quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024

Sincretismo e apropriação cultural

Você sabe o que significa a palavra sincretismo? É um termo empregado em várias áreas teóricas da cultura, mas, em resumo, quer dizer “algo que nasce da mistura de outros dois anteriores”.

Aplicado à religião, significa o processo de nascimento de uma nova religião a partir da combinação de elementos de religiões anteriores.

É o caso da umbanda, por exemplo, que nasce da mistura sincrética do catolicismo, do espiritismo e das diversas religiões e doutrinas negras, trazidas para o Brasil pelos escravizados.

Na filosofia, o termo também se aplica, bem como na antropologia, na linguística e em tantos outros campos.

Adaptado a cada ciência, mas sempre guardando a ideia inicial de algo que nasce da mistura e da síntese de elementos anteriores.

Podemos entender que sincretismo é um processo natural dentro das culturas, e bastante razoável até para o desenvolvimento humano.

Isso porque no campo autoral, é o sincretismo que faz com que um artista se permita buscar inspirações e influências em obras anteriores para criar, sem que com isto esteja plagiando ninguém.

Na moda, por exemplo, vemos com frequência as releituras de coleções antigas aliadas às tecnologias têxteis atuais em novas possibilidades de vestuário.

Na culinária, frequentemente se busca elementos de tradições locais para inovar e acrescentar novos sabores à mesa.

O design sempre bebe na fonte de escolas históricas para repaginar produtos mundo afora. Tudo isso é forma de sincretismo, em última análise.

Apropriação cultural

Cabe, contudo, uma outra abordagem do tema. O sincrético é o que nasce com referências anteriores.

Mas e quando o sincrético apaga, deliberadamente, a sua referência anterior?

Quando, convenientemente, utiliza-se de racismo, homofobia, machismo e outras formas de opressão para banalizar a referência, de forma a minimizar a luta por direitos do grupo “apropriado”?

Quando suprime a origem da alusão, e toma para si a criação? Temos um problema jurídico e um problema ético!

Esse problema se chama apropriação cultural. Nela, um elemento cultural anterior é trazido para um novo contexto, mas valendo-se da existência de relação de forças desiguais, num sistema de opressão ou violência social. Conforme já dito, no apagamento.

Segundo Conti (2017), o conceito de apropriação cultural surge com força nos anos 80 do século passado, quando discussões acerca “de como representar fidedigna e respeitosamente outra cultura” vieram à tona e propiciaram reflexões a partir dos direitos de propriedade intelectual de povos originários.

A Organização Mundial de Propriedade Intelectual (Ompi), agência da ONU criada em 1967, atualmente se dedica a estudar, a sugerir mecanismos jurídicos supranacionais de proteção e a ensinar em âmbito mundial sobre conhecimentos tradicionais e expressões culturais tradicionais, no sentido de garantir a propriedade intelectual dos povos tradicionais sobre seus produtos culturais, evitando-se assim a apropriação cultural desenfreada, dentre outros problemas.

Por outro lado, localmente o direito também responde aos problemas da apropriação cultural, na medida em que legislações nacionais orientam procedimentos de mapeamento e inventário de bens culturais imateriais, seu registro e salvaguarda. Neste sentido, promove a proteção do bem e, mais, de sua origem, o povo que o criou e perpetua nas práticas cotidianas.

O Inventário Nacional de Referências Culturais, INRC, é um instrumento capitaneado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Iphan, pelo qual o poder público e os grupos detentores de referências culturais podem registrar a autoria de cada um dos elementos da sua cultura e buscar a sua salvaguarda.

Assim catalogados os bens culturais, é bem mais fácil verificar a sua origem e fazer menção ao seu grupo detentor. Porque a cultura se constrói no sincretismo, sim. A cultura é por si sincrética, e o que se cria hoje é revérbero do que se fruiu ontem. Mas podemos e devemos fazer a devida menção a sua origem e ao caminho percorrido pelos autores dos bens culturais.

Fonte: https://www.conjur.com.br/2024-fev-23/sincretismo-apropriacao-cultural-e-direito-onde-se-tocam/

Antigos textos traduzidos

Na Alemanha, um grupo de pesquisadores da Universidade de Würzburgo desvendou os segredos de um conjunto de textos "mágicos" do Egito Antigo, datados entre os séculos 4 e 12 d.C. Acreditava-se que os escritos, redigidos em papiro, pergaminho, papel e argila, tinham poderes para curar doenças, amaldiçoar inimigos e até mesmo prever o futuro.

Após cinco anos de pesquisa, os resultados foram publicados no livro "Papyri Copticae Magicae", lançado em novembro de 2023. A obra reúne traduções de diversos textos, revelando um panorama fascinante das práticas e crenças da época.

"Cerca de 600 desses textos sobreviveram, mas a maior coleção publicada até o momento continha apenas cerca de 100. O restante estava disperso em livros e artigos, acessível apenas a alguns especialistas", explica Raymond Korshi Dosoo, um dos colaboradores do projeto através de nota.

Os textos, escritos na antiga língua copta, revelam diferentes aplicações da magia no dia a dia dos egípcios antigos. Havia encantos para proteção contra morte e demônios, realização de desejos, feitiços de amor (predominantemente utilizados por homens), e até mesmo para separar casais.

A magia também desempenhava um papel crucial na medicina. Papiros com instruções para prevenir febres, dores de cabeça, tratar insônia e auxiliar na gravidez eram comuns, segundo a Galileu.

"Esses textos nos dão uma visão direta da vida privada das pessoas na época; eles transmitem suas verdadeiras emoções", afirma Markéta Preininger Svobodova, uma das responsáveis pela tradução.
A transição do Egito para o cristianismo também se reflete nos textos mágicos. Deuses do período faraônico foram transformados em anjos e santos, enquanto entidades malignas persistiam como ameaças.

"Os manuscritos são fontes ricas de informações sobre a vida cotidiana e a religião no Egito nos últimos séculos do domínio romano e nos primeiros séculos após a conquista árabe", destaca Dosoo.
Novo volume
A equipe já está trabalhando no volume 2 do livro e recebeu financiamento da Fundação Alemã de Pesquisa (DFG) para aprofundar os estudos sobre amor, ódio, maldições, desejos e outras emoções presentes nos textos mágicos do Egito Antigo.

Fonte: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/historia-hoje/feiticos-e-protecao-textos-egipcios-magicos-sao-traduzidos-pela-primeira-vez.phtml

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024

Cerveja contra a extrema direita

O Bier Partei, o 'Partido da Cerveja' da Áustria, tem pontuado nas pesquisas eleitorais da Áustria e pode ser crucial no combate à extrema direita no país.

A entidade foi fundada por Marco Pogo, alter ego de Dominik Wlazny, músico da banda Turbobier, além de ser médico formado pela Universidade de Medicina de Viena e humorista.

Com o registro oficial da organização, o Bier Partei tem pontuado em 7% da intenção de voto dos austríacos, que vão para as urnas no segundo semestre de 2024 para eleger um novo governo.

Wlazny já havia pontuado 8% nas eleições presidenciais de 2022, mas o partido ainda não havia ingressado em eleições parlamentares.


A grande questão é que quem lidera as eleições na Áustria são os extremistas de direita do OFP, partido de extrema-direita nacionalista.

Mesmo vencendo, eles teriam minoria e precisariam compor governo. Mas Wlazny é um duro opositor da extrema-direita, inclusive por ser um forte defensor da vacina contra a covid-19.

Portanto, o partido satírico da cerveja deve cair na composição de frente ampla que somará o partido verde, os sociais-democratas e o atual governo de centro-direita do Neuhammer.

Fonte: https://revistaforum.com.br/global/2024/2/24/partido-da-cerveja-sobe-nas-pesquisas-pode-barrar-extrema-direita-na-austria-154600.html

Nota: cerveja contra a extrema direita. Eu espero que isso incentive os reacionários a deixar de lado o antipetismo e o fanatismo bolsonarista.

Imagina se a moda pega?

Imagine receber cartas do pastor Silas Malafaia com teorias conspiratórias. Um belo dia você acorda, vai até a caixa de correio, e puxa uma correspondência que, já no envelope, diz o seguinte: “Perigo! Um alerta importante: depois de ler, se quiser pode rasgar”.

Curioso, você abre o envelope e se depara com o rosto do fundamentalista evangélico ornando um panfleto intitulado “Nosso país está em perigo” e santinhos de políticos que o líder religioso apoia. Na ocasião, constavam o número 17 de Jair Bolsonaro (PSL; atual PL) e as candidaturas do Tenente Nascimento (PSL) para deputado estadual e Gilberto Nascimento (PSC) para deputado federal pelo Rio de Janeiro. O pastor aparentemente não tinha candidatos a senador e governador nas eleições de 2018.

Pois saiba que isso aconteceu com um eleitor de Paracambi, no interior do Rio de Janeiro. Nada satisfeito em receber a carta de Malafaia e em constatar que o fundamentalista estaria de posse do seu endereço e dados pessoais, o eleitor decidiu processa-lo.

Ele protocolou uma petição ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro alegando que teve sua privacidade violada e que seus dados foram acessados sem autorização ou consentimento. Ele pediu uma indenização de R$ 10 mil reais e o caso foi divulgado às vésperas das eleições de 2022 no jornal O Globo.

Na última semana saiu a decisão. O TJ-RJ deu ganho de causa ao eleitor e condenou Silas Malafaia a se “abster de enviar correspondência ou outros meios de comunicação ao autor”. Além disso, condenou o pastor a pagar R$ 3 mil, ao invés dos R$ 10 mil solicitados, como indenização, além dos honorários do advogado da vítima e multa de R$ 500 para o caso de reincidência.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/2024/2/16/imagine-receber-cartas-de-silas-malafaia-com-teorias-conspiratorias-pois-vitima-denunciou-sera-indenizada-154095.html

Nota: imagina se a moda pega? Eu mesmo estou cansado desse "spam". Proselitismo deveria ser crime.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

Mudança de nome na CCJ

A Comissão de Direitos Humanos (CDH) aprovou, nesta quarta-feira (21), o projeto que permite a pessoas autodeclaradas transgêneros a alteração de prenome e de sexo ou gênero, sem custos, nos registros civis. O projeto do senador Fabiano Contarato (PT-ES) foi aprovado na forma do substitutivo apresentado pela relatora, a senadora Leila Barros (PDT-DF), e agora segue para análise terminativa da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

De acordo com o PL 3.394/2021, a alteração de nome e sexo ou gênero em certidões de nascimento, de casamento, de óbito e outros documentos poderá ser feita sem que haja cobrança de qualquer tipo de taxa e sem a exigência de comprovação de realização de procedimentos médicos ou hormonais, ou de laudos.

O projeto também estabelece que não será obrigatório constar o nome original na averbação e nas certidões e proíbe o oficial de registro do cartório a recusar a alteração.

Segundo o autor, o objetivo do projeto é “garantir que todo o processo de retificação possa ser realizado gratuitamente, sem custos, inclusive no que se refere à emissão da segunda via após a conclusão da retificação”.

A relatora argumenta que o nome é um elemento central da identidade de uma pessoa:

— Quando há incongruência entre o nome recebido após o nascimento e o gênero com o qual a pessoa se identifica, instala-se um conflito que precisa ser conciliado, em prol da saúde mental do indivíduo — afirmou a senadora. 

A comissão aprovou requerimento (REQ 6/2024) da senadora Magareth Buzetti (PSD-MT) para a realização de audiência pública e diligência na cidade de Lucas do Rio Verde, em Mato Grosso, no dia 15 de março. O objetivo é discutir prevenção, enfrentamento, desafios, legislações e políticas públicas de combate à violência contra a mulher.

“As medidas atualmente existentes não têm exercido um papel garantidor da segurança das mulheres. A título de exemplo cito que o Mato Grosso registrou, de janeiro a meados de dezembro de 2023, 42 casos de feminicídio em todo estado. E destes, apenas 5% das mulheres tinham medida protetiva contra o agressor, segundo dados da Polícia Civil. Dados como estes refletem a importância da descentralização do debate, levando o Senado até Lucas do Rio Verde”, defendeu a senadora.

Também foi aprovado requerimento para audiência pública com o objetivo de debater a "Liberdade de Consciência".

— É sabido que, em ambas as Casas Legislativas, em especial neste Senado, encontram-se em tramitação diversas proposições tratando sobre o tema, como por exemplo o PL 3.346/2019, que busca o aperfeiçoamento dos direitos dos trabalhadores e servidores públicos brasileiros em especial quanto ao seu direito de escolha e concretização prática da sua mais elevada fé íntima, que é a liberdade de consciência associada com os mais elevados níveis de desenvolvimento humano — expôs o autor do REQ 3/2024, senador Paulo Paim (PT-RS).

Os senadores aprovaram ainda os REQs 4/2024 e 5/2024 que tratam, respectivamente de audiências públicas para de lançar "O Plano de Equidade de Gênero e Raça — PEGR do Senado Federal" e debater "o direito popular de incluir projetos de lei em pauta de votação (SUG 22/2020)".

Fonte: https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2024/02/21/mudanca-gratuita-de-nome-de-pessoa-transgenera-vai-a-ccj#:~:text=A%20Comiss%C3%A3o%20de%20Direitos%20Humanos,sem%20custos%2C%20nos%20registros%20civis.

O capitalismo é incompatível com a democracia

A autora italiana Clara E. Mattei, professora associada do Departamento de Economia da New School for Social Research (Nova York), argumenta em seu livro "A Ordem do Capital" que o capitalismo é incompatível com a democracia. Segundo a pesquisadora, as políticas de austeridade, longe de serem exceções, são o pilar do capitalismo moderno.

Mattei sustenta que as políticas de austeridade não surgiram como uma resposta pontual para crises fiscais, mas como uma reação antidemocrática às demandas por mudança social. Em entrevista à Folha de S. Paulo, a pesquisadora destaca que as decisões econômicas são, em sua essência, políticas, e que o capitalismo e a democracia têm uma relação tensa, especialmente no que diz respeito à participação das pessoas nas decisões econômicas.

A autora destaca que a austeridade não é exclusiva de governos de direita, atravessando linhas partidárias, e ressalta que ela é uma expressão do falso pluralismo econômico presente nas democracias eleitorais.

Mattei estabelece uma ligação entre austeridade e ascensão de governos de extrema direita, argumentando que esses governos ganham confiança do mercado por serem vistos como eficientes na implementação de políticas de austeridade. No entanto, ela destaca que essa ascensão também reflete a insatisfação das pessoas com o sistema econômico atual, percebido como favorecedor das elites.

A pesquisadora conclui que a mudança para um sistema econômico alternativo requer uma participação mais ativa das pessoas na economia e na política. Ela enfatiza que as decisões econômicas são políticas e que desafiar o sistema atual exigirá esforços substanciais.

Fonte: https://www.brasil247.com/ideias/economista-italiana-afirma-que-capitalismo-e-incompativel-com-democracia

Especulação com dízimo

Estudo feito pela LifeWay Research nos Estados Unidos constata que os evangélicos pagam o dízimo como se fosse uma aplicação financeira. Eles acreditam que de alguma forma o dinheiro retornará com correção.

Um terço dos 1.001 evangélicos entrevistados disse que suas congregações ensinam que Deus lhes abençoará se pagar o dízimo e fizer oferta.

Do total, 38% dos evangélicos concordam com a afirmação "Minha igreja ensina que, se eu der mais dinheiro para minha igreja e caridade, Deus me abençoará com retorno [financeiro]".

Dois terço deles afirmaram que Deus quer que eles prosperem.

O estudo vale também para o Brasil, onde a teologia da prosperidade se firmou há décadas, beneficiando principalmente os pastores de mega-igrejas. Os fiéis continuam, esperançoso, pagando o dízimo.

Fonte: https://www.paulopes.com.br/2018/08/estudo-confirma-que-evangelicos-pagam-dizimo-como-se-fosse-investimento-financeiro.html

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

Quem apoia ato criminoso é cúmplice

Não adianta tergiversar, políticos, inclusive governadores de estado que comparecerem ao ato de Bolsonaro estarão endossando a tentativa de golpe de Estado liderada pelo ex-presidente.

Não há como posar de neutro quando se trata do maior crime que se pode cometer contra o país.

Pesquisas de vários institutos mostram que a maioria dos brasileiros é contra o golpe e os golpistas.

A História não perdoará aqueles que vierem se juntar a Bolsonaro, como quatro governadores já anunciaram que o farão: o de São Paulo, Tarcísio de Freitas; o de Minas, Romeu Zema; o de Goiás, Ronaldo Caiado; e o de Santa Catarina, Jorginho Mello.

Todos estarão endossando as ações de Bolsonaro e seu grupo. Provas abundantes recolhidas pela PF, inclusive o depoimento do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, tenente-coronel Mauro Cid, mostram que estava sendo organizado um golpe de Estado, que chegou a ser posto em prática no dia 8 de janeiro, mas felizmente fracassou.

Quem apoia ato criminoso é cúmplice.

Todos os que comparecerem ao ato do dia 25 estarão dizendo que apoiam Bolsonaro mesmo com todas as provas da PF que mostram que um grupo, liderado por ele, planejou, organizou e executou um golpe de Estado no país para implantar uma ditadura militar.

Esses governadores devem responder a seus governados por que comparecerão ao ato, se ele é um desagravo pela denúncias de crimes de Bolsonaro e seus cúmplices.

Não adianta dizer que é por amizade ou gratidão. Não é uma festa de aniversário ou um churrasco da firma. O ato de Bolsonaro é um ato político, de desagravo, contra as investigações que estão mostrando seus crimes e de seus cúmplices.

É bom o povo guardar os nomes dos políticos que comparecerem ao ato. Quem apoia golpista, golpista é.

Quem tentou rasgar a Constituição não pode ser perdoado muito menos apoiado. Lugar de golpista e dos que o apoiam é a cadeia.

Fonte, citado parcialmente: https://revistaforum.com.br/politica/2024/2/24/politicos-que-forem-ao-ato-de-bolsonaro-estaro-endossando-golpe-154584.html

Nota: o autor esqueceu de citar Ricardo Nunes, atual prefeito de São Paulo, que está pleiteando a reeleição com o apoio do Inominável.

Aparelho golpista pode ser cassado

O Ministério Público Federal (MPF) informou à 6ª Vara Cível Federal de São Paulo que as negociações com a Jovem Pan não resultaram em um acordo e pediu a retomada da ação que busca a cassação das concessões públicas do grupo de mídia, diz a coluna F5. O processo estava suspenso desde outubro para permitir as tratativas entre as partes.

De acordo com o despacho da juíza Denise Aparecida Avelar, a suspensão do caso foi derrubada diante da falta de acordo. A magistrada determinou o prosseguimento do processo, concedendo à União Federal um prazo de 72 horas para manifestação.

A recusa do MPF em chegar a um acordo surpreendeu a Jovem Pan, que se mostrava otimista em relação às negociações. Um dos pontos de desacordo entre as partes era a veiculação, pela emissora, de mensagens sobre a confiabilidade do processo eleitoral. A Jovem Pan concordou em veicular tais mensagens, mas houve discordância quanto à responsabilização financeira e à multa de R$ 13,4 milhões imposta pelo MPF.

A emissora buscava garantias para não perder suas concessões públicas e a liberação do pagamento da multa. O MPF concordou com a ideia de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), mas pediu a revisão de cláusulas, especialmente a da responsabilização financeira. Com o impasse, a possibilidade de um acordo amigável foi descartada. Uma nova audiência sobre o caso ainda não foi agendada.

Fonte: https://www.brasil247.com/midia/mpf-pede-retomada-da-acao-contra-jovem-pan-por-noticias-falsas-e-ataques-a-democracia-em-2022-sbgo0nu0

Nota: falta fazer isso com os outros aparelhos. Folha, Estadão, Veja e Gazeta do Povo.

Garotada ficando esperta

Notícia publicada em uma página direcionada aos evanjegues.

Citando:

O Centro de Pesquisa Cultural da Universidade Cristã do Arizona divulgou recentemente dados sobre as visões de mundo de crianças entre 8 e 12 anos. A pesquisa comparou as opiniões dos pré-adolescentes com as dos pais, pastores de igrejas e adolescentes.

Os resultados mostram que apenas 36% dos pré-adolescentes acreditam que “Jesus Cristo é a única maneira de experimentar a salvação eterna”, em comparação com 54% dos pastores de crianças. Além disso, 25% dos pré-adolescentes concordam que “a Bíblia é a verdadeira palavra de Deus”, enquanto 62% dos pastores de crianças expressam concordância.

A notícia evidente que foi utilizada para fazer escândalo e pânico moral.
A garotada está ficando esperta.
Mais algumas gerações e o Cristianismo desaparece.

domingo, 25 de fevereiro de 2024

Última homenagem

O funeral de uma conhecida ativista transgénero numa catedral de Nova Iorque foi alvo de denúncia por um alto funcionário da Igreja, que considerou um escândalo a missa numa das casas de culto mais proeminentes do catolicismo dos EUA.

A Arquidiocese Católica Romana de Nova Iorque condenou o funeral de Cecilia Gentili, que decorreu na Catedral de São Patrício, em Manhattan, e atraiu esta quinta-feira um grande de pessoas.

Gentili era conhecida como uma dos principais defensoras de outras pessoas ‘trans’, bem como de profissionais do sexo e pessoas com VIH.

Uma publicação na sua conta na rede social Instagram anunciou a sua morte, em 06 de fevereiro, aos 52 anos, noticiou esta segunda-feira a agência Associated Press (AP).

Enrique Salvo, pároco de Saint Patrick's, agradeceu este sábado, em comunicado, aos que partilham a “indignação pelo comportamento escandaloso” no funeral.

“A Catedral só sabia que familiares e amigos estavam a solicitar uma missa fúnebre para um católico e não tinha ideia de que o nosso acolhimento e oração seriam degradados de forma tão sacrílega e enganosa”, destacou Salvo, no comunicado.

Os vídeos do funeral de Gentili mostram um público estimado de mais de 1.000 celebrantes, incluindo pessoas transgénero e outros amigos e apoiantes, que gritaram o seu nome, aplaudiram, cantaram e homenagearam o papel de Cecilia Gentili na comunidade LGBT+ da cidade.

Durante uma homenagem que circulou amplamente nas redes sociais, Gentili foi celebrada como “Santa Cecília, a mãe de todas as prostitutas”.

Salvo considerou escandaloso o comportamento na missa.

E ainda um “poderoso lembrete de quanto precisamos da oração, reparação, arrependimento, graça e misericórdia a que este período sagrado (da Quaresma) nos convida”.

A família de Gentili negou, em comunicado, que a Igreja tivesse sido enganada e sublinhou que o evento “trouxe vida preciosa e alegria radical à Catedral, num desafio histórico à hipocrisia e ao ódio anti-trans da Igreja”.

Ex-trabalhadora do sexo que sofria de dependência e foi presa em Rikers Island, Gentili tornou-se coordenadora de um programa de saúde para pessoas transgénero, diretora numa estabelecida organização de saúde para homens homossexuais (GMHC), e lobista pela igualdade na saúde e legislação antidiscriminação, entre outros trabalhos de defesa de direitos.

Gentili fundou a COIN Clinic, abreviatura de Cecilia’s Occupational Inclusion Network, um programa de saúde gratuito para profissionais do sexo através da organização comunitária de saúde Callen-Lorde, em Nova Iorque.

A Catedral de São Patrício, um marco arquitetónico e turístico de Manhattan, tem sido local de funerais de vários nova-iorquinos proeminentes, incluindo o senador Robert F. Kennedy, Babe Ruth e membros de equipas de emergência que morreram no ataque terrorista de 11 de setembro de 2001.

Fonte: https://cnnportugal.iol.pt/amp/cecilia-gentili/funeral/arquidiocese-de-nova-iorque-denuncia-funeral-de-ativista-transgenero-em-catedral/20240220/65d445bad34e371fc0bd4a5a

Teologia do domínio

Jocimar Silva, em uma postagem no X:

Precisamos falar sobre Ivete, Baby e a Teologia do Domínio.

Vocês conhecem Ivete e Baby como cantoras até melhor que eu. Mas a cena deste carnaval que recolocou Baby em evidência diz muito sobre outra coisa da qual precisamos falar: a teologia do domínio.

Baby não é mais a “Baby do Brasil”, mas a “Baby das Nações”, como disse seu líder apostólico Renê Terra Nova (um Malafaia menos conhecido) há alguns anos.

Baby agora é parte de uma coalizão apostólica global.

Mas de que se trata?

A coalizão apostólica global é um movimento que busca “restaurar” o governo apostólico, considerando todos os outros “chamados” ministeriais (pastor, profeta, mestre, evangelista) subjugados a um/a apóstolo/a.

Parece até inclusivo, já que as mulheres podem ser “apóstolas” (se comparado a outros segmentos evangélicos que não aceitam que as mulheres possam ao menos ensinar). Mas não. A “restauração” ou criação de rede de apóstolos trata de um projeto maior de domínio.

Primeiro um domínio sobre outros segmentos cristãos, com o alvo de colocar todos os cristãos sob a hierarquia do “manto” apostólico. Há também um projeto de governo (não só político institucional), mas também de governo religioso, cultural, econômico, social.

Baby, ou melhor, Apóstola Baby das Nações, agora trabalha no projeto de expandir a cultura gospel para os espaços não alcançados. Inclusive ela declarou isso em entrevistas quando voltou aos palcos, anos depois da sua conversão.

Na perspectiva da Teologia do Domínio, à qual Baby e a coalizão apostólica internacional se filiam, a sociedade é constituída por “montes” sob os quais o conservadorismo cristão deve governar: igreja, educação e ciência, economia e negócios, governo, cultura e entretenimento.

O carnaval, sendo a maior festa popular do Brasil, não iria ficar de fora dessa. A Teologia do Domínio diz que as igrejas não devem mais fazer retiros, mas devem ficar e ocupar as cidades lutando contra os deuses carnavalescos.

Quem acompanha o carnaval em Salvador e outras cidades de festas mais intensas já deve ter visto os “blocos gospel”. Eles não querem aceitar a cultura brasileira, eles querem impor a “cultura gospel”.

Foi exatamente isso que vimos em Campina Grande, na Paraíba, onde um grande evento gospel conservador é realizado todos os anos na cidade (inclusive esse ano queriam trazer um pregador estadunidense defensor da escravidão). Aí o prefeito gospel tentou proibir o carnaval

Baby não é uma chapada no puro suco de sincretismo no carnaval do Brasil. Aquilo foi programado. E se repetirá muito por aí, não só nas festas.

Lembrem-se disso quando vir um sinal.

Fonte, citado parcialmente: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/baby-do-brasil-faz-parte-de-coalizao-apostolica-global-diz-cientista-politico/

Nota: teocracia mundial. Que vai colidir com a teocracia islâmica. Nós não precisamos disso.

sábado, 24 de fevereiro de 2024

Será que agora vai?

Duas notícias.
Citando:

Jair Bolsonaro foi intimado pela Polícia Federal a prestar depoimento no âmbito do inquérito que apura planejamento de golpe de Estado para mantê-lo no poder. A defesa do ex-presidente confirmou a informação e sua oitiva está prevista para a próxima quarta (22).

Desde que deixou a Presidência, Bolsonaro foi intimado pela PF a prestar depoimento ao menos seis vezes, já teve seu celular apreendido e os sigilos fiscal e bancários quebrados. No último dia 8, ele foi alvo de busca e apreensão em ação que também mirou seus aliados. Na ocasião, a corporação cumpriu quatro mandados de prisão preventiva e 33 de busca e apreensão.

A PF aponta o ex-presidente como central na trama golpista de sua gestão. Entre as principais provas contra ele está o vídeo da reunião golpista de julho de 2022, apreendida no computador do tenente-coronel Mauro Cid, seu ex-ajudante de ordens.

(https://www.diariodocentrodomundo.com.br/bolsonaro-e-intimado-pela-pf-para-depor-sobre-plano-golpista/)

No aguardo da assinatura do presidente Lula (PT) para completar o quórum do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná e marcar o julgamento das ações que ameaçam o mandato do senador Sérgio Moro, os juízes do tribunal já estabeleceram os procedimentos que impactarão a sobrevivência política do ex-juiz federal da Lava-Jato.

Antes do Carnaval, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) discutiu, em reunião reservada, os passos a serem seguidos na análise das ações movidas pelo PT de Luiz Inácio Lula da Silva e pelo PL de do ex-presidente Jair Bolsonaro contra Moro.

Duas decisões foram tomadas, ambas capazes de prolongar a discussão dos processos que investigam abuso do poder econômico, caixa 2 e uso indevido dos meios de comunicação, segundo informações do Globo.

(https://www.diariodocentrodomundo.com.br/tre-decide-como-sera-o-julgamento-da-cassacao-de-moro-veja-detalhes/)

Auspicioso. Será que o Inominável vai ser preso e o Marreco será cassado?
Se for preso, que todo bovino que posta #FechadoComBolsonaro seja colocado junto do Inominável.🤭😏

Por escolas mais inclusivas

A 2ª Promotoria de Justiça de São Luís de Montes Belos emitiu uma recomendação à Secretaria Municipal de Educação e à Escola Municipal Educandário Cristo Redentor com o objetivo de assegurar a liberdade de crença no ambiente escolar.

A promotora de Justiça, Michelle Mendes Ferreira, responsável pelo documento, tomou essa medida após receber denúncias de que a instituição de ensino havia levado os alunos, durante o horário escolar, para participarem de um culto evangélico.

A promotora Michelle Mendes afirma que, nesse contexto, caso o aluno não deseje participar das aulas de ensino religioso ou de eventos religiosos apoiados pela escola, as instituições de ensino devem oferecer alternativas pedagógicas para o estudante. “O aluno não pode ser prejudicado em seu processo de aprendizagem tão somente por não professar a mesma fé dos demais”, explicou.

Entretanto, nessa situação, os estudantes que optaram por não comparecer ou não foram autorizados pelos pais a participar foram dispensados, sem receber qualquer atividade escolar ou pedagógica. Essa abordagem gerou insatisfação entre os pais, já que os alunos ficaram ociosos durante o período regular de aulas.

Na recomendação, a promotora Michelle Mendes destaca que a Constituição Federal garante aos alunos o pleno exercício do direito subjetivo ao ensino religioso como disciplina dentro dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental. Ela afirma também que essa garantia já foi reconhecida como constitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

No entanto, ela destaca que o Estado laico representa a verdadeira liberdade religiosa de cada cidadão, pois não endossa nenhuma religião específica. Portanto, é fundamental que o ambiente escolar respeite também aqueles que não seguem nenhuma crença religiosa, evitando favorecimento a qualquer religião específica e promovendo o pluralismo religioso.

Diante do exposto, a promotora recomenda que, no desenvolvimento de atividades pedagógicas, sejam respeitados o princípio constitucional da laicidade do Estado e o pluralismo religioso no ambiente escolar. Caso haja realização ou promoção de eventos religiosos, é importante que os alunos que não desejam participar desses eventos não sejam dispensados ou fiquem ociosos. A eles, a promotora orienta que seja garantida a aplicação de atividades pedagógicas durante o horário escolar.

Por fim, a promotora sugere que seja promovido um evento junto aos alunos da Escola Municipal Educandário Cristo Redentor para discutir sobre a liberdade de crença e o combate à intolerância religiosa.

Fonte: https://www.jornalopcao.com.br/ultimas-noticias/mp-pede-liberdade-religiosa-assegurada-nas-escolas-apos-caso-em-sao-luis-de-montes-belos-578345/

Nota: a promotora falhou. Eu dou a sugestão melhor. A escola vai fazer um evento religioso? Então faça, abrangendo todas as crenças. Meu povo agradece.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

Cérebro morto

Um grupo bolsonarista intitulado “Ustra Vive” foi exposto nas redes sociais com conversas repletas de teor nazista e desumano.

O nome por si só já ecoa controvérsias, sendo uma referência ao ex-coronel do exército brasileiro, Carlos Alberto Brilhante Ustra, conhecido por seu envolvimento em atividades ligadas à repressão durante o período da ditadura militar no Brasil.

Os diálogos encontrados no grupo são passíveis de uma atuação imediata das autoridades, devido à natureza extremista e potencialmente perigosa de seu conteúdo.

Mensagens carregadas de ideologias nazistas e discursos desumanos têm gerado preocupações quanto à possível influência dessas ideias na sociedade.

Fonte, citado parcialmente: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/faccao-bolsonarista-ustra-vive-e-exposta-nas-redes-e-choca-pela-desumanidade/

Nota: tem uma pessoa que eu tinha alguma consideração, mas perdeu, por causa do antipetismo e do reacionarismo.

Crônica de um crônico

Paulo publicou um texto a partir do qual eu faço essa análise crítica.

Citando:

"Pesquisadores dividiram os crentes em três grupos: de um deus violento, de uma divindade benevolente e um criador neutro (a natureza)."

Comentando:
A natureza não é neutra, mas indiferente.

"Um para quem acredita em um deus vingativo, outro para um deus benevolente e mais um para aquelas que creem em criador da natureza, mas não estão ligadas a nenhuma crença religiosa — as deístas."

Eu devo pertencer ao terceiro grupo. Entretanto, Paulo não está certo em definir que esse grupo não esteja ligadas a uma crença religiosa. Ele deve estar confundindo espiritualidade e religião.

"Os pesquisadores constataram que no grupo dos seguidores de um deus raivoso havia mais ocorrência de transtorno mental em relação os fiéis de um deus benevolente e aos deístas."

Em matemática simples, isso é 1/3. Não é muito. Mas Paulo está certo. Pessoas do grupo um tem mais chances de apresentar algum transtorno mental. Não faltam notícias com registros atestando a perturbação dessas pessoas.
Mas e os outros 2/3?
Evidente que Paulo esconde e omite que descrentes possuam transtorno mentais. Dahmer era psicopata por ser ateu, ou era ateu por ser psicopata?

"Em relação a um deus benevolente, a sensação dos devotos é de que estão protegidos. Quando aos deístas, a percepção que têm do seu deus é de indiferença."

Não é bem assim. Mas é típico do ateu em generalizar. Existem várias nuâncias teológicas.

“Minha suspeita é de que as pessoas com problemas emocionais vão ver o seu mundo filtrado por uma luz negativa e podem ter necessidade de culpar alguém por isso — e Deus muitas vezes é o alvo."

Ato falho? Afinal, quando o ateu quer criticar e atacar as crenças, recorrem a listar fenômenos naturais, dor e sofrimento, culpando Deus (que dizem não existir).
O pensamento do descrente é baseado no Humanismo, embora eu definiria como antropocentrismo. Coisa de gente fraca, medrosa, covarde e chorona. Gente com problemas emocionais. Que prefere jogar a responsabilidade nas mãos de uma entidade que sequer acreditam. 🤷😏🤭

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024

As garras do fundamentalismo

Lucas Santos, de 23 anos, era um jovem muito ativo nas redes sociais, especialmente no Instagram como muitos da mesma faixa etária. Até o final de 2023 ele sempre postava conteúdos vestido como uma ‘drag queen’. Mas desde aqueles dias ele simplesmente desapareceu da internet. Acontece que ele é filho da cantora gospel Eyshila Santos com o pastor Odilon Santos e sobrinho de Silas Malafaia, notório líder fundamentalista evangélico.

Segundo o site “O Fuxico Gospel”, especializado em noticiar as vidas particulares de celebridades do seguimento, sua família não gostou nada dos conteúdos expostos por Lucas. Fontes do site ligadas à igreja Assembleia de Deus, de Malafaia, teriam confirmado que o jovem então foi internado numa “clínica espiritual” e teve os seus perfis, incluindo um do OnlyFans, encerrados pela família.

Mas para apimentar ainda mais a “fofoca de Jesus”, ele não foi levado para qualquer “clínica espiritual”, mas para uma de propriedade de outro barão evangélico, o pastor bolsonarista Márcio Valadão, dono da famosa Igreja Batista da Lagoinha, em Belo Horizonte. A instituição, além de ser a dona da suposta “clínica espiritual”, também revelou figuras como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) para a política nacional.

Nas redes sociais, Eyshila, a mãe, fez um post comentando a sexualidade do filho, sem esconder seu desespero em relação à inesperada contradição: o fato do filho não ser um exemplar da heteronormatividade cristã. Outros membros da família não comentaram o caso publicamente.

Fonte: https://revistaforum.com.br/lgbt/2024/2/16/por-ser-drag-queen-sobrinho-de-malafaia-internado-em-clinica-espiritual-154096.html

Paris prende 40 extremistas

A polícia de França Neste sábado, 10, 39 pessoas ligadas a círculos de extrema direita foram detidas por “participação em grupo com o propósito de cometer violência e degradação”informou a agência AFP uma fonte familiarizada com o caso.

Os ativistas foram detidos a meio da tarde depois de prestarem homenagem no cemitério parisiense de Charonne ao escritor Robert Brasillach, fuzilado em 1945, após a libertação de França, pela sua colaboração com a Alemanha nazi.

Entre os detidos estão vários líderes conhecidos de grupos de extrema direita. Cerca de vinte deles já estavam autuados para suas atividades e alguns foram proibidos de entrar em Paris.

Antes da operação, eles foram vistos perto de uma manifestação sindical contra a extrema direita.

Fonte: https://aracajuagoranoticias.com.br/policia-prende-quase-40-extremistas-de-direita-em-paris/

Nota: quem diria? França, famosa por ter "arriado" aos nazistas, agora dizem não.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

O nome é faxina

O deputado Eli Borges (PL-TO), Líder da Frente Evangélica na Câmara declarou ao portal Metrópoles que o Brasil vive um momento de “ bibliofobia ” e “ perseguição ” ao segmento religioso, e que essas ações são políticas do governo federal , chefiado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“A gente está vivendo um tempo no Brasil muito perigoso, que eu chamo de igrejafobia, bibliofobia. E agora parece que estão criando a figura da sacerdotefobia. É horrível isso, porque são pessoas que estão aparelhadas com as políticas públicas do governo federal”, declarou.

Eli Borges, que reveza a liderança da Frente Evangélica com o Deputado Silas Câmara (Republicanos-AM), declarou que a prioridade da bancada em 2024 será defender a família e a liberdade, respeitando todas as religiões:

"Defesa da família nos moldes judaico patriarcal, que é o modelo da biologia, da ciência, para defendermos a liberdade e no contexto da democracia, especialmente a religiosa, respeitando todas as religiões”.

A entrevista ainda abordou a união estável entre pessoas LGBTQIA+. Em 2011, o STF equiparou relações entre pessoas do mesmo gênero às uniões estáveis entre homens e mulheres, reconhecendo união homoafetiva como núcleo familiar.

Entretanto, o parlamentar declarou que o Supremo Tribunal Federal deveria “ xeretar menos o Poder Legislativo ”.

“Temos que entender que isso já é pacificado pelo Supremo Tribunal Federal, que a priori precisa de xeretar um pouco menos o Poder Legislativo brasileiro, com todo respeito aos ministros, sobretudo alguns deles” , declarou Eli Borges.

A entrevista ainda abordou o pagamento da prebenda para os evangélicos ou côngrua pelos católicos. Esses valores são recebidos pelos pastores ou padres pela atividade religiosa. Pela legislação, esse pagamento não é considerado uma forma de remuneração, portanto, as igrejas não precisam pagar contribuição ao INSS.

Em janeiro, a Receita Federal suspendeu um ato editado no governo de Jair Bolsonaro (PL) que beneficiava os religiosos . Os evangélicos reclamam desse movimento e afirmam que o Planalto ignora os pastores, enquanto alguns, ligados ao ex-presidente Bolsonaro, criticam Lula.

Borges afirma que Lula prometeu respeito e diálogo com os religiosos e afirma que se o presidente “for inteligente, vai respeitar os mais de 200 mil líderes religiosos que existem” no Brasil.

“É uma decisão da cabeça dele. Quando ele foi candidato, ele prometeu nos respeitar. Ele prometeu que haveria diálogo franco e aberto. Tem uma expressão da Bíblia que diz que, pelo fruto, você conhece a árvore. O fruto que ele dá quando verbaliza o relacionamento não é exatamente dos registros que ele fez na campanha eleitoral. Muita gente ‘fez o L’ [votou em Lula] porque acreditou nesses registros. (O fruto) não é de um presidente que reconhece a importância do segmento religioso”, concluiu.

Fonte: https://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2024-02-11/deputado-diz-que-brasil-vive-bibliofobia-e-igrejafobia.html.amp

Nota: eu não pude deixar de notar que o deputado/pastor definiu que o molde judaico patriarcal é o modelo da biologia e da ciência. Então vamos liberar a escravidão, a poligamia e a venda de crianças? Perguntar não ofende.

Em breve, na Grécia

Em meio a uma onda de avanços nas questões de direitos civis ao redor do mundo, a Grécia poderá marcar história, tornando-se o primeiro país ortodoxo a legalizar o casamento homossexual. Este acontecimento representa mais do que uma mera atualização legislativa, pois simboliza um avanço formidável na luta pelos direitos da comunidade LGBTQ+.

A legislação atual grega é restritiva nos quesitos de uniões de casais do mesmo sexo, oferecendo apenas a opção de união civil e não de casamento. No entanto, se a mudança proposta se concretizar, a Grécia estará dando um passo gigantesco, não apenas a nível nacional, mas também desafiando a visão tradicionalista prevalecente em muitas comunidades ortodoxas.

Os direitos LGBTQ+ têm sido uma área de foco intensificado na Grécia nos últimos anos. O progresso tem sido considerável, no entanto, muitos ativistas acreditam que ainda há muito a ser feito, e a possibilidade de legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo é certamente um grande passo nessa direção.

Apesar deste progresso, muitos gregos ainda encaram os direitos dos homossexuais com desconfiança e rejeição, sendo o principal obstáculo para a plena igualdade legal e social a própria Igreja Ortodoxa Grega, que tem grande poder e influência no país. Se a lei for aprovada, a Grécia poderá ser pioneira em desafiar essa visão e abrir caminho para um avanço significativo na proteção e reconhecimento dos direitos da comunidade LGBTQ+ entre os países ortodoxos.

Esta iniciativa grega representa uma oportunidade histórica de tornar-se o primeiro país ortodoxo a aprovar o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Esse passo ousado, ainda que cheio de obstáculos, possui o potencial de impactar a visão de outros países ortodoxos sobre as questões LGBTQ+ e de fortalecer a luta internacional pela igualdade de direitos.

Nota-se que este movimento não é exclusivo da Grécia. A evolução e expansão do entendimento e dos direitos da comunidade LGBTQ+ já tem sido observada em todo o mundo. Países como Uruguai, Argentina, Brasil e Espanha, por exemplo, já reconhecem o casamento entre pessoas do mesmo sexo, demonstrando ser possível a convivência pacífica das tradições culturais e religiosas com o respeito às diversidades.

Aguardaremos as próximas atualizações deste caso, na esperança de que a Grécia faça história ao aprovar a legalização do casamento homossexual, essencial para a concretização do respeito à diversidade e à igualdade de direitos dentro dos países de tradição ortodoxa, que ainda convivem com normas conservadoras.

Fonte: https://acapa.com.br/grecia-planeja-se-posicionar-como-primeiro-pais-ortodoxo-a-reconhecer-o-casamento-homossexual/

Nota - atualização.
A Grécia aprovou e agora o casamento homossexual está legalizado.
https://www.brasil247.com/mundo/grecia-tem-dia-historico-e-legaliza-casamento-entre-pessoas-do-mesmo-sexo

terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

Mídia golpista

por Francisco Fernandes Ladeira.

Os desdobramentos das recentes operações da Polícia Federal (“Vigilância Aproximada” e “Tempus Veritatis”) revelaram aquilo que muitos analistas já indicavam: para se manter no poder, o ex-presidente Jair Bolsonaro (em conluio com a alta cúpula de seu governo) planejava um golpe de Estado, que buscava também o apoio das Forças Armadas.

Diante dos acontecimentos, na grande mídia, em uma das raras oportunidades de uso honesto de um adjetivo político, Bolsonaro foi sumariamente rotulado como “golpista”.

Porém, é importante lembrar que, se a pretensão autoritária bolsonarista naufragou, há oito anos houve outra tentativa de golpe que foi exitosa, quando Dilma Rousseff, democraticamente eleita com mais de 54 milhões de votos, foi retirada da presidência da República (com amplo apoio e participação dos principais grupos de comunicação do país).

Isso significa que, ironicamente, os golpistas de outrora agora chamam outros golpistas de “golpistas”. A diferença, como dito há pouco, é que o golpe que a imprensa hegemônica ajudou a arquitetar foi bem-sucedido.

Evidentemente, seria reducionista creditar o golpe de 2016 ao Grupo Globo, Folha de São Paulo, Estadão, Veja e congêneres, hajam vista as necessidades do imperialismo estadunidense em destituir um governo contrário aos seus interesses econômicos, a oposição raivosa que não aceitou o resultado da eleição de 2014, uma classe média revoltada com a ascensão social do pobre durante os governos petistas e o sistema de justiça corrompido por figuras como Sérgio Moro e Deltan Dallagnol, adeptos à práticas de lawfare (uso da lei contra adversários políticos).

No entanto, o último grande processo de ruptura democrática no Brasil não seria o mesmo sem os editoriais que associavam a corrupção no país exclusivamente ao Partido dos Trabalhadores, as matérias que enalteciam a lesa-pátria Operação Lava Jato e as “convocações”, via noticiários, para que a classe média coxinha fosse às ruas dançar em torno do Pato Amarelo da Fiesp e gritar “Fora Dilma”.

O principal resultado dessa empreitada mórbida, como tragicamente sabemos, foi a chegada de Bolsonaro ao Planalto (o que só foi possível devido à prisão de Lula, outra manobra golpista amplamente apoiada pela grande mídia).

Assim, parece bem nítido que, ao se vender como “guardiã da democracia”, denunciando as investidas bolsonaristas, a grande mídia busca um álibi para capciosamente ocultar seu próprio histórico golpista.

Portanto, diante dessa realidade, é importante que as forças de esquerda denunciem as intenções golpistas de Bolsonaro, mas não se esqueçam de também denunciar os golpistas que produziram o contexto propício para que o inelegível chegasse ao poder.

Se a palavra de ordem do momento é “sem anistia para os golpistas de 2022”, o mesmo deve ser dito para os golpistas de 2016. Em suma, um golpe de Estado malsucedido não pode, em hipótese nenhuma, ocultar um golpe de Estado concretizado.

Fonte: https://jornalggn.com.br/opiniao/sobre-golpes-de-estado-grande-midia-e-jair-bolsonaro/

Tradição em perigo

Nas imagens do festival Shehuo do fotógrafo Zhang Xiao, uma antiga celebração ainda observada no norte da China durante o Ano Novo Lunar, a vida rural ganha vida.

Aldeões vestidos como grous, galos e leões míticos posam para retratos em meio à plantações.

Artistas fantasiados desfilam por casas de tijolos em cenários nebulosos, os olhos de suas máscaras aparentemente perdidos em pensamentos. Num campo de trigo colhido, um grupo de quase uma dúzia de homens faz fila para segurar um boneco de dragão colorido.

Em seu novo livro “Community Fire”, Zhang disse que queria capturar a “desconexão” surreal entre a vida cotidiana das pessoas e as fantasias míticas que elas assumiam.

“Os personagens pareciam vir do próprio céu, e formavam um enorme palco teatral que transcendia os limites da realidade, transportando um coletivo de sonâmbulos para um mundo de sonhos”, escreveu o fotógrafo. “Andei entre eles e os fotografei em silêncio, porque não queria acordá-los.”

Enraizados em práticas agrícolas milenares de adoração do fogo e da terra, os rituais folclóricos de Shehuo (frequentemente traduzidos como “terra e fogo”) tradicionalmente envolviam orações por boa sorte e colheitas abundantes, ou para afastar demônios.

As festividades variam entre as regiões, mas agora é comum ver vários artistas desfilando pelas ruas ou fazendo encenações.

Hoje, as comemorações coincidem com o Ano Novo Lunar, que começou no sábado (10).

Com isso, o festival passou a abraçar muitas das tradições – como as feiras dos templos e as danças do leão – praticadas em toda a China durante este período.

As celebrações do Ano Novo Lunar geralmente duram mais de duas semanas, com o festival Shehuo acontecendo no 15º e último dia da temporada.

As celebrações de Shehuo foram reconhecidas pelo governo chinês em sua lista de “patrimônios culturais imateriais”, similar à da UNESCO.

Mas o lugar do festival num país em rápida urbanização continua ameaçado, disse Zhang, acrescentando que a maioria dos artistas que encontrou migraram para as cidades e só regressaram às suas aldeias para o feriado.

“A importância dos costumes tradicionais não consegue mais atender às necessidades da vida moderna”, disse o fotógrafo à CNN por e-mail.

“Os jovens de hoje estão mais preocupados com a internet e os jogos. Eles nem sequer estão dispostos a tentar compreender as culturas tradicionais. Acho isso triste.”

Na esperança de documentar o desaparecimento das tradições do festival, – e os trajes e adereços associados a elas – Zhang passou mais de uma década fotografando eventos Shehuo em aldeias nas províncias de Shaanxi e Henan.

Uma seleção das imagens, que foram tiradas entre 2007 e 2019, está atualmente em exibição nos Estados Unidos, no Museu Peabody de Arqueologia e Etnologia da Universidade de Harvard.

Além de capturar rituais e o folclore, as fotos falam da proliferação de artigos produzidos em massa que transformaram o festival desde a virada do século XXI.

Uma imagem mostra uma pilha de máscaras plásticas inexpressivas; um conjunto de 12 fotos misteriosas mostra cabeças sorridentes penduradas em árvores em sacolas frágeis.

Várias páginas do livro de Zhang são dedicadas a capturas de tela da plataforma de compras Taobao, de propriedade do Alibaba, onde os itens relacionados ao festival Shehuo podem ser comprados a “preços de banana”.

Eles variam de uma elaborada fantasia de dança do leão para duas pessoas, oferecida por 360 yuans (R$ 250,43), a variadas decorações para a cabeça com preços inferiores a 17 yuans (R$ 11,83).

A ascensão dos produtos baratos e do comércio eletrônico tem sido um fenômeno misto para estas aldeias.

Alguns vilarejos – incluindo Huozhuang, na província de Henan, que aparece fortemente no projeto de Zhang – aproveitaram a oportunidade.

O fotógrafo visitou e documentou várias pequenas oficinas familiares que compram pela internet produtos inacabados em grandes quantidades antes de finalizá-los manualmente e revendê-los em plataformas como o Taobao para obter lucro.

“Em algumas aldeias, praticamente toda a população foi mobilizada para produzir e vender adereços Shehuo”, escreve o fotógrafo no seu livro.

Mas o que por um lado é uma oportunidade econômica, por outro gera uma perda de habilidades e costumes tradicionais.

Materiais como papel e bambu foram substituídos por armações de arame baratas, plásticos e tecidos sintéticos, disse Zhang, que cresceu em uma área rural da província chinesa de Shandong, mas agora mora em Chengdu, uma das maiores metrópoles do país no sudoeste.

Um artesão disse a Zhang que, nas palavras do fotógrafo, “lamentava o desaparecimento gradual do artesanato tradicional”. Contudo, a maioria dos aldeões que o fotógrafo encontrou eram indiferentes à perda do patrimônio cultural, afirmou.

E embora Zhang, como documentarista, tenha assumido o papel de “espectador silencioso” durante a missão, ele ainda assim expressou pesar pela rápida comercialização do festival.

“As pessoas não estão focadas em como melhorar a qualidade dos produtos e o artesanato”, disse o fotógrafo, que atualmente trabalha num documentário sobre a vida na China rural.

“Em vez disso, eles estão obcecados em fabricar esses produtos o mais rápido possível e com o menor custo, para obter vantagem em relação à concorrência. Isto levou a um declínio gradual na qualidade dos produtos, e toda a indústria caiu num ciclo vicioso de guerras de preços.”

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/tradicao-em-perigo-as-celebracoes-do-ano-novo-lunar-na-china-rural/

Nota: o ano chinês de 2024 é o ano do dragão. Será que o dragão vai nos salvar do Inominável?

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

Bolsonarismo tem que ser criminalizado

Com as recentes operações da PF que tiveram como alvo o clã Bolsonaro e seus aliados civis e militares fica a dúvida a respeito dos desdobramentos políticos dessa situação.

Diante do cerco jurídico/policial, a base social bolsonarista diminuirá? Ou acontecerá algo semelhante ao que vemos nos EUA e o ex-presidente se fortalecerá ainda mais?

Na política cada coisa tem seu tempo, mas acredito que o resultado será a soma zero. Bolsonaro não perde nada, mas também não ganha. No que se refere ao binômio aprovação/rejeição, a situação política de Bolsonaro está muito consolidada. Aqueles que ainda o apoiam não mudam de posição nem se ele matasse uma criança na frente das câmeras. Aqueles que o rejeitam também não se movem, mesmo que o sujeito apareça banhado de ouro.

Mas a discussão principal, me parece, é outra.

A derrota do bolsonarismo não passa, apenas, pela política. Eu diria que sequer começa pela política. É que o bolsonarismo não é força política convencional. 

Manifestação da experiência global de colapso do modelo democrático inventado no século XVIII na Europa e nos EUA, o bolsonarismo é o resultado do acúmulo de frustrações inerentes à democracia tal como conhecermos.

Mas que democracia é essa?

Em síntese, é aquela em que o cidadão não participa diretamente do governo, mas sim delega poder a um representante, sempre um político profissional.

Desde o início que essa engenharia é problemática, tensa e sujeita a constantes crises de confiança. Não seria exagero dizer, portanto, que a história da democracia moderna é a história de sua crise.

Mas há algo específico, e mais radical, na crise democrática contemporânea da qual o bolsonarismo é um dos sintomas: a frustração ganhou dimensões estruturais e se tornou capaz de encantar as massas.

Escândalos de corrupção envolvendo o establishment político; deterioração nas condições de vida nas grandes cidades; a revolução comportamental promovida pelos movimentos identitários; o colapso da social-democracia, sobretudo na precarização dos direitos trabalhistas.

Pela primeira vez desde o final da Segunda Guerra Mundial, a geração dos filhos está mais empobrecida do que a geração dos pais. Para muitos, a velha promessa do "trabalhe e estude para ter um bom emprego" não faz mais sentido. A democracia perdeu a capacidade de inspirar sonhos e ambições.

Todos desses fatores, juntos, resultaram na formação de uma massa de desalentados com a ordem democrática.

Trabalhadores precarizados, classe média assustada com a violência urbana, homens pobres ressentidos com a rebelião de suas esposas e filhas. É muita gente, muita gente mesmo. Para essas pessoas, a democracia não vale mais a pena. Não serão convencidas no curto prazo. O processo é demorado e dependerá da capacidade do sistema democrático em entregar algo que melhore a vida efetivamente.

Até lá, lideranças como Bolsonaro e Trump não podem ficar soltos, transformando ressentimento em capital político. A democracia precisa ser capaz de se proteger pela força da lei, de se proteger inclusive contra os ataques de parte do próprio povo.

Sei que a imagem da democracia se protegendo do povo pode parecer contraditória. Não é, pois o judiciário também é uma força democrática.

Formado pela minoria dos iniciados na ciência da lei, cabe ao judiciário arbitrar o jogo democrático, o que eventualmente significa expulsar quem não segue as regras, e sem consultar a torcida. Se toda vez que precisasse expulsar um jogador, o árbitro consultasse a torcida, o próprio jogo seria inviável. A torcida não pode participar de tudo.

O judiciário brasileiro, depois de tantas vezes faltar à República, parece ter tomado o trilho correto e está mostrando ao mundo onde a extrema direita pós fascista deve ser derrotada: nos tribunais.

Hoje, o Brasil está na vanguarda da resistência democrática.

Fonte: https://revistaforum.com.br/opiniao/2024/2/13/sobre-necessaria-criminalizao-do-bolsonarismo-por-rodrigo-perez-153889.html

Receita para demanda trabalhista

Um vídeo registrado por câmeras de segurança mostra uma ex-funcionária, junto com mais duas pessoas, deixando um crânio humano em frente à loja de materiais de construção onde trabalhava, em Contagem (MG). O ritual, considerado uma retaliação à demissão, acabou se tornando um caso policial após a confirmação de que a ossada era real.

A polícia está investigando a origem do crânio, suspeitando que ele tenha sido roubado de um cemitério. O trio é investigado por subtração e vilipêndio de cadáver, além de ameaças contra os proprietários da loja.

A mulher identificada como ex-funcionária, vestindo casaco branco e capuz, foi flagrada nas imagens. As investigações começaram após a denúncia da empresa sobre o ritual na porta do estabelecimento. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos, resultando na apreensão de itens rituais na casa dos suspeitos.

Os investigados devem ser ouvidos nos próximos dias pela polícia. O caso, ocorrido em novembro do ano passado, ganhou destaque após a confirmação da natureza humana do crânio utilizado no ritual.

Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/ex-funcionaria-faz-ritual-com-cranio-humano-para-patroes-apos-demissao-em-mg/

Pastor apóia espancamento de crianças

São Paulo – O pastor bolsonarista Leandro Rafael Cezar, da Igreja Resgatar, que afirmou que “os bebês são pecadores”, foi condenado por incitação à violência contra crianças. O juiz Luiz Guilherme Cursino Santos, da comarca de Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba, o condenou a quatro meses de prisão em regime aberto devido a um vídeo em que orienta os pais a baterem em crianças.

O líder religioso deverá ainda pagar indenização de R$ 10 mil por danos morais coletivos. Segundo a decisão, a multa será revertida para o Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Pindamonhangaba.

Em vídeo veiculado pela rede social Tik Tok, o pastor Cezar usa uma interpretação da Bíblia para defender a violência às crianças. “Pastor, mas eu bati. Mas bateu de que jeito? Tapa em cima da fralda? Você faz a criança rir e não sofrer. A vara tem que fazer doer, mas não é para espancar”, diz o religioso em trecho do vídeo transcrito no processo.

“Tem que sair mancando”, disse pastor
“Se a Bíblia diz que a vara tem que ser usada e ela tem que infligir dor, é necessário haver um limite também, é claro. E qual é o limite que a Escritura coloca? Provérbios 19:18: ‘Castiga o teu filho enquanto há esperança, mas não te excedas a ponto de matá-lo’. Ou seja, bata, bata, bata e começou a querer morrer, você para. É o texto que diz. Vocês riem? É o texto que, é claro né, há exagero isso aí que eu falei. Mas há um limite e o limite é não se exceder a ponto de matá-lo. É pra você ver que é necessário que haja dor! Haja dor mesmo! Daí tá lá, é, você tem que dar varada no seu filho, meu irmão, depois que ele apanhou das varadas lá, ele tem que sair mancando, senão não tem graça”, enfatiza o líder religioso da Igreja Resgatar na publicação na rede social.

Teologia da prática de maus tratos

Na decisão, o magistrado destaca que Cezar confirmou ter feito o sermão em uma série de pregações em que “falou sobre a importância dos pais amarem os filhos”. No entanto, segundo anotou, o pastor admitiu que “usou palavras que excederam, de forma exagerada, a liberdade de expressão religiosa” e que retirou a publicação do ar logo que foi notificado pelo Ministério Público.

Na sua avaliação, o pastor incitou “à prática de maus-tratos contra crianças de tenra idade”, com o agravante das declarações terem sido feitas pelas redes sociais, “com potencial para atingir um número indeterminado de pessoas, em qualquer parte do mundo”.

“Tem de nascer de novo”, diz o pastor à comunidade LGBTQI+

Em seu perfil no Instagram, o pastor bolsonarista ataca a comunidade LGBTQI+, que a compara a assassinos e pedófilos. “Uma pessoa que diz que não consegue deixar de MAT@R e precisa se aceitar, pois assim Deus a fez, não é cristã. Uma pessoa que diz que não consegue deixar de ter relações com crianças e precis.a se aceitar, pois assim Deus a fez, não é cristã Uma pessoa que diz que não consegue deixar de ser homossexual e precisa se aceitar, pois assim Deus a fez, não é cristã”.

Fonte: https://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/pastor-que-chama-bebes-de-pecadores-e-condenado-por-incitar-violencia-contra-criancas/

Nota: na próxima vez que um pastor falar que fala ou faz algo em defesa das crianças, saiba que isso é hipocrisia.

domingo, 18 de fevereiro de 2024

Saudades do mestre

Henfil, pseudônimo de Henrique de Souza Filho (1944-1988), foi um cartunista, escritor, jornalista e ativista político brasileiro. Conhecido por seu humor ácido e comentários perspicazes, ele usou sua arte como forma de resistir à ditadura militar e contribuir para a luta pela democracia no Brasil.

Os desenhos e textos de Henfil criticavam abertamente o regime, a censura, a tortura e outras violações de direitos humanos, atitudes que fizeram dele uma voz importante da oposição.

O multiartista participou ativamente de campanhas pela Anistia, Diretas Já! (movimento pela eleições diretas para presidente) e pela melhoria das condições de vida do povo brasileiro.

Nascido em Ribeirão das Neves, Minas Gerais, há exatamente 80 anos neste 5 de fevereiro de 2024, Henfil desenvolveu desde cedo um interesse por desenho e caricatura.

Apesar de enfrentar sérios problemas de saúde durante toda a vida, incluindo a hemofilia, ele se mudou para o Rio de Janeiro na década de 1960, onde sua carreira realmente começou a decolar.

Henfil trabalhou em importantes veículos de comunicação, como o jornal "O Pasquim", que se notabilizou por sua oposição ao regime militar, utilizando o humor e a sátira como formas de resistência.

Além dos personagens em suas tirinhas, Henfil também se destacou por suas crônicas e charges políticas publicadas em jornais e revistas. Ele também publicou livros.

Henfil foi um dos pioneiros na luta contra a AIDS no Brasil, após descobrir que ele e seu irmão, o sociólogo Herbert de Souza (Betinho), estavam infectados com o vírus HIV através de transfusões de sangue contaminado. Sua morte, em 1988, foi um símbolo trágico da negligência com a saúde pública e a questão da AIDS no país.

Henfil deixou um legado de resistência através da arte, demonstrando o poder do humor e da caricatura como instrumentos de crítica social e política. Sua obra continua relevante, sendo estudada e admirada por novas gerações que buscam entender a história recente do Brasil e o papel da arte na sociedade.

Fonte, citado parcialmente: https://revistaforum.com.br/cultura/2024/2/5/henfil-80-anos-humor-pela-democracia-153353.html

Nota: Henfil foi a razão pela qual eu comecei a fazer quadrinhos. Isso foi perdido, eu joguei fora depois que eu não consegui publicar.

Pânico moral e virtudes marciais

por Saulo Barbosa Santiago dos Santos.

Depois da segunda guerra mundial (1940 – 1944), os Estados Unidos sempre tiveram inimigos a combater com o discurso de defesa à democracia: URSS, Cuba, Coréia, Vietnã, Afeganistão, entre outros que se somaram a mais de 75 países. A nova empreitada norte-americana bélica é a guerra genocida entre Israel e Palestina. Será mesmo que os norte-americanos se preocupam tanto com a democracia a ponto de sacrificar a vida do seu povo em guerras?

Um país entra em guerra por diversos motivos, alguns óbvios quando, por exemplo, um ou mais países tentam invadi-lo ou quando seus cidadãos estão em perigo no exterior. No entanto, há outros motivos, estes menos óbvios, que faz um país se aventurar em conflitos bélicos externos, um deles é manter o pânico social e criar virtudes marciais para desviar as atenções da sociedade quando o país está numa situação catastrófica.

Desde 1916, com a Comissão Creel, os Estados Unidos incutem na sociedade supostos inimigos que querem destruir a democracia e a liberdade, consequentemente, o país. Criou inimigos de época em época tais como a URSS, Cuba, Coreia, Árabes, etc. Se voltássemos 60 anos no tempo e quiséssemos amedrontar uma pessoa, bastava dizer que ela deveria se preocupar mais com os comunistas porque tomariam suas roupas, casa, carro, comida e até sua esposa, do que com os problemas internos do país. Isso é o pânico moral.

Pânico moral é uma preocupação exagerada e irracional em relação a determinadas ações culturais que são vistas como uma ameaça à ordem social vigente, desta forma ouvimos coisas do tipo: ateus são desonestos e imorais porque sem deus tudo é permitido, socialistas estupram crianças, gays é antinatural, e assim vai. Claro, tudo “fake news”, mas, uma vez que as “fake news” fazem parte de um projeto de governo, é questão de tempo que tais coisas sejam taxadas como verdade, o resto já sabemos: homofobia, racismo, anti socialismo, etc.

O pânico moral por si só não faz tanto efeito, ele vem sempre ao lado das “virtudes marciais”. Virtude marcial refere-se às qualidades ou características consideradas virtuosas, ou nobres em um contexto militar. Essas virtudes geralmente estão associadas ao comportamento ético, moral e à conduta exemplar dos indivíduos que servem nas forças armadas.

Virtude marcial e Pânico moral andam juntas, uma precisa da outra para lograr êxito, primeiro, inventam um inimigo: comunismo, vietnamitas, petistas, LGBTQI+P, MST, etc. Depois elevam os militares como o poder que salvará o país das garras monstruosas. O povo não consegue pensar com medo do inimigo e passa a apoiar incondicionalmente as forças armadas. O caldeirão do inferno começa a cozer, políticos e empresários podem fazer o que quiser com o país, pois o povo estará focado no pânico moral e nos militares como heróis da pátria, em outras palavras, abre-se as porteiras para a boiada passar.

Os Estados Unidos não perderam a oportunidade de se meter na guerra entre Ucrânia e Rússia enviando armas, dinheiro e apoio político. No genocídio israelense também não perdeu a oportunidade, desta vez, participando diretamente bombardeando alvos no Iêmen. Por que eles estão entrando em guerras alheias? Porque o governo americano não tem como esconder e explicar sua falência, afinal, como que há 40 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza, 20 milhões de viciadas em drogas, que há 17 milhões de imóveis inabitados e 2,5 milhões de pessoas sem teto? O que esperar de uma população onde, em tese, tem renda média por pessoa de US$48 mil por ano e está passando fome, sem casa e cheia de viciados?

Não explica, a melhor estratégia dos Estados Unidos é desorientar a sociedade para que não pensem criticamente sobre tais contradições, caso contrário, haverá uma revolução onde derrubará políticos e empresários, por isso, eles entram em guerras, desta forma, é preciso desviar a atenção do rebanho desorientado, porque se ele começar a perceber o que está acontecendo pode não gostar, já que é ele que sofre com a situação. Assistir ao futebol americano e às séries de TV pode não ser suficiente. É preciso incutir nele o medo dos inimigos.

Se não existir uma (sic), não há problemas, eles inventam alguma. Alguém lembra o porquê de Bush filho ter iniciado uma guerra contra o Iraque? Bem, a desculpa esfarrapada de que os iraquianos produziam armas biológicas porque encontraram máscaras de gás não colou.

Diante da análise crítica sobre o histórico de envolvimento militar dos Estados Unidos em diversos conflitos internacionais, é possível concluir que a postura belicista muitas vezes serve como uma cortina de fumaça para encobrir questões internas urgentes e desafios sociais prementes. O fenômeno do pânico moral, aliado à exaltação das virtudes marciais, cria um ambiente propício para desviar a atenção da população de problemas internos significativos, como a desigualdade social, a pobreza extrema e a falta de moradia.

A conclusão é que a máquina de guerra muitas vezes serve como um instrumento para mascarar as fragilidades e crises enfrentadas pelo país, evitando questionamentos profundos sobre as políticas internas e a atuação de seus líderes. O ciclo de inventar inimigos externos, associado à exaltação das forças armadas, perpetua um estado de distração social que permite que questões fundamentais fiquem em segundo plano. Nesse contexto, a reflexão crítica da população torna-se crucial para evitar que o pânico moral e a virtude marcial se sobreponham aos reais desafios internos que necessitam de soluções urgentes.

Fonte: https://jornalggn.com.br/eua-canada/por-que-os-eua-entram-em-guerras-por-saulo-barbosa/

Nota: destaque por conta da casa.

sábado, 17 de fevereiro de 2024

CNDH quer enquadrar Tarcísio

O Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) estuda a possibilidade de recorrer à Organização das Nações Unidos (ONU) ou à Corte Interamericano de Direitos Humanos contra o governo do estado de São Paulo, comandado por Tarcísio de Freitas (Republicanos). O motivo são as novas mortes provocadas pela Operação Escudo, no litoral de São Paulo.

A operação das tropas da Polícia Militar na Baixada Santista resultaram na morte de ao menos sete pessoas após o assassinato do soldado Samuel Wesley Cosmo, na noite de sexta-feira (2).

No ano passado, uma operação foi lançada em julho após a morte do policial Patrick Bastos Reis, da Rota. Ao menos 28 pessoas foram mortas entre os dias 28 de julho e 5 de setembro em Guarujá e Santos. Foi a ação mais violenta da PM paulista desde o massacre do Carandiru, em 1992, quando 111 detentos morreram durante uma rebelião no presídio.

Uma segunda fase da Operação Escudo ocorreu na Baixada Santista entre setembro e outubro. Oito pessoas morreram após um ataque contra um policial militar aposentando em São Vicente.

Fonte: https://www.brasil247.com/regionais/sudeste/conselho-estuda-acionar-onu-contra-gestao-tarcisio

Nota: o Inominável elogiou a ação policial. Não existe coincidência.

O caso Siqueira Júnior

Em 2021, o Ministério Público Federal na Paraíba e no Rio Grande do Sul ingressaram com Ações Civis Públicas contra o apresentador de programas policialescos, José Siqueira Barros Júnior, mais conhecido como Sikêra Júnior. Passados mais de dois anos, os juízes responsáveis pelos processos ainda não emitiram as sentenças dos casos, determinando se acatam ou não as recomendações do MPF. À espera da (e por) justiça, movimentos sociais cobram uma resposta.

Na Paraíba, o MPF/PB denunciou Sikêra por discurso de ódio, misoginia e machismo contra as mulheres. O fato ocorreu em 2018, quando ele era apresentador do programa Cidade em Ação, exibido pela TV Arapuan, na época afiliada à Rede TV!, e se referiu às mulheres que não pintam as unhas e não se depilam como “sebosas”. No mesmo processo, o apresentador também foi denunciado por falas humilhantes contra uma jovem negra que foi exposta pela TV, tendo sido violada a sua presunção de inocência, direito constitucional.

Em seguida, o apresentador tornou-se réu na Justiça Federal paraibana por crime de racismo por proferir discurso discriminatório contra esta mesma jovem. No processo, o MPF pede a prisão de Sikêra e o pagamento de multa. Vale lembrar que racismo é um crime inafiançável e imprescritível no Brasil, no entanto, Sikêra segue apresentando um programa policial na TV A Crítica, em Manaus (AM).

No Rio Grande do Sul, o MPF denunciou o apresentador por LGBTfobia, após ações iniciadas pelos grupos que atuam no Estado em prol dos direitos da população LGBTQIAP+, Nuances e Aliança Nacional LGBTI+. Neste caso, Sikêra teria relacionado a homossexualidade à pedofilia e ao uso de drogas. As falas foram ditas no extinto policialesco Alerta Nacional, exibido para todo o Brasil pela Rede TV!.

A expectativa dos movimentos sociais que ingressaram no processo como litisconsorte, como o feminista da Paraíba, é que seja feita justiça. “Nossa expectativa é que o Ministério Público possa fazer o enfrentamento a este discurso de ódio e de desqualificação em relação às mulheres. A legislação brasileira precisa ser colocada para regular este tipo de comportamento na mídia, os canais de televisão não podem atentar contra o marco civilizatório que nós temos no país. Seguimos aguardando que esta ação realmente tenha celeridade e que o Sikêra Jr. chegue à condenação, e no mínimo, que ele seja retirado do ar, e que nós, mulheres, possamos ter a reparação devida contra o discurso de ódio e o racismo”, afirmou Joana D’arc da Silva, integrante da Cunhã – Coletivo Feminista na Paraíba. A Cunhã foi uma das organizações feministas que realizaram uma manifestação em frente à TV Arapuan, em 2018, cobrando da emissora uma atitude em relação à postura violadora dos direitos das mulheres.

Porém, é no Rio Grande do Sul que a decisão deve sair mais rápido. Segundo a advogada Carolina Moraes, que representa o Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social na ação do MPF/RS, a Justiça Federal rio grandense emitirá a sentença em breve. “O processo já está em sua fase final, todas as partes já foram ouvidas pela juíza, as provas foram apresentadas e agora estamos esperando a juíza proferir a sentença”, informou.

O diretor-presidente da Aliança Nacional LGBTI+, Toni Reis, deseja que a justiça seja feita e que a discriminação contra a comunidade LGBTQIAP+ tenha fim. “Infelizmente, o apresentador Sikêra  incentivou discurso de ódio, semeou preconceito, estigma, discriminação e violência psicológica contra nossa comunidade. Pedimos que ele parasse, foram várias notas, e infelizmente, não fomos atendidos. A partir disso, tomamos a decisão de entrar com os processos, tanto no Ministério Público quanto nas áreas criminais e cível. Nós queremos que isso cesse, que seja um processo educativo. Não queremos prender ninguém, queremos que cesse o preconceito e a discriminação contra a nossa comunidade, e nesse sentido, pedimos a condenação, dentro dos limites da lei", ressaltou Toni.

A advogada Nathálya Ananias, que representa o Intervozes no processo da Paraíba, disse que os trâmites jurídicos estão ocorrendo de maneira muito lenta pela Justiça Federal. Segundo ela, uma contestação feita em março de 2023 só teve a intimação realizada em 27 de julho do mesmo ano, quatro meses depois.“O Intervozes é litisconsorte neste processo, que está na fase de produção de provas, e nós já enviamos todas que consideramos importante. Fazemos parte ativa no processo, e toda a movimentação que acontece temos nos manifestado, contribuindo com a Justiça”, explica a advogada.

Os ataques praticados por Sikêra Júnior contra as mulheres e a comunidade LGBTQIAP+ aconteceram em 2018 e 2021, respectivamente. Na Paraíba, foi firmado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a TV Arapuan, o movimento feminista, OAB/PB, Defensoria Pública do Estado e da União, o Ministério Público Federal e o Estadual e a Secretaria de Estado da Mulher e da Diversidade Humana. O TAC foi descumprido pelo apresentador, o que originou as duas Ações Civis.

Para o procurador da República na Paraíba, José Godoy Bezerra, a ação por misoginia está tramitando regularmente e a expectativa é que a sentença seja proferida em breve. “O processo por racismo é mais recente e ele se encontra no recebimento de sentença, e portanto, ainda no estágio mais inicial”, explicou.

Sobre as ações que tramitam contra o apresentador no Rio Grande do Sul, o procurador da República Enrico Rodrigues explica que inicialmente os vídeos que incitam o ódio contra a população LGBTQIAP+ foram retirados da internet, após tutela concedida em juízo e que agora o processo está às vésperas de sair a sentença. “A expectativa do Ministério Público, e certamente das autoras, é que seja julgado procedente os pedidos das ONGs, de acordo com os pedidos das duas ações civis públicas protocoladas, que estão conclusas para a sentença, com fatos diversos, mas conexos entre si”, concluiu.

Como aponta a professora Ticiane Perdigão em sua tese “Fiscalização estatal sobre o conteúdo televisivo: violação de direitos em programas policiais na televisão”, a demora na tramitação dos processos contra as empresas de comunicação e os apresentadores dos policialescos faz com que o direito violado das pessoas vulnerabilizadas por estes programas seja tardiamente reparado. “A conclusão foi baseada principalmente no tempo de julgamento das ações e na ausência de representatividade democrática nas decisões. A morosidade processual se contrapõe à lógica imediatista da veiculação televisiva resultando numa total ineficácia de reversão do direito violado”, ressalta a professora em sua tese de doutorado. Mesmo assim, ela considera importante que os movimentos sociais acionem o MPF para que as medidas cabíveis sejam feitas para minimizar os danos causados.

O Ministério das Comunicações tem sido omisso em relação às emissoras de TV e aos programas policialescos que violam direitos humanos. Na ação por discriminação à população LGBTQIAP+, o Ministério Público Federal no Rio Grande do Sul também denunciou a emissora de TV Ômega, responsável pela transmissão do programa de Sikêra Júnior, e o próprio Ministério das Comunicações por não cumprir as suas obrigações enquanto ente fiscalizatório, regulatório e sancionador sobre a empresa de radiodifusão que atua por concessão pública. Um dos trechos da Ação Civil diz que o Ministério das Comunicações tem o dever de atuar administrativamente, exercendo seu papel regulatório, fiscalizatório e orientador da empresa concessionária, “sendo ilegal sua conduta e em caráter de tutela liminar, (…) a União seja compelida ao exercício de sua função de fiscalização e punição administrativa da empresa ré, bem como para que se tome as medidas preventivas voltadas aos demais réus da presente Ação Civil Pública, para que adequem sua programação às normas convencionais, constitucionais e legais pertinentes ao enfrentamento à Discriminação e Intolerância”. A professora Cristiane Perdigão reforça que a “ausência de fiscalização e de penalidades coercitivas por parte do Ministério das Comunicações sobre estes programas construiu um ambiente de comodismos e de constante mal uso da concessão pública com exemplos diários de abuso da liberdade de radiodifusão”.

Reparações tardias, ineficazes e omissão dos responsáveis pela fiscalização e regulação das empresas concessionárias de radiodifusão são, infelizmente, os fatores que compõem a triste (e revoltante) equação da impunidade dos programas policialescos. Sikêra Jr. é o caso mais emblemático, mas poderíamos citar dezenas de outros apresentadores e repórteres que seguem sendo campeões de audiência e de violações de direitos, além de usarem a mídia como trampolim para carreiras políticas nas casas legislativas e palácios do executivo espalhados pelo país.

As violações de direitos cometidas impunemente pelos programas policialescos alimentam uma visão sobre segurança pública calcada no punitivismo e no justiçamento. É preciso quebrar esse circuito. E no que depender dos movimentos feministas, LGBTQIAPN+ e do direito à comunicação, esse momento está cada dia mais próximo.

Fonte: https://www.cartacapital.com.br/blogs/intervozes/caso-sikera-jr-ate-quando-a-justica-ficara-de-olhos-vendados-para-as-violacoes-na-midia/

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

Primeiro doutor intersexo

Na tarde desta quarta-feira, dia 07.02.2024, o sociólogo Amiel Vieira, Intersexo e pesquisador CAPES na UFRJ, defendeu sua tese: UMA AUTOETNOGRAFIA BIOÉTICA: HÁ CUIDADO EM SAÚDE PARA A PESSOA INTERSEXO COM GENITAL ATÍPICO?

O site da ONU reitera que 1,7% da população mundial estaria em condição Intersexo e a grande maioria não sabe! Afinal, quantas pessoas que você conhece já fizeram exames de diagnóstico cromossômico?

A letra I na sigla LGBTI+ é sobre pessoas Intersexo.

Foram mais de 6 anos para produzir a tese histórica sobre e a partir dos corpos Intersexo. A esticada do laço se deve a dois momentos importantes que atravessou: um acidente na noite de natal que o deixou em coma por mais de um mês e a pandemia de COVID-19.

Sobrevivente em vários sentidos, Amiel Vieira, nascido com genitália fora do padrão médico que ainda se ancorava no falômetro, apresenta em sua autoetnografia os documentos que datam de seu nascimento e que "justificará" o que ele chama de "mutilação genital". Poderia ser chamado castração, segundo membros da banca de defesa, mas para além disso e na busca por parceiros deste tempo e atualizados nas discussões, Amiel propõe aliança com a nova medicina.

Sua aposta na descrição do cenário da pesquisa brasileira nos mostra não apenas a fragilidade dos currículos biomédicos e de saúde aplicada que excluíram da existência e história os sujeitos Intersexo, mas a estrutura de cumplicidade entre as práticas médicas em uma colonialidade militarista. Nelson Felici de Barros, membro da banca informa que o paradigma não reconhece a riqueza da diferença, a diferença outrora, é um problema da sociedade como foi construída: " se precisar matar 4 para que 6 sobrevivam, o sistema agirá dessa forma!".

Enquanto jornalista, pesquisadora e travesti, em 2018 estruturamos junto aos movimentos sociais a uniformidade da palavra "Intersexo", que naquele momento definimos com a característica substantiva própria, por isso a letra sempre maiúscula, em razão da invisibilidade histórica; e segundo a condição biológica adjetivada, como no plural de "síndrome de down" que segue o mesmo rigor.

Uma pessoa com síndrome de down, duas pessoas com down!

Uma pessoa Intersexo, duas pessoas Intersexo!

Os hermafroditos foram alocados em ausências ao longo da história como Morgam Carpenter, Mauro Cabral, Carolina Iara, Vida Guzzo apresentam em seus trabalhos. Paula Sandrine, pessoa endosexo (ou seja, aquela que não é Intersexo) também é uma das maiores referências mundiais do tema e em sua tese defendida em 2008, "O sexo dos anjos : representações e práticas em torno do gerenciamento sociomédico e cotidiano da intersexualidade", já trazia a importancia histórica deste momento.

Maria Clara Dias e Milena Peres, ambas pessoas endosexo, dirigem o documentário chamado Amiel (2019) que descobre sua intersexualidade apenas aos 33 anos de idade, quando, ao encontrar uma carta do Hospital das Clínicas de São Paulo, desvenda o segredo sobre sua condição mantido por seus pais. Maria Clara, faz parte da banca de defesa deste doutorado e apresenta a grandeza desse momento de tantas nuances e vieses históricos.

Que o estado brasileiro seja condenado pelo que causou a você e em seu corpo através das cortes internacionais. Nascer macho e carregar o pressuposto "homem" não foi uma possibilidade para ele. Amiel, que foi criado como mulher e se refez homem, após ser "castrado" e com aval da medicina é no mínimo questionador existir para cada ser humano.

Termino este texto com duas mensagens:

A primeira da Secretária Nacional LGBTI+ do Ministério dos Direitos Humanos, Symmy Larrat, que disse estar emocionada e a segunda, a mensagem do maior nome em Direitos Humanos na gestão Lula3, Silvio Almeida que disse ao saber da defesa da tese, estar acompanhando e desejava os parabéns, marcando o avanço histórico e epistemológico.

Fonte: https://www.brasil247.com/blog/brasil-tem-seu-primeiro-doutor-intersexo

O embranquecimento de Iemanjá

A bíblia foi toda embranquecida. As pessoas esquecem que os algozes do livro sagrado são justamente as pessoas que a embranqueceram e depois passaram a usá-la como controlador social. Na tentativa de amenizar Jesus com estereótipo de surfista californiano, muitos costumam dizer que a mudança étnica de Cristo foi apenas um jeito dos artistas renascentistas encontraram para fazer dele sua imagem e semelhança e justificam isso através de um versículo bíblico, Gênesis I 26-28.

Minha análise é um pouco menos romântica. Acredito que a mudança foi uma estratégia de marketing, já que eles precisavam de uma imagem comercial para que a população aceitasse com mais facilidade junto com a imagem todos os dizeres que ela trazia consigo.

A lógica para a mudança étnica de Iemanjá penso não ter sido muito diferente. Pessoas com poder - leia-se brancas - que frequentavam o Candomblé antigamente começaram a adorar a rainha dos mares, mas se incomodavam por idolatrar uma pessoa negra. Na tentativa de se sentirem mais confortáveis e de facilitar a aceitação social, tramaram a mudança racial da Orixá.

Aqui em Salvador, por exemplo, todas as imagens de Iemanjá que lembro ter visto, não só eram brancas, como também durante muito tempo não era chamada pelo nome verdadeiro e, sim, de sereia ou algo nesse sentido.

Há quem diga que a mudança racial da rainha dos mares foi por causa do sincretismo. Segundo essa linha, a mãe das águas foi sincretizada em santas católicas como Nossa Senhora das Candeias, Nossa Senhora dos Navegantes e, por vezes, até com a Virgem Maria. Por conta disso, a mudança racial foi sutil e aos poucos. Eu não compro esse discurso na íntegra.

Sei que negros e negras tiveram que camuflar sua religiosidade nos santos católicos por causa das perseguições. Compreendo também que cada grupo, em lugares distintos, escolheu uma santa para essa representação, além de acreditar também que, com o passar das gerações, essas mudanças foram deixando de ser uma camuflagem e passaram a ser uma adoração legítima para ambas as entidades, porém não assimilo que a mudança da cor tenha sido elaborada nesse sentido. Até porque a maioria do povo de Axé, sobretudo terreiros tradicionais, jamais perderam a identidade racial da mãe das águas.

O mesmo racismo que faz com que as religiões de matriz africana sejam extremamente perseguidas e brutalizadas, faz também com que algumas coisas dela sejam aceitas, desde que não sejam tão pretas e africanas assim.

Isso se dá na mudança da cor de pele de Iemanjá, se dá na retirada dos atabaques e na introdução de instrumentos de corda, se dá no Candomblé vegano, na tentativa de criminalizar e banir os sacrifícios de animais e em diversas outras tentativas de descaracterizar a religião para aqueles que rejeitam a estrutura africana e buscam algo que chamo de cristianização do Candomblé, mas que é o puro suco do racismo “camuflado” historicamente praticado no Brasil.

Fonte: https://www.terra.com.br/nos/opiniao/lua-andrade/o-embranquecimento-de-iemanja-e-a-repulsa-da-sociedade-ao-corpo-negro,3ff4dee589d0821fd78e5fd276920a94m2audhs7.html

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024

Neoliberalismo = Fascismo

Posso pedir licença para ser um pouco chato? Óbvio que é fundamental derrotar Bolsonaro e seus aliados golpistas. Porém, isso tá longe de ser suficiente para derrotar a extrema-direita. Vocês perceberam como Bolsonaro e seus aliados são incompetentes, toscos, bizarros?

Não é estranha a hipótese que eles chegaram ao poder apenas por conta de uma máquina de fake news operada pelo “genial” Carlos Bolsonaro? Não acham essa explicação rasa?

A extrema-direita está crescendo no mundo todo. É a consequência direta do esgarçamento do tecido social provocado por décadas de neoliberalismo. Um neoliberalismo cada vez mais sedento pelo sangue da classe trabalhadora para sair da própria crise que criou.

Contudo, o capital não pode abandonar sua dinâmica de espoliação neoliberal por nada. Se a gestão do neoliberalismo não for possível por meio do consenso social e da democracia burguesa, recorrem à extrema-direita para aplicá-lo pela via da coerção e suspensão da democracia. Bolsonaro foi apoiado pelos bancos pelo agro, maior parte da indústria, varejo… Enfim, pelas classes dominantes.

Ele não caiu do céu nem foi fruto da genialidade ímpar do Carluxo. Bolsonaro é filho do neoliberalismo. E, enquanto existir neoliberalismo (leia-se capitalismo em sua atual especificidade) , haverá um Bolsonaro para o capital chamar de seu sempre que se sentir ameaçado.

Por fim, o legado de Temer e Bolsonaro estará de pé, mais forte do que nunca, mesmo com eles presos: reforma trabalhista, destruição da previdência social e teto de gastos. É esse legado, ainda pé, que nos levará ao próximo Bolsonaro se não houver reação.

As classes dominantes estão topando prender e eliminar o atual Bolsonaro por enquanto, porque seu projeto de país navega em águas tranquilas. Entretanto, no primeiro sinal de ameaça, irão tirar um novo Bolsonaro da cartola.

Não guardem ilusões. Sem derrotar o neoliberalismo, a ameaça do fascismo sempre irá nos atormentar.

Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/sem-derrotar-o-neoliberalismo-ameaca-do-fascismo-sempre-ira-nos-atormentar-por-david-deccache/