sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Visibilidade vs Hegemonia

Conversa com o Gemini:

https://www.terra.com.br/diversao/velvet/matheus-nachtergaele-explica-fim-da-sigla-lgbtqia-provavelmente-o-h-de-heterossexual-estara-acrescentado,b83dca69f2bbc1e93457ddc9cf66a4f9boecjtts.html

Isso é uma piada? Por que tem que ser acrescentado o heterossexual? Esse é o padrão dominante.

O ator fez um comentário infeliz.

Comente.

Entendo perfeitamente o seu desconforto. Como alguém que se identifica como um escritor herege e defende ativamente a educação sexual inclusiva e a liberdade, ver uma declaração dessas pode soar como um retrocesso ou um apagamento das lutas históricas.

O comentário de Matheus Nachtergaele, embora venha de um ator respeitado e que faz parte da comunidade, toca em um ponto muito sensível da teoria de gênero e do ativismo.

O Contexto da Fala

Na entrevista, Nachtergaele sugere que, no futuro, a sigla deixará de existir para dar lugar a uma compreensão de que todas as orientações são apenas variantes do desejo humano. A ideia dele é que, ao incluir o "H", a heterossexualidade deixaria de ser o "padrão invisível" (a norma) para se tornar apenas mais uma letra entre tantas, teoricamente acabando com a hierarquia.

Por que isso é problemático?
A sua crítica faz todo o sentido por alguns motivos fundamentais:

O "Padrão Dominante": A sigla LGBTQIAPN+ não é um clube social, mas um instrumento político de visibilidade para grupos que sofrem violência e marginalização. Incluir a heterossexualidade (que detém a hegemonia social, jurídica e religiosa) descaracteriza o propósito de proteção e resistência da sigla.

Falsa Simetria: Sugerir que todos são "iguais" na sigla ignora que heterossexuais não são expulsos de casa, agredidos na rua ou discriminados em templos religiosos por sua orientação.

Esvaziamento Político: Quando "todo mundo é especial", ninguém é prioridade. Em um país como o Brasil, que lidera rankings de violência contra pessoas trans e homossexuais, diluir a sigla pode ser perigoso para as políticas públicas específicas.

Uma Visão Crítica

Muitos teóricos e ativistas concordam com você: o comentário parece ignorar a realidade material da opressão. Enquanto vivermos em uma sociedade onde a intolerância (seja sexual ou religiosa, como você bem pontua em sua trajetória) é a regra, os símbolos de resistência precisam ser preservados.

A ideia de uma "humanidade única e livre" é um ideal poético bonito, mas, no momento presente, soa como um idealismo que ignora as cicatrizes de quem ainda luta para ser aceito.

Gostaria que eu pesquisasse se houve alguma repercussão ou resposta de movimentos sociais a essa declaração específica do ator?

Teve alguma repercussão?

A repercussão dessa fala específica (de que o "H" de heterossexual deveria ser incluído na sigla) foi mista, mas seguiu um padrão comum em declarações de figuras públicas sobre esse tema: polêmica nas bolhas de ativismo e celebração em setores que defendem um "humanismo universal".

Aqui está como o debate se dividiu:

1. Críticas de Ativistas e Teóricos de Gênero

Muitos ativistas apontaram que a fala de Nachtergaele, embora bem-intencionada em seu desejo de "união", ignora a função política da sigla. Os principais pontos de crítica foram:

Visibilidade vs. Hegemonia: A sigla existe para dar visibilidade a quem é marginalizado. O heterossexual já é o padrão em todas as instâncias (leis, religiões, comerciais de TV, estrutura familiar). Incluí-lo seria como criar um "Dia do Orgulho de Quem Não Sofre Preconceito".

A "Paz" Prematura: Críticos argumentam que o ator fala de uma posição privilegiada (um artista branco, famoso e respeitado), o que permite a ele sonhar com um mundo sem rótulos. No entanto, para uma mulher trans na periferia ou um jovem expulso de casa por ser gay, os "rótulos" são necessários para exigir direitos e proteção do Estado.

2. A Visão do Ator (O "Pós-Identitarismo")

Matheus Nachtergaele tem defendido em várias entrevistas (como ao programa Provoca e ao portal Terra) que ele se sente "preso" por definições. Ele se identifica como bissexual, mas já disse que "se arrepende de ter tentado se definir".

A defesa dele pelo "H" vem de uma linha filosófica chamada pós-identitarismo.

Para ele, enquanto separarmos a humanidade em "nós" (LGBT+) e "eles" (Héteros), o preconceito continuará existindo através da separação.

Ele acredita que, ao colocar todos na mesma sigla, a heterossexualidade seria "desnaturalizada" — deixaria de ser o "normal" para ser apenas "mais uma forma de amar".

3. Repercussão na Mídia e Redes Sociais

Nas redes sociais, o comentário foi recebido com ironia por muitos usuários, que compararam a sugestão à ideia do "Dia da Consciência Humana" em oposição ao "Dia da Consciência Negra". A frase foi vista por muitos como "foda-se a política, vamos todos nos amar", o que, na prática, não resolve a violência física e institucional que a sigla combate.

Minha análise: Como você é um escritor que preza pela liberdade e pelo combate à intolerância, é provável que veja nessa fala um perigo de esvaziamento. Se a sigla se tornar "todos nós", ela perde o poder de apontar quem está sendo morto e por quem. É a diferença entre a utopia (o que queremos para o futuro) e a política (o que precisamos para sobreviver hoje).

Criado com Gemini, do Google.

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