipo do Jagermeister

Dizem da lenda de Santo Humberto que ele, perseguindo um veado em pleno bosque, se deteve repentinamente o que fez parar os cães e os cavalos. Entre os cornos do veado apareceu uma cruz luminosa e Huberto ouviu uma voz que lhe dizia: “Se não voltares para Deus cairás no Inferno”.
Dizem a lenda de Santo Egídio que ele encontrou abrigo de seus perseguidores em uma floresta e foi sustentado pelo leite de uma corça.
Dizem a lenda de Santo Eustáquio que ele era antes conhecido como Placidus e estava sob o comando dos imperadores Tito e Trajano. Como ele fazia muitas obras caridosas, Cristo teve piedade dele de forma que, enquanto ele caçava, ele viu um cervo e o acertou entre os olhos. No entanto o cervo fugiu, no que Placidus tentou persegui-lo, sem sucesso, quando desistiu depois que o cervo pulou por sobre um abismo, quando então o cervo olhou para ele e este tinha uma cruz entre a galhada. A lenda de Santo Eustáquio foi absorvida pela lenda de Santo Humberto, mas foi das pinturas medievais votivas a Santo Eustáquio que surgiu o logotipo do Jagermeister.
Como no caso do logotipo da Starbucks, o logotipo do Jagermeister tem origens mais remotas, vindas dos mitos europeus pagãos envolvendo o cervo.
Os animes são avidamente consumidos pelo mundo ocidental cristão, a despeito de terem em si muito da espiritualidade oriental e asiática. Um bom apreciador de anime verá com facilidade como os animes são carregados com símbolos da religião xintoísta, onde tudo possui espírito. Um bastante explicito que deve ser visto por pagãos modernos do ocidente é “Princesa Mononoke”, especialmente as cenas onde aparecem o Espírito da Floresta, que se manifesta como um cervo com feições humanas.
O leitor pode até pensar: e daí? São orientais, nós somos ocidentais. No entanto o cervo está presente em diversas lendas e mitos europeus, tal como se pode ver no filme “Branca de Neve e o Caçador” a presença do Espírito da Floresta como um cervo branco, ou então no vulto que apareceu quando Harry Potter evocou o seu Espírito Patrono.
O cervo é um símbolo da busca [caça] pela sabedoria, tendo sido considerado pelos Celtas um dos animais mais antigos. Em tempos quando as tribos dependiam da carne e do couro para sobreviver, a dependência da vida das tribos pelo cervo fez com que este animal se transformasse no símbolo da vida em si mesma. Então caçar o cervo era o símbolo do conhecimento necessário para a vida. Os chifres do cervo são comparados aos ramos das árvores, pois da mesma forma caem e voltam a crescer, ficando simbolicamente ligados ao ciclo da natureza de rejuvenescimento e renascimento. Os chifres são um símbolo portado por diversos Deuses como sinal de poder, nobreza, honra, virilidade e fecundidade, por isso que Herne e Cernunnos são representados com chifres de cervo. Os cervos são também simbolicamente conectados ao zelo com a criação e cuidado com crianças; com o balanço da lei e o rigor da justiça; com a gentileza, amor carinhoso, sensitividade, beleza graciosa, inocência e observação aguçada capaz de decidir com sabedoria diante de uma situação caótica.
Evidente que a Igreja não poderia permitir isso, então forjou diversas lendas que suprimiram ou apagaram as lendas europeias originais com cervos, como as lendas de Santo Humberto, Santo Eustáquio e Santo Egídio. Os pagãos modernos devem resgatar suas verdadeiras raízes culturais, espirituais e religiosas. Os pagãos modernos devem arrancar do Cristianismo aquilo que foi roubado e devolver ao seu devido lugar.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Mitologia vasca

Nas lendas do povo basco a terra, Ama-Lurra, é a deidade principal. A terra aparece como portadora de todos os seres vivos, que possui a sua própria força vital que criou o nosso ambiente natural. É a que torna possível a existência de animais e plantas, que dá aos seres humanos o alimento e o lugar para viver. A terra é um grande recipiente, um receptáculo ilimitado, onde as almas dos mortos  e a maioria dos personagens mitológicos vivem.

A crença em Ama-Lurra é muito antiga no povo Vasco, é anterior à invasão dos povos indo-europeus. Uma vez que estas culturas que vieram do leste para a velha Europa introduziram a crença nas divindades celestiais.

De acordo com as lendas, no interior da terra existem tesouros incríveis que, embora os seres humanos persistem em encontrá-los e aproveitá-los, sempre se tornam inacessíveis.

É um costume profundamente enraizado deixar oferendas para Ama-Lurra, a Mãe Terra, nas cavernas e abismos, que são as portas para o interior da terra.

A Deusa Mari é a personificação de toda a natureza e, por sua vez, é a divindade superior que domina todos os personagens mitológicos. Ela tem uma relação especial com a terra e de acordo com as crenças antigas é a personificação de Ama-Lurra. Na verdade, sua casa e abrigo está dentro da Terra, uma vez que faz o seu aparecimento de grutas e abismos. Mari pode ser uma das deusas tectônica das culturas matriarcais da velha Europa, anterior aos deuses celestiais que trouxeram as culturas celtas de origem indo-européia.

Antigas lendas nos dizem que o sol e a lua são filhos de Ama-Lurra. Portanto, todos os dias saem do útero de sua mãe, e, depois de fazerem sua jornada diária, terminam nele.

Eguzki ou Eguzki Amandre, o Sol, tem especial relevância entre as divindades vascas. É o que nos dá luz e calor, em suas mãos estão as boas e más colheitas. Ele também tem uma grande influência sobre os espíritos e gênios malignos, uma vez que a presença do sol faz com que se retirem para sua casa, no interior da terra. Quando a luz solar alcançam certos gênios, eles perdem seus poderes.

É um costume muito arraigado colocar um Eguzkilore (flor do sol), na porta das aldeias, para espantar os espíritos e gênios malignos.

Em algumas lendas do sol é o olho de Deus.

Ilargi ou Ilargi Amandre, a Lua, também é uma importante Deusa vasca. O sol aparece como Olho de Deus, a lua é o Rosto de Deus. A lua brilha sobre os espíritos dos mortos. Segundo alguns linguistas, a palavra 'Ilargi" significa "luz dos mortos''.

O culto da Deusa da lua, Ilargi, deve estar firmemente enraizada no povo Vasco uma vez que a sexta-feira é dedicado a ela: "ostiral". Uma variante para nomear a lua é 'Irargi ", onde você pode ver a raiz "ira". Sexta-feira é um dia especial na semana vasca: o dia em que bruxas e bruxos se reúnem. Nas sextas-feiras também foram proibidos determinadas atividades: começam a realizar trabalhos importantes, levar o rebanho para a montanha, trazer mel de colmeias, etc.

Segundo historiadores a cultura vasca foi essencialmente matriarcal e, até certo ponto, assim tem sido até recentemente. Pelo que podemos ver, a importância das divindades femininas mencionadas até agora confirma este fato.

Ortzi ou Ostri, em Vasco, é o paraíso ou o céu que vemos acima das nuvens; onde o sol, a lua e as estrelas estão localizadas. Uma variante dessa palavra foi usada para nomear Deus no século XII: Urtzi.

Para Barandiaran é possivel que antigamente o povo Vasco adorava ao Deus do céu, semelhante a Thor, o Deus escandinavo. Possivelmente esse culto foi trazido pelos Celtas que invadiram esta terra entre 1000 e 500 A.C.

Examinando cuidadosamente as divindades descritas, se explica a antiga cosmologia do povo Vasco. No centro de tudo isso está a Terra, a base de toda a existência e da vida natural, e em torno dela está o Sol (Eguzki Amandrea), a Lua (Ilargi Amandrea) e o Céu (Urtzia). Todos os dias as Deusas Eguzki Amandrea e Ilargi Amandrea saem de dentro do ventre de Ama-Lurra e percorrem seu caminho por Urtzia, para voltar ao útero, Ama-Lurra. Mari era a deusa da natureza e todos os fenômenos naturais. Portanto os Vascos antigos adoravam tudo diante deles: a terra, a natureza, o sol, a lua e o céu.

Conta-se em uma antiga lenda que, no início da vida, a escuridão invadia a terra. Dada esta miséria, os seres humanos foram pedir a Ama-Lurra para ajudá-los a afastar os maus espíritos e divindades que estavam escondidos na escuridão. Ama-Lurra aceitou a demanda e criou uma de suas filhas, Ilargi Amandrea (a lua).

Os seres humanos agradeceram a sua luz, mas não foi o suficiente. Mais uma vez, eles pediram a Ama-Lurra para lhes dar algo mais para iluminar e superar a escuridão. Então, Ama-Lurra criou sua outra filha, Eguzkia Amandrea; e assim ele nasceu do dia.

Os habitantes da terra poderia viver em paz durante o dia, sem medo de espíritos malignos, sob a luz do sol. Mas quando a noite caiu, veio o medo. Então eles voltaram para Ama-Lurra para pedir algum tipo de proteção contra o mal em noites escuras. Então, Ama-Lurra deu-lhes um recurso: Eguzkilore. Ela lhes disse que colocassem o Eguzkilore na porta de suas casas para se protegerem das divindades malignas da noite e não saírem após o anoitecer de suas casas.

Daí em diante, eles seguiram o conselho de Ama-Lurra e não tiveram que sofrer a ameaça do mal.

Original: Amaroa

Traduzido com a ajuda do Google Tradutor.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Io, Lupercus!

Hoje começa o Carnaval. Mas o que é que se está comemorando, mesmo? Não é o Carnaval, a "despedida da carne" que antecede a Quaresma e Corpus Christi. Existe uma tradição antiga que remonta ao tempo dos Romanos e que tem um vínculo com o aspecto sagrado do mês de fevereiro. Esqueça o Carnaval. Feliz Lupercália!

A Lupercalia, Lupercália, Lupercais ou Festas Lupercais era um festival pastoril romano, celebrado a XV Kalendas Martias, que corresponde hoje ao dia 15 de fevereiro.
O nome da festa supõe-se derivar de lupus (lobo). Dizia-se ter sido instituída por Evandro o árcade, mas é possível que existisse desde o período pré-romano. Realizavam-na na na gruta de Lupercal, no monte Palatino (uma das sete colinas de Roma). Teria sido onde, segundo a tradição, Pã - também chamado Fauno Luperco (o que protege do lobo), em cuja honra se fazia a festa - tomou a forma duma loba e amamentou os gémeos Rómulo e Remo.
A festa da Lupercália simbolizava a purificação que devia acontecer em Roma ao fim do ano (que começava em Março). Anualmente, um corpo especial de sacerdotes, os lupercos sodais (luperci sodales) eram eleitos entre os patrícios mais ilustres da cidade.
Na data prevista, então, os lupercos [irmãos do lobo - appendix] daquele ano encontravam-se na gruta Lupercal para sacrificarem dois bodes e um cão e serem ungidos na testa com o sangue, limpado da lâmina do sacrifício com um lã embebida em leite. Vestiam-se então do couro dos animais, simbolizando Fauno Luperco, do qual arrancavam tiras, chamadas februa, com as quais saíam ao redor da colina a chicotear o povo, em especial as mulheres inférteis, que se reuniam para assistir o festival.
A Lupercália era uma festa de fim de ano. Acreditava-se que essa cerimônia servia para espantar os maus espíritos e para purificar a cidade, assim como para liberar a saúde e a fertilidade às pessoas açoitadas pelos lupercos.
A associação com a fertilidade viria de as chicotadas deixarem a carne em cor púrpura. Essa cor representava as prostitutas sacerdotais da Ara Máxima, também chamadas lobas.
Tratava-se também dum rito de passagem, simbolizando a morte e a ressurreição, celebrando assim a vida.
Caracterizadas pela licenciosidade, tinham características adotadas mais tarde nas festas de Carnaval.
A festa era tão antiga como a própria história de Roma (sabe-se que era uma tradição forte já no tempo de Júlio César), e tornou-se mais popular nos tempos da República romana, quando a gruta Lupercal foi reformada por Augusto, e perdurou até aos tempos do império e da sua queda. Esta mesma celebração foi adotada por Justiniano I no Império do Oriente em 542, como remédio para uma peste que já havia assolado o Egito e Constantinopla e ameaçava o resto do império. [Wikipédia]
Cada Lupercalia começava com o sacrifício de bodes e um cão por um sacerdote, depois dois dos sacerdotes eram levados para o altar, suas testas eram tocados com uma faca ensanguentada e o sangue era limpo com lã embebida em leite. A festa sacrificial prosseguia, após a qual os sacerdotes cortavam tiras de peles de animais sacrificados e corriam em dois grupos ao redor do monte Palatino, golpeando com as correias em qualquer mulher que ficasse perto deles. Um golpe da tira supostamente tornava uma mulher fértil. [enciclopédia britânica]
Este ato de correr com tiras de couro de bode era uma purificação simbólica da terra e dos homens, ato que era chamado de februare e lustrare. O couro de bode em si era chamado februum, o dia da festa era chamada die februata, o mês em que ocorreu era chamado Februarius e o próprio Deus Februus.
O ato de purificação e de fertilização, que, como vimos, era feito em mulheres, era, sem dúvida, originalmente feito nos rebanhos e para as pessoas da cidade no Palatino. Festus diz que os Luperci também foram chamados CREPI ou CREPI, por sua impressionante semelhança com couro de bode (crepitu pellicularum), mas é mais provável que o nome CREPI veio de crepa, que era o antigo nome do bode (caprae). [Bill Thayer]

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Sorgin, a bruxa vasca

"Embora Sorgin pode ser um homem ou uma mulher, esta ultima que têm tradicionalmente desempenhado esse papel nas comunidades espirituais bascos. A sorginak é a bruxa basca, ocupou um papel semelhante ao de outros xamãs nativos de diferentes latitudes . Elas foram as únicas que conheciam os segredos de procriação e nascimento e, portanto, fez o trabalho de parteiras e anciãs. Também conhecia os segredos das plantas e seus usos medicinais, que também desempenhou o papel de curadoras. Também por causa de sua ligação com o mundo espiritual elas agiam como conselheiras, oráculos e sacerdotisas". [Guillermo Piquero]
Sorgin é um gênio feminino e maligno que desempenhou papéis extraordinários e está sob o comando de Etsai [diabo] ou Akerbeltz. As pessoas, a maioria mulheres, que caem em sua influência também são chamadas sorginak, têm poderes sobre-humanos e tendências malignas. Para elas são atribuídos a destruição inesperada de culturas, avarias de fábricas e fundições, doença ou mortes estranhas, afundar navios, etc. Essas pessoas enfeitiçadas participam de reuniões à noite, onde elas lançam feitiços, maldições e mau-olhado. Há casos em que uma pessoa se torna Sorgin por ter dado três voltas em torno de uma igreja, não ter sido bem batizada, por ter herdado uma roupa ou ter tido contato com elas, etc. Estas mulheres agem como um grupo e as reuniões noturnas são realizadas em datas específicas aonde vão voando. Elas conseguem este poder sobrenatural esfregando um unguento e recitando esta frase: "sasi gainetik guztien Odei azpitik guztien eta'' [acima de todas as sarças e abaixo de todas as nuvens]. A reunião é chamada de akelarre [bode macho do campo] e vem de um prado assim nomeado, localizado em Zugarramurdi (Navarra), onde se celebravam tais reuniões. O termo Akelarre talvez seja a palavra basca que mais se espalhou pelo mundo. Nessas reuniões eles adoravam o gênio Aker e bebiam poções feitas com ervas. Elas sabiam muito bem as qualidades de ervas de todos os tipos, venenosa, medicinal, alucinógena, etc. No akelarre elas dançavam música, embriagadas e tinham sexo grupal. Renegavam a Deus e lançavam maldições e mau-olhado em seus inimigos. Às vezes a sorgina assume a forma de um animal, especialmente o gato preto.
Na verdade, como em outras partes da Europa, várias cerimônias e reuniões perduraram no país Vasco, umas mais sagradas do que outras, desde as que tinham um pequeno número de participantes (sorginak) até outras em que compareciam toda a comarca. Estes encontros eram relacionados com as características das cosmovisões nativas animistas, eram a antítese dos cultos tristes, cinzentos e condenantes que a Igreja queria impor. A alegria e prazer, características intrínsecas da vida com maiúsculo foram parte de muitas dessas celebrações e isso era algo que as mentes do catolicismo se esforçou para destruir.
"E aquela religião natural Vasca, cuja imagem central era a Dama ou a Senhora (Mari), eram fundamentais os ritos da regeneração e da fecundação, podendo ser o Akelarre, em algum momento, um desses ritos. Isso pode explicar a importância do bode (Aker) e do sapo, símbolos de fertilidade e fecundidade, respectivamente. Tudo isso pondo em risco o modelo de família patriarcal imposta pela Igreja Romana. E isso não se podia tolerar". [Josu Naberan].
Original: Amaroa

sábado, 30 de janeiro de 2016

O culto asturiano aos bosques sagrados

Escrito por Alberto Alvarez Peña
Original: Fusion Asturias

A palavra "Nemeton" usado para descrever o espaço sagrado no mundo celta, aninhado nos bosques, ou mais estritamente na clareira, como acontece em algumas partes do celta antiga.

Com o surgimento de Nemetona como deusa associada com Marte (deus da guerra indígena) através de divindades como a Matre Nemetiales, em Grenoble, na Hispânia Céltica também aparecem estas referências para o bosque sagrado. Nas Astúrias, temos a lápide descoberta em Uxo (Mieres), encontrado atrás da casa paroquial e dedicada a Ninmedo Assediago. Esta lápide, datável do século II D.C. afirma: "Ninmedo Assediago / G. Sulpicius / VSLM Africanus" que se traduz como "A Ninmedo Assediago, Caio Sulpício Africano oferecido livremente o seu voto para o favor recebido". Assediago apresenta a raiz indo-européia "SED" o que poderia indicar "sentado". Quanto a "Ninmedo" dissemos que vem do Céltico "Nemeton" que viria a transformar lugar sagrado e morada dos deuses, que mais tarde seria também latim para "Nemus" (bosque sagrado) também se encontram em Nemedus Augusto, na Caverna da Grega em Pedraza (Segóvia) dentro da área de celtibérica. A clareira onde a divindade também aparece entre os alemães, e Tácito disse um deles afirma: "não considerado digno dos deuses representam paredes ou colocá-los em forma humana, e para consagrar bosques e dar-lhes o nome de deuses que algo misterioso e só pode ver com os olhos de reverência. " Estrabão cita também Drunemeton como um centro de culto e de organização política dos gálatas que ocuparam uma parte da Ásia Menor.


Anos mais tarde, Martin Dumiense, em seu "Correctione Rusticorum" alerta entre os asturianos para o que ele considerava uma adoração pagã: coloque velas ao lado de rochas, árvores ou fontes, ofertas de árvores pão e fontes, enrames, etc. Com o advento do cristianismo muitas árvores e bosques sagrados foram cortadas, embora alguns sobreviveram a árvore ao lado do santuário cristão onde a divindade, como na velha religião, que se manifesta na árvore. Como um lembrete daqueles dias ainda existem textos antigos e carvalhos ao lado das capelas rurais. As árvores eram intocáveis. Leite de Vasconcellos disse em Portugal que, quando as árvores eram cortadas no bosque sagrado de Arvaes com ferramentas de ferro era necessária purificação pelo sacrilégio. A meados do século XV, Jerônimo de Praga ", disse que cultuavam florestas consagradas aos demônios e especialmente aos velhos carvalhos". Em "Vida de São Willibrord" diz-se dos frísios e suas florestas sagradas, "Ninguém se atreve a tocar em nada, nem mesmo tirar água da fonte que borbulha lá, a não ser em silêncio." Entre os celtas irlandeses se venerava o teixo de Ross, o carvalho de Mughna e o freixo de Visnedr; na França foi batizado o carvalho de São Quirino.


Muitas vezes na árvore sagrada oferendas e ex-votos foram colocados. O Cristianismo tentou, num primeiro momento, erradicar essa prática derrubando a árvore. Assim São Barbate ordenou derrubar a árvore sagrada dos Lombardos onde pendia peles de animais e carne. São Amador, bispo de Auxerre, mandou derrubar um pinheiro em cujos ramos pendiam as cabeças de animais mortos na caça. São Bonifácio derrubou a árvore sagrada dos Hesios e Carlos Magno mandou derrubar Jrminsul, a árvore sagrada dos saxões. Em toda a Europa, árvores antigas caiu sob o machado impiedoso do Cristianismo. Os ex-votos colocados na árvore oferecidos à divindade também poderiam ter referência à razões de saúde, então se faziam representações das partes do corpo afetada, pernas, braços, troncos, etc. Isso era muito comum entre os gauleses, tanto que Gregório de Tours condenava como um costume pagão. Ao longo do tempo, a Igreja foi assimilando estes oferendas nas capelas dedicadas a santos e virgens, dos deuses protetores de pequenos animais, saúde, cabeça, etc. Assim, ainda podemos ver em Astúrias ex-votos em cera, na forma de membros ou gado.

Traduzido com a ajuda do Google Tradutor

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

As crianças de Woolpit

As crianças apareceram não se sabe de onde. Eles falavam uma língua desconhecida, usavam estranhas roupas. Não comiam e tinham uma pele verde. Eles pareciam não ser deste mundo. Quem eram eles e de onde vieram?

Essas crianças misteriosas entram em nosso mundo através de uma janela do tempo, de outra dimensão ou emergiram do submundo? Depois de muitos anos, muitas pessoas têm se ocupado com estas questões, tentativas para encontrar uma explicação para essa estranha ocorrência que só torna o caso mais inexplicável.

A história começou há muito tempo atrás; as duas notáveis crianças foram descobertas na vila de Woolpit, em Suffolk ― UK. O incidente se deu durante o regime do rei Stephen da Inglaterra (1135-1154), numa época difícil. Os camponeses estavam trabalhando quando as duas crianças, um garoto e uma garota, repentinamente emergiram de um fosso profundo. As pessoas ficaram de olhos arregalados diante do fato.

Estavam vestidas com roupas de material nada familiar e suas peles eram verdes. Era impossível falar com eles por que tinham um dialeto desconhecido. Os dois foram levados para o dono do feudo, Sir Richard de Caline. Obviamente, eles estavam tristes e choraram por vários dias.

Os pequenos esverdeados se recusaram a comer e a beber qualquer coisa até que alguém ofereceu feijão ainda no talo para eles. Eles sobreviveram comendo feijão por vários meses. Mais tarde eles começaram a comer pão. O tempo passou, o pequeno e esverdeado garoto entrou em depressão, adoeceu e morreu. A garota adaptou-se melhor a sua nova situação. Ela aprendeu a falar inglês e gradualmente sua pele foi perdendo a cor verde. Mais tarde se tornou uma saudável jovem e se casou.

Ela era sempre perguntada sobre seu passado e de onde tinha vindo, mas tudo que falava só fazia aumentar o mistério sobre suas origens. Explicava que seu irmão e ela tinham vindo de "uma terra sem sol", com um perpétuo crepúsculo. Todos os habitantes eram verdes. Ela não tinha certeza exata onde se localizava sua terra. Ainda, ela chamava de "Luminous" a outra terra, que era cruzada por um "rio considerável" separando o mundo deles.

Também são inexplicáveis como as crianças apareceram naquele fosso. A garotinha disse que ela e seu irmão estavam procurando o rebanho do pai e seguiram por caverna escutando o som dos sinos. Vagaram na escuridão por um longo tempo até que acharam uma saída; de repente, eles ficaram cegos por um clarão de luz.

A luz do sol e a temperatura diferente deixaram-nos cansados; descansavam quando ouviram vozes, viram pessoas estranhas e tentaram fugir. Entretanto, não tiveram tempo de se mover da boca do fosso onde foram descobertos. As fontes originais dessa história são William de Newburgh e Ralph de Coggeeshall, dois cronistas ingleses do século 12.

Muitas explicações têm aparecido para o enigma das crianças verdes. Uma das teorias sugeridas é que as crianças eram imigrantes flamengas que sofreram perseguição. Seus pais teriam sido mortos e o garoto e a garota se esconderam na floresta. Esta idéia explicaria as roupas diferentes, mas não esclarece o fato das crianças falarem uma língua desconhecida, embora alguns habitantes locais achassem que era uma corruptela de flamengo.

Outros sugerem má nutrição ou o envenenamento por arsênico como a causa da pele verde. Também havia um rumor que um tio tentou envenenar as crianças, mas isso nunca foi confirmado. No entanto, outras pessoas como o astrônomo escocês, Duncan Lunan, sugeriam que as crianças eram alienígenas enviados de outro planeta para a Terra.

De acordo com outras teorias, as crianças vieram de um reino subterrâneo ou, possivelmente, de outra dimensão. Poderiam as crianças verdes de Woolpit ter vindo de um mundo paralelo, um lugar invisível ao olho nu? É importante lembrar que a garota disse que "não havia sol" no lugar de onde ela teria vindo. Disto se pode deduzir que ela habitava de um mundo subterrâneo. A verdadeira origem das crianças nunca foi descoberta e este caso continua um mistério.