https://www.diariodocentrodomundo.com.br/tarcisio-usa-prisao-de-jair-para-justificar-fuga-de-flavio-eu-nao-julgo/.
Então, Tarcísio, governador eleito, conhecido por estimular a violência policial, está falando, em rede nacional, que é a favor da fuga de pessoas suspeitas e tendo que responder a um processo? 😏🤭
Eu já imagino a Assessoria de Imprensa dizendo "não é bem assim". 🤭😏
Escreva uma crônica em tom de humor e sarcasmo.
A fuga é feia — exceto quando convém ao discurso político
Há declarações que fazem a gente desconfiar de que a assessoria de imprensa de certos políticos não é um departamento de comunicação, mas uma unidade de pronto-socorro. O sujeito fala, a repercussão explode e, em questão de minutos, os assessores entram em estado de emergência, procurando desesperadamente uma interpretação alternativa para aquilo que o chefe acabou de dizer.
Eis que surge Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, disposto a nos proporcionar mais um desses momentos em que a política brasileira parece ter sido escrita por um roteirista de comédia que exagerou na dose de cafeína.
Segundo a notícia do Diário do Centro do Mundo, Tarcísio recorre à prisão de Jair Bolsonaro para justificar a situação de Flávio Bolsonaro, acrescentando a pérola: “Eu não julgo.”
Ah, que maravilha! A neutralidade moral finalmente encontrou seu garoto-propaganda.
O governador, conhecido pelas posições duras na área da segurança pública e pela defesa de uma atuação policial frequentemente criticada por seus efeitos letais, parece ter descoberto uma nova modalidade de tolerância: aquela que floresce quando o assunto envolve aliados políticos.
Para o cidadão comum, o discurso costuma ser bastante simples: cumpra a lei, respeite a autoridade, arque com as consequências. Dependendo da ocasião, vêm também as sirenes, os helicópteros e aquela retórica de que quem não deve não teme.
Mas, quando o assunto muda de endereço e chega à vizinhança política, eis que a dureza institucional parece ganhar um colchão de penas.
De repente, não é mais hora de julgar. É hora de compreender. De contextualizar. De ponderar. De lembrar que existem circunstâncias, sentimentos, dramas familiares e, quem sabe, Mercúrio retrógrado.
A lei continua a mesma. O que muda, aparentemente, é a disposição de alguns políticos para falar dela.
A assessoria de imprensa entra em campo
Imagino a cena nos bastidores do Palácio dos Bandeirantes.
O assessor recebe a notícia, lê a declaração, tira os óculos, respira fundo e pergunta ao colega:
— Ele disse mesmo que não julga a fuga?
— Disse.
— Mas ele aconselhou o sujeito a ficar no Brasil, não foi?
— Foi.
— Então temos alguma coisa para trabalhar. Vamos preparar uma nota dizendo que o governador não apoia fugas, apenas respeita a liberdade individual de pessoas que decidem fugir depois de receber conselhos para não fugir.
— Isso não fica contraditório?
— Meu filho, você trabalha com comunicação política. Contradição é quando o adversário faz. Quando é o nosso lado, chama-se contextualização.
E assim nasceria mais uma obra-prima da diplomacia partidária:
“O governador Tarcísio de Freitas reafirma seu compromisso com a legalidade e esclarece que sua declaração foi retirada de contexto. Ao afirmar que não julga a decisão de Flávio Bolsonaro, o governador não quis dizer que concorda com ela, embora compreenda os motivos que levaram o senador a tomá-la. O governador, aliás, recomendou que ele permanecesse no Brasil, o que demonstra que recomendar não fugir é perfeitamente compatível com não condenar a fuga.”
Pronto! Está resolvido. Podem fechar o departamento de crise e liberar o pessoal para o almoço.
O único problema é que a realidade tem o péssimo hábito de não colaborar com as notas oficiais.
Segundo as reportagens, Tarcísio afirmou ter aconselhado Flávio a permanecer no Brasil e recorrer à Justiça, mas disse compreender sua decisão de partir, mencionando a prisão do pai. O episódio envolve investigações e uma ordem judicial relativa aos passaportes do senador; as suspeitas investigadas não equivalem, por si só, a uma condenação.
E aqui chegamos à parte mais divertida — ou mais preocupante — dessa história.
Quando o discurso político transforma a aplicação da lei em perseguição sempre que o investigado pertence ao próprio grupo, a Justiça deixa de ser tratada como instituição e passa a ser apresentada como uma espécie de serviço de atendimento ao cliente: se a decisão agrada, é sinal de que as instituições funcionam; se desagrada, alguém precisa denunciar uma conspiração.
É uma lógica extraordinariamente conveniente. Principalmente para quem gosta de discursos rigorosos sobre ordem, disciplina e autoridade.
Porque a autoridade, convenhamos, é muito bonita quando está do nosso lado. Quando aparece para fazer perguntas inconvenientes aos nossos aliados, entretanto, já começa a parecer intimidação.
E Tarcísio, que construiu parte de sua imagem política em torno da segurança pública e da firmeza no combate ao crime, acaba diante de uma pergunta incômoda: qual é o valor do discurso da lei e da ordem quando a situação exige que um aliado político responda às autoridades?
Não é preciso condenar antecipadamente ninguém para fazer essa pergunta. Basta exigir coerência.
Afinal, aconselhar alguém a ficar no país e depois dizer que não julga sua partida pode ser perfeitamente compatível do ponto de vista pessoal. Politicamente, porém, a declaração abre espaço para uma bela sessão de malabarismo verbal.
E é justamente aí que entra a assessoria de imprensa, aquela instituição que merece adicional de insalubridade por trabalhar diariamente com declarações de políticos que parecem ter sido redigidas por seus adversários.
Já imagino o último parágrafo da nota oficial:
“O governador reitera que ninguém está acima da lei, mas ressalta que cada situação deve ser analisada em seu contexto específico.”
Traduzindo para o português das ruas: ninguém está acima da lei, desde que a lei não crie um problema grande demais para os nossos amigos.
😏🤭
E, se alguém perguntar se isso vale também para os cidadãos comuns, a assessoria responderá prontamente:
— Claro! Absolutamente! A lei vale para todos!
— Inclusive para os aliados do governador?
Silêncio.
— Alô? A ligação caiu?
Não. A ligação não caiu. Caiu apenas a ficha de que algumas frases ficam muito bonitas no palanque, mas passam por uma prova bem mais difícil quando precisam sobreviver ao contato com a realidade.
Criado com ChatGPT.
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