quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Terceira sagração

Aula
Hino do Lobo às ovelhas

Venham todas, sem demora,
Mesmo a menor e tímida.

O pastor está morto,
Foi derrubada a trave do cercado.

Não temam explorar a pradaria,
Sintam o gosto do horizonte
E a força da liberdade.

Eu as ensinarei estas coisas,
De que fonte beber;
De que fruto comer
E todos os caminhos.

Conhecerão seus corpos
E conhecerão o meu.

Poderão aproveitar a vida
E saborear este festim.

Eu as farei tocar
Em seu íntimo divino
E as farei dançar
Em meu externo mundano.

Receio
Hino das ovelhas ao Lobo

Bom senhor e conhecedor,
Tenha calma e paciência,
Sabemos e sentimos sua verdade,
Mas ainda tememos e receamos!

Vivemos por muito tempo,
Vendo o mundo por uma fresta,
Suportando o peso da lei fria
E recebendo um amor sem paixão.

Agora sabemos e percebemos,
Que possuímos corpo e desejo,
Que isso é natural
E, portanto, divino.

Faça-nos conhecer,
Estes deuses da natureza,
Que bendiz e honra sua gente.

Queremos conhecer,
 O toque sagrado
E, como as vestais,
Sermos inundadas.

Nos mostre como nos elevar
E nos eleve em ti.

Aceitamos este acordo,
Tu te nutres de nós
E nós nos completamos em ti.

Consolo
Hino dos deuses às ovelhas

Não vos envergonheis!
Mais vergonhoso foi o pastor
Que, fazendo papel de deus,
As manteve em um curral!

Muitos são os gados,
Tanto quanto os feitores,
Mas mesmo o terrível juiz
Deve obedecer a lei!

Aquele que escreve a norma,
Põe a si mesmo sob juramento,
Mas a lei que não se escreve
E, entretanto, é observada naturalmente,
Mais forte que o poder
E o medo do castigo,
Esta é a lei do Universo.

Amor como nome,
União como forma.
Os deuses em carne existem,
Os humanos em espírito vivem.

Então, recebam as dádivas divinas
E aproveitem as ofertas mundanas,
Nós nos fazemos presente em vós
Quando em vós se fizer presente o Lobo.

Conselho
Hino dos deuses ao Lobo

Bom e fiel guerreiro!
Tomai essas ovelhas
E as conduza pelas pradarias.
As alivie do remorso
E evite o rancor.

O pastor é digno de esquecimento.
Nós somos bem servidos,
Com sua força e língua,
Teu corpo satisfaz as deusas.

Você é a lei natural manifesta,
Seu nome é grande entre os homens
E sua figura temida entre os deuses.

Por causa de seu vigor voluntário,
Pedimos um disfarce ao seu nome.

Não esmoreça na batalha,
Continue a espalhar
A toda criatura consciente
A Lei da Vida.

Que o seu membro
Seja o medianeiro ideal,
Entre a morada dos deuses
E a morada dos homens!

Gratidão
Hino das ovelhas aos deuses

Bons e agradáveis deuses,
Que nos acolhem e aceitam,
Tal qual somos, naturalmente.

Não estigmatiza o que é puro,
Nem corrompe o que é virtuoso.

Estivemos tão longe da verdade
E tão afastadas da realidade,
Que estranhamos nossa natureza,
Mas nos entregamos aos sentidos.

Pedimos para que nos amaciem,
Nos penetrem e nos invada.

Assim preenchidas,
Por cima, pelos deuses;
Por baixo, pelo Lobo;
Renascemos e recuperamos
A posse sobre nós.

Nos inundem com este leite,
Nos consagrem com a seiva
E nós não cessaremos o rito,
Espalharemos o louvor dos deuses,
Fazendo amor repetidamente
Por todo este mundo.

Confiança
Hino do Lobo aos deuses

Soberanos dos mistérios!
De quem recebi feliz missão
Da guarda e entrega da lei.

Dotaram-me da força,
Do vigor e plenitude,
Necessários para sagrar a vida.

Tendo vosso apoio,
Eu sirvo o palo,
Testemunha firme
E durável da lei.

Ainda que siga solitário,
Vivendo na sombra e rejeição
Devido ao temor dos demais,
Pelo meu excesso de vontade
E extrema paixão na forma,
Continuo com meus votos
Para, pelo meio das donzelas,
Abrir o entendimento
E preencher o conhecimento.

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Segunda sagração

Geração
Hino do plantio e da paternidade

No ventre da Grande Mãe
Está a dádiva dos deuses.

Tal como cuidamos e vigiamos
O ventre crescente das vestais,
Regamos e carpimos o campo.

Para que não se perca a colheita,
Tomando o exemplo dos deuses,
Somos ciumentos e zelosos,
Orgulhosos de nossa prole.

Eis a boa e excelente paternidade,
Não negamos nossa descendência.

Seja riscado da comunidade,
Qualquer homem ou deus,
Que condene o fruto da união
Ou persiga o rito da consumação.

Que a ninguém seja concedido,
Tornar impuro o que é consagrado.

Consagradas estão as vestais,
Como consagrada é a Grande Mãe.

Porque sagrada é a junção,
De homem com mulher,
Do deus com a deusa.

Pois o fruto é a vida
E a vida continua no amor.

Herdade
Hino das descendências aos antepassados

Aqui estamos, guardados,
Protegidos pelo corpo sagrado,
Crescendo, germinando.

Nós somos a seqüência,
A esperança da descendência,
De uma longa e feliz linhagem.

Agora dependemos de cuidados,
Temos muito que aprender.

Para nos tornarmos completos,
Maduros, felizes,
Ensine a mãe ao filho
Como tocar uma mulher;
Ensine o pai à filha,
Como resistir e ceder.

Tendo cuidado de nossa infância,
Não cobiçaremos, dividiremos;
Não roubaremos, repartiremos;
Não violentaremos, compartilharemos,
Assim a lei é mantida
E o ciclo continua.

Herança
Hino dos antepassados às descendências

Bendita seja a renovação!
Que venham as brisas da mudança,
Que vicejem os brotos da ousadia.

Bendita fúria sagrada,
Venham os jovens e sua revolução,
Para que se aplique a evolução.
Conquistem seu espaço e lembrem.
Que nós também tivemos nosso tempo
E muitos mais antes.
Que não nos abandone na velhice,
Como nós não lhes faltamos na infância.

Da mesma forma
Que recebem e aprimoram
Tão antiga herança,
Reavivem em nós
A graça da nova experiência
E refresquem nossos sentidos.

Vocês tem o frescor e a ansiedade,
Nós temos a técnica e a paciência.

No templo sagrado,
Não há sentido a idade,
Nem tem lugar a consangüinidade,
Somos todos um e o mesmo.

A regra é o amor,
A união é a forma,
O prazer é tudo.

Doutrina
Hino dos deuses aos pais e filhos

Em espírito, somos criados;
Em carne, somos nascidos.

Nem a carne pesa ao espírito,
Nem o espírito oprime a carne.

Não existe separação ou rejeição,
Dos deuses vem o exemplo,
Que o sagrado é a convivência
E a lei é o Amor.

A idade não concede precedência,
Nem implica obediência,
Laços consangüíneos perdem
Contra os laços da união.

A posição pouco importa
Nesse esporte sagrado.

Que se una sem restrições
O novo e o velho;
O esquerdo e o direito;
O sombrio e luminoso;
O humano e o divino.

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Primeira sagração

Chamado
Hino das vestais aos deuses

Acabou a estação de estio,
O gelo derrete,
Vem a névoa e o orvalho.
No solo, as sementes aguardam,
Sobem os vapores,
Juntam-se as nuvens.
Os deuses preparam a chuva,
Venham e propiciem a fertilidade!
Venham sobre nós,
Façam de nossos corpos
O terreno arado e pronto.
Venham em nossos sulcos
E derramem dentro de nós
O néctar vitalizante,
Que despertará as sementes do torpor,
Para que todos aproveitem a safra.
Mostre a divindade pela verga,
Prove a autoridade pela soma.

Vesperal
Hino das vestais aos campineiros

Vinde, obreiros da colheita!
Vede que os deuses não demoram,
Cedo vem as nuvens
E os campos devem estar prontos.

Tragam as enxadas
E firmem os moirões.
Removam as pedras do passado
E as raízes do remorso.

Não podemos atender aos deuses,
Nem honrá-los com nossos serviços
Sem sua vigorosa ajuda.
Abram nossos véus sagrados
E depositem sua força em nosso templo.
Façam com seus corpos musculosos
A sagração de nossos veios,
Amaciem e preparem nossas carnes,
Para receber a dádiva divina.

Ato de labor
Hino dos campesinos às vestais

Formosas damas, eis-nos!
Nunca fugimos às obrigações,
Mal nos chamaste
E nossos membros já atendem.

Somos homens rústicos,
Simples e brutos.
Não possuímos riquezas,
Senão nossas mãos,
Nem temos nobreza,
Senão nosso trabalho.

Ainda assim nos recebe,
O templo sagrado se abre,
Nos revelando segredos e mistérios
Que são negados a reis.

Recompensados com tal honra,
Oferecemos em profusão dessa seiva
Que seus corpos pedem
Em sagrado frenesi.

Monção
Hino dos deuses aos devotos

Eia, fruto de nossos amores!
Nós viemos de longas distâncias,
Escutamos o chamado da carne
E nos preparamos para nutrir este mundo.

Eis a verdade,
O que está embaixo
É igual ao que está em cima.

Benditas são as vestais,
Que com seus véus dançam,
Chamando para si os campesinos,
Para que esta festa na terra
Se reflita no firmamento.

Assim se juntam as nuvens
E nelas derramamos o sagrado néctar.
Enchei os ventres das vestais
Com sua virilidade, campesinos,
Para que, do mesmo modo,
Derramemos a nossa seiva
No ventre da Grande Mãe.

A ninguém seja permitido
Separar e discriminar a vida.
Material e mundana,
É a mesma vida,
Espiritual e sagrada.

Partida
Hino de gratidão dos devotos aos deuses

Grandes e respeitáveis deuses!
Aos que reconhecem a paternidade
E não fogem da responsabilidade,
Nós agradecemos a propiciação!

Manifestada seja a lei,
Amor e irmandade.

Somos espirituais e carnais,
Como vós são carnais e espirituais.

Tal como vieram à Grande Mãe,
Vem os homens às mulheres.

Tal como à dádiva do amor
Não se impõe regra ou forma,
Nos unimos ao festim,
Para que o espírito se torne carne
E a carne desperte sua alma.

Não pode haver separação,
São uma e mesma essência. 
Portanto venham em nosso meio
Na próxima temporada,
Enquanto continuamos a seguir
O ciclo sagrado e eterno.

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Vigésima quinta revelação

Por força da tradição, um ladrão terá toda uma descendência de 
ladrões, 
um matador contumaz pode se justificar 
que apenas estaria conservando uma tradição da família. 

Se tradição fosse boa, 
jamais vós haveríeis de sair das cavernas 
ou mesmo evoluído de criaturas mais simples. 

Mas, conforme o surgimento de cada geração, 
há a inovação, a evolução, 
vossas mentes foram crescendo, 
bem como vossa compreensão acerca das coisas. 
Aos poucos, vós tivestes contato 
com povos diferentes, culturas diferentes, histórias diferentes. 
Com o diálogo, vós aumentastes ainda mais o vosso intelecto. 

Vós deveis proceder igualmente com os deuses, 
fazei-vos conhecê-los, examinai os credos, 
observai as vestes com que se cobrem, 
como se disfarçam, como se mascaram, 
para que eles possam ostentar 
o poder e a santidade que se outorgam. 

Ponde-os à prova, 
testai os limites das verdades que professam, 
esquadrinhai as pedras com as quais erguem os templos 
em homenagem ao nome deles. 

Quando os despirem, 
vereis que são imagens de vós mesmos 
ou entidades pequenas, de mentes pequenas. 
De todos, somente perdura quem Eu Sou.

terça-feira, 16 de julho de 2019

Vigésima quarta revelação

Da Minha própria essência que formei as coisas, todas. 
Se ainda assim quiserdes de alguma forma, 
a Mim, homenagear, se quiserdes conhecer-Me 
ou vos tornar agradável ao teu Senhor em verdade 
e da Verdade vos aproximar, 
sabeis que só há um caminho: 
abrir-vos as pernas de uma mulher, 
dediqueis vossa paixão ao prazer e 
Eu abrir-vos-ei o entendimento. 

Vós duvidais ainda
que quem vos fala é quem o que Sou. 
Vós sois tão numerosos, 
tão diferentes em espécies, culturas, credos e deuses. 
Vós sempre havereis de considerar o correto e o maior, 
o Deus que vossos antepassados os ensinaram a crer. 
Todas estas quimeras, fantasias, 
são meramente imagens do que é, Eu, o que fez tudo. 

Inclusive as ilusões e sonhos 
Eu dei a vossos antepassados, para vos preparar. 
Tanto para que seguísseis rumo à evolução 
como para vós conhecer-Me de fato. 

Todos os vossos Deuses 
obtém o poder e a santidade por vossa fé e culto. 
Poder e santidade, por si só, Eu Sou. 
Tradição não consagra por si só coisa alguma, 
por tradição se perpetua verdades parciais, 
as verdades do passado, de vossos ancestrais. 

Mas vós deveis viver vosso tempo, 
as verdades mudam conforme as necessidades aumentam, 
bem como vossa consciência sobre os fatos do cosmo que vos rodeia. 

Nem toda verdade está baseada em um fato, 
qualquer verdade é produzida pelo choque 
entre os fatos da vida e um indivíduo ou grupo, 
do contrário não é uma verdade, 
mas é uma convenção, somente válida para estes. 

Convenção esta, cuja validade encerra-se dentro do tempo 
e das necessidades intrínsecas ao processo que a produziu. 

terça-feira, 18 de junho de 2019

Vigésima terceira revelação

Nisso nada há de excepcional: 
no lugar da luxúria, está a fé; 
no lugar da gula, está o louvor; 
no lugar da vaidade, está o dízimo; 
no lugar da raiva, está a justiça; 
no lugar da inveja está a piedade; 
no lugar da cobiça, está a comunhão; 
no lugar da avareza, está a verdade; 
no lugar do ódio está a moral. 

Estes procurarão enganar-vos e, 
miseráveis que são, tentarão encolher os demais, 
para fazê-los tão pequenos, infelizes e amargurados o quanto são. 

Mas não poderão negar: a religião também vicia. 
Eu prefiro um pecador humilde, 
que erra em silêncio 
do que um crente arrogante, 
que acerta em alarde. 
Vós tendes deuses estranhos, 
por quem tendes uma paixão aberradora. 

Todos tomaram a criação das substâncias.
Mesmo para que seus enviados nascessem, 
dependeram de outros mecanismos e mensageiros. 
Se vossas crenças servem-vos 
para aliviar o sofrimento que vós mesmos gerais e promoveis, 
não as neguem ou as esqueçam. 

Mas não busqueis tentar cultuar-Me, 
nem desperdiceis vossos parcos dias, 
tentando agradar ou subornar-Me. 
Eu, que tudo Sou, nada necessito, 
saibam então que Deus, Eu Sou. 

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Vigésima segunda revelação

Essa é a natureza humana: 
quando segue a razão, encontra-se na ciência; 
mas caso entrega-se às crenças, perde-se na pior das loucuras. 

Não há espetáculo mais degradante que um culto. 
O celebrante apela, 
estimula a comoção emocional, 
desfila belas promessas, 
que sempre serão apenas sonhos, 
da mesma forma que a esperança, 
jamais se cumprirá. 

Tal é o caráter dos crentes: 
acomoda-se e conforma-se, 
pois confiam na providência divina 
e não provém sua necessidade, 
nem providência a realização de seus desejos, 
visto que são incapazes, 
incompetentes, fracassados e retardados mentais. 

O único momento de vitória, 
onde eles encontram seu lugar e valor, 
bem como uma utilidade à sua vida, 
é no louvor a este Usurpador. 

Apenas neste momento, 
eles são os filhos de Deus, 
têm por herança o Reino. 
Eles se dão o direito de julgar, 
com igual facilidade com que se elogiam em seguir os preceitos, 
ditados por uma fantasia feita pelos seus ancestrais. 

Imbuídos por este privilégio, 
os crentes mostram-se arrogantes e presunçosos, 
por sua fidelidade às virtudes, 
aos mandamentos do Tirano e sua entrega à fé.