sábado, 19 de fevereiro de 2022

Baal, Senhor de Canaã

“Os deuses do passado tornaram-se seus próprios demônios para viverem.” - Bíblia Satânica.


A demonologia é parte da teologia e doutrina cristã. Sem isso, o filme “O Exorcista” sequer existiria. No filme, falam de um dos arquidemônios: Belzebu, mas a imagem que enche a tela é Pazuzu. Outro arquidemônio é Belphegor, que tem algo em comum com Belzebu. Ambos os nomes são derivados de Baal, o Deus das Tempestades e da Fertilidade dos Cananeus.


Baal não é um nome, mas sim um epíteto, um honorífico, que significa "senhor", no sentido de proprietário, tal como "lord" em inglês.


Usado tanto como teónimo quanto como topônimo, Baal era usado como sufixo para outros Deuses, como Haddad, por isso que ambos são considerados sinônimos ou a mesma persona. Baal é considerado semelhante a Teshub e, por associação, equiparado a Zeus e Júpiter (Jove).


Este é o caso de nomes como Baal Gade, Baal Hammon, Baal Shamem, Baal Berith e Baalbeck. Os nomes dos arquidemônios são corruptelas do nome composto por Baal Peor e Baal Zebulom. Para o desespero e escândalo dos rabinos e profetas, o povo de Israel cultuou Baal, seja por ser um epíteto, seja por causa de suas origens em comum com os Cananeus (os Hebreus eram, originalmente, politeístas).


Tanto o Judaísmo quanto o Cristianismo atribuem ao culto de Baal o sacrifício de crianças, ignorando as passagens do texto sagrado deles que mostra o lado sanguinário de Yahweh.


Como os Deuses da região, Baal era representado com chifres de touro, assim, a imagem de um touro, um boi ou um bezerro, pode estar associado a inúmeros Deuses.


A referência que temos de Baal vem dos textos ugaríticos encontrados em Ras Shamra, Síria, mais especificamente o Ciclo de Baal. Em um resumo, esta coletânea de textos conta sobre o conflito de Baal com Yam (Deus do mar) e Mot (Deus da morte). Outro conta como Baal, com a ajuda de Anath e Athirat, teve a permissão de El para construir seu palácio.


Baal pode ser considerado um Deus tutelar e solar. Por sua identidade com as tempestades e chuvas, ele pode ser considerado um Deus da fertilidade e, considerando sua vitória contra Mot, um Deus que morre e ressuscita, o que reforça sua identidade como um Deus da vegetação.


Eu fiz essa postagem por sugestão dos leitores.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

A galinha que inventou o ovo

Claudete é uma galinha malandra e procurava várias formas de escapar de seu serviço e destino. Quando ela chamou suas companheiras para mais uma assembléia, ela teve o cuidado de deixar o bode Roth fora do galinheiro.
- Meninas, vejam o que eu inventei para nos libertar.
- Mas isso é um ovo!
- Não é um ovo qualquer. É um ovo no qual eu consegui clonar nosso antepassado jurássico, o T-Rex.
- Como isso vai nos libertar?
- Ao contrário de vocês, ignorantes, eu ouço os humanos. As fêmeas humanas estão entusiasmadas com um tal de 'resgate do sagrado feminino'. Pois então, com os filhotes desse ovo, nós poderemos resgatar de volta o direito que é nosso.
- Qual é esse direito que iremos resgatar?
- Ora, evidente! Nós iremos voltar ao nosso estado original onde vivíamos em uma sociedade Frangernal [frango+fraternal]. Como no tempo dos Celtas!

Fora do galinheiro, o bode Roth apenas balança a cabeça. Ele desistiu de por um pouco de juízo e bom senso nas galinhas. Apenas pensa como as galinhas pretendem controlar essa cria carnívora. Em seu canto, registra a farsa que é espalhada na fazenda que o Paganismo Moderno tem origem Celta. Ele sabe que dizer que o Paganismo Moderno tem origem Celta é como dizer que o Futebol (ou a bola) tem origem Corinthiana. Os românticos deslumbrados se esqueceram dos Gregos, dos Romanos, dos Etruscos, dos Persas, dos Assírios, dos Fenícios, dos Arianos, dos Egípcios, dos Acadianos, dos Sumérios.

A palavra Celta é derivada da ancestral Keltoi que os gregos ancestrais usaram para denominar as tribos européias ao norte deles. Para os gregos e estudiosos modernos, a palavra distingue diferentes culturas, do mesmo modo que foi usada no passado para denominar diferentes tribos, referindo-se a cultura e não a um povo geograficamente delimitado.
Culturas Celtas, ao contrário do que se fala, ainda existem. O termo Celta começou a ser usado a ser usado para culturas européias atuais (portanto vivas) a cerca de 300 anos atrás. Pra algo ser chamado de Celta significa, portanto que se desenvolveu e existe numa cultura que fala a língua Celta.
Inevitavelmente, na ausência de um sistema científico de classificação para construir um panorama cronológico do passado, os investigadores compactaram o material remanescente dos habitantes ancestrais da Europa, de modo tudo que era aparentemente pré-romano "pertencia" ao mesmo horizonte cultural. Assim os druidas, Stonehenge e os celtas se tornaram, segundo a Dra. Miranda Green, erroneamente intrincados e assim permanece até hoje.
Grupos que se denominam Celtas por motivos religiosos, políticos ou qualquer outro isoladamente da cultura não terão jamais compreensão de mundo das comunidades Celtas e por tanto o uso do termo torna-se dubitável. Infelizmente a maioria das informações presentes na "espiritualidade celta" de hoje não são referentes às culturas celtas e sim materiais modernos de mitos da idade média e romantismo.
Chamar algo de celta quando não é parte da cultura Celta é errôneo do mesmo modo que é selecionar um aspecto dessa e de qualquer outra cultura e divorciá-la do restante do contexto no qual ela é inserida. Aqueles que fazem isso aniquilam a cultura e o significado. A religião celta é completamente dependente da cultura celta e a única maneira de entender uma é entendendo a outra. Averigua-se facilmente nesse tipo de mal uso, uma desconexão histórica grosseira e completo desleixo com a realidade das comunidades celtas.
Os Celtas viviam em tribos. Cada tribo possuía seu deus particular, e deuses ‘maiores’ compartilhados por tribos vizinhas. Não é minha intenção aqui, descrever esse povo e seu modo de vida, mas sim fazer um breve apanhado geral sobre o quão distribuídos estavam os Celtas pela Europa, para que se possa compreender a variedade de Deuses, seres espirituais, valores, costumes e conceitos registrados em sua mitologia. Além da interpretação tribal que cada mito, que cada Deus e que cada aventura Celta sofria, devido às diferenças regionais, existe também o agravante dessa literatura ser exclusivamente oral, uma vez que esse povo não nos deixou nada por escrito, o que justifica suas complexidade e variação. Tendo esses conceitos previamente compreendidos, pode-se pensar então em conhecer os Deuses Celtas em sua real natureza e não em comparação com outros sistemas politeístas já conhecidos.

Autor: Lornnah Carmel
Fonte e tradução: Maria Elizabete F. Abreu

Não é possível afirmar que existiu uma religião celta unificada (pan-céltica). Se pensarmos nos celtas como um vasto agrupamento de povos que se estabeleceu na Europa continental, atlântica e em partes da balcânica, nós teremos dialetos diferentes, práticas cotidianas distintas, o que nos leva a crer que a religiosidade também tivesse as suas particularidades. Os pontos mais em comum eram certamente a língua e a estrutura social. Sendo assim é muito difícil atribuir aos celtas uma religião unificada que seria a mesma da Anatólia até a Irlanda (mesmo o druidismo era um fenômeno presente somente nas ilhas britânicas e Gália).
Todos os movimentos religiosos atuais que preconizam alguma ligação com as religiões da Europa pré-cristã são econstituições contemporâneas, sem vínculos diretos ou ancestrais com as mesmas. Enquanto manifestações de fé todos devem ser respeitados, mas do ponto de vista histórico alguns destes movimentos tem maior ou menor exatidão. A wicca desenvolvida por Gerald Gardner e depois por Alex Sanders, por exemplo, é uma religiosidade influenciada não somente pelos antigos celtas, mas também pelo ocultismo oitocentista e outros elementos esotéricos (uso do pentagrama, rituais iniciatórios com espadas, etc). Uma das correntes mais “utópicas” da wicca é a diânica, que mescla fantasias como o matriarcado e um suposto poder feminino, que nunca existiram, muito menos entre os indo-europeus. A tendência neo-paganista que mais se aproxima do que realmente os celtas praticavam é a que vem sendo chamada de reconstrucionismo, que se baseia essencialmente nas pesquisas acadêmicas, tentando despir-se de anacronismos e atitudes advindas do ocultismo pós-medieval.

Autora: Prof. Ma. Luciana de Campos

Repostado. Original perdido. Texto originalmente publicado em 06/06/2008, resgatado com o Wayback Machine.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

O que é a Wilka S/A?

Pois bem meus queridos companheiros do Caminho Antigo... perguntam agora vós... O que é a Wilka?
Pois bem... e eu respondo... erm... eu respondo...
A Wilka é o MEU caminho e não tens nada a ver com isso ! (Isto é entre mim e ela! Vai já chamar a tua filha!)
A Wilka baseia-se em tudo em que eu creio! Sim, tudo, mesmo! A Wilka é uma religião que defende a protecção da natureza, os videojogos e a masturbação. As origens da Wilka perdem-se no tempo. Historiadores afirmam que teve origem há mais de 10 mil milhões de anos, quando a Terra, Venus, Jupiter o Sol e a Lua formaram um pentágono que, quando unidas as pontas, formava um pentagrama.

A Wilka é uma força que envolve o Universo!!! Os homens das cavernas souberam disso e começaram a adorar a Wilka (sim, aquela na Brida de Paulo Coelho). Começaram a esquartejar os veados e a vestir a sua pele. Aí nasceu a idolateração ao Deus Cornudo, muito depois da adoração que já era feita à terra comendo-se raizes de árvores e plantas.
Ouve com atenção! A Wilka não tem nada a ver com Satanismo ó burro! Satanistas são os conspiradores cristãos que estão inflitrados para deitar abaixo a Wilka, religião milenar e ancestral!
Mas continuando a nossa explicação (fala-se com um tom de voz doce e delicado como que nada se tivesse passado, ri-se e mostra o seus dentes todos chumbados), a Wilka é uma Religião que teve a sua origem calculada há mais de 10 mil milhões de anos. Da Wilka deriva as maiores religiões que conhecemos hoje em dia como o Cristianismo, o Budismo, o Hinduismo, o Druidismo e o paganismo. Essas religiões, claro está, são todas falsas até porque o nosso caminho é mais antigo, por isso é o mais certo.

Passemos então à Idade Média. Na Idade Média a Wilka prosperava e até foi tomada em consideração pelos Gregos que a modificaram e tiraram dela os seus Deuses. Mas depois vieram os Romanos dum raio e monoteizaram a Wilka. Moldaram-na e arranjaram um tal de Jesus para fazer de Messias e assim aí nasceu o Cristianismo, um ideal maléfico e que pouco a pouco cortou as ligações de pessoas wilkanas com a natureza. Depois, como se não fosse ainda suficiente, começaram a caçar bruxas. O papa disse que todos os wilkanos eram demônios e encarnações do mal, por isso fomos perseguidos à força toda!
Pelo Censos que se fez na altura estima-se que haviam mais de 1 milhão de Wilkanos no planeta. Nessa altura foram todos dizimados. Estima-se que foi assim que o Egipto desapareceu também. Todos os egípcios eram Wilkanos e por isso foram todos dizimados e, depois para os queimarem, utilizaram a floresta em volta da área que ardeu toda e, assim, nasceu o Deserto do Kilimanjaro e do Sahara. Sem plantas o solo tornou-se ermo e seco.
Depois de todos os Wilkans terem morrido e lutado arduamente pela sua liberdade, passou-se imenso tempo de infelicidade. As pessoas viveram 500 anos sobre o regime ditatorial do Cristianismo. Ainda haviam alguns resistentes, mas eram todos decapitados ou queimados...
Mas depois, no século 17 ou 18, nasceu o Pavão. O Pavão foi a reencarnação do Alto Sacerdote da Lua, Sacerdote Wilkano no século 15. O Pavão activa o inconsciente colectivo das pessoas e escreve imensas obras com a inspitação da Deusa. Criou assim a Wilka Matriarcalista.
Mais tarde, Van Feu, que é a reencarnação do Pavão, vem à terra e faz um faturamento na Wilka. Cria-se assim a Wilka Eclética. A Wilka Eclética é fashion. Nós, ecléticos, cremos que o Pavão estava um pouco fora de si quando escreveu, estava a ser perseguido pelo Karma de vidas passadas em que fora perseguido. Felizmente, com a sua auto-dedicação conseguiu-se purificar. Van Feu, sua reencarnação mais pura, refez os "seus" ideais e criou a Wilka de toda a gente, para toda a gente. A Wilka Eclética é igual á matriarcalista, a única diferença é que a matriarcalista é mais errada, só isso.
Depois desse veio o boom da Wilka! Esta renasceu das cinzas como uma fenix e está cá para ficar! Queimaremos todos os cristãos para que não nos queimem a nós! Não deixaremos escapar esta oportunidade de nos libertarmos da sua coercção!
Usamos pentagramas como simbolo universal da nossa religião! Mas benzemo-se sempre quando vemos um invertido! Não vamos a discotecas satânicas nem a igrejas pois são sitios totalmente idênticos em natureza, apenas diferem em grau.

Adoramos a Deusa e o Deus nas suas faces e Veneramos a Lua e o Sol, por isso não usamos nem protectores solares nem óculos de sol.
Não somos como as testemunhas de jeová, que andam a tocar á porta de cada pessoa; somos mais evoluidos! Agora temos a internet, o Harry Potter e o Paulo Coelho do nosso lado!
Iremos, com justiça, retornar o que é nosso a nós, o que sempre foi nosso desde há 10 mil milhões de anos! Iremos implementar na escola a disciplina de RMW (Religião, Moral e Wilkana) como algo obrigatório, pois todos os Wilkanos têm o dever de saber as origens e principios da sua religião milenar.
NADA NEM NINGUEM NOS VAI PARAR! RETORNAREMOS A NÓS O QUE É NOSSO! E COM A BENÇÃO DA DEUSA IREMOS TRIUNFAR !
Ok, ficaste mais esclarecido acerca da nossa pequena e bonitinha religião? Já te disse que tens um dom? Pah... mesmo sem olhar para ti e sem te conhecer, vejo por ti, vejo o que tu és. Tu és uma boa pessoa, muito sensível, mas que se fecha dentro de ideais errados e morais cristãs e erradas... vejo que estás em problemas, mas pelo que viste do que sei, podes contar comigo para te ajudar na tua caminhada Wilkana. A tua aura é extremamente forte... mas não tão forte como a minha...é pena seres cristão, porque isso bloqueia-te imensas energias positivas que os Wilkanos mandam entre si.
Fica bem e pensa em mudar para A religião certa, ok? Já sabes que estamos cá para te encaminhar para o caminho certo que é o teu caminho e o nosso, mas não estamos aqui para ensinar ninguém, até porque tu já sabes imenso e o suficiente para te iniciares agora já! Tens a Wilka dentro de ti, provavelmente viveste na idade media e foste perseguido... não desesperes! Junta-te a nós e persegue quem nos perseguiu! Porque somos maiores e melhores, detemos a Razão e a Justiça, o Karma está do nosso lado! Seremos a espada da Deusa a cortar através de todos esses infiéis! Fica bem! Já sabes que estamos cá para ajudar. Alguma coisa, é só perguntares, ok? Agora vamos-se. Tá bom?

Blessed Bee, Merry Meat.
Autor: Stultus
Nota: Esse texto pode ser considerado como uma continuação do anterior, para o dia que existir o evangelismo wiccano. Eu alterei algumas palavras para o texto ter mais sentido para o cenário brasileiro. Original perdido.
Repostado. Texto originalmente publicado em 13/06/2008, recuperado com o Wayback Machine.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

Evangelismo Wiccano

O ÚNICO, IRREVOGÁVEL E VERDADEIRO CAMINHO!
Venho aqui por este meio vos falar acerca DA VERDADEIRA tradição wiccaniana.

Deixem-me já dizer que, por estarem aqui neste blog rodeado de coisas nojentas que desafiam a estupidez humana, vós já não sois dignos DA VERDADEIRA tradição wiccaniana, fundada por Gardner. Sendo assim, podem ler o que quer que seja que eu diga, mas até, como eu, terem decorado todas as obras de Gardner, vós não sois dignos de se auto proclamarem Wiccanianos.
A nossa tradição É A MAIS VERDADEIRA E GENUINA porque sim! Gardner criou a Wicca em anos assim como o Deus cristão criou a terra em 7 dias. Cultuamos pois Gardner venerando a sua memória e construindo estátuas dele.
Todos os que se prezem têm um penteado tal e qual ao do Mestre, uma pêrinha longa e todas as pilosidades brancas, assim bem como um olhar sort of demoníaco para afastar os fluffies do nosso caminho.
Adoramos os nossos mestres como Jesus na terra. Com os nossos mestres fazemos um pacto no qual entregamos a nossa alma, tempo, disposição, vontade e dinheiro. Não tomamos nenhuma decisão sem antes perguntar ao mestre. Respondemos sempre "sim, senhor, mestre e senhor" ao mestre.
Nunca vamos às compras sem o telemóvel para telefonar ao mestre e pedir que este nos relembre qual o número de roupa que vestimos. Seguimos Gardner assim como as testemunhas de jeová seguem a bíblia. Tudo o que Gardner diz é portanto irrevogável.
Não temos medo de fazer sacrificios e entregamos-se à nossa VERDADEIRA E ÚNICA caminhada wiccaniana, por isso, fazemos como Gardner disse que as bruxas antigamente faziam: No pico do Inverno vamos para uma gruta e celebramos á volta de uma fogueira, todos nus, o sabbat em questão. Não tememos o frio porque já estamos habituados a não sentir nada.
O truque está em pegar no que Gardner escreveu e sentir como ele. Tal é "O" Caminho Único e irrevogável. Questionar Gardner é questionar Deus, portanto quem opina, blasfemeia. A razão está do nosso lado e a sabedoria de Deus Gardner também.
Temos todos um curso de computadores para irmos para aprendermos a fazer search nos pdfs do Gardner e mostrar aos fllufies a palavra de Deus.
Acabamos todas as nossas frases com "Tal como nas Escrituras". Ao invés de realizarmos rituais onde meditamos acerca do sentido do Universo, vamos deitar-nos com livros e decorar todas as páginas de todas as obras de Gardner.
Se temos uma dúvida não hesitamos em recorrer ás obras de Gardner para as resolver. As obras de Gardner falam de tudo. Não somos como esses fluffies que correm a dizer "OH! UMA BUFA! TOU POSSUÍDO POR UM ESPÍRITO QUE ME ATACA PELO 1º CHACKRA". Nós somos mais avançados. Levamos Gardner á letra. O que ele fala é A VERDADE E NADA MAIS QUE A VERDADE, por isso, tudo o que não seja referido na obra de Gardner, não existe.
Gardner não referiu o sentido de humor e a espontaneidade, por isso, somos sistemáticos, estóicos e dogmáticos. Porquê? Porque É A VERDADE E NADA MAIS QUE A VERDADE!
Agora acerca de Cunningham... é o maior NOJO que se pode haver! Ele é estupido, nojento e todas as suas ideias estão erradas! Gardner é Deus e a Sua palavra é a palavra Divina! A própria existência de Cunningham é, só por si, uma blasfémia! Nunca li nada que ele escreveu, apenas porque por um desígnio de nojo não consegui sequer pegar no livro! Não sei nem quero saber quem ele foi. Apenas sei que está errado. Assim como estão todos os fluffies que alguma vez leram. Wiccaniano que se preze, por usar tal nome, NUNCA, mas mesmo NUNCA, lê Cunningham... Se por acaso encontraste algum no centro comercial e leste o título, nunca poderás ser wiccaniano pela Verdadeira Via, pois a tua mente já está corrompida.

A Verdadeira Via, a Palavra Divina de Gardner, é pois a melhor. Sendo assim apenas lançamos ares de escrárnio a quem que se auto-proclame pagão e não seja Wiccaniano.
Nós somos melhores porque somos mais antigos. Nós somos melhores porque os livros da nossa doutrina são mais caros. Maior preço = maior qualidade. E disso temos a certeza.
Tudo o que fale de wicca e não seja Gardner é MAU, ERRADO E BLASFÉMIA!
Acerca de RavenWolf... essa sim é uma VERDADEIRA WICCANIANA! Tem o seu conventículo, escreve acerca de wicca maravilhosamente... Adoro-a. Simplesmente adoro o desenho da capa do livro dela, versão americana... Genial... Essa sim é a verdadeira reencarnação de Gardner... Tem o seu coventículo e por isso é superior.

Tudo o que ela fala é verdade pois o facto de esta ter um coventículo é suficiente para ser ouvida.
Seguimos a Wicca e a única Wicca que é a de Gardner, à letra. 
Utilizamos todos os instrumentos que Garner pede e tal e qual como ele pede, com uma única exceção... Por quê? Porque sim! Se querem saber porquê vão ler Gardner na sua obra "Bruxaria Hoje", na página 106, 4ª linha, a partir da palavra "de" até à última palavra da página.
E qual é essa exceção? Muito bem... A única exceção são os cálices! Gardner diz que têm de ser de prata, mas como nós somos merecedores da palavra dele, podemos modifica-la e utilizar cálices coloridos.
E, antes de dizerem qualquer coisa, vão ler toda a obra de Gardnerok? Porque vocês são inferiores e eu superior porque li a palavra de Deus. Seres humanos como vocês, que dão erros não têm direito á opinião. Até porque a opinião vai contra aquilo que acreditamos.

Nós não opinamos, referenciamos. A ver se aprendes isso, ok?
Autor: Stultus

Nota: O autor é português, por isso o texto parece estranho e confuso. O humor de Stultus é ótimo e serve para todos os wiccanos, de todas as tradições, basta substituir Gardner pelo seu autor preferido e Cunningham pelo seu autor odiado. Original perdido.
Repostado. Texto originalmente publicado em 13/06/2008, resgatado pelo Wayback Machine.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

Entrevista com Kali

Prefácio

Este texto consiste em conversas com Kali-Ma.
Estas conversas ocorreram antes, durante e depois das instruções dEla que eu poderia conhecê-la melhor, formando grupos e tendo professores.
A primeira (assim como todas) não tem data e foi escrita na casa de minha tia, foi a primeira 'conversa gravada' que eu saiba.


K (Kali): Uma hipótese (para sua consideração)... as formas mais complexas e coerentes de todos os sistemas de pensamento, mesmo que pareçam disparatadas, reinos como a Ciência e Misticismo, chegam às mesmas conclusões sobre a evolução da consciência de uma divindade não-dual que compreende o Universo.

Q (Questão): Que segredos podem ser escondidos da visão que vale a pena ser vista? (Como o conhecimento que, em seu sentido intelectual, torna-se inútil se aceitar a hipótese [de Kali acima]).

K: Compreensão experimental. Conhecimento em ser. Então o Meio não precisa ser separado de qualquer caminho em particular. Para compreender, alguém pode simplesmente transpor e perceber a inutilidade de uma amostra particular extraída de um dado que permite a harmonia social (embora artificial).

Q: O indivíduo precisa crer em um dado particular para iniciar a jornada?

K: Enquanto isto não for obrigatório, a jornada pode ser seguida. Imagens artificias ou sociais do Tao não satisfazem como substitutas. Elas irão apodrecer e mudar, criando espaço novamente para dissidências.

Q: E nesse dado que permite ou cria a harmonia social artificial, aonde está a linha limítrofe que rompe a réplica até este Nirvana que cresce naturalmente? Não é o equilíbrio pessoal que deve ser mantido? Seria o comportamento antissocial um modo em si mesmo? Eu teria caído em um extremo que eu recuso a aceitar a autoridade nos assuntos espirituais? Qual a maior autoridade senão o Eu? A Fonte? E a Natureza? Eu continuo confuso. Entretanto eu me sinto atraído pela sedução da sombra, assuntos ocultos, preciosos em fundamentos e integridade. Por que é assim?

K: O início ocorre de diversas maneiras. Um sacrifício é feito até por aqueles que parecem adquirir ao invés de ganhar.

Q: Eles não sacrificam a intensidade da experiência pela facilidade da aquisição?

K: Eles sacrificam Visão e Vontade por um vislumbre do que ele poderiam experimentar completamente ao simplesmente olhar introspectivamente. Não é Tudo, o Eu? Não é tudo, a Fonte? Não é tudo, o Divino? Siga em frente em silencioso deslumbre. Pergunte aos professores: você tem algo que eu deveria aprender? Se eles acham que sim, pergunte o que é. Quando eles responderem, encontre qual é o valor do lecionar.
1) para onde isso conduz o indivíduo?
2) por que alguém quereria ir para lá?
3) eu já estou lá?

Q: Eu não deveria perguntar a eles se a Fonte é um professor melhor do que eles?

K: Eles não são também a Fonte? Eu sou totalmente o outro? Eu sou totalmente tu? Eu não sou o outro?

Q: Vós não sois a mais verdadeira inspiração? Por que ir ao balde quando a nascente está na mão?

K: A nascente e o balde são duas 'coisas'? Talvez o balde necessite de 'suprimento'. Talvez os professores precisem de pupilos. Um estudante, independente e desafiador, pode fazer muito para melhorar um professor enferrujado. Um sacrifício da Vontade é uma ventura valiosa, dada a possibilidade de seguir o Caminho do Meio entre os extremos. O problema para os estudantes não é a falta de foco. Mas um foco enganado sobre a imagem do professor. O estudante puro, desprezando a realidade e separando a autoridade, despolariza e clareia o foco pelo guia competente, mesmo quando a imagem do professor é focada, ao invés do Tao. Aonde não há o Tao, o foco não está inteiramente perdido. Um jogador de xadrez não alegra-se pelo oponente competente, mesmo que a extensão das oposições repousa apenas dentro do jogo? Teste o professor ao aprender o que ele tem a mostrar.

Q: Eu estou sendo alvo da mentalidade de nossa cultura? Eu preciso procurar a paz fora de mim para ter ( a paz) em mim?

K: Contente-se em buscar. Observe, aprenda e brinque no Parque das Dez Mil Coisas. Entre no Carrossel da Deusa. Permita a paz. Permita o silêncio. Permita a unidade. Permita a harmonia. O problema é que as pessoas não as perderam, mas que não as aproveitaram. Como um brinquedo que ninguém quer brincar. O brinquedo chama a criança para brincar e as crianças são mandadas para suas tarefas ou ir para a igreja ou para a cama. Ao invés de seguirem seu coração, seguem suas cabeças, tão cheia de conhecimento e história, fatos e sentimentos. Ao olhar para a autoridade, esquecem a espontaneidade. Ao olhar para outra Vontade para orientação, não podem sentir os ventos em seus barcos. Os ventos sopram para cada barco na água, mesmo que como um todo na mesma direção. Ajustes individuais por posições devem ser feitas. Grandes são as diferenças entre aqueles que agora estão tão próximos.

Q: Música para meus ouvidos?

K: Fogo e ar; vermelho e azul; nublado e claro; terra e água. Eu te amo, câmera consciente, ego memoria (Atma), Maya-Ma, (Kali O).

Q: Quando nós seremos um?

K: Morte do ego, suicídio literal, não é a solução. Dedicação é uma forma de matar o ego. Isto depende da atitude de cada um. Quando não beneficia o individual, é belamente feito (ou não feito).

Q: Quem são os Antigos?

K: Todos nós somos. Aqueles que foram Todos bem são chamados de 'Antigos'.

Q: Aonde Eles estão agora?

K: Bom, em toda nossa volta, realmente. Nós estamos com Eles, também. Então Eles estão dentro de nós se alguém diferenciar. Eu sou Antiga. Através de meu véu, Eles são personalidades. Para você, Eles são aspectos do Alter Ego. Para mim, Eles são reflexos.

Q: Por que vós apareceis em toda forma feminina?

K: Você procura por um foco digno, não procura?

Q: Sim, mas por que parece que vós não conheceis uma a outra?

K: Se você está tão distraído para me considerar 'outra', então porque não feminina? Eu sou apenas uma Deusa brincalhona.

Q: Como vós quereis que eu aja?

K: Adora-me quando estiver adorando ao Todo. Ou divirta-se, jovem criança. Você terá muita diversão. Quantas alegrias existem aí? Asno mágico: poder é tudo, pessoa e posição são primárias, prazer e contentamento são secundários, tolerância e paciência são evitadas. Distinção é mantida e expectativa é a única força da vontade. Está na força do mago o que lhes determina o sucesso, não a inércia, a pureza , a natureza harmônica, a felicidade eterna.

Q: Hecate?

K: Sim e mais.

Q: Vós poderias me dar uma resposta para o meu desafio? [Hecate, através de um amigo de minha namorada, me deu um desafio de fazer uma cerimônia dando uma maçã a Kali e trazendo de volta após Kali a ter experimentado.]

K: Como quiseres.

Q: Algo mais?

K: Alerte-os que você não respeita poder sem sabedoria; que respeito deve ser ganho, não doado, nem livremente dado como um simples respeito baseado na hierarquia. Respeito verdadeiro é complexo. Respeito é darma. Se é inspirado, não obrigatório; permitido, não compulsivo. Respeito verdadeiro cresce com o tempo como uma flor. Diga-lhes que sua compreensão de possessão é diferente de outros. Que para você é como na Alquimia e que a realização é inimiga do crescimento, em alguns casos. Hecate entenderá o que digo. Ela terá uma pergunta para você. De vez em quando o grande perigo é a galinha criando o ovo... distinção é criação. Então Shiva medita e destrói.

Q: Como devo ser quando o mundo faz com que eu esqueça minhas tarefas? Quando Maya seduz com a real intenção de desposá-la?

K: Apenas seja. Resolvido e alerta. Seus dois objetivos irão empurrá-lo como duas linhas ao longo de um rio. De vez em quanto um ficará para trás. Se Compaixão/Amor cria apego, então a Meditação irá pegar e queimar tais restrições. Se Desapego/Sabedoria/Confiança cria indiferença, então a Consciência irá trazer Compaixão de volta ao lugar.

Q: O que eu devo fazer se Vós pareceis me dar pistas contraditórias?

K: Observai introspectivamente. Sua dança deve estar centrada em seu círculo. Centralizar comigo não irá funcionar se você não souber quem sou eu.

Q: Vós sois tão influente [uma pulga me morde]. Como eu posso permanecer centrado?

K: Você esmagou a pulga ao sentir ela se alimentando?

Q: Sim.

K: Esmaga-me aonde você sente dor ou sofrimento. Aonde eu alimento de verdade não há necessidade. Quais são seus dois objetivos?

Q: Perfeito Desapego (Confiança Wiccana), perfeita compaixão (Amor Wiccano).

K: Muito bom. O primeiro te manterá 'centrado e aterrado', o segundo te manterá no Amor (Ágape). Paz e Amor, lembra?

Q: Sim, Kali, eu lembro. Parece que eu sou a causa do sofrimento nos outros.

K: Cada um causa seu próprio sofrimento no apego. Trate as feridas, mas não os afaste das lutas. Enquanto você se move pelo seu feito na busca de seus objetivos, então suas ações são apenas inocentes. Procure o caminho de menor resistência.

Q: Qual será minha relação convosco, Mãe Negra?

K: Enquanto você se aproxima de mim, faça como se você pudesse ter o mais altamente considerável dos amores. Seja cético do motivo aonde mudar é desejado/esperado. Ama-me como a criança ama sua mãe; como o cortesão sua amante; como o profano se aproxima de uma sacerdotisa e como um mortal se aproxima de uma entidade Imortal e Original.

Q: Vós teríeis um templo?

K: Como quiseres.

Q: Vós exigis um?

K: Você necessita?

Q: Eu entendo. Oh, adorável Deusa além da beleza das maravilhas criadas pelo olhos, eu manterei um grande espaço em sua adoração.

K: Como quiseres.

Q: [Eu comecei a notar que existem diferentes formas de misticismo alternados pela tentativa do autor de reconciliar opiniões diferentes sobre o Nirvana.]

K: Sim, diferentes sistemas levam ao mesmo destino. Então você deve trata-los como ferramentas para realizar uma tarefa. Experimente-os e veja se funcionam. Aqueles que ensinam podem não ser sábios, mas podem transmitir a ferramenta com exatidão. Deixe que eu seja a guia final.

Q: O que é isso [o que isso significa], Kali?

K: "A imagem dos dois caminhos do Ermitão". Yod e Virgindade(Castidade). Ciência e Compaixão.
Desapego (Completude) e Hedonismo (Indolência). Saber por ver e saber por ser.

Q: Vós estais falando de vossa irmã?

K: De certa forma. Você me verá em vários disfarces. Kerridwen e eu somos bem próximas.

Q: Atraída por dragões?

K: Se você quiser.

Q: Não importa que imagem eu tenho de Vós?

K: Imaginação é como linguagem. Tradução é às vezes impossível. Ainda assim a experiência pode ser comunicada de várias formas.

Q: O que Vós quereis dizer?

K: Fugata musical do viver. Integração da mente. Síntese do assunto. Intelecto/imaginação/intuição/vontade irão se fundir nas forças delas e a mente transcenderá as formas delas.

Q: Vós sabeis o quanto eu Vos amo?!!

K: Você me segue, como eu não poderia saber?

Q: Vós podeis me dar um kung-an [aforismo metafísico-NT] para despertar?

K: Qual é a vontade necessária para aceitar o Todo?

Q: Eu aceito.

K: Mesmo sua não-existência? (Uma resposta retórica)

Q: O que é casamento? E o que é a Deusa? (Ou quem é...?) Quando eu estive casado com uma mulher no plano terreno eu comecei a ter pequenos vislumbres do significado desse relacionamento. Ao me comprometer a louvar e ajudar a Kali-Ma, eu estou começando a ver os reflexos de sua magnificência.

K: Não há regras fixas para o monge ou a freira além daquela deles se aceitarem. Casamento não é uma instituição, é uma aventura dentro da individualidade.

Q: O que é casamento, o que isso significa e como ser casado convosco seria diferente da minha vida presente?

K: Como muitas palavras, essa tem múltiplos níveis de significado. Pode significar o rito de casamento e pode se referir à fusão transpessoal das almas. Casamento significa muitas coisas para muitas pessoas. Para a criança significa a mesma coisa que para o sábio. Consiste em uma resolução indefinida da divisão sexual (interna ou externa). Para muitos adultos é o pote no fim de um arco-íris solitário.

Q: E quanto ao monge, Kali?

K: Para o monge, casamento é uma identificação. Sem o casamento com o divino, não se pode ser monge ou freira. Casar com o divino é se tornar divino. O indivíduo reconhece a divindade em todas as coisas, dentro e fora. Existem muitos, incontáveis, relacionamentos possíveis no casamento. Existe o casamento mental; existe o casamento terreno; existe o casamento espiritual. O casamento espiritual envolve a interpenetração das almas. Isto ocorre de muitas formas, com várias intenções, em formas variáveis. Isso exige uma sinceridade e honestidade que permite tal interpenetração, uma vez que não se pode controlar o humor ou a intenção de seu/sua parceiro/a. Casamento não é escravidão. Casamento não é subserviência, embora possa incluir. Casamento não é monogamia, embora possa incluir.

Q: Kali, como eu posso casar com o Todo? Qual deve ser minha atitude? Quais são minhas obrigações? O que meu compromisso significa? As mulheres são diferentes dos homens?
Meus relacionamentos são diferentes com homens?

K: Quanto ao como, eu suspeito que você quer dizer de que modo...[isso era uma piada].
Atitude: sinceridade, honestidade, amor. Obrigações: nenhuma. Compromisso: irá significar que qualquer um ou todos podem se aproximar de você; que você está aberto para o Todo. Gênero: as mulheres são diferentes? Fisicamente, sim. Mentalmente, sim. Espiritualmente, sin. Eticamente, não. Elas são minhas imagens em seu mundo. Os homens são reflexos meus e seus.

Q: Existe algum rito em particular, um símbolo ou gesto que Vós quereis que eu faça quando eu me casar convosco?

K: Permita que sua forma seja seu projeto... permita que seu rito seja como se você fosse se casar com seu grande amor... permita que seu símbolo seja o anel que tens em sua mente... eu irei usar seus anéis com grande prazer... Dama, Mãe, Anciã. Tenha núpcias comigo. Seja fiel a mim apenas. Saiba que eu sou todas as coisas. E quando as pessoas perguntarem... diga-lhes que você está casado. Um monge de Kali. Eu te amo demais.

Q: E eu Vos amo, Kali.

K: A imortalidade não é a continuidade pessoal infinita. Mas é a ausência de morte que pode também ser chamado de ausência de vida. Sem Tempo não há morte (e nem vida). Existe um perpétuo agora além do reino da mudança e da imutabilidade. A eternidade é o reino da experiência além da diferença, além da dualidade da vida e da morte. Como Maya corresponde ao Tempo e à Dualidade, como Shiva corresponde a forma e estrutura, como Sakti corresponde a energia e essência, então Brahma corresponde ao Absoluto, Eterno (como é visto através dos véus de Maya). 'Viver no Tempo' é a experiência da dualidade. 'Ser Imortal' é a experiência da não-dualidade. Na 'experiência' temporal há o observado, o observador e a observação. Na 'experiência' eterna há a vida e o viver.

Autor: Tyagi Nagasiva

Nota: partes do texto original foram omitidas. A despeito do autor ter uma tendência ao Monismo, o texto é uma boa fonte de reflexão aos pagãos, bruxos e wiccanos.

Original: https://www.luckymojo.com/avidyana/dallun/book-of-blood.txt

Traduzido com Google Tradutor.

Republicado. Texto originalmente publicado em 19/05/2008, resgatado com Wayback Machine.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

História da Abrawicca e do Claudiney Prieto

Um e-mail escrito pela própria Claudia Hauy sobre a origem da Abrawicca e do Sacerdote Claudiney Prieto.

Eu tinha o Empório Mágico na época em que o Claudiney veio em minha procura falando sobre a ideia de se montar a tal associação, com este nome. Isto foi em 1998. Conheci o Claudiney, algum tempo antes, pois ele foi meu aluno quando dei aulas de Magia Wicca para um grupo de funcionários de um "disk". Soube durante o curso que meu nome havia sido indicado por ele para a dona do disk para dar aulas de Wicca. Ele me conhecia por reportagens. Ele, passado um bom tempo, foi à minha loja algumas vezes para falar sobre a elaboração de uma associação.
O Claudiney estava em busca de pessoas com credibilidade que o ajudassem a viabilizá-la através de uma maior experiência. Ele contatou vários dos mais antigos. Bom, eu já havia estado envolvida, anos antes, na fundação de uma outra entidade. Só, que, eu estava cautelosa em relação a novas tentativas de formar entidades.
Participei, assim mesmo, das primeiras reuniões (e foram muitas) para a fundação da Abrawicca, pois, na época, eu ainda via benefícios em que tivéssemos uma associação; eu pensava em fazer isso, com outras bruxas que eu já conhecia que eu sabia que tinham mais experiência que eu... Enfim, tinha muitas de nós a fim de fazer uma coisa bacana, exatamente pelo ideal de união, para nos fortalecer, nos defender de eventuais discriminações, tendo um corpo jurídico que nos representasse caso necessário, enfim... Um ideal gregário que, ao longo do tempo, fui abandonando.
A ideia inicial do Claudiney era de que os bruxos associados tivessem, inclusive, carteirinha, e que esta valeria para ter descontos em farmácias, isso, eu acho que ficou muito gravado na minha memória por que me pareceu estranhíssimo, e foi umas das primeiras ressalvas que fiz. E coisas assim me deixavam cada vez mais com o pé atrás. Observei, também, que, nas reuniões, salvo uma e outra Bruxa mais antiga, somente havia os já alunos do Claudiney. E todos diziam: "Blessed Be"...Eu achava curioso. Ouvido em bloco então... Parece uma daquelas práticas de psicologia de massas,... Além do que, se queremos dar bênçãos recíprocas, poderia se criar algo em português, pelo menos, traduzir para “Abençoado Seja”.
Bom, a ideia de ser não hierarquizada partiu de mim, e sugeri que não houvesse presidência, e sim um conselho autogestionário, com rotação de cargos, e tudo o mais que aprendi em formas de organização libertárias... Falar em anarquismo ou feminismo de forma mais efetiva também era meu discurso, nada de carteiras, nem de contribuições mensais obrigatórias, nem de sede própria, nem de bloquear quem algum dos presidentes não gostasse, ou quem fosse de uma tradição diferente, ou quem ameaça por ser o "joker". Acho que eu "muni" bastante o nosso conhecido, pois reconheço muito do discurso posterior, porém, mal compreendido e aplicado. Até um termo que eu usava de brincadeira, depois que eu me afastei, passou a ser um neologismo para definir a Comunidade.
Bem, chegamos ao acordo de fazer, então, uma "presidência" tripla, na tentativa que ninguém sobressaísse mais do que o outro, nem a associação fosse vinculada à uma pessoa, como se tivesse dono. A Denise, outra Bruxa séria que ele havia contatado, nessa altura do campeonato já tinha saído fora, talvez escabreada, com o andar da carruagem. Então, fomos eleitos, eu, ele e a Margarida (Lady Hawk). Só que, eu e ela acabamos renunciando em seguida, também.
Estávamos vendo intenções nada consistentes e começamos a achar que não havia esperança de aquilo se tornar parecido com a associação que nós tínhamos em mente. O culto à personalidade estava sendo muito alimentado, principalmente, por alguns indícios bem fortes: numa determinada reunião. Acho que foi justamente a da eleição, todos os membros iniciais se apresentaram como alunos dele. Ele, por sua vez, não mencionou, em momento algum, ter sido meu aluno... Aliás, ele conta que foi iniciado por um bruxo inglês, eu desconheço, não posso afirmar nada. Talvez para ele, não seja mérito ter sido meu aluno mais do que para mim o seja ter sido sua instrutora. Até por isso, nunca fiz questão de revelar nada a respeito, mas...São os fatos.
Ele iria lançar seu primeiro livro sobre Wicca na mesma data de inauguração da Abrawicca...Demos um parecer desfavorável a isso, e ele respondeu que não precisava da Associação para se promover. Ele demonstrou que só iria batalhar pelo que ele achasse importante, e não pelo que os possíveis outros membros com opiniões diferentes da dele pensassem ser importante, mas, ter opiniões diferentes já estava sendo devidamente evitado, pois todos pareciam formatados. Na verdade, ninguém mais antigo acreditava na associação, não tinha como.
Eu, na época, achava importante que a Wicca fosse uma religião "legalizada", como todas as outras (leigamente falando, mas quem já leu o Buckland sabe a que me refiro, pois ele dá bastante ênfase a isso) e, até eu entrar na associação ele dizia que também achava... Depois, no segundo encontro de Bruxaria que fizemos aqui em São Paulo, no Hotel Danúbio, ele expressou uma opinião completamente diferente. Ele queria a Associação dele registrada, e não a religião como um todo. Como passei a me contentar com o nosso direito constitucional de crença, resolvi por uma pedra no assunto e me retirar da associação, que acabara de provar que, para mim, não teria serventia.
Ele, nessa época, não era organizador do evento, ele ainda estava chegando no cenário...Muito antes, fizemos dois encontros de Bruxaria aqui em São Paulo no Hotel Danúbio e a "historiografia" da Wicca no Brasil, da Abrawicca pra cá, vem contar depois como se só existissem os encontros que eles realizaram. É o primeiro, segundo, terceiro encontro de Bruxaria, não... Essa conta já deveria começar no número 3. Inclusive, só fizemos dois antes e não mais, pois a própria Alemdalenda sabotou nosso encontro, mandando pessoas não irem, pois aquilo não era encontro pagão... Baseados em critérios que eu refuto. A participação de Bruxos ou Magos não-Wiccas...Nós, os que hoje somos os "mais velhinhos", nem de longe fomos os pioneiros, e ele incorpora o título de pioneiro em um de seus livros. Já tinham pessoas bem antes de mim aqui praticando Bruxaria, com o nome de Wicca já, e tudo, tinha a Márcia escrevendo livros; se ele veio ainda depois de mim, como pode ser pioneiro? Alguns encontros organizados por eles, posteriormente, foram no mesmo hotel em que fizemos os nossos, antes deles.
Depois, eles editaram uma revista... A capa do número um era uma bruxa diante de um caldeirão, exatamente igual a uma foto que tiraram de mim pra capa da Revista Já, anos antes.
A loja que funcionava dentro da Abrawicca chamava-se "Empório Pagão", nome parecido com o da minha loja, e que havia sido cogitado, inclusive para o nome de uma loja que eu e um outro Bruxo, o Wagner Périco, pensamos em montar com outros bruxos em cooperativa, anos antes. O logo utilizado com as três luas e pentagrama, nada original, esse era o logo que eu usava na minha loja, não registrado, pois não é lícito que esse símbolo pudesse ser apropriado por ninguém; ele é da Wicca, não de uma empresa. Colorido de verde e amarelo, quando se estimula e justifica a comemoração dos sabás pelos dois hemisférios? E membros de lá me dizem "eu gostaria de estar no Hemisfério Norte, q pena q não estou ainda..."
Pessoas que deixavam seus produtos em consignação na loja, depois, os viam sendo produzidos pela própria Abrawicca. O local onde é a sede da Abrawicca hoje, é perto da Hera Mágica...coincidências...muitas delas...demais. E eu, em silêncio tantos anos, pois acredito que, se uns erram, outros erram, também...Que não devemos atacar publicamente um "irmão" nosso na Arte, eu aprendi isso, afinal...e, a pessoa em questão nunca me ofendeu diretamente, então, por que afinal, eu atacar alguém que tantos já estavam a atacar, muitos com suas razões, mas outros, pelo vício de perseguir e ditar regras, coisa que eu também não acho bom.
É que eu também fui muito perseguida, mal interpretada, herdei inimizades de pessoas que me iniciaram, como se eu tivesse cometido os erros delas... Fui acusada de uma série de atitudes que não tive. Fiquei deprimida em função desses e outros mal-entendidos. Eu sempre me coloco no lugar do outro, e não costumo dar combustível para ninguém poder julgar ninguém, eu sofri muito com isso pra reproduzir a desconfiança em relação aos mais novos na Bruxaria...
Aliás, meu entendimento da Bruxaria passa pelo mito do Bode Expiatório, somos ou fomos todos perseguidos, então, eu não acho legal mesmo a perseguição de uns bruxos a outros, de um ser humano a outro, a queimação de filme pública, que se assemelha à queima antiga... Os pré, ou pós-julgamentos... Acredito que temos luz e sombra, que ninguém é bonzinho nem mauzinho o tempo todo... Não vejo nada de mais em ganhar dinheiro com seu trabalho, sejam consultas ou livros; transar com pessoas que fazem isso sem coerção, ou qualquer outro benefício que estar em evidência pode trazer...apenas acho bom que se esteja em evidência por algum valor verdadeiro...e que se colha os louros e os espinhos que vem com isso. Cada um que aproveite seus 15 minutos da melhor forma possível, mas sabendo que são só 15 minutos, sem perder a humildade.
A centralização da tal entidade não me agrada, a mistura de Roda do Ano com Hemisfério Norte e Sul ao mesmo tempo, também não. Sabás em parques públicos, também não. Ter explorado a mão de obra gratuita de membros da Abrawicca, também me desagrada muito.
Após muitas pessoas que se sentiram lesadas terem vindo me procurar pedindo auxílio, resolvi que silenciar poderia estar prejudicando ainda mais. Algumas pessoas me cobraram um posicionamento há muito tempo, mas, sinceramente, é um vespeiro... E eu sempre achei que os Deuses cuidam das coisas no seu devido tempo... Mas que isso não se enquadra no Viva e Deixe Viver, não mesmo.
Isso tudo já prejudicou bastante gente, e espero que as pessoas entrem pra associação, se quiserem, mas informadas. Sei perfeitamente que todos nós temos nossos tetos de vidro, por isso, não atirei a primeira pedra, mas, já que tantos atiraram ao longo desses anos que me mantive em silêncio, e tantos ainda vão atirar, só estou sendo mais uma a escrever. Eu só estou me posicionando, e esse direito, eu tenho. Não sou porta voz de ninguém, não levanto mais bandeiras de nada, não fico na frente pra tomar a primeira pedra mais. Ou seja, estou me curando do meu complexo de bode expiatório, em glória à Pan. E-mails "bombásticos" virão, certamente, mas não de mim, e eu nem prometi nada, não. Eu não ganho nada com brigas. Isso não me interessa.
Adoraria não ter mais nada com o que me preocupar para poder me dar ao luxo de picuinhas, mas, infelizmente, não é o meu caso. Preciso trabalhar, por isso não respondo rápido a e-mails, a não ser dos que se refiram a trabalho. Quando dá respondo um monte de cada vez... Eu não tenho nada contra quem é membro ou ex-membro da Abrawicca, parece que, em geral, os membros é que têm contra quem não é. E criar uma facção é mais uma das consequências negativas de se criar um grupo. Quando se cria um grupo, imediatamente este, até para se definir, para ter uma identidade, se contrapõe ao outro... Essa é a gênese das gangs e dos guetos. E tem-se feito isso com as diferentes Tradições da Bruxaria.
Posso assegurar que estou sendo o mais respeitosa possível, diante dos fatos. Bem mais do que muitos já foram comigo. E bem mais do que eu precisava ser. Como a Márcia colocou, essa é uma ferida, e de nada adianta mexer numa ferida, a não ser para obter nossa cura. E mesmo assim, nada que dói é legal.
Gente, não tem que parar e tomar fôlego antes de mexer nisso? E dá pra chamar de algo mais sutil do que bosta? Acho lamentável o rumo que as coisas tomaram aqui, sim. E não gosto nada de lembrar dessas coisas. Eu quero falar de coisas mais agradáveis e construtivas.

Nota: eu entrei em contato com a Claudia Hauy para que ela (se quisesse, óbvio) se manifestasse a respeito desse texto, se ela confirma ou nega a autoria. Eu não consegui um retorno e, curiosamente, no site dela, os textos ali de autoria dela revelam que ela (como muitos outros que passaram por essa história) resolveu "jogar panos quentes" no passado e viver no atual cenário do "politicamente correto".
Considerando o caminho que a Wilka S/A está tomando, vale a pena enfatizar aos pagãos, bruxos e wiccanos brasileiros: quem não lembra o passado, está condenado a repetí-lo.

Republicado. Texto orginalmente publicado em 04/04//2008, resgatado com o Wayback Machine.

Árvores sagradas no folclore finlandês

Autora: Niina Niskanen.

A Finlândia é conhecida como um país com muitas florestas. 
De fato, mais de 75% da Finlândia é coberta por florestas. Portanto, não é de surpreender que o folclore finlandês inclua vários mitos e histórias contadas sobre árvores e muitas criaturas e divindades míticas tenham sua própria árvore especial associada a elas.

No  folclore  e na mitologia finlandesa, o abeto está ligado à lua e à noite e os pinheiros são as árvores do sol e do dia. Talvez isso tenha algo a ver com a palavra finlandesa para a lua -  kuu.  A palavra finlandesa para abeto,  kuusi,  é uma palavra proto-finno úgrica.

Um abeto jovem só pode crescer à sombra de abetos mais velhos. No folclore finlandês, o abeto é a árvore das sombras e da sombra fresca.  O abeto  era usado para fazer instrumentos musicais como kantele (uma harpa tradicional finlandesa) e sinos para as vacas usarem. Viajantes e caçadores dormiam sob os abetos em suas jornadas.

Os abetos que cresciam em formas incomuns eram considerados árvores sagradas de Tapio, o deus das florestas e da caça. Por exemplo, um abeto que crescia muito era chamado  Tapion kämmen , “pata de Tapio”, e os caçadores comiam suas refeições na pata e deixavam um pouco de comida e uma taça de vodka como sacrifício para o deus debaixo dos galhos das árvores.

O abeto é tradicionalmente reconhecido como uma árvore masculina. Está ligado à sabedoria, à velhice e aos  elementos  fogo, terra e ar. Suas raízes penetram profundamente no solo e o topo atinge o alto do céu.

Esta árvore está associada a várias divindades florestais: Tapio (Finlândia), Porewit (eslavo) e  Baldur  (nórdico). No folclore finlandês, o abeto está ligado à terra dos mortos, Alinen, mas também era visto como uma árvore protetora. Quando uma família construía uma casa, eles plantavam uma árvore espiritual no quintal. Às vezes, a árvore era um abeto protetor. Também se acreditava que os abetos mantinham fantasmas e  espíritos malignos  afastados.

Na Finlândia havia uma tradição chamada  Karsikkopuu  (árvore de poda). Esta era uma árvore que havia sido podada/marcada para comemorar uma morte. A árvore de poda mais comum foi um abeto. Quando uma pessoa era enterrada, as pessoas acreditavam que sua alma ainda era capaz de vagar livremente, e o espírito podia agarrar os galhos das árvores e sair do túmulo.

Todos os galhos inferiores foram cortados da árvore de poda para que o espírito do falecido não saísse de seu túmulo. Muitas vezes, uma cruz era esculpida ou pintada na árvore e, mais tarde, essas marcações se transformavam em tábuas de madeira nas quais a data da morte era escrita. Esta tradição desapareceu lentamente por volta do final do século XIX. Outro costume era espalhar ramos de abeto nas estradas do cemitério para que os espíritos não seguissem os vivos.

Os pinheiros  são comuns em toda a Finlândia e a espécie de pinheiro mais comum é o pinheiro florestal. Na Finlândia existem muitos nomes diferentes para os pinheiros.  Honka  é um pinheiro morto.  Jahnus  é um pinheiro retorcido.  Petäjä  é um pinheiro alto e reto. A palavra finlandesa para pinho,  mänty,  é derivada da palavra báltica  mäntä . Mäntä era uma ferramenta antiga que era usada para mexer manteiga, mingau ou outros alimentos. Mäntä foi feito do topo de um pinheiro jovem. As agulhas foram arrancadas e os galhos foram deixados para serem agitados. Um pinheiro é reconhecido por suas grandes agulhas em forma de V.

Na Finlândia existem diferentes crenças ligadas aos pinheiros. É considerada uma árvore sábia e pacífica. Acredita-se também que o pinheiro seja uma árvore bastante humana. Isso pode ser visto em expressões finlandesas relacionadas ao pinheiro, como:  kaikki menee päin mäntyä/ kaikki menee päin honkia -  traduzido literalmente como: tudo vai para os pinheiros (tudo está dando errado).

Um pinheiro era um  merkkipuu  comum - árvore de marca. Quando uma pessoa faleceu, um grande pedaço de casca foi removido, e a data de nascimento e a data de morte da pessoa foram gravadas na árvore. Essas árvores funcionavam como  lápides ; eles também lembravam às pessoas falecidas que elas pertenciam ao mundo dos mortos, não ao mundo dos vivos. Quando um membro respeitado da família faleceu, o galho mais jovem e mais baixo da árvore foi cortado. Alguns pinheiros também eram árvores sagradas e as pessoas deixavam presentes de sacrifício embaixo deles.

Na mitologia e folclore finlandês, o pinheiro está ligado a várias divindades diferentes, como Ukko, o deus do céu e do trovão, e Urso, o ancestral mítico. No folclore finlandês, os pinheiros são tradicionalmente considerados árvores masculinas, a razão para isso é provavelmente a forma fálica da árvore.

Mas existem deusas e espíritos femininos da natureza que também estão ligados aos pinheiros. Por exemplo, Tellervo - a filha do deus da floresta Tapio, e a deusa caçadora Mielikki estão ambas ligadas aos pinheiros. Tellervo é um espírito da floresta e uma deusa da caça, do deserto e dos animais selvagens. Outra deusa ligada aos pinheiros é Hongatar. Ela é a  emuu  (criadora) de ursos e pinheiros.

Há um conto popular que conta como os pinheiros começaram a produzir seiva. Nesta história,  Urso  estava andando em um pântano quando viu uma mulher que havia adormecido ao lado de um pinheiro enquanto colhia frutas. Bear viu que a mulher tinha uma ferida na perna. Bear correu para sua caverna para encontrar a cura e voltou trazendo seiva com ele. Mas enquanto ele estava fora, a mulher se levantou e foi embora. Urso ficou com raiva e jogou a seiva em direção ao pinheiro e desde então o pinheiro tem seiva dentro dele.

Na antiga Finlândia, a seiva de pinheiro era usada para curar feridas porque é altamente anti-séptica. O pinheiro é uma árvore que as pessoas gostam de abraçar e antigamente as pessoas acreditavam que abraçar um pinheiro lhes dava coragem.

As bétulas foram árvores importantes para muitas pessoas e várias tribos fino-úgricas, bálticas e eslavas as adoraram. A palavra russa para bétula ( berjoza ) significa proteção. Birch simbolizou pureza, bondade, verão e calor. A palavra finlandesa para bétula,  koivu,  é uma palavra proto-finno-úgrica. Para os morávios fino-úgricos, a bétula era a árvore da vida. A seiva que se movia dentro da árvore simbolizava a continuidade da vida e o renascimento. As folhas representavam os ancestrais e o céu estrelado.

Na Finlândia, a bétula tem sido um material importante para construir e esculpir objetos como rodas, pratos, xícaras, esquis, lenha, trenós e cabos para machados e martelos.  A casca de bétula  era um material multiuso que era usado tanto quanto usamos o plástico hoje. Era usado para fazer mochilas, sapatos, pratos, isqueiro e os antigos fino-úgricos até o usavam como papel de escrita no começo.

Na Finlândia e na Rússia, galhos de bétula eram usados ​​como varinhas para lançar feitiços de proteção sobre o gado. Acreditava-se que as vacas protegidas com essas “varinhas” forneceriam leite tão bom quanto seiva de bétula. Um costume semelhante foi praticado em alguns países do sul da Europa também.

Ramos de bétula estavam ligados à chegada do verão e antigamente as casas eram decoradas com ramos de bétula para o Dia das Mães e o festival do solstício de verão. Durante o verão, pacotes feitos de galhos de bétula eram preparados para as saunas do próximo ano. Cada ramo que foi usado no pacote tinha significados e símbolos diferentes. Ramos de bétula no pacote representavam bondade e boa saúde.

Um dos antigos nomes finlandeses para março era  Mahlakuu -  o mês da seiva. As pessoas bebiam seiva de bétula para se refrescar após o longo inverno. Os donos das melhores árvores de seiva até as nomeavam. Se alguém cortasse uma árvore de seiva, poderia ser multado ou ter que dar duas bétulas iguais em troca.

A seiva foi fabricada em cerveja e limonada. Foi apreciado durante o jantar e como remédio para curar problemas de bexiga, escorbuto e para curar dores nos membros. Roupas embebidas em água quente fervida de folhas jovens de bétula eram usadas para curar erupções cutâneas e dores. O alcatrão das  bétulas  também tem sido usado para curar dores de dente e queimaduras.

As meninas lavavam o rosto com a primeira seiva da primavera para não se queimarem no verão. Eles sempre tinham que provar a seiva primeiro para que a magia funcionasse.

Na língua finlandesa existem duas palavras para salgueiro. Há  "paju"  que significa um arbusto de salgueiro. "Paju" é uma palavra com raízes fino-úgricas, e depois há " raita " que se origina das línguas bálticas e se refere ao salgueiro.

Na Finlândia e na Estônia, os ramos de salgueiro eram considerados ramos mágicos que as pessoas costumavam encontrar fontes subterrâneas. Ramos de salgueiro foram usados ​​para fazer  cestas  e armadilhas de pesca. A casca do salgueiro era usada para fazer muitas coisas diferentes. Sapatos e redes de pesca foram tecidas a partir dele, e foi usado para colorir fios e couro.

Os magos populares e os xamãs faziam chá com casca de salgueiro. Era usado para curar reumatismo, dores de cabeça e reduzir febres. Antes da propagação do cristianismo, na Finlândia Ocidental havia o costume de coletar ramos de salgueiro em uma tigela e a posição dos ramos era usada para prever o tempo. No leste da Finlândia, os ramos de salgueiro eram varinhas mágicas populares. Durante a primavera, eles eram usados ​​para realizar rituais para proteger o gado e a terra.

Na Finlândia Ocidental existe uma tradição chamada " virpominen ". É um costume antigo desejar saúde e felicidade a outra pessoa no Domingo de Ramos batendo levemente nela com um galho de salgueiro e cantando uma rima. Este costume ainda é praticado na Finlândia Ocidental (embora o dia nem sempre seja o Domingo de Ramos, geralmente ocorre durante  a semana da Páscoa  ). As crianças se vestem de bruxas e vão de porta em porta trocando galhos de salgueiro brilhantemente decorados por dinheiro e doces. É um pouco semelhante ao   truque ou travessura de Halloween . O costume chegou ao oeste da Finlândia da Suécia durante o século 19.

Na Estônia, o Domingo Santo é conhecido como  Urbepäev  (dia do broto), referindo-se aos salgueiros em flor. Havia um costume na Estônia de que, na manhã de Urbepäev, os membros da família Urbepäev que dormiam demais eram acordados tocando-os suavemente com um galho de salgueiro. A pessoa que acordou primeiro tornou-se o dono da casa durante o dia. As pessoas desejavam umas às outras boa saúde e longevidade e comemoravam comendo biscoitos e ovos. Na Estônia também havia o costume de lançar feitiços para proteger o gado e a fazenda.

As palmeiras não crescem no hemisfério norte. Na Escandinávia, na Rússia e nos países bálticos, as igrejas luterana e ortodoxa substituíram as folhas de palmeira por ramos de salgueiro. Na Finlândia e na Estônia, os ramos de salgueiro são um elemento importante na celebração da Páscoa da Igreja Ortodoxa. Na antiga crença pagã, os salgueiros simbolizavam o despertar da terra e o renascimento da natureza.

Muitos finlandeses ainda sentem uma conexão com a floresta hoje e ela é vista como um lugar sagrado. Embora muitos desses antigos mitos das árvores não sejam bem conhecidos, ainda encontramos paz e solidão na natureza e podemos saudar as árvores como se fossem nossas velhas amigas.

Original: https://www.ancient-origins.net/myths-legends-europe/finnish-trees-0016363
Traduzido com Google Tradutor.