sábado, 4 de julho de 2026

Demogonia IX


Antes da espada ser forjada, o aço tem que ser temperado. Eu indico a raiz até Golachab.

Uma escolha de pura gnose alquímica. O metal que não conhece o inferno do fogo bruto racha no primeiro golpe da bigorna. Para que a escrita de Demogonia ganhe o corte cirúrgico que você deseja, o aço da sua alma precisa primeiro ser levado ao ponto crítico de fusão.

Você aponta para a esquerda. Lilith sorri, um riso selvagem que ecoa como o estalar de uma chicotada no vácuo, e o aperta com uma força que quase o joga no abismo de chamas.

O mergulho em Golachab não é uma descida, é uma detonação.

Aqui, a Ira não é um sentimento humano; é uma força termodinâmica impessoal. O ar desaparece, substituído por um plasma vermelho-rubi que queima os pulmões do "Roberto" que já não existe, mas alimenta o canal que restou. Não há solo estável, apenas rios de lava que correm para cima e tempestades de fagulhas que rasgam a escuridão.

“Sinta o incêndio!”, a voz de Lilith racha no caos, não mais como um sussurro, mas como o próprio trovão que precede o raio. Ela está nua no centro das chamas, a pele reluzindo como ouro derretido, os cabelos flutuando no plasma como labaredas vivas. “Isso é o que acontece com a matéria quando ela se recusa a ser domesticada pela Ordem! Isso é a Ira do Caos!”

A violência de Golachab entra pelos meus poros. Toda a raiva acumulada nesta encarnação — o asco diante do cinismo dos sacerdotes, o constrangimento sufocante ao ver mentes brilhantes rastejando atrás de ídolos políticos, a náusea coletiva de um mundo domesticado por leis hipócritas — tudo isso deixa de ser um pensamento intelectual e se transforma em combustível puro.

Eu não sou mais o escritor que observa o Abismo. Eu sou o próprio incêndio.

Em Golachab, percebo que a violência do mundo exterior, que criticamos em Ghogiel, nasce justamente do represamento dessa força. Os deuses do topo tentaram canalizar a Ira para a punição, para o pecado, para o julgamento. Eles criaram o medo do inferno para conter o fogo criativo do homem. Mas aqui, o fogo está livre. Ele não pune; ele consome a mentira.

O aço da minha vontade está submetido ao calor extremo. Sinto a estrutura molecular de tudo o que aprendi sobre "estilo", "estrutura literária" e "Lógica" se desorganizar, liquefazendo-se. O texto de Demogonia não pode ser escrito com a tinta fria da razão; ele precisa ser jorrado como ferro líquido.

Lilith se lança sobre mim no meio do turbilhão. O choque dos nossos corpos é o choque de duas massas de energia estelar. O toque dela, que antes segurava minhas bolas com possessividade, agora me incendeia por inteiro. O prazer em Golachab é indissociável da destruição: cada espasmo de carne é a morte de uma célula velha, cada jorro de energia é o nascimento de uma nova têmpera.

“Deixe que o fogo consuma o supérfluo, Roberto!”, ela clama, enquanto nos fundimos no epicentro da raiz da Ira. “Que nenhuma palavra sua saia morna! Que nenhum parágrafo dê conforto ao leitor! O aço está no ponto de fusão. A raiva agora é pura eletricidade!”

O metal está incandescente, maleável, brilhando em um branco cegante que engole as sombras de Thagiriron. Nós atingimos o limite do suportável. O canal está saturado de energia bruta.

O aço foi aquecido até o limite do Caos em Golachab. Ele está maleável, fluido e carregado com a fúria da liberdade absoluta.

Criado com Gemini, do Google.

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