domingo, 14 de junho de 2009

A ladainha bíblica

Um pagão não se importa com o que está escrito na bíblia, mas tanto eu como outros pagãos volta e meia usam-na para tentar (a palavra é vaga, mas certa) despertar os cristãos da cegueira doutrinária imposta pela Igreja, especialmente nos assuntos que remetem ao real livre-arbítrio das pessoas no tocante à suas opções (sexuais e/ou religiosas) e na defesa da secularização do Estado no tocante a assuntos médicos/científicos como as células-tronco e o aborto.
Infelizmente ainda não encontrei uma fonte confiável para relatar as verdades ocultas dentro das paredes dos conventos (como prostituição e infanticídio), mas as notícias de casos de pedofilia envolvendo o clero é um indício bem atual do que realmente ocorre dentro da Igreja. Em suma, o clero da Igreja comete escondido nos conventos as mesmas coisas que censuram dos leigos. Não é novidade alguma que eu não reconheço a autoridade dessa Igreja, mas espero que algum dia a humanidade esteja livre dessa opressão.
O assunto mais em discussão entre a sociedade (laica e secular) e a Igreja é a questão do aborto. Eu encontrei esse texto:
Mas o que diz a Bíblia diz sobre o aborto? Absolutamente nada! Ela sequer toca no assunto e o conceito de "aborto induzido" não aparece em nenhuma de suas traduções disponíveis.
Em nenhuma das mais de 600 leis de Moisés encontramos qualquer referência ao aborto. De fato apenas uma instrução sobre 'aborto espontâneo' é usada pelos paranóicos para sustentar que a bíblia inteira é anti-aborto, e ironicamente esta passagem claramente declara que abordo espontâneo não é igual à morte de um ser humano. Como lemos em Exodo 21:22-25:
"Se alguns homens pelejarem, e um ferir uma mulher grávida, e for causa de que aborte, porém não havendo outro dano, certamente será multado, conforme o que lhe impuser o marido da mulher, e julgarem os juízes. Mas se houver morte, então darás vida por vida."
Em resumo, se uma mulher passa por aborto espontâneo como resultado de uma agressão, o homem responsável deve pagar uma multa. Se a mulher morre, ai sim, ele deve ser morto conforme a tradição judaica.

A princial falha é ignorar o conceito bíblico de vida. De acordo com a bíblia, a Palavra Viva de Deus na terra, a vida começa quando o bebe faz sua primeira inspiração e começa a respirar. A bíblia iguala vida e respiração em diversas passagens, incluindo a história da criação do homem em Genesis 2:7, quando Deus soprou em suas narinas e deu a Adão o sopro da vida. Ademais a lei judaica tradicional sempre considerou que a individualização da alma começa no parto. Nos mandamentos de Moisés, nas exortações dos Profetas, nos sermões de Jesus, nos ensinamentos dos apóstolos... o silêncio sobre o tema é esclarecedor.
A militância anti-aborto de maneira alguma demonstra amor pela humanidade ou compaixão pelos seres humanos. Sua insistência faz com que no mundo mais de 50% dos abortos aconteçam clandestinamente sem padrões de higiene e segurança do sistema de saúde, levando a morte 200 mil mulheres todos os anos. Isso sem nos valer das terríveis consequências de más formações congênicas, casos de estupro e das implicações de um mundo onde planejamento familiar é pecado.
Então temos o velho caso e mania entre os cristãos de selecionar e pinçar apenas os trechos da bíblia que lhes agradam e/ou sustentam suas doutrinas. Ignorando de forma veemente os trechos onde a mesma bíblia não demonstra qualquer compaixão com a vida de pessoas, mulheres e crianças: Ex. 12:29, Deut. 21:18-21, Num. 31:12-17, I Sam. 15:2-3, Os.13:16. Ignorando de forma veemente fatos da história onde a Igreja esteve de forma direta ou indireta envolvida em guerras, massacres, genocídios em prol da Cristianização do mundo.
Então não me venham com esta de que a Igreja preza pela vida. Não me venham com imposturas pseudocientíficas compradas para sustentar suas doutrinas religiosas. Chega de ditadura. Apostasia Já!

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