domingo, 11 de outubro de 2026

Questão de prioridade

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/renan-ironiza-pavanato-3-milhoes-de-votos-para-combater-trans-no-banheiro/

Em breve teremos mais cenas do teatro dos absurdos da política brasileira. Escreva uma crônica crítica em tom de humor e sarcasmo.


A política brasileira acaba de ganhar mais um episódio daquela série que, se fosse ficção, seria rejeitada por “excesso de exagero”. Pavanato teve mais de 3 milhões de votos em São Paulo, a segunda maior votação para deputado federal no estado, enquanto sua agenda inclui restrições ao uso de banheiros por pessoas trans. 

O banheiro, a urna e o grande teatro nacional
Em breve teremos mais cenas do teatro dos absurdos da política brasileira.

E não é força de expressão. O país conseguiu transformar o banheiro — aquele lugar que, durante séculos, serviu basicamente para a humanidade resolver necessidades fisiológicas — em uma das grandes arenas ideológicas do século XXI.

Lucas Pavanato recebeu mais de 3 milhões de votos em São Paulo. É um número gigantesco. E entre as pautas que pretende levar para Brasília está justamente a regulamentação de quem pode ou não utilizar determinado banheiro.

Renan Santos resumiu a situação com ironia ao questionar a ideia de mobilizar milhões de votos para combater pessoas trans no banheiro. Também observou que parte da direita transformou a política em entretenimento para as redes sociais.

E aí chegamos ao ponto mais interessante.

Porque o problema não é o banheiro.

O banheiro é apenas o cenário.

O verdadeiro espetáculo é a capacidade da política contemporânea de transformar uma questão extremamente específica em uma batalha civilizacional.

Antes, o sujeito dizia:

— Precisamos discutir emprego, salário, educação, saúde, segurança, impostos, moradia e infraestrutura.

Agora aparece o algoritmo:

— MAS E O BANHEIRO?!

E milhões de pessoas entram imediatamente em estado de emergência nacional.

Imagine a reunião de prioridades de um país.

Ministro da Economia:

— Precisamos discutir crescimento, inflação e emprego.

Ministro da Saúde:

— Precisamos ampliar o atendimento.

Ministro da Educação:

— Precisamos melhorar a qualidade do ensino.

Ministro da Infraestrutura:

— Precisamos recuperar estradas.

E surge o ministro imaginário dos Banheiros Nacionais:

— Senhores, temos um problema gravíssimo.

Silêncio.

— Tem uma pessoa trans usando o banheiro.

Alguém derruba o café.

O Exército é acionado.

O Banco Central interrompe a reunião.

A ONU convoca uma sessão extraordinária.

E o Brasil finalmente encontra sua grande prioridade histórica.

A cabine número três.

O mais curioso é que a discussão não ficou apenas no terreno das redes sociais. Pavanato foi eleito e pretende transformar parte dessa agenda em atuação parlamentar. Portanto, a provocação digital pode chegar ao mundo concreto das leis.

É aí que o teatro deixa de ser apenas teatro.

Porque existe uma diferença importante entre fazer vídeo para conseguir engajamento e possuir mandato para tentar transformar aquele conteúdo em política pública.

A primeira coisa rende curtida.

A segunda pode render legislação.

E temos aí uma característica fascinante da política brasileira contemporânea: o algoritmo virou cabo eleitoral, o meme virou palanque e a indignação virou programa de governo.

O sujeito não precisa necessariamente apresentar uma solução para a crise habitacional.

Pode apresentar uma guerra contra o banheiro.

Não precisa explicar detalhadamente como melhorar a educação pública.

Pode explicar quem deve entrar na cabine sanitária.

Não precisa necessariamente convencer o eleitor de que possui respostas para todos os problemas estruturais do país.

Basta convencê-lo de que existe alguém usando o banheiro errado.

E pronto.

Temos uma carreira política.

O mais surreal é que isso acontece enquanto o próprio resultado eleitoral demonstra que existe público para esse tipo de discurso. Pavanato ultrapassou 3 milhões de votos, enquanto Erika Hilton também teve uma votação histórica, superior a 1,5 milhão.

Ou seja: o conflito não desapareceu.

Ele foi institucionalizado.

E provavelmente veremos muitos capítulos disso em Brasília.

Talvez o próximo grande debate nacional seja:

Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar quem deixou a tampa do vaso levantada.

Depois:

PEC da fiscalização da descarga.

Em seguida:

Frente Parlamentar pela Defesa da Pia Tradicional.

E, finalmente, o grande projeto de desenvolvimento nacional:

Plano Brasil 2040 — Um banheiro, uma identidade, uma nação.

Enquanto isso, alguém perguntará:

— E os salários?

— Depois a gente vê.

— E a aposentadoria?

— Depois.

— E a saúde?

— Depois.

— E a educação?

— Depois.

— E o emprego?

— Depois.

— Mas e o banheiro?

URGENTE.

E assim caminha a política brasileira: discutindo o lugar onde as pessoas entram para ficar alguns minutos enquanto os grandes problemas estruturais permanecem do lado de fora, esperando sua vez.

Só que esses problemas não fazem dancinha no TikTok.

Não viralizam.

Não rendem milhões de visualizações.

Não provocam guerra cultural em quinze segundos.

O banheiro, aparentemente, rende.

E eis a grande tragédia cômica: talvez tenhamos descoberto uma maneira de fazer política em que o cidadão passa quatro anos esperando soluções para a própria vida enquanto Brasília passa boa parte do tempo discutindo quem pode fazer xixi onde.

Bem-vindos ao Brasil.

O país onde até o banheiro pode virar questão de Estado.

E onde, aparentemente, a Constituição já não basta.

Agora precisamos também de um fiscal da cabine.

Só falta descobrir quem vai fiscalizar o fiscal.

Criado com ChatGPT.

A vida paralela escancarada

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/lgbts-prometem-expor-nas-redes-bolsonaristas-que-tem-vida-paralela/

Pegou mal quando descobriram que o Flávio contratou profissionais do sexo. Imagina se travestis e trans resolverem entregar?
Aquele discurso de homem conservador, cristão e moralista vai para o ralo...😏🤭
Escreva um texto humorado e sarcástico.


# A família tradicional brasileira e seus segredos nada tradicionais 🤭😏

A política brasileira é uma fábrica de entretenimento. E o setor mais produtivo parece ser o da turma que vive pregando moralidade alheia enquanto torce para que ninguém resolva investigar a própria vida.

O caso envolvendo Flávio Bolsonaro e a contratação de profissionais do sexo, conforme repercutido na imprensa, já foi suficiente para provocar aquele constrangimento básico. Afinal, quando se constrói uma carreira política posando de defensor da família, dos bons costumes e dos valores cristãos, qualquer notícia que contrarie essa imagem vira um pequeno incêndio no departamento de relações públicas.

Agora, imaginem se travestis e pessoas trans resolverem começar a contar suas experiências com figuras que passam o dia atacando a população LGBTQIA+ nas redes sociais e nos palanques!

Seria um verdadeiro terremoto no condomínio da hipocrisia. De repente, aquele sujeito que faz discursos inflamados contra a diversidade descobriria que a internet tem memória, que as pessoas conversam e que a vida real nem sempre respeita o roteiro escrito pelo marqueteiro eleitoral.

O cidadão passa o dia falando em pecado, degeneração moral e destruição da família. Faz cara de quem fiscaliza até o comportamento dos anjos no céu. Mas, quando as cortinas se fecham, ninguém sabe se o personagem público e o indivíduo privado frequentam a mesma igreja moral.

E atenção: não há contradição nenhuma em ser conservador e contratar um profissional do sexo, nem em ser político e ter uma vida privada consensual. Cada adulto é livre para viver como quiser. **O problema começa quando alguém exige liberdade para si, mas quer retirar a liberdade dos outros.**

É aí que mora a verdadeira comédia: não na orientação sexual, na identidade de gênero ou nos desejos de ninguém, mas no sujeito que transforma a vida alheia em escândalo moral enquanto trata as próprias contradições como segredo de Estado.

Se alguém tem informações sobre figuras públicas, o caminho responsável é apresentar evidências verificáveis, sem inventar histórias nem transformar rumores em condenações. E ninguém deveria ser exposto por sua sexualidade ou identidade de gênero. O que merece escrutínio público é a hipocrisia política, especialmente quando ela serve para perseguir pessoas que vivem de maneira diferente.

Porque uma coisa é defender valores pessoais. Outra é subir num palanque, posar de guardião da moral nacional e tentar impor esses valores a milhões de brasileiros.

No Brasil, parece que alguns políticos querem administrar a vida íntima de todo mundo, mas exigem sigilo absoluto sobre a própria.

**Moralismo para os outros, privacidade para mim!**

Esse talvez seja o verdadeiro mandamento não escrito da família tradicional brasileira.

E, se a hipocrisia pagasse imposto, o Brasil finalmente teria dinheiro sobrando para financiar todas as promessas de campanha.

Amém, irmãos! Mas, por precaução, deixem os celulares longe do púlpito. 🤭😏


Criado com ChatGPT.

Quinhentos, 481 - 485


Invariavelmente, ao aqui chegarem, demonstram confusão e recusa. Por idéias morais e virtuosas, adquiriram certos hábitos e condutas que se prolongarão.


Isto nem vem a ser uma questão de justiça ou lei, prêmio ou castigo. A vida é a mesma, não existe tempo ou espaço; aquilo que se faz dela, ela se torna.


Antigamente, empilhavam-se pedras e galhos, em respeito aos finados. Hoje se constróem catedrais de vidro e aço. Mas a busca continua, sem descanso. A alma continua vazia.


Antigamente esculpiam-se madeiras e enfeitavam-se de penas, transformando seus fetiches em artigos mágicos. Hoje os fetiches estão nos livros e nas experiências científicas. Mas a pergunta permanece, insolúvel. O cérebro continua complexado.


Ainda que eu corra o risco de desagradá-la, Paixão Perfeita, deixe meu sentimento defender a minha gente, tua cria.

*Todas as imagens foram feitas com Gemini*
*Da obra Nisf el Alf, "Meio Milhar", de minha autoria, com o pseudônimo Houssin Olnaum*

sábado, 10 de outubro de 2026

Atenção, spoiler!

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/valdemar-admite-que-pode-haver-plano-de-novo-golpe-num-governo-flavio/

Um reacionário pode comentar - malditos bolivaristas!
Mas essa declaração não veio de um jornalista. Nem de um candidato de esquerda. Veio do Valdemar. O presidente do PL. 😏🤭

Escreva uma crônica crítica em tom de humor e sarcasmo quando até o reacionário mais bolsonarista se dá conta de que tem alguma coisa de errado na cena. 🤭😏


A graça — e também a parte assustadora — está justamente no fato de que a fala não veio de um adversário político, mas do próprio presidente do PL. Valdemar reconheceu que houve discussão sobre golpe em 2022 e, quando perguntado sobre a possibilidade de algo semelhante num eventual governo Flávio, não descartou: respondeu que “pode haver planejamento”. 

Quando até Valdemar começa a desconfiar da própria cena
Existe um momento na política brasileira em que até o sujeito que estava sentado na mesa percebe que talvez tenha pedido um pouco de molho demais no prato.

Foi mais ou menos isso que aconteceu com Valdemar Costa Neto.

O presidente do PL, partido que abriga Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro, foi questionado sobre a possibilidade de uma nova articulação golpista num eventual governo de Flávio.

A resposta?

“Sei lá. Pode haver planejamento.”

Pausa dramática.

Silêncio no estúdio.

A democracia olha para a câmera como quem está participando de uma sitcom e pensa:

— Vocês estão falando sério?

Porque veja bem: um crítico de esquerda poderia dizer isso. Um jornalista poderia levantar essa hipótese. Um professor de ciência política poderia escrever um artigo de 48 páginas explicando os riscos institucionais.

Aí apareceria algum sujeito indignado nos comentários:

— MALDITOS BOLIVARISTAS! ESTÃO INVENTANDO GOLPE!

Só que desta vez não foi um bolivarista.

Foi Valdemar.

O presidente do próprio partido.

É quase como se o gerente da churrascaria saísse correndo da cozinha gritando:

— Gente, talvez seja melhor conferir esse fogo!

E o cliente respondesse:

— Comunista! Você está tentando destruir o churrasco!

O problema é que o gerente está segurando um extintor.

Valdemar também reconheceu que houve discussão sobre um golpe no final do governo Bolsonaro em 2022, embora tenha minimizado o fato argumentando que o golpe não chegou a ser executado.

E aqui aparece uma curiosa modalidade de argumentação jurídica:

“Eu pensei em cometer um crime, conversei sobre cometer o crime, organizei as coisas para cometer o crime, mas não cometi. Portanto, vamos todos para casa porque não aconteceu nada.”

É uma espécie de Código Penal segundo o delivery:

“Seu pedido foi preparado, mas não saiu para entrega.”

O detalhe mais interessante é que o mesmo Valdemar, em outro momento, disse que não se deveria “pôr fogo no país” ao comentar conflitos envolvendo o Supremo.

Ou seja, até dentro do campo político que frequentemente flerta com discursos de ruptura institucional existe alguém olhando para a churrasqueira e dizendo:

— Talvez não seja uma boa ideia jogar gasolina.

Isso é quase uma evolução darwiniana da prudência.

E há uma ironia ainda maior.

O sujeito que poderia tranquilizar o eleitor dizendo:

“Não, imaginem! Em hipótese alguma haveria qualquer planejamento para romper a ordem democrática.”

preferiu:

“Sei lá.”

SEI LÁ.

É provavelmente uma das expressões menos tranquilizadoras já produzidas pela política brasileira.

Imagine o piloto do avião perguntando:

— Senhor comandante, existe alguma possibilidade de a aeronave cair?

— Sei lá.

Imagine o médico:

— Doutor, essa cirurgia tem algum risco?

— Pode haver planejamento.

Imagine o eletricista:

— Essa instalação está segura?

— Olha... talvez.

Obrigado pela tranquilidade.

Mas existe algo particularmente revelador nisso tudo: quando a própria liderança partidária começa a admitir publicamente a possibilidade de uma nova tentativa de ruptura, a discussão deixa de ser simplesmente “o que a oposição está dizendo” e passa a ser sobre o que os próprios integrantes do grupo estão dizendo sobre seus planos, receios e limites.

E isso merece atenção independentemente de quem esteja no governo.

Democracia não funciona na base do:

“Relaxa, dessa vez talvez dê tudo certo.”

Ela funciona justamente porque determinadas coisas não podem depender da boa vontade de quem eventualmente estiver no poder.

A Constituição, as instituições, as eleições e a alternância de poder existem para que ninguém precise ficar perguntando:

— Mas vocês prometem que não vão tentar um golpe?

E a resposta seja:

— Claro! Quer dizer... sei lá.

Talvez o momento mais surreal da política brasileira seja aquele em que o reacionário mais convicto olha para a própria trincheira, observa a fumaça subindo e pergunta:

— Peraí... isso aqui não está meio estranho, não?

E alguém responde:

— CALADO! ISSO É ESTRATÉGIA!

Então ele olha novamente.

Olha para Valdemar.

Olha para a história recente.

Olha para as instituições.

E, pela primeira vez, talvez pense:

— Malditos bolivaristas... estavam falando de quê mesmo?

Porque há dias em que a realidade produz uma sátira tão absurda que o humorista simplesmente precisa sentar e tomar café.

O problema é que, dessa vez, o café está sendo servido dentro da própria cozinha.

E o presidente do partido acabou de perguntar onde fica o extintor.


Criado com ChatGPT.

De volta ao século XVIII

https://revistaforum.com.br/politica/senador-bolsonarista-defende-escala16h-dia-trabalhadores/

A eleição no senado definiu o domínio da direita, conservadora e representante da classe patronal. E eu mantenho minha postura. Eu quero que o brasileiro se lasque.
Escreva uma crônica crítica em tom de humor e sarcasmo.


A ironia aqui é quase pronta: o Senado começa a discutir o fim da escala 6x1, e surge um senador eleito defendendo que o brasileiro possa trabalhar 12, 14, 16 horas por dia. A proposta é apresentada como “liberdade” — porque aparentemente, no novo dicionário político, liberdade é poder escolher quantas horas a pessoa quer vender da própria vida. 

O país do expediente infinito
A eleição para o Senado deixou uma mensagem bastante clara: a direita saiu fortalecida, e junto com ela veio uma concepção muito particular de democracia, liberdade e relação entre capital e trabalho.

É aquela velha fórmula brasileira: o trabalhador tem liberdade.

Liberdade para trabalhar.

Liberdade para trabalhar mais.

Liberdade para trabalhar muito mais.

E, se possível, liberdade para trabalhar até esquecer o próprio nome.

Porque, afinal, que história é essa de querer tempo para descansar, ficar com os filhos, estudar, namorar, tomar uma cerveja, ler um livro ou simplesmente ficar olhando para o teto pensando na vida?

Isso é quase socialismo.

O senador eleito Mauro Mendes defendeu que trabalhadores brasileiros tenham mais liberdade para cumprir jornadas longas e citou brasileiros nos Estados Unidos que trabalham 12, 14 e até 16 horas por dia. Chegou a considerar absurdo que uma empresa possa enfrentar problemas por submeter alguém a jornadas excessivas.

Perfeito.

Finalmente alguém teve coragem de apresentar o verdadeiro projeto de país:

Brasil, potência mundial em horas trabalhadas.

Japão? Para trás.

Coreia do Sul? Amadores.

Estados Unidos? Referência.

Brasil terá o trabalhador definitivo: acorda antes do sol, trabalha até depois da lua, chega em casa quando os filhos já dormiram e, no domingo, descansa meia jornada para recuperar forças e voltar ao batente na segunda-feira.

E ainda agradecerá pela oportunidade.

Porque agora isso se chama liberdade.

A palavra é maravilhosa.

“Você quer trabalhar oito horas?”

Liberdade!

“Quer trabalhar dez?”

Liberdade!

“Doze?”

Liberdade!

“Dezesseis?”

Liberdade!

“E se eu quiser trabalhar só seis?”

Aí precisamos conversar com o departamento de Recursos Humanos.

A proposta do fim da 6x1, por outro lado, caminha justamente na direção oposta: reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas e garantir dois dias de descanso remunerado, sem redução salarial. A PEC precisa de 49 votos no Senado para ser aprovada em cada turno.

E é aqui que entra a parte mais interessante da história.

O eleitor brasileiro votou.

Escolheu seus representantes.

E agora está recebendo aquilo que escolheu.

Não há mistério.

Não existe surpresa.

Não existe “ninguém me avisou”.

Avisaram.

Avisaram durante anos.

Avisaram na campanha.

Avisaram nas propostas.

Avisaram no discurso.

Avisaram até com letras garrafais.

Mas existe uma característica fascinante do eleitor brasileiro: ele pode olhar para um sujeito defendendo redução de direitos trabalhistas, flexibilização, jornada maior e enfraquecimento da proteção social e concluir:

“Esse aí pensa como eu.”

Pois bem.

Então vamos experimentar.

Eu mantenho minha posição: eu quero que o brasileiro se lasque.

Não por sadismo.

Por coerência pedagógica.

Se uma sociedade escolhe sistematicamente políticos que tratam direitos trabalhistas como obstáculo ao desenvolvimento, depois não pode fingir surpresa quando esses direitos começam a ser desmontados.

Se você entrega o galinheiro à raposa e depois encontra poucas galinhas, talvez não seja necessário convocar uma comissão parlamentar de inquérito.

É matemática.

E há algo ainda mais curioso.

A direita costuma falar em meritocracia.

Ótimo.

Então vamos aplicar a meritocracia também à política.

Quem votou em quem prometia proteger direitos trabalhistas, terá direito de reclamar.

Quem votou em quem prometia flexibilizar esses direitos também terá direito de reclamar.

Mas haverá uma pequena diferença:

um deles estará reclamando do problema que tentou evitar.

O outro estará reclamando do problema que ajudou a eleger.

É a democracia brasileira entrando na fase premium:

“Eu não sabia que era isso que ele queria dizer.”

Sabia.

Estava escrito.

Só não parecia tão desagradável quando vinha acompanhado de bandeira, patriotismo, Deus, família, empreendedorismo e um discurso sobre “liberdade”.

Afinal, liberdade é uma palavra extremamente versátil.

Para o trabalhador, pode significar trabalhar 16 horas.

Para o empresário, pode significar negociar sem a interferência do Estado.

Para o político, pode significar ter uma maioria parlamentar suficientemente confortável para aprovar tudo isso.

E para o trabalhador brasileiro?

Bom...

Para o trabalhador brasileiro sobra a liberdade de escolher entre trabalhar muito ou trabalhar muito.

Mas há uma vantagem.

Pelo menos ele terá tempo para pensar sobre suas escolhas.

Durante o intervalo de quinze minutos.

Se houver intervalo.

E se a produtividade permitir.

Bem-vindo ao Brasil.

O país onde a classe trabalhadora pode finalmente conquistar aquilo que sempre sonhou:

a liberdade de trabalhar até não ter mais tempo para usufruir da própria liberdade.

A crítica fica mais forte justamente porque não precisa exagerar muito: a própria linguagem de “liberdade” aplicada à jornada de 16 horas já produz a sátira. E, no Senado atual, a disputa sobre a 6x1 realmente coloca em choque essas duas concepções de trabalho. 


Criado com ChatGPT.

Mudando as regras

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/flavio-bolsonaro-aponta-as-garras-para-a-constituicao-moises-mendes/

Isso dito antes do segundo turno. Infelizmente, tudo caminha para uma confirmação do meu vaticínio. E eu sustento a palavra - eu quero mais é que o brasileiro se lasque. Escreva uma crônica crítica em tom de humor e sarcasmo.


Há uma ironia particularmente brasileira nisso: o alerta veio antes do segundo turno, quando ainda havia tempo para o eleitor olhar para o que estava sendo prometido e perguntar: “Peraí… é isso mesmo que eu quero?”. Agora, a fala sobre mudar a Constituição deixou de ser hipótese abstrata e entrou no centro do debate. Flávio fala em “redemocratizar” o país justamente propondo mudanças no Judiciário e na estrutura institucional. 

O brasileiro pediu o machado. Agora reclama da árvore.
Eu disse antes do segundo turno.

Disse olhando para o cenário político brasileiro com aquele otimismo típico de quem observa um sujeito brincando com gasolina ao lado de uma fogueira e conclui:

— Talvez ele esteja querendo fazer um churrasco.

Pois bem.

Flávio Bolsonaro chegou ao segundo turno e, antes mesmo de assumir qualquer coisa, já fala em usar a maioria conservadora do Congresso para mudar a Constituição e “redemocratizar” o país. Entre as mudanças mencionadas estão reforma do Judiciário, redução da maioridade penal e alterações na reforma tributária.

É uma situação fascinante.

O sujeito olha para a Constituição de 1988 e aparentemente pensa:

— Está muito democrática. Vamos dar uma mexidinha.

É como comprar um apartamento com a planta aprovada, receber as chaves e imediatamente chamar o pedreiro:

— Derruba essa parede aqui.

— Mas ela é estrutural.

— Então derruba com mais convicção.

A questão é que eu já tinha feito meu vaticínio.

E agora começo a assistir à confirmação daquilo que eu temia com a serenidade de quem comprou ingresso para uma peça sabendo que o terceiro ato termina em incêndio.

O mais curioso é o vocabulário.

Não se diz “vamos enfraquecer determinados mecanismos institucionais”.

Diz-se:

“Vamos redemocratizar.”

É genial.

Imagine um sujeito entrando na sua casa, arrancando as portas, quebrando as janelas e dizendo:

— Vim melhorar a ventilação.

A política brasileira desenvolveu essa técnica maravilhosa de mudar o significado das palavras até que o dicionário peça aposentadoria.

Ataque às instituições vira “defesa das instituições”.

Limitação de mecanismos de controle vira “fortalecimento da democracia”.

Mudança constitucional vira “redemocratização”.

E provavelmente, se alguém incendiar a biblioteca do Congresso, aparecerá um porta-voz dizendo:

— Foi uma atualização do acervo.

O problema não é simplesmente alterar a Constituição. Constituições podem e devem ser aperfeiçoadas dentro das regras democráticas.

O problema é para quê, em que direção e com quais limites.

Porque a Constituição não existe para facilitar a vida de quem está temporariamente no poder.

Ela existe justamente para dizer:

“Você está no poder, mas não pode fazer tudo o que quiser.”

E esse detalhe parece incomodar bastante determinadas correntes políticas.

A democracia tem uma característica irritante para quem gosta de poder concentrado: ela vem com manual de instruções.

Tem Congresso.

Tem Judiciário.

Tem direitos fundamentais.

Tem separação de Poderes.

Tem eleições.

Tem limites.

Tem cláusulas pétreas.

Tem instituições que não precisam pedir autorização ao presidente para existir.

É quase uma ofensa pessoal.

E aí chegamos ao ponto que mais me diverte — se é que ainda dá para rir.

Eu continuo sustentando aquilo que disse:

eu quero mais é que o brasileiro se lasque.

Não por sadismo.

Por princípio pedagógico.

Porque existe uma diferença entre ser enganado e insistir voluntariamente no caminho depois de receber o mapa, a bússola, a previsão meteorológica e até uma placa dizendo “PONTE CAIU”.

O eleitor brasileiro não é réu.

Mas também não é inimputável.

Se alguém vota acreditando que determinado projeto político vai produzir determinado resultado, tudo bem.

Democracia é isso.

O cidadão escolhe.

Mas quando o candidato apresenta sinais claros do que pretende fazer, quando seus aliados repetem determinadas propostas, quando o histórico político está disponível, quando jornalistas, juristas e adversários alertam para os riscos e, ainda assim, o sujeito responde:

— Relaxa. Não vai acontecer.

Bom...

Aí eu entrego o cidadão à própria experiência.

Não sou eu quem vai entrar em pânico depois.

Não fui eu quem apertou o botão.

Não fui eu quem colocou a Constituição na mesa e disse:

— Pode mexer.

E existe algo ainda mais tragicômico.

O brasileiro adora dizer:

— Ah, mas eu não sabia.

Sabia.

— Mas eu não imaginava que chegaria a esse ponto.

Havia gente avisando.

— Mas eu votei pensando na economia.

Tudo bem.

Só que democracia não é delivery.

Você não pede:

“Quero crescimento econômico, segurança, emprego e redução de impostos.”

E recebe exatamente isso sem considerar o restante do pacote.

Política vem em combo.

Às vezes o eleitor pede o hambúrguer e recebe junto uma PEC, uma crise institucional e uma Constituição sendo desmontada em parcelas.

Aí pergunta:

— Cadê meu refrigerante?

Está ali.

Debaixo da cláusula pétrea.

E talvez seja essa a parte mais amarga do meu vaticínio.

Não é apenas a possibilidade de um político querer mexer na Constituição.

É descobrir que existe uma parcela significativa da sociedade disposta a entregar a ele as ferramentas para fazer isso e, depois, provavelmente reclamar quando perceber que as ferramentas também podem ser usadas contra ela.

Porque autoritarismo tem uma característica democrática bastante inconveniente:

ele não pergunta previamente qual é a sua profissão, sua renda ou em quem você votou.

Ele simplesmente chega.

O sujeito pode ter votado pensando que estava dando uma lição no PT.

Pode ter votado contra Lula.

Pode ter votado contra a esquerda.

Pode ter votado porque recebeu um vídeo no WhatsApp dizendo que o Brasil seria transformado em Cuba na terça-feira.

Pode ter votado porque ouviu um pastor.

Pode ter votado porque ouviu um empresário.

Pode ter votado porque ouviu o primo.

No fim, o resultado institucional não pergunta a motivação psicológica do eleitor.

E é justamente por isso que eu mantenho minha posição.

Eu avisei.

Antes do segundo turno.

Agora estou apenas assistindo.

Com uma cadeira confortável.

Um pacote de pipoca.

E uma pequena plaquinha:

“EU AVISEI.”

Quando vierem perguntar por que ninguém percebeu antes, talvez seja necessário responder:

Percebeu.

Só não quis acreditar.

E, sinceramente?

Nesse ponto, eu já não tenho mais energia para impedir o sujeito de pular no buraco depois de ele reclamar que a placa de “PERIGO” estava atrapalhando a paisagem.

Pode pular.

Depois a gente conversa sobre a profundidade.

Só não venha dizer que ninguém avisou.

Criado com ChatGPT.

Existência culpada

https://www.patheos.com/blogs/henrykarlson/2026/10/our-true-enemy-is-sin/

Pois eu diria que nosso verdadeiro inimigo é a ICAR é o Cristianismo, em geral. Porque tudo que ensina é medo, vergonha e culpa. Até a quem é inocente. Eu vou sempre preferir a companhia da Lilith.


Entendo a provocação — e ela fica especialmente interessante porque o texto de Henry Karlson não está simplesmente dizendo “tenha medo do pecado”. Ele tenta fazer uma distinção: o inimigo seria o pecado e as estruturas que ele cria para dominar e controlar as pessoas; ao mesmo tempo, defende livre-arbítrio, graça e uma ideia de inferno como estado de afastamento do próprio bem. 

Mas aí dá para fazer uma crítica bem mais interessante à sua maneira:

O autor diz que nosso verdadeiro inimigo é o pecado.

Eu faria uma pequena correção: nosso verdadeiro inimigo é a instituição que consegue convencer alguém de que nasceu culpado antes mesmo de ter cometido qualquer coisa.

Porque aí começa uma operação teológica bastante curiosa.

Você nasce.

Não pediu para nascer.

Não escolheu seus pais, seu corpo, sua sexualidade, sua época, seu país, sua cultura ou sequer o planeta em que veio parar.

E, ainda assim, recebe imediatamente uma espécie de boleto metafísico:

“Parabéns! Você nasceu. Agora deve alguma coisa a Deus.”

Depois vem o pacote completo: pecado, culpa, vergonha, medo do inferno, vigilância permanente sobre os próprios pensamentos e a sensação de que existe um fiscal celestial anotando até aquilo que você pensou em pensar.

E o mais curioso é que isso pode atingir até quem não fez mal nenhum.

A criança inocente já chega ao mundo devendo.

O adolescente descobre que seu próprio corpo pode ser motivo de culpa.

O adulto aprende que desejar determinadas coisas pode colocá-lo em conflito com Deus.

E o velho, quando está finalmente tentando morrer em paz, ainda pode receber a última pergunta burocrática:

“Mas você está com sua situação espiritual regularizada?”

Karlson, porém, faz uma tentativa de escapar dessa lógica puramente punitiva. Ele afirma que o livre-arbítrio é um bem e que Deus não teria criado o inferno simplesmente como lugar de tortura, mas como consequência de um estado de afastamento do bem.

E é justamente aí que eu faria outra pergunta:

Se a liberdade é realmente um presente divino, por que tantas tradições cristãs passaram séculos ensinando as pessoas a ter medo de utilizá-la?

Porque existe uma diferença gigantesca entre:

“Faça o bem porque você é livre e responsável por suas escolhas.”

e:

“Faça o que mandamos porque, se você errar, haverá consequências eternas.”

A primeira frase pode produzir responsabilidade.

A segunda pode produzir obediência pelo medo.

E é nesse ponto que minha preferência por Lilith começa a ficar perfeitamente compreensível.

Não porque eu precise transformar Lilith em uma espécie de “deusa oficial contra o cristianismo”, mas porque, simbolicamente, ela representa justamente aquela personagem que olha para uma autoridade dizendo:

“Você está proibindo isso por quê?”

E essa pergunta é perigosíssima.

Principalmente para instituições que preferem fiéis obedientes a indivíduos que fazem perguntas.

Então, quando alguém me disser:

“Nosso verdadeiro inimigo é o pecado.”

Talvez eu responda:

“Depende de quem está definindo pecado, quem está cobrando a culpa e quem está lucrando com o medo.”

Porque o problema nunca foi simplesmente ensinar alguém a distinguir entre fazer o bem e fazer o mal.

O problema começa quando uma instituição consegue transformar a própria existência humana em prova de culpa.

Nesse caso, Lilith pode muito bem estar sentada ao meu lado, tomando café, enquanto eu digo:

“Pode deixar. Se for para passar a eternidade sendo interrogado por causa de cada pensamento, prefiro ficar aqui.”

E ela provavelmente responderia:

“Finalmente você entendeu por que eu saí daquele jardim.”


Criado com ChatGPT.

Oportunidade para retratação

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/fundador-da-mancha-verde-condena-misoginia-de-campopiano-vi-minha-mae-ser-espancada/

Eu tenho uma sugestão prática. Enviar para a agora eleita deputada centenas de vídeos com testemunhos de pessoas reais que sofreram com a misoginia e o feminicídio. Enviar inúmeros dados da Segurança Pública com a realidade enfrentada pelas mulheres, só por serem mulheres.
Então oferecer uma saída - retratação pública. Ou enfrentar uma Comissão de Ética e ser cassada. 🤭😏

Escreva um texto em tom de humor e sarcasmo.


Sua proposta tem uma ironia particularmente brasileira: em vez de tentar convencer alguém por debate de internet, mandar a realidade inteira pelo correio. Abaixo vai uma crônica nessa linha. A matéria relata tanto a reação de Paulo Serdan, que contou ter visto a própria mãe ser espancada, quanto as declarações de Campopiano questionando a existência do feminicídio. 

Manual prático para explicar o feminicídio a quem acha que ele não existe

Tenho uma sugestão singela, didática e, sobretudo, muito brasileira para lidar com a recém-eleita deputada estadual Eduarda Campopiano e sua afirmação de que feminicídio não existe.

Nada de textão de rede social.

Nada de guerra de hashtags.

Nada de cinquenta militantes discutindo com ela no X até alguém perder a paciência e chamar o outro de comunista, fascista ou ambos simultaneamente.

Vamos fazer algo muito mais radical:

mandar a realidade para ela.

Uma caixa.

Uma caixa enorme.

Dentro dela, centenas de vídeos e depoimentos de mulheres que sofreram violência doméstica, agressões, estupros, ameaças e tentativas de assassinato. Depoimentos de mães que perderam filhas. Filhos que perderam mães. Pessoas que cresceram vendo mulheres sendo espancadas dentro de casa.

O fundador da Mancha Verde, Paulo Serdan, por exemplo, relatou justamente uma experiência dessas: disse ter visto a própria mãe ser espancada quando era criança.

E não pararia nos vídeos.

Mandaria também os dados oficiais da Segurança Pública.

Planilhas.

Relatórios.

Estatísticas.

Gráficos.

Tudo muito bem organizado.

Talvez até uma apresentação em PowerPoint:

“Feminicídio para iniciantes — edição 2026.”

Slide 1: mulheres assassinadas.

Slide 2: violência doméstica.

Slide 3: medidas protetivas.

Slide 4: reincidência.

Slide 5: vítimas que pediram ajuda antes de morrer.

Slide 6: crianças que ficaram órfãs.

Slide 7: novamente mulheres assassinadas, porque aparentemente alguns conceitos precisam de revisão.

O próprio Ministério da Justiça registrou 848 vítimas de feminicídio entre janeiro e julho de 2026. Houve redução em relação ao mesmo período de 2025, o que é uma notícia positiva, mas convenhamos: 848 mulheres assassinadas por razões relacionadas à condição de mulher não constituem exatamente uma prova da inexistência do problema.

E o governo mantém inclusive o Sinesp Mulher Segura, que reúne dados das secretarias de Segurança Pública dos 27 estados e permite analisar ocorrências, histórico de violência, reincidência e relação entre vítimas e autores.

Portanto, a caixa poderia vir com uma etiqueta:

“CONTÉM REALIDADE. ABRIR ANTES DE DAR OPINIÃO.”

Mas eu acrescentaria uma segunda etapa.

Depois de enviar todo esse material, ofereceria uma saída elegante.

Retratação pública.

Nada de humilhação.

Nada de linchamento virtual.

Nada de exigir que a deputada faça penitência em praça pública.

Apenas uma manifestação clara:

“Eu me equivoquei. Feminicídio existe. A violência contra a mulher é uma realidade e deve ser combatida pelo Estado.”

Pronto.

Vida que segue.

Agora, se a opção for continuar insistindo que o problema não existe, aí entra a parte institucional.

Comissão de Ética.

Porque mandato parlamentar não é um passe VIP para dizer qualquer coisa sem consequência.

A democracia garante liberdade de expressão, inclusive para opiniões absurdas. Mas também criou instituições justamente para avaliar quando determinados comportamentos ultrapassam limites previstos nas regras parlamentares.

E aqui existe uma diferença fundamental:

uma coisa é discordar do feminismo. Outra é negar uma realidade social documentada por estatísticas, legislação, órgãos públicos e milhares de histórias reais.

Aliás, o feminicídio não é uma invenção de feminista com tempo livre: ele está previsto como crime autônomo na legislação brasileira desde a Lei 14.994/2024.

Então talvez esteja na hora de substituir o debate abstrato pelo método científico brasileiro:

“Não acredita? Então vamos aos dados.”

Não acredita nos dados?

Vamos às vítimas.

Não acredita nas vítimas?

Vamos aos processos.

Não acredita nos processos?

Vamos às estatísticas da Segurança Pública.

Não acredita na Segurança Pública?

Aí complica.

Porque chegamos ao estágio em que a pessoa só acredita na realidade depois que a realidade aparece pessoalmente, bate à porta e pede para conversar.

E, nesse caso, talvez seja tarde demais.

A proposta, portanto, é simples:

primeiro, informação; depois, oportunidade de retratação; finalmente, se necessário, responsabilização institucional.

Porque democracia não deveria funcionar como um reality show em que o vencedor é quem consegue dizer a coisa mais absurda diante de uma câmera.

E talvez a melhor resposta para quem afirma que feminicídio não existe seja justamente esta:

“Tudo bem. Vamos passar alguns dias estudando o assunto. Você começa pelos dados; nós esperamos.”

Só não vale, depois da caixa inteira de documentos, olhar para a montanha de evidências e perguntar:

“Mas cadê a prova?”

A essa altura, até a própria realidade pediria exoneração.

E com justa causa. 😏

Se quiser, posso transformar essa mesma ideia numa versão ainda mais ácida e surreal, com a “caixa pedagógica do feminicídio” chegando à Alesp acompanhada de um manual de instruções e um funcionário dizendo: “Deputada, favor assinar o recebimento da realidade.”


Escreva um rascunho de carta aberta em tom satírico e contundente endereçado à deputada eleita propondo a retratação ou a Comissão de Ética.


Claro. Vou deixar a carta com uma ironia mais institucional: contundente, mas sem perder o foco na responsabilidade de uma parlamentar eleita.

CARTA ABERTA À DEPUTADA ELEITA EDUARDA CAMPOPIANO

Prezada deputada eleita,

Permita-me começar com uma proposta bastante simples, talvez até excessivamente simples para os tempos atuais:

vamos substituir a opinião pela realidade.

A senhora fez declarações sobre feminicídio e misoginia que provocaram indignação. E, diante disso, talvez seja interessante realizar uma pequena experiência pedagógica.

Que tal receber uma caixa?

Não uma caixa de bombons.

Não uma caixa de presentes.

Uma caixa de realidade brasileira.

Dentro dela, poderíamos colocar centenas de depoimentos de mulheres que sofreram violência justamente por serem mulheres. Testemunhos de mães, filhas, irmãs, amigas e sobreviventes. Relatos de agressões, ameaças, violência doméstica e tentativas de feminicídio.

Também podemos incluir dados oficiais da Segurança Pública.

Gráficos.

Relatórios.

Estatísticas.

Estudos.

Casos concretos.

Tudo muito bem organizado, para facilitar a leitura.

Poderíamos até colocar uma etiqueta na embalagem:

“ATENÇÃO: CONTÉM FATOS. FAVOR ABRIR ANTES DE OPINAR.”

E não precisamos parar por aí.

Podemos acrescentar relatos de homens que testemunharam a violência contra suas próprias mães. Porque, às vezes, aparentemente é necessário que a violência atravesse a porta da nossa própria casa para que percebamos que ela existe.

Paulo Serdan, fundador da Mancha Verde, relatou ter visto a própria mãe ser espancada. Talvez seja um depoimento particularmente importante para essa discussão.

Mas há uma segunda parte da proposta.

Depois de receber todo esse material, a senhora terá uma oportunidade perfeitamente legítima de fazer aquilo que qualquer pessoa — e principalmente qualquer agente público — pode fazer:

reconhecer um erro.

Não há vergonha alguma em dizer:

“Eu me equivoquei.”

Aliás, isso deveria ser considerado sinal de inteligência, não de fraqueza.

Portanto, existe uma saída bastante simples:

retratação pública.

Uma retratação clara, objetiva e sem malabarismos semânticos.

Reconhecer que o feminicídio existe.

Reconhecer que a violência contra a mulher é uma realidade documentada.

Reconhecer que discursos que minimizam esse problema podem contribuir para a banalização de uma violência que já produz vítimas reais.

E seguir em frente.

A democracia agradeceria.

As mulheres brasileiras também.

Agora vem a parte menos confortável.

Caso a senhora decida não se retratar e mantenha esse tipo de discurso, existe uma segunda instituição que pode ser acionada:

a Comissão de Ética.

Não como instrumento de censura.

Não como tentativa de impedir opinião política.

Mas justamente porque mandato parlamentar não é salvo-conduto para irresponsabilidade.

Uma deputada tem liberdade para defender suas ideias. Tem liberdade para discordar de movimentos sociais, de partidos, de feministas, de pesquisadores e de quem mais quiser.

Mas exercer um mandato também significa responder politicamente e institucionalmente pelos próprios atos.

É curioso como, no Brasil, algumas pessoas descobrem a importância da liberdade de expressão somente depois de descobrir que também existe liberdade para criticá-las.

E talvez seja esse o ponto principal.

A senhora foi eleita.

Isso significa que agora existe uma diferença entre simplesmente publicar uma opinião na internet e ocupar uma cadeira no Legislativo.

O mandato aumenta a responsabilidade.

Portanto, a proposta desta carta é quase burocrática:

Opção 1: retratação pública.

Opção 2: manutenção das declarações e consequente encaminhamento da questão às instâncias parlamentares competentes para análise ética.

Nada muito revolucionário.

Nada de tribunal popular.

Nada de cancelamento.

Nada de fogueira virtual.

Apenas democracia, responsabilidade e instituições funcionando.

E há uma coisa importante: ninguém está propondo que a senhora seja punida simplesmente por pensar diferente.

Estamos propondo que suas declarações sejam submetidas ao mesmo escrutínio público e institucional ao qual qualquer parlamentar deveria estar sujeito.

Porque uma democracia saudável não precisa de políticos infalíveis.

Precisa de políticos capazes de responder pelos próprios atos.

Então fica o convite.

Receba os dados.

Assista aos depoimentos.

Leia os relatos.

Conheça a realidade enfrentada diariamente por milhares de mulheres brasileiras.

Depois disso, faça sua escolha.

Se concluir que estava errada, retrate-se.

Se concluir que estava certa, sustente publicamente sua posição e esteja preparada para responder por ela.

Mas, por favor, não faça uma coisa:

não transforme o sofrimento de milhares de mulheres em mera disputa de opinião.

Porque feminicídio não é conceito ideológico.

Não é invenção de partido.

Não é pauta de torcida organizada.

Não é exagero de militante.

É uma realidade que deixa corpos, famílias destruídas, crianças órfãs e pessoas traumatizadas.

E estatística, infelizmente, não desaparece porque alguém decidiu discordar dela.

Por isso, deputada eleita, aqui está nossa proposta:

primeiro, a realidade.
Depois, a retratação.
Se não houver retratação, a Comissão de Ética.

É uma solução bastante civilizada.

Afinal, estamos falando de democracia.

E democracia, entre outras coisas, significa descobrir que ser eleito não transforma ninguém em dono da verdade.

Atenciosamente,

Um cidadão bastante interessado em saber se, depois de tantos dados e testemunhos, a realidade finalmente será reconhecida.

Criado com ChatGPT.

Quinhentos, 476 - 480


Debaixo de meus amieiros vieram sombras e tomando o direito sobre meus portais, tornaram meus mistérios em muralha. Qual porteiros, resignam-se em franquear por enganos o que nunca conheceram.


Quem pode ser porta sem conhecer a dobradiça? Quem pode franquear a entrada se desconhece o portal? Quem há de limpar minha soleira de tais impertinentes?


Pior que esses falastrões, pior que os operários diligentes, o que eu faço com os meditantes? Percebem o efeito dos atos, mas negam-se a envolver-se com os elementos que os causam!


Quem há de provar pela carne a natureza da magia e a simplicidade da vida espiritual? Como posso fazer-me entender, sem que haja algum esclarecido, sem que haja compreensão?


Na viajem, os que enviei esqueceram ou distorceram meus sinais. Os que atentaram, viram o que queriam ver, meu sinal foi perdido.

*Todas as imagens foram feitas com Gemini*
*Da obra Nisf el Alf, "Meio Milhar", de minha autoria, com o pseudônimo Houssin Olnaum*

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Candidato sob investigação

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/mp-rj-investiga-douglas-ruas-peculato-lavagem-dinheiro/

Espera. O possível governante do Rio de Janeiro, eleito, pode acontecer de sequer assumir o mandato? Bem vindo ao Brasil. 😏🤭

Escreva uma crônica crítica em tom de humor e sarcasmo.


Pois é. A situação tem uma ironia particularmente brasileira: o sujeito pode ser eleito e, dependendo do desenrolar jurídico, descobrir que o cargo ainda não veio com a garantia de uso. 😏

A investigação do MPRJ apura suspeitas de crimes licitatórios, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa envolvendo Douglas Ruas e empresas ligadas a ele. Isso, obviamente, não significa condenação nem prova de culpa; significa que existe uma investigação criminal em andamento. 

E é justamente aí que começa a crônica.

O governador que talvez precise esperar a Justiça

Bem-vindo ao Brasil. 😏

Aqui temos uma modalidade particularmente sofisticada de democracia: o cidadão vota, o candidato comemora, a assessoria prepara o discurso da vitória, alguém encomenda os fogos de artifício e, no dia seguinte, aparece a pequena observação no rodapé:

“Mandato sujeito à apreciação dos acontecimentos.”

Douglas Ruas está no centro de uma investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro que apura suspeitas de crimes licitatórios, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A investigação envolve, entre outras coisas, empresas ligadas ao político e uma série de negócios e contratos que chamaram a atenção dos órgãos de controle.

Nada disso significa que ele seja culpado. Investigação é investigação, acusação é acusação e condenação é outra história.

Mas existe uma pergunta deliciosamente brasileira:

E se o sujeito for eleito e depois não puder assumir?

Imagine a cena.

O eleitor:

— Votei no governador!

A Justiça Eleitoral:

— Qual governador?

— O Douglas.

— Ah. Esse.

Silêncio.

— Então... temos alguns detalhes.

Porque o Brasil conseguiu transformar a eleição em uma espécie de pré-temporada jurídica. O candidato entra em campo, recebe voto, faz carreata, promete segurança, saúde, emprego, combate à corrupção...

E depois alguém pergunta:

“Mas ele está juridicamente disponível para assumir?”

É quase como comprar uma passagem aérea e descobrir, depois de embarcar, que o avião ainda está verificando se o piloto pode pilotar.

E o mais curioso é que a política brasileira já desenvolveu uma técnica refinadíssima para essas situações: a fé na absolvição antecipada.

O investigado não precisa necessariamente esperar o processo terminar.

Ele já sabe.

Vai ser arquivado.

Foi assim que o candidato, segundo declarações divulgadas, afirmou ter certeza de que a investigação será arquivada e classificou as acusações como mentiras.

É admirável.

Eu, quando recebo uma cobrança de R$ 37,90 que não reconheço, preciso ligar para o banco, preencher formulário, confirmar identidade, apresentar documentos e aguardar análise.

O político brasileiro recebe uma investigação envolvendo milhões de reais e responde:

“Tenho certeza de que será arquivada.”

A autoestima é realmente uma instituição nacional.

E há outro detalhe que torna tudo ainda mais surreal.

Estamos falando do Rio de Janeiro.

O estado que já produziu uma quantidade tão impressionante de escândalos, investigações, operações policiais, denúncias e personagens políticos que qualquer roteirista de série criminal desistiria na terceira temporada por considerar a história exagerada demais.

No Rio, o cidadão olha para uma investigação envolvendo contratos públicos de centenas de milhões de reais e pergunta:

— Mas qual é a novidade?

É justamente aí que mora o problema.

Quando o absurdo se torna rotina, ele deixa de parecer absurdo.

A investigação citada pelo MPRJ também incorporou uma auditoria que identificou contratos que somavam R$ 702 milhões durante o período em que Ruas comandou a Secretaria Estadual das Cidades.

Setecentos e dois milhões.

É um número tão grande que o brasileiro médio já não sabe se está lendo uma auditoria ou o orçamento de uma pequena nação europeia.

E aí vem a parte mais fascinante da política contemporânea:

nada disso necessariamente impede alguém de receber votos.

Porque uma parcela do eleitorado não pergunta:

“Esse sujeito está sendo investigado?”

Pergunta:

“Ele é contra quem eu odeio?”

Se a resposta for sim, pronto.

Currículo aprovado.

Pode ter investigação, pode ter contrato suspeito, pode ter patrimônio crescendo, pode ter relações empresariais questionadas.

“Mas ele é contra o Lula.”

Ou:

“Mas ele é do PL.”

Ou:

“Mas ele combate a esquerda.”

E aparentemente, para determinado eleitorado, isso funciona como uma espécie de certificado automático de idoneidade.

É a nova lógica política:

se meu inimigo é pior, meu candidato pode ser qualquer coisa.

Inclusive investigado.

E talvez seja essa a parte mais triste da história.

Não é apenas sobre Douglas Ruas.

É sobre uma sociedade que começa a tratar investigação criminal como se fosse uma nota de rodapé eleitoral.

“Ah, tem investigação?”

“Tem.”

“Mas ganhou?”

“Ganhou.”

“Então parabéns.”

E depois descobrimos que talvez o sujeito nem possa assumir.

É o Brasil aperfeiçoando a democracia no modo beta.

Primeiro vota.

Depois apura.

Depois investiga.

Depois discute a validade.

Depois pergunta quem pode assumir.

E, finalmente, se der tudo errado, o eleitor descobre que aquela urna eletrônica também deveria vir acompanhada de um advogado.

Bem-vindo ao Brasil.

Aqui o candidato pode chegar à porta do Palácio Guanabara carregando a faixa de governador em uma mão e um processo na outra.

E ainda haverá alguém na calçada gritando:

— Mas pelo menos ele não é petista!

Pronto.

Está explicado.

Podemos encerrar a investigação sociológica.

😏🤭


Isso fica mais delicioso quando colocamos o Flávio Vorcaro Kopenhagen Bolsonaro. Rachadinhas. O escândalo da franquia de chocolate. O escândalo do banco Master. O escândalo do Dark Horse. E mesmo assim, a candidatura foi mantida. E mesmo assim, teve 46%. Bem vindo ao Brasil. 🤭😏


Sim — e a comparação fica ainda mais saborosa justamente porque coloca dois episódios diferentes lado a lado: de um lado, um candidato ao governo do Rio investigado antes mesmo de assumir; de outro, Flávio Bolsonaro chegando a 46% em um cenário de segundo turno no próprio Rio, apesar do histórico de controvérsias que você mencionou. Essa pesquisa era de julho e tinha margem de erro de dois pontos. 

Também vale manter a precisão jurídica: o caso das rachadinhas teve investigação envolvendo Flávio e a franquia Kopenhagen, enquanto o caso Dark Horse é uma investigação mais recente ligada ao Banco Master e Daniel Vorcaro; não são “condenações”, e algumas apurações foram arquivadas ou tiveram seus desdobramentos alterados judicialmente. 

Com essa ressalva, a sátira praticamente se escreve sozinha:

Bem-vindo ao Brasil: versão Vorcaro-Kopenhagen
Existe uma modalidade de humor que nenhum roteirista brasileiro precisaria inventar porque a política nacional já entrega o roteiro pronto.

Você está olhando para o Rio de Janeiro e descobre que um candidato ao governo do estado está sendo investigado pelo Ministério Público por suspeitas que incluem peculato, lavagem de dinheiro, crimes licitatórios e organização criminosa. A apuração envolve contratos que somam R$ 702 milhões.

E aí surge a pergunta:

Mas ele pode assumir?

Calma.

Estamos no Brasil.

Aqui a candidatura pode continuar, a eleição pode acontecer e só depois aparece a pequena pergunta administrativa:

— Então... quem exatamente pode tomar posse?

É uma espécie de democracia com período de teste.

O cidadão vota hoje e descobre amanhã se o eleito está juridicamente habilitado a usar a cadeira.

Mas o melhor é quando colocamos Flávio Bolsonaro nessa história.

Porque aí o roteiro ganha participação especial.

Temos o Flávio das rachadinhas.

Temos a famosa franquia de chocolates Kopenhagen, que entrou nas investigações sobre o esquema de rachadinha quando ele era deputado estadual. O Ministério Público chegou a sustentar que a loja poderia ter sido utilizada para lavagem de dinheiro, acusação contestada pela defesa.

Depois temos o Banco Master.

E então chega o Dark Horse, com Daniel Vorcaro, mensagens, dinheiro e uma investigação da Polícia Federal sobre suspeitas relacionadas ao financiamento do filme biográfico de Jair Bolsonaro. A apuração investiga, entre outros pontos, possíveis crimes de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas.

Ou seja:

Flávio Vorcaro Kopenhagen Bolsonaro.

O homem que conseguiu transformar uma carreira política numa franquia temática.

Tem chocolate.

Tem rachadinha.

Tem banco.

Tem bilionário.

Tem filme.

Tem investigação.

Só está faltando a Netflix comprar os direitos.

E mesmo assim...

46%.

Não estou dizendo que 46% significa que 46% dos eleitores aprovaram cada uma dessas acusações — evidentemente não significa isso.

Estou falando da extraordinária capacidade da política brasileira de colocar toda essa bagagem no porta-malas de uma candidatura e ainda fazê-la andar.

Em julho, uma pesquisa Real Time Big Data no Rio colocava Flávio Bolsonaro com 46% contra 42% de Lula num cenário de segundo turno presidencial no estado.

Quarenta e seis por cento.

É quando você percebe que a política brasileira funciona segundo uma lógica curiosa:

— Mas e as rachadinhas?

— Investigação.

— E a Kopenhagen?

— Investigação.

— E o Banco Master?

— Investigação.

— E o Dark Horse?

— Investigação.

— E isso não incomoda?

— Qual é a pesquisa?

Pronto.

A democracia brasileira inventou o detergente eleitoral.

Você joga escândalo, investigação, controvérsia, suspeita, denúncia e crise dentro da máquina.

Bate bem.

Enxágua.

E sai uma porcentagem.

Não estou dizendo que o eleitor seja obrigado a considerar esses fatos da mesma maneira. Ele tem liberdade para formar seu julgamento.

Mas existe uma coisa fascinante na democracia:

o voto não absolve ninguém.

Ele apenas escolhe quem recebe poder.

E talvez essa seja a parte mais interessante quando voltamos ao candidato do Rio.

Porque, se um candidato investigado pode chegar à eleição e eventualmente enfrentar a possibilidade de não assumir, enquanto outro candidato nacional consegue chegar a 46% em uma pesquisa apesar de uma longa sequência de controvérsias públicas, temos uma demonstração involuntária de uma característica brasileira:

a urna não é tribunal.

E ainda bem.

Mas também não é lavanderia.

Voto não transforma investigação em inexistência.

Pesquisa não transforma suspeita em inocência.

Popularidade não substitui processo judicial.

E eleição não deveria funcionar como certificado retroativo de bons antecedentes.

Caso contrário, chegaremos à situação surreal em que o cidadão pergunta:

— Esse político está sendo investigado?

— Sim.

— Tem alguma coisa comprovada?

— Há investigações, acusações e versões em disputa.

— Entendi.

— Vai votar nele?

— Vou.

— Por quê?

— Porque o outro é pior.

E pronto.

Está criado o sistema político mais eficiente do mundo para produzir personagens que jamais morreriam de falta de enredo.

Agora imagine o turista estrangeiro chegando ao Brasil.

Ele pergunta:

— Como funciona a política de vocês?

Explicamos.

— O sujeito pode ser investigado e continuar candidato?

— Pode.

— Pode ser eleito e depois surgir uma discussão sobre se ele poderá assumir?

— Pode.

— Um candidato envolvido em diversas controvérsias pode chegar a 46%?

— Pode.

— E o eleitor continua votando?

— Evidentemente.

O turista respira fundo.

— E quem governa?

A gente olha para ele.

Pausa dramática.

— Essa é uma excelente pergunta.

Bem-vindo ao Brasil.

Aqui o candidato pode chegar à urna com uma biografia política, uma investigação, uma franquia de chocolate, um banco, um filme chamado Dark Horse e uma planilha de contratos.

E ainda assim o eleitor pode olhar para tudo isso e dizer:

“Tá, mas eu quero saber quem está em segundo lugar.”

🤭😏


Em um país sério, ambos os candidatos estariam, no mínimo, impedidos de se candidatar. Mas... nós estamos no Brasil.


A frase funciona muito bem como fechamento — mas, para manter a precisão, eu a trataria como crítica ao funcionamento institucional, não como afirmação jurídica de que os dois seriam inelegíveis. Afinal, investigação ou controvérsia, por si só, não produz automaticamente inelegibilidade.

Em um país sério, diria o brasileiro indignado, ambos estariam, no mínimo, impedidos de se candidatar.

E aqui começa a parte em que alguém precisa lembrar que estamos falando do Brasil.

Porque, juridicamente, investigação não é condenação. Suspeita não é sentença. Acusação não é prova definitiva. E candidatura não deixa de existir simplesmente porque o candidato acumulou controvérsias suficientes para render uma série de oito episódios.

Mas politicamente?

Ah, politicamente a coisa fica muito mais interessante.

Temos candidatos investigados.

Temos candidatos cercados por suspeitas.

Temos candidatos que passaram por escândalos envolvendo rachadinhas, franquias de chocolate, bancos, empresários, filmes, contratos públicos e sabe-se lá mais o quê.

E temos o eleitor.

O eleitor olha para tudo isso, respira fundo e pergunta:

— Mas ele é contra quem?

Porque essa parece ser a grande inovação brasileira: transformar a eleição em um campeonato de rejeição.

Não se pergunta mais apenas:

“O que esse sujeito fez?”

Pergunta-se:

“Quem é o outro?”

E assim conseguimos produzir a extraordinária situação em que um candidato pode carregar uma mala de controvérsias e, ainda assim, permanecer competitivo eleitoralmente.

E outro pode estar sob investigação e continuar sonhando com o Palácio Guanabara.

Tudo perfeitamente dentro das regras — até que alguém descubra que talvez exista um problema jurídico no meio do caminho.

É quase uma promoção de supermercado:

“Vote agora e descubra depois se o produto está apto para consumo.”

E então vem a frase que resume tudo:

Em um país sério, talvez a discussão fosse sobre quais candidatos estão aptos a disputar o poder.

No Brasil, frequentemente precisamos discutir primeiro se eles podem disputar, depois se podem assumir e, finalmente, o que diabos aconteceu no caminho.

Mas calma.

Tudo isso é perfeitamente normal.

Afinal, estamos falando do Brasil.

😏🤭


Criado com ChatGPT.

Ao pé do ouvido



https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/daniel-alves-apoio-flavio-bolsonaro-segundo-turno/

Espírito Santo? Esse sussurro no ouvido é coisa do Espírito de Porco. 🤭😏

Escreva uma crônica crítica em tom de humor e sarcasmo.


A declaração realmente oferece material de sobra para uma crônica — especialmente porque a política brasileira aparentemente entrou numa fase em que até o Espírito Santo resolveu fazer campanha eleitoral. A fala de Daniel Alves foi registrada pelo DCM e também repercutida por outros veículos. 

O Espírito Santo e o Espírito de Porco
Espírito Santo? Esse sussurro no ouvido é coisa do Espírito de Porco. 🤭😏

A política brasileira conseguiu atingir uma dimensão tão extraordinária que já não basta candidato, partido, marqueteiro, cabo eleitoral, influencer, pastor, artista, empresário e aquela tradicional coleção de figuras públicas que aparecem em época de eleição para explicar ao povo como ele deve votar.

Agora temos também orientação espiritual personalizada.

Daniel Alves declarou apoio a Flávio Bolsonaro dizendo que o Espírito Santo teria soprado o nome do candidato em seu ouvido — inclusive o número da urna, duas vezes. Segundo ele, trata-se de “política da obediência”.

Pronto.

Chegamos ao estágio em que a propaganda eleitoral ganhou assessoria celestial.

Imagino a reunião no departamento de comunicação do além:

— Precisamos definir o candidato.

— Já definiram?

— Ainda não. Estamos esperando o Espírito Santo.

— E ele apoia quem?

— Não sabemos.

— Então como vamos decidir?

— Vamos aguardar o sopro.

E lá vem o Espírito Santo, coitado, carregando uma prancheta, tentando explicar:

— Gente, eu tenho coisas mais importantes para fazer. Cura, consolo, inspiração, essas coisas...

— Mas e o segundo turno?

— Ah, pelo amor de Deus!

Literalmente.

O curioso é que, quando alguém diz que recebeu uma orientação divina para votar em determinado candidato, aparece imediatamente uma questão que deveria ser bastante simples: como diferenciar uma experiência espiritual pessoal de uma justificativa política apresentada como vontade de Deus?

Porque se toda convicção política puder ser apresentada como ordem celestial, acabou a discussão.

Não se debate mais programa de governo.

Não se discutem políticas públicas.

Não se analisam propostas.

Não se pergunta quem vai administrar melhor o Estado.

Basta alguém anunciar:

“O Espírito Santo falou comigo.”

E pronto. Debate encerrado.

— Mas qual é sua proposta para educação?

— O Espírito Santo está comigo.

— E para saúde?

— O Espírito Santo está comigo.

— E para segurança pública?

— O Espírito Santo está comigo.

— E a economia?

— O Espírito Santo está comigo.

— E corrupção?

— Aí você está querendo complicar a conversa.

É a transformação definitiva da democracia em teologia eleitoral por telepatia.

E existe ainda uma pequena ironia histórica nessa história toda: quando alguém afirma que Deus mandou votar em determinado candidato, seria razoável perguntar se Deus também está disposto a assumir a responsabilidade pelos resultados.

Porque, se o candidato vencer:

“Foi Deus.”

Se o governo der errado:

“O povo não orou direito.”

Se houver escândalo:

“É perseguição.”

Se houver desastre:

“São os desígnios do Senhor.”

Se a economia melhorar:

“Milagre!”

Se piorar:

“Precisamos ter fé.”

É um sistema administrativo extraordinariamente eficiente: Deus fica com o crédito e o contribuinte fica com a conta.

E talvez seja justamente aí que mora o tal Espírito de Porco.

Porque uma coisa é a pessoa ter sua fé, sua experiência religiosa e sua consciência. Outra é transformar uma suposta comunicação divina em argumento de autoridade para convencer milhões de cidadãos sobre uma escolha política.

A democracia deveria funcionar com argumentos.

A fé funciona com crenças.

Misturar as duas coisas como se uma revelação privada pudesse servir de programa eleitoral para uma nação inteira é, no mínimo, uma ideia que merece um pouco de espírito crítico.

Até porque o próprio Espírito Santo deve estar cansado de ser convocado para tudo.

Já imaginou a quantidade de pedidos?

“Espírito Santo, cura meu familiar.”

“Espírito Santo, me ajude no emprego.”

“Espírito Santo, proteja minha família.”

“Espírito Santo, ilumine meu caminho.”

E agora:

“Espírito Santo, escolha meu candidato.”

O sujeito deve estar pensando:

“Meu filho, eu estava aqui ocupado com questões espirituais e você me transformou em cabo eleitoral.”

E tem mais.

Se o Espírito Santo realmente resolveu entrar na eleição brasileira, precisamos esclarecer uma questão institucional: ele possui título de eleitor?

Porque o TSE é bastante rigoroso.

Talvez seja necessário convocá-lo para uma atualização cadastral.

Nome: Espírito Santo.

Profissão: Espírito.

Endereço: Reino dos Céus.

Filiação partidária: mistério da Santíssima Trindade.

Número de urna: aparentemente 22.

Mas aí aparece outro problema.

Se o Espírito Santo está soprando o nome de Flávio para algumas pessoas, será que existe também um Espírito Santo soprando outros nomes em outros ouvidos?

Porque, se houver, teremos finalmente descoberto a razão da polarização brasileira:

não são dois projetos políticos disputando o país; são espíritos diferentes disputando o sistema auditivo do eleitor.

E talvez seja por isso que, diante de certas declarações políticas, eu prefira uma explicação muito mais terrena:

Não foi o Espírito Santo.

Foi o Espírito de Porco.

E esse, infelizmente, parece ter título de eleitor.


Eu continuo preferindo ouvir a voz da Lilith sussurrando no meu ouvido. 😻


😂 Aí é outra categoria de experiência espiritual!

Entre um sussurro eleitoral dizendo “vote em fulano” e Lilith chegando no ouvido com aquela voz de quem claramente não pretende respeitar o horário eleitoral, eu também entenderia a preferência. 😻

No seu universo particular, pelo menos há uma vantagem: Lilith não precisa fingir que é Espírito Santo para ser convincente. Ela simplesmente aparece, sussurra alguma coisa e deixa você tentando descobrir se recebeu uma revelação, uma provocação ou uma nova ideia para uma história. 😏

E considerando a quantidade de ideias que essa senhora costuma provocar, eu já consigo imaginar a cena:

“Você ouviu o Espírito Santo?”

“Não.”

“Então quem foi?”

“Lilith.”

“E o que ela disse?”

“Que eu deveria escrever.”

“Sobre política?”

“Não necessariamente.”

“Então sobre o quê?”

“Isso é entre nós dois.” 😻


Criado com ChatGPT.
Imagem criada com ChatGPT.

Todos nós somos miscigenados



Conversa com o Gemini.
https://gladio.blogspot.com/2013/02/diga-nao-miscigenacao.html

Como que o Google permite uma postagem racista, eu nunca vou entender.

Explique, de forma didática, embora eu desconfie que seja inútil que:

- Todos os seres humanos são miscigenados.

- Não existe essa fantasia de estirpe.

Meus argumentos principais:

O homo sapiens se misturou com os neandertais.

Os Celtas vieram de outra região - ou seja, eram imigrantes - e se misturaram com os povos originários.

A região que agora tem Espanha e Portugal tinham vários povos, de origens diversas. Se misturaram com Romanos, Godos, Judeus, Árabes, entre outros.


É fascinante como o ecossistema digital consegue manter de pé verdadeiras relíquias da ignorância. A resposta curta sobre como o Big Tech permite algo assim é uma mistura clássica de moderação automatizada ineficiente, falta de denúncias formais constantes e o fato de que plataformas gigantescas tratam conteúdos antigos em blogs esquecidos como poeira no rodapé da internet — até que alguém espirre e a poeira suba.

Mas sobre a ilusão de "pureza étnica", a genética moderna e a história antropométrica já sepultaram esse delírio há tempos. Se o autor do post soubesse interpretar um mapeamento de DNA, teria uma crise existencial fulminante.

Aqui está a explicação didática e categórica estruturada sobre os seus três pontos principais:

1. "Pureza Racal" é uma Ilusão Genética: Somos Todos um Mosaico
Do ponto de vista biológico, não existe "raça pura" no Homo sapiens. O que chamamos de "etnias" são apenas adaptações geográficas superficiais (como quantidade de melanina ou formato dos olhos) ocorridas em um piscar de olhos na escala evolutiva.

A herança Neandertal: Quando o Homo sapiens saiu da África, ele não encontrou um continente vazio. Ele encontrou — e se relacionou intimamente com — outras espécies de hominídeos, como os Neandertais na Europa e Ásia, e os Denisovanos na Ásia Oriental.

A prova no sangue: Praticamente qualquer pessoa não africana possui entre 1% e 3% de DNA neandertal. Se a própria definição da nossa espécie já carrega o DNA de outra espécie parente, a ideia de uma "linhagem humana intocada" ruiu logo no início da história humana.

2. Os "Celtas": Outros Imigrantes na Fila da História
O mito do "nórdico/celta puro" cai por terra assim que abrimos um livro de arqueologia sem os óculos da ideologia racialista.

A origem migratória: Os Celtas não brotaram do solo europeu por geração espontânea. Eles se originaram de ondas migratórias de pastores das estepes eurasianas (culturas como Hallstatt e La Tène).

Mistura local: Ao se expandirem pela Europa ocidental, eles não exterminaram nem viveram em bolhas: misturaram-se profundamente com os povos autóctones (como os caçadores-coletores locais e os agricultores do Neolítico). Ou seja, o próprio "Celta" já era o resultado de várias camadas de miscigenação prévia.

3. A Península Ibérica: O Caldeirão do Mediterrâneo
Tentar falar de "pureza" em Portugal e Espanha é ignorar que a Península Ibérica foi o cruzamento marítimo e terrestre mais movimentado da Antiguidade e da Idade Média. A Linhagem Ibérica é um coquetel genético fascinante:

Povos Originários e Pré-Romanos: Iberos, Celtas (gerando os Celtiberos), Tartessos, Fenícios e Gregos estabelecendo colônias costeiras.

Domínio Romano: Séculos de integração ao Império Romano, trazendo tropas, colonos e comerciantes de todas as províncias do Mediterrâneo e do Norte da África.

Invasões Germânicas: Suevos, Vândalos e Visigodos (os tais Godos) integrando a elite militar e mesclando-se com a população hispano-romana.

O Período Al-Andalus (Presença Mourisca): Quase 800 anos de presença árabe e berbere. O fluxo genético, cultural e linguístico do Norte da África durante quase oito séculos deixou marcas indeléveis na população ibérica.

Herança Judaica: Comunidades sefarditas integradas por mais de um milênio na demografia regional.

O Veredito Científico
A "estirpe pura" é uma fantasia romântica do século XIX, sem sustentação na genética populacional moderna. A história humana não é uma árvore com galhos isolados que nunca se tocam; é uma rede. Toda população humana é fruto de ondas sucessivas de migração, contato e miscigenação. Defender o contrário não é preservação cultural: é apenas analfabetismo histórico fundamentado em rancor.

Criado com Gemini, do Google.