sábado, 25 de junho de 2016

Fim de uma jornada [?]

Eu tenho percebido certo desencanto e abandono de escritores pagãos dos meios de publicação e divulgação de textos na internet.
Eu pressinto que o tema deste blogue também está esgotado e cumpriu sua missão de descrever minha jornada. Diante de uma escassa plateia de leitores, eu me questiono da relevância em continuar a escrever.
Então é momento de matar este blogue falando de meu maior pecado: academicismo.
Existem sete “pecados” da educação: domesticação, repetição, teorização, burocratização, improvisação, academicismo, elitização. Quando eu coloco estes conceitos em minha jornada e nos textos deste blogue, eu cometi todos esses pecados.
Eu cometi o pecado da domesticação quando eu reafirmava os mais básico dos princípios e valores do Paganismo, da Bruxaria e Wicca tradicionais.
Eu cometi o pecado da repetição quando eu reafirmava a importância da tradição, do treinamento e iniciação formais.
Eu cometi o pecado da teorização quando eu reafirmava as informações com embasamento histórico, etnológico e antropológico.
Eu cometi o pecado da burocratização quando eu reafirmava a necessidade de uma linhagem e de um atestado [vouch] para que alguém pudesse se aclamar bruxo ou sacerdote.
Eu cometi o pecado da improvisação quando eu fiz minhas práticas e rituais.
Eu cometi o pecado da elitização quando eu reafirmava todas as anteriores contra a popularização e massificação do que eu chamo de Wilka S/A.
Eu deixei o academicismo por ultimo por que me é o mais doído, especialmente quando eu tenho que enfrentar pessoas que, supostamente, são meus iguais, mas assim não me reconhecem, porque sofrem do mesmo pecado.
Um pensador, um pesquisador, um escritor, um pagão, um bruxo e um sacerdote jamais devem cair nesse pecado. Nós temos a obrigação de manter nosso senso crítico, mesmo diante de uma obra de um autor incensado pela Academia. Mesmo os maiores pensadores falaram bobagem e continuará a ser bobagem, por mais incensados que sejam pela Academia.
Em meu outro blogue, eu fiz um bom resumo que mostra o que é o pecado do academicismo:
“Alguns acadêmicos, professores, especialistas e doutores, que ainda pensam que o conhecimento é um privilégio e monopólio de poucos, tem a reação esperada diante do fim da ilusão de estarem em um pedestal onde, vestidos com os louros do conhecimento, acreditam ser incontestáveis e infalíveis. Eu confesso que por muitos anos eu tive esse falso orgulho, arrogância e prepotência.”
Aqui mesmo eu publiquei um texto falando que existem diversas formas de conhecimento e inegavelmente quando falamos em Paganismo, Bruxaria e Wicca, existe um imenso universo de conhecimento a ser explorado nas miríades de práticas e experiências, tanto de indivíduos, quanto de grupos.
Eu devo fazer a mesma pergunta que Niki Whiting: o que é que eu sei, mesmo?
Eu espero conseguir descobrir, estudando, praticando e buscando aprimorar meu vínculo com meus ancestrais e Deuses.
A todos vocês, curiosos, interessados e simpatizantes do Paganismo, Bruxaria e Wicca:
Boa sorte e boa jornada.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

O oráculo de Zeus

Retomando mais do tema da arte pré-histórica, com suas "Vênus" e "Bisões", as representações da fecundidade e da fertilidade possuem signos e símbolos em comum, para a "Deusa" e para o "Deus".
A Deusa assume a forma da serpente em diversas artes e o Deus assume a forma do touro em diversas artes.
Jove e Zeus tem em comum dois símbolos que os equiparam ao Deus primordial: o trovão e o touro. O mito de Minotauro é o melhor reflexo desse antigo mito de criação, assim como o motivo pelo qual o "monstro" faz parte do mistério do labirinto.
Nós somos descendentes dos povos Indo-Europeus, Diaus-Pater é a origem de Júpiter, o Deus Romano Jove e também de Zeus, o Deus Grego. Jove acabou assimilando o mito de Zeus, mas os mitos deste Deus foram-nos contado em um período quando as cidades-estado gregas constituíram sua civilização e seus reis procuravam consolidar seu poder através dos mitos da antiga religião grega. Assim como seus pares de outras civilizações, politeístas e monoteístas, os sacerdotes tiveram muito trabalho para sistematizar as tradições orais em um discurso oficial, tal como vemos nas obras de Hesíodo.
Era do interesse dos reis que Zeus fosse o soberano de todos os Deuses, provavelmente porque Zeus era a divindade tutelar em comum das famílias aristocráticas e era constrangedor que Zeus tivesse tido sua origem em uma caverna [caverna de Psicro], de um monte [monte Ida], ambos locais dedicados à Reia e suas auxiliares, Amaltéia e Adrastéia.
Provavelmente os mitos de Zeus envolviam os mitos antigos originários, onde o Deus consorte de uma Deusa enfrenta seu sucessor [filho], que deve matar seu antecessor [pai] para assumir o trono. Cronos sucedeu Urano depois de destroná-lo, sabendo que em breve ele também seria desafiado. Os mitos indicam que esses Deuses destronados poderiam muito bem ser os Deuses tutelares de ancestrais e antepassados que tiveram que ser afastados para que estas famílias aristocráticas conquistassem o poder. Poder este que passava de uma matriliearidade para uma patrilinearidade. O trono e a majestade, deixam de ser um atributo de uma Deusa para ser o atributo de um Deus.
O sinal mais evidente desta troca de poder está no mito de Apolo e Pithon, similiar a tantos outros mitos onde um Deus enfrenta e vence uma serpente ou dragão, símbolos de diversas Deusas antigas. Delfos tem a fama imemorial de seu oráculo e de suas sacerdotisas, não coincidentemente chamadas de pitonisas. Mas Delfos não foi o primeiro oráculo e Apolo não foi o primeiro Deus a abarcar as funções da Deusa Serpente. Antes de Delfos existiu Dodona.
As escavações indicam que o sítio é de ocupação muito antiga, havendo vestígios desde a Idade do Bronze. Aristóteles dizia que era a área onde os gregos se originaram. Possivelmente os primeiros cultos ali oferecidos se destinavam a deidades femininas ligadas à terra e à fertilidade, como a Grande Mãe. O culto de Zeus Naios (da fonte) e Zeus Bouleus (conselheiro) foi trazido por uma tribo de Tesprócia, os Selloi, e incluía a veneração a Dione, sua esposa divina. Logo outros deuses também passaram a ser cultuados, como Afrodite e Têmis.
O santuário é citado por Homero na Ilíada, mas nesta época ainda não havia edificações, e o culto era realizados a céu aberto, em torno da árvore sagrada e da fonte que a seu pé corria, com um simples círculo de caldeirões a delimitar o espaço sagrado. Mais tarde, no século IV a.C., foram erguidos o primeiro pequeno templo de Zeus e três stoas, bem como foi murada a acrópole. No século seguinte o rei Pirro deu-lhe o seu caráter monumental, erguendo os templos restantes, o teatro, o buletério, o pritaneu e o estádio, que era a sede dos Jogos Naios em honra a Zeus. Nesta altura a fama do oráculo havia se estendido para além das fronteiras da Grécia.
O santuário está circundado por um muro que é uma extensão do muro da acrópole, com a entrada a oeste. Junto à entrada estão um templo dórico, o altar de Hércules, e dois pequenos templos dedicados a Dione. Ao norte do altar de Hércules ficam as ruínas da basílica, e a oeste o mais importante dos edifícios do lugar, a Casa Sagrada (Hiera Oikia), ou templo de Zeus, tendo aos lados os templos de Têmis e Afrodite. Existem outros edifícios ainda não escavados, que juntos com os demais — o bouleuterion, o estádio, o teatro e a casa dos sacerdotes — perfazem uma grande complexo de desenho anfiteatral voltado para o oeste. A acrópole, ao norte do santuário, servia como residência permanente das autoridades de Dodona, e como cidadela em tempos de guerra.
Fonte: Wikipédia.
Segundo a tradição, o mais antigo dos oráculos grego situava-se em Dodona, no Épiro, a 22 km de distância da atual cidade de Ioanina. Os primeiros vestígios atribuíveis à atividade oracular remontam, no entanto, somente ao século -VIII. Em épocas remotas parece ter existido no local um santuário dedicado a Gaia, ali também conhecida por Dione, relegada a segundo plano bem antes do início do Período Arcaico, época de Homero e de Hesíodo.
O oráculo consistia, inicialmente, de um carvalho sagrado, possivelmente rodeado de trípodes de bronze; somente no fim do século -V foi erguido o primeiro templo de pedra dedicado a Zeus. No Período Helenístico foram acrescentados outros templos, um bouleuterion, umpritaneion (onde viviam os sacerdotes), uma acrópole, um estádio e um teatro de 18.000 lugares, seguramente um dos maiores da Grécia.
As perguntas ao oráculo, pelo menos no século -VI, eram geralmente submetidas por particulares em placas de chumbo; as respostas dependiam, basicamente, do som emitido pelas folhas do carvalho, agitadas pelo vento, e pelo ruído das aves que ali faziam ninho. A vontade do deus, é claro, era interpretada pelos sacerdotes locais. Segundo Heródoto, o santuário foi administrado por três sacerdotisas.
Fonte: Grécia Antiga.

Os habitantes de Dodona eram os primeiros que recebiam as oferendas hiperbóreas entre os gregos. Depois desciam desde Dodona até o golfo Malíaco e continuavam até Eubéia e Caríptia. Contam as velhas lendas que se perdem na noite dos séculos que as sacratíssimas oferendas nórdicas prosseguiam a sua viagem a partir de Caríptia, sem tocar em Andros, de onde os catecúmenos as passavam para Tenos e a seguir para Delos.
Os habitantes de Delos acrescentam sabiamente que os povos hiperbóreos tinham o belo e inocente costume de enviar as suas sagradas oferendas pelas mãos de duas deliciosas e inefáveis virgens. Hiperocha e Laodicéia eram os seus nomes.
Dizem as sagradas escrituras que, para cuidar dessas santas mulheres, tão deliciosas e sublimes, cinco Iniciados ou Perpheres as acompanhavam em sua perigosa e longa viagem, mas tudo foi inútil, porque aqueles santos varões e as duas sibilas foram assassinadas em Delos, quando cumpriam sua missão.
Muitas núbeis donzelas da cidade, delicadas e belas, cheias de dor cortaram o cabelo e depositaram os crespos bucles dentro de um fuso sobre o monumento alçado em honra daquelas vítimas que, se dizia, tinham vindo acompanhadas pelos Deuses Apolo e Ártemis.
Fonte: Esoterika.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

O antigo culto ao Bisão.

Nós somos mal vistos por falarmos de Paganismo e Bruxaria. Nós somos mal vistos por defender abertamente a sacralidade da natureza, do corpo, do desejo, do prazer e do sexo. Nós somos mal vistos por nossas práticas e ferramentas e pelo nosso comércio com espíritos da natureza, gênios, entidades e Deuses. Isto também acontece dentro da Comunidade Pagã, quando celebridades pagãs afirmam, por exemplo, que não há sacrifício de animais na Bruxaria. Infelizmente pagãos modernos estão adquirindo o péssimo hábito provinciano, arrogante e prepotente em julgar certos ritos como atrasados, selvagens, incultos e impróprios de serem mantidos por pessoas supostamente mais cultas e civilizadas. Isso é um resquício de puritanismo e moralismo hipócrita da cultura judaico-cristã.
Este é um texto crítico, especialmente diante da popularização da “Religião da Deusa” e do Dianismo no Paganismo Moderno, na Wicca e Bruxaria tradicionais.
Eu não vou falar nem Dione Fortune com sua Teosofia, nem de Apuleio com sua obra escrita dentro de um contexto pós-helenização do oriente Médio e Egito. Eu vou desvendar a maior paganice e wiccanice em voga: a de creditar às esculturas das “Vênus” do Paleolítico e do Neolítico como “evidência” da existência de um “antigo culto à Deusa Mãe”.
Considere isto como uma resenha e crítica ao livro "Da Sedução e Outros Perigos", de Flávia Regina Marquetti - Editora Unesp.
Quando olhamos para um período da história humana, especialmente arte, pegar os itens que interessam para uma hipótese e desconsiderar outros itens ou contexto onde a arte foi produzida é preguiça e desonestidade intelectual.
Essas esculturas, como toda arte, não podem ser lidas ou interpretadas conforme nossas tendências, preferências ou necessidades. Esses artistas simplesmente representaram algo evidente: a mulher é a portadora da vida, mas ela não é a única responsável pela gestação. Por comparação e analogia, as esculturas simbolizam a semelhança entre a mulher e a natureza, enquanto portadoras da fecundidade e da fertilidade. Há uma nítida equiparação quando comparamos a modificação no corpo da mulher [das fêmeas em geral] e a modificação da flor para o fruto e é este princípio misterioso que está sendo figurado na escultura.
O dito popular conta-nos, com propriedade, que a mulher entra "em trabalho de parto" e que a mulher "dá a luz" e nisto esconde-se o mistério da gravidez, da fecundidade e da fertilidade. A flor e a fêmea recebem um material [polem/semen] e de sua parte, forma, trama, tece o fruto/feto. Por extensão, o feminino e a natureza [floresta e campo] ficaram associado à arvore, às abelhas, às aves e à serpente. Estas são as representações que configuram as diversas imagens de "Vênus" ao longo das eras.
A arte do Paleolítico e do Neolítico não está centrada apenas em figurar o princípio feminino com a natureza, nem tem a intenção de declarar a existência de um culto universal a uma única Deusa Mãe.
Existem esculturas também de cavalos e bisões. Se as esculturas das “Vênus” fossem uma evidência de um antigo culto a uma Deusa Mãe, então podemos considerar as esculturas e pinturas de algumas “Vênus” junto com bisões como evidências de um antigo culto ao Bisão.
Nas cavernas da França, em Pont d’Arc e Angles sur l’Anglin, baixos relevos mostram a “Deusa Vênus” acompanhada, cortejada ou até mesmo sugerindo uma relação sexual com um bisão. O bisão é um animal que mais está representado em pinturas rupestres em diversas cavernas.
Tal como as representações da mulher alteraram-se com o desenvolvimento da humanidade, a figura do bisão também teve alterações, resultando na representação do touro como a enigmática manifestação de um Deus regente e consorte de diversas Deusas.
O desdobramento mítico dessa Deusa e Deus primordiais podem ser vistos no mistério do Hiero Gamos, na Morte Sacrificial [do Deus da Vegetação ou do Touro] e no Renascimento Cíclico da vida e da natureza. Somente existe a vida e o renascimento com a morte e o sacrifício.
“Ninguém pode viver senão destruindo a vida, senão matando outros seres vivos. Nenhum ser pode subsistir sem devorar outras formas de vida, vegetal ou animal. Isso é um aspecto fundamental da natureza. Toda a vida do mundo, animal ou humana, é uma interminável matança. Existir significa comer e ser comido. Todo ser vivo alimenta-se de outros seres e irá se tornar o alimento de outros seres num ciclo interminável.”[Alain Danielou – Shiva e Dioniso].
Nossas origens, nossas raízes e nossa espiritualidade estiveram enterradas por séculos pela hipocrisia moral cristã. Muitos são os que se dizem pagãos e bruxos que trazem consigo esse puritanismo e não são capazes de seguir as Verdades Eternas que existem nos mitos, nas práticas e nas tradições. Esse é o Caminho pelos Bosques Sagrados. Este é um caminho que somente pode ser trilhado com terra, sementes, folhas, flores, raízes, penas, entranhas, sangue, ossos, sêmen. Esse é o caminho do bruxo e da bruxa.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

O mistério de Dendera

O templo de Dendera é o mais preservado entre muitos templos egípcios. Foi construído no século I a.C pelo rei Ptolomeu VIII e a rainha Cleópatra II, porém outros monarcas da Época Greco-romana acrescentaram elementos arquitetônico e decorativos. O templo foi dedicado a Hathor, deusa do amor, música, maternidade e alegria. Conforme uns documentos , o primeiro templo de Hathor data do tempo do Antigo Reino sobretudo do reinado do rei Queops. Além disso, e conforme outros textos, havia outro templo construído no reinado de Pepi I da dinastia VI. O templo atual foi construído entre 125 e a.C e 60 d.C, no final da dinastia Ptolomaica, porém encontramos outros nomes como o de – Ptolomeu X, Ptolomeu VI, Cleópatra VII, Augustos, Tiperius, Cáligula e Nero.

O templo de Hathor:
  • 86 m de comprimento e 43 m de largura,
  • está rodeado de uma muralha circundante de barro que tem 290 m de comprimento e 280 m de largura,
  • o portal do templo situado no lado setentrional que projeta da muralha cricundante de barro, e que funciona como a entrada usada atualmente, data do tempo dos imperadores Domiciano, Nerva, e Trajano (século I d.C),
  • na face do portal encontra-se uma cena que ilustra o imperador Domiciano fazendo oferendas de vinho e pássaros perante Hathor, Hórus, Maet, Hor-wer, eIhy,
  • aparentemente o templo não tinha um pilono egípcio com duas torres,
  • o portal de Domiciano dirige a uma área aberta e espaçosa,
  • ao lado direito há ruínas de um Mamisi – casa do nascimento de Hórus – e uma basílica Copta. Ao passar pela área vasta chega-se ao pátio exterior que dirige à Colunata ( a sala hipostila ), a parede externa da colunata está decorada de diversas cenas que ilustram o imperador Tibério perante divindades diferentes, Claudio fazendo oferendas a Hathor e Ihy – o seu filho – e outra vez Tibério adiante de Hathor, 
  • a colunata tem 24 colunas divididas em 6 filas, 3 colunas em cada fila. Cada coluna tem capitel hatórico – capitel em forma da cabeça da deusa Hathor. Entre os relevos mais importantes sobressaem-se as do teto sobre tudo as que ilustram Nut – deusa do céu – em forma de uma mulher com corpo curvado e decorado de estrelas, constelações e signos, 
  • as paredes estão decoradas, geralmente, de cenas que demonstram os reis e imperadores fazendo oferendas ou preces perante Hathor e outras divindades, 
  • a colunata dirige a outra sala menor em tamanho com 6 colunas e contém 3 capelas em cada lado,
  • a primeira capela no lado direito chama-se " Casa da Prata", pois se acredita que os utensílios e equipamentos preciosos de prata e ouro foram armazenados ali, 
  • a primeira capela localizada no lado esquerdo foi conhecida como "o Laborátorio" devido à existência de relevos que representam drogas, medicamentos e receitas de remédios, e além disso neste quarto os perfumes e as essências foram fabricadas, 
  • a segunda capela no lado direito foi conhecida como quarto de oferendas, enquanto a segunda capela no lado esquerdo chama-se "quarto da Recolheita", provavelmente foi um quarto dedicado à armazenagem das recolheitas,
  • a terceira capela no lado direito tanto como a terceira capela no lado esquerdo tinham uma funcão incerta, provavelmente funcionavam como um certo porão do templo, 
  • a segunda Colunata dirige ao primeiro vestíbulo conhecido como a "Sala das Oferendas" o primeiro vestíbulo dirige ao Segundo Vestíbulo conhecido como " Sala das divindades" cujas paredes estão cobertas com cenas que representam o rei fazendo oferendas às divindades,
  • através do segundo vestíbulo chega-se ao santuário do templo, a parte mais sagrada e mais escura do templo. Um quarto quase escuro e pelos relevos das paredes sabemos que o santuário tinha originalmente um sacrário para guardar a imagem ou a estátua da divindade. Este é o lugar onde o alto sacerdote do templo exercia o ritual do serviço diário a deusa Hathor. Como o lugar mais santo do templo ninguém estava autorizado a entrar, menos o alto sacerdote,
  • o santuário está rodeado de 11 quartos dedicados a diversos deuses,
  • o templo tem 32 criptas, 11 apenas estão decoradas, 
  • de volta ao primeiro vestíbulo há um corredor que dirige ao telhado do templo por uma escada. No telhado encontra-se uma capela conhecida como a " Capela da União com o Disco Solar". É uma sala pequena situada no lado sudeste do telhado que tem 12 colunas com capitéis hatóricos e sem teto. Se acredita que com o primeiro dia do ano novo, os sacerdotes levavam as estáuas de Hathor, o seu esposo Hórus e o seu filho Ihy a está sala no telhado para receber os primeiros raios do sol e assim se realiza o processo da união com o sol.
– Dentro do recinto do templo há ruínas antigas de uma Basílica, um Sanatório, além do Lago Sagrado. A Basílica Copta é uma igreja muito destruída que provavelmente foi construída no século V. O teto da basílica caíu. É um edifício pequeno que tinha duas entradas. O átrio da igreja além do santuário estava decorado de estrelas e no fundo da basílica existe ruínas de uma capela.

– A cena mais famosa que estava representada com perfeição no lado ocidental do teto conhecida como o Zodíaco, foi transferida pelos franceses ao Museu do Louvre, agora existe uma réplica que mostra as doze figuras dos signos conhecidos: Leão, Cancer, Escorpião, Virgem, Libra, Capricórnio, Aquário, Peixes, Touro, Aries, Gêmeos e Sagitário.

– O Sanatório de Dendera é um hospício anexado ao templo. É um edifício importante que atraia os peregrinos e passageiros doentes para receberem tratamento médico. Este edifício de ladrilho tem 11 quartos que acomodavam os doentes.

– O Lago Sagrado é um dos elementos fundamentais dos templos egípcios. Situado no lado norte do recinto de Dendera. No Egito antigo todos os sacerdotes tinham que fazer ablução ou purificação com águas do lago sagrado antes de começarem o seu trabalho diário no templo. Além disso, o lago sagrado simboliza às águas ou aquele oceano de que o universo foi criado conforme as crenças egípcias antigas.

– Anualmente, há uma viagem de Hathor através do Nilo (em que o seu temperamento bravio era suavizado por músicas e bebidas) para consumar o seu divino casamento com o deus falcão Hórus, que a aguarda em Edfu (cidade situada a cerca de cento e sessenta quilometros). Esta diligência mítica, que mantinha Hathor afastada da sua morada durante cerca de três semanas, era celebrada pelos egípcios com um festival alegre e faustoso. Procurando reproduzir o trajeto executado pela deusa, a solene procissão seguia então pelo rio, rasgando com uma barca “A Bela de Amor" onde, uma estátua de Hathorse elevava. Os sacerdotes de Edfu preparam o encontro dos esposos, que ocorrerá no exterior do santuário, mais exatamente numa exígua capela localizada a norte da cidade. Este encontro deveria suceder num momento preciso, ou seja, à oitava hora do dia da lua nova do décimo primeiro mês do ano. Quando por fim Hathor abençoa Edfu com a sua magnífica presença e perfuma os lábios de seu esposo com o incenso de um beijo, iniciam-se então as festividades, no decorrer das quais a deusa é aclamada, saudada e inebriada com a música docemente tocada em sua honra.

Original: Um Mundo Distante.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Festival da Lua Cheia de Outono

Tsukimi (月见) ou Otsukimi (お 月見) é conhecido como Festival da Lua Cheia de Outono e é relacionado com as fases da lua. No calendário lunar chinês, o festival acontece na noite do dia 15 do mês 8. Já pelo calendário gregoriano, geralmente a data cai entre meados e final de setembro ou no início de outubro.

Neste ano de 2014, o Festival da Lua cheia de Outono, ocorreu no dia 8 de setembro. No ano que vem (2015) será no dia 27 de setembro. Seguindo a tradição, nesta noite são colocados Susuki ( grama de pampas japoneses) e flores de outono em um vaso, além de oferendas de tsukimi dango e sato-imo (batata inhame) colocados no exterior ou em locais onde a lua pode ser vista claramente.

O Festival é feito de forma tranquila, pois nada mais é do que apreciar a lua, que nesta data é considerada a mais linda e brilhante do ano. Tsukimi significa literalmente “Lua-Visão” e os japoneses aproveitam essa data para celebrar a beleza da lua, se reunindo em lugares onde podem apreciar a lua com todo seu esplendor.

História do Festival Tsukimi

Festivais dedicados à Lua têm uma longa história no Japão. Originária da China, esse festival é chamado de Festival do Meio de Outono (Zhongqiu Festival) e é um dos importantes da China até hoje. Foi adotado pelo Japão durante o período Heian (794-1192), onde a lua de outono é chamada de Chushu no Meigetsu (Lua da Colheita) e a noite de lua cheia é chamada de Jugoya.

Era realizado por pessoas da realeza e aristocratas, que se reuniam sob a lua cheia para recitar poesias e compor músicas dedicados à lua. Muitas vezes essas reuniões de “visualização da lua” aconteciam em alto mar, a bordo de embarcações, a fim de ver o reflexo da lua cheia sobre a superfície da água.

Hoje, O-tsukimi também é comemorado em templos e santuários, como o santuário Shimogamo em Kyoto, onde as roupas, danças e músicas remontam o Período Heian. Há também muitos lugares que reúnem pessoas para a “visualização da lua”, como locais de cerimônias do chá e Ryokans em montanhas.

A relação entre o coelho e a lua

O coelho (Usagi é com certeza o maior símbolo do Festival Tsukimi. Os bolinhos de arroz e variadas comidas tradicionais deste dia, lembram um coelho, o que faz a alegria da criançada e dos adultos também. Mas o que ele tem a ver com a lua?

A explicação está no desenho luminoso que aparece na lua nas noites de lua cheia do outono, semelhante a um coelho que soca um pilão para fazer mochi, que acabou fazendo parte do folclore japonês, chamado de “Lua Coelho“. Há também uma lenda muito antiga sobre a origem do Festival da lua cheia do outono.

A lenda do coelho Jade:

Conforme uma lenda budista, certo dia, um velho senhor pediu comida a um macaco, uma lontra, um chacal e um coelho. O macaco colheu frutas e ofereceu ao velho homem, a lontra trouxe-lhe um peixe e o chacal, um lagarto.

Porém, o coelho não havia levado nada, pois as ervas que estava acostumado a comer, não era boa para os humanos. Então, em um ato de sacrifício, o coelho decidiu oferecer o seu próprio corpo ao velho homem e pulou no fogo.

Mas, surpreendentemente, o seu corpo não se queimou, porque o velho era um Sakra, ou seja, uma divindade. E para as pessoas se lembrarem sempre do sacrifício do coelho, o velho senhor resolveu desenhar a imagem do coelho na lua.

Outra curiosidade interessante é que o processo de fazer mochi chama-se Mochitsuki (餅つき), que soa foneticamente semelhante à palavra japonesa que se refere à “lua cheia”, que é Mochizuki (望月).

Comidas tradicionais do Tsukimi

Além das decorações típicas do festival como flores de outono e Susuki, é comum as pessoas usarem também muitos alimentos como decoração ou oferendas para a lua, que é tratada como uma divindade. Os mais tradicionais são o Kabocha (abóbora japonesa), castanhas, satoimo (batata inhame), taro, edamame, tsukimi dango (pequenos bolinhos de arroz branco, empilhados em um bandeja) e saquê.

Os bolinhos de mochi são símbolos de felicidade e boa saúde, e servem não só para celebrar a beleza da lua, que nesta data é considerada a mais bela do ano, como também uma expressão de gratidão pelas colheitas de outono.

Estes pratos são conhecidos tradicionalmente como pratos Tsukimi ( 月见料理 tsukimi Ryori). Devido à onipresença de batata doce ou inhame, entre estes pratos, a tradição é conhecida como Imomeigetsu ( 芋名) ou “lua da colheita da batata” em algumas partes do Japão.

Também é comum vermos a presença da palavra tsukimi em outros pratos durante a estação do outono, como o tsukimi soba e o Tsukimi udon. Ambos são feitos com macarrão coberto com um ovo, cuja gema presume-se parecer com a lua e a clara, as nuvens que a cercam.

Original: Japão em Foco.

sábado, 11 de junho de 2016

Hounen Matsuri

Acham mesmo que o japonês celebra apenas o Kanamara Matsuri? Para celebrar a fertilidade o japonês celebra mais duas festas: Oagata Jinja Hounen e Tagata Jinja Hounen.

O Oagata Jinja Hounen Matsuri é realizado em Inuyama no dia 14 e o Hounen Matsuri é realizado em Nagoya no dia 15. As duas festividades são antigas e tradicionais, e podem parecer um tanto estranhas para pessoas da cultura ocidental, já que utilizam objetos em forma de genitálias masculina e feminina, símbolos que garantiriam uma colheita farta, felicidade, saúde e muitos nascimentos.

Durante a celebração do Oagata Jinja Hounen Matsuri, podemos ver vários participantes portando objetos que lembram uma vagina. O destaque do festival é o desfile dos carros alegóricos carregando um enorme “kagami mochi“, bolo feito com arroz glutinoso e símbolo da prosperidade no Japão. Há também um desfile com moças em trajes de vestidos de noiva, com roupa típica japonesa.

No Tagata Hounen Matsuri, milhares de japoneses participam da tradicional parada onde sacerdotes xintoístas entoam cantos e pessoas carregam uma escultura fálica de madeira até um templo, o Tagata Jinja. Durante o desfile, homens carregam uma estátua de um pênis com mais de 6 metros de comprimento.

Os rituais da fertilidade durante os meses de março e abril são também rituais da primavera. Marcam o “renascimento” e o “crescimento” e estão profundamente ligados ao folclore japonês. Começou como um apelo aos deuses para boa e bem sucedida colheita e também para as mulheres terem um bom parto.

o meio da multidão, podemos encontrar muitos casais que desejam ter filhos e pedem pela fertilidade. Outros vão em busca de ganhar sorte nos relacionamentos amorosos e assim desejam encontrar em breve sua alma gêmea.

Outros ainda vão em busca somente de sucesso profissional e boas colheitas. É um festival onde todos se divertem, desde crianças ao mais velhos e os turistas se deslumbram com essa cerimônia pra lá de inusitada.

Durante esses festivais, muitas barraquinhas estão no local vendendo alimentos e souvenirs que lembram os órgãos sexuais femininos e masculinos como picolés, bananas com cobertura, salsichas, entre outros. Cerveja e saquê e animação também rolam soltos durante esses festivais.

Original: Japão em Foco.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Setsubun e um prato de soja


Nunca, jamais, sirva um prato de soja a um Oni. A razão disso está no mito que cerca o Festival de Setsubun, que ocorre na passagem do inverno para a primavera.

Setsubun ( 節分 ) – O Festival para espantar os maus espíritos
Setusbun (节分) significa literalmente “separar uma estação da outra”, uma forma de se despedir do inverno e comemorar a entrada da primavera ( Risshun ). O Setsubun é comemorado no dia 3 de fevereiro e nesse dia, cada família segue um ritual especial chamado Mamemaki ( jogar gãos de soja ).

O mamemaki, geralmente é conduzido pelo toshiotoko (alguem da família que tenha o signo chinês correspondente ao ano vigente) , ou então pelo chefe ou cabeça da família. Outro membro familiar é escolhido para desempenhar o papel de Oni (ogro ou demônio), que vestindo uma máscara característica, joga grãos de soja torrados, para fora da residência.

Ao mesmo tempo, os outros membros da família cantam repetidamente “Oni wa soto! Fuku wa uchi! (鬼は外!福は内!) Demônio e má sorte para fora! Sorte na casa!. Mas você deve estar se perguntando, mas por que a soja?

Bom, os japoneses acreditam que os grãos de soja são um símbolo para purificar a casa e expulsar todos os maus espíritos e má sorte. Outra superstição feita nesse dia é que a pessoa coma a quantidade de grãos de soja torradas correspondente a idade.

Por exemplo, se a pessoa tem 20 anos, então ela deve comer 20 grãos, após o mamemaki. Isso é uma superstição para trazer sorte à pessoa. As pessoas se divertem muito nesse dia e é muito interessante pois é uma festa bem foclórica japonesa.

Além dos grãos, as pessoas comem um sushi especial chamado Ehoomaki. Esse sushi não pode ser fatiado, pois cortar significa rupturas, separação e com isso pode-se cortar a sorte.
Origem do ritual do Mamemaki e Oni

A origem desse ritual popular está na cerimônia chamada Tsuina ou Oniyarai que, era realizada no final de inverno (dezembro no Japão), na casa do imperador do período Heian (794 a 1185).

É comum vermos duas figuras representativas no ritual, o Oni e uma mulher. Segundo uma antiga lenda, uma velha senhora tenta roubar alguma coisa de um velho. Porém a figura do velho era um disfarce do Oni ( ogro ) que tem o poder de se disfarçar de ser humano.

Quando o velho viu o roubo, acabou revelando sua verdadeira natureza de ogro. Com o susto, a velha apanhou a primeira coisa que viu pela frente : grãos de soja e atirou-os nele. Foi assim que surgiu omamemaki, ou seja, jogar grãos de soja para expulsar o demônio, o mal e a má sorte.

Original: Japão em Foco.