quinta-feira, 30 de julho de 2009

Quem é o Dr Alfred Kinsey

Alfred Charles Kinsey nasceu em Hoboken, Nova Jersey, em 23 de junho de 1894. Faleceu aos 61 anos, como o homem que revolucionou a discussão sexual. Antes de Kinsey, o não convencional não era comentado, era considerado como anomalia. Era um campo onde a ciência não ousava desafiar a moral vigente. Hoje ainda, seus estudos norteiam pesquisadores e cientistas.
Pai da sexologia, da revolução sexual dos anos 60. Na verdade, em sua formação, era biólogo. Largou o curso de engenharia para cursar biologia e se tornar doutor em Harvard, defendendo a diversidade padrões de uma espécie de vespa. O pai, professor conservador e religioso, não via com bons olhos os estudos do filho. Sofreu de raquitismo na infância, que deixou seqüelas físicas.
Casou-se com Clara McMillen e teve quatro filhos. Na Universidade de Indiana completou seu trabalho de capturar e catalogar mais de um milhão de vespas, que foram doadas ao Museu Nacional de História Natural, em Nova York. Lá, iniciou um centro de estudos sobre a sexualidade humana, hoje Instituto Alfred Kinsey, além de criar o primeiro curso de sexologia.
Depois de concluir sobre a diversidade das vespas e de padrões de acasalamento, Kinsey percebeu que era hora de mostrar que o ser humano seguia as mesmas variações. O professor doutor treinou e qualificou diversos pesquisadores para percorrerem o país com o seu questionário. A publicação veio em 1948, o famoso relatório sobre a sexualidade humana (Sexual Behavior in the Human Male) caiu como uma bomba na moralidade norte-americana.
Kinsey virou celebridade e seu trabalho um dos livros científicos mais vendidos. Em 53, foi publicado um novo volume, sobre a sexualidade das mulheres (Sexual Behavior in the Human Female). Segundo os estudos de Kinsey, 92% dos homens e 62% das mulheres se masturbava. E 37% dos homens e 13% das mulheres já tinham tido uma relação homossexual que lhes tinha proporcionado um orgasmo ao menos. O sexo não era mais um segredo entre quatro paredes.
Kinsey também classificou a sexualidade humana, retirando o rótulo sexual tradicionalmente machista que vigorava até então. Kinsey disse que a sexualidade não era estática ou imutável e que, embora tenha classificado o modo de se fazer sexo entre os seres humanos, sua classificação não era uma regra. Ele identificou os seguintes padrões sexuais: heterossexual exclusivo; heterossexual ocasionalmente homossexual; heterossexual mais do que ocasionalmente homossexual; igualmente heterossexual e homossexual (bissexual); homossexual mais do que ocasionalmente heterossexual; homossexual ocasionalmente heterossexual; homossexual exclusivo; indiferente sexualmente.
O estudo de Kinsey sempre enfrentou forte oposição dos católicos, tendo surgido diversos boatos sobre a sexualidade e procedimentos bizarros supostamente usados pelo pesquisador. Um fato é que os estudos de Kinsey possibilitaram o embasamento científico para retirar em 1973, a homossexualidade da lista de desordens mentais da Associação Americana de Psiquiatria e no Código Internacional de Doenças, CID, da Organização Mundial de Saúde (OMS), em 1986.

Fonte: LadoA

Mais desespero cristão

Eu gosto de ler um pouco de tudo, mesmo textos e opiniões contrárias às minhas, como deve ter ficado claro em muitos tópicos desse blog, quando eu analiso textos cristãos e tento dar uma perspectiva diferente nos assuntos abordados.
Eu receio ter infringido alguma regra na ditadura do Politicamente Correto vigente, pois as reações dos cristãos aos meus comentários são, no minimo, descontrolados, desprovidos de embasamento científico, recheados de preconceitos doutrinários provindos do fundamentalismo cristão.
Um que me levantou a curiosidade está na esteira da paranóia/histeria cristã, que envolve teoria de conspiração e a velha e habitual citação [ou distorção] de estudos científicos para sustentar a visão doutrinária repleta de intolerância, discriminação, preconceito e calúnia contra os homossexuais, bem como seus protestos contra a PLC 122/2006, o que eles entitulam de "atentado à liberdade de expressão".
Eu conheço ao menos alguns casos patológicos: Júlio Severo, Jael Savelli, Rosangela Justino, Silas Malafaia. Qual não é minha surpresa ao me deparar com a fonte que estes cristãos se valem para sustentar sua paranóia/histeria quando gritam "gaystapo": a Dra Judith Reisman. Que tem PhD, mas em Comunicação, não em Psicologia ou em Sexologia, mas encontrou o público ideal para divulgar (e ganhar seus tostões) com suas teorias sobre a "culpa" do Dr. Alfred Kinsey para a situação de decadência dos EUA, para o aumento da pornografia, para a mudança do Conselho de Psiquiatria quando à homossexualidade não ser doença e pasmem, pelo aparecimento e incentivo à pedofilia.
Considerando que cristãos interpretam/alteram/distorcem estudos científicos para justificar seus delírios doutrinários e/ou religiosos, o estudo da Dra Judith Reisman caiu de presente no colo dos fundamentalistas cristãos, que vêem o movimento dos homossexuais pelo reconhecimento dos seus direitos como cidadãos como um pano de fundo para um plano maior, que é a ditadura homossexual e quiçá a aceitação da prática de pedofilia. Não é um vínculo muito claro, especialmente para que tem um pouco mais de informação e bom senso, mas faz pleno sentido para quem acredita em teoria de conspiração e teve a razão tolhida pela propaganda ideológica por parte de seus líderes religiosos.
A reação deles apenas me faz ter pena deles e apenas demonstra que não gostam de ver as doutrinas de sua amada igreja desafiadas ou contestadas. Reações que apenas tornam mais urgente a aprovação da PLC 122/2006 e o devido castigo aos homofóbicos.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

As doze tribos

A civilização teve sua origem entre diversos povos antigos, como os Sumérios, os Egípcios, os Assírios, os Persas, os Gregos, os Romanos. Estes povos começaram sua saga em pequenos grupos que ocuparam, principalmente, regiões que tinham agua em abundancia, como rios, lagos e mares. A mesma água que foi tão necessária para começar a civilização, a falta dela irá terminar a civilização.
A água foi e é essencial para a produção de alimentos, a base para produzir outras coisas, a base da propriedade e da riqueza. A partir destas bases, os grupos crescem, se expandem, se desenvolvem, surgem as cidades, surgem as organizações sociais, surgem os reinos. No rio Jordão não foi diferente, doze tribos se uniram para construir o reino de Israel.
A região tinha diversos povos, como os Cananeus, contra quem o futuro reino de Israel teria que conquistar o território para ter sua hegemonia e poder.
Em todos os povos antigos existia essa necessidade de conhecer suas origens, seus ancestrais e seus Deuses, pois isto dava um sentido de identidade, de valor, de procedência, de superioridade, ainda que ilusória, como perseguem hoje os racistas e alguns reconstrucionistas culturais. Cada povo antigo mantinham seus mitos sobre suas origens, sobre seus ancestrais e seus Deuses, através da tradição popular, através da religião popular.
Com as doze tribos não podia ser diferente, os lideres das doze tribos descobriram ou inventaram um o mais ancestrais, atribuindo a eles não só uma origem, mas também uma crença em comum. Mas seria necessário escolher um dentre os muitos Deuses que existiam e eram adorados entre os Hebreus, tal como são conhecidos os povos das doze tribos, para unir e dar às tribos a vitória necessária. Teria que ser Yahveh, o Deus da Guerra, chamado de o Senhor dos Exércitos, mesmo que para isso eles tivessem que esquecer outros Deuses ou mesmo Asherah, a Deusa consorte, mesmo que para isso tivessem que inventar um mito dentro de outro mito, vinculando seus ancestrais míticos a este Deus em particular.
Em princípio, os lideres inventaram que Israel foi o novo nome dado por Yahveh a Jacó, um dos ancestrais míticos. Mas na Idade Antiga, um Deus tem que ter uma ancestralidade mais antiga para ser aceitável, então inventaram um ancestral mítico, Moisés, e o mito do Êxodo. Ainda assim não era o suficiente, então inventaram um ancestral mítico, Abraão, e o mito de Isaac. Ainda não era o suficiente, então inventaram um ancestral mítico, Adão, e o mito da Queda. Parecia ser antigo o suficiente, então atribuiram toda a descendência humana a Adão, para garantir.
O reino de Israel existiu, graças à adoção de Yahveh como o Deus do povo de Israel, o Deus Único, a conquista de Canaan e a união das tribos seria impossível, se os Hebreus se mantivessem politeístas, se os Hebreus continuassem a adorar a Asherah. Mesmo depois da divisão do reino em dois, mesmo depois da conquista por parte dos Babilônicos, Assirios, Persas, Gregos e Romanos, esse sentido de unidade foi essencial para que seus descendentes, o povo Judeu, mantivesse sua identidade, sua tradição, sua origem.
Esse é o sentido da oração dos Judeus quando eles declaram o Ishmah Israel, esse é o sentido da oração dos Muçulmanos quando eles declaram a Chahada, esse é o sentido da oração dos Cristãos quando eles declaram o Pai Nosso. Ao declarar qual sua crença, você declara mais do que sua crença em Deus ou Deuses, você declara qual é a sua identidade, quais são seus ancestrais, qual é a sua origem, qual é o seu povo. Declare então quem você é, redescubra sua origem, sua tradição, seu povo, sua crença, seus Deuses, redescubra seu lugar no Paganismo.

Bula do homem

Indicações:
Homem é recomendado para mulheres portadoras de SMS (Síndrome da Mulher Sozinha). Homem é eficaz no controle do desânimo, da ansiedade, irritabilidade, mau-humor, insônia, etc.
Posologia e Modo de Usar:

Homem deve ser usado três vezes por semana. Não desaparecendo os sintomas, aumente a dosagem ou procure outro... Homem é apropriado para uso externo ou interno, dependendo da necessidade da mulher.
Precauções:

Mantenha longe do alcance de amigas (vizinhas solitárias, loiras e/ou morenas sorridentes, etc.). Manuseie com cuidado, pois Homem explode sob pressão, principalmente quando associado a álcool etílico.
É desaconselhável o uso, imediatamente após as refeições.
Apresentação:Mini, Max, Super, Mega, Plus ou Super Mega Max Plus.
Conduta na Overdose:
O uso excessivo de Homem pode produzir dores abdominais, entorses, contraturas lombares, assim como ardor na região pélvica. Recomenda-se banho de assento, repouso, e contar vantagem para a melhor amiga!
Efeitos Colaterais:
O uso inadequado de Homem pode acarretar gravidez e acessos de ciúmes.
O uso concomitante de produtos da mesma espécie pode causar enjôo e fadiga crônica.
Prazo de Validade:
O número do lote e a data de fabricação encontram-se na cédula de identidade e no cartão de crédito.
Composição:
Água, tecidos orgânicos, ferro e vitaminas do Complexo 'P'.
Atenção: Não contém CIMANCOL.

Cuidado!!! Existem no mercado algumas marcas falsificadas, a embalagem é de excelente qualidade, mas quando desembrulhado, verifica-se que não fará efeito nenhum, muito pelo contrário, o efeito é totalmente oposto, ou seja, além de não serem eficazes no tratamento podem agravar os sintomas.
Instruções Para O Perfeito Funcionamento:

1. Ao abrir a embalagem, faça uma cara neutra, não se mostre muito empolgada com o produto. Se ficar muito seguro de si, o Homem não funciona muito bem, vive dando defeito.
2. Guarde em lugar fresco (fedorento não dá) e seguro (pois é frágil).
3. deixe fora do alcance de amigas.
4. Para ligar basta uns beijinhos no pescoço pela manhã; para desligar basta uma noite de sexo, ele dorme como uma pedra e nem dá boa noite (falta de educação é defeito de fábrica).
5. Programe-o para assinar talões de cheque sem reclamar.
6. Carregue as baterias três vezes por dia: café, almoço e jantar (Mais que isso provoca pneuzinhos indesejáveis).
7. Em caso de defeito, algumas táticas costumam dar certo: esconda o controle remoto da televisão. Se a falha insistir, corte o futebol com os amigos no final de semana e o chopp. Se o problema persistir, a única maneira é fazer greve de SEXO.
Pra finalizar: Homem não tem garantia de fábrica e todas as espécies são sujeitas a defeitos. A solução é ir trocando até que se ache o modelo ideal, contudo, recentes pesquisas informam que esse não foi INVENTADO ainda!!!
Fonte: email enviado por Alex Acioli.

sábado, 25 de julho de 2009

Declaração de Ética Mundial

Parlamento das Religiões Mundiais, 4 de setembro de 1993, Chicago, EUA.

Condenamos a usurpação dos ecossistemas de nosso planeta.
Condenamos a pobreza, que asfixia as chances de vida; a fome, que enfraquece o corpo humano; as desigualdades econômicas, que proliferam em nossas comunidades; e a morte insensata de crianças através da violência.
Condenamos em especial a agressão e o ódio cultivados em nome da religião.

Afirmamos haver uma reserva de valores fundamentais em comum nas doutrinas das religiões, e que esses valores constituem a base para uma ética mundial.
Afirmamos que essa verdade já é conhecida, mas ainda precisa ser vivida em atos e nos corações.
Afirmamos haver uma norma irrefutável e incondicional para todos os campos da vida, para as famílias e comunidades, para as raças, nações e religiões.

Declaramos:
Todos dependemos uns dos outros. Cada um de nós depende do bom prosseguimento do todo. Por isso respeitamos a comunidade dos seres viventes, seres humanos, animais e plantas, e nos preocupamos com a conservação da Terra, do ar, da água e do solo.
Temos responsibilidade individual por tudo que fazemos. Todas as nossas decisões, ações e omissões têm conseqüências.
Precisamos dar aos outros o tratamento que deles queremos receber. Obrigamo-nos a respeitar a vida e a dignidade, a individualidade e a diferença, de modo que cada pessoa seja tratada humanamente – e sem exceção.
Precisamos cultivar paciência e aceitação. Precisamos ser capazes de perdoar, à medida que aprendemos com o passado, mas jamais permitir que permaneçamos prisioneiros de lembranças de ódio. À medida que abrimos nossos corações uns aos outros, precisamos sepultar nossas controvérsias mesquinhas, em favor da causa de uma comunidade mundial, e praticar assim uma cultura da solidariedade e da aliança recíproca.
Consideramos a humanidade como nossa família. É preciso que almejemos ser amigáveis e generosos. Não podemos viver apenas em favor de nós mesmos, e, mais que isso, precisamos servir aos outros e jamais esquecer as crianças, os idosos, os pobres, os sofredores, os deficientes, os fugitivos e os solitários. Seja como for, jamais alguém deverá ser explorado ou tratado como cidadão de segunda classe. Deverá haver uma relação de companheirismo entre homem e mulher, com igualdade de direitos. Jamais devemos praticar qualquer forma de imoralidade sexual. Devemos deixar para trás todas as formas de dominação ou de abuso.
Comprometemo-nos com uma cultura da não-violência, do respeito, da justiça e da paz. Não exploraremos, não lesaremos, não torturaremos, nem jamais mataremos qualquer ser humano, e renunciaremos à violência como meio para a solução de diferenças.
Precisamos ansiar por uma ordem social e econômica justa, em que cada pessoa tenha a mesma chance de fazer frutificar todas as suas possibilidades como ser humano. Precisamos falar e agir com veracidade e com simpatia, de modo a tratar todas as pessoas com honestidade e evitar preconceitos e ódio. Não nos permitimos roubar. Mais que isso, devemos suplantar o domínio da ânsia por poder, prestígio, dinheiro e consumo, a fim de concebermos um mundo justo e pacífico.
A Terra não pode ser modificada para melhor sem que primeiro a consciência dos indivíduos se modifique. Prometemos ampliar nossas capacidades de perceber a realidade, à medida que disciplinarmos nosso espírito através da meditação, da oração e do pensamento positivo. Sem riscos e sem prontidão para o sacrifício não pode ocorrer nenhuma mudança fundamental em nossa situação. Por isso nos comprometemos com essa ética mundial, com a compreensão mútua, e com formas de vida compatíveis com as dinâmicas sociais, promotoras da paz e benéficas à natureza.
Convidamos todos os seres humanos, religiosos ou não, a fazer o mesmo.

Queremos expressar a convicção que partilhamos:
• Todos nós somos responsáveis por uma ordem mundial melhor.
• Nosso posicionamento em favor dos direitos humanos, da liberdade, justiça, paz e preservação da Terra dá-se de modo incondicional.
• Nossas tradições religiosas e culturais diversas não nos devem impedir de assumir um posicionamento ativo e comum contra todas as formas de desumanidade e em favor de mais humanidade.
• Os princípios manifestados nesta Declaração podem ser assumidos por todos os seres humanos que sustentem convicções éticas, sejam elas de fundamento religioso ou não.
• Nós, no entanto, como pessoas religiosas ou de orientação espiritual – que fundamentam suas vidas sobre uma realidade última, da qual retiram força e esperança espiritual em uma atitude de confiança, de oração ou meditação, em palavras ou pelo silêncio –, estamos especialmente comprometidos com o bem da humanidade como um todo, e preocupados com o planeta Terra. Não nos consideramos melhores que outras pessoas, mas temos confiança em que a sabedoria milenar de nossas religiões seja capaz de apontar caminhos, também para o futuro.

O desafio básico: todo ser humano tem que ser tratado de forma humana.
Quatro preceitos inamovíveis:
1. Compromisso com uma cultura da não-violência e do temor diante da vida.
2. Compromisso com uma cultura da solidariedade e uma ordem econômica justa.
3. Compromisso com uma cultura da tolerância e uma vida de veracidade.
4. Compromisso com uma cultura da igualdade de direitos e do companheirismo entre homem e mulher.

Mudança de consciência
Todas as experiências históricas demonstram: não se pode mudar nosso planeta sem que se chegue a mudanças de consciência no indivíduo e na opinião pública. Tais mudanças também devem ser alcançadas em vista da ética! Todo indivíduo possui não apenas uma dignidade intocável e direitos inalienáveis; ele tem também uma responsabilidade irrefutável pelo que faz ou deixa de fazer. Todas as nossas decisões e atos, assim como nossas conquistas e fracassos, têm conseqüências. Manter viva essa responsabilidade, aprofundá-la e transmiti-la para as gerações futuras – eis aí uma importante incumbência das religiões.
Por fim, apelamos a todos os habitantes de nosso planeta: não se pode mudar nossa Terra para melhor sem que se mude a consciência do indivíduo. Pronunciamo-nos em favor de uma mudança individual e coletiva da consciência, em favor de um despertar de nossas forças espirituais por meio da reflexão, meditação, oração e pensamento positivo, e em favor de uma conversão dos corações. Juntos podemos mover montanhas! Sem riscos e disposição ao sacrifício não haverá mudança de base em nossa situação! Por isso comprometemos-nos com uma ética mundial: com uma maior compreensão mútua, e com formas de vida compatíveis com as dinâmicas sociais, promotoras da paz e benéficas à natureza. Convidamos todos os seres humanos, religiosos ou não, a fazer o mesmo!

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Diante da fronteira

Eu cheguei em um lugar que parece estranhamente vazio. Eu perdi todas as associações com meu cristianismo, mas eu ainda não escolhi (realmente crendo em um ou outro caminho espiritual) qualquer das religiões pagãs ou orientais. Eu me sinto nua, despida, em completa ausência de crença em qualquer coisa.[Heidi]
Você está em um lugar escuro agora. Isso é normal. Você deveria se sentir nua, exposta, como um bebê. Pense na palavra renascimento. De onde o bebê vem?
Você está, nesta lista, entre pessoas que estiveram aonde você está e não há outra forma para te expressar senão palavras que você é, por sua permissão, pronta para ser. Parece que você foi trazida para o lugar certo para começar sua jornana. Lembre-se que o sucesso é uma forma da jornada, não seu fim.
A nossa sociedade nos ensina tanto no caminho das espectativas que é muito dificil apagar a programação e se tornar uma página em branco necessária para experimentar uma comunhão com os Deuses da Wica. Quase impossivel. De vez em quando é tudo que temos...seguido por anos de frustração enquanto tentamos negociar através das barreiras que a sociedade normal nos pôs desde o nascimento.
Como companheiros em uma jornada, existem coisas que não podemos dizer, verdadeiramente não poderíamos dizer se pudéssemos, que poderia ou não aliviar sua dor espiritual.
Nunca negligencie seu caminho/conecção pessoal com os Deuses que você serviu até agora. Em alguns casos, as pessoas acham que os Deuses da Wica são velhos amigos, conhecidos, mas não verdadeiramente conhecidos até que a fronteira seja superada. Se você chegou tão longe e nunca formou uma conecção com qualquer caminho espiritual, seu tempo neste local será muito mais duro. Mas irá valer a pena. Esta será a coisa mais dificil que você fará em sua vida, mas valerá a pena. Se você foi chamada, valerá a pena. Se sua alma ainda te estimula a ir adiante, no meio de seus medos no lugar triste que você indicou apropriadamente, então terá valido a pena. Nós todos estivemos onde você está e o caminho certamente continua, mais adiante, mais fundo, do que você compreende agora. Você está em uma jornada para si mesma.
Autor(a) Ivory Witch, forum da Amber & Jet.

A farsa do "anti-catolicismo"

A ideia de que o "anti-catolicismo" é uma força significativa na vida americana, hoje, é uma completa mentira, perpetrada teológica e politicamente pela ala conservadora da igreja católica romana - uma minoria entre os católicos leigos - e destinada a todos os que querem a continuação das tentativas da Igreja de impor os seus valores a todos os americanos.
As pessoas que gritam "anti-catolicismo" em todas as oportunidades utilizam a mesma tática dos Judeus de extrema-direita que acusam qualquer crítica à política israelense de anti-semitismo. E tal como o extremistas judaicos atacam judeus liberais, Católicos extremistas atacam católicos liberais, bem como aos liberais não-católicos.
A principal organização a promover a falsidade de que existe discriminação significativa contra os católicos é a Liga Católica para Direitos Civis e Religiosos, cujo presidente, William Donohue, tem aproveitado a mídia para se auto-promover como um "porta-voz" de todos os católicos americanos.
Um dos maiores pontos-cegos em grande parte da cobertura da imprensa sobre o religião é que ela tende a tratar como se houvessem só dois grupos, como "católicos" e "evangélicos", como se seus membros estivessem a bloquear os passos uns dos outros. Na verdade, há católicos liberais e católicos conservadores, tal como existem evangélicos protestantes liberais e fundamentalistas evangélicos. Liberais católicos têm muito mais em comum com os protestantes liberais do que com o tipo de católicos a quem Donohue afirma representar.
A maioria dos católicos americanos, como repetidas pesquisas de opinião pública tem demonstrado, rejeita os pontos de vista da liga conservadora sobre assuntos como a separação de igreja e estado (a liga quer se intrometer o máximo possível no governo), direito ao aborto e pesquisas de células-tronco.
No mês passado, Frances Kissling, a presidente do "Catholics for a Free Choice" (como o grupo Católicas pelo Direito de Decidir), anunciou a sua demissão após 25 anos como chefe da organização. O que realmente perturba os católicos conservadores não é discriminação, mas o fato de não concordarem com eles.
Os líderes católicos conservadores gostariam de fazer o relógio andar para trás até os dias em que a maioria dos católicos americanos deixavam seus sacerdotes e bispos pensarem por eles. Quando eu frequentava escolas paroquiais na década de 50, sacerdotes eram tratados como deuses pelos fiéis.
Aqueles eram os bons velhos tempos (para sacerdotes que se beneficiavam sendo tratados como divindades). Aqueles eram os maus velhos tempos para católicos que, apesar da incessante propaganda a qual tinham sido submetidos, insistiam em pensar por si próprios.
Hoje, a maioria dos católicos americanos leigos são surdos para um número de bispos particularmente ignorantes que têm atacado proeminentes políticos católicos apenas porque apoiamos a liberdade de escolha reprodutiva e investigação sobre células-tronco embrionárias.
Houve no passado uma história de anti-catolicismo protestante nos Estados Unidos, que data do alvorecer da república. Contudo, mesmo num momento em que católicos ainda encontravam discriminação social, a Igreja Católica foi extraordinariamente eficaz na escrita a sua agenda social e sexual em leis estaduais através de estatutos que obstruíam o acesso a contraceptivos e a informações sobre contraceptivos . Estas leis só foram derrubadas no início dos anos 60.
Mas a Igreja ainda não tinha desistido de tentar forçar a sua "versão de moralidade" sobre outros americanos. Em aliança com os fundamentalistas da direita protestante, a Igreja Católica apoia práticas hospitalares como negar às vítimas de estupro informações sobre a pílula do dia seguinte. Uma coisa a se dizer que os médicos não devem ser obrigados a fornecer o tratamento que viola suas crenças religiosas, é outra muito diferente dizer que eles não devem ser obrigados a fornecer referências e informações para os pacientes com diferentes crenças religiosas - e continuar a serem financiados pelos dólares dos contribuintes.
De fato, um dos mais extraordinários acontecimentos políticos dos últimos trinta e cinco anos, tendo em vista a história de anti-catolicismo protestante americana (no passado), é a aliança entre protestantes fundamentalistas e a Igreja Católica nos EUA. Esta aliança gravita em torno da questão do aborto, mas também se estende a muitas outras questões de "valores".
A Igreja Católica Romana é única pois é a única instituição religiosa que alega que seu líder, o Papa, é infalível em questões de fé e moral, e que seus fiéis católicos tem a obrigação de obedecer às sentenças papais. John F. Kennedy compreendeu muito bem esta questão, e é por isso que ele declarou inequivocamente, "Eu não falo pela minha Igreja sobre assuntos públicos, e a Igreja não fala por mim." Evidentemente, a posição de Kennedy sobre a separação entre a Igreja e o Estado, sem dúvida fez dele um mau Católico aos olhos de Donohue e seu bando.
Ninguém pode olhar para o imensa influência social, econômica e política dos católicos americanos hoje e pensar seriamente que o anti-catolicismo é um verdadeiro obstáculo ao seu progresso. Ouviu alguém chamar católicos de "papistas" ultimamente? E o termo pejorativo "mordedores de cavala" (uma referência a antiga proibição Católica de de se comer carne na sexta-feira, então comiam cavala, um peixe), antes comumente utilizada para denegrir católicos de origem irlandesa?
A maioria dos americanos com menos de 40 anos de idade não sabem sequer o significado desses termos, pois o preconceito que deu origem a esses termos se foi como também se foram as proibições por parte dos pais de que seus filhos se casassem com alguém de fora da sua fé.
Será que algumas pessoas zombam de certas crenças católicas e dizem coisas que a Igreja acharia ofensivas? É claro. As pessoas também zombam dos protestantes fundamentalistas que acreditam que a Terra foi criada em sete dias. Dependendo do seu ponto de vista, estas são piadas preconceituosas, céticas sobre crenças religiosas em geral, ou de mau gosto. Mas elas não constituem uma discriminação.
Discriminação é alguém negar emprego, educação, ou o direito de viver em um determinado bairro simplesmente por causa de sua religião. A discriminação é a recusa de votar em alguém apenas por causa de religião - e, devo acrescentar, irreligião. Uma esmagadora maioria dos americanos dizem que nunca iria votar a favor de um ateu. Se os americanos fizessem isso com os católicos, os que falam de "anti-catolicismo" teriam alguma razão. Mas a verdade é que os católicos não querem é que ninguém diga nada que critique a religião deles.
A acusação de discriminação anti-católica, é igual a rotulação de todos os críticos de Israel como anti-semitas, é um disfarce para aquilo que é essencialmente uma disputa entre conservadores e os liberais (ambos dentro e fora da Igreja Católica).
Um católico olhando para as "certezas da Igreja católica na América" nos anos 50, uma vez comentou que ela foi a única "A Igreja" (The Church, no sentido de que ela não sofria contestações). Não é mais assim. E nunca mais será, felizmente, na América. Catolicismo, como qualquer outra religião, não goza de qualquer imunidade de crítica secular em nossa nação.
Fonte: Hipocrisia Vaticana [Blog morto]

Homossexualidade bíblica

A história da amizade e amor entre Davi e Jônatas aconteceu na fase de início da monarquia em Israel, entre 1100 AC e 1000 AC, período que iniciou-se com uma série de invasões estrangeiras no território de Israel, invasões estas que a Bíblia apresenta como castigo pelo povo ter-se voltado para outros Deuses.
Naquela época o povo de Israel queria ter um rei como as nações inimigas. Samuel que era Juiz e sumo sacerdote, censurava o fato de rejeitarem a soberania de Deus, mas o próprio Deus acaba por pedir-lhe que faça de Saul príncipe de Israel.
Assim é feito, porém Samuel lembra ao povo que Deus estava acima do Rei. Saul tornou-se o primeiro rei de Israel, mas inicialmente não se interessou pela realeza. Porém, quando a cidade de Jabes de Galaad foi cercada pelos inimigos, ele resolveu juntar 300.000 homens e atacar de surpresa os inimigos Filisteus, obtendo sucesso. Assim, foi aclamado pelo povo e confirmado Rei. A partir daí guerreou todos os inimigos que ameaçavam Israel e os venceu. Porém certa vez Samuel indignou-se de Saul, quando este transgrediu a lei assumindo práticas de Sumo Sacerdote, que não lhe cabiam como Rei. Então Samuel rompe com Saul e profetiza que a sua dinastia não teria continuidade. Mas Saul manteve-se como Rei.
Samuel foi à aldeia de Belém de judá e ungiu Davi como sucessor de Saul, mas a conquista do trono não se daria imediatamente. Davi era o filho mais novo de um homem chamado Jessé e tinha sete irmãos. Era um personagem enigmático, tendo os Moabitas e Amonitas como antepassados. Deus ficou insatisfeito com Saul e enviou-lhe um espírito mau, que passou a atormentá-lo. Para acalmar-lhe o espírito, seus servos o aconselharam a procurar um homem que soubesse dedilhar a lira. Davi, o novo rei, conhecido pela arte de tocar a harpa foi então chamado à corte de Saul, que gostou das qualidades do rapaz e lhe deu o cargo de escudeiro.
Um dia, quando os exércitos filisteus se juntaram para atacar Israel, um soldado inimigo de enorme estatura, chamado Golias, desafiou um Israelita para um duelo. Com a permissão de Saul, Davi, carregando um cajado de pastor, algumas pedras e a funda, se apresentou diante do desafiante. O soldado o menosprezou, mas Davi com um golpe certeiro atingiu-lhe e o pôs por terra, desmaiado. Com a própria espada de Golias, Davi decepou-lhe a cabeça. Assustado, o exército inimigo retirou-se perseguido pelos homens de Saul. Conseguiu-se uma importante vitória. Depois de ter matado Golias, Davi foi conduzido à presença do rei, levando consigo a cabeça do inimigo. Naquele momento lá estava um dos dois filhos de Saul, de nome Jônatas. "Aconteceu que, terminado ele de falar com Saul, a alma de Jônatas apegou-se à alma de Davi. E Jônatas começou a amá-lo como a sí mesmo. Saul o reteve naquele mesmo dia e não consentiu que voltasse à casa de seu pai. Jônatas fez um pacto com Davi, porque o amava como a sí mesmo: Jônatas tirou o manto que vestia e o deu a Davi." I Samuel 18:1-4.
Admirado com Davi, Saul colocou-o à frente de parte de seu exército. Foi uma boa escolha, pois ele saiu-se muito bem, transformando as derrotas em vitórias e tornando-se famoso. Porém o sucesso de Davi começou a incomodar Saul, que passou a invejá-lo e a temê-lo, suspeitando que ele, como novo rei, poderia arrebatar-lhe o trono. Saul começou a planejar meios de livrar-se de Davi. Inicialmente pensou em dar-lhe uma das filhas como esposa, mas fez saber que antes queria que ele matasse cem inimigos, esperando que naquela empreitada acabasse morrendo pelas mãos dos inimigos, o que lhe isentaria de qualquer culpa. Aconteceu que Davi saiu-se bem novamente, matando não cem, mas duzentos soldados inimigos e então não restou alternativa a Saul que dar-lhe sua filha Micol como esposa. Davi, por sua vez, pensava que estaria protegido da ira de Saul, passando a ser genro do rei. Saul resolveu abrir o jogo e comunicou ao filho Jônatas e a todos os oficias a intenção de matar Davi.
"Ora, Jônatas, filho de Saul, tinha muita afeição por Davi, e advertiu a Davi dizendo: 'Meu pai busca a tua morte'" I Samuel 19:2. Depois Jônatas foi falar com seu pai e acabou por convencê-lo a deixar Davi em paz. Porém tão logo Davi conseguiu novas vitórias, Saul voltou a sentir ciúmes e a planejar matá-lo. Um dia, quando Davi estava dedilhando a cítara, Saul tentou traspassá-lo com uma lança, mas Davi conseguiu esquivar-se e fugiu para sua casa. Porém a mulher Micol o fez fugir secretamente de sua casa, pois soube que emissários do pai o matariam na manhã seguinte. Davi se escondeu em habitações de profetas, junto a Samuel, mas Saul soube disto e voltou a assediá-lo, obrigando-o novamente a partir, desta vez ao encontro do amigo Jônatas, que o tranqüilizou, pois acreditava que o pai não faria nada sem antes comunicar a ele.
Mas Davi respondeu "Teu pai sabe perfeitamente que me favoreces e, portanto, diz consigo: 'não saiba Jônatas nada a respeito disto, para que não sofra" I Samuel 20:3. Davi temendo ser morto por Saul, disse a Jônatas que não compareceria ao jantar na festa da lua nova, onde sua presença era esperada como chefe militar. Ele resolvera que permaneceria escondido no campo e pediu ao amigo Jônatas "Mostra afeto para com o teu servo, porque ele fez um pacto contigo em nome de Iahweh; mas, se cometi crime, mata-me tu mesmo, por que me levarias a teu pai?" I Samuel 20:9.
Davi pediu ao amigo que dissesse a Saul que lhe havia autorizado uma viagem e por isto não estaria presente no jantar. Jônatas convidou-lhe a sair ambos ao campo e respondeu-lhe que sondaria seu pai e se fosse o caso lhe ajudaria a fugir. Disse que Deus estaria com Davi como esteve com o Saul. Jônatas acreditava que Davi era predestinado a ser rei e pedia que quando isto acontecesse se lembrasse dele: "E se eu ainda viver, possa testemunhar comigo a bondade de Iahweh (Deus); se eu morrer, não deixes jamais de ser bondoso para com minha casa. Quando Iahweh suprimir da fase da terra os inimigos de Davi, que o nome de Jônatas não seja apagado com a casa de Saul, senão Iahweh o cobrará de Davi. Jonatas fez de novo juramento a Davi, porque ele o amava com toda a sua alma" I Samuel 20:14-17.
Jônatas combinou com Davi que faria exercícios de flexa no campo, próximo de onde estivesse escondido, e dependendo das palavras que dissesse ao servo que lhe acompanharia nos exercícios, saberia dos perigos que corria. Se ele dissesse ao servo para ir apanhar uma flexa e pronunciasse a frase "a flexa caiu para lá de ti", queria dizer que o pai estava mesmo decidido a matá-lo, mas caso a frase fosse "caiu para cá de ti" ele, Davi, estaria a salvo. E reafirmou: "Quanto ao assunto de que tratamos, eu e tu, Iahweh é testemunha para sempre entre nós dois" I Samuel 20:23. Na festa religiosa da lua cheia Saul estava reunido com Abner, chefe militar, e Jônatas e o lugar de Davi ficou vazio. Saul nada disse. No segundo dia da lua nova o lugar de Davi à mesa continuou vazio, pois ele estava escondido no campo. Saul questionou Jônatas, que tentou justificar a ausência do amigo dizendo que o tinha autorizado a viajar à sua cidade natal, Belém. Saul se inflamou de ódio: "Filho de uma transviada! Não sei eu que tomas partido do filho de Jessé, para tua vergonha e para a vergonha da nudez de tua mãe?" I Samuel 20:30.
Dizendo que o reino não estaria seguro enquanto Davi estivesse vivo, ordenou que o trouxesse de volta. Jônatas lhe respondeu: "Por que deverá ele morrer? Que fez ele?" I Samuel 20:32 "Jônatas se levantou da mesa fervendo de cólera, e não comeu nada nesse segundo dia do mês por causa de Davi, porque seu pai o tinha insultado." I Samuel 20:34. Na manhã seguinte Jônatas saiu para treinar o uso da flexa no campo e fez saber a Davi que o pai estava decidido a matá-lo. Usou das frases previamente combinadas, para que o servo que o acompanhava nos exercícios não desconfiasse de nada. E, após ordenar ao servo que levasse as flexas à cidade, pôde encontrar-se a sós com Davi. "E logo que o rapaz se foi, saiu Davi do lugar onde estava que olhava para o meio-dia, e inclinando-se até a terra lhe fez três profundas reverências: e beijando-se um ao outro, choraram ambos, mas Davi mais." I Samuel 20:41.
"Disse pois Jônatas a Davi: Vai-te em paz: uma vez que nós juramos ambos em nome do senhor, dizendo: O Senhor seja sempre testemunha entre mim e ti, e entre a minha geração e a tua geração." I Samuel 20:42. Davi começou uma vida errante que o levaria a tornar-se finalmente Rei de Israel. Mas antes, exasperado pelas perseguições de Saul, pôs-se a serviço dos Filisteus, tendo se tornado comandante da cidade de Siclag. Porém Davi nunca deixou de manter boas relações com a tribo de Judá, tendo sido proclamado rei em Hebron, após a morte de Saul. Com a morte de Abner, comandante o exército, e depois Isboset o irmão de Jônatas e herdeiro do trono, Davi foi sagrado Rei de todo o povo de Israel. Instalou sua capital em Jerusalém, expulsando os povos que la viviam e submetendo definitivamente os Filisteus, dando a Jerusalém a sua importância histórica. Davi teve Saul em suas mãos, em uma caverna em En-Gedi, mas não o matou. Saul e Jônatas morreram guerreando. Davi não esqueceu o pacto que fizera com Jônatas e a promessa de ser bondoso para com a sua casa.
Quando já era Rei, acolheu o filho de Jônatas: "Haverá algum sobrevivente da família de Saul, para que eu o trate com bondade por amor a Jônatas?" 2 Samuel 9:1. Disse ao filho de Jônatas, quando este foi trazido à sua presença: "Não tenhas medo, porque eu quero tratar-te com bondade, por amor a teu pai, jônatas. Eu te restituirei as terras de teu pai e comerás sempre à minha mesa." 2 Samuel 9:7. Além do amor por Jônatas, Davi teve várias mulheres: Abigail que foi sua mulher juntamente com Ainoã, Bersabé com quem cometeu adultério, mas da qual nasceu Salomão, seu herdeiro de quem descendem Maria e José, pais de Jesus Cristo. Nota-se que a amizade e o amor de Jônadas e Davi permaneceram acima de todos os acontecimentos e amores de Davi. Mesmo depois da partida de Davi, perseguido por Saul, Jônatas esteve sempre próximo a ele, apesar de não ter abandonado a casa do pai. Em um encontro posterior que teve com Davi reafirmou-lhe Jônatas: "Tu reinaras sobre Israel, e eu serei seu segundo. Até mesmo meu pai Saul bem sabe isso" 1 Samuel 23:17.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Sexualidade e Cultura

A sexualidade é um tema relevante em todos os aspetos da vida das pessoas, depois do advento da Psicanálise foi possível modificar a postura e entendimento sobre a sexualidade da criança.
O desenvolvimento da sexualidade humana começa com as manifestações de sexualidade na infância, o contato físico, quando os bebês são segurados e acariciados. Os órgãos do sentido têm íntima relação com o centro sexual do cérebro e por isto a sucção ou o contato da pele provocam excitação nas crianças. Isto é necessário e natural que aconteça; não se deve privar o bebê de contatos corporais, o que não prejudicará nem tampouco estimulará inadequadamente a criança.
A auto-exploração ou masturbação é outra experiência fundamental para a sexualidade saudável. A criança cedo aprende a brincar e a tirar prazer de seu próprio corpo, e isto faz parte de seu desenvolvimento tanto quanto engatinhar, andar ou falar. A experiência da auto-exploração só trará prejuízos se for punida ou se a criança sentir-se culpada por esta atividade natural.

A comida, a bebida e o sexo são ressaltados com sua devida importância entre os gregos antigos. As diferentes culturas em diferentes épocas fazem uso de costumes que variam de acordo com a evolução da condição humana, seus valores podem ser modificados depois de um longo ou curto período de utilização como sendo correta.
Sendo assim, o sexo, a comida e o consumo de drogas sempre foram elementares para o homem, outro dado relevante é que se observar a história da civilização, o homossexualismo masculino por exemplo, era uma prática aceita em toda a Roma, onde foi fortemente reprimido durante a Idade Média.
Nos primórdios da civilização, as atividades sexuais eram livres entre homens e mulheres, e entre adultos e crianças sem que isso tivesse uma conotação de promiscuidade. Porém a sexualidade tem mudado de acordo com as mudanças de valores das diferentes épocas da humanidade. O que era considerado comum como o sexo entre adultos e crianças, o homossexualismo e a prática de sexo com varias crianças e poucos adultos na Grécia Antiga, hoje é ilícito e considerado patológico, fato que carece de um tratamento psicológico adequado.
A humanidade desde seus primórdios tem oferecido tratamentos diferenciados à criança de acordo com o seu contexto histórico e sua evolução. Nos primórdios da civilização humana as crianças eram vistas como adultas em miniaturas, esse fato favorecia a serem tratadas como adultos, diferenciando dos demais apenas pelo tamanho e pela força que era menor.
O Imperador Adriano tinha freqüentes atos sexuais com meninos e adultos também e por ser considerado passivo, adotou uma lei que todo homem da sociedade que fosse passivo deveria ser considerado como ilegal, só seria considerado digno de passivo, escravos, mulheres e crianças.
Adriano considerado um grande imperador fazia as mesmas práticas sexuais das quais seus ancestrais praticavam, uma vez que era considerado normal e aceito na sociedade romana de sua época, porém de acordo com as novas visões de mundo de cada imperador novas leis eram instituídas, assim o mesmo colocou como sendo normal o ato sexual do ativo, sendo que o passivo passou a ser considerado ilegal, pois ele não o era, ou não gostaria que seus súditos soubessem que era passivo e por isso instituiu leis, por acreditar que ser o parceiro passivo não era digno de ser chamado de parceiro.
Voltando mais no tempo e ainda na Grécia Antiga era comum que as crianças fossem educadas por um tutor ou cuidador, estes por sua vez, era um admirador e poderia ter um amante e instigar os alunos a terem relações sexuais com homens. O casamento era apenas uma formalidade para a sociedade.
Os amantes tinham idade entre 20 e 40 anos, mas era comum ainda crianças de 4 a 5 anos que eram aliciadas para atender aos desejos sexuais de adultos. O que se percebe é que diferentes culturas tiveram diferentes formas de interpretar as relações entre crianças e adultos, enquanto em tempos áureos os romanos acreditavam ser normal essa relação, assim como o incesto e as demais formas de relacionar que hoje são denominadas de parafilias.

Os meios de comunicação, que hoje bombardeiam com programas de baixa qualidade, músicas erotizantes e danças de igual quilate, são hoje um grande impasse na educação de meninos e meninas. Como evitar que a criança seja vítima desta superexposição inadequada do sexo e que assim se sexualize precocemente?
Autora: Ana Mascarenhas em Webartigos.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Carta aberta pela diversidade

Carta aberta do Seminário Inter-religioso de Diversidade Sexual do Cone Sul.
Buenos Aires, 11, 12 e 13 de julho de 2008.
Os e as abaixo-assinados/as, pertencentes a diferentes religiões e formas de viver a espiritualidade e a sexualidade: lésbicas, gays, travestis, transexuais, bissexuais e heterossexuais, mas conscientes de que as etiquetas não conseguem resumir-nos nem definir-nos como indivíduos com personalidade única, singular e irrepetível, reunidos e reunidas no "Seminário Inter-religioso de Diversidade Sexual do Cone Sul", organizado por Católicas pelo Direito de Decidir:

Celebramos:
Nossos corpos e nossas vidas tentando somar esforços a nossas lutas pelos direitos de todas as pessoas e em especial pela não discriminação.
Conscientes de que muitas vezes as teologias, as igrejas e as religiões, em seus discursos e práticas, foram fonte de culpabilidade para o corpo e o espírito, nós queremos reconhecer e vivenciar a alegria e o prazer do corpo como dom de Deus.
Conscientes de que outras teologias e religiões são possíveis, como experimentamos através da convivência de reflexões bíblicas e teológicas, produzidas a partir das diferentes experiências organizadas que articulam a diversidade sexual e a religião; e também de nossas práticas políticas, que se unem a outras práticas libertadoras e promotoras de vida em nossa região.
Nos aliamos:
Às pessoas, grupos e movimentos que lutam contra a pobreza e a desigualdade - que se aprofunda em nossos países e no mundo inteiro - em razão de sistemas políticos e econômicos que valorizam o capital, a propriedade privada e o lucro sobre a dignidade humana, questões que também afetam nossa comunidade, que em muitos aspectos continua sendo excluída e marginalizada política e economicamente por sua construção de identidade de gênero e orientação sexual.
Às pessoas, grupos e movimentos que lutam contra a exploração e a destruição da natureza, que é uma conseqüência desse mesmo sistema político e econômico, afirmando o valor intrínseco da criação e de seu caráter sagrado.
Às pessoas, grupos e movimentos que lutam contra toda forma de fundamentalismo e unilateralismo, afirmando a pluralidade e a necessidade de repensar e reinventar os conhecimentos e os processos de sua construção.
Por isso nos pronunciamos:
- Pela liberdade teológica e religiosa, reconhecendo que a teologia e a religião não são "UNAS", e revalorizar as teologias que emergem dos diferentes lugares de exclusão.
- Por teologias e religiões libertadoras e pela libertação de toda teologia e de toda religião - que com violência simbólica e/ou emocional exclui ou provoca a exclusão das pessoas LGBTTTs, em particular e/ou outros grupos sociais, reconhecendo a contribuição e questionando os limites das teologias da libertação e das teologias feministas a nossas próprias construções teológicas a partir da diversidade sexual.
- Pelas transformações necessárias para que as pessoas LGBTTTs não tenham que viver sua fé no silêncio ou em solidão e haja lugar para a vivência comunitária.
- Pelo diálogo e a articulação com os movimentos sociais organizados para que possamos encontrar juntos e juntas, estratégias para fazer frente aos fundamentalismos religiosos, sem negar a espiritualidade e a religiosidade das pessoas, especialmente os pobres e os marginalizados de nossa sociedade.
- Pela abertura das diferentes confissões, em especial as que têm uma tradição histórica em nossa região e um poder sócio-político preponderante, para que proporcionem vivências de um Deus [e Deusa-NB] da Vida , que nos convida a viver e vivenciar o Amor.

Fonte: Adital.

Concordata Brasil – Santa Sé

Tratado entre o Governo e a Santa Sé atende aos interesses da Igreja Católica e contradiz direitos trabalhistas.
O acordo jurídico entre Governo e Vaticano, agora concordata Brasil – Santa Sé, volta às manchetes meses depois de sua assinatura, em novembro de 2008, quando foi firmado pelo presidente Lula em encontro com o Papa Bento XVI, no Vaticano. No último dia 30 de junho foi aprovado pedido de urgência na tramitação da concordata, reacendendo o debate sobre vários aspectos problemáticos do documento. Os principais, a sua constitucionalidade, a questão da laicidade no Brasil e, especificamente, o Artigo 16, que aborda questões trabalhistas, traz muitas perguntas e parece conflitar com as leis vigentes no país, e até mesmo com a Doutrina que acaba de ser estabelecida pela Encíclica Caritas em Veritate. Aprovado o pedido de urgência, o acordo, que cria o Estatuto Jurídico da Igreja Católica no Brasil, pode ir direto para votação no Plenário,
sem passar pelas comissões de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, de Trabalho, de Administração e Serviço Público, de Educação e Cultura, de Constituição e Justiça e
de Cidadania.
O Acordo e os direitos trabalhistas.
O texto do Estatuto Jurídico da Igreja Católica no Brasil, estabelecido pelo acordo Brasil – Santa Sé, diz que “dado o caráter peculiar religioso e beneficente da Igreja Católica e de suas instituições:

I - O vínculo entre os ministros ordenados ou fiéis consagrados mediante votos e as Dioceses ou Institutos Religiosos e equiparados é de caráter religioso e, portanto, observado o disposto na legislação trabalhista brasileira, não gera, por si mesmo, vínculo empregatício, a não ser que seja provado o desvirtuamento da instituição eclesiástica;
II - As tarefas de índole apostólica, pastoral, litúrgica, catequética, assistencial, de promoção humana e semelhantes poderão ser realizadas a título voluntário, observado o disposto na legislação trabalhista brasileira”.
Há, aí, o perigo de a instituição transformar todo o trabalho realizado na Igreja em voluntariado e, assim, isentar-se de qualquer obrigação de caráter trabalhista previdenciário ou afim.
Segundo Luís Antônio Cunha, coordenador do Observatório da Laicidade do Estado (OLE), “a Concordata separa os quadros da igreja de todos os demais da legislação trabalhista brasileira e da justiça do trabalho”. “Ela retira de seu âmbito todos os casos de petições de reivindicações de direitos para sacerdotes, irmãos, leigos e freiras, enfim do pessoal da igreja católica”, afirma em texto publicado no site da CCR (http://www.ccr.org.br/a_destaque_jogorapido070709-luizcunha.asp). “Isto é incrível porque o que está acontecendo é que gente que trabalha para a Igreja Católica durante décadas e depois vai à justiça do trabalho e busca reivindicar direitos, vai encontrá-la legalmente impedida”, comenta Cunha, explicando, ainda, que, sendo o contrato de
prestação de serviços religiosos de caráter privado, caso alguém queira abrir mão de remuneração, abdicando de todo e qualquer direito trabalhista, há a necessidade de se firmar um outro contrato entre o religioso e a instituição. “Um contrato privado, portanto”, diz e continua. “O que não pode é o Estado brasileiro determinar que tal contrato não pode envolver remuneração, em qualquer momento, e determinar seu caráter voluntário. Isso é uma violência contra a situação atual e futura dos indivíduos envolvidos e uma benevolência sem fundamento em favor da Igreja Católica, atual, passada e futura ré em ações trabalhistas movidas por ex-padres, ex-freiras e outras categorias de religiosos”.
A Encíclica e o Acordo: discurso versus prática.Frente às reivindicações expostas na terceira encíclica do Papa Bento XVI, o acordo entre o Brasil e a Santa Sé expõe as contradições da Igreja Católica. Na Carta Encíclica Caritas in Veritate, de 29 de junho, o pontífice escreve que “o mercado motivou novas formas de competição entre Estados procurando atrair centros produtivos de empresas estrangeiras através de variados instrumentos tais como impostos favoráveis e a desregulamentação do mundo do trabalho” e que estes processos acarretaram “grave perigo para os direitos dos trabalhadores”.
Ora, por que, então, não garantir os direitos trabalhistas de quem tem vínculo empregatício com a Igreja Católica e por que colocar no acordo um artigo sobre imunidade tributária (Artigo 15 - Às pessoas jurídicas eclesiásticas, assim como ao patrimônio, renda e serviços relacionados com as suas finalidades essenciais, é reconhecida a garantia de imunidade tributária referente aos impostos, em conformidade com a Constituição brasileira; § 1º. Para fins tributários, as pessoas jurídicas da Igreja Católica que exerçam atividade social e educacional sem finalidade lucrativa receberão o mesmo tratamento e benefícios outorgados às entidades filantrópicas reconhecidas
pelo ordenamento jurídico brasileiro, inclusive, em termos de requisitos e obrigações exigidos para fins de imunidade e isenção)?
Enquanto o pontífice discursa sobre a necessidade de se criar maiores garantias aos trabalhadores e fala do risco destes perderem seus direitos, na prática, a igreja acaba se colocando ao lado daquelas grandes corporações competitivas preocupadas apenas em lucrar e a quem tanto condena. Através de um contrato jurídico, distorcendo o que diz a Constituição, busca garantir vantagens materiais e financeiras por meio de imunidade tributária e passa por cima das leis trabalhistas. Por trás dos termos da concordata, que também incidem sobre educação religiosa, outra questão polêmica, e casamento, parecem estar os mesmos interesses de sempre da Igreja Católica de se embrenhar em todos os setores da vida pública do país e salvaguardar o seu poder, inclusive econômico.
Brasil: Estado Laico?
A concordata Brasil – Santa Sé, uma “versão” do tratado Portugal – Santa Sé, ainda coloca em risco o Estado Laico brasileiro e não pode ser aprovada sem ampla discussão na sociedade. Desde a sua assinatura, instituições e organizações que atuam em defesa dos direitos humanos e da Democracia insistem que os termos do acordo, além de desconhecidos pela maior parte da população, desrespeitam a pluralidade religiosa e respondem exclusivamente aos interesses da Igreja Católica. Na audiência pública realizada em Brasília no último dia 7 de julho, parlamentares e convidados questionaram a constitucionalidade da concordata, já que o artigo 19 da Constituição Federal diz não ser permitido fechar nenhuma aliança ou acordo com representações religiosas.
Ontem (15/07), em mais uma reunião em Brasília, os parlamentares contrários a aprovação do texto pressionaram a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional e a votação da concordata foi adiada para o dia 5 de agosto. O relator da comissão, deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), favorável ao texto, repetiu o argumento do ministro-chefe da Divisão de Europa I do Ministério das Relações Exteriores, Cláudio Raja Gabaglia Lins, de que o tratado apenas reforça o que já está na Constituição e de que foi assinado com a Santa Sé, e não com a Igreja Católica. A explicação não convence. As relações da instituição com o Governo brasileiro são bastante antigas, assim como sua forte atuação política, e uma concordata Brasil – Santa Sé gera divergências e expõe também a vulnerabilidade do Estado Laico brasileiro.

Fonte: Revista da Comissão de Cidadania e Reprodução.

Pagãos no Governo da Escócia

Servidores do Governo Escocês são mais pagãos praticantes do que membros das muitas religiões majoritárias mundiais.
Sete servidores civis declararam cultuar a natureza e vários Deuses Antigos durante um recente estudo sobre diversidade religiosa - um número mais alto do que judeus, siks ou hindus.
Entretanto, eles não terão tratamento especial - como os policiais pagãos que na semana passada conquistaram o direito de tirarem férias para suas datas sagradas, como o solstìcio de verão
.
O Censo de 2001 encontrou mais de 30 mil pagãos no Reino Unido, cerca de 2 mil na Escócia - embora no Reino Unido como um todo possa ser maior do que 200 mil e ainda crescendo.
Até 50 anos atrás a crença, que tem raízes no período pré-histórico, foi efetivamente banida por causa das leis anti bruxaria.

Fonte: Daily Express

sábado, 18 de julho de 2009

Formando iniciadores e iniciados

As preocupações daqueles que buscam trilhar o Caminho dos Sábios, em princípio, são centradas na obtenção da Iniciação. A Iniciação parece, aos olhos do leigo, um ato mágico que, por si só, fará com que uma pessoa comum se torne especial e acesse poderes que não estão à disposição de qualquer um. “-Plim, ao toque desta varinha vc está iniciado!”. Ilusões.
Quando a pessoa realmente chega ao Caminho e começa a se preparar para trilhá-lo de verdade essas idéia infantis dão lugar a uma compreensão maior: a Iniciação não é um fim em si mesma. O rito chamado Iniciação nada mais é que um rito de passagem, o marco de reconhecimento de uma mudança de estado da pessoa para quem ele será celebrado. A Iniciação é , pois, o marco de uma mudança de vida. Quem já compreende isso sabe que o rito em si – embora realmente vá investir o Iniciado de certas chaves de poder ancestral – não é o que concede poderes, apenas reconhece que a pessoa em questão já acessa esses poderes.
O acesso aos poderes dos Antigos é, pois, a marca d@ Brux@, ou seja, a certeza de que a pessoa conseguiu estabelecer uma relação pessoal, especial e contínua com a Deusa Tríplice e o Senhor Hastado [Deus Cornífero-NB].
Mas, afinal, como se distingue um Iniciado de uma pessoa comum? Dentre as muitas respostas cabíveis, eu gosto de usar uma fórmula bem simples: “Um Iniciado é um Desperto, enquanto outras pessoas estão adormecidas.” Esse aforismo contém uma referência muito específica a uma faceta do caminho Wiccaniano. Wicca é um caminho de poder pessoal, e portanto, é um caminho de auto-conhecimento e auto-equilíbrio.
A justificativa para essas afirmações é simples: se alguém não conhecer a si mesmo, jamais conhecerá os Deuses. A obrigação contínua de auto-observação, avaliação crítica e busca de maior equilíbrio é o que carateriza um Iniciado.
Durante o tempo em que ocorre o processo iniciático (entendido este como o período em que alguém deixa operar em si as transformações que o tornarão um Desperto, comumente designado como período de Dedicação) a pessoa contará, muitas vezes com um Iniciador, que acompanhará seu processo e avaliará o que ocorre com ele, aconselhando-o, corrigindo-o e instruindo-o, ou algumas vezes silenciando para que ele aprenda por si só.
O auto iniciado encontra justamente nisso sua maior dificuldade: sem um Iniciador não tem parâmetros para julgar seus progressos e dificuldades e seu caminho é muito mais árido, embora não impossível, se ele se abrir a escutar os Deuses.
Ao final do tempo da Dedicação, quando alguém se inicia, é mister que já esteja ciente de todos os processos de seu despertar, ou seja, que possa observar-se, criticar-se e determinar-se sozinho. Mas, na experiência das Tradições, não é isso que ocorre. Um recém iniciado não é alguém que atingiu um alto grau de sabedoria e vivência, é , como o nome diz, alguém que apenas começou...
Podemos dizer que o estado de recém iniciado implica o mínimo. O mínimo necessário de auto-conhecimento, relação com os Antigos, habilidades mágicas, dons desenvolvidos.
Os anos que se seguem à Iniciação serão destinados a obter a maximização desses mínimos. O Iniciado deve aprender mais, compreender mais, aprofundar mais seu conhecimento dos Deuses e de si mesmo. Deve dar mostras cabais de que se tornou mais equilibrado, vive melhor, anda pelo mundo em maior harmonia.
Nesse tempo, o papel do Iniciador consiste em ensinar ao Iniciado diversas técnicas, modelos, atividades, que permitirão que ele seja capaz de auto-determinar-se, criticar-se e equilibrar-se sozinho em algum momento do caminho.
Assim, se a iniciação implica em tornar alguém Desperto, o período pós-iniciático destina-se a tornar essa pessoa cada vez mais independente do Iniciador, fazendo por si mesmo o papel que desde o começo da dedicação coube ao Iniciador. Agora, caberá a ele ser guardião de seu próprio estado de despertar. Nesse processo de aprender o que seu Iniciador fazia por ele, e que agora cabe a ele mesmo fazer, um Iniciado pode ter despertada sua vocação para tornar-se, ele mesmo, um Iniciador.
Cabe aqui um alerta: é muito comum que pessoas recém iniciadas, muitas vezes movidas por um entusiasmo legítimo e uma ânsia de servir aos Deuses, creiam que já estão prontos para dedicar outras pessoas. Isso é sempre uma ilusão grave e potencialmente perigosa: um potro recém nascido imediatamente após o parto já anda. Mas se alguém tentar colocar nele uma cela e uma carga, quebrará suas patas e sua vida se perderá, morrerá por ter tentado assumir uma carga maior do que a que tinha capacidade de levar. Um recém iniciado é como o potro recém nascido: não deve querer carregar o fardo pesado de ter dedicados, deve se concentrar em seu próprio crescimento e fortalecimento antes de ter a pretensão de carregar mais peso, ajudar outros. Quando chega o tempo certo, porém, cabe ao Iniciador originário a tarefa hercúlea de formar outro Iniciador. Como isso acontece?
É preciso que além do que o Iniciador ensina aos Iniciados comuns, àquele que tem o destino de ser um Iniciador devem ser repassadas as formas pelas quais o seu Iniciador é capaz de acompanhar os processos iniciáticos. Há todo um universo de experiências que devem ser compartilhadas, explicações dadas pelo Iniciador. Também é muitíssimo importante que esse Iniciado mais antigo comece a acompanhar as Dedicações feitas pelo seu Iniciador, e junto com ele observe, julgue e aprenda o que ocorre com as pessoas para torná-las Despertas.
Não existe uma receita de bolo para isto, como não existe para nada no processo iniciático. Cada experiência é única, mas a observação de pontos comuns a diversos processos ajuda o novo Iniciado a criar sua própria capacidade de observação e julgamento, dando a ele um Olhar de Iniciador.
Quando isso ocorre, e somente quando isso ocorre – sem nos preocuparmos em falar em tempo cronológico, porque o calendário não importa, importam as mudanças internas- é que o Iniciado pode se considerar apto a ser um iniciador. E somente nessa hora é que ele deve aceitar pedidos de Dedicação.
Conheço bem a comunidade wiccaniana em geral, compreendo a ânsia dos novatos e também compreendo a vontade dos que já aprenderam em compartilhar aquilo que descobriram. Mas a importância desse ato – aceitar um pedido de dedicação – é enorme, e somente deve ser realizada por pessoas que realmente saibam de suas gravíssimas implicações. Se você lidera um grupo, um circulo, um coven, fora de tradições e está aceitando pedidos de dedicação, pense nisso: você realmente está apto a forjar um novo instrumento para os Deuses? Você já é um Desperto? Você pode ensinar alguém a Despertar? Você já pode ensinar alguém a tornar-se aquele que Desperta os outros? Se a resposta for não, talvez seja um tempo de, ao invés de você ensinar, aumentar seus conhecimentos buscando uma Tradição ou algum outro tipo de aprendizado que supra suas deficiências. Dê tempo a si mesmo para crescer e tornar-se capaz. Ser responsável por si mesmo na Arte já é muito. Ser responsável por outros é muito mais, e muito será exigido daquele que se arvora conhecedor dos Mistérios.
Formar Iniciados já é bem difícil. Formar Iniciadores é muito mais. É preciso que haja muita sintonia, muito amor, muita entrega, tolerância, perseverança e compaixão de parte a parte. É preciso se irmanar no dia claro dos Deuses, e na noite escura da alma. E é preciso, acima de tudo, ser completamente apaixonado pelo ser humano e pelos Deuses que o amam.
Por: Mavesper Ceridwen, em tópico da Sociedade Wicca.
Nota: Curiosamente/coincidentemente [ou não], esta foi praticamente a minha postura diante da autoiniciação e eu fui banido não por infração às regras e diretrizes da comunidade, mas porque eu estava contestando e desafiando a suposta autoridade do proprietário. Como disse em "Caixa de Pandora", essas pessoas estão mudando aos poucos seu discurso, tentando mostrar uma seriedade, mas de fachada, para aumentar a clientela.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Policiais pagãos

Três jornais virtuais noticiaram que no Reino Unido os Policias Pagãos estão formando grupos de apoio e se organizando para conseguirem permissão para celebrar suas datas religiosas: o Daily Express, o The Sun e o Metro.
Até aí, não parece nada de mais, afinal policiais são humanos e, como qualquer pessoa, tem suas crenças e precisam expressá-las. O problema começa quando essa associação pode vir a receber verba pública.
Enquanto os policiais eram cristãos e celebravam cerimônias e datas religiosas cristãs não havia problema algum, mas como agora os que optaram pelo Paganismo querem simplesmente o mesmo tratamento, são criticados, como foi feito pelo Daily Mail [imagem tirada da charge]. A imagem não podia ser mais explicita para dar a idéia que fazem sobre o Paganismo, sua crença e suas celebrações. Eu escrevi aqui sobre como a visão social tende a ser preconceituosa, discriminadora e intolerante diante de algo que não se encaixa nos padrões convencionados. Eu também devo ter algum tópico falando de como a sociedade tende a proteger a religião ou a ignorar os absurdos cometidos pela mesma quando esta é a "socialmente aceita".
Os Policiais Pagãos no Reino Unido apenas querem o que qualquer pessoa que segue uma religião pede do Estado, que seja do seu direito e não prejudique o direito de outrem ou a função que ocupa que é o reconhecimento de sua religião, a permissão para observar suas datas sagradas e a proteção legal.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Cristianismo = Decadência

A fidelidade dos cidadãos entre si e o Estado foi confirmada pelos hábitos da educação e pelos preconceitos da religião. A honra, assim como a virtude, era o princípio da república; os cidadãos ambiciosos trabalharam para merecer as glórias solenes de um triunfo; e o ardor da juventude romana foi inflamado na imitação ativa tão frequentemente como admiravam as imagens domésticas de seus antepassados.
Porque a felicidade de uma vida futura é o grande objeto da religião, nós podemos ouvir sem surpresa ou escândalo que a introdução, ou pelo menos o abuso da cristandade, tiveram alguma influência no declínio e na queda do império romano. O clero pregou com sucesso as doutrinas da paciência e da covardia; as virtudes ativas da sociedade foram desanimadas; e as últimas sobras do espírito militar foram enterradas no claustro: uma grande parcela de riqueza pública e particular consagradas às demandas ilusórias da caridade e da devoção; e o pagamento dos soldados foi consumido nas multidões inúteis de ambos os sexos que poderiam somente defender os méritos da abstinência e da castidade.
A fé, o zelo, a curiosidade, e as paixões mais mundanas da malícia e da ambição, inflamaram a flama do desacordo teológico; a igreja, e mesmo o Estado, foram confundidos pelos fatores religiosos, cujos os conflitos eram às vezes sangrentos e sempre implacáveis; a atenção dos imperadores foi desviada dos acampamentos aos sínodos; o mundo romano oprimido por uma espécie nova de tirania; e as seitas perseguidas transformaram-se nos inimigos secretos de seu país. Os bispos, de dezoitocentos púlpitos, inculcaram o dever da obediência passiva a um soberano legal e ortodoxo; seus conjuntos freqüentes e correspondência perpétua mantiveram o comunhão de igrejas distantes; e a têmpera benevolente do evangelho foi reforçada, embora confirmada, pela aliança espiritual dos católicos. A indolência sagrada dos monges foi abraçada devotamente por uma era servil e efeminada; mas se a superstição não tinha tido recursos para um recuo aceitável, os mesmos vícios tentariam os romanos indignos abandonar, das morais mais baixas, o padrão da república.
Fonte: Gibbon, Edward. Observações Gerais sobre a Queda do Império Romano no Ocidente.

Os reinos bárbaros

A formação dos reinos bárbaros na Europa se deu com o processo das invasões dos povos germânicos.
Na primeira fase chegaram os bárbaros, associados do império romano, que estabeleceram tipos de estados relativamente frágeis e efêmeros.
Na segunda fase, os reinos bárbaros deram origem a instituições mais duradouras, bases para as monarquias feudais.
A primeira fase de invasão dos barbaros começou em 406, quando uma confederação de povos vândalos, suecos e álamos cruzou o rio Reno e iniciou a penetração efetiva no império romano. Quando os bárbaros iniciaram essa marcha através dos territórios romanos, a unidade do império já estava desfeita. Os bárbaros não conseguiam substituir a antiga autoridade romana por uma autoridade bárbara, pois as tribos ainda tinham herança primitiva na organização de suas sociedades, não conheciam o Estado, ignoravam a escrita e tinham suas velhas religiões pagãs.
Outra característica importante desta primeira fase das invasões bárbaras é que esses povos se distanciavam muito de suas terras de origem. Os vândalos, por exemplo, viajaram desde regiões próximas da atual Polônia até o norte da África, passando pela Gália e pela Espanha.
Os primeiros Estados bárbaros que se formaram tiveram de se apoiar nas instituições romanas existentes nas regiões onde se fixaram. As características econômicas destes primeiros Estados bárbaros se apoiaram na antiga relação entre romanos e bárbaros, 2/3 das terras ficaram com os germânicos, juntamente com escravos e trabalhadores; o restante ficou com a antiga nobreza provincial romana.
O que havia era uma espécie de associação entre a nobreza barbara e a nobreza romana das províncias e os pequenos proprietários e camponeses tornaram-se dependentes dos dois. Pouco a pouco, a autoridade desta nobreza barbara foi aumentando. Suas propriedades tornaram-se maiores e eram trabalhadas pelos soldados bárbaros, pelos escravos romanos e pelos camponeses dependentes.
A partir daí o Estado bárbaro foi tomando corpo em monarquias rudimentares, onde os reis mantinham sua autoridade, apoiados por grupos de nobres armados e fiéis ao seu chefe. No nível religioso, estes bárbaros forma gradativamente convertendo-se ao cristianismo, o que ajudava a consolidar a aristocracia bárbara no poder, na medida em que as velhas religiões comunitárias desapareciam.
Outra característica dos Estados bárbaros desta primeira fase era a preservação do escravismo e do colonato, formas de trabalho herdadas do império romano.
A segunda fase das invasões barbaras germânicas marcou a conquista da Gália pelos francos, o domínio da Inglaterra pelos anglo-saxões e a conquista da Itália pelos lombardos. Os povos que chegaram nesta segunda vaga tinham sua pátria de origem bem mais próxima que os povos anteriores. Este fato facilitou o envio de reforços de contingentes para consolidar a conquista. Ao mesmo tempo, os francos, anglo-saxões e lombardos chegaram lentamente, o que proporcionou um povoamento mais seguro e concentrado.
Uma outra diferença foi o fato de que tanto os lombardos como os francos simplesmente confiscaram as terras dos romanos e as distribuíram entre suas escoltas nobres. Esta segunda etapa das invasões germânicas produziu uma solida aristocracia territorial, ao mesmo tempo que reforçou as aldeias comunitárias de camponeses, ambas características do futuro sistema feudal. Outra importante característica desta segunda fase das invasões é que as leis romanas deixaram de prevalecer. Começou a ser utilizado um sistema de leis baseado em códigos de antigos costumes bárbaros.
Fonte: Pedro, Antônio. História Antiga e Medieval - pg. 261 a 265.

O mundo germânico

Quando o Império Romano começou a sofrer dos males que o levariam ao fim, os povos chamados germânicos começaram a penetrar e a se instalar além das fronteiras do moribundo império.
Pouco a pouco, a medida que o império chegava ao fim, foram surgindo nações bárbaras onde antes estavam os territórios do império.
Os povos germânicos habitavam as regiões ao sul da Escandinavia, em quase toda a região da Dinamarca. A oeste chegavam a ultrapassar o rio Reno.
O conhecimento destes povos foi ampliado depois que César fez a campanha na Gália e manteve contato com as tribos germânicas.
Até essa época, os povos germânicos eram sedentários e viviam do pastoreio e da agricultura. A terra pertencia a toda a tribo e os chefes das famílias é que determinavam qual parte do solo devia ser cultivada. Somente os rebanhos eram de propriedade privada dos principais guerreiros da tribo. As tribos só possuíam um chefe na época de guerra. Resumindo, os bárbaros germânicos viviam no que se convencionou chamar de sistema comunitário primitivo.
A partir do século I da era cristã, o sistema comunitário primitivo dos germânicos começou a se transformar a medida que aumentava o contato com os romanos. O comércio que os romanos mantinham com os germânicos gerou disputas no interior das famílias e tribos dos bárbaros, pois os chefes guerreiros vendiam seu gado para obter mercadorias dos romanos, vários chefes guerreiros atacavam outras tribos para obter prisioneiros e vendê-los aos romanos, a terra passou a ser distribuída para alguns indivíduos e não mais para toda a tribo.
A partir destas mudanças iniciais, toda a estrutura da sociedade primitiva se alterou profundamente. Formou-se uma aristocracia hereditária que fazia a guerra para aumentar a sua propriedade. No interior destas aristocracias proprietárias surgiram chefes com poder quase semelhante ao dos futuros reis. Os lideres de cada tribo, que se apoderavam das terras comunitárias, formaram escoltas, isto é, grupos de guerreiros que se distanciavam cada vez mais dos outros membros das tribos.
Pouco a pouco, formou-se uma nobreza barbara que não trabalhava mais no campo e se mantinha a custa do trabalho de alguns camponeses escravizados ou dependentes. A autoridade politica dos chefes era mantida pela força, com a ajuda dessas escoltas armadas. Isto levava a lutas entre os chefes rivais que queriam manter o poder. A antiga assembleia dos guerreiros germânicos desapareceu e foi substituída por um conselho de nobres, que exercia autoridade sobre as aldeias barbaras.
Os romanos incentivavam essas transformações e provocavam guerras entre os bárbaros, pois isto mantinha os germânicos divididos e facilitava a manutenção da autoridade imperial sobre as nações barbaras. A politica diplomática de Roma começou a admitir exércitos de bárbaros nas fronteiras, com o objetivo de impedir a entrada de outros bárbaros. Muitos destes novos soldados entravam diretamente no exército romano, como recrutas, mas o faziam em troca de terras. Desta forma, muitos bárbaros tornaram-se altos oficiais do exercito romano.
Os contatos entre germânicos e romanos aceleraram a transformação militar dos bárbaros, aumentando o potencial bélico de seu exercito, o que facilitou paradoxalmente o avanço dos bárbaros atraves das fronteiras romanas. Quando os hunos empurraram definitivamente os germânicos, obrigando-os a atravessar as fronteiras do império, os bárbaros já não eram mais os mesmos, a velha igualdade familiar e tribal foi substituída pela formação de uma classe aristocrática, proprietária de terras, que se apoiava em escoltas nobres de guerreiros.
Da mistura da sociedade romana, que se achava em total decadência, com a sociedade bárbara germânica, que se achava em transformação, nasceu um novo sistema chamado feudalismo.
Fonte: Pedro, Antônio. Historia Antiga e Medieval – pg. 234 a 237.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

A religião e o Estado romano

A religião romana tem uma vertente privada e uma vertente pública.
No âmbito privado, isto é, no que se refere às crenças pessoais e aos cultos domésticos, a cada qual é livre de escolher seus devoções e as praticar mediante os ritos que lhe pareçam mais eficientes e quando isso não gere problemas de ordem pública ou entre em conflito com a moral romana. Não existia em Roma um credo ao qual os indivíduos devam aderir e, portanto, não fazem sentido as noções de ortodoxia e heterodoxia, ainda que alguns sacerdotes têm direito a supervisionar os cultos privados para garantir que se ajustam às antigas tradições.
A religião pública, no entanto, que se compõe de um complexo ordem de divinidades, festas, ritos e instituições, está controlada pelo Estado e requer a aceitação de todos os cidadãos, ainda que muitos deles não a pratiquem.
A religião romana esteve sempre estreitamente unida à cidade de Roma e seu meio e, ainda que muitos ritos e instituições se exportaram aos territórios conquistados, as religiões nacionais sobreviveram ao domínio romano, de forma que os habitantes do Império combinavam seus devoções locais com o cumprimento do exigido em matéria religiosa pelas autoridades romanas.
O carácter de cidadão está unido a este compromisso, de modo que a religiosidade (pietas) mede-se em Roma em termos de adesão aos deuses do Estado, enquanto a impiedade interpreta-se como um signo de inconformismo e resistência política. O carácter ritualista da religião oficial, no que se insiste tão com freqüência, faz que em Roma seja mais importante respeitar aos deuses e cumprir formalmente com a veneração que lhes é devida que crer neles.
Isto se explica pela simbiose que existe em Roma, como em outros estados da Antigüidade, entre religião e política. A religião e os ritos associados a ela estão incrustados nas instituições políticas e sociais, lhes proporcionando legitimidade. Todas as áreas importantes da vida pública (e também privada) se desenvolvem no marco de um entramado de regras e cerimónias religiosas, que se retrotraen às origens mesmas da cidade. Qualquer ato público acompanha-se de uma consulta ou uma cerimônia religiosa, oficiada por sacerdotes que são os mesmos homens que se encarregam da política. Este último aspecto é bem revelador da interacção entre o sagrado e o político. Os cultos religiosos constituem uma parte imprescindivel da vida pública ao mesmo tempo que toda actividade política tem uma dimensão religiosa.
Fonte: Odinismo

A experiência sagrada entre os Gregos

O titulo desta conferência alude à observação do grande estudioso das religiões M. Eliade respecto da pobreza das línguas modernas, nas que para a experiência do sagrado só contamos com a palavra religião.
Desde esta perspectiva desprende-se a possibilidade de propor uma experiência não religiosa do sagrado - isto é não determinada pelas práticas, dogmas, crenças de nenhuma das religiões oficiais.
Convoca-nos antes de mais nada a pergunta a respeito das condições de possibilidade de uma sacralidade atual e efetiva - não uma discussão arqueológica - a respeito dos depoimentos da religiosidade helênica.
Digamos antes de mais nada - como esclarecimento metodológico - que não enfrentamos neste momento o problema teórico de que é o sagrado, e para isso referimos à obra de Eliade, como uma aproximação; e se em todo caso tomamos uma síntese da noção do sagrado, este aparece na experiência como plenitude de significado e de intensidade.
Agora, tratar do espírito religioso dos gregos em termos contemporâneos precisa de um esclarecimento. Em primeiro lugar porque nenhuma da religiões vivas, actuais, oficiais, organizada, de nenhum país, mantém, por verdadeiro, os cultos e crenças da antiga Grécia.
Mas como segundo ponto e em oposição a este primeiro que mostra a ausência de uma prática de “cultos pagãos”, de culto de deuses gregos - sustentamos que a antiga experiência grega e latina - a dos chamados pelos cristãos de pagani - foi e é, uma fonte permanente do modo em que os ocidentais, em tanto indivíduos, temos vivenciado ou tentado vivenciar o sagrado: como arte, como mistério do universo e exuberancia da natureza, como erotismo, como realização heroica do destino pessoal. Todos estes elementos foram plasmados desde a construção civilizatoria do mundo helênico.
O Ocidente é a reunião e a luta permanente entre dois espíritos opostos de difícil conciliação, o levantino (semita, mágico) e o grecolatino e clássico. Nossa religiosidade judaicocristã, levantina, soterrou a essa antiga sensibilidade pagã, mas trata-se de uma dimensão em que nada morre mas que se submerge na latência, para retornar com mais impulso. A direção das ciências, da arte e da filosofia, sempre reconheceram sua origem na Grécia. O Renacimiento, a Modernidade, são a continuação, em grande parte, de elementos helênicos e não de judaicocristãos.
Há que diferenciar a religião da experiência do sagrado. Entre os gregos não há uma, senão várias palavras, para dizer religião. Existe por exemplo a palavra sebas, que indica temor, veneração. A palavra sebas é habitualmente traduzida ao latim por pietas. Também religião, em grego, se diz eulábeia. Eulabeia é o correlato especifico do termo latino religio, que significa originariamente atenção, recogimiento, cuidado, precaução. E esta atenção cuidadosa dá-se a respeito das manifestações mesmas do kosmos, que é divino. Também religião em grego se diz threskeia, como o conjunto de atos rituais, de normas, da especificidade das práticas de culto da colectividade. Também, em verdadeiro sentido, a palavra theoría, de onde deriva teoria, é uma palavra do grupo semântico da religião. A palavra theoria - da mesma raiz de théatron, teatro - tem como significado básico contemplar e designa a festividade, o tempo especial em onde o sagrado realiza sua manifestação.
E nesta direcção é mister assinalar que, em termos da visão antiga do mundo, o sagrado inunda muitos aspectos que pareceriam profanos no ponto de se identificar com a cultura em seu conjunto. Em todas partes onde religião e cultura se encontram ainda com sua força original, religião e cultura são no fundo uma mesma coisa, a religião não é um valor que se agregue aos bens culturais, senão mais bem, a mais profunda revelação em seu conteúdo e essência.
Esta união indivisivel entre religião e cultura não é uma interpretação filosófica, senão um atestado de um ato concreto. No mundo antigo, antes da irrupção do Cristianismo, religião é sinônimo de cultura, pois só desde o Cristianismo se acede a uma religião de índole universal, a uma religião que trascende justamente os elementos específicos de uma cultura particular.
Há que partir da conhecida característica essencial da religião grega, o que se denomina religião epifânica. A palavra epifanía vem da raiz phan que significa se manifestar. Falar de uma religião epifânica significa que os deuses se manifestam continuamente no mundo, que o mundo mesmo, como cosmos eterno, é uma contínua epifanía. Isto é, os deuses gregos, todo o conjunto do panteão, não são deuses trascendentes, não são deuses fora do mundo. Todos os deuses representam aspectos sagrados deste mundo.
Neste sentido, respecto de certas afirmações a respeito dos deuses como elementos sobrenaturales no mundo antigo, interessa-nos enfatizar que a palavra sobrenatural é incorreta e anacrônica a respeito dos gregos, porque é de criação cristã. Para os gregos não existe nada, ou digamos assim, hyperphýsios, sobrenatural, para além da physis. Todo o universo, todo o que é a physis, é sagrado. Não existe a concepção de algo sobrenatural.
Por esta mesma razão há que dizer, como parte destas mesmas características da religião grega, que coerentemente não se propõe no mundo antigo o problema da fé. Isto é, não existe a dimensão da fé em algo do que não se tem experiência. O ter presente aos deuses caracteriza a um ser humano que vive na esfera do sagrado. Em troca, nossa sociedade moderna é o lugar do que os deuses têm fugido.
Autor: L. Pinkler Ponencia.
Fonte: Odinismo