quinta-feira, 20 de outubro de 2022

A normalidade do bossal

Autor: Moisés Mendes.

Se Bolsonaro confessasse que já foi miliciano, que já pisou em imagens de Nossa Senhora Aparecida e que já comeu yanomami ensopado, não aconteceria nada.

Bolsonaro descobriu que a normalidade o prejudica. Quanto mais for identificado como uma aberração política e humana, mais se fortalece.

Por isso melhorou nas pesquisas depois de dizer que uma criança venezuelana havia se encantado por seu charme ou por sua boca de cobra.

No Datafolha, na semana passada, tinha 44% dos votos totais. Ganhou um ponto e está agora com 45%. Lula continua com os mesmos 49%.

Todas as pesquisas vão confirmando. Quanto menos humano for, mais o sujeito tem a aceitação de ricos e da classe média que o utilizam como cão de guarda de seus interesses, medos e frustrações.

E ainda conta com os pobres que se identificam com os ricos e dizem ter medo de ver suas igrejas invadidas e seus bens tomados pelo comunismo.

Nada mais tira votos de Bolsonaro. E nada mais acrescenta votos a Lula. Nem Simone Tebet, nem Henrique Meirelles, nem Xuxa. Nem Luciano Huck acrescentaria coisa alguma, se abrisse o voto para Lula.

Bolsonaro é o sujeito que deu certo como excrescência humana porque quase metade da população tem a mesma índole.

Bolsonaro é a criatura. O criador coletivo de Bolsonaro é o Brasil sem escrúpulos que não se incomoda com as confissões de um velho babão com boca de cobra.

Já foi dito, mas é preciso repetir. O sujeito não pediu desculpas por ter dito que as crianças venezuelanas eram prostitutas, ao gravar um vídeo com cara de arrependido.

Vamos relembrar que ele não insinuou que as meninas estavam se prostituindo, ele afirmou, ele assegurou que eram prostitutas.

O que ele insinuou naquela live foi que uma menina se sentiu atraída por sua boca de cobra.

É só ler o que ele disse agora, com a velha história de que foi mal interpretado.

“Se as minhas palavras, que, por má-fé, foram tiradas de contexto, de alguma forma foram mal entendidas ou provocaram algum constrangimento às nossas irmãs venezuelanas, peço desculpas”.

Ninguém tirou palavras de contexto. Não há nessa fala um pedido desculpas. E mesmo que houvesse, seria apenas para se livrar da acusação de pedofilia.

O sujeito com boca de cobra tentou enrolar, porque a enrolação é bem absorvida, sempre foi. O problema existiria se o pedido de desculpas fosse verdadeiro, aí sim ele perderia votos.

E o jornalismo continua devendo a grande reportagem sobre esse assédio.

Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/quanto-mais-desumano-mais-bolsonaro-se-fortalece-por-moises-mendes/

quarta-feira, 19 de outubro de 2022

A rainha acusada de bruxaria

Autora: Lydia Starbuck.

Rainhas e feitiçaria não são palavras que combinam. Nos livros e nos filmes, as bruxas são as mulheres malvadas que se interpõem no caminho das lindas princesas em busca de um final feliz. Na história da realeza, a feitiçaria era uma ferramenta para usar contra mulheres que de outra forma poderiam ser intocáveis. E várias das rainhas da Inglaterra se viram acusadas de serem bruxas em momentos em que os inimigos queriam desfazê-las e a seus maridos reais.

Pode ser apenas a mais breve das menções, mas associar a palavra 'bruxa' à reputação de uma mulher real era uma forma de prejudicá-la. A feitiçaria era punida com a morte e o menor sussurro dela em relação a uma rainha ou princesa poderia ser suficiente para começar a erosão de sua reputação real.

Portanto, não é surpresa encontrar o rótulo anexado a algumas das mulheres mais controversas da história inglesa para usar a coroa de consorte. E uma das rainhas mais comentadas que a Idade Média conheceu foi Isabel de Angoulême, descrita pelo famoso cronista Matthew Paris como "mais Jezabel do que Isabel". Para ser justo com Isabella, ela se casou com um rei controverso. Mas a esposa do rei John sabia como mexer as línguas e em um ponto aqueles que ela falava sussurravam que ela era uma bruxa.

Isabella provavelmente tinha cerca de doze anos quando se casou com João em 1200, logo depois que ele arrebatou o trono da Inglaterra com a morte de seu irmão, Ricardo I. Ela estava noiva de Hugo IX de Lusignan, mas sua família escolheu uma aliança para ela com o novo rei inglês em vez disso. Isabella foi descrita como uma verdadeira beleza, mas não foi apenas sua aparência que conquistou John – sua família foi uma ferramenta muito útil em suas batalhas francesas. Mas logo após sua chegada à Inglaterra, a reputação de Isabella foi atacada.

O rei João estava bastante interessado em sua jovem esposa e os cronistas a acusaram de atraí-lo para longe de seus deveres. Roger de Wendover afirmou que os problemas de John na Normandia tinham sido em parte culpa de sua rainha e essa palavra sinistra da Idade Média apareceu à vista. O rei John havia se distraído de suas campanhas normandas, afirmou o escritor, por causa de sua esposa. Roger comentou que "foi dito que ele estava apaixonado por bruxaria ". O rei pode ter gostado de sua esposa, mas os cronistas da época insinuaram que ela estava usando maneiras perversas para afastar o marido de seu dever.

A lama jogada em seu nome grudaria. Isabella nunca recuperou sua reputação, mas também fez pouco para ajudar a si mesma. Ela deu a John dois filhos e três filhas e quando ele morreu em 1216, tendo perdido sua coroa em Wash, foi Isabella quem forneceu seu menino de nove anos, Henry, com uma argola de ouro para sua coroação. Mas logo depois, ela se casou com o filho do homem que ela havia abandonado para se tornar uma rainha, embora esse Hugh estivesse noivo de sua própria filha, Joan. E ela ajudou a garantir que os filhos que ela teve com seu segundo marido ganhassem o favor de seu meio-irmão real, tanto que os cronistas notaram isso em termos negativos.

Isabella, linda e orgulhosa, terminaria seus dias nas paredes de uma abadia – mas esta não foi uma escolha gentil para a rainha viúva mal-humorada. Ela fugiu para lá para evitar problemas e possivelmente mais acusações de bruxaria.

Em 1241, Isabel e seu segundo marido tiveram que jurar fidelidade ao irmão do rei francês, Luís IX, e a mãe do monarca tratou sua convidada como uma condessa em vez de uma rainha viúva. Isabella teria ficado furiosa e se atirou para formar uma aliança contra Louis. Havia, é claro, muitas outras razões pelas quais Isabella e Hugh escolheram um caminho tão perigoso, mas a personalidade dessa rainha, cujo nome estava ligado à bruxaria tão cedo em sua vida pública, foi muito escrutinada.

Em 1244, dois cozinheiros que foram presos por suspeita de envenenar o rei Luís teriam confessado que Isabel os pagou. A rainha viúva não se arriscou e fugiu para a Abadia de Fontevraud, onde permaneceu pelo resto de sua vida. Escondida dentro de seu santuário, ela estava a salvo de seus inimigos e a salvo de suas línguas maliciosas. Ela morreu lá em 4 de junho de 1246.

Sua reputação quase não se recuperou nos séculos desde então. A escritora francesa, William de Nangis, disse que o fato de estar implicada na trama para envenenar Louis – independentemente de ela ter realmente participado ou não – mostrou o quão forte era sua personalidade. Isabella era obstinada, determinada e ambiciosa. Mas talvez o que sua história mostre também seja a facilidade com que um termo como "bruxaria" pode ser associado a uma mulher da realeza que estava fazendo inimigos.

Fonte (editada): https://royalcentral.co.uk/features/queens-and-witchcraft-isabella-of-angouleme-55244/

A inquisição bolsonarista

Autor: Fernando Brito.

Quem acha que é exagero dizer que há um processo de talibanização da fé religiosa promovido pelo bolsonarismo deve ler a reportagem de hoje da BBC News sobre o afastamento de fiéis, por expulsão ou decepção, que não concordam com a “pregação” do voto em Jair Bolsonaro em igrejas – não só evangélicas, mas também católicas – em todo o Brasil.

Um deles conta que o pastor ameaçou “queimar” quem, na igreja, votasse em Lula:

“Teve um culto em que o pastor chegou e falou que se o candidato Lula fosse eleito e fossem queimar as igrejas, ele ia mandar queimar primeiro quem votou nele. Isso não foi fora da igreja, não foi nos corredores, foi na frente da igreja toda”.

Outro, reunia pais e mães de jovens para dizer que, se estes fossem para a universidade pública, se transformariam em drogados ou em homossexuais.

O rosário de horrores é imenso.

Maior, porém, é o horror de uma país vai perdendo a capacidade de existir de forma civilizada.

Por isso, a caminho de talibanizar-se.

Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/a-inquisicao-bolsonarista-nas-igrejas-por-fernando-brito/

terça-feira, 18 de outubro de 2022

O problema em ex-planar

Baseado no texto de Andrew Hall.

Andrew pergunta:

Você passou por um Jesusplained? Se referindo a uma pessoa sendo assediada com Jesusplaining.

Um termo que, para ser traduzido, tem que ser explicado. A base vem de mansplainig, que seria algo como “explicação do homem”. Trata-se da tentativa de um homem de elucidar algo a uma mulher, sem considerar que ela já saiba – possivelmente até mais do que ele (apud, Revista Marie Claire).

Portanto, Jesusplaining é a tentativa de um cristão de elucidar sobre Cristo, Cristianismo e Bíblia a uma pessoa não cristã, sem considerar que ela saiba, possivelmente até mais do que ele.

Andrew estende o argumento, dizendo que tanto o mansplainig quanto o Jesusplaining são desenfreados nos EUA. Eu diria que Andrew está sendo provinciano, esse péssimo hábito entre os cristãos é muito comum em qualquer país onde o fundamentalismo cristão esteja presente.  Por exemplo, o Brasil.

Andrew prossegue:
O raciocínio deles é que se um ateu começa a duvidar do método científico e de sua própria experiência vivida, então talvez o incrédulo vire essa carranca de cabeça para baixo e se torne um seguidor de Cristo.

Infelizmente isso acontece. O curioso, ao menos no meu caso, é ver um ateu explicando o método científico, sem considerar que a outra pessoa saiba, provavelmente melhor do que ele. Então eu posso dizer que existe um Atheisplaining?

Eu farei uma paródia aos itens listados pelo Andrew.

1.Você nunca foi realmente um cristão.
Acredite, mas eu tive minha identidade como pagão questionada. Em algum lugar eu escrevi sobre minha experiência como ateu e, pasmem, teve quem duvidou e questionou.

2.Você só está com raiva de sua mãe e de mim.
Sim, cristãos conseguem ser um enorme inconveniente. Eu testemunhei a reação de um trabalhador cansado diante da insistência do cristão em pregar no meio do transporte público. Mas falemos de psicologia. Freud escreveu sobre a necessidade de matar a figura paternal. A base do ateísmo consiste na chamada síndrome de Édipo.

3.Você só quer pecar.
Oh, bem, as notícias estão cheias de padres e pastores cujos atos e palavras não são exatamente virtuosas. O pecado é o carro chefe do Cristianismo, sem ele, nada funciona. O equivalente, no ateísmo, é "você tem necessidade de acreditar".

4.O clero católico tem a mesma porcentagem de pedófilos que a população em geral.
Genésio se revirou no túmulo com esse tiro no pé. 
O problema é que o Cristianismo parte do pressuposto de ser moralmente superior. O equivalente, no ateísmo, é o pressuposto de que ateus são mais inteligentes.

5.Não há conflito entre o método científico e a fé.
Tem outra versão mais usada por ateus que é alegar que existe conflito entre religião e ciência.
Simplesmente ignorando a história da própria ciência, repleta de teóricos que possuíam algum tipo de religião. O ateu tem obsessão pelo método científico, mas o conhecimento humano tem outros métodos de conhecimento. O método científico tem um processo realmente prático, útil e objetivo, mas não responde as perguntas que nossa espécie faz desde que surgiu no mundo.

6.A liberdade religiosa significa que os cristãos são livres para lhe dizer o que fazer.
Sim, essa é a interpretação sofrível que o cristão fundamentalista faz da liberdade de religião. O similar, para o ateu, é a liberdade de expressão. O ateu se concede a liberdade de ofender a religião, qualquer uma, todas elas.

7.Deus ama a todos - mesmo aqueles que Ele está torturando para sempre no Inferno.
Eu creio que essa parte é uma mistura de frase dita por um cristão com a contestação dita por um ateu. Sim, a frase em si mesma é contraditória e confusa. O Deus Cristão pune por algo que fazemos pela natureza com a qual Ele nos deu criou. A punição eterna por um ato ou palavra que um homem tenha cometido em sua curta e efêmera vida é cruel e sádica. O que não explica nem justifica a choradeira do ateu quanto à dor e sofrimento, inerente à existência, mas curiosamente atribuídas e acusadas como obras do Deus Cristão.

8.Nós não somos gays. Somos irmãos em Cristo.
Sim, a homofobia está presente e atuante no fundamentalismo cristão. Costuma ser usada como ferramenta política e social, para incutir pânico moral e medo, com o único intento em angariar mais prosélitos. Não obstante, Richard Dawkins foi igualmente intolerante ao disseminar transfobia.

9.Você não pode ser moral se não acredita em Deus.
Desculpe se eu estiver sendo repetitivo. As notícias estão cheias de padres e pastores cujos atos e palavras não são exatamente virtuosas. Entretanto, considerando que o ateu adota o método científico e a premissa de que algo só existe se tiver evidência, fica estranho falar em moral, algo sem evidência e que foi criado pelos povos antigos, todos religiosos.

10.O segundo mandamento e a segunda emenda dizem exatamente a mesma coisa.
Essa parte deve ser algo bem americano. O segundo mandamento (que foi ditado ao povo de Israel, não ao mundo todo) é citado de duas maneiras: a) não terás outros deuses diante de mim; b) não farás imagens de esculturas. A segunda emenda à constituição dos EUA é o direito da população de garantir a legítima defesa, pelo porte e posse de arma. Algo necessário para o momento em que lutavam pela independência, mas tornou-se um problema nacional, com os constantes tiroteios vitimando pessoas inocentes. Nos EUA isso é explicável porque a "Terra da Liberdade" tornou-se o antro e berço do fundamentalismo cristão. Não é mero acaso ou coincidência que o presidente fascista genocida (que se identifica como cristão e conservador) defenda a adoção do American Way na liberação do posse e porte de armas. Eu não tenho o equivalente no ateísmo.

Fonte: https://onlysky.media/ahall/quiz-have-you-ever-been-jesusplained/
Traduzido com Google Tradutor.
Nota: eu traduzi "explain" como explanar para reforçar o sentido de tornar algo plano.

segunda-feira, 17 de outubro de 2022

Da adequação do panteão

Autor: John Beckett.

Recentemente, recebi duas perguntas sobre adoração e/ou trabalho com divindades de diferentes culturas.

Recebo perguntas como essas com bastante frequência. São perguntas boas e relevantes. Em vez de discuti-los isoladamente, acho que precisamos abordar a questão das divindades de diferentes culturas desde o início: da teologia à cultura e à prática.

Às vezes falo de “meus deuses” – Morrigan, Danu, Cernunnos. Outros eu honro e sirvo sem um relacionamento formal. Mas digo “meus deuses” da mesma forma que falo de “minha família” ou “meu país”. Nenhuma dessas pessoas ou coisas me pertence. Pelo contrário, eu pertenço a eles.

Deuses são pessoas individuais. Eles são os mais poderosos dos espíritos. Eles são pessoas soberanas com seu próprio arbítrio e vontade. Como eles frequentemente nos mostram em primeira mão, eles fazem o que querem, com quem querem, por suas próprias razões.

Os pagãos racistas e folclóricos que dizem às pessoas de cor “nossos deuses nunca te chamariam” estão colocando limitações humanas em seres divinos, e isso nunca acaba bem.

Ao mesmo tempo, a maioria dos Deuses estava originalmente ligada a grupos específicos de pessoas. Os deuses tinham pessoas. Essas pessoas encontraram seus deuses e contaram histórias sobre eles. Como sempre, quando os humanos falam sobre deuses, essas histórias dizem tanto sobre as pessoas que os contaram quanto sobre os deuses que encontraram. Para entender completamente essas histórias, devemos entender as pessoas que as contaram.
E isso nos leva à questão da cultura.

Onde termina a religião e começa a cultura? Isso pode ser difícil de dizer, especialmente para aqueles de nós que entendem que religião não é apenas sobre o que você acredita (uma ideia exclusiva do cristianismo protestante), mas sobre o que você faz e quem você é.

Religião – do latim religare , que significa unir – são as coisas sagradas que um grupo de pessoas tem em comum. É o que nos une e nos mantém juntos.

Uma religião é em parte um conjunto de protocolos e tecnologias para manter relacionamentos entre um grupo de pessoas e seus deuses. Quando olhamos para como as pessoas tradicionalmente interagem com seus deuses (novamente, “deles” significa que eles pertencem a esses deuses, não que esses deuses pertencem a eles), precisamos determinar quais partes desses protocolos são tecnologia (técnicas e métodos genéricos) e que partes são cultura (marcadores de identidade de um grupo de pessoas).
Estou muito mais preocupado com a autenticidade cultural: não finja ser algo que você não é.

Uma prática religiosa é um protocolo técnico para abordar uma divindade ou é apenas a maneira como um determinado grupo de pessoas em um determinado lugar e tempo se aproximou dessa divindade? Se for o primeiro, provavelmente é necessário seguir esse protocolo. Se for o segundo, fazer do seu jeito provavelmente é melhor.
Principalmente, faça o que você faz com respeito e autenticidade.

Quando as pessoas perguntam sobre adorar e trabalhar com várias divindades – sejam da mesma cultura ou de culturas diferentes – enfatizo a necessidade de ser totalmente dedicado a todas elas.

Nossos Deuses não são Deuses ciumentos . Na maioria das vezes, eles não se importam se adoramos, trabalhamos com ou trabalhamos para outras divindades – desde que consigam o que desejam.

Isso significa que raramente somos capazes de sintetizar nossa adoração. Para usar uma metáfora elétrica, é algo que fazemos em série, não em paralelo: um e depois o outro, não todos ao mesmo tempo.

Uma leitura simples das histórias que nossos ancestrais contavam sobre seus deuses deixa claro que alguns deuses não se dão bem com os outros.

Alguns deuses estão associados a culturas que são muito diferentes (ou seja, divindades do leste asiático e divindades do norte da Europa). Tentar adorá-Los juntos é, no mínimo, incongruente.

Você pode precisar configurar santuários e altares separados. Você provavelmente precisará adorá-Los em dias diferentes – certamente precisará observar os dias altos de cada Um separadamente. Dê a cada um o que Eles querem.

As experiências em primeira mão de muitos politeístas contemporâneos confirmam que esse tipo de cooperação e coordenação acontece com alguma regularidade. Se a Morrigan ou alguma outra divindade nos apontar na direção de outras divindades, podemos assumir com segurança que há uma boa razão para isso.

Esse fenômeno nos lembra que estamos praticando uma religião viva. A tradição de nossos ancestrais é um tesouro, mas o politeísmo pagão moderno está fundamentado em nossas próprias experiências contemporâneas de nossos Deuses. Eles podem falar conosco da mesma forma que falaram com nossos ancestrais – e falam.

E às vezes o que Eles nos dizem envolve trabalhar com Alguém totalmente inesperado.

Como acontece com muitas outras coisas quando se trata de nossas relações com nossos Deuses, os detalhes geralmente ficam complicados, mas o básico é simples.

Se você é chamado para uma divindade em particular ou se você os busca, comece com respeito. Ouça com atenção, não suponha nada e lembre-se de que está lidando com pessoas que são muito mais do que nós. Mostre-lhes a dignidade e a honra que merecem.

Para a maioria de nós, na maioria das vezes, eles não pedem muito. Algumas orações, algumas meditações, algumas oferendas. A ocasional tarefa prática que ajuda a promover Suas virtudes e valores neste mundo. O que eles pedem, devemos dar. A menos que não possamos, nesse caso cabe a nós explicar o porquê e oferecer o que pudermos em seu lugar. Principalmente, precisamos de dedicação para fazer o que dizemos que faremos.

Muitos de nós gostamos de enfatizar o poder e o poder de nossos Deuses e a seriedade de nosso serviço a Eles. Isso é uma coisa boa e necessária. Mas tanto as histórias de nossos ancestrais quanto nossa própria experiência demonstram que nossos Deuses nos amam . Trabalhar a partir de um lugar de amor é uma coisa muito boa.

Quando fazemos o que fazemos com respeito, dedicação e amor, é provável que estejamos no caminho certo.

Fonte (citado parcialmente): https://www.patheos.com/blogs/johnbeckett/2022/09/worshipping-deities-from-different-cultures.html
Traduzido com Google Tradutor.
Nota: eu cheguei a outra conclusão ao estudar a história, a antropologia e a etnologia dos povos antigos e suas religiões. Os Deuses antigos tinham um vínculo com a terra (ou região) e as pessoas que ali viviam. Em contato com outros povos e religiões, nossos ancestrais viam, interpretavam e comparavam esses Deuses com os deles (e muitas vezes viam semelhanças). Claro, o interessante é explorar o que consideramos ser "povo" e "terra".

domingo, 16 de outubro de 2022

A falha no ônus da prova

Recebi um e-mail com uma dúvida válida e também muito comum:

“Então, estou tão pronto para tomar um lado, mas simplesmente não consigo ver nenhuma diferença entre suas crenças e cristãos ou muçulmanos. Quero dizer, eles dizem “Ame seu senhor incondicionalmente e sob quaisquer circunstâncias” e você diz exatamente a mesma coisa!
Eu não sou uma criança, nem um ser humano desesperado, mas eu só preciso de UMA PROVA DA EXISTÊNCIA DE ALGO ! Eu não quero apenas “adorar”, as pessoas religiosas dizem que você só será capaz de sentir Deus depois de fazer o que eles mandarem.
Quero dizer, se eu tentar invocar um demônio e tiver sucesso, você dirá “eu avisei, é real” e se eu falhar, você dirá “não há poder psicológico suficiente! chakra insuficiente! a cor da sua vela estava errada!! ” outra forma da frase “Senhor trabalha de maneiras misteriosas”.
Desde já, obrigado ".

LOL, entendo sua frustração, mas a realidade funciona de uma maneira diferente do que você pensa. Você primeiro deve acreditar e depois experimentar, especialmente quando se trata de coisas místicas. Com coisas físicas é um pouco diferente, mas quando você esquece coisas básicas como gravidade e objetos batendo e olha para sistemas complexos como relacionamentos sociais, então você pode notar que as mesmas regras se aplicam como na religião. Pessoas diferentes acreditam em coisas diferentes sobre a vida e elas também CONSEGUEM COISAS DIFERENTES. De longe você pode pensar que porque eles já têm isso eles acreditam assim, mas não é assim que funciona.

Veja os livros de Donad Trump ou qualquer empresário de sucesso. Eles não estão falando sobre religião, mas eles falam sobre o que você DEVE PENSAR OU SENTIR sobre certas coisas. Pense grande, você merece isso ou aquilo, espere resultados, seja inteligente, etc. Essas palavras não dizem: olhe primeiro para a realidade e depois acredite. Essas palavras dizem: pense e faça realidade e depois olhe para ela (e acredite).

Você é o criador e para criar você deve estabelecer o que quer, como conseguir e então agir para conseguir. É assim que sempre funcionou. As pessoas que esperavam que a realidade fosse do jeito que elas querem ser tornam-se apenas frustradas.
Há um poder incrível nessa mudança de paradigma. Do seu ponto de vista, essas pessoas podem estar completamente erradas, mas obtêm RESULTADOS e mudam a realidade ao seu redor (realidade que é apenas para eles sentirem e experimentarem – todos nós vivemos em bolhas de convicção subjetivas). Se não, eles estão fazendo isso de maneira errada também. A religião pode ser um poderoso impulso, mas também uma razão pela qual você não pode seguir em frente. Depende do fato se você é usado pela religião ou está usando a religião? O mesmo se aplica ao governo, à economia, ao ambiente social, etc.

Mais uma vez, decida o que você quer, acredite nisso, faça.

Claro que ignorar a realidade também não é o caminho. Você vai falhar. O truque é ver a realidade, mas também ver o que você quer ver nela e encontrar maneiras de torná-la real. Normalmente, aqueles que se dizem realistas estão longe de ser reais – eles apenas usam a realidade como uma desculpa para serem impotentes. O fato é A ou B e por isso não posso fazer nada. Se você não é uma dessas pessoas com certeza conhece algumas… Elas só reclamam e têm motivos muito bons e reais para…

De volta à área da religião. Existe todo um mundo espiritual lá fora, mas você simplesmente não o vê e nunca o verá se insistir na regra de “provar primeiro”. O paradigma da ciência não se aplica ao misticismo. A religião não é e nunca será uma ciência, mas pode ser incrivelmente útil e poderosa. Funciona porque a realidade é mais complexa e o paradigma científico não pode abarcá-la. É por isso que a religião ou qualquer misticismo ainda estará lá – nossas mentes são mais do que simples neurônios e ondas de potencial elétrico. O reducionismo foi desmascarado nos anos 80 por muitos filósofos, porque a) relacionamentos em vários níveis são muitos para muitos e b) você não pode deduzir características de uma compilação de nível superior a partir de características de sua compilação. A atitude “Prove primeiro” é um filho obsoleto da abordagem reducionista.

Oh, eu me desviei do tópico religião novamente. Mais uma vez: uma vez que você se deixa acreditar que pode haver algo mais e sua curiosidade toma conta, com o tempo você encontrará provas secundárias (na vida dos outros), cada vez mais. Em algum momento (geralmente depois de anos), esses outros se tornam amigos íntimos ou membros da família, então o peso dessa “prova” será mais forte. Em algum momento você começará a experimentar as coisas por si mesmo. A princípio devagar e incidentalmente, mas depois de uma década ou duas você estará cheio de experiências que não pode provar a ninguém, mas que são verdadeiras para sua vida e você sabe que pode transmiti-las. É assim que funciona e foi assim que passei. Eu estava apenas curioso e acreditava e levei cerca de anos de estudo para perceber o quanto meus pontos de vista mudaram e como isso se transformou de crença em algo real.

No entanto, eu não sou um daqueles cabeças duras de religião impensadas. Eu questiono minhas crenças todos os dias. Eu mudo minhas convicções, elas crescem comigo e é isso que a espiritualidade deve ser. Não um conjunto de crenças rígidas (religião para rebanhos), mas uma forma dinâmica e em constante evolução de conhecer melhor a realidade, além da ciência, além das crenças comuns. Eu sou o explorador final, então não preciso esperar por provas ou que outros provem. Eu exploro a realidade criando-a e crença, fé ou qualquer nome que você der, é uma parte vital dela.

Fonte: https://zalbarath666.wordpress.com/my-beliefs/why-prove-first-approach-is-flawed/
Traduzido com Google Tradutor.

sábado, 15 de outubro de 2022

O guru do fundamentalismo

Autor: Marcelo Hailer.

Desde que a ex-ministra das Mulheres, Família e Direitos Humanos e senadora eleita Damares Alves (Republicanos-DF) ascendeu ao cenário político chamou atenção pela desenvoltura retórica e por falar, sem nenhum tipo de constrangimento, teses fundamentalistas e outra um tanto ficcionais, mas que possuem endereço certo.

Logo que assumiu o ministério da Família, viralizou o vídeo em que, acompanhada de seus pares, Damares vociferou que era o início "da era em que meninos vestem azul e meninas vestem rosa", declaração de ataque aos movimentos LGBT feministas.

Em outro momento, Damares falou do seu encontro com Jesus no pé de goiabeira. Com uma entonação que beira ao fanatismo religioso, a pastora, durante um culto evangélico, disse que viu Jesus em um pé de goiaba quando tentava tirar a própria vida com "veneno". "Ele era tão lindo", narrou 

Mais recentemente, Damares apresentou outra tese durante um culto evangélico de apoio ao presidente Bolsonaro que escandalizou a sociedade. Em sua fala, a senadora eleita afirmou que, quando ministra a Família, tomou conhecimento de um esquema de tráfico de bebês e crianças para uso sexual.

Entre outras afirmações, Damares disse que na Ilha de Marajó (PA) há um esquema de tráfico de “crianças nossas, brasileiras, de 4 anos, 3 anos, que quando cruzam as fronteiras, sequestradas, os seus dentinhos são arrancados para elas não morderem na hora do sexo oral”.

A partir daí surgiram uma série teorias sobre de onde Damares tira a sua inspiração para formular tais teses, entre elas de que a ex-ministra importa história do Q-Anon, movimento conspiracionista dos EUA, e também do 4Chan. No entanto, o pesquisador Ronilso Pacheco, pesquisador em teologia da Universidade de Columbia (EUA), explica que as teses de Damares vêm das "conspirações" teológicas-políticas do ultraconservadorismo evangélico".

Segundo Ronilso Pacheco, o principal influenciador de Damares é "o ativista evangélico de extrema-direita Julio Severo. Ele foi uma referência para muitas lideranças ultraconservadoras que abraçavam o discurso do medo e da necessidade de destruir o inimigo em nome de Deus".

"O ano é 2011, e Severo fez essa postagem no seu famoso blog: “uma menina grávida de 10 anos e outra de 12 foram levadas por suas mães para centros de religiões afro-brasileiras no RJ, onde permanecem internas aguardando o momento de sacrificarem seus bebês aos demônios”, conta Pacheco.

Falecido em 2011, Damares lamentou a morte de Julio Severo. "Ele faleceu em 2021, e a postagem de Damares Alves sobre ele e sua influência falam por si. Juntos, criavam as mais amedrontadoras histórias de rede de pedófilos, religiosos que sacrificavam crianças, esquerda abortista, perseguidores de cristãos e satanistas", explica o pesquisador.

"Damares não tirou essa história do Q-Anon. A única razão pela qual se chegou a essa conclusão é pela semelhança do teor das histórias. Quase sempre há crianças. Damares faz isso há pelo menos duas décadas. Na verdade, o Q-Anon bebeu da fonte que a forjou", finaliza Ronilso Pacheco.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/2022/10/14/damares-alves-saiba-quem-guru-das-teorias-das-conspiraes-difundidas-pela-ex-ministra-de-bolsonaro-124861.html