segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Tarcísio a favor da fuga

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/tarcisio-usa-prisao-de-jair-para-justificar-fuga-de-flavio-eu-nao-julgo/. 

Então, Tarcísio, governador eleito, conhecido por estimular a violência policial, está falando, em rede nacional, que é a favor da fuga de pessoas suspeitas e tendo que responder a um processo? 😏🤭 

Eu já imagino a Assessoria de Imprensa dizendo "não é bem assim". 🤭😏 

Escreva uma crônica em tom de humor e sarcasmo.

A fuga é feia — exceto quando convém ao discurso político
Há declarações que fazem a gente desconfiar de que a assessoria de imprensa de certos políticos não é um departamento de comunicação, mas uma unidade de pronto-socorro. O sujeito fala, a repercussão explode e, em questão de minutos, os assessores entram em estado de emergência, procurando desesperadamente uma interpretação alternativa para aquilo que o chefe acabou de dizer.

Eis que surge Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, disposto a nos proporcionar mais um desses momentos em que a política brasileira parece ter sido escrita por um roteirista de comédia que exagerou na dose de cafeína.

Segundo a notícia do Diário do Centro do Mundo, Tarcísio recorre à prisão de Jair Bolsonaro para justificar a situação de Flávio Bolsonaro, acrescentando a pérola: “Eu não julgo.”

Ah, que maravilha! A neutralidade moral finalmente encontrou seu garoto-propaganda.

O governador, conhecido pelas posições duras na área da segurança pública e pela defesa de uma atuação policial frequentemente criticada por seus efeitos letais, parece ter descoberto uma nova modalidade de tolerância: aquela que floresce quando o assunto envolve aliados políticos.

Para o cidadão comum, o discurso costuma ser bastante simples: cumpra a lei, respeite a autoridade, arque com as consequências. Dependendo da ocasião, vêm também as sirenes, os helicópteros e aquela retórica de que quem não deve não teme.

Mas, quando o assunto muda de endereço e chega à vizinhança política, eis que a dureza institucional parece ganhar um colchão de penas.

De repente, não é mais hora de julgar. É hora de compreender. De contextualizar. De ponderar. De lembrar que existem circunstâncias, sentimentos, dramas familiares e, quem sabe, Mercúrio retrógrado.

A lei continua a mesma. O que muda, aparentemente, é a disposição de alguns políticos para falar dela.

A assessoria de imprensa entra em campo
Imagino a cena nos bastidores do Palácio dos Bandeirantes.

O assessor recebe a notícia, lê a declaração, tira os óculos, respira fundo e pergunta ao colega:

— Ele disse mesmo que não julga a fuga?

— Disse.

— Mas ele aconselhou o sujeito a ficar no Brasil, não foi?

— Foi.

— Então temos alguma coisa para trabalhar. Vamos preparar uma nota dizendo que o governador não apoia fugas, apenas respeita a liberdade individual de pessoas que decidem fugir depois de receber conselhos para não fugir.

— Isso não fica contraditório?

— Meu filho, você trabalha com comunicação política. Contradição é quando o adversário faz. Quando é o nosso lado, chama-se contextualização.

E assim nasceria mais uma obra-prima da diplomacia partidária:

“O governador Tarcísio de Freitas reafirma seu compromisso com a legalidade e esclarece que sua declaração foi retirada de contexto. Ao afirmar que não julga a decisão de Flávio Bolsonaro, o governador não quis dizer que concorda com ela, embora compreenda os motivos que levaram o senador a tomá-la. O governador, aliás, recomendou que ele permanecesse no Brasil, o que demonstra que recomendar não fugir é perfeitamente compatível com não condenar a fuga.”

Pronto! Está resolvido. Podem fechar o departamento de crise e liberar o pessoal para o almoço.

O único problema é que a realidade tem o péssimo hábito de não colaborar com as notas oficiais.

Segundo as reportagens, Tarcísio afirmou ter aconselhado Flávio a permanecer no Brasil e recorrer à Justiça, mas disse compreender sua decisão de partir, mencionando a prisão do pai. O episódio envolve investigações e uma ordem judicial relativa aos passaportes do senador; as suspeitas investigadas não equivalem, por si só, a uma condenação.

E aqui chegamos à parte mais divertida — ou mais preocupante — dessa história.

Quando o discurso político transforma a aplicação da lei em perseguição sempre que o investigado pertence ao próprio grupo, a Justiça deixa de ser tratada como instituição e passa a ser apresentada como uma espécie de serviço de atendimento ao cliente: se a decisão agrada, é sinal de que as instituições funcionam; se desagrada, alguém precisa denunciar uma conspiração.

É uma lógica extraordinariamente conveniente. Principalmente para quem gosta de discursos rigorosos sobre ordem, disciplina e autoridade.

Porque a autoridade, convenhamos, é muito bonita quando está do nosso lado. Quando aparece para fazer perguntas inconvenientes aos nossos aliados, entretanto, já começa a parecer intimidação.

E Tarcísio, que construiu parte de sua imagem política em torno da segurança pública e da firmeza no combate ao crime, acaba diante de uma pergunta incômoda: qual é o valor do discurso da lei e da ordem quando a situação exige que um aliado político responda às autoridades?

Não é preciso condenar antecipadamente ninguém para fazer essa pergunta. Basta exigir coerência.

Afinal, aconselhar alguém a ficar no país e depois dizer que não julga sua partida pode ser perfeitamente compatível do ponto de vista pessoal. Politicamente, porém, a declaração abre espaço para uma bela sessão de malabarismo verbal.

E é justamente aí que entra a assessoria de imprensa, aquela instituição que merece adicional de insalubridade por trabalhar diariamente com declarações de políticos que parecem ter sido redigidas por seus adversários.

Já imagino o último parágrafo da nota oficial:

“O governador reitera que ninguém está acima da lei, mas ressalta que cada situação deve ser analisada em seu contexto específico.”

Traduzindo para o português das ruas: ninguém está acima da lei, desde que a lei não crie um problema grande demais para os nossos amigos.

😏🤭

E, se alguém perguntar se isso vale também para os cidadãos comuns, a assessoria responderá prontamente:

— Claro! Absolutamente! A lei vale para todos!

— Inclusive para os aliados do governador?

Silêncio.

— Alô? A ligação caiu?

Não. A ligação não caiu. Caiu apenas a ficha de que algumas frases ficam muito bonitas no palanque, mas passam por uma prova bem mais difícil quando precisam sobreviver ao contato com a realidade.

Criado com ChatGPT.

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