sábado, 14 de julho de 2007

Ser pagão no Brasil

Esta, certamente, é uma questão que muitos pagãos muitas vezes se pergunta ou é perguntado por quem não conhece outra forma de credo que não seja baseado na bíblia.
Para quem segue ou leu a bíblia, nós somos um outro povo, não somos descendentes de Adão e Eva - o que nos livra convenientemente da sina dogmática cristã em que todos são pecadores. Como os hebreus aprenderam com os babilônicos, cananeus e egípcios, nós adoramos os montes altos, nossos altares estão entre árvores sagradas, nós oferecemos incenso e bolos à Rainha do Céu e ao Senhor das Colheitas.
Mas muitos de nós não são originários do Brasil, nossos ancestrais vieram de várias partes da Europa, trazendo consigo uma bagagem de cultos agrários e cristãos misturados, uma mistura que a Reforma Protestante tentou expurgar para purificar e tornar o culto cristão mais verdadeiro, dentro do que esta vertente entendia como seria tal culto cristão verdadeiro e puro.
Uma vez aqui, nossos avós se estabeleceram com seus cultos particulares, encontrando cultos locais dos nativos e mais tarde se encontrando com os cultos dos escravos trazidos da África. Como não fosse o suficiente, vieram os imigrantes italianos, espanhóis, japoneses, alemães e tantos outros, trazendo cada um sua contribuição para fazer o Brasil essa maravilhosa mistura de pessoas. Foi graças a esse aporte europeu que o Brasil pode entrar na era industrial, desenvolver sindicatos, melhorar suas leis e superar os grilhões da ditadura militar. Foi com essa nova fonte religiosa que vieram as vertentes protestantes que desenvolveram aqui uma nova forma, chamada de neo-pentecostalismo que, geralmente, é mais fundamentalista que suas matrizes estrangeiras. Veio igualmente, sem muita estruturação ou organização, as muitas vertentes esotéricas bem como o resgate do paganismo e da wicca/witchcraft.
Assim, aos trancos e barrancos, foram montadas lojas, templos e ordens esotéricas, mas sem muita união interdenominacional entre elas, o que facilitou e muito ao domínio politico e social dos evangélicos. Os grupos pagãos também foram aparecendo aqui e ali, mais como proposta cultural do que ativismo social e religioso. Alguns grupos mais organizados se ressaltaram, como a instituição wicca da Abrawicca e alguns covens wiccans comecaram a funcionar.
Entretanto, como o paganismo e a wicca são religiões ligadas à natureza, teremos que pensar em como manifestar e organizar nosso credo conforme a natureza local. Não é uma tarefa fácil, será necessário a ajuda de vários especialistas para fazê-lo. Mãos á obra!

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