O local do culto de Helena pelas virgens espartanas era, certamente, uma ilhota no rio Eurotas. Localizada próximo ao santuário de Artemis Ortia, essa zona pantanosa, lugar de divisão era chamada de Platanistas, por causa das árvores de plátano que, antigamente, a sombreavam.[pg 104]
Os rituais deviam ser intensos, frenéticos, palpitantes de energia juvenil. Dançavam duarnte as horas de escuridão, faziam uma pausa e voltavam pouco antes da aurora para prosseguir. Havia luzes de tochas, bebidas e banquetes suntuosos.[pg 104]
Esses ritos de orgia exclusivamente femininos foram imortalizados pelo poeta espartano Alcman. No século VII AC Alcman escreveu as Partênia, odes corais que grupos de meninas praticavam em segredo e depois cantavam nas competições de coros ou de ginástica. Essas Partênia eram parte central da educação das jovens espartanas, aprendidas e executadas pelas sucessivas gerações.[pg 105]
No século III AC, os greco-macedônios Ptolomeus, que controlavam a efervescente corte em Alexandria, patrocinavam numerosos poetas. Um deles, Teócrito, escreveu com ternura sobre a rainha espartana. Em seu Epitalâmio para Helena ele descreve as moças espartanas, prestes a atingir a maturidade sexual, reproduzindo o momento em que a jovem Helena se casou. Essas canções nupciais passaram a ser, por sua vez, cantadas pelas jovens espartanas nas vésperas de seus próprios casamentos.[pg 137]
No prosseguimento do poema, as virgens encharcam de azeite de oliva o solo em torno de uma árvore sagrada e gravam em sua casca o nome de Helena.[pg 138]
A idéia de epifania, literalmente a "revelação" de um espírito divino, é a essência da prática religiosa tanto em Creta quanto no continente. Na Grécia micenense, os espíritos divinos ferquentemente preferiam "revelar-se" às mulheres das classes elevadas.[pg 165-166]
Quando as mulheres de Micenas dançavam, ou sacudiam as árvores, ou deixavam-se cair sobre os altares, as divindades se materializavam no céu em forma de pombas ou estrelas cadentes.[pg 166]
Entalhes de marfim, afrescos e anéis de ouro mostram que, pelo menos em ocasiões especiais, como comemorações cívicas ou rituais religiosos, as mulheres da ristocracia tinham os seios nus ou cobertos com um tecido muito fino de seda ou linho e não há motivo para imaginar que uma rainha espartana se vestisse de maneira diferente.[pg 173]
Fossem ou não sexualizados, os seios femininos eram com certeza idolatrados na Idade do Bronze. As mulheres da fase tardia aparecem com os seios nus durante os rituais que envolviam árvores e plantas, numa clara associação da figura feminina madura com a celebração da fertilidade e da procriação.[pg 173]
Os indícios materiais sobre a religião na pré-história são limitados e qualquer descrição genérica do culto terá de conter uma parte de análise e duas de especulação.[pg 433]
O problema é que quando o contexto arqueológico é relativamente escasso, os indícios podem ser manipulados para sustentar praticamente qualquer teoria.[pg 444]
Mas, na verdade, há tantas maneiras diferentes de interpretar as figuras quantas são as formas de seus corpos. Embora esse erro tenha sido cometido no passado, seria demasiadamente simplista presumir que tenham um significado constante e uniforme.[pg 444]
Quando vejo a amplitude das figuras femininas e a variedade dos contextos em que foram encontradas, o que me impressiona não são somente suas semelhanças, mas suas diferenças. Não vejo uma uma Mulher-Deusa onipotente, a equivalente pré-histórica de Allah ou Yahveh, como única titular da devoção da Idade da Pedra. Para mim é um erro projetar no passado distante nossa visão monoteísta do mundo.[pg 448]
Grande parte do mundo do Mediterrâneo oriental na Idade do Bronze era animista, acreditava na existência de uma abundância de animae, de forças vitais, em forma de espírito.[pg 449]
No mundo antigo, a linguagem usada para designar a abundância da natureza era altamente passional e abertamente sexualizada. Acreditava-se que a agricultura fosse filha do amor do hiero gamos, a sagrada união entre o céu e a terra. O desejo de fertilidade e o desejo sexual estavam intimamente ligados. Grande parte da adoração tributada a Helena é adequada ao culto de algum tipo de divindade da natureza. A iconografia da Idade do Bronze sugere que a alta sacerdotisa e seus acólitos tinham o dever de convocar todos os recursos a fim de manter a terra fecunda e produtiva.[pg 449]
Trechos coletados e montados a partir do livro "Helena de Tróia", de Bettany Hughes.
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Recursos políticos
Eu comecei os tópicos deste ano falando de que este ano é ano eleitoral. Pois bem, no México, a preocupação dos políticos locais com o poder os levou a usar de um recurso politico interessante.
Alguns presidentes mexicanos e atuais dirigentes políticos como Beatriz Paredes, o governador de Veracruz, Fidel Herrera, e o ministro de Segurança, Genaro García Luna, recorrem à magia e aos bruxos para conquistar poder político, disse neste sábado à Agência Efe o escritor e jornalista José Gil Olmos.
Em seu novo Livro "Los brujos del poder 2", pela editora Random House, Gil revelou os costumes dos políticos que apelam ao esoterismo e as forças sobrenaturais para retirar de seu caminho adversários e inimigos, assim como conseguir suas metas pessoais "custe o que custe".
Em seu primeiro livro "Los brujos del poder 1", Gil descreveu as andanças e peripécias com bruxos, feiticeiros e apózemas de Marta Sahagún, mulher do ex-presidente Vicente Fox, assim como de Elba Esther Gordillo, líder vitalícia do sindicato de professores do México, a maior sindicalista latino-americana.
Gil contou que neste segundo livro relata como a atual presidente do Partido Revolucionário Institucional (PRI), Beatriz Paredes, recorreu ao bruxo Wenceslao Flores Xala, conhecido como "El Gato Negro", para que com um feitiço pudesse superar "as más vibrações" e recuperar o poder político.
O autor contou como o bruxo que atendeu a Paredes a levou a um "lugar sagrado" em uma floresta próxima a Catemaco, no estado de Veracruz, no Golfo do México, onde realizou um feitiço de magia negra e invocou aos "espíritos dos grandes homens" para que a ajudassem a alcançar o poder que tanto desejava.
Além disso, Xala afirmou ao autor que rezou à Santa Morte para reforçar os planos políticos da atual líder nacional do PRI.
"Levei-a ao meu templo e aí realizamos o rito, sacrifiquei uma galinha preta e fiz as invocações necessárias", disse o bruxo a José Gil.
O feiticeiro explicou que as invocações duraram nove dias consecutivos para que Beatriz Paredes tivesse poder e sabedoria para enfrentar seus inimigos.
O bruxo considerou que o cargo atual e o poder que ostenta Paredes é resultado da intervenção de sua magia.
Gil destaca que o livro mostra que a classe política "é muito inculta e em momentos de crise como o atual cresce o misticismo e esoterismo".
Entre os outros personagens que desfilam pelo livro está o atual ministro da Segurança Pública federal, Genaro García Luna, quem, afirmou Gil, cada vez que sai de alguma missão faz uma encomenda ao "Ángel da morte", uma figura que, segundo o autor, tem em um altar instalado em seu escritório junto com outra da Santa Morte.
Um personagem que desponta como forte adversário para as eleições presidenciais de 2012 é o atual governador do estado do México, Enrique Peña Nieto, quem, segundo o autor, confia em uma profecia de uma vidente que previu há décadas que um membro do povoado de Atlacomulco, ao qual ele pertence, se transformaria em presidente.
Entre os obstinados fiéis no ocultismo e nos bruxos está o governador de Oaxaca, Ulises Ruíz, quem foi assessorado por dois bruxos durante a crise política em seu estado em 2006 pelo movimento da Associação Popular dos Povos de Oaxaca (APPO), que manteve cercado o centro da capital durante quase seis meses.
Uma das povoações mais conhecidas como sede é Catemaco, no estado de Veracruz, lugar por onde passaram a maioria dos políticos e funcionários de diversas posições ideológicas como Carlos Salinas de Gortari, José Córdoba Montoya, Pedro Aspe, Beatriz Paredes, Cuauhtémoc Cárdenas e Andrés Manuel López Obrador.[EFE][link morto]
Alguns presidentes mexicanos e atuais dirigentes políticos como Beatriz Paredes, o governador de Veracruz, Fidel Herrera, e o ministro de Segurança, Genaro García Luna, recorrem à magia e aos bruxos para conquistar poder político, disse neste sábado à Agência Efe o escritor e jornalista José Gil Olmos.
Em seu novo Livro "Los brujos del poder 2", pela editora Random House, Gil revelou os costumes dos políticos que apelam ao esoterismo e as forças sobrenaturais para retirar de seu caminho adversários e inimigos, assim como conseguir suas metas pessoais "custe o que custe".
Em seu primeiro livro "Los brujos del poder 1", Gil descreveu as andanças e peripécias com bruxos, feiticeiros e apózemas de Marta Sahagún, mulher do ex-presidente Vicente Fox, assim como de Elba Esther Gordillo, líder vitalícia do sindicato de professores do México, a maior sindicalista latino-americana.
Gil contou que neste segundo livro relata como a atual presidente do Partido Revolucionário Institucional (PRI), Beatriz Paredes, recorreu ao bruxo Wenceslao Flores Xala, conhecido como "El Gato Negro", para que com um feitiço pudesse superar "as más vibrações" e recuperar o poder político.
O autor contou como o bruxo que atendeu a Paredes a levou a um "lugar sagrado" em uma floresta próxima a Catemaco, no estado de Veracruz, no Golfo do México, onde realizou um feitiço de magia negra e invocou aos "espíritos dos grandes homens" para que a ajudassem a alcançar o poder que tanto desejava.
Além disso, Xala afirmou ao autor que rezou à Santa Morte para reforçar os planos políticos da atual líder nacional do PRI.
"Levei-a ao meu templo e aí realizamos o rito, sacrifiquei uma galinha preta e fiz as invocações necessárias", disse o bruxo a José Gil.
O feiticeiro explicou que as invocações duraram nove dias consecutivos para que Beatriz Paredes tivesse poder e sabedoria para enfrentar seus inimigos.
O bruxo considerou que o cargo atual e o poder que ostenta Paredes é resultado da intervenção de sua magia.
Gil destaca que o livro mostra que a classe política "é muito inculta e em momentos de crise como o atual cresce o misticismo e esoterismo".
Entre os outros personagens que desfilam pelo livro está o atual ministro da Segurança Pública federal, Genaro García Luna, quem, afirmou Gil, cada vez que sai de alguma missão faz uma encomenda ao "Ángel da morte", uma figura que, segundo o autor, tem em um altar instalado em seu escritório junto com outra da Santa Morte.
Um personagem que desponta como forte adversário para as eleições presidenciais de 2012 é o atual governador do estado do México, Enrique Peña Nieto, quem, segundo o autor, confia em uma profecia de uma vidente que previu há décadas que um membro do povoado de Atlacomulco, ao qual ele pertence, se transformaria em presidente.
Entre os obstinados fiéis no ocultismo e nos bruxos está o governador de Oaxaca, Ulises Ruíz, quem foi assessorado por dois bruxos durante a crise política em seu estado em 2006 pelo movimento da Associação Popular dos Povos de Oaxaca (APPO), que manteve cercado o centro da capital durante quase seis meses.
Uma das povoações mais conhecidas como sede é Catemaco, no estado de Veracruz, lugar por onde passaram a maioria dos políticos e funcionários de diversas posições ideológicas como Carlos Salinas de Gortari, José Córdoba Montoya, Pedro Aspe, Beatriz Paredes, Cuauhtémoc Cárdenas e Andrés Manuel López Obrador.[EFE][link morto]
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sábado, 9 de janeiro de 2010
As Janeiras
As Janeiras ou cantar as Janeiras é uma tradição em Portugal que consiste na reunião de grupos que se passeiam pelas ruas no início do ano, cantando de porta em porta e desejando às pessoas um feliz ano novo.
Realizam-se em Janeiro. Este mês era consagrado a Jano, o Deus das Portas e das Passagens. Era o Porteiro dos Céus e por isso muito importante para os Romanos que esperavam a Sua protecção. Era-Lhe pedido que afastasse das casas os espiritos maus, sendo especialmente invocado no Seu mês, o primeiro.
Era tradição que os Romanos se saudassem em Sua honra no começar de um novo ano e daí derivam as Janeiras.
O Dicionário da Porto Editora (4ª Edição) define Janeiras como “Cantigas de boas-festas por ocasião do Ano Novo”.
Assim sendo, não podemos deixar de relacioná-las com Janeiro, o primeiro mês do ano, assim chamado em honra do Deus Jano (de janua = porta, entrada). Este Deus ocupa um lugar muito importante na mitologia romana, sendo o Seu nome invocado antes de Júpiter. Jano é o Porteiro Celestial, e, consequentemente, o Deus das Portas, que as abria e fechava, esperando-se a Sua protecção na partida e no regresso. Considerado um Deus dos começos, Jano era invocado para afastar das casas os espíritos funestos e não podia deixar de ser invocado no mês de Janeiro, começo do novo ano. Em Sua honra aproveitariam os Romanos para se saudarem uns aos outros. Parece, portanto, que as Janeiras têm origem nesses cultos pagãos, que o cristianismo não conseguiu apagar e que se foram transmitindo de geração em geração.
A tradição geral e mais acentuada, é que grupos de amigos ou vizinhos se juntem, com ou sem instrumentos (no caso de os haver, são mais comuns os folclóricos: pandeireta, bombo, flauta, viola, etc.). Depois do grupo feito, e de destribuídas as letras e os instrumentos, vão cantar de porta em porta pela vizinhança.
Terminada a canção numa casa, espera-se que os donos tragam as janeiras (castanhas, nozes, maçãs, chouriço, morcela, etc. Por comodidade, é hoje costume dar-se chocolates e dinheiro, embora não seja essa a tradição).
No fim da caminhada, o grupo reúne-se e divide o resultado, ou então, comem todos juntos aquilo que receberam.
As músicas utilizadas, são por norma já conhecidas, embora a letra seja diferente em cada terra.
Copiado do Gladius, que citou do wikipédia.
Realizam-se em Janeiro. Este mês era consagrado a Jano, o Deus das Portas e das Passagens. Era o Porteiro dos Céus e por isso muito importante para os Romanos que esperavam a Sua protecção. Era-Lhe pedido que afastasse das casas os espiritos maus, sendo especialmente invocado no Seu mês, o primeiro.
Era tradição que os Romanos se saudassem em Sua honra no começar de um novo ano e daí derivam as Janeiras.
O Dicionário da Porto Editora (4ª Edição) define Janeiras como “Cantigas de boas-festas por ocasião do Ano Novo”.
Assim sendo, não podemos deixar de relacioná-las com Janeiro, o primeiro mês do ano, assim chamado em honra do Deus Jano (de janua = porta, entrada). Este Deus ocupa um lugar muito importante na mitologia romana, sendo o Seu nome invocado antes de Júpiter. Jano é o Porteiro Celestial, e, consequentemente, o Deus das Portas, que as abria e fechava, esperando-se a Sua protecção na partida e no regresso. Considerado um Deus dos começos, Jano era invocado para afastar das casas os espíritos funestos e não podia deixar de ser invocado no mês de Janeiro, começo do novo ano. Em Sua honra aproveitariam os Romanos para se saudarem uns aos outros. Parece, portanto, que as Janeiras têm origem nesses cultos pagãos, que o cristianismo não conseguiu apagar e que se foram transmitindo de geração em geração.
A tradição geral e mais acentuada, é que grupos de amigos ou vizinhos se juntem, com ou sem instrumentos (no caso de os haver, são mais comuns os folclóricos: pandeireta, bombo, flauta, viola, etc.). Depois do grupo feito, e de destribuídas as letras e os instrumentos, vão cantar de porta em porta pela vizinhança.
Terminada a canção numa casa, espera-se que os donos tragam as janeiras (castanhas, nozes, maçãs, chouriço, morcela, etc. Por comodidade, é hoje costume dar-se chocolates e dinheiro, embora não seja essa a tradição).
No fim da caminhada, o grupo reúne-se e divide o resultado, ou então, comem todos juntos aquilo que receberam.
As músicas utilizadas, são por norma já conhecidas, embora a letra seja diferente em cada terra.
Copiado do Gladius, que citou do wikipédia.
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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
2010 é passado
Todo ano que inicia mostra, em seus primeiros dias, sua personalidade e 2010 começou com chuvas fortes, alagamentos, enchurradas, desmoronamento, tragédia.
Em todos os anos, os dezembros foram todos iguais. Se desejam Feliz natal, se compram presentes, em uma semana distribuímos o amor e o carinho sonegado no resto do ano. Se desejam Feliz Ano Novo, se faz um balanço do que se prometeu e do que se realizou, em uma semana refazemos os sonhos, os planos e as esperanças. Como se amor e carinho fossem medidos por presentes. Como se sonhos e planos fossem garantidos por comemorações.
Por isso vou adiantando aos brasileiros que o ano de 2010 é um ano que nasceu velho, será igual aos anos anteriores. Passaremos o ano todo nos iludindo que dessa vez nossos planos e esperanças vão vingar, mas tudo que veremos será uma retrospectiva. Continuaremos pasmos diante do desfile dos políticos, corruptos, oportunistas, omissos e negligentes. Continuaremos fazendo de conta que isso não é problema nosso [e estamos em ano eleitoral!] e que os nossos políticos são um reflexo de nossa sociedade. Continuaremos nos movendo de escândalo a escândalo, de tragédia em tragédia, de conformismo a conformismo, de comodismo a comodismo. Continuaremos cegos, surdos e mudos diante da miséria, da fome e da morte de milhares de inocentes. Continuaremos a nos dobrar sob o jugo da Igreja que não segue o que prega. Continuaremos a alijar parte da humanidade por questões de gênero, etnia, origem, religião, sexualidade.
Passados 50 anos da Contracultura, pouco ou nada mudou e rumamos feito gado ao mundo da economia globalizada, onde o poder financeiro será o único poder. Passados 50 anos da Revolução Sexual e ainda discutimos coisas básicas, como educação sexual, planejamento familiar, métodos contraceptivos, identidade de gênero e preferências sexuais. Passados tantos anos depois do colapso da Igreja, do aparecimento do movimento Protestante, do enorme avanço da ciência e da tecnologia, mas o fundamentalismo e o fanatismo estão cada vez maiores e mais presentes, os Cristãos continuam a se deixar guiar por grupos que disputam o poder de um sistema religioso decadente.
Caro concidadão brasileiro, se você está vendo alguma luz no fim do túnel, cuidado, pois é o trem vindo em sua direção.
Em todos os anos, os dezembros foram todos iguais. Se desejam Feliz natal, se compram presentes, em uma semana distribuímos o amor e o carinho sonegado no resto do ano. Se desejam Feliz Ano Novo, se faz um balanço do que se prometeu e do que se realizou, em uma semana refazemos os sonhos, os planos e as esperanças. Como se amor e carinho fossem medidos por presentes. Como se sonhos e planos fossem garantidos por comemorações.
Por isso vou adiantando aos brasileiros que o ano de 2010 é um ano que nasceu velho, será igual aos anos anteriores. Passaremos o ano todo nos iludindo que dessa vez nossos planos e esperanças vão vingar, mas tudo que veremos será uma retrospectiva. Continuaremos pasmos diante do desfile dos políticos, corruptos, oportunistas, omissos e negligentes. Continuaremos fazendo de conta que isso não é problema nosso [e estamos em ano eleitoral!] e que os nossos políticos são um reflexo de nossa sociedade. Continuaremos nos movendo de escândalo a escândalo, de tragédia em tragédia, de conformismo a conformismo, de comodismo a comodismo. Continuaremos cegos, surdos e mudos diante da miséria, da fome e da morte de milhares de inocentes. Continuaremos a nos dobrar sob o jugo da Igreja que não segue o que prega. Continuaremos a alijar parte da humanidade por questões de gênero, etnia, origem, religião, sexualidade.
Passados 50 anos da Contracultura, pouco ou nada mudou e rumamos feito gado ao mundo da economia globalizada, onde o poder financeiro será o único poder. Passados 50 anos da Revolução Sexual e ainda discutimos coisas básicas, como educação sexual, planejamento familiar, métodos contraceptivos, identidade de gênero e preferências sexuais. Passados tantos anos depois do colapso da Igreja, do aparecimento do movimento Protestante, do enorme avanço da ciência e da tecnologia, mas o fundamentalismo e o fanatismo estão cada vez maiores e mais presentes, os Cristãos continuam a se deixar guiar por grupos que disputam o poder de um sistema religioso decadente.
Caro concidadão brasileiro, se você está vendo alguma luz no fim do túnel, cuidado, pois é o trem vindo em sua direção.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Celebrações natalinas
Dia 25 de Dezembro é data da celebração do Natalis Solis Invictus, isto é, do Nascimento do Sol Invencível.
O Nascimento do Sol Invencível é o momento em que o Sol inicia a Sua ascenção triunfante, representando, neste momento, a Luz que nunca morre e vence sempre. A celebração do Sol Invencível foi estabelecida em 274 DC, pelo imperador Aureliano, depois do seu triunfo no oriente, e incluía corridas de cavalos - trinta bigas - em honra do Sol.
Este Sol Invicto, Luz que nunca morre e vence sempre, é pois um reflexo da Eternidade.
De um modo sintético, pode-se começar por dizer o óbvio - que a generalidade dos povos consagrou esta época ao culto ou à homenagem do Sol, ou de forças solares divinas.
Começando pela religião gaulesa, é valioso descobrir que também estes Celtas mal conhecidos celebravam este dia sob o nome de «Deuorius Riuri», como se pode ler nessa famosa e importantíssima descoberta arqueológica que é o Calendário de Coligny.
Merece também referência que esta celebração solsticial continue viva entre os Curdos, sob a designação de Şeva Zistanê. E merece referência porque se trata dum elemento de origem pagã, enquanto o Povo Curdo já foi há muito convertido ao Islão, conversão esta que pode explicar o facto de a Seva Zistanê não ser oficialmente realizada. Já os arcaicos ancestrais desta gente acreditavam que a noite mais longa do ano era a que antecedia a vitória da luz sobre as trevas e simbolizava assim o renascimento do Sol, O Qual desempenha um importante papel em religiões antigas ainda praticadas por alguns Curdos, além do Zoroastrismo. Actualmente, várias comunidades do Curdistão preparam grandes festas e as suas crianças entretêm-se em jogos vários e recebem doces, um pouco à imagem do moderno Halloween anglo-saxónico.
Os parentes mais próximos dos Curdos, os Iranianos, também celebram esta data na sua religião nacional, que é o supracitado Zoroastrismo. No Irão zoroástrico, a celebração chama-se Deygãn. O último dia do mês de Azar (equivalente a Dezembro) é o mais longo do ano, o que significa que as forças de Ahriman (Espírito Maligno) estão no auge da sua força. Todavia, o dia seguinte, que marca o início do mês Dey, é tido como «O Dia do Sol», ou Khoram Ruz, e pertence portanto a Ahura Mazda, o Senhor da Sabedoria, Deus do Bem. O Khoram ou Khore Ruz é por conseguinte dedicado a este Deus, e também a Mithra, grande Deus ariano comum ao Irão e à Índia Cujo culto chegou a ser dos mais populares no Império Romano.De uma das culturas célticas menos bem estudadas até à mais conhecida, a gaélica irlandesa, manix e escocesa, passa-se para o «Dia da Carriça» ou «Lá an Dreoilín», celebrada a 26 de Dezembro. Nesta festa, multidões de jovens usando vestimentas carnavalescas e máscaras, e acompanhadas por músicos, punham-se ao caminho e, transportando consigo uma carriça (pássaro), iam de casa em casa, comendo e divertindo-se. Pode haver aqui algum eco de um festival druídico. Não deixa entretanto de ser interessantíssima a sua semelhança com as festas dos Caretos.
Entretanto, no outro ramo céltico que sobreviveu até aos dias de hoje, o britónico (Gales, Cornualha, Bretanha), a tradição aponta esta época como o nascimento do herói-deus Pryderi, que deu o nome à Grã-Bretanha, filho de Rhiannon, a Grande Deusa equina, eventual equivalente à famosa Épona, Cujo culto, adoptado também por soldados romanos, muito se disseminou na Gália e na Ibéria.
Merece também referência que esta celebração solsticial continue viva entre os Curdos, sob a designação de Şeva Zistanê. E merece referência porque se trata dum elemento de origem pagã, enquanto o Povo Curdo já foi há muito convertido ao Islão, conversão esta que pode explicar o facto de a Seva Zistanê não ser oficialmente realizada. Já os arcaicos ancestrais desta gente acreditavam que a noite mais longa do ano era a que antecedia a vitória da luz sobre as trevas e simbolizava assim o renascimento do Sol, O Qual desempenha um importante papel em religiões antigas ainda praticadas por alguns Curdos, além do Zoroastrismo. Actualmente, várias comunidades do Curdistão preparam grandes festas e as suas crianças entretêm-se em jogos vários e recebem doces, um pouco à imagem do moderno Halloween anglo-saxónico.
Os parentes mais próximos dos Curdos, os Iranianos, também celebram esta data na sua religião nacional, que é o supracitado Zoroastrismo. No Irão zoroástrico, a celebração chama-se Deygãn. O último dia do mês de Azar (equivalente a Dezembro) é o mais longo do ano, o que significa que as forças de Ahriman (Espírito Maligno) estão no auge da sua força. Todavia, o dia seguinte, que marca o início do mês Dey, é tido como «O Dia do Sol», ou Khoram Ruz, e pertence portanto a Ahura Mazda, o Senhor da Sabedoria, Deus do Bem. O Khoram ou Khore Ruz é por conseguinte dedicado a este Deus, e também a Mithra, grande Deus ariano comum ao Irão e à Índia Cujo culto chegou a ser dos mais populares no Império Romano.
A propósito de Mitra no Irão, é essencial fazer uma referência à Yalda, o mais importante festival do Irão actual sem contar com a cerimónia do ano novo. Diz o mito persa que Mithra nasceu no fim desta noite, após a derrota há muito esperada da escuridão perante a luz. Nesta ocasião, também chamada «Shabe Chelle», as famílias e os amigos reunem-se e comem-se frutos, secos e frescos, particularmente melancias, diospiros e romãs, todos eles representando o Sol.
Similar à Deygãn persa é a Karachun, Korochun ou Kračún, grande celebração pagã dos Eslavos Ocidentais (Polacos, Checos, Eslovacos, Wendes). O mito eslavo diz que nesta época o Deus Negro e outros espíritos malignos ainda são potentes e por isso derrotam Hors, o Sol Velho, em 22 de Dezembro. Todavia, Hors ressuscita a 23 de Dezembro e torna-Se no Sol Novo, Koleda. Karachun parece significar «O dia que liga o ano velho ao novo». A celebração pode estar ligada ao culto dos ancestrais. Assim, é sabido que nesta data os antigos Eslavos Ocidentais faziam fogueiras nos cemitérios para aquecerem os seus entes queridos já falecidos, organizando também jantares em honra dos mortos para que estes não sofressem com fome. Além disso, pegavam fogo a troncos em encruzilhadas.
Koleda ou Kolyada, teónimo acima citado, é por sua vez o nome da celebração entre os Eslavos Orientais (Russos, Ucranianos) e Meridionais (Búlgaros e Macedónios). Há quem diga que a palavra deriva da latina «Calenda», há também quem lhe veja a raiz no termo «Kolo», que significa «Roda» (a fazer referência à roda do ano, o que faz lembrar que também os Anglo-Saxões dão o nome Yule ao Natal e à roda ao mesmo tempo), há ainda quem procure a origem do vocávulo no macedónico «kole», ou «dilacerar», em referência a um possível sacrifício; mas talvez a etimologia mais provável seja a que faz «Koleda» derivar de Kolyada, Deus eslavo do Inverno. Actualmente, a palavra evoca, não tanto o Natal propriamente dito, mas sim as brincadeiras e cânticos da época natalícia.
Também no leste eslavo, mais concretamente na zona oriental da Rússia, sobrevivia no século XII uma adoração de Rozhnitsa, Deusa Mãe invernal, À Qual se ofereciam sacrifícios sem sangue, tais como mel, pão e queijo. Faziam-se decorações a representar a Deusa com cornos de veado e ofereciam-se bolos brancos na forma do mesmo animal. Ainda no século XX havia mulheres russas que continuavam este ritual.
Na vizinha Letónia, celebra-se o Ziemassvētki, ou festival de Inverno, no dia 24 de Dezembro, e é uma das suas festas mais importantes, a par da Jāņi. Na Ziemassvētki assinala-Se o nascimento de Dievs, o maior Deus dos Letões. As duas semanas que antecedem o Seu nascimento constituem a «estação dos fantasmas». Durante a Ziemassvētki, acendem-se velas a Dievs ou Divins e uma fogueira arde até ao fim, quando a sua extinção marca o adeus à infelicidade do ano anterior. À mesa, reserva-se um espaço para os fantasmas, e come-se pão, feijões, ervilhas, focinho e pés de porco. Alguns foliões (budeli) cantam de porta a porta e comem em várias casas.
A festividade decorre de 24 a 26 do corrente mês e acabou por ser adoptada pelos cristãos. Os modernos politeístas praticantes da Romuva ou Religião Nacional Báltica celebram-na igualmente, como seria de esperar.
É também mister referir a celebração equivalente dos Kalash do Paquistão, visto que este povo é, como já foi dito neste blogue, uma das poucas nações indo-europeias que preservou a antiga religiosidade pagã até aos dias de hoje. Os Kalash festejam nesta data o Choimus ou Chaomos. Diz o mito que um certo semideus retorna para recolher orações que serão depois entregues a Dezao, o Deus Supremo. É ocasião para purificações pormenorizadas de ambos os sexos e realização de grande festival, que inclui danças, cantares, fogueiras e farta comezaina à base de carne de cabra, cujo sangue fora previamente aspergido nas faces dos homens como parte do ritual de purificação.
Não deve entretanto esquecer-se a Lenia e a Brumália da Grécia, ambas em honra de Diónisos (Diónisos Lenaius no primeiro caso) mas a primeira reservada às mulheres e dominada pela encenação de cinco comédias, e tendo a segunda sido instituída também em Roma, alegadamente por obra do seu primeiro rei e fundador, Rómulo, celebrada durante trinta dias e iniciada a 24 de Novembro, para entreter o Senado.
Na Índia, o nome da da celebração é Sankranti, início da estação das colheitas, cujos pormenores da festa têm alguma semelhança às Saturnais, nomeadamente no que se refere às visitas entre amigos no segundo/terceiro dias; homenageia-se o Sol como símbolo da eternidade e da luz sem fim, além do tempo, e pede-se-Lhe inteligência e iluminação, visto que o Astro Rei constitui um símbolo de conhecimento e sabedoria. Este evento é marcado por uma recomendação que os Deuses ditam aos homens: «Tamaso Ma Jyotir Gamaya», ou «Que vás mais e mais alto - para mais e mais Luz, nunca para a escuridão».
No mundo nórdico, trata-se do Yule, bem como do Midvinterblót, ou «Sacrifício do Meio do Inverno». Os Suecos realizavam rituais sacrificiais de pessoas e de animais em muitos dos locais que agora têm igrejas.
Entre os Anglo-Saxões, a festa era denominada Modranicht ou Modresnach, isto é, «A Noite das Mães». Os sonhos que se tivessem nesta noite eram proféticos para o ano inteiro que se seguiria.
Na zona sudoeste das terras ocupadas pelos Germanos, mais precisamente nos Alpes, a grande celebração é o ritual de Perchta. Aparentemente, Perchta é uma personagem folclórica que descende da antiga Deusa germânica Hertha, Senhora da Luz e do Lar. É interessante observar que os camponeses faziam bolos no formato de sapatos, os quais depois enchiam com presentes, enquanto as casas eram decoradas com azevinho como preparativo de boas vindas dedicado à Deusa. Erigia-se então um grande altar de pedras lisas e chatas e aí se fazia uma grande fogueira com ramos de pinheiro. Hertha descia através do fumo, ajudando os mais sábios a predizer o futuro das pessoas presentes na festa. Alguns aspectos desta celebração sobrevivem ainda entre os camponeses da região.
Fonte: Gladius
O Nascimento do Sol Invencível é o momento em que o Sol inicia a Sua ascenção triunfante, representando, neste momento, a Luz que nunca morre e vence sempre. A celebração do Sol Invencível foi estabelecida em 274 DC, pelo imperador Aureliano, depois do seu triunfo no oriente, e incluía corridas de cavalos - trinta bigas - em honra do Sol.
Este Sol Invicto, Luz que nunca morre e vence sempre, é pois um reflexo da Eternidade.
De um modo sintético, pode-se começar por dizer o óbvio - que a generalidade dos povos consagrou esta época ao culto ou à homenagem do Sol, ou de forças solares divinas.
Começando pela religião gaulesa, é valioso descobrir que também estes Celtas mal conhecidos celebravam este dia sob o nome de «Deuorius Riuri», como se pode ler nessa famosa e importantíssima descoberta arqueológica que é o Calendário de Coligny.
Merece também referência que esta celebração solsticial continue viva entre os Curdos, sob a designação de Şeva Zistanê. E merece referência porque se trata dum elemento de origem pagã, enquanto o Povo Curdo já foi há muito convertido ao Islão, conversão esta que pode explicar o facto de a Seva Zistanê não ser oficialmente realizada. Já os arcaicos ancestrais desta gente acreditavam que a noite mais longa do ano era a que antecedia a vitória da luz sobre as trevas e simbolizava assim o renascimento do Sol, O Qual desempenha um importante papel em religiões antigas ainda praticadas por alguns Curdos, além do Zoroastrismo. Actualmente, várias comunidades do Curdistão preparam grandes festas e as suas crianças entretêm-se em jogos vários e recebem doces, um pouco à imagem do moderno Halloween anglo-saxónico.
Os parentes mais próximos dos Curdos, os Iranianos, também celebram esta data na sua religião nacional, que é o supracitado Zoroastrismo. No Irão zoroástrico, a celebração chama-se Deygãn. O último dia do mês de Azar (equivalente a Dezembro) é o mais longo do ano, o que significa que as forças de Ahriman (Espírito Maligno) estão no auge da sua força. Todavia, o dia seguinte, que marca o início do mês Dey, é tido como «O Dia do Sol», ou Khoram Ruz, e pertence portanto a Ahura Mazda, o Senhor da Sabedoria, Deus do Bem. O Khoram ou Khore Ruz é por conseguinte dedicado a este Deus, e também a Mithra, grande Deus ariano comum ao Irão e à Índia Cujo culto chegou a ser dos mais populares no Império Romano.De uma das culturas célticas menos bem estudadas até à mais conhecida, a gaélica irlandesa, manix e escocesa, passa-se para o «Dia da Carriça» ou «Lá an Dreoilín», celebrada a 26 de Dezembro. Nesta festa, multidões de jovens usando vestimentas carnavalescas e máscaras, e acompanhadas por músicos, punham-se ao caminho e, transportando consigo uma carriça (pássaro), iam de casa em casa, comendo e divertindo-se. Pode haver aqui algum eco de um festival druídico. Não deixa entretanto de ser interessantíssima a sua semelhança com as festas dos Caretos.
Entretanto, no outro ramo céltico que sobreviveu até aos dias de hoje, o britónico (Gales, Cornualha, Bretanha), a tradição aponta esta época como o nascimento do herói-deus Pryderi, que deu o nome à Grã-Bretanha, filho de Rhiannon, a Grande Deusa equina, eventual equivalente à famosa Épona, Cujo culto, adoptado também por soldados romanos, muito se disseminou na Gália e na Ibéria.
Merece também referência que esta celebração solsticial continue viva entre os Curdos, sob a designação de Şeva Zistanê. E merece referência porque se trata dum elemento de origem pagã, enquanto o Povo Curdo já foi há muito convertido ao Islão, conversão esta que pode explicar o facto de a Seva Zistanê não ser oficialmente realizada. Já os arcaicos ancestrais desta gente acreditavam que a noite mais longa do ano era a que antecedia a vitória da luz sobre as trevas e simbolizava assim o renascimento do Sol, O Qual desempenha um importante papel em religiões antigas ainda praticadas por alguns Curdos, além do Zoroastrismo. Actualmente, várias comunidades do Curdistão preparam grandes festas e as suas crianças entretêm-se em jogos vários e recebem doces, um pouco à imagem do moderno Halloween anglo-saxónico.
Os parentes mais próximos dos Curdos, os Iranianos, também celebram esta data na sua religião nacional, que é o supracitado Zoroastrismo. No Irão zoroástrico, a celebração chama-se Deygãn. O último dia do mês de Azar (equivalente a Dezembro) é o mais longo do ano, o que significa que as forças de Ahriman (Espírito Maligno) estão no auge da sua força. Todavia, o dia seguinte, que marca o início do mês Dey, é tido como «O Dia do Sol», ou Khoram Ruz, e pertence portanto a Ahura Mazda, o Senhor da Sabedoria, Deus do Bem. O Khoram ou Khore Ruz é por conseguinte dedicado a este Deus, e também a Mithra, grande Deus ariano comum ao Irão e à Índia Cujo culto chegou a ser dos mais populares no Império Romano.
A propósito de Mitra no Irão, é essencial fazer uma referência à Yalda, o mais importante festival do Irão actual sem contar com a cerimónia do ano novo. Diz o mito persa que Mithra nasceu no fim desta noite, após a derrota há muito esperada da escuridão perante a luz. Nesta ocasião, também chamada «Shabe Chelle», as famílias e os amigos reunem-se e comem-se frutos, secos e frescos, particularmente melancias, diospiros e romãs, todos eles representando o Sol.
Similar à Deygãn persa é a Karachun, Korochun ou Kračún, grande celebração pagã dos Eslavos Ocidentais (Polacos, Checos, Eslovacos, Wendes). O mito eslavo diz que nesta época o Deus Negro e outros espíritos malignos ainda são potentes e por isso derrotam Hors, o Sol Velho, em 22 de Dezembro. Todavia, Hors ressuscita a 23 de Dezembro e torna-Se no Sol Novo, Koleda. Karachun parece significar «O dia que liga o ano velho ao novo». A celebração pode estar ligada ao culto dos ancestrais. Assim, é sabido que nesta data os antigos Eslavos Ocidentais faziam fogueiras nos cemitérios para aquecerem os seus entes queridos já falecidos, organizando também jantares em honra dos mortos para que estes não sofressem com fome. Além disso, pegavam fogo a troncos em encruzilhadas.
Koleda ou Kolyada, teónimo acima citado, é por sua vez o nome da celebração entre os Eslavos Orientais (Russos, Ucranianos) e Meridionais (Búlgaros e Macedónios). Há quem diga que a palavra deriva da latina «Calenda», há também quem lhe veja a raiz no termo «Kolo», que significa «Roda» (a fazer referência à roda do ano, o que faz lembrar que também os Anglo-Saxões dão o nome Yule ao Natal e à roda ao mesmo tempo), há ainda quem procure a origem do vocávulo no macedónico «kole», ou «dilacerar», em referência a um possível sacrifício; mas talvez a etimologia mais provável seja a que faz «Koleda» derivar de Kolyada, Deus eslavo do Inverno. Actualmente, a palavra evoca, não tanto o Natal propriamente dito, mas sim as brincadeiras e cânticos da época natalícia.
Também no leste eslavo, mais concretamente na zona oriental da Rússia, sobrevivia no século XII uma adoração de Rozhnitsa, Deusa Mãe invernal, À Qual se ofereciam sacrifícios sem sangue, tais como mel, pão e queijo. Faziam-se decorações a representar a Deusa com cornos de veado e ofereciam-se bolos brancos na forma do mesmo animal. Ainda no século XX havia mulheres russas que continuavam este ritual.
Na vizinha Letónia, celebra-se o Ziemassvētki, ou festival de Inverno, no dia 24 de Dezembro, e é uma das suas festas mais importantes, a par da Jāņi. Na Ziemassvētki assinala-Se o nascimento de Dievs, o maior Deus dos Letões. As duas semanas que antecedem o Seu nascimento constituem a «estação dos fantasmas». Durante a Ziemassvētki, acendem-se velas a Dievs ou Divins e uma fogueira arde até ao fim, quando a sua extinção marca o adeus à infelicidade do ano anterior. À mesa, reserva-se um espaço para os fantasmas, e come-se pão, feijões, ervilhas, focinho e pés de porco. Alguns foliões (budeli) cantam de porta a porta e comem em várias casas.
A festividade decorre de 24 a 26 do corrente mês e acabou por ser adoptada pelos cristãos. Os modernos politeístas praticantes da Romuva ou Religião Nacional Báltica celebram-na igualmente, como seria de esperar.
É também mister referir a celebração equivalente dos Kalash do Paquistão, visto que este povo é, como já foi dito neste blogue, uma das poucas nações indo-europeias que preservou a antiga religiosidade pagã até aos dias de hoje. Os Kalash festejam nesta data o Choimus ou Chaomos. Diz o mito que um certo semideus retorna para recolher orações que serão depois entregues a Dezao, o Deus Supremo. É ocasião para purificações pormenorizadas de ambos os sexos e realização de grande festival, que inclui danças, cantares, fogueiras e farta comezaina à base de carne de cabra, cujo sangue fora previamente aspergido nas faces dos homens como parte do ritual de purificação.
Não deve entretanto esquecer-se a Lenia e a Brumália da Grécia, ambas em honra de Diónisos (Diónisos Lenaius no primeiro caso) mas a primeira reservada às mulheres e dominada pela encenação de cinco comédias, e tendo a segunda sido instituída também em Roma, alegadamente por obra do seu primeiro rei e fundador, Rómulo, celebrada durante trinta dias e iniciada a 24 de Novembro, para entreter o Senado.
Na Índia, o nome da da celebração é Sankranti, início da estação das colheitas, cujos pormenores da festa têm alguma semelhança às Saturnais, nomeadamente no que se refere às visitas entre amigos no segundo/terceiro dias; homenageia-se o Sol como símbolo da eternidade e da luz sem fim, além do tempo, e pede-se-Lhe inteligência e iluminação, visto que o Astro Rei constitui um símbolo de conhecimento e sabedoria. Este evento é marcado por uma recomendação que os Deuses ditam aos homens: «Tamaso Ma Jyotir Gamaya», ou «Que vás mais e mais alto - para mais e mais Luz, nunca para a escuridão».
No mundo nórdico, trata-se do Yule, bem como do Midvinterblót, ou «Sacrifício do Meio do Inverno». Os Suecos realizavam rituais sacrificiais de pessoas e de animais em muitos dos locais que agora têm igrejas.
Entre os Anglo-Saxões, a festa era denominada Modranicht ou Modresnach, isto é, «A Noite das Mães». Os sonhos que se tivessem nesta noite eram proféticos para o ano inteiro que se seguiria.
Na zona sudoeste das terras ocupadas pelos Germanos, mais precisamente nos Alpes, a grande celebração é o ritual de Perchta. Aparentemente, Perchta é uma personagem folclórica que descende da antiga Deusa germânica Hertha, Senhora da Luz e do Lar. É interessante observar que os camponeses faziam bolos no formato de sapatos, os quais depois enchiam com presentes, enquanto as casas eram decoradas com azevinho como preparativo de boas vindas dedicado à Deusa. Erigia-se então um grande altar de pedras lisas e chatas e aí se fazia uma grande fogueira com ramos de pinheiro. Hertha descia através do fumo, ajudando os mais sábios a predizer o futuro das pessoas presentes na festa. Alguns aspectos desta celebração sobrevivem ainda entre os camponeses da região.
Fonte: Gladius
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sábado, 26 de dezembro de 2009
Ecce Corpus
Eu havia prometido às minhas amigas Adília [Sexismo e Misoginia], Yume [Hanabi] e ao blog Maçãs Podres um texto falando da pornografia e da prostituição e vou tentar conciliar minha devoção pessoal às mulheres [como homem e pagão] com minha luta pela libertação da humanidade [o que inclui minha tendência feminista].
Inevitávelmente, recorro ao oráculo virtual [Google] em busca de elementos para tamanha obra.
Sobre a prostituição como ocupação, eu encontrei esse texto:
[...]a atividade da prostituição deve ser considerada um trabalho, principalmente, por que acredito que a prostituta não vende a si e, muito menos suas partes sexuais, antes ao contrário, ela estabelece um contrato de serviços sexuais[...]
[..]há características de organização para o exercício da prostituição – regras, horários, regularidades, rotinas, preços, contatos – que a estruturam como um trabalho[...]
[...]para as prostitutas o corpo que está na prostituição é um corpo que deve comunicar uma relação calcada no corpo mercadoria, já nas relações afetivas esse mesmo corpo comunicará sentimentos de afeto, de fidelidade e intimidade[...][Elisiane Pasini]
Eu tenho que discordar que a prostituta não vende a si, porque o corpo não é algo destacável, distanciável ou alienável da pessoa, da identidade, da personalidade dessa mulher.
Se a prostituição fosse um trabalho, haveriam homens prestando tal "serviço", em iguais quantidades; teria um sindicato, uma "data-base", todos estariam cobertos pelas leis trabalhistas de praxe; teriam cursos de nível técnico e superior.
Ainda que hajam "regras", mesmo que implícitas, no exercício desta ocupação, estas "regras" apenas ocorrem em um cenário ideal, não no real, não no social.
Eu tenderia a concordar com a distinção entre "corpo mercadoria" e "corpo afetivo", se isso fosse possível sem consequencias psicológicas, mas ter multiplos parceiros não faz parte da vida da prostituta fora de seu "serviço", a maioria tem relacionamentos com um único parceiro fixo, o que ressalta que tal permissividade não é aceita sequer por quem supostamente tem uma vida sexual mais "liberal".
Sobre a postura diante da prostituição, eu encontrei essa reflexão:
O abuso sexual de menores, o tráfico de pessoas, forçar alguém a prostituir-se são crimes hediondos e devem ser punidos duramente. A prostituição não deve ser crime. Qualquer coisa que se passe entre duas pessoas adultas na sua privacidade de forma consensual dificilmente é crime.
Dir-me-ão que é a mulher, ainda que maior de idade é sempre vítima da prostituição. Que legitimidade têm de transformar as trabalhadoras sexuais em vítimas? A mulher não é dona do corpo dela?[Luis Pedro]
Ainda que possam ser fatos distintos, as condições e causas para que tais violências e abusos ocorram são dadas pela noção de que o corpo é uma mercadoria, desprovida de sentimentos, de identidade, de personalidade, de intimidade, de privacidade, algo que pode ser destacável e alienável, algo que não é humano; algo que é sujo, selvagem, indomável, inculto, que deve ser domado, subjugado, doutrinado.
Eu tenderia a concordar com a idéia de que, se a mulher é dona do seu corpo para decidir se aborta ou não, então ela é dona do seu corpo para decidir se prostitui ou não. Mas a mulher não é livre, senão fora dessa relação comercial ela teria muitos parceiros, o que não é verdade. Também temos a questão de que o corpo não é como um imóvel ou um carro, algo destacável e alienável, mas é algo que faz parte da natureza e da essência dessa mulher. O consentimento que se dá ao "cliente", para que este tenha relações sexuais com ela, mediante um pagamento, apenas ressalta a condição excepcional desse contato. Na verdade, ao aceitar o pagamento, a mulher não está apenas "alugando" seu corpo, mas está calando sua dignidade e consciência mediante suborno. Na verdade, a mulher está sendo paga para ser estuprada, a prostituição não é mais do que um estupro pago.
Eu concordo que a prostituta não pode ser transformada em vítima, mas nem por isso podemos transformá-la em heroína, em uma contestadora do sistema. Durante o tempo em que eu usei desse "serviço", todas essas mulheres demonstraram não gostar de sua ocupação, mas após 15 anos que deixei de contratá-las, elas ainda estão nos mesmos lugares, prestando o mesmo "serviço". Por mais que se queira disfarçar, fica evidente que estas mulheres estão vivendo uma condição análoga à do escravo.
Ou este, sobre a realidade social da prostituição:
Na cultura patriarcal as representações e práticas sociais são fortemente marcadas pelo gênero e no âmbito da sexualidade as mulheres são socializadas para “conter” suas pulsões sexuais e para “liberá-las” quando conectadas a uma “história de amor”. Nessa medida, essa cultura poderia contribuir para explicar a pouca expressão de mulheres como clientes de serviços sexuais e a “transgressão” das mulheres enquanto profissionais do sexo. Os homens, por sua vez, são estimulados a vivenciar sua virilidade, no imaginário social fortemente associada ao “escoamento” de suas pulsões sexuais que podem exercer seja na posição de clientes seja na de prestadores de serviços sexuais.[Almira Rodrigues]
A análise vem de encontro aos meus comentários. Efetivamente, se para viver plenamente sua sexualidade, a mulher precisa se prostituir, então ela não é uma "transgressora", mas uma patrocinadora e incentivadora, não apenas da permissividade sexista, mas da condição de miséria sexual em que nossa sociedade vive.
A questão da prostituição talvez pudesse ser melhor encarada se houvesse uma normatização, uma regulamentação dessa ocupação.
Eu encontrei essa reflexão sobre a legalização/normatização da prostituição:
(a) os direitos fundamentais possuem aplicação imediata; logo, não precisam de regulamentação legal para serem exercidos de plano;
(b) a constituição e os tratados internacionais garantem o direito fundamental à liberdade de profissão, de modo que “é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer” (art. 5º, inc. XIII, da CF/88);
(c) na ausência de lei federal regulamentadora, a liberdade profissional é ampla de modo que qualquer pessoa tem o direito de escolher a atividade profissional e econômica que deseja desempenhar, de acordo com seu próprio entendimento, conveniência, vocação e habilidade;
(d) a prostituição é uma atividade como outra qualquer. Logo, se não há lei proibindo expressamente essa atividade, não é preciso que uma lei seja aprovada para “legalizar” ou permitir o exercício dessa atividade. O que é proibido é a exploração da prostituição e não a prostituição em si;
(e) qualquer lei que venha a tratar do assunto, ao invés de melhorar a situação das prostitutas, irá prejudicá-las, pois hoje a liberdade é ampla, sem limitações. A lei regulamentadora, por essência, limitará a atividade, já que é pra isso que as leis que regulamentam profissões servem. Provavelmente, grupos mais conservadores incluiriam na lei limitações de local, horário etc. que hoje não existem;
(f) não é preciso de lei para proibir a violência contra as prostitutas ou para reconhecer os seus direitos básicos, pois a constituição já garante isso. Se esses direitos não são respeitados é por uma interpretação discriminatória da legislação em vigor e não pela falta de norma jurídica. Portanto, não é preciso lutar pela legalização da prostituição, mas pela não discriminação. Hoje, a discriminação ocorre numa clara afronta da constituição e vem tanto da sociedade quanto do estado.[George Lima]
Ainda estamos longe de ter uma sociedade ideal e teremos muito que lutar para que a humanidade, cada indivíduo, tenha conquistado sua liberdade ao ponto de que nada [nem a Sociedade, nem o Governo, nem a Igreja] interfira em nosso direito de sermos felizes e em nossa liberdade de escolhermos nossas identidades de gênero, nossas preferências sexuais, nossas formas de relacionamentos. Tanto a prostituição quanto a pornografia ora instigam ora evitam tais causas e, em um país onde mal se tem consciência política, seria esperar demais que houvesse uma consciência sexual.
Talvez algum dia consigamos realizar aquilo que a Contracultura e a Revolução Sexual deu início, talvez algum dia homens e mulheres possam se amar sem as amarras impostas pela Sociedade, pelo Governo, pela Igreja. Mas para isso temos que resolver os traumas psicológicos e sexuais causados pela tirania da Igreja ao longo de 19 séculos. Teremos que redescobrir a verdadeira essência da humanidade, a verdadeira natureza do corpo, a verdadeira potencialidade do prazer e do sexo. Para isso, eu posso conclamar a todos que apostatem da Igreja e convidar para que conheçam os caminhos oferecidos pelo Paganismo.
Aqui, a humanidade poderá reencontrar o caminho para sua felicidade e realização plena.
Inevitávelmente, recorro ao oráculo virtual [Google] em busca de elementos para tamanha obra.
Sobre a prostituição como ocupação, eu encontrei esse texto:
[...]a atividade da prostituição deve ser considerada um trabalho, principalmente, por que acredito que a prostituta não vende a si e, muito menos suas partes sexuais, antes ao contrário, ela estabelece um contrato de serviços sexuais[...]
[..]há características de organização para o exercício da prostituição – regras, horários, regularidades, rotinas, preços, contatos – que a estruturam como um trabalho[...]
[...]para as prostitutas o corpo que está na prostituição é um corpo que deve comunicar uma relação calcada no corpo mercadoria, já nas relações afetivas esse mesmo corpo comunicará sentimentos de afeto, de fidelidade e intimidade[...][Elisiane Pasini]
Eu tenho que discordar que a prostituta não vende a si, porque o corpo não é algo destacável, distanciável ou alienável da pessoa, da identidade, da personalidade dessa mulher.
Se a prostituição fosse um trabalho, haveriam homens prestando tal "serviço", em iguais quantidades; teria um sindicato, uma "data-base", todos estariam cobertos pelas leis trabalhistas de praxe; teriam cursos de nível técnico e superior.
Ainda que hajam "regras", mesmo que implícitas, no exercício desta ocupação, estas "regras" apenas ocorrem em um cenário ideal, não no real, não no social.
Eu tenderia a concordar com a distinção entre "corpo mercadoria" e "corpo afetivo", se isso fosse possível sem consequencias psicológicas, mas ter multiplos parceiros não faz parte da vida da prostituta fora de seu "serviço", a maioria tem relacionamentos com um único parceiro fixo, o que ressalta que tal permissividade não é aceita sequer por quem supostamente tem uma vida sexual mais "liberal".
Sobre a postura diante da prostituição, eu encontrei essa reflexão:
O abuso sexual de menores, o tráfico de pessoas, forçar alguém a prostituir-se são crimes hediondos e devem ser punidos duramente. A prostituição não deve ser crime. Qualquer coisa que se passe entre duas pessoas adultas na sua privacidade de forma consensual dificilmente é crime.
Dir-me-ão que é a mulher, ainda que maior de idade é sempre vítima da prostituição. Que legitimidade têm de transformar as trabalhadoras sexuais em vítimas? A mulher não é dona do corpo dela?[Luis Pedro]
Ainda que possam ser fatos distintos, as condições e causas para que tais violências e abusos ocorram são dadas pela noção de que o corpo é uma mercadoria, desprovida de sentimentos, de identidade, de personalidade, de intimidade, de privacidade, algo que pode ser destacável e alienável, algo que não é humano; algo que é sujo, selvagem, indomável, inculto, que deve ser domado, subjugado, doutrinado.
Eu tenderia a concordar com a idéia de que, se a mulher é dona do seu corpo para decidir se aborta ou não, então ela é dona do seu corpo para decidir se prostitui ou não. Mas a mulher não é livre, senão fora dessa relação comercial ela teria muitos parceiros, o que não é verdade. Também temos a questão de que o corpo não é como um imóvel ou um carro, algo destacável e alienável, mas é algo que faz parte da natureza e da essência dessa mulher. O consentimento que se dá ao "cliente", para que este tenha relações sexuais com ela, mediante um pagamento, apenas ressalta a condição excepcional desse contato. Na verdade, ao aceitar o pagamento, a mulher não está apenas "alugando" seu corpo, mas está calando sua dignidade e consciência mediante suborno. Na verdade, a mulher está sendo paga para ser estuprada, a prostituição não é mais do que um estupro pago.
Eu concordo que a prostituta não pode ser transformada em vítima, mas nem por isso podemos transformá-la em heroína, em uma contestadora do sistema. Durante o tempo em que eu usei desse "serviço", todas essas mulheres demonstraram não gostar de sua ocupação, mas após 15 anos que deixei de contratá-las, elas ainda estão nos mesmos lugares, prestando o mesmo "serviço". Por mais que se queira disfarçar, fica evidente que estas mulheres estão vivendo uma condição análoga à do escravo.
Ou este, sobre a realidade social da prostituição:
Na cultura patriarcal as representações e práticas sociais são fortemente marcadas pelo gênero e no âmbito da sexualidade as mulheres são socializadas para “conter” suas pulsões sexuais e para “liberá-las” quando conectadas a uma “história de amor”. Nessa medida, essa cultura poderia contribuir para explicar a pouca expressão de mulheres como clientes de serviços sexuais e a “transgressão” das mulheres enquanto profissionais do sexo. Os homens, por sua vez, são estimulados a vivenciar sua virilidade, no imaginário social fortemente associada ao “escoamento” de suas pulsões sexuais que podem exercer seja na posição de clientes seja na de prestadores de serviços sexuais.[Almira Rodrigues]
A análise vem de encontro aos meus comentários. Efetivamente, se para viver plenamente sua sexualidade, a mulher precisa se prostituir, então ela não é uma "transgressora", mas uma patrocinadora e incentivadora, não apenas da permissividade sexista, mas da condição de miséria sexual em que nossa sociedade vive.
A questão da prostituição talvez pudesse ser melhor encarada se houvesse uma normatização, uma regulamentação dessa ocupação.
Eu encontrei essa reflexão sobre a legalização/normatização da prostituição:
(a) os direitos fundamentais possuem aplicação imediata; logo, não precisam de regulamentação legal para serem exercidos de plano;
(b) a constituição e os tratados internacionais garantem o direito fundamental à liberdade de profissão, de modo que “é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer” (art. 5º, inc. XIII, da CF/88);
(c) na ausência de lei federal regulamentadora, a liberdade profissional é ampla de modo que qualquer pessoa tem o direito de escolher a atividade profissional e econômica que deseja desempenhar, de acordo com seu próprio entendimento, conveniência, vocação e habilidade;
(d) a prostituição é uma atividade como outra qualquer. Logo, se não há lei proibindo expressamente essa atividade, não é preciso que uma lei seja aprovada para “legalizar” ou permitir o exercício dessa atividade. O que é proibido é a exploração da prostituição e não a prostituição em si;
(e) qualquer lei que venha a tratar do assunto, ao invés de melhorar a situação das prostitutas, irá prejudicá-las, pois hoje a liberdade é ampla, sem limitações. A lei regulamentadora, por essência, limitará a atividade, já que é pra isso que as leis que regulamentam profissões servem. Provavelmente, grupos mais conservadores incluiriam na lei limitações de local, horário etc. que hoje não existem;
(f) não é preciso de lei para proibir a violência contra as prostitutas ou para reconhecer os seus direitos básicos, pois a constituição já garante isso. Se esses direitos não são respeitados é por uma interpretação discriminatória da legislação em vigor e não pela falta de norma jurídica. Portanto, não é preciso lutar pela legalização da prostituição, mas pela não discriminação. Hoje, a discriminação ocorre numa clara afronta da constituição e vem tanto da sociedade quanto do estado.[George Lima]
Ainda estamos longe de ter uma sociedade ideal e teremos muito que lutar para que a humanidade, cada indivíduo, tenha conquistado sua liberdade ao ponto de que nada [nem a Sociedade, nem o Governo, nem a Igreja] interfira em nosso direito de sermos felizes e em nossa liberdade de escolhermos nossas identidades de gênero, nossas preferências sexuais, nossas formas de relacionamentos. Tanto a prostituição quanto a pornografia ora instigam ora evitam tais causas e, em um país onde mal se tem consciência política, seria esperar demais que houvesse uma consciência sexual.
Talvez algum dia consigamos realizar aquilo que a Contracultura e a Revolução Sexual deu início, talvez algum dia homens e mulheres possam se amar sem as amarras impostas pela Sociedade, pelo Governo, pela Igreja. Mas para isso temos que resolver os traumas psicológicos e sexuais causados pela tirania da Igreja ao longo de 19 séculos. Teremos que redescobrir a verdadeira essência da humanidade, a verdadeira natureza do corpo, a verdadeira potencialidade do prazer e do sexo. Para isso, eu posso conclamar a todos que apostatem da Igreja e convidar para que conheçam os caminhos oferecidos pelo Paganismo.
Aqui, a humanidade poderá reencontrar o caminho para sua felicidade e realização plena.
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Mitos do solsticio de inverno
Embora alguns de vós, caros leitores, possam pensar que quem nesta longa noite percorre os ares é um velhote a quem chamam Pai Natal, saibam que na verdade a ideia de que por esta altura há presenças sobrenaturais a correr pelos céus nocturnos vem de há muito - só que quem o faz é a chamada «Hoste Furiosa», imenso e violento tropel de caçadores fantasmas, empenhados naquilo a que se chama «Caçada Selvagem», que é perseguição incansável, ora de um javali, ora de um cavalo, ora de belas virgens, ou ninfas...
O mortal que visse este bando e dele troçasse, seria castigado; quem pelo contrário se Lhe juntasse, seria recompensado, eventualmente com ouro...
A nível humano, parece haver correspondência desta tropa sobrenatural nas sociedades de guerreiros das quais já aqui se falou a propósito dos Caretos.
Os nomes e conceitos relativos a este mito norte-europeu variam de etnia para etnia, mesmo de nação para nação nalguns casos:
- na Irlanda, é a Sluagh Sidhe, espécie de espectros ou de fadas especialmente perigosas que tudo destroem e matam à sua passagem, e que são seguidos pelos seus Cu Sidhe (Cães das Fadas), igualmente saídos do inferno; o líder da hoste é o Deus Mannanan Mac Lir, ou, noutra variante, o lendário herói Fin Mac Cumhail, que conduz os seus Fianna;
- em Gales, trata-Se de Arawn, ou de Gwyn ap Nudd, Deus das Profundezas e da Morte, que conduz a sua temível matilha vermelha e branca, a Cwn Annwn (Cães de Annwn ou Inferno) pelos ares desde o Outono até ao início da Primavera; noutras variantes, é o lendário Rei Artur quem conduz a caçada sobrenatural;
- também na Cornualha, nação céltica, se fala a este respeito dos «cães do diabo»; noutras partes do Reino Unido, crê-se que estes cães andam em busca de almas perdidas;
- na Bretanha (nação céltica do noroeste do Estado Francês), é o lendário rei Artur quem dirige a caçada;
- em certas partes de Inglaterra, é Herla, rei que ficou demasiado tempo com as Fadas e quando voltou já tinham passado cinco séculos; outras personagens do folclore inglês que supostamente dirigem esta caçada são Herne, Old Nick, ou até o famoso e histórico Sir Francis Drake; naturalmente que a Inglaterra, sendo uma nação germânica, também teve no seu folclore a crença de que esta hoste furiosa era dirigida por Woden, Deus germânico da Sabedoria e do Combate;
- na Holanda, é, tradicionalmente, Wodan, que é o mesmo que Woden, como é fácil de ver;
- em certas partes da Alemanha, é a Deusa Diana, ou uma certa feiticeira de nome Holda, Quem conduz esta atroadora tropa; e, claro, sucede o mesmo na Alemanha que na Inglaterra e na Holanda a respeito do mais antigo condutor desta cavalgada sobrenatural, ou seja, o Seu nome é Wotan;
-no norte de França, é Hallequin, espírito sobrenatural demoníaco.
A versão mais conhecida, que aliás pode bem estar na origem das outras todas, é a germânica-escandinava, que vê nesta tenebrosa Hoste das Alturas os guerreiros mortos do Valhalla a correrem na esteira das Valquírias, todos conduzidos por Odin (nome escandinavo de Wodan), o terrível zargo, Deus da Sabedoria e da Morte em Combate... há até quem vislumbre o Seu sinistro semblante por debaixo do disfarce de Pai Natal, enquanto outros vêem na rubra indumentária, na longa barba, no físico avantajado e no afável temperamento do velhote natalício um eco da roupagem vermelha e da barba ruiva do brutal mas jovial Thor, Deus do Trovão, que dirige um carro puxado, não por renas, mas por bodes.
Por cá, o equivalente galaico-português será talvez o Secular das Nuvens, ou Escolar das Nuvens, ou Nubeiro, na Galiza e que se pode também ler aqui, onde há também textos centrados na figura do Nubeiro. Ora é interessante observar que de acordo com o folclore galego, o Nubeiro cobre-se de peles caprinas, o que remete aos bodes sagrados que puxam o carro de Thor... por outro lado tem sido considerado o equivalente de Odin, que, como acima se lê, dirige a Cavalgada Selvagem.
A propósito de tempestade, é de notar que em Roma o dia 23 de Dezembro era precisamente consagrado a Tempestas, o Nume, ou Entidade Divina, da tempestade, que por acaso Se tem feito sentir hoje, e que igualmente Se manifestou durante uma batalha naval entre Roma e Cartago, ajudando a primeira a arrasar a frota da segunda.
O dia é no calendário romano igualmente consagrado a Bruma, Deusa do Inverno, e também aos Lares Permarinis (espíritos-guias nos caminhos), a Acca Larentia, a Hércules, a Diana, a Juno Regina e a Júpiter. Hoje é entretanto o culminar da Saturnália, celebração presidida por Saturno, o Deus das Sementeiras e da Idade de Ouro.
Fonte: Gladius
O mortal que visse este bando e dele troçasse, seria castigado; quem pelo contrário se Lhe juntasse, seria recompensado, eventualmente com ouro...
A nível humano, parece haver correspondência desta tropa sobrenatural nas sociedades de guerreiros das quais já aqui se falou a propósito dos Caretos.
Os nomes e conceitos relativos a este mito norte-europeu variam de etnia para etnia, mesmo de nação para nação nalguns casos:
- na Irlanda, é a Sluagh Sidhe, espécie de espectros ou de fadas especialmente perigosas que tudo destroem e matam à sua passagem, e que são seguidos pelos seus Cu Sidhe (Cães das Fadas), igualmente saídos do inferno; o líder da hoste é o Deus Mannanan Mac Lir, ou, noutra variante, o lendário herói Fin Mac Cumhail, que conduz os seus Fianna;
- em Gales, trata-Se de Arawn, ou de Gwyn ap Nudd, Deus das Profundezas e da Morte, que conduz a sua temível matilha vermelha e branca, a Cwn Annwn (Cães de Annwn ou Inferno) pelos ares desde o Outono até ao início da Primavera; noutras variantes, é o lendário Rei Artur quem conduz a caçada sobrenatural;
- também na Cornualha, nação céltica, se fala a este respeito dos «cães do diabo»; noutras partes do Reino Unido, crê-se que estes cães andam em busca de almas perdidas;
- na Bretanha (nação céltica do noroeste do Estado Francês), é o lendário rei Artur quem dirige a caçada;
- em certas partes de Inglaterra, é Herla, rei que ficou demasiado tempo com as Fadas e quando voltou já tinham passado cinco séculos; outras personagens do folclore inglês que supostamente dirigem esta caçada são Herne, Old Nick, ou até o famoso e histórico Sir Francis Drake; naturalmente que a Inglaterra, sendo uma nação germânica, também teve no seu folclore a crença de que esta hoste furiosa era dirigida por Woden, Deus germânico da Sabedoria e do Combate;
- na Holanda, é, tradicionalmente, Wodan, que é o mesmo que Woden, como é fácil de ver;
- em certas partes da Alemanha, é a Deusa Diana, ou uma certa feiticeira de nome Holda, Quem conduz esta atroadora tropa; e, claro, sucede o mesmo na Alemanha que na Inglaterra e na Holanda a respeito do mais antigo condutor desta cavalgada sobrenatural, ou seja, o Seu nome é Wotan;
-no norte de França, é Hallequin, espírito sobrenatural demoníaco.
A versão mais conhecida, que aliás pode bem estar na origem das outras todas, é a germânica-escandinava, que vê nesta tenebrosa Hoste das Alturas os guerreiros mortos do Valhalla a correrem na esteira das Valquírias, todos conduzidos por Odin (nome escandinavo de Wodan), o terrível zargo, Deus da Sabedoria e da Morte em Combate... há até quem vislumbre o Seu sinistro semblante por debaixo do disfarce de Pai Natal, enquanto outros vêem na rubra indumentária, na longa barba, no físico avantajado e no afável temperamento do velhote natalício um eco da roupagem vermelha e da barba ruiva do brutal mas jovial Thor, Deus do Trovão, que dirige um carro puxado, não por renas, mas por bodes.
Por cá, o equivalente galaico-português será talvez o Secular das Nuvens, ou Escolar das Nuvens, ou Nubeiro, na Galiza e que se pode também ler aqui, onde há também textos centrados na figura do Nubeiro. Ora é interessante observar que de acordo com o folclore galego, o Nubeiro cobre-se de peles caprinas, o que remete aos bodes sagrados que puxam o carro de Thor... por outro lado tem sido considerado o equivalente de Odin, que, como acima se lê, dirige a Cavalgada Selvagem.
A propósito de tempestade, é de notar que em Roma o dia 23 de Dezembro era precisamente consagrado a Tempestas, o Nume, ou Entidade Divina, da tempestade, que por acaso Se tem feito sentir hoje, e que igualmente Se manifestou durante uma batalha naval entre Roma e Cartago, ajudando a primeira a arrasar a frota da segunda.
O dia é no calendário romano igualmente consagrado a Bruma, Deusa do Inverno, e também aos Lares Permarinis (espíritos-guias nos caminhos), a Acca Larentia, a Hércules, a Diana, a Juno Regina e a Júpiter. Hoje é entretanto o culminar da Saturnália, celebração presidida por Saturno, o Deus das Sementeiras e da Idade de Ouro.
Fonte: Gladius
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