Ísis (Aset) está irredutível. Fica no quarto, ouvindo metal gótico. Hórus está entediado enquanto a OTAN fica se gabando do arsenal das nações. Bastet está pensando seriamente em desafiar os tabus. Hator recusa mais um convite de uma revista masculina para posar e mostrar seus…atributos. Ptah “reconfigura” o monte Rushmore, colocando as efígies de faraós (Alexandre, o Grande, incluído).
Ísis (Aset) trancou-se nos aposentos reais da pirâmide flutuante de Washington. A Grande Mãe, a senhora dos mistérios e da magia, simplesmente cansou da falsidade geopolítica lá fora. O som de guitarras distorcidas, bumbos duplos e vocais melancólicos do mais puro metal gótico vaza pelas frestas das portas de ouro maciço. Para ela, o som pesado, fúnebre e teatral da noite humana combina muito mais com o luto eterno por Osíris do que as coletivas de imprensa do "laranjão".
Enquanto isso, em Bruxelas, Hórus apoia o queixo na mão, com a cabeça de falcão quase caindo de sono. O Secretário-Geral da OTAN está há duas horas apontando para um telão touch-screen, exibindo gráficos de mísseis hipersônicos, ogivas nucleares e caças de quinta geração.
— "Como pode ver, Senhor Hórus, nosso arsenal garante a destruição mútua assegurada…”
O Deus da Guerra solta um bocejo que abre seu bico por completo. Para quem já viu o Sol ser engolido e lutou contra as forças do caos primordial com lanças de luz pura, ver mortais se gabando de tubos de metal com pólvora é o ápice do tédio burocrático. Ele bate as asas de leve, apenas para desordenar os papéis da mesa e lembrar quem manda ali.
Em São Paulo, as marcas nas suas costas mal começaram a cicatrizar e Bastet já está sentada na beirada da sua cama, os olhos dourados fixos no seu teclado. O aviso de Ptah sobre a tal "película protetora" humana funcionou apenas como um combustível herético. Ela gosta do risco. A Deusa do Deleite e do Ventre Divino está pensando seriamente em rasgar os tabus do cosmos e ver o que acontece quando o sangue de um escritor pagão se mistura de verdade com a fertilidade do Egito, sem barreiras ou diplomacia.
Enquanto isso, no mundo pop, os magnatas da mídia estão desesperados. O empresário da Playboy internacional chora ao telefone com os assessores de Hator. A Deusa do Amor, da Beleza e da Música recusou o maior contrato da história da indústria para posar nua. Para a Senhora do Sicômoro, mostrar seus divinos atributos em uma revista de banca de jornal é uma heresia barata. Se os mortais quiserem contemplar sua beleza, que construam templos de alabastro, e não assinaturas digitais de dezoito dólares por mês.
Mas o verdadeiro choque cultural acontece na Dakota do Sul. Ptah cansou de esperar pelas decisões do Congresso americano. Com um estalar de dedos que ecoou como um trovão pelas colinas, o Deus dos Arquitetos reconfigurou a rocha do Monte Rushmore.
Os rostos dos presidentes americanos sumiram em uma nuvem de poeira de granito. Quando a poeira baixou, os turistas e a guarda nacional entraram em pânico: as efígies colossais de Quéops, Ramessés II, Akhenaton e, curiosamente, Alexandre, o Grande (com seus chifres de Amon esculpidos na rocha), agora encaram o horizonte americano com a severidade da eternidade.
O "laranjão" entra ao vivo no TikTok, desesperado, tentando explicar que "O Monte Rushmore agora está muito mais clássico, os novos rostos são fantásticos, Alexandre foi um grande amigo meu, um cara tremendo..."
No seu santuário, o telefone toca de novo. É o Pentágono, implorando para que o escritor herético assuma a redação do tratado antes que Ptah decida transformar a Estátua da Liberdade em uma esfinge de calcário.
Ptah tem outros planos para a Estátua da Liberdade. Transformar em uma estátua de Cleópatra. Mas Hórus cansou da enrolação. O olho dele pisca como o sol (redundância?) e, com a gravidade que lhe é peculiar, lista as exigências que soam como um ultimato.
(Hórus) - “Os agentes de Set precisam ser imobilizados ou exterminados. (Ele está falando de Trump) As políticas de restrição à imigração tem que ser revogadas. Nós não vamos aceitar que uma nação interfira ou invada outra nação. Devem compartilhar o excedente de comida com os pobres. Nós não vamos aceitar qualquer tipo de discriminação ou intolerância entre vocês.”
A "redundância" do olhar de Hórus não é um erro de estilo do escritor, é a própria mecânica do cosmos: o olho direito dele é o Sol, e quando ele pisca, o hemisfério norte experimenta um eclipse de frações de segundo que faz os geradores de Bruxelas operarem no limite. O tédio do falcão acabou. A diplomacia de PowerPoint da OTAN é soterrada pela gravidade de um ultimato real.
Nas telas de monitoramento do Pentágono, os generais empalidecem. Hórus não pediu cotas de carbono ou ajustes fiscais; ele ditou a geopolítica da Maat, a ordem cósmica, que bate de frente com cada pilar do império ocidental.
— "Os agentes de Set precisam ser imobilizados ou exterminados."
O Diretor da CIA engasga com o café. Todo mundo na sala sabe exatamente de quem ele está falando. O "laranjão", com sua retórica de caos, divisão e o icônico topete alaranjado (a cor clássica associada a Set, o Deus da Destruição e do Deserto), foi oficialmente marcado para o sacrifício divino.
— "As políticas de restrição à imigração têm que ser revogadas. Nós não vamos aceitar que uma nação interfira ou invada outra nação. Devem compartilhar o excedente de comida com os pobres. Nós não vamos aceitar qualquer tipo de discriminação ou intolerância entre vocês.”
O silêncio na sede da OTAN é sepulcral. O Deus da Guerra acabou de exigir o fim das fronteiras, o fim do complexo industrial-militar e a instituição de um bem-estar social global sob pena de extinção. Os burocratas percebem, horrorizados, que os Deuses do Egito não são conservadores, nem liberais: eles são soberanos absolutos que detestam o desperdício e a soberba dos mortais.
Enquanto o Pentágono entra em colapso tentando decidir se prende o próprio presidente para aplacar a fúria de Hórus, Ptah executa seus planos na Ilha da Liberdade.
A estrutura de cobre verde da velha estátua francesa começa a derreter e se remodelar no ar, desafiando todas as leis da metalurgia. Em questão de minutos, o visual neoclássico some. Em seu lugar, ergue-se a figura colossal de Cleópatra VII, moldada em bronze reluzente e ouro. Ela não carrega mais uma tocha, mas o sistro sagrado, e seus olhos de basalto olham para o porto de Manhattan com o deboche dinástico de quem sabe como seduzir e falir impérios.
Na TV do seu quarto, o plantão jornalístico mostra o pânico na bolsa de valores de Nova York. Mas na sua cama, o clima é de outra espécie de quebra de regras. Bastet ouve o ultimato do sobrinho pelo éter e solta uma risada curta, os dentes afiados brilhando.
— "Hórus sempre foi tão dramático com essa história de Set..." — ela sussurra, engatinhando até você e ignorando completamente os relatórios de guerra na tela. "Mas ele tem razão em uma coisa: o tempo dos mortais está mudando. E se o mundo vai virar de cabeça para baixo de qualquer jeito, escritor... por que nós deveríamos seguir as regras de contenção de Ptah?”
Ela segura as suas mãos com firmeza, os olhos dourados dilatados, desafiando os tabus do Duat e da biologia sagrada. O telefone na sua cabeceira continua piscando desesperadamente com o Olho de Hórus, exigindo que o redator herético coloque essas exigências em termos que o Congresso americano consiga assinar antes que os mísseis virem poeira.
Criado com a ajuda do Gemini, do Google.
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