terça-feira, 22 de dezembro de 2009

O que é um culto à fertilidade

As pessoas ouvem culto à fertilidade e imaginam...ah, quem sabe o que imaginam. Heterossexualidade selvagem, de uma maneira ou outra, eu suponho. Parece que há uma preocupação que todos os sacerdotes e sacerdotisas da WTB [Wica Tradicional Britânica] estão ativamente envolvidos em reprodução humana ou em atos que resultam na reprodução humana. Não é bem assim.
Enfim, todos nós viemos para cá através da reprodução humana. E todos nós sobrevivemos pela reprodução dos campos e gados.
Fertilidade é importante. Fertilidade é a fonte de toda a vida e fertilidade sexual é o que mantém os campos e o gado.
"A fertilidade é a essência da vida. Como um conceito, está profundamente arraigado nos costumes e comportamentos e aparece em infindas variações simbólicas em todos os tipos de esculturas. A fertilidade é o poder vital motivando o ciclo da vida que liga o homem à natureza.
A ciclo de vida humana, do nascimento, através da infância, iniciação, adolescência, casamento, procriação e morte está integralmente ligado com os próprios ciclos da natureza. O fenômeno do sol e da lua, dia e noite, a estação de chuva e de seca e o ritmo da semeadura, cultivação e colheita que depende deles, estão todos em constante renovação e renascimento. O Homen é a Natureza e a Natureza é o Homem."
Citação de: African Dolls for Play and Magic, de Esther A. Dagan, 1990, por Galerie Amrad African Arts, Montreal, PQ. Página 14.
Autor: Branson. Fonte: Forum da Amber & Jet.

sábado, 19 de dezembro de 2009

A importância das religiões

A despeito de ser de autoria do sr Ratzinger e de que ele tenta puxar a sardinha para o lado da Igreja Católica, há que se levar em consideração o cerne da mensagem:
Bento XVI denuncia que o mundo atual considera a Deus "irrelevante e supérfluo" e afirma que, quando Deus desaparece do horizonte da pessoa, a humanidade perde a orientação e vai rumo à autodestruição.
O papa assinala que o tema de Deus é "central" também na época atual, na qual não se costuma desconsiderar que a importância da relação com Deus é essencial para o caminho da humanidade.
Bento XVI reitera a importância "essencial" que Deus tem para o ser humano, para sua vida pessoal e social, para entender a si mesmo e ao mundo.
Ressalta ainda a esperança que ilumina o caminho do homem na salvação depois da morte.
O papa se refere também aos diferentes caminhos que levam a afirmar "a verdade" sobre a existência de Deus, "esse Deus que a humanidade sempre, de alguma maneira, conheceu, apesar das vicissitudes de sua história".[EFE]
Bento XVI sublinhou esta Quinta-feira o contributo das religiões em favor da paz, assegurando que esta não existirá se os líderes políticos tentarem deixar as religiões à margem da vida social.
“A tão desejada paz só poderá surgir da acção conjunta dos indivíduos, que descobre a sua verdadeira natureza em Deus, e dos dirigentes das sociedades civis e religiosas que, no respeito pela dignidade e pela fé de cada um, souberem reconhecer e dar à religião o seu nobre e autêntico papel de plena realização e aperfeiçoamento da pessoa humana”, declarou.
No discurso conjunto que fez a sete novos embaixadores no Vaticano - Dinamarca, Finlândia, Letónia, Uganda, Sudão, Quénia, Bangladesh e Cazaquistão – o Papa defendeu que é necessário tender à paz universal, “sem utopias e sem manipulações”. “Todos sabemos que, para se estabelecer, a paz precisa de condições políticas e económicas, culturais e espirituais”, assinalou.
O Papa admitiu que por vezes é difícil a “coexistência pacífica das diferentes tradições religiosas, no seio de cada nação”.
“Mais do que um problema político, esta coexistência é também um problema religioso que se coloca a cada uma destas tradições, no seu próprio interior. Cada crente está chamado a interrogar Deus sobre a sua vontade a propósito de cada situação humana”, apontou.
Por isso, segundo Bento XVI, “reconhecendo Deus como único criador do homem – de todo e qualquer homem, qualquer que seja a sua confissão religiosa, condição social e opiniões políticas – cada um respeitará o outro na sua unicidade e na sua diferença”.
Mais à frente, o Papa disse que o mundo político e económico tem “dificuldade de dar ao homem o primeiro lugar”, frisando que “mais delicado ainda é admitir a importância e a necessidade do religioso, assegurando à religião a sua verdadeira natureza e o seu lugar na dimensão pública”.
Falando depois ao embaixador da Finlândia, Bento XVI aludiu especificamente ao contributo das religiões “no país e na Europa”, chamando a atenção para “certos valores que estão em risco de serem apagados pelo processo de secularização”, em particular no que se refere “à família e o respeito pela vida”.[Ecclesia]
Ou seja, o sr Ratzinger parece concordar com os ateus ao identificar a religião como sendo apenas o Cristianismo e como sendo Deus apenas o Cristão.
Quando não se reconhece a diferença entre tantas religiões e entre os Deuses adorados nestas, querendo fazer uma tábua rasa, definindo às demais religiões como meras versões ou heresias da Igreja Católica, não se está demonstrando qualquer respeito, não se está dando qualquer liberdade religiosa, não se está promovendo a tolerância. Vindo de quem vem, tal dissimulação e hipocrisia era de se esperar.
Eu dou razão aos ateus quando eles afirmam que, quando se precisa de um "Grande Irmão" para se ter uma conduta moral, é uma covardia. Pior, o sr Ratzinger se esquece ou omitiu propositalmente que a maior parte das violências e das guerras no mundo são causadas por causa da religião, ou melhor dizendo, do fanatismo e do fundamentalismo patrocinado por algumas delas.
Evidentemente que, como Pagão [e estudioso da história e antropologia], eu também ache que a humanidade esteja caminhando para a autodestruição, não apenas por ter voltado as costas aos Deuses Antigos, mas também por tratar a natureza com tanto desrespeito. Eu não fiquei surpreso com a notícia que o Acordo Climático em Copenhagen foi um fiasco.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Entrevista com líder pagão grego

Brilhante texto traduzido e publicado pelo Caturo [Gladius]:
Entrevista feita por Wojciech Jan Rudny, da revista polaca Gniazdo («Gniazdo - Rodzima wiara i kultura»), a um membro constitucional da YSEE, ou Conselho Supremo dos Nacionais Helénicos:
P: Na Europa, muita gente quer retornar às suas raizes espirituais, às suas religiões étnicas. Na Polónia, por exemplo, temos a «Rodzima Wiara». E os Gregos?
R: Entre os Gregos temos milhares de homens e mulheres que retornam à sua Tradição, Religião e Valores Ancestrais. Além disso, posso dizer que dentro da percepção do grego médio, o período pré-cristão é considerado como muito admirável, bem como uma era muito mais brilhante do que a da Cruz.
P: Acredita que o indivíduo moderno pode acreditar nos Deuses antigos?
R: Claro, especialmente os que sabem o que são verdadeiramente os Deuses do politeísmo: «seres» eternos, mais do que «personalidades», partes orgânicas e integrais do Cosmos do mesmo modo que as leis físicas são partes orgânicas e integrais do Cosmos. A existência dos nossos Deuses não contradiz as descobertas da ciência moderna; pelo contrário, ambas se apoiam mutuamente. A única diferença entre a nossa opinião e a da actual ciência laica é que para nós a «matéria» não é algo morto mas sim vivo e cheia de Deuses.
P: Porque é que os Deuses permitiram que os cristãos vencessem? O que pensam disto? Na Ilíada e na Odisseia, envolveram-Se neste mundo. Porque não o fizeram mais tarde, no quarto século, por exemplo? Talvez não haja Deuses? Talvez haja apenas arquétipos no nosso subconsciente?
R: Os Deuses dão simplesmente uma orientação aos mortais; não lutam ao seu lado para exterminar «os maus» ou para proteger «os bons». Tal percepção é inteiramente uma coisa judaico-cristã-islâmica. Se fosse esse o caso, aquilo a que chamamos História já teria há muito chegado a um «fim» definitivo, pelo contrário, no mundo mortal é comum que os gentis e virtuosos sejam derrotados pelos ordinários e maus.
No que diz respeito aos poemas homéricos, é preciso nunca esquecer que são épicos, não textos teológicos. Num verso vemos os Deuses a interferirem nos assuntos dos mortais enquanto noutro encontramos o Deus Supremo Zeus a aceitar que o Seu «filho» Sárpedon irá morrer no dia seguinte. Zeus sabe que os Deuses não têm permissão para alterar o destino de um mortal. O que os monoteístas (judeus, cristãos, muçulmanos) saúdam como «milagres» e «provas» da suposta existência do seu «Deus», para nós são simplesmente modificações injustificáveis das leis naturais ou do destino. Nenhum Deus verdadeiro traria tais modificações. Os nossos Deuses garantem a beleza do Cosmos, não afogam «inimigos» no Mar Vermelho. Agora, para responder à sua última questão, sentimo-nos obrigados a repetir que os nossos Deuses são «seres» eternos e reais, não são nem «arquétipos» nem «personalidades».
P: Por favor, diga-me algo sobre a perseguição aos Gregos pagãos nos século IV. E na actualidade.
R: A história da perseguição sanguinária contra os pagãos helenos aconteceu não apenas no século IV mas continuou até ao século IX e depois; os seus detalhes são fornecidos pelo nosso distinto membro Sr. Rassias que é um autor conhecido e também um historiador. No entanto, na Grécia moderna não podemos falar de perseguição; o Estado oficial pura e simplesmente recusa-se a reconhecer a nossa existência como religião. Os únicos que demonstram abertamente ódio contra nós são os teocratas da dominante Igreja Ortodoxa que, infelizmente para eles, já não têm o poder de queimar pessoas em público. Por conseguinte, são forçados a canalizar o seu ódio para propagar uma contínua «propaganda negra» contra nós, na esperança de que o seu rebanho nunca abra os olhos e leve em consideração as nossas ideias.
P: A Igreja Católica Romana diz que os Deuses são seres malignos - que são diabos, demónios... E a Igreja Ortodoxa?
R: Essa abjecta alegação é a causa de incontáveis crimes, genocídios e etnocídios cristãos que foram perpetrados contra os povos de todo o mundo. Tal alegação não brota de um certo dogma do Cristianismo mas em vez disso existe como resultado de uma crença fundamental na sua própria teologia que é consistentemente repetida nos textos dos seus chamados «Pais [da Igreja]». Esta crença fundamental transforma automaticamente o Cristianismo numa máquina intolerante que bloqueia qualquer discussão com o «outro», mas procura apenas converter ou exterminar. Para o verdadeiro cristão, que sabe aquilo em que acredita, todo o Cosmos e a Natureza, juntamente com todas as suas formas «vivas» e «sem vida» estão dentro do âmbito destes demónios. Isto é uma paranóia monstruosa!

sábado, 12 de dezembro de 2009

O fim da religião antiga

Conforme eu leio o excelente livro de Fustel de Coulanges - A Cidade Antiga, mais claro se torna a compreensão de como era a religião antiga e as causas de seu fim, por volta do século V AC, como resultado de uma transformação social, politica, filosófica e humana. A transformação nos trouxe até a tecnologia que torna a nossa vida no século XXI algo mais fácil e confortável, mas também deu espaço para que a humanidade abraçasse uma crença [o Cristianismo] que nos fez regredir psicológicamente.
Vale a pena ler o livro por inteiro para se ter uma idéia da riqueza que a humanidade abandonou ao querer tomar o lugar dos Deuses e do que era sagrado - a natureza e o corpo, em busca de mais liberdades [embora ainda sejamos escravos, por opção ou alienação], de mais "igualdades" [embora ainda procuramos garantir nossos pequenos feudos], acreditando piamente na razão que nos fazia sonhar na fantasia de que os Deuses eram apenas criações de nossa mente, a mesma filosofia que elegeu a razão acima dos mitos. Fustel de Coulanges registra magistralmente essa mudança lenta porém inexorável que ocorreu ao longo de 400 anos e aplainou o caminho para que após mais 400 anos o Cristianismo triunfasse e a Idade das Trevas tivesse início. Leiamos!
A princípio uma religião muito antiga fundara a família, depois a cidade; estabelecera em primeiro lugar o direito doméstico e o governo da gens; depois as leis civis e o governo municipal. O Estado estava estreitamente ligado à religião; dela nascera, e com ela se confundia. É por isso que, na cidade primitiva, todas as instituições políticas haviam sido instituições religiosas; as festas eram cerimônias do culto; as leis, fórmulas sagradas; os reis e magistrados, sacerdotes. É por isso ainda que a liberdade individual era desconhecida, e o homem era incapaz de libertar a própria consciência da onipotência da cidade. É por isso, enfim, que o Estado mantivera-se dentro dos limites da cidade, e nunca puderam ultrapassar a linha traçada em sua origem pelos deuses nacionais. Cada cidade tinha, não somente independência política, mas também um culto e um código. A religião, o direito, o governo, tudo era municipal. A cidade era a única força viva; nada lhe era superior ou inferior; nem a unidade nacional, nem a liberdade individual.
Resta-nos dizer de que modo esse regime desapareceu, isto é, como, mudando-se o princípio da associação humana, o governo, a religião e o direito se despojaram desse caráter municipal que tiveram na antiguidade.
A ruína do regime político que a Grécia e a Itália haviam criado pode ser atribuída a duas causas principais. Uma pertence à ordem dos fatos morais e intelectuais, outra à ordem dos fatos materiais; a primeira é transformação das crenças, a segunda é a conquista romana. Esses dois grandes fatos são contemporâneos; desenvolveram-se e concluíram-se juntos, durante a série de cinco séculos que precede a era cristã.
A religião primitiva, cujos símbolos eram a pedra imóvel do lar e o túmulo dos antepassados, religião que havia constituído a família antiga, organizando depois a cidade, alterou-se com o tempo, e envelheceu. O espírito humano cresceu em forças, e adotou novas crenças. Começou-se a ter idéia da natureza imaterial; a noção da alma humana tornou-se mais precisa, e quase ao mesmo tempo surgiu nos espíritos a idéia de uma inteligência divina.
Que pensar então das divindades das primeiras idades; dos mortos, que viviam nos túmulos; dos deuses lares, que haviam sido homens; dos antepassados sagrados, que deviam continuar a alimentar como se ainda vivessem? Semelhante fé tornou-se impossível. Tais crenças não estavam mais no nível do espírito humano. É bem verdade que esses preconceitos, por mais grosseiros que fossem, não foram facilmente arrancados do espírito do vulgo; reinaram por muito tempo ainda; mas desde o quinto século antes de nossa era os homens que refletiam se foram libertando desses erros. Compreendiam a morte de outra maneira; alguns acreditavam no aniquilamento, outros em uma segunda existência espiritual em um mundo de almas; em todo caso não admitiam mais que o morto vivesse no sepulcro, e se alimentasse com as dádivas que lhes ofereciam. Começou-se também a se ter idéia muito elevada da divindade, para que se continuasse a acreditar que os mortos pudessem ser deuses. Pelo contrário, imaginavam a alma humana indo procurar nos Campos Elísios sua recompensa, ou a pena de suas faltas; e, por notável progresso, não se divinizavam mais entre os homens senão aqueles que o reconhecimento ou a lisonja queria colocar acima da humanidade.
A idéia da divindade transformou-se pouco a pouco, pelo efeito natural do poder maior do espírito. Essa idéia, que o homem a princípio aplicara à força invisível que sentia em si próprio, ele a aplicou aos poderes incomparavelmente maiores que via na natureza, à espera de que se elevasse até a concepção de outro ser, que estivesse fora e acima da natureza. Então os deuses lares e os heróis perderam a adoração dos seres racionais.
Quanto ao lar, que não parece ter sentido senão enquanto se ligava ao culto dos mortos, perdeu também seu prestígio. Continuou-se a ter na casa um lar doméstico, ao qual saudavam, adoravam, ofereciam libações; mas não passava de um culto de hábito, a que nenhuma fé dava vida.
O lar das cidades, ou o pritaneu, foi arrastado insensivelmente para o descrédito em que caíra o lar doméstico. Não se sabia mais o que significava, esquecidos de que o fogo sempre aceso do pritaneu representava a vida invisível dos antepassados, dos fundadores, dos heróis nacionais. Continuava-se a alimentar esse fogo, a cantar velhos hinos, cerimônias vãs, das quais não ousavam desembaraçar-se, mas cujo sentido ninguém mais compreendia.
Até as divindades da natureza, que se haviam associado aos lares, mudaram de caráter. Depois de haver começado por serem divindades domésticas, depois de se tornarem divindades da cidade, transformaram-se ainda uma vez. Os homens acabaram por perceber que os seres diferentes que chamavam de Júpiter, podiam bem ser um mesmo e único ser; e assim aconteceu com outros deuses. O espírito desembaraçou-se de uma multidão de divindades, e sentiu necessidade de reduzir-lhes o número. Compreendeu-se então que os deuses não pertenciam mais a uma família ou cidade, mas que todos pertenciam ao gênero humano, e velavam pelo universo. Os poetas iam de cidade em cidade ensinando aos homens, em lugar dos velhos hinos das cidades, novos cantos nos quais não se falava nem de deuses lares, nem de divindades políadas, e onde se liam as lendas dos grandes deuses da terra e do céu; e o povo grego esquecia os velhos hinos domésticos ou nacionais por essa poesia nova, que não era filha da religião, mas da arte e da livre imaginação. Ao mesmo tempo, alguns grandes santuários, como os de Delfos e de Delos, atraíam os homens, fazendo que com estes se esquecessem dos cultos locais. Os mistérios e a doutrina que continham habituavam-nos a desprezar a religião vazia e insignificante da cidade.
Assim, lenta e obscuramente, foi sendo feita uma revolução intelectual. Os próprios sacerdotes não lhe opunham resistência, porque enquanto os sacrifícios continuavam a ser oferecidos nos dias determinados, parecia-lhes que a antiga religião estava salva; as idéias podiam mudar, a fé podia morrer, contanto que os ritos permanecessem intactos. Aconteceu então que, sem que as práticas fossem modificadas, as crenças se transformaram, e a religião doméstica e municipal perdeu todo o domínio sobre as almas.
Depois apareceu a filosofia, que derrubou todas as regras da velha política. Era impossível tocar nas opiniões dos homens sem tocar também nos princípios fundamentais do governo. Pitágoras, tendo uma concepção vaga do Ser supremo, desprezou os cultos locais, e isso foi o bastante para que rejeitasse os velhos moldes de governo, e tentasse fundar uma nova sociedade.
Anaxágoras concebeu o Deus-Inteligência, que reina sobre todos os homens e sobre todas as criaturas. Afastando-se das antigas crenças, afastou-se também da antiga política. Como não acreditava nos deuses do pritaneu, deixava de cumprir todos os deveres de um cidadão; fugia das assembléias, e não queria ser magistrado. Sua doutrina representava um perigo para a cidade; os atenienses condenaram-no à morte.
Vieram depois os sofistas, e tiveram mais influência que esses dois grandes espíritos. Eram homens ardentes no combate dos velhos erros. Na luta que travaram contra tudo o que se ligava ao passado, não pouparam nem as instituições da cidade, nem os preconceitos da religião. Examinaram e discutiram ousadamente as leis que ainda regiam o Estado e a família. Iam de cidade em cidade, pregando novos princípios, ensinando não precisamente a indiferença entre o justo e o injusto, mas uma nova justiça, menos acanhada e menos exclusiva que a antiga, mais humana, mais racional, e livre das fórmulas das idades anteriores. Foi uma empresa atrevida, que levantou uma tempestade de ódios e de rancores. Acusaram-nos de não ter nem religião, nem moral, nem patriotismo. A verdade é que sobre todas essas coisas não tinham doutrina bem definida, e que julgavam fazer muito combatendo os preconceitos. Eles removiam, como diz Platão, o que até então era irremovível. Colocavam a regra do sentimento religioso e da política na consciência humana, e não nos costumes dos antepassados ou na tradição imutável. Ensinavam aos gregos que para governar um Estado não bastava mais invocar velhos costumes e leis sagradas, mas era necessário persuadir os homens, e agir sobre vontades livres. Substituíam o conhecimento dos costumes antigos pela arte de raciocinar e de falar, a dialética e a retórica. Seus adversários ligavam-se à tradição, enquanto eles se ligavam à eloqüência e ao espírito.
Uma vez despertada assim a reflexão, o homem não quis mais crer sem conhecer suas crenças, nem quis deixar-se governar sem discutir suas instituições. Duvidou da justiça de suas velhas leis sociais, e surgiram outros princípios. Platão põe na boca de um sofista estas belas palavras: “Vós todos que aqui estais, eu vos considero parentes uns dos outros. A natureza, apesar da lei, vos fez concidadãos. Mas a lei, esse tirano do homem, violenta a natureza em muitas ocasiões.” — Opor assim a natureza à lei e ao costume, era atacar na própria base a política antiga. Em vão os atenienses exilaram Pitágoras e queimaram seus escritos; o golpe estava dado; o resultado do ensino dos sofistas foi imenso. A autoridade das instituições desaparecia com a autoridade dos deuses nacionais, e o hábito do livre exame estabelecia-se nas casas e na praça pública.
Sócrates, reprovando o abuso que os sofistas faziam do direito de duvidar, pertencia contudo à sua escola. Como eles, rejeitava o império da tradição, e acreditava que as regras de conduta estavam gravadas na consciência humana. Não se diferenciava deles senão em que estudava essa consciência religiosamente, e com desejo firme de nela encontrar a obrigação de ser justo e de fazer o bem. Colocava a verdade acima do costume, a justiça acima das leis. Distinguia a moral da religião; antes dele não se concebia o dever senão como um decreto dos deuses antigos; Sócrates demonstrou que o princípio do dever está na consciência do homem. Em tudo isso, quer quisesse ou não, ele fazia guerra ao culto das cidades. Em vão tomava o cuidado de assistir a todas as festas, e de tomar parte em todos os sacrifícios; suas crenças e palavras desmentiam-lhe a conduta. Sócrates fundava uma religião nova, que era contrária à religião da cidade. Acusaram-no, com verdade, “de não adorar os deuses que o Estado adorava.” Condenaram-no à morte por haver atacado os costumes e as crenças dos antepassados, ou, como se dizia, por haver corrompido a geração presente. Mas a revolução que os sofistas haviam iniciado, e que Sócrates continuara com mais moderação, não foi interrompida pela morte de um ancião. A sociedade grega libertou-se dia a dia cada vez mais do domínio das velhas crenças e das velhas instituições.
Depois dele, os filósofos discutiram com toda a liberdade os princípios e regras da associação humana. Platão, Críton, Antístenes, Espeusipo, Aristóteles, Teofrasto, e muitos outros, escreveram tratados sobre a política. Buscou-se, examinou-se; os grandes problemas da organização do Estado, da autoridade e da obediência, das obrigações e do direito, apresentaram-se a todos os espíritos.
A escola cínica vai ainda mais longe: ela nega a pátria. Diógenes vangloriava-se de não ter direitos civis em nenhum lugar, e Crates dizia que sua pátria era o desprezo da opinião alheia. Os cínicos acrescentavam esta verdade, então muito nova, de que o homem é cidadão do universo, e de que a pátria não são os estreitos limites de uma cidade. Consideravam o patriotismo municipal como um preconceito, e suprimiam do número dos sentimentos o amor da cidade.
Os estóicos retornaram à política. Zenão, Cleanto e Crísipo escreveram numerosos tratados sobre o governo dos estados. Mas seus princípios estavam muito afastados da política municipal. Sócrates julgava-se ainda obrigado a adorar, como podia, os deuses do Estado. Platão ainda não concebia outro governo senão o da cidade. Zenão passa por cima desses limites restritos da associação humana. Despreza as divisões que a religião antiga havia estabelecido. Como concebe o Deus do universo, tem também a idéia de um Estado que compreenderia toda a humanidade.
Mais eis um princípio ainda mais novo. O estoicismo, alargando a associação humana, liberta o indivíduo. Como rejeita a religião da cidade, rejeita também a servidão. Não quer mais que a pessoa humana se sacrifique ao Estado. Distingue e separa nitidamente o que deve permanecer livre no homem, e liberta pelo menos a consciência. Diz ao homem que deve fechar-se em si mesmo, que deve encontrar em si o dever, a virtude, a recompensa. Não lhe proíbe ocupar-se dos negócios públicos, antes convida-o a isso, advertindo-o, porém, de que seu principal trabalho deve ter por objeto o progresso individual, e que, seja qual for o governo, sua consciência deve continuar independente. Grande princípio, que a cidade antiga sempre desprezou, mas que devia um dia tornar-se uma das regras mais sagradas da política.
Começa-se então a compreender que há outros deveres além dos deveres para com o Estado, outras virtudes além das virtudes cívicas. A alma se prende a outros objetos além da pátria. A cidade antiga havia sido tão poderosa e tirânica que o homem fizera dela a razão de todo o seu trabalho e de todas as suas virtudes; ela havia sido a regra do belo e do bem, e não havia heroísmo senão para ela. Mas eis que Zenão ensina ao homem que ele tem uma dignidade, não de cidadão, mas de homem; que além de seus deveres para com a lei tem outros para consigo mesmo, e que o supremo merecimento não é viver ou morrer pelo Estado, mas ser virtuoso, e agradar à divindade. Virtudes um tanto egoístas, e que fizeram decair a independência nacional e a liberdade, mas pelas quais o indivíduo adquiriu importância. As virtudes públicas foram desaparecendo, mas as virtudes pessoais tomaram maior evidência, e começaram a surgir entre os homens. A princípio elas tiveram que lutar contra a corrupção ou contra o despotismo. Mas pouco a pouco se enraizaram na humanidade, e com o tempo transformaram-se em um poder com o qual todo governo teve de contar, e tornou-se necessário que as regras da política fossem modificadas para dar-lhes lugar livre.
Assim se transformaram pouco a pouco as crenças; a religião municipal, fundamento da cidade, extinguiu-se. O regime municipal, tal como os antigos o imaginaram, teve também de cair. Insensivelmente, os homens se libertavam das regras rigorosas e das formas acanhadas de governo. Idéias mais elevadas conclamavam os homens a formar sociedades maiores. A tendência então era a unidade, aspiração geral dos dois séculos que precederam a era cristã.
Autor: Fustel de Coulanges - A Cidade Antiga. Fonte: Ebooks Brasil

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

A religião da cidade

A principal cerimônia do culto doméstico era um banquete, chamado sacrifício. Comer um alimento preparado sobre o altar foi, segundo parece, a primeira forma dada pelo homem ao ato de religião. A necessidade de se comunicar com a divindade era satisfeita por esse banquete, para o qual a própria divindade era convidada, recebendo a parte que lhe cabia.
A principal cerimônia do culto da cidade consistia também em um banquete semelhante; devia ser realizado em comum, por todos os cidadãos, em honra das divindades protetoras. O costume desses banquetes públicos era universal na Grécia; acreditava-se que a salvação da cidade dependia de sua realização.
Além desses imensos banquetes, onde todos os cidadãos se reuniam, e que não podiam ser realizados senão nas festas solenes, a religião prescrevia que cada dia houvesse uma refeição sagrada. Para isso, alguns homens escolhidos pela cidade deviam comer juntos, em seu nome, no recinto do pritaneu, na presença do lar e dos deuses protetores. Os gregos estavam convencidos de que, se esse banquete deixasse de ser celebrado por um único dia, o Estado ficava ameaçado de perder o favor dos deuses.
Em Atenas, a sorte designava os homens que tomar parte no banquete comum, e a lei punia severamente os que se recusavam a cumprir com esse dever. Os cidadãos que se sentavam à mesa sagrada ficavam revestidos momentaneamente de caráter sacerdotal; chamavam-nos parasitas; essa palavra, que depois se tornou pejorativa, começou a existir como título sagrado. Nos tempos de Demóstenes, os parasitas haviam desaparecido, mas os prítanes ainda eram obrigados a comer juntos no pritaneu. Em todas as cidades havia salas destinadas às refeições em comum.
Observando-se como as coisas se passavam nessa refeição, se reconhece perfeitamente tratar-se de cerimônia religiosa. Cada conviva tinha uma coroa na cabeça; com efeito, era costume antigo coroar-se de folhas ou de flores cada vez que se realizava algum ato solene de religião.
A refeição começava invariavelmente por uma oração e libações; cantavam-se hinos. A natureza das iguarias e a espécie do vinho que se devia servir eram regulados pelo ritual de cada cidade. Afastar-se o mínimo que fosse do costume seguido pelos antepassados, apresentar um prato novo, ou alterar o ritmo dos hinos sagrados, era impiedade grave, pela qual toda a cidade se responsabilizava diante dos deuses.
Esses costumes antigos dão-nos idéia do vínculo estreito que unia os membros de uma cidade. A associação humana era uma religião; seu símbolo era o banquete público.
Imaginemos uma daquelas pequenas sociedades primitivas reunidas, pelo menos os chefes de família, em uma mesma mesa, vestidos de branco e coroados de flores; todos fazem juntos a libação, recitam as mesmas preces, cantam os mesmos hinos, comem a mesma comida, preparada sobre o mesmo altar; no meio deles estão presentes os antepassados, e os deuses protetores participam da refeição.
Em todos os tempos e em todas as sociedades o homem sempre quis honrar seus deuses com festas, e estabeleceu dias especiais, nos quais o sentimento religioso reinaria sozinho em sua alma, sem distraí-la com pensamentos e ocupações terrenas. No número de dias que deve viver, estabeleceu a parte que caberia aos deuses.
Cada cidade havia sido fundada com ritos, que no pensamento dos antigos tinham por efeito fixar dentro de seus limites os deuses nacionais. Era necessário que a virtude desses ritos fosse rejuvenescida todos os anos por nova cerimônia religiosa; chamavam a essa festa dia natalício; todos os cidadãos deviam celebrá-la.
Vinha em seguida a festa do fundador. Depois, cada um dos heróis da cidade, cada uma daquelas almas que os homens invocavam como protetoras, passou a reclamar um culto; Rômulo tinha o seu, assim como Sérvio Túlio, e muitos outros, até a ama de Rômulo e a mãe de Evandro. Atenas, por sua vez, tinha a festa de Cécrops, a de Erecteu, a de Teseu, e celebrava cada um dos heróis do país, como o tutor de Teseu, Euristeu, Androgeu, e uma multidão de outros.
Havia ainda as festas dos campos, a do trabalho, a da semeadura, a da floração, a das vindimas. Na Grécia, como na Itália, cada ato da vida do agricultor era acompanhado de sacrifícios, e os trabalhos eram executados enquanto se recitavam hinos sagrados. Em Roma, os padres fixavam, cada ano, o dia em que deviam começar a vindima, e o dia em que se podia beber vinho novo. Tudo era regulado pela religião. A religião mandava que se podasse a vinha, porque afirmava que era impiedade oferecer aos deuses uma libação com vinho de parreira não podada.
Toda cidade tinha uma festa para cada uma das divindades que havia adotado como protetoras, e que eram muitas. À medida que se introduzia o culto de uma divindade nova, fazia-se necessário encontrar um dia do ano para consagrar-lhe. O que caracterizava as festas religiosas era a proibição do trabalho, a obrigação de se estar alegre, os cantos e jogos públicos.
O calendário não era outra coisa que a sucessão das festas religiosas.
Compreende-se que o calendário de uma cidade não podia assemelhar-se em nada ao de outra, porque a religião não era a mesma entre elas, e as festas, como os deuses, diferiam. O ano não tinha a mesma duração em duas cidades. Os meses não tinham os mesmos nomes; Atenas chamava-os diferentemente de Tebas, e Roma de modo muito diverso de Lavínio. Isso porque o nome de cada mês era tirado ordinariamente da festa principal que nele se celebrava: ora, as festas não eram as mesmas. As cidades não concordavam em começar o ano na mesma época, nem em contar a série dos anos a partir de uma mesma data.
Entre as cerimônias mais importantes da religião da cidade, havia uma que se chamava purificação. Celebrava-se todos os anos em Atenas; em Roma só se realizava de quatro em quatro anos. Os ritos então observados, e o nome que lhe davam indicam que essa cerimônia devia ter por virtude o resgate das faltas cometidas pelos cidadãos contra o culto. Com efeito, religião tão complicada era fonte de terror para os antigos; como a fé e a pureza de intenções de nada valiam, e como toda a religião consistia na prática minuciosa de inumeráveis prescrições, sempre se devia temer por alguma negligência, por alguma omissão ou erro, e nunca se tinha certeza de estar ao seguro dos golpes de cólera ou de rancor de algum deus. Era necessário, portanto, para tranqüilizar o coração do homem, um sacrifício expiatório.
Para ato dessa natureza, e de tal importância, duas coisas eram necessárias: uma, que nenhum estranho se introduzisse entre os cidadãos, o que perturbaria e viciaria a cerimônia; outra, que todos os cidadãos estivessem presentes, sem o que a cidade poderia continuar impura. Era necessário, portanto, que essa cerimônia religiosa fosse precedida pelo recenseamento dos cidadãos. Em Roma e em Atenas contavam-se os cidadãos com o maior cuidado; é provável que seu número fosse declarado pelo magistrado na fórmula da oração, e em seguida inscrito no relatório que o censor redigia sobre a cerimônia.
A essa cerimônia assistiam somente os cidadãos; mas suas mulheres, crianças, escravos, bens, móveis e imóveis, eram, de algum modo, purificados na pessoa do chefe da família. É por isso que, antes do sacrifício, cada um devia declarar ao censor o número de pessoas e coisas que dependiam dele.
Não havia um só ato da vida pública no qual não fizessem intervir os deuses. Como estavam sob o domínio da idéia de que os deuses ora eram excelentes protetores, ora cruéis inimigos, o homem jamais ousava agir sem estar seguro de seus favores.
O povo não se reunia em assembléia senão em dias permitidos pela religião.
Em Roma, antes de se abrir a sessão, era necessário que os áugures assegurassem que os deuses eram propícios. A assembléia começava por uma oração, que o áugure pronunciava e o cônsul depois repetia.
O mesmo acontecia entre os atenienses: a assembléia sempre se iniciava por um ato religioso. Os sacerdotes ofereciam sacrifícios; traçava-se depois um grande círculo, espargindo a terra com água lustral, e era dentro desse círculo sagrado que os cidadãos se reuniam. Antes que algum orador tomasse a palavra, pronunciava-se uma prece diante do povo em silêncio.
A tribuna era lugar sagrado; o orador só podia subir à mesma com uma coroa na cabeça, e durante muito tempo quis o costume que começasse o discurso invocando os deuses.
O lugar de reunião do senado de Roma era sempre um templo. Se se realizasse alguma sessão fora de lugar sagrado, as decisões tomadas seriam consideradas nulas, porque os deuses haviam estado ausentes. Antes de qualquer deliberação o presidente oferecia um sacrifício e pronunciava uma oração. Na sala havia um altar, onde cada senador, ao entrar, derramava a libação, enquanto invocava os deuses.
O senado de Atenas assemelhava-se nisto ao de Roma. A sala tinha também um altar, um lar. Antes de cada sessão realizava-se um ato religioso. Todo senador, ao entrar, aproximava-se do altar, e pronunciava uma oração.
Em Roma, como em Atenas, só se administrava justiça na cidade em dias determinados pela religião como favoráveis. Em Atenas, a sessão do tribunal era realizada junto a um altar, e se iniciava com um sacrifício.
Na guerra a religião era, pelo menos, mais poderosa que na paz. Havia nas cidades italianas colégios de sacerdotes chamados feciais, que presidiam, como os arautos entre os gregos, a todas as cerimônias sagradas inspiradas pelas relações internacionais. Um fecial, com a cabeça coberta por um véu de lã, de acordo com os ritos, tendo os deuses, como testemunhas, declarava a guerra, pronunciando uma fórmula sacramental. Ao mesmo tempo, o cônsul, em vestes sacerdotais, fazia um sacrifício, e abria solenemente o templo da divindade mais antiga e mais venerada da Itália, o templo de Jano. Antes de partir para uma expedição, reunido o exército, o general pronunciava preces e oferecia sacrifícios.
Depois de cada vitória oferecia-se outro sacrifício; essa é a origem do triunfo, tão conhecido entre os romanos, e que não era menos usado entre os gregos. Esse costume era conseqüência da opinião que atribuía a vitória aos deuses da cidade.
Assim, em tempo de paz como em tempo de guerra, a religião intervinha em todos os atos. Achava-se presente em toda parte, como que envolvendo o homem. A alma, o corpo, a vida privada, a vida pública, os banquetes, as festas, as assembléias, os tribunais, os combates, tudo estava sob o império da religião da cidade. A religião regulava todas as ações do homem, dispunha todos os instantes de sua vida, fixava todos os seus hábitos. A religião governava a criatura humana com autoridade tão absoluta, que nada lhe escapava.
Autor: Fustel de Coulanges - A Cidade Antiga - Fonte: Ebooks Brasil

domingo, 6 de dezembro de 2009

Militância pelo corpo

Anúncio da PETA irrita católicos.
A Igreja Católica ficou chateada com a modelo polaca Joanna Krupa devido a uma pose em que representa um anjo na mais recente campanha de promoção à adopção de animais, pela PETA (People for the Ethical Treatment of Animals).
Um crucifixo, estrategicamente colocado sobre o corpo de Krupa, cobre-lhe apenas as partes íntimas, com a mensagem ‘Sê um anjo para os animais – Adopte sempre. Nunca compre’.
Um outro anúncio da organização apresenta a modelo nua da cintura para cima, segurando o seu cão Rugby com o braço esquerda, enquanto um rosário penda da mão direita.[Correio da Manhã][link morto]
Isso me lembra o caso da Carol Castro que posou nua com um crucifixo, para uma conhecida "revista adulta" masculina. Tanto naquele quanto neste evento, a reação da Igreja e dos Católicos lembrou a reação dos Muçulmanos diante das caricaturas de Mohamed que um jornal dinamarquês publicou. Não foi a Igreja que disse que o crucifixo era um "símbolo cultural" para mantê-los em salas de aula? Então não podem querer que este símbolo seja tratado com reverência sagrada. O crucifixo ou é um símbolo cultural ou é um símbolo corporativo.
Eu por meu lado acho extremamente ridícula a postura da Peta ou de outros "defensores de animais", especialmente aqueles que tentam (como bom missionários/proselitistas) convencer/converter as pessoas para seus ideais, com clichês discutíveis, quando não infantis.
O caso vem a calhar, pois este blog contém diversos textos sobre nudez e visito com frequência o blog da Atilia [Sexismo e Misoginia] que discute como a sociedade machista/patriarcal usa da nudez para vender pornografia, incentivar a prostituição e degradar a mulher a simples objeto. A Maitê escreveu que "A melhor militância é a do corpo" [Casa da Maitê][link indisponível].
O corpo, a nudez e o sexo podem ser usados como ferramenta da militância? Como e de que forma o corpo pode ser usado na militância de um ideal? Existe uma fronteira entre o nu artístico e a pornografia? Podemos lutar pela legalização da prostituição como uma forma de forçar a sociedade a repensar suas posições, tabus e preconceitos sobre sexo e relacionamentos? Podemos usar a nudez e o sexo para curar a doença social? Podemos usar a militância pelo corpo para contestar e protestar contra os desmandos e abusos da Igreja que continua a interferir na sociedade e na vida das pessoas? Podemos, enfim, usar a militância pelo corpo para libertar a humanidade? Eu espero que sim.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Dezembro, o décimo mês

Dezembro deve o seu nome à palavra latina decem (dez), dado que era o décimo mês do Calendário Romano, que começava em Março.
Festas em dezembro:
Dia 1º- Festival de Netuno e o Festival de Pietas.
Dia 3 - Festival de Bona Dea.
Dia 4 - Festival de Minerva.
Dia 5 - Faunalia, em honra a Faunus. O Deus das plantações, criações, florestas e oráculos.
Dia 8 - Festival de Tiberinus, Deus do rio Tibre.
Dia 10 - Festival da Lux Mundi. Este festival honrava a [Deusa] Libertas como aquela que trouxe a luz ao mundo.
Dia 11 - Agonalia. Natradição religiosa de Roma Antiga, era um festival celebrado várias vezes ao ano em honra de várias divindades, como Janus e Agonius, os quais os Romanos costumavam evocar nos seus empreendimentos importantes] para o Sol Indiges [o Sol Nativo], Septimontia [festival das sete colinas de Roma] e o Festival da Diva Palatua.
Dia 12 - Consualia em honra a Consus.
Dia 13 - Festival de Tellus a Deusa da Terra.
Dia 16 - Festival da Sapientia.
Dia 17 - O Festival da Saturnália começa.
Dia 18 - Eponalia em honra a Epona.
Dia 19 - Opalia em honra a Ops e o Festival das Juventas.
Dia 21 - Divalia em honra a Angerona e Bruma (solstício de inverno).
Dia 22 - Dia Consagrado aos Lares.
Dia 23 - Larentalia em honra a Larenta. Um festival no qual os sacerdotes de Quirinus celebravam ritos funerários na tumba de Acca Larentia, a loba que amamentou Romulo e Remo.
Dia 24 - O Festival da Saturnália termina.
25 - Dies Natalis Invicti Solis (aniversário do Deus Sol Invencível).