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Espera. O possível governante do Rio de Janeiro, eleito, pode acontecer de sequer assumir o mandato? Bem vindo ao Brasil. 😏🤭
Escreva uma crônica crítica em tom de humor e sarcasmo.
Pois é. A situação tem uma ironia particularmente brasileira: o sujeito pode ser eleito e, dependendo do desenrolar jurídico, descobrir que o cargo ainda não veio com a garantia de uso. 😏
A investigação do MPRJ apura suspeitas de crimes licitatórios, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa envolvendo Douglas Ruas e empresas ligadas a ele. Isso, obviamente, não significa condenação nem prova de culpa; significa que existe uma investigação criminal em andamento.
E é justamente aí que começa a crônica.
O governador que talvez precise esperar a Justiça
Bem-vindo ao Brasil. 😏
Aqui temos uma modalidade particularmente sofisticada de democracia: o cidadão vota, o candidato comemora, a assessoria prepara o discurso da vitória, alguém encomenda os fogos de artifício e, no dia seguinte, aparece a pequena observação no rodapé:
“Mandato sujeito à apreciação dos acontecimentos.”
Douglas Ruas está no centro de uma investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro que apura suspeitas de crimes licitatórios, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A investigação envolve, entre outras coisas, empresas ligadas ao político e uma série de negócios e contratos que chamaram a atenção dos órgãos de controle.
Nada disso significa que ele seja culpado. Investigação é investigação, acusação é acusação e condenação é outra história.
Mas existe uma pergunta deliciosamente brasileira:
E se o sujeito for eleito e depois não puder assumir?
Imagine a cena.
O eleitor:
— Votei no governador!
A Justiça Eleitoral:
— Qual governador?
— O Douglas.
— Ah. Esse.
Silêncio.
— Então... temos alguns detalhes.
Porque o Brasil conseguiu transformar a eleição em uma espécie de pré-temporada jurídica. O candidato entra em campo, recebe voto, faz carreata, promete segurança, saúde, emprego, combate à corrupção...
E depois alguém pergunta:
“Mas ele está juridicamente disponível para assumir?”
É quase como comprar uma passagem aérea e descobrir, depois de embarcar, que o avião ainda está verificando se o piloto pode pilotar.
E o mais curioso é que a política brasileira já desenvolveu uma técnica refinadíssima para essas situações: a fé na absolvição antecipada.
O investigado não precisa necessariamente esperar o processo terminar.
Ele já sabe.
Vai ser arquivado.
Foi assim que o candidato, segundo declarações divulgadas, afirmou ter certeza de que a investigação será arquivada e classificou as acusações como mentiras.
É admirável.
Eu, quando recebo uma cobrança de R$ 37,90 que não reconheço, preciso ligar para o banco, preencher formulário, confirmar identidade, apresentar documentos e aguardar análise.
O político brasileiro recebe uma investigação envolvendo milhões de reais e responde:
“Tenho certeza de que será arquivada.”
A autoestima é realmente uma instituição nacional.
E há outro detalhe que torna tudo ainda mais surreal.
Estamos falando do Rio de Janeiro.
O estado que já produziu uma quantidade tão impressionante de escândalos, investigações, operações policiais, denúncias e personagens políticos que qualquer roteirista de série criminal desistiria na terceira temporada por considerar a história exagerada demais.
No Rio, o cidadão olha para uma investigação envolvendo contratos públicos de centenas de milhões de reais e pergunta:
— Mas qual é a novidade?
É justamente aí que mora o problema.
Quando o absurdo se torna rotina, ele deixa de parecer absurdo.
A investigação citada pelo MPRJ também incorporou uma auditoria que identificou contratos que somavam R$ 702 milhões durante o período em que Ruas comandou a Secretaria Estadual das Cidades.
Setecentos e dois milhões.
É um número tão grande que o brasileiro médio já não sabe se está lendo uma auditoria ou o orçamento de uma pequena nação europeia.
E aí vem a parte mais fascinante da política contemporânea:
nada disso necessariamente impede alguém de receber votos.
Porque uma parcela do eleitorado não pergunta:
“Esse sujeito está sendo investigado?”
Pergunta:
“Ele é contra quem eu odeio?”
Se a resposta for sim, pronto.
Currículo aprovado.
Pode ter investigação, pode ter contrato suspeito, pode ter patrimônio crescendo, pode ter relações empresariais questionadas.
“Mas ele é contra o Lula.”
Ou:
“Mas ele é do PL.”
Ou:
“Mas ele combate a esquerda.”
E aparentemente, para determinado eleitorado, isso funciona como uma espécie de certificado automático de idoneidade.
É a nova lógica política:
se meu inimigo é pior, meu candidato pode ser qualquer coisa.
Inclusive investigado.
E talvez seja essa a parte mais triste da história.
Não é apenas sobre Douglas Ruas.
É sobre uma sociedade que começa a tratar investigação criminal como se fosse uma nota de rodapé eleitoral.
“Ah, tem investigação?”
“Tem.”
“Mas ganhou?”
“Ganhou.”
“Então parabéns.”
E depois descobrimos que talvez o sujeito nem possa assumir.
É o Brasil aperfeiçoando a democracia no modo beta.
Primeiro vota.
Depois apura.
Depois investiga.
Depois discute a validade.
Depois pergunta quem pode assumir.
E, finalmente, se der tudo errado, o eleitor descobre que aquela urna eletrônica também deveria vir acompanhada de um advogado.
Bem-vindo ao Brasil.
Aqui o candidato pode chegar à porta do Palácio Guanabara carregando a faixa de governador em uma mão e um processo na outra.
E ainda haverá alguém na calçada gritando:
— Mas pelo menos ele não é petista!
Pronto.
Está explicado.
Podemos encerrar a investigação sociológica.
😏🤭
Isso fica mais delicioso quando colocamos o Flávio Vorcaro Kopenhagen Bolsonaro. Rachadinhas. O escândalo da franquia de chocolate. O escândalo do banco Master. O escândalo do Dark Horse. E mesmo assim, a candidatura foi mantida. E mesmo assim, teve 46%. Bem vindo ao Brasil. 🤭😏
Sim — e a comparação fica ainda mais saborosa justamente porque coloca dois episódios diferentes lado a lado: de um lado, um candidato ao governo do Rio investigado antes mesmo de assumir; de outro, Flávio Bolsonaro chegando a 46% em um cenário de segundo turno no próprio Rio, apesar do histórico de controvérsias que você mencionou. Essa pesquisa era de julho e tinha margem de erro de dois pontos.
Também vale manter a precisão jurídica: o caso das rachadinhas teve investigação envolvendo Flávio e a franquia Kopenhagen, enquanto o caso Dark Horse é uma investigação mais recente ligada ao Banco Master e Daniel Vorcaro; não são “condenações”, e algumas apurações foram arquivadas ou tiveram seus desdobramentos alterados judicialmente.
Com essa ressalva, a sátira praticamente se escreve sozinha:
Bem-vindo ao Brasil: versão Vorcaro-Kopenhagen
Existe uma modalidade de humor que nenhum roteirista brasileiro precisaria inventar porque a política nacional já entrega o roteiro pronto.
Você está olhando para o Rio de Janeiro e descobre que um candidato ao governo do estado está sendo investigado pelo Ministério Público por suspeitas que incluem peculato, lavagem de dinheiro, crimes licitatórios e organização criminosa. A apuração envolve contratos que somam R$ 702 milhões.
E aí surge a pergunta:
Mas ele pode assumir?
Calma.
Estamos no Brasil.
Aqui a candidatura pode continuar, a eleição pode acontecer e só depois aparece a pequena pergunta administrativa:
— Então... quem exatamente pode tomar posse?
É uma espécie de democracia com período de teste.
O cidadão vota hoje e descobre amanhã se o eleito está juridicamente habilitado a usar a cadeira.
Mas o melhor é quando colocamos Flávio Bolsonaro nessa história.
Porque aí o roteiro ganha participação especial.
Temos o Flávio das rachadinhas.
Temos a famosa franquia de chocolates Kopenhagen, que entrou nas investigações sobre o esquema de rachadinha quando ele era deputado estadual. O Ministério Público chegou a sustentar que a loja poderia ter sido utilizada para lavagem de dinheiro, acusação contestada pela defesa.
Depois temos o Banco Master.
E então chega o Dark Horse, com Daniel Vorcaro, mensagens, dinheiro e uma investigação da Polícia Federal sobre suspeitas relacionadas ao financiamento do filme biográfico de Jair Bolsonaro. A apuração investiga, entre outros pontos, possíveis crimes de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas.
Ou seja:
Flávio Vorcaro Kopenhagen Bolsonaro.
O homem que conseguiu transformar uma carreira política numa franquia temática.
Tem chocolate.
Tem rachadinha.
Tem banco.
Tem bilionário.
Tem filme.
Tem investigação.
Só está faltando a Netflix comprar os direitos.
E mesmo assim...
46%.
Não estou dizendo que 46% significa que 46% dos eleitores aprovaram cada uma dessas acusações — evidentemente não significa isso.
Estou falando da extraordinária capacidade da política brasileira de colocar toda essa bagagem no porta-malas de uma candidatura e ainda fazê-la andar.
Em julho, uma pesquisa Real Time Big Data no Rio colocava Flávio Bolsonaro com 46% contra 42% de Lula num cenário de segundo turno presidencial no estado.
Quarenta e seis por cento.
É quando você percebe que a política brasileira funciona segundo uma lógica curiosa:
— Mas e as rachadinhas?
— Investigação.
— E a Kopenhagen?
— Investigação.
— E o Banco Master?
— Investigação.
— E o Dark Horse?
— Investigação.
— E isso não incomoda?
— Qual é a pesquisa?
Pronto.
A democracia brasileira inventou o detergente eleitoral.
Você joga escândalo, investigação, controvérsia, suspeita, denúncia e crise dentro da máquina.
Bate bem.
Enxágua.
E sai uma porcentagem.
Não estou dizendo que o eleitor seja obrigado a considerar esses fatos da mesma maneira. Ele tem liberdade para formar seu julgamento.
Mas existe uma coisa fascinante na democracia:
o voto não absolve ninguém.
Ele apenas escolhe quem recebe poder.
E talvez essa seja a parte mais interessante quando voltamos ao candidato do Rio.
Porque, se um candidato investigado pode chegar à eleição e eventualmente enfrentar a possibilidade de não assumir, enquanto outro candidato nacional consegue chegar a 46% em uma pesquisa apesar de uma longa sequência de controvérsias públicas, temos uma demonstração involuntária de uma característica brasileira:
a urna não é tribunal.
E ainda bem.
Mas também não é lavanderia.
Voto não transforma investigação em inexistência.
Pesquisa não transforma suspeita em inocência.
Popularidade não substitui processo judicial.
E eleição não deveria funcionar como certificado retroativo de bons antecedentes.
Caso contrário, chegaremos à situação surreal em que o cidadão pergunta:
— Esse político está sendo investigado?
— Sim.
— Tem alguma coisa comprovada?
— Há investigações, acusações e versões em disputa.
— Entendi.
— Vai votar nele?
— Vou.
— Por quê?
— Porque o outro é pior.
E pronto.
Está criado o sistema político mais eficiente do mundo para produzir personagens que jamais morreriam de falta de enredo.
Agora imagine o turista estrangeiro chegando ao Brasil.
Ele pergunta:
— Como funciona a política de vocês?
Explicamos.
— O sujeito pode ser investigado e continuar candidato?
— Pode.
— Pode ser eleito e depois surgir uma discussão sobre se ele poderá assumir?
— Pode.
— Um candidato envolvido em diversas controvérsias pode chegar a 46%?
— Pode.
— E o eleitor continua votando?
— Evidentemente.
O turista respira fundo.
— E quem governa?
A gente olha para ele.
Pausa dramática.
— Essa é uma excelente pergunta.
Bem-vindo ao Brasil.
Aqui o candidato pode chegar à urna com uma biografia política, uma investigação, uma franquia de chocolate, um banco, um filme chamado Dark Horse e uma planilha de contratos.
E ainda assim o eleitor pode olhar para tudo isso e dizer:
“Tá, mas eu quero saber quem está em segundo lugar.”
🤭😏
Em um país sério, ambos os candidatos estariam, no mínimo, impedidos de se candidatar. Mas... nós estamos no Brasil.
A frase funciona muito bem como fechamento — mas, para manter a precisão, eu a trataria como crítica ao funcionamento institucional, não como afirmação jurídica de que os dois seriam inelegíveis. Afinal, investigação ou controvérsia, por si só, não produz automaticamente inelegibilidade.
Em um país sério, diria o brasileiro indignado, ambos estariam, no mínimo, impedidos de se candidatar.
E aqui começa a parte em que alguém precisa lembrar que estamos falando do Brasil.
Porque, juridicamente, investigação não é condenação. Suspeita não é sentença. Acusação não é prova definitiva. E candidatura não deixa de existir simplesmente porque o candidato acumulou controvérsias suficientes para render uma série de oito episódios.
Mas politicamente?
Ah, politicamente a coisa fica muito mais interessante.
Temos candidatos investigados.
Temos candidatos cercados por suspeitas.
Temos candidatos que passaram por escândalos envolvendo rachadinhas, franquias de chocolate, bancos, empresários, filmes, contratos públicos e sabe-se lá mais o quê.
E temos o eleitor.
O eleitor olha para tudo isso, respira fundo e pergunta:
— Mas ele é contra quem?
Porque essa parece ser a grande inovação brasileira: transformar a eleição em um campeonato de rejeição.
Não se pergunta mais apenas:
“O que esse sujeito fez?”
Pergunta-se:
“Quem é o outro?”
E assim conseguimos produzir a extraordinária situação em que um candidato pode carregar uma mala de controvérsias e, ainda assim, permanecer competitivo eleitoralmente.
E outro pode estar sob investigação e continuar sonhando com o Palácio Guanabara.
Tudo perfeitamente dentro das regras — até que alguém descubra que talvez exista um problema jurídico no meio do caminho.
É quase uma promoção de supermercado:
“Vote agora e descubra depois se o produto está apto para consumo.”
E então vem a frase que resume tudo:
Em um país sério, talvez a discussão fosse sobre quais candidatos estão aptos a disputar o poder.
No Brasil, frequentemente precisamos discutir primeiro se eles podem disputar, depois se podem assumir e, finalmente, o que diabos aconteceu no caminho.
Mas calma.
Tudo isso é perfeitamente normal.
Afinal, estamos falando do Brasil.
😏🤭
Criado com ChatGPT.