quinta-feira, 2 de julho de 2009

(Os) Deus(es) regressa(m)

Não há muito tempo, as grandes cabeças da Europa predisseram um futuro com pouca ou nenhuma religião. A Ciência far-nos-ia altamente cépticos perante os milagres. A Psiquiatria iria tratar de toda a nossa dor e dúvida interior. A alteração do papel das mulheres iria enfraquecer a estrutura patriarcal que fortalecia o clero. Qualquer que fosse o guião para a modernidade que se adoptasse, Deus teria aí uma importância reduzida.
Como todos sabemos, as coisas não se passaram assim. A Modernidade chegou e arranjou novos papéis principais para Deus.
Tanto em países ricos como em países pobres fora da Europa, a religião mantém-se assaz robusta. Isto porque são exactamente as coisas que se supunha que iriam destruir a Religião - a Democracia, os Mercados, a Tecnologia e a Razão - que a estão a fortalecer.
O capitalismo faz com que as pessoas se sintam "desenraizadas e vulneráveis", e portanto procurem refúgio na religião, mas os líderes religiosos podem ainda usar o capitalismo para aumentarem a sua quota de mercado.
Fonte: The New York Times [traduzido e citado por Gladius]
Nota da casa: Noto que o(s) autor(es) do texto cometem um equivoco comum, quando reduzem o conceito de Deus ao conceito judaico-cristão. há outros Deuses, por isso escolhi deixar o título no plural. Existem, evidentemente, causas e fatores pelos quais as pessoas tem tido interesse no paganismo, mas isso fica para outro tópico.

2 comentários:

Adília disse...

Penso que realmente as religiões se mantém muito fortes e não entraram no declínio que se previa, mas mesmo assim, sobretudo na Europa, ela já não tem na vida das pessoas o peso que deteve durante séculos, funciona um pouco como uma prática folclórica que se reaviva nas grandes ocasiões dos casamentos e baptizados.
É claro que as estruturas capitalistas opressivas reforçam-na e por sua vez elas reforçam essas estruturas, mas nunca como hoje tantas pessoas descrentes têm coragem de sair do armário em defesa das suas posições. O presidente Obama teve, pela primeira vez a coragem de dizer que os Estados Unidos tinham de ser o país da tolerância e da aceitação do outro independentemente do credo religioso ou até da ausência de credo, o que seria impensável de ser dito por um presidente algum tempo atrás.
E de qualquer modo a Igreja Católica que é uma das mais rígidas e hierarquicamente organizadas tem sofrido duros reveses a nível da audiência que lhe presta vassalagem.

Beto disse...

Eu havia postado a citação sem meu comentário, mas é curioso que o(s) autor(es) do texto cometem um equivoco comum quando reduzem o conceito de Deus ao conceito judaico-cristão. há outros Deuses, por isso escolhi deixar o título no plural. existem, evidentemente, causas e fatores pelos quais as pessoas tem tido interesse no paganismo, mas isso fica para outro tópico.