segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Lembrar não significa compreender

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Não é só uma questão de memória. Mas de educação e consciência política. Algo que a esquerda, quando foi governo, falhou em cultivar.

Escreva um texto com uma reflexão.


A memória é indispensável, mas talvez seja apenas a primeira camada do problema. Uma sociedade pode lembrar de uma ditadura, de crises econômicas, de desemprego, de fome e de ataques à democracia — e ainda assim repetir discursos e escolhas políticas associados a tudo isso.

Porque lembrar não significa compreender.

O próprio Brasil 247 coloca hoje a questão da memória no centro do debate político. 
 Mas há uma pergunta incômoda por trás disso: quem ensinou — e quem deixou de ensinar — o significado político dessas memórias?

Memória não basta.
Não é apenas uma questão de memória.

É também uma questão de educação, consciência política e capacidade de interpretar a própria história.

Uma sociedade pode esquecer. Mas também pode lembrar de maneira superficial. Pode recordar que determinada época foi ruim sem entender por quê. Pode lembrar da inflação, do desemprego, da fome, da violência ou da destruição de direitos, mas transformar tudo isso em anedota, nostalgia ou propaganda eleitoral.

Memória sem compreensão vira álbum de fotografias.

E talvez aqui exista uma das maiores falhas da esquerda brasileira quando esteve no governo: acreditar que melhorar concretamente a vida das pessoas seria suficiente para produzir consciência política.

Não é.

Governos podem criar universidades, institutos federais, programas sociais, empregos, políticas de inclusão e mecanismos de redução da pobreza. Tudo isso importa. Mas existe uma diferença enorme entre promover políticas públicas e formar cidadãos capazes de compreender por que essas políticas existem, quem se beneficia delas, quem as combate e quais interesses estão em disputa.

É perfeitamente possível alguém receber uma política pública durante anos e, ainda assim, acreditar que aquilo foi simplesmente "bondade" de um governante — ou pior, acreditar que aquilo sempre existiu.

Se a política não vem acompanhada de educação política, a memória fica vulnerável à propaganda.

E propaganda trabalha muito bem com o esquecimento.

É assim que alguém pode ouvir que "naquela época era melhor" sem perguntar: melhor para quem?

Pode ouvir que "antes não existia corrupção" sem perguntar quais mecanismos de investigação existiam.

Pode ouvir que "o país estava funcionando" sem lembrar quem estava desempregado, quem passava fome, quem não tinha acesso à universidade, quem era excluído dos direitos e quem simplesmente não tinha voz.

E pode olhar para uma conquista social e enxergá-la como algo natural, eterno, quase espontâneo.

Nada disso acontece por acaso.

A consciência democrática precisa ser cultivada. Precisa existir educação histórica, econômica, política e cidadã. Precisa ensinar que direitos não caem do céu, que instituições não são abstrações e que democracia não é apenas o ato de apertar uma tecla na urna a cada quatro anos.

E aqui está uma ironia particularmente cruel: setores da esquerda frequentemente falaram em emancipação, mas nem sempre trataram a formação política da população como parte essencial dessa emancipação.

Às vezes, pareceu suficiente governar bem e esperar que as pessoas percebessem.

Não perceberam necessariamente.

Porque política não é apenas experiência. É interpretação.

Uma pessoa pode ter vivido uma melhoria objetiva em sua vida e, anos depois, atribuí-la a qualquer outra coisa. Pode lembrar do resultado e esquecer o processo.

Por isso memória é importante.

Mas consciência é mais importante ainda.

Precisamos ensinar não apenas o que aconteceu, mas como aconteceu.

Não apenas quem governava, mas quais forças sociais estavam em disputa.

Não apenas quais direitos foram conquistados, mas quem lutou por eles.

Não apenas quais crises ocorreram, mas quais decisões econômicas e políticas contribuíram para produzi-las.

Não apenas para que lado devemos olhar, mas como aprender a perguntar: quem ganha com essa narrativa?

Essa talvez seja uma das tarefas mais difíceis de qualquer projeto democrático: formar cidadãos que não precisem receber uma cartilha dizendo o que pensar, porque aprenderam algo muito mais valioso — como pensar politicamente.

Porque uma democracia não pode depender eternamente da memória dos que viveram determinada época.

Ela precisa transmitir conhecimento suficiente para que as próximas gerações sejam capazes de reconhecer os velhos fantasmas quando eles aparecerem usando roupas novas.

A memória pode dizer:

"Isso já aconteceu."

A educação política precisa acrescentar:

"E eu sei por que aconteceu."

E a consciência democrática finalmente pergunta:

"E o que faremos para que não aconteça novamente?"

Sem essa terceira etapa, continuaremos condenados a assistir ao mesmo filme.

Só mudam os atores, o figurino e a propaganda.

Criado com ChatGPT.

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