“A questão surge
frequentemente: "O que torna alguém falso ou um farsante?" O conceito
de "pink-wiccano" é similar ao "twinkie" [bolo recheado
conhecido no Brasil como "Ana Maria"-NT] tal como é usado nas
comunidades indígenas americanas: uma pessoa que brinca com práticas
espirituais ou leva a sério suas práticas mas segue mais a estereótipos do que
a informação real”.
Trecho do meu texto Classe 101
de wiccanice de 25 de abriul de 2009. Na época, eu tive que utilizar o Oráculo
Virtual [Google] para encontrar alguma referência para a palavra “twinkie”,
para encontrar uma tradução adequada, mas mantive o original e inseri uma nota
explicativa.
“A Mystic Fair é o Polishop da
espiritualidade alternativa. Um espaço onde se encontram diversos produtos e
serviços. Todo está acessível, consumível, descartável. Um espaço marcado pelo
esoterismo de conveniência. Esqueça qualquer sentido de espiritualidade, o que
vale é o Deus Mercado. E Viva o esoterismo prêt-à-porter”.
Trecho do meu texto Um herege
na Bruxaria Gourmet de 16 de dezembro de 2015. Os textos são semelhantes ao se
falar em espiritualidade de conveniência, onde eu cunhei o conceito de
Esoterismo Seven Eeleven.
“Eu acho uma reação exagerada e
apaixonada. Afinal, entre nós não faltam grupos e pessoas que se assenhoram dos
Nomes para seu merchandising. E não faltam brigas entre nós sobre direitos autorais.
Eu desisti de defender os princípios e valores da Wicca Tradicional porque o
Esoterismo Seven-Eleven é uma empresa maior e mais poderosa do que a Disney”.
Trecho do meu texto Quando Loki
encontra Loki de 9 de julho de 2021. Outra palavra que eu cunhei foi Wilka S/A,
que também é conhecido por “neo-wicca”, “pop-wicca” ou “wicca americanizada”, que
eu utilizei em diversos textos analisando como o esoterismo [bem como o
Paganismo e a Wica] se tornou mais um produto de conveniência.
Lendo outros tópicos no
Patheos, na coluna Nonreligious, na seção Rool to Disbelief, da Captain Cassidy,
eu encontrei o termo “zinger” como um tipo de comportamento frequentemente
visto entre cristãos [padres, pastores ou pessoas comuns] apologéticos. Ela
cita o “Dr” Nerdlove e a síndrome de “oneitis”.
Traduzindo a definição do Nerdlove:
“Oneitis é uma doença comum
entre nerds, especialmente nerds que são relativamente inexperientes com
relacionamentos. Ao contrário de muitas aflições semelhantes, a oneitis pode
ser encontrada igualmente entre homens e mulheres, entre homossexuais e
heterossexuais. E para desespero de todos ao redor da vítima, os casos de oneitis
podem durar anos.
Oneitis, para ser franco, é uma
paixão que saiu do controle e se transformou em algo que é uma obsessão
limítrofe. Quem sofre de oneitis fica obcecado por uma pessoa e acredita que
ninguém mais no mundo poderia se comparar a quão perfeitos eles são”.
[https://www.doctornerdlove.com/oneitis/all/1/]
Traduzido com o Google Tradutor. O interessante é que o Google Tradutor sugeriu
“oníte” para traduzir “oneitis”.
Enfim, o que temos é uma
obsessão amorosa por uma pessoa [ou por uma ideia, ou por um objeto] no qual
aquele [ou aquela], em seu delírio amoroso, acha incompreensível não ser
correspondido, ou, no caso dos cristãos apologéticos, não aceitam que a pessoa
[ou ideia/objeto] amada não tem o mesmo apreço das demais pessoas, então ele
[ou ela] se dispõe a empreender essa missão [afinal, cristãos tem o dever de espalhar
a Boa Nova, o que constitui o cerne do proselitismo] de convencer [converter]
todas as pessoas para sua paixão obsessiva.
Conhecendo o comportamento dos
cristãos como eu conheço e observo, sobretudo os expressos por padres e
pastores [com menção honrosa aos televangelizadores], eu concordo com a Captain
Cassidy sobre a síndrome do oneísmo [eu vou utilizar esse termo por conta e
risco meu] nos cristãos.
O caro e eventual leitor
inteligente vai perguntar: qual a relação entre o esoterismo de conveniência e
bolos industrializados?
Eu encontrei uma reflexão
interessante, na coluna Latter Day Saint, na seção Benjamin the Scribe, do Ben Spackman:
“O que são twinkies teológicos?
Coisas leves e fofas que parecem comida, mas não nutrem realmente”.
Eu encontrei mais essa
reflexão, na coluna Latter Day Saint, na seção Faith Promoting Rumor, do TT
[?]:
“O twinkie espiritual foi
amplamente criticado como um item inútil de nutrição espiritual, trazendo
apenas uma satisfação temporária, as falhando em construir uma dieta sólida”.
Isso nos remete ao conteúdo de
um produto industrializado e o modo de produção capitalista. Atualmente, o
mercado nos oferece “opções” de alimentos “orgânicos” não porque estão
preocupados com nossa saúde e alimentação, mas porque o mercado, a produção e a
economia tem que acompanhar as tendências e preferências do consumidor.
Como eu estudei propaganda e
marketing, eu tenho alguma noção de como se concebe um produto. O produto tem
que ser possível de ser produzido em larga escala e inevitavelmente muitos
materiais são sintéticos ou artificiais. Só recentemente as empresas de
alimentos tiveram a preocupação em diminuir a quantidade de sal, açúcar e
outros ingredientes químicos nas fórmulas de seus produtos. Mas o produto
continua sendo padronizado e tende a ser kitsch, ou seja, o produto passa por
alterações para que pareça com algo que não é.
O mesmo, aplicado para a
cultura esotérica e mística, pode ser visto no comércio esotérico, onde se pode
encontrar qualquer tipo de produto, conforme a conveniência do cliente, sem
qualquer consideração à essência daquilo que se pretende oferecer, sem qualquer
consideração à cultura/povo/religião de onde o objeto se originou. Com isso,
fica claro o porquê eu cunhei o conceito de esoterismo de conveniência e
inventei essa empresa chamada Esoterismo Seven Eleven.
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