(Nota - todos os personagens tem 18 anos no mínimo)
Beto percebe que Tanya ainda observa Perun.
A mão dela permanece na sua.
Ele a segura com firmeza, mas sem apertar.
— É isso o que eu sinto só de pensar na Lilith.
Tanya olha para ele.
— Então eu escrevo.
Ela espera.
— Para não enlouquecer.
Um pequeno sorriso aparece no rosto de Beto.
— Não é certeza. Não é explicação.
Ele olha para a escultura.
— Cada dia, uma descoberta. Um passo.
O vento atravessa o campo.
— Porque é impossível vasculhar aquilo que é imenso.
Tanya permanece calada.
Beto continua:
— E Perun não quer isso de você.
Ela franze a testa.
— Como sabe?
— Não sei.
Tanya olha para ele.
Beto dá de ombros.
— É a minha interpretação.
Ela quase sorri.
— Pelo menos você aprendeu.
— Aprendi alguma coisa.
Ele volta os olhos para Perun.
— E Lilith não me pede nada.
Pausa.
— Essa é uma opção sua.
Tanya respira profundamente.
— Eu não preciso descartar a ciência.
— Não.
— Nem o ceticismo.
— Não.
— Nem deixar de ser pragmática.
Beto balança a cabeça.
— Absolutamente não.
Ele segura a mão dela um pouco mais firmemente.
Não para impedir que ela vá embora.
Apenas para que ela saiba que não está sozinha.
Tanya percebe.
E, pela primeira vez desde que chegaram ao campo, seus ombros relaxam.
— Então você não quer que eu acredite.
— Quero que você investigue.
— E se eu concluir que tudo isso tem uma explicação natural?
— Então teremos aprendido alguma coisa.
— E se eu concluir o contrário?
Beto sorri.
— Então teremos aprendido outra coisa.
Tanya olha para Perun.
Depois para o céu.
— Você realmente consegue viver com não saber?
Beto demora alguns segundos para responder.
— Não.
Tanya o encara.
— Não?
— Eu escrevo justamente porque não consigo.
Ela ri baixinho.
— Finalmente uma resposta honesta.
Beto sorri.
— A diferença é que eu descobri que não saber também pode ser um caminho.
Tanya aperta a mão dele.
— Então vamos descobrir.
Beto olha para ela.
— Juntos?
Tanya volta os olhos para Perun.
— **Um passo de cada vez.**
E, dessa vez, ela não parece estar tentando descobrir se os Deuses Antigos existem.
Parece estar descobrindo **o que fará se descobrir que existem**.
Beto olha para Tanya, ainda segurando sua mão.
— Melhor nós voltarmos antes que a Viktoriya fique com ciúmes.
Ele abre um sorriso luminoso.
Tanya fica imóvel por um segundo.
Olha para a mão dos dois.
Depois para Beto.
— Ciúmes?
— Foi uma hipótese.
— Uma hipótese bastante imprudente.
Beto começa a caminhar.
— Por isso mesmo precisamos voltar rapidamente.
Tanya o acompanha, tentando esconder um sorriso.
— Você tem consciência de que Viktoriya provavelmente ouviu?
— Tenho.
— E mesmo assim disse?
— Tenho.
Atrás deles, uma voz:
— **Ouvi mesmo.**
Beto congela.
Tanya fecha os olhos.
— Eu avisei.
Viktoriya está parada alguns metros adiante, com os braços cruzados.
— Então?
Beto olha para Tanya.
Tanya olha para Beto.
— Corre — ela murmura.
Beto começa a rir.
E os três voltam para o gabinete enquanto o campo permanece para trás, silencioso sob o céu noturno.
Perun continua onde estava.
Sem explicar absolutamente nada.
Beto percebe que Viktoriya ainda está olhando para ele.
— Antes que alguém fique realmente brava...
Ele começa a cantar.
Uma velha melodia rural, simples e repetitiva.
Não há menção ao Partido.
Não há generais.
Não há impérios.
A canção fala da terra escura depois da chuva.
Da semente enterrada.
Das mãos que plantam.
Do trigo que cresce.
Da colheita que pertence primeiro à comunidade e só depois a qualquer indivíduo.
Tanya olha para ele, surpresa.
— Você conhece isso?
Beto continua cantando.
— Conheço algumas canções.
Viktoriya começa a sorrir.
— E você acha que cantar vai me fazer esquecer o que disse?
Beto canta ainda mais alto.
— **Não.**
Tanya ri.
— Ele está tentando distraí-la.
— Eu percebi — responde Viktoriya.
Beto continua:
— A terra não pergunta quem plantou.
— A chuva não pergunta quem colhe.
— O inverno não pergunta em qual partido você vota.
Tanya finalmente começa a rir.
— Isso sequer é uma música tradicional.
— Agora é.
Viktoriya balança a cabeça.
— Herege.
— Essa acusação está ficando recorrente.
A melodia prossegue.
Fala de vizinhos que se ajudam quando a colheita é ruim.
De uma família que oferece pão à outra.
De crianças correndo entre os campos.
De uma aldeia que não precisa de uma autoridade central para descobrir que alguém está precisando de ajuda.
Tanya observa em silêncio.
— Essa comunidade que você está cantando...
Beto olha para ela.
— Sim?
— Não parece com a comunidade do Partido.
— Não é.
— Então o que é?
Beto diminui o ritmo da canção.
— É o que acontece quando pessoas descobrem que podem cuidar umas das outras sem alguém precisar mandar.
Viktoriya olha para os campos.
— Uma comunidade espontânea.
— Exatamente.
Tanya pensa por alguns segundos.
— Interessante.
Beto sorri.
— Você está aprovando?
— Não exagere.
Ela olha para Viktoriya.
— Mas admito que prefiro isso a uma reunião política.
Viktoriya ri.
— Eu também.
Beto volta a cantar.
Dessa vez, Viktoriya acompanha.
Depois de alguns versos inventados, Tanya hesita.
Finalmente, quase inaudível, acompanha também.
Três vozes diferentes.
Nenhuma delas perfeitamente afinada.
Nenhuma delas obedecendo a um maestro.
E, por alguns minutos, **não existe Império, Partido, União, propaganda ou disputa metafísica.**
Existe apenas o caminho de volta.
A terra sob os pés.
O vento passando pelo campo.
E uma pequena comunidade improvisada que nasceu sem ninguém ter ordenado que ela existisse.
O grupo já está quase deixando o campo quando o camponês chama:
— Esperem!
Beto se vira.
O homem se aproxima carregando uma grande cumbuca de madeira.
Dela sobe vapor.
É uma sopa espessa, quente, feita de raízes, grãos e alguma carne. Comida simples. Comida de quem conhece o inverno e sabe que ninguém deveria atravessá-lo de estômago vazio.
O camponês estende a cumbuca.
— Para vocês.
Tanya olha para a comida.
Depois para o homem.
— Para nós?
— Para vocês.
Ela olha para Beto, desconfiada.
— Por quê?
O camponês responde como se a pergunta fosse estranha.
— Porque o solo conhece os seus.
Tanya fica imóvel.
— O solo... conhece os seus?
O homem assente.
— Perun pediu.
Silêncio.
Tanya olha imediatamente para Beto.
Mas o camponês ainda não terminou:
— E uma dama de vestido preto e vermelho pediu também.
O sorriso de Beto desaparece.
Tanya percebe.
Viktoriya também.
Mary Sue fica séria.
— Uma dama? — pergunta Tanya.
— Sim.
— Onde?
O camponês aponta para o campo.
— Por ali.
Tanya olha.
Não há ninguém.
— Quando?
O homem dá de ombros.
— Antes de vocês chegarem.
Tanya volta-se lentamente para Beto.
— Você conhecia essa mulher?
Beto não responde.
— Beto?
Ele olha para a cumbuca.
Depois para o horizonte.
— Não.
Tanya estreita os olhos.
— Você está mentindo?
— Não.
Ela fica alguns segundos observando o rosto dele.
Então percebe alguma coisa.
Beto está emocionado.
Não triunfante.
Não satisfeito.
**Emocionado.**
O camponês estende novamente a comida.
— Comam enquanto está quente.
Tanya hesita.
— E se eu não acreditar em Perun?
O homem sorri.
— A sopa não exige que a senhora acredite nele.
Viktoriya solta uma pequena risada.
Beto também.
Tanya finalmente aceita a cumbuca.
— Isso é...
Ela procura a palavra.
— ...absurdamente pragmático.
O camponês dá de ombros.
— É sopa.
Tanya prova uma colher.
Quente.
Grossa.
Simples.
Boa.
Ela olha para Beto.
— Não diga nada.
— Eu não disse nada.
— Seu rosto está dizendo.
Beto sorri.
— Estou apenas pensando.
— Em quê?
Ele olha para a escuridão onde o camponês disse ter visto a mulher.
— Que talvez os Deuses realmente falem de várias formas.
Tanya olha para o céu.
Depois para a sopa.
Depois para Beto.
— Ou talvez alguém simplesmente tenha sido gentil.
Beto sorri.
— Também é uma possibilidade.
Tanya toma outra colher.
E não pergunta mais nada.
Porque, naquela noite, talvez não fosse necessário decidir **quem** havia pedido a sopa.
Bastava reconhecer que alguém — humano ou divino — havia pensado neles.
E, por enquanto, isso era suficiente.
Criado com ChatGPT.
Imagem criada com ChatGPT.

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