segunda-feira, 13 de julho de 2009

A religião e o Estado romano

A religião romana tem uma vertente privada e uma vertente pública.
No âmbito privado, isto é, no que se refere às crenças pessoais e aos cultos domésticos, a cada qual é livre de escolher seus devoções e as praticar mediante os ritos que lhe pareçam mais eficientes e quando isso não gere problemas de ordem pública ou entre em conflito com a moral romana. Não existia em Roma um credo ao qual os indivíduos devam aderir e, portanto, não fazem sentido as noções de ortodoxia e heterodoxia, ainda que alguns sacerdotes têm direito a supervisionar os cultos privados para garantir que se ajustam às antigas tradições.
A religião pública, no entanto, que se compõe de um complexo ordem de divinidades, festas, ritos e instituições, está controlada pelo Estado e requer a aceitação de todos os cidadãos, ainda que muitos deles não a pratiquem.
A religião romana esteve sempre estreitamente unida à cidade de Roma e seu meio e, ainda que muitos ritos e instituições se exportaram aos territórios conquistados, as religiões nacionais sobreviveram ao domínio romano, de forma que os habitantes do Império combinavam seus devoções locais com o cumprimento do exigido em matéria religiosa pelas autoridades romanas.
O carácter de cidadão está unido a este compromisso, de modo que a religiosidade (pietas) mede-se em Roma em termos de adesão aos deuses do Estado, enquanto a impiedade interpreta-se como um signo de inconformismo e resistência política. O carácter ritualista da religião oficial, no que se insiste tão com freqüência, faz que em Roma seja mais importante respeitar aos deuses e cumprir formalmente com a veneração que lhes é devida que crer neles.
Isto se explica pela simbiose que existe em Roma, como em outros estados da Antigüidade, entre religião e política. A religião e os ritos associados a ela estão incrustados nas instituições políticas e sociais, lhes proporcionando legitimidade. Todas as áreas importantes da vida pública (e também privada) se desenvolvem no marco de um entramado de regras e cerimónias religiosas, que se retrotraen às origens mesmas da cidade. Qualquer ato público acompanha-se de uma consulta ou uma cerimônia religiosa, oficiada por sacerdotes que são os mesmos homens que se encarregam da política. Este último aspecto é bem revelador da interacção entre o sagrado e o político. Os cultos religiosos constituem uma parte imprescindivel da vida pública ao mesmo tempo que toda actividade política tem uma dimensão religiosa.
Fonte: Odinismo

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