sábado, 31 de outubro de 2009

Halloween na Casa Branca

Deu nos jornais internacionais e em alguns locais a festa de halloween que aconteceu na Casa Branca:

Sasha e Malia Obama, as filhas do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, receberão 2 mil crianças amanhã na Casa Branca para a tradicional festa norte-americana do Halloween. Os convidados são todos estudantes de ensino fundamental e médio que foram convidados pelo presidente e pela primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama. Desta forma, na noite de amanhã, 2 mil crianças provenientes dos estados de Maryland e Virginia, e do Distrito de Columbia pedirão doces aos adultos nos jardins da Casa Branca. Apesar de o número de convidados para a festa infantil já ser elevado, inicialmente era ainda Maior, já que o convite foi mandado para muitas outras crianças, devido a um erro no sistema de envio de e-mails. Em seguida, foi preciso enviar uma outra mensagem de desculpas pelo equívoco e de esclarecimento sobre quais escolas estavam realmente convidadas para a festa típica. A Casa Branca não informou mais informações sobre a comemoração do Halloween. Mas segundo o jornal Washington Post, durante a festa haverá uma exibição do Chicago's Redmoon Theatre, especializado em criar espetáculos fantásticos ao ar livre.[Ansalatina][link morto]

Por algumas horas da semana, estudantes de 30 escolas de Washington DC acreditaram que ganhariam um presente especial neste Halloween: convite para uma festa particular na Casa Branca que acontecerá neste sábado, informa o jornal "Washignton Post". Mas os jovens se depararam com a realidade dias depois ao descobrirem que um superintendente de Educação acidentalmente encaminhou o convite para todas as escolas, em vez de apenas algumas selecionadas. A Casa Branca tradicionalmente recebe alguns estudantes locais. Desta vez, 2.500 alunos do Ensino Fundamental e suas famílias foram convidados. E a convocação faria sentido, já que os dias de Malia e Sasha pedirem doces na casa da vizinhança - tradição americana no Dia das Bruxas - acabaram. A lista de convidados inclui famílias de militares, alunos de áreas afastadas e mil crianças de escolas de diferentes bairros da capital americana. Mais detalhes da cerimônia não foram divulgados, mas há boatos de que uma companhia de teatro vai se apresentar para a platéia.[O Globo][link morto/indisponível]

Evidentemente, o Vaticano criticou a festa como sendo "anti-cristã", esquecendo que a festa foi celebrada pela primeira vez nos EUA, um país fundado por pessoas Cristãs, que levaram os costumes da Inglaterra de celebrar o Dia dos Mortos [Dia de Finados no Brasil], cuja origem remonta à cultura Celta e às crenças que existiam na Europa antes do Cristianismo. Como se a humanidade ainda ouvisse ou obedecesse ao Vaticano. Vamos comemorar e, como diz a Musa Nana Odara, vamos gozar na cara dos caretas.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Diwali, o Ano Novo dos Hindus

"Os indianos definem a data do seu ano novo através de estudos astronômicos, mas geralmente é em outubro (em alguma regiões da Índia, o mês pode ser outro).
Este ano, a festa tem o seu ápice no dia 18, mas os preparativos já começam cinco dia antes, no dia 14", explica Fernanda Payo, diretora da academia Shiva Nataraj Danças e Práticas.
O calendário hindu varia conforme as regiões, pode ter início na lua nova ou cheia, mas de forma geral é baseado no movimento lunar e compreende doze meses de 29 dias e meio.
Os doze meses completam um total de 354 dias, ou seja, 11 dias de menos do calendário solar. O ano novo dos indianos é conhecido como a Festa das Luzes (Diwali), marcada pelo retorno da deusa Lakshmi (ou Laxmi), símbolo de prosperidade.
A celebração é repleta de história e vários significados, um deles indica o retorno de Rama e Sita, reencarnações de Vishnu, deus sustentador do universo, e de Lakshmi, que foi resgatada das mãos do demônio Ramavana.
Esses deuses só conseguiram enxergar o caminho de volta porque o povo deixou a floresta toda iluminada.
Por este motivo, as casas recebem durante os cinco dias de comemorações muitas luzes e incensos. São limpas e decoradas com lamparinas de óleo. À noite familiares e amigos trocam presentes ao redor de muita música e pratos típicos, além de estourar fogos de artifício com a intenção de destruir as forças do mal.
"Aqui no Brasil, as comemorações são mais tímidas, geralmente em um dia só. Mas a festa sempre começa com um puja (oferendas) à Ganesha, e no desenrolar da noite há muita dança, música e teatro, além de entoação de mantras, sempre com lamparinas acesas. Há ainda a encenação das partes do Ramayana, semelhante à Paixão de Cristo", explica.
A diretora que estuda a cultura indiana montou um espetáculo baseado na festa com cinco atos, que simbolizaram os dias de preparação. As coreografias apresentadas neste sábado, dia 10, encenaram a preparação do Diwali.
"Lá na Índia, no primeiro dia são feitas orações à deusa Lakshimi para pedir prosperidade no ano que se inicia. Já na manhã do segundo dia, chamado de Chhoti Diwali ou pequeno Diwali, as mulheres se ocupam em fazer bonitos e coloridos Rangolis na entrada das casas. São mandalas coloridas feitas de areia tingida", explica a diretora.
O terceiro dia é considerado o mais auspicioso e dedicado ao apaziguamento de Lakshmi, por isso a casa fica extremamente arrumada e iluminada, pois a deusa gosta de limpeza. Há também a explosão de fogos de artifício nas ruas.
"O dia seguinte ao Amavasya é conhecido como Gudi Padwa, um símbolo de amor e devoção entre a mulher e o marido. Neste dia, recém-casados e filhas com seus maridos estão convidados para refeições especiais. As esposas aplicam tilakan vermelho em seus maridos como símbolo de amor eterno e fazem orações pedindo saúde e longa vida aos seus companheiros".
Segundo Fernanda é lembrado nesta data o episódio em que Krishna elevou o Monte Govardhan com o dedo mindinho, abrigando toda a humanidade de um dilúvio, dessa forma grandes montanhas de alimentos são oferecidas aos necessitados como forma de agradecimento.
"O último dia lembra o episódio em que Yamaraj foi para a casa da sua irmã, que colocou em sua testa uma marca auspiciosa para o seu bem-estar. Assim, neste dia, as irmãs fazem puja para seus irmãos desejando segurança e bem-estar. E os irmãos dão presentes em troca, para como um símbolo do amor", finaliza.
Fonte: Vila Mulher.[link morto]

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Curiosa confissão

Como se não bastasse distorcer os fatos ou citar de forma tendenciosa e desonesta artigos científicos, eis que os cristãos fundamentalistas avançam em mais uma categoria - a distorção dos conceitos das palavras, de seus significados e dos valores que estas palavras representam.
Chega a ser uma confissão ao deparar com um texto intitulado "
Apologia ao preconceito" [extinto] no blog do Roberto Cavalcanti. Meu xará deveria ter lido, antes de começar seu texto, a seguinte definição do Wikipédia:

Preconceito é um juízo preconcebido, manifestado geralmente na forma de uma atitude discriminatória perante pessoas, lugares ou tradições considerados diferentes ou "estranhos". Costuma indicar desconhecimento pejorativo de alguém, ou de um grupo social, ao que lhe é diferente. As formas mais comuns de preconceito são: social, racial e sexual.
De modo geral, o ponto de partida do preconceito é uma generalização superficial, chamada estereótipo. Exemplos: "todos os alemães são prepotentes", "todos os norte-americanos são arrogantes", "todos os ingleses são A roupagem ética do preconceito enquanto patrulhamento ideológico é o igualitarismo. frios".
Observa-se então que, pela superficialidade ou pela estereotipia, o preconceito é um erro. Entretanto, trata-se de um erro que faz parte do domínio da crença, não do conhecimento, ou seja ele tem uma base irracional e por isso escapa a qualquer questionamento fundamentado num argumento ou raciocínio
.

Partindo dessa premissa, passemos à análise do texto:
Em teoria, o preconceito em si não é bom nem mau. Pode ser certo ou errado, conforme ele venha a se aproximar ou não de um conceito. Por isso o preconceito só possui valor prático. O preconceito funciona como um juízo pré-concebido; como uma ideia não muito amadurecida sobre determinado objeto, muito aproximada da ideia de estereótipo. Um estereótipo não é o preconceito em si, mas uma espécie do gênero preconceito.

O autor não cita qual é essa "teoria" nem o autor desta que afirma que o preconceito em si não é bom nem mau. O preconceito se baseia não em um raciocínio, mas em uma concepção pré-estabelecida, incutida na mente do indivíduo, partindo de visões generalizantes ou estereotipadas a respeito de algo ou alguém. A função do preconceito é o sectarismo, uma ilusão muito empregada por determinados grupos para se sentirem "melhores" ou "superiores", moral, social, politica, cultural ou religiosamente em relação aos objetos, comportamentos ou grupos que são, por prepotência e arrogância dos primeiros, "menores" ou "inferiores".

O estereótipo comumente se baseia num juízo formado acerca de determinado fato pela sua observação sistemática e repetitiva.
Estereótipo é a imagem preconcebida de determinada pessoa, coisa ou situação.[Wikipédia]
Estereótipo: substantivo, conceito infundado sobre um determinado grupo social, atribuindo a todos os seres deste grupo uma característica, frequentemente depreciativa; modelo irrefletido, imagem preconcebida e sem fundamento.[Wikicionário]
Portanto, não há juízo algum no estereótipo, não há uma observação "sistemática e repetitiva", mas uma visão incutida nos indivíduos, partindo da generalização.
Há um motivo para que o autor parta da desconstrução da palavra "preconceito" que é, curiosamente, criticar o "politicamente correto", sendo que o autor parte de um [ou vários] preconceito para definir a ação do [digamos] "patrulhamento ideológico":

A palavra “preconceito” virou uma espécie de mantra politicamente correto. É utilizada de forma tão recorrente para censurar a veiculação de determinados argumentos, que vem funcionando hoje quase como um reflexo incondicionado destinado a silenciar interlocutores.
Sutilmente [ou nem tanto, ao menos para mim] o autor descreve a crítica como censura, mas censura o uso da palavra "preconceito" nas críticas a determinados argumentos. Em breve saberemos a quais argumentos, afinal o autor está apenas no preâmbulo de sua premissa.

A roupagem ética do preconceito enquanto patrulhamento ideológico é o igualitarismo.
O autor falha, pois não explica nem argumentou como ou porque a roupagem ética do preconceito seja o igualitarismo. A crítica a algum argumento, especialmente os que usam a palavra "preconceito" visa exatamente desfazer a generalização ou a falta de fundamento que existe no argumento criticado.

Isto porque a igualdade virou um princípio ético em praticamente todas as legislações dos países ocidentais.
O princípio da igualdade tornou-se um conceito ético e virou lei nos países civilizados para evitar ou limitar as ações violentas, de um grupo ou de uma sociedade, tendo por base o estereótipo e o preconceito contra outro grupo, geralmente minoritário.

Assim, o igualitarismo é tolerante às diferenças e desigualdades, exceto, logicamente, a quem se oponha a tais misturas indiscriminadas, que é logo vítima da intolerância dos igualitaristas, com o rótulo de preconceituoso.
O princípio da igualdade e as leis baseadas nele é exatamente o direito à diferença, mas que, obviamente, deve combater o preconceito, uma vez que este não se baseia no respeito à diferença.

Fato é que a ausência de preconceitos conduz à ausência de distinções de qualquer natureza e vislumbra uma sociedade igualitária. Assim, induz-se promiscuidades de toda ordem sob o pretexto de combate ao preconceito.
O princípio da igualdade não elimina as distinções, as elogia e garante espaço para que todas se manifestem igualmente, sem as distorções incutidas pelo preconceito.

A demonização do preconceito responde pela ruptura com qualquer ideia de hierarquia, seja social, cultural ou moral, com vistas à produção de uma sociedade sem classes. Qualquer diferenciação valorativa deve ser abolida.
O princípio da igualdade coloca a hierarquia em seu devido lugar, como função em relação a algo ou alguém, dentro de um contexto. Fora do contexto, a hierarquização torna-se um preceito exatamente para que um grupo arroga a si mesmo a posição prepotente como sendo "melhor" ou "superior" a outro grupo, ou seja, um preconceito.

Se procura abolir qualquer diferenciação valorativa, logicamente combate-se igualmente a moral. Assim, no combate aos preconceitos combate-se a moral.
O princípio da igualdade não tira nem abole o valor da diferenciação, mas os garante para que todas as diferenciações possam coexistir no espaço social, para evitar que se façam julgamentos morais baseados no preconceito.

A ciência, regra geral, parte de determinadas observações preconceituosas.
A Ciência é o conhecimento ou um sistema de conhecimentos que abarca verdades gerais ou a operação de leis gerais especialmente obtidas e testadas através do método científico.
A palavra ciência, no seu sentido estrito, se opõe à opinião (doxa em grego), e ao dogma, afirmação por natureza arbitrária.[wikipédia]
Algo que pode ser testado e observado por métodos científicos, que se opõe ao dogma e à afirmação arbitrária dificilmente parte de observações preconceituosas.

Funcionam como o núcleo da produção científica, pois cientistas costumam partir de pressuposições (preconceitos) para confirmarem ou não uma tese (conceito), ou seja, através da produção científica, um conhecimento inseguro (preconceito) torna-se seguro (conceito).

Os cientistas partem de uma hipótese [uma teoria provável mas não demonstrada, uma suposição admissível], não de um preconceito [um conceito infundado não é provável nem admissível].

Na "Política", afirmou Aristóteles que "se o homem, chegado à sua perfeição, é o mais excelente dos animais, também é o pior quando vive isolado, sem leis e sem preconceitos".
Isto é muito natural, pois o isolamento é causa de auto-destruição, a ausência de leis implica na preponderância perene do mais forte sobre o mais fraco e a ausência de preconceitos desmoraliza e desnorteia a sociedade.

Curiosamente eu não encontrei a passagem citada pelo autor, mas esta:
Pois se o homem, ao atingir sua máxima realização, é o melhor dos animais, também é, quando está afastado da lei e da justiça, o pior de todos eles.

Quando o autor escolhe um trecho de Aristóteles de forma deliberada conforme lhe convém este pretende emprestar a propriedade do citado ou da obra escolhida ao seu próprio argumento, ele tem a intenção de convencer o leitor de que o que o autor afirma é certo ou verdadeiro. Entretanto a citação foi alterada, o que indica desonestidade intelectual e, ao apelar à propriedade do citado, indica uma falácia ad verecundiam.

A ética de combate ao preconceito é, como visto, uma retórica de fundo comunista, pois visa banir do nosso convívio a moralidade e substituí-la por uma ética igualitária.
O princípio da igualdade deve combater o preconceito porque este não possui moral alguma, visto que parte de um conceito sem fundamento. O princípio da igualdade é observado por países civilizados, tanto pelos que são comunistas quanto os que são capitalistas.

Sem a separação clara dos bons e dos maus costumes, que ensejaria uma visualização clara dos bons e maus cidadãos, e nisso estabelecer discriminações, parece ter como seus fins últimos inviabilizá-las, proibindo toda sorte de proselitismos neste sentido.
Aqui o autor tenta induzir o leitor de que este defende determinados valores universais, mas o preconceito não provém da distinção entre os costumes e os cidadãos, mas da estigmatização de uns em detrimento de outros. A discriminação, tanto dos costumes quanto dos cidadãos, não concede aos pertencentes à essas categorias qualquer privilégio ou preferência, não se tem um comportamento nem se é um cidadão "bom" somente por pertencer a esta categoria, não se é "melhor" ou "superior" que outros simplesmente por pertencer a determinada categoria.

A religião cristã é uma religião repleta de toda sorte de preconceitos e tem como base a Bíblia, como todos sabemos.
A Bíblia é um manual de preconceitos e discriminações.

Começa-se a vislumbrar a real intenção e questão do autor. Ele quer fazer uma apologia ao preconceito com a intenção de justificar ou defender [daí a necessidade de uma apologia] o "direito" que os cristãos fundamentalistas se dão de serem preconceituosos sob a guarida da religião. A bíblia tem preceitos, não preconceitos, que são direcionados ora ao povo Judeu [portanto, não aos Cristãos], ora aos Cristãos [portanto, não a toda a sociedade].

Quando escolhemos previamente determinados locais a serem frequentados ou pessoas a serem evitadas. Baseando-se na ideia de estereótipo, o ser humano tira conclusões antecipadas sobre determinado objeto e, com tais conclusões psiquicamente enraizadas, tende a tomar rápidas e objetivas decisões. Assim, o preconceito serve como norma de prudência para onde quer que rumamos.
Quando escolhemos os locais que frequentamos e pessoas que evitamos, isso se chama bom senso, não preconceito. Toda escolha é feita tendo por base a reflexão, levando em consideração fatos reais, não os incutidos por meio do preconceito.

Um grande malefício no combate aos preconceitos é o de minar a capacidade reflexiva do ser humano, por censurar seu espírito crítico. A capacidade crítica do ser humano é condicionada por certas barreiras que ele não pode romper, sob pena de chegar a conclusões ideologicamente indesejadas.
A capacidade reflexiva e o espírito crítico do ser humano não devem ser baseados em preconceitos, visto que são infundados. Ao aceitar ser condicionado pelas barreiras incutidas pelo preconceito, o ser humano deixou de ter tal capacidade crítica, torna-se uma marionete.
O que se quer ocultar do público nessa pretensa "defesa do preconceito" é que se tenta usar a religião como desculpa. Este discurso em defesa do preconceito, de um cristão fundamentalista, sequer pode ser intitulado de "opinião", mas sim de sentença arbitrária, baseada em uma interpretação distorcida e tendenciosa da religião cristã. Nem se trata de defender a capacidade crítica do ser humano, mas de garantir e resguardar o totalitarismo arbitrário dessa interpretação distorcida e tendenciosa, que quer impingir seus preconceitos, escondidos sob a capa da crença, de forma covarde e hipócrita.

domingo, 25 de outubro de 2009

Curiosa interpretação

Saulo de Tarso, um judeu que se converteu ao cristianismo e que adotou o nome de Paulo de Tarso, é o único apóstolo que se refere ao tema "homossexualidade", mas de modo nada explícito. Alguns autores recentes especulam que Paulo de Tarso (ou Saulo) era homossexual, mas escondia sua orientação sexual e vivia em conflito entre seus desejos e a sua fé judia. Apesar da afirmação não poder ser comprovada, é uma interessante teoria para se explicar a exacerbada hostilidade de Paulo com relação aos relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo, o qual reagia de forma muito exagerada e que revelava, implicitamente, algum medo interior. É ponto pacífico entre terapeutas que a maioria das pessoas que condenam a homossexualidade de forma radical possuem um medo inconsciente de serem elas próprias homossexuais e diante do ato de condenação procurarem disfarçar esta tendência ou orientação sexual.
As cartas de Paulo, com toda a certeza, não podem fornecer qualquer resposta específica aos anseios dos fundamentalistas que tentam justificar sua aversão à homossexualidade com bases bíblicas. Nos escritos de Paulo, nem a prática homossexual nem a promiscuidade heterossexual nem sequer outro vício específico é identificado como pecado.
Na sua visão do pecado fundamental, por exemplo, do qual todos os males particulares derivam, a idolatria é uma adoração que vem antes do Criador, pois admite que para se adorar um deus é necessário adorar sua imagem material.
À primeira vista, Paulo parece condenar a atividade homossexual. Paulo critica a atividade sexual que vai contra a natureza ou disposição da pessoa. Na sociedade grega daquela época, a homossexualidade e a bissexualidade eram vistas como uma atividade natural para algumas pessoas. Assim, Paulo poderia estar criticando heterossexuais que praticavam atos homossexuais, contra sua natureza.
Entretanto, Paulo era judeu e também poderia estar ridicularizando a rebelião religiosa pagã, dizendo que os pagãos conheceram Deus, mas adoraram ídolos ao invés de Deus. Ele se refere à práticas típicas de cultos de fertilidade envolvendo sexo entre sacerdotisas e entre homens e eunucos prostitutos como os que serviam à Afrodite, em Corinto, de onde ele escreveu a carta para os Romanos. Seus ritos de auto-castração resultavam numa "penalidade corpórea".
Naquele período, de acordo com historiadores, os homens usavam véus e cabelos compridos como sinal de sua dedicação à deusa, enquanto que mulheres não usavam véus e aparavam os cabelos para indicar sua devoção. Os homens se mascaravam como mulheres e, numa rara pintura de um vaso de Corinto, uma mulher está vestida em calças "equipadas" com o órgão sexual masculino. Em seguida, ela aparece dançando diante de Dionísio, uma divindade que tinha sido criada como menina e chamava-se a si mesma de "macho-fêmea".
A troca de sexo que caracteriza os cultos de tais deusas como Cibele, Afrodite, Artemis de Éfeso etc., eram mais assustadores, pois homens se auto-castravam voluntariamente e assumiam trajes de mulheres. Uma antiga gravura romana mostra um sacerdote de Cibele o qual está castrado, usando véu, colares, brincos e roupas femininas, tendo "trocado" sua identidade sexual e se tornado uma "sacerdotisa". Como tal, estes prostitutos religiosos se engajavam em orgias envolvendo o mesmo sexo nos templos pagãos por onde passavam as viagens missionárias de Paulo.
A concepção de Paulo da homossexualidade foi afetada pela atmosfera cultural do paganismo grego. A homossexualidade em si não é o tópico da discussão, mas sim a prática de um ato contra a natureza própria do ser. Assim, é contra a natureza de um homossexual viver o estilo de vida heterossexual e vice-versa. O ponto da passagem não é estigmatizar o comportamento sexual de qualquer forma, mas condenar os gentios por sua infidelidade.
O que é mais importante é que as pessoas que Paulo condena não são manifestamente homossexuais. O que ele derroga são atos homossexuais cometidos por pessoas aparentemente heterossexuais. Paulo está estigmatizando pessoas que têm ido além de sua própria natureza pessoal para cometer ator homossexuais. Especificamente, Paulo se refere a todos os atos sexuais entre pessoas e possivelmente animais, assim como no contexto de adoração de ídolos de falsos deuses.
Muitos se avançam em dizer que o verso 27 está se referindo à AIDS, sendo a presunção de Deus para o homem onde se lê "e eles receberam a devida pena pela sua perversão". Se isto é desta forma, então nós podemos usar a mesma lógica "boba" para dizer que a sífilis é a punição de Deus para os heterossexuais.
Na verdade, o argumento é muito ignorante. Paulo é claro referindo-se ao templo de prostituição e adoração de ídolos, especialmente dos deuses da fertilidade. Para alguns estudiosos, Paulo não estaria se referindo aqui à violação das leis da natureza de um modo geral, mas sim à violência contra a natureza própria de cada um. Neste sentido, seria o mesmo que um heterossexual se envolver em relações homossexuais por mero prazer ou mesmo violência, ou um homossexual se envolver em paixões heterossexuais, indo contra a natureza particular.
Novamente, aqui se faz necessária uma observação maior do contexto histórico-cultural do tempo em que o texto bíblico foi escrito. O texto é dirigido ao povo romano que, notoriamente, antes da conversão ao cristianismo, devotava adorações à inúmeros outros deuses, como Júpiter, Netuno, Diana etc. Em meio a isso, realizavam inúmeras festas pagãs, inclusive orgias sexuais visando a satisfação de seus deuses. Estas festas eram promovidas pelos imperadores romanos e envolviam também a prática de rituais sexuais por meio de violência, envolvendo tanto a prática de relações heterossexuais quanto homossexuais entre pessoas com estas orientações sexuais. Assim, homossexuais e heterossexuais tinham a obrigação de praticar sexo com indivíduos do sexo oposto para agradar aos deuses.
Observa-se, aqui, a alusão de Paulo, um judeu convertido, que viveu grande parte de sua vida sob a lei Mosaica, referindo-se unicamente à idolatria. Não queremos aqui justificar ou defender a prática dos rituais sexuais da Roma Antiga. Mas apenas demonstrar que toda forma de interpretação dos textos bíblicos deve ser cautelosa e levar em conta, também, o contexto histórico, social e cultural da época em que foi escrito.
Perto de Corinto havia um monte onde ficava o templo de Afrodite, a deusa do amor. Aqui, não menos do que mil garotas escravas serviam como escravas sagradas ligadas ao serviço do templo e dos adoradores que utilizavam seus serviços em orgias de adoração. Corinto era largamente conhecida como uma cidade de prazer e vício. A cidade recebeu este nome na língua grega através da expressão "korinthia kore", que significa "prostituta", e "korinthtazesthat" (divertir-se com a garota de Corinto) o que significava visitar uma casa de prostituição. Corinto era bem conhecida por seus bordéis, tanto masculinos quanto femininos.
Não é difícil perceber nesta passagem a mesma tendência de Paulo em escrever baseado em suas reminiscências judias. Corinto era uma cidade grega que praticava a idolatria, o paganismo e a prostituição visando agradar aos deuses. É importante notar que as palavras contidas nos versos tentam condenar tanto homossexuais quanto heterossexuais, pois tanto um quanto o outro é capaz de praticar bebedices, roubos e outras iniquidades. Não ocorre a condenação dos homossexuais, mas sim de todos aqueles que praticam o mal. Mas, antes de tudo, é importante não nos esquecermos do contexto histórico e cultural daquele tempo.
A atividade sexual entre pessoas do mesmo sexo que Paulo teria encontrado durante suas visitas missionárias estariam associadas à idolatria, pederastia ou prostituição. Muitas das uniões que eram comuns em Corinto eram também de natureza adúltera. Muitos dos homens que tinham jovens amantes do sexo masculino ou que praticavam atividades sexuais com pessoas do mesmo sexo nos templos tinham mulheres e filhos em casa.
Estas práticas sexuais, frequentemente, também envolviam escravidão. Inúmeros garotos eram comprados através do comércio de escravos e castrados para preservarem sua aparência juvenil para o prazer de seus mestres.
Para alguns autores, na época de Paulo havia somente um modelo básico de homossexualidade masculina no mundo greco-romano, o qual era a pederastia, a atividade sexual envolvendo um homem adulto e um garoto. Estes meninos eram sexualmente explorados pelos seus proprietários adultos. Os garotos desejados eram imberbes ou pelo menos sem barbas, assim se pareciam com "fêmeas". Estes homens tinham esposas, procriavam e tinham herdeiros. É provável que, ao se referir à homossexualidade masculina, Paulo pudesse estar se referindo à pederastia porque era o único modelo além das atividades nos templos. A Bíblia não diz nada específico sobre a homossexualidade como tal, sobre relacionamentos baseados em amor e respeito mútuos.
O curioso é que este texto foi copiado de "Deus e homossexualidade", de um site evidentemente cristão, mas com uma interpretação bem diferente das correntes ortodoxas e fundamentalistas. Não é novidade alguma ao eventual leitor deste blog que, na opinião desse escritor pagão, os fundamentalistas cristãos apenas estão querendo justificar o ódio, fazer apologia à intolerância, disfarçada como "direito de liberdade opinião, expressão e crença" mas, de fato, os interesses são outros e depõe contra a religião que dizem professar. Quando fatos são distorcidos, quando direitos são manipulados, usando como desculpa uma crença, a lei é o remédio, embora eu prefira a Revolução e a Apostasia.
PS: original perdido.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Doutrina de Georgius Gemistos Pleto

Estas são as principais doutrinas que devem ser conhecidas por quem for prudente:
1) A primeira destas diz respeito aos Deuses: que Eles são. Um dos Deuses é Zeus, o supremo soberano, ao mesmo tempo o maior e o melhor que é possível ser. Está por cima de toda esta ordem e é singularmente a mais alta Divindade. É no Seu próprio ser e na sua integralidade completamente não gerado; é pai e o mais alto dos criadores de todos os outros Deuses. O seu filho mais velho, também sem mãe, e segundo Deus, é Poseidon. Assuntos secundários foram conferidos por Zeus a Poseidon, que é mestre de todas as coisas que não são do Alto; e, além disso, Poseidon é a origem e o criador dos céus. Usa os outros Deuses como coadjuvantes, como irmãos, todos eles sem mãe e supercelestiais - aqui Se incluem tanto os Olimpianos como os Tartáreos. Gerou com Hera, uma Deusa que produz matéria, outros Deuses no seio dos céus, tanto a geração celestial das estrelas como a geração ctónica e os espíritos que estão por natureza perto de nós. Em Hélios, o mais velho dos Seus próprios filhos, depositou a Sua confiança como mestre dos céus, e, além disso, Hélios é a fonte das coisas mortais que aí se encontram. Todavia, Ele conseguiu isto com Kronos, um dos Titãs do Tártaro e Seu líder.
Os Tartáreos são diferentes dos Deuses Olímpicos. Os Olimpianos são os criadores e regedores dos imortais nos céus, mas os Tartáreos governam os mortais aqui; portanto, Kronos dos Tartáreos, Ele próprio líder dos Titãs, governa sobre todos os mortais. Hera, a segunda após Poseidon entre os Olimpianos, é a criadora e regedora da matéria mais elevada, em si mesma indestrutível. Fez isto pelas coisas feitas em conjunto com Poseidon. Poseidon manda em toda a forma tanto dos imortais como dos mortais. É o mestre no Universo. Verdadeiramente ordenou toda a ordem. Uma vez que Zeus, sozinho na Sua singularidade da Sua mais alta Divindade, governa à parte e acima do Universo. Que seja esta então a primeira doutrina que alguém compreende e em que acredita.
2) A seguir, que estes Deuses fazem por nós. Por um lado, Eles salvaguardam-Se a Si mesmos de imediato, por outro, através de Si mesmos seguram o que Lhes é inferior, e todos são inteiramente colocados no seu devido lugar de acordo com as leis de Zeus.
3) A seguir, que Eles não são responsáveis por quaisquer males, nem no Universo nem para nós, no entanto, são os principais responsáveis pelas coisas boas.
4) E em adenda a estas coisas, por um destino inalterável e inexorável derivado de Zeus, cada qual cumpre o seu propósito de acordo com o melhor. Estas são as doutrinas que dizem respeito aos Deuses.
5) A respeito do universo, primeiro que o universo é eterno. Tanto o segundo como o terceiro nível dos Deuses está nele. Este universo foi concebido por Zeus; não teve início no tempo nem terá um fim.
6) A seguir, que dos muitos universos, foi ajuntado numa unidade.
7) A seguir, que o melhor do possível foi feito, de tal modo que nada foi deixado de fora e tudo o que lhe fosse acrescentado seria excessivo.
8) Além disso, o que foi estabelecido desta forma irá sempre ser preservado sem perturbação. Estas são então as doutrinas sobre o universo.
9) A respeito de nós próprios, primeiro que a nossa alma, sendo da mesma espécie que os Deuses, é imortal e permanece neste universo durante todo o tempo e é eterna.
10) A seguir, que a alma é enviada cá para baixo pelos Deuses com o propósito de tomar um corpo mortal, uma vez num corpo, noutra vez noutro corpo, em nome da harmonia do Universo. Que, mesmo que tenhamos uma parte nas coisas mortais, algo em nós é dos imortais e esta é a nossa forma. Deste modo, o universo em si próprio está unido a si mesmo.
11) A seguir, que o bem está em nós, naturalmente através dos nossos laços aos Deuses, e este é o objectivo da vida.
12) Além de tudo isto, deve também ser sabido que a nossa felicidade está na nossa parte imortal, posta aí pelos Deuses que unem a nossa gente, e essa é a substância e mais importante parte do homem.
Estas, doze ao todo, são as principais doutrinas a respeito dos Deuses, deste universo e da nossa natureza. Se alguém, motivado pela prudência referentes ao que é necessário, quiser também ser realmente prudente, deve então saber e estar consciente destas coisas.
Fonte: Gladius
PS: Georgius Gemistos [1355-1452] foi um filósofo e erudito grego neoplatônico, um dos pioneiros no revival do aprendizado dos mestres gregos no início da Renascença na Europa Ocidental.
Seu platonismo, no qual se mesclam elementos neoplatônicos, neopitagóricos e aristotélicos, configura-se como um emanatismo aonde a alma é uma emanação das idéias, que por sua vez emanan do Uno, ou de Deus e aspira a uma restauração do politeísmo grego, ao qual devia subordinar-se o cristianismo.[wikipédia]

Notadamente, a concepção de Georgius reflete a degeneração da religião pré-cristã que existia na Grécia no século XIV-XV, algo que teve início na chamada Era Dourada, quando as cidades-estado da antiga Grécia tentavam a todo custo estabelecer o domínio destas sobre as cidades rurais, através da propagação dos ideais filosóficos "racionais" contra os "supersticiosos", os ideais "civilizados" contra os "selvagens", os ideais "urbanos" contra os "rurais".

sábado, 17 de outubro de 2009

Religião popular venezuelana

Foi publicado no G1: "Seguidores de deusa indígena se encontram na Venezuela. Adeptos de María Lionza fizeram evento anual no monte Sorte".

Apenas isso, mais nada, para noticiar uma legítima expressão de crença popular, resultado da mescla (sincretismo) de diversas crenças, como é comum na América Latina. Para saber mais dessa festa popular, desse folclore, eu recorro ao sagrado oráculo virtual, o Google, onde encontro notícias de los hermanos:

Milhares de devotos se consagraram à luz de velas em umas montanhas remotas que são o centro de peregrinação anual para venerar uma Deusa indígena mística venezuelana conhecida como María Lionza. Muitos fumam tabaco nos rituais de purificação, enquanto que outros fecham os olhos, deitados de boca para cima, rodeado de velas e em cima de elaborados desenhos pintados no solo com um pó branco. Os rituais se iniciaram na semana passada e se prolongaram até depois da meia-noite de 12 de Outubro, nas montanhas de Sorte, localizada a uns 290 km a ocidente de Caracas e próxima da cidade de Chivacoa. Alguns repetiam a palavra "fuerza" dançando em cima de brasas ardentes em uma cerimônia em honra à Deusa da madrugada de segunda. O culto a María Lionza, cujas referências datam de há mais de 500 anos, é uma mescla de indigenismo, espiritismo, afroamericanismo e catolicismo. Os crentes frequentemente pedem uma cura espiritual ou proteção contra bruxaria, ou trazem oferendas à Deusa em agradecimento pela cura de alguma enfermidade. A Venezuela é predominantemente católica. A hierarquia da Igreja Católica desaprova esse culto, mas há tempos que abandonou seus intentos para suprimi-lo. No ano de 1953 o ditador Marcos Pérez Jiménez, que era devoto da Deusa, ordenou instalá-la [sua estátua-NB] sobre um pedestal no meio da avenida que atravessa a cidade de leste a oeste. Este lugar é considerado pelos seus devotos como o centro energético da cidade. O ditador, que promoveu ativamente o estabelecimento de santos patronos em toda a Venezuela, esperava legitimar seu governo com a imagem da Deusa. Os seguidores de María Lionza regularmente deixam oferensdas de flores, licores, moedas ou frutos nos santuários em honra à Deusa ou de outros santos populares. Copiado do El Nuevo Herald.[link morto]

O culto a María Lionza se remonta ao século XV, antes da chegada dos Espanhóis à Venezuela. Para estes, os indigenas que habitavam o território que é atualmente o Estado de Yaracuy, veneravam à Yara, Deusa da natureza e do amor. A tradição popular a descreve como uma mulher formosa de olhos verdes,largas sombrancelhas, quadris amplos e cabelo liso adornado por três flores abertas. Segundo a lenda, Yara era uma princesa indígena que foi raptada por uma enorme anaconda [boitatá?] que se apaixonou por ela. Quando os espíritos da montanha se interaram d ocorrido, decidiram castigar à serpente, fazendo com que inchasse até que explodisse e morresse. Logo nomearam a Yara senhora das lagoas, rios e cascatas, mãe protetora da natureza e rainha do amor. Copiado de Venezuela Esotérica.[link morto]

Saber, o Pecado Original

No estudo os anos da macabra caça às bruxas em territórios europeus, nos relatos dos julgamentos, é evidente o traço da corrupção da justiça, dos homens e da Igreja. A chacina de cidadãos não foi apenas uma histeria religiosa, um terrível engano fruto de ignorância e superstição. A Inquisição serviu a propósitos muito pessoais daqueles que ganhavam dinheiro com a indústria dos processos e dos confiscos. Muitos dos condenados como bruxos foram eram pessoas que detinham saberes superiores àqueles que a Igreja-Estado podia oferecer diante dos problemas do povo.
Especialmente mulheres, que trabalhavam como curandeiras no sentido estrito da palavra, ou seja, porque tinham o conhecimento dos recursos necessários para curar moléstias diversas; essas foram proibidas de exercer suas habilidades. O conhecimento útil e superior dessas mulheres [e de homens também], conhecimento oriundo de fonte suspeita posto que fonte pagã, aquilo era uma afronta à autoridade absoluta pretendida pela Igreja. A sabedoria daquelas mulheres era uma sabedoria maldita, coisa que não era de se estranhar posto que o pecado entrou no mundo pela mão da mulher, ela! que aceitou comer o fruto do Conhecimento. Sobretudo o conhecimento do se entendia como magia precisava ser monopolizado pela Igreja por conta do poder que proporciona a quem o possui.
Aliás, o cristianismo trouxe junto com a doutrina do amor incondicional a reivindicação ser o único poder verdadeiramente legítimo autorizado a fazer milagres. Não é de se estranhar que Papas e outros eclesiásticos tenham tido seus nomes ligados à bruxaria. Até porque, enquanto a plebe ignara [povo ignorante] chamava de bruxaria a todo poder que consideravam sobre-humano, sobrenatural, os intelectuais da Igreja sempre souberam que a palavra magia, em sua origem, foi um sinônimo de ciência. Todos os cientistas da Antiguidade histórica foram chamados Magos; investidos na condição de sacerdotes e mais, os Magos dos tempos mais arcaicos, mitológicos, foram eles próprios mitificados, considerados deuses ou semi-deuses.
No Antigo Testamento destaca-se a figura de um dos mais famosos dentre esses magos: o rei Salomão que, segundo o texto bíblico, controlava Elementais e outras entidades metafísicas tendo sido instruído nessa ciência pelo próprio Deus.
O testamento de Salomão, suas Clavículas, nada mais são que instruções sobre como adquirir semelhante poder. No século XIX, estudiosos ocultistas como Eliphas Levi tentavam esclarecer em seus tratados de magia que o fundamento do poder mágico era, simplesmente pensamento e vontade do homens educados, treinados, convertidos em instrumentos capazes de operar voluntariamente sobre a realidade.
O segredo do pentagrama foi revelado: com sua ponta virada para cima, símbolo do homem evoluído. O enigma da magia, explicado: não existe o sobrenatural; existem somente fenômenos não explicados. Mas apesar do esforço para informar a verdade sobre magia, o estigma do mistério, que tanto fascina quanto assusta, permanece até os dias atuais.
Copiado de Sofá da Sala.[link morto]