segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Defendendo o conteúdo adulto

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Vão jogar fora mais da metade da história do cinema. E o estúdio tem vínculo com uma instituição cristã. Novidade zero. O Cristianismo é a maior base para a repressão e opressão sexual. Escreva uma crônica crítica defendendo o conteúdo adulto na cultura. Por razões puramente humanitárias, evidente. 😏🤭

A melhor linha para essa crônica é justamente explorar a ironia: em nome da proteção das famílias, pretende-se construir uma cultura audiovisual na qual adultos aparentemente precisam ser protegidos da existência de adultos. 😏

E há uma distinção importante: a Angel Studios tem todo o direito de produzir filmes com os valores religiosos que deseja. O problema começa quando a preferência estética e moral de um grupo passa a ser apresentada como se fosse um padrão superior de qualidade artística.

Também vale uma precisão histórica: o cristianismo não inventou sozinho a repressão sexual, que existe em diferentes sociedades e tradições. Mas instituições cristãs tiveram um papel histórico imenso na construção e legitimação de mecanismos de controle da sexualidade no Ocidente. É uma crítica perfeitamente defensável.

Em defesa do sexo, da nudez e dos palavrões: uma contribuição humanitária para a sobrevivência do cinema

Existe uma curiosa tradição na história da humanidade: sempre que alguém decide que a sociedade está moralmente decadente, a primeira providência costuma ser vigiar o que os outros fazem com seus corpos, suas camas e suas bocas.

Aparentemente, a Angel Studios resolveu atualizar essa tradição para o século XXI.

A produtora anunciou o chamado The Angel Promise, um conjunto de diretrizes que proíbe cenas de sexo, nudez e determinadas expressões consideradas inadequadas em suas futuras produções audiovisuais. A justificativa é oferecer entretenimento alinhado a valores familiares e religiosos.

Naturalmente, cada empresa tem o direito de estabelecer suas próprias diretrizes editoriais. Ninguém é obrigado a produzir filmes com nudez, palavrões ou cenas de sexo. Da mesma maneira, ninguém é obrigado a assistir a essas produções.

Mas existe uma diferença considerável entre escolher não produzir determinado conteúdo e transformar sua ausência em uma espécie de certificado de superioridade moral.

Afinal, desde quando a presença de um corpo nu constitui um problema cinematográfico? Desde quando duas pessoas fazendo sexo, dentro do contexto de uma narrativa, representam necessariamente uma ameaça à civilização ocidental?

Se aplicássemos essa lógica retrospectivamente, precisaríamos realizar uma verdadeira operação de higienização na história do cinema.

Adeus, Último Tango em Paris. Adeus, O Império dos Sentidos. Adeus, Azul é a Cor Mais Quente. Adeus, Ninfomaníaca. Adeus a uma parcela considerável da filmografia de Pedro Almodóvar, Bernardo Bertolucci, Stanley Kubrick, Lars von Trier e tantos outros cineastas que compreenderam que sexualidade, desejo, intimidade e nudez também são elementos da experiência humana.

E não estamos falando exclusivamente de erotismo. Estamos falando de dramas, comédias, romances, filmes históricos, obras psicológicas e produções que utilizam a sexualidade para discutir poder, violência, vulnerabilidade, repressão, identidade e relações humanas.

O sexo não é um gênero cinematográfico. É uma dimensão da existência humana.

A nudez não é necessariamente uma provocação. Pode representar fragilidade, liberdade, naturalidade, intimidade ou simplesmente a realidade de um corpo humano.

E os palavrões? Bem, aparentemente, algumas pessoas ainda não descobriram que seres humanos não costumam conversar como personagens de comerciais de margarina.

A linguagem cinematográfica precisa ter liberdade para representar diferentes ambientes sociais, personagens e circunstâncias. Um criminoso, um soldado, uma pessoa desesperada ou alguém discutindo no meio da rua não precisa necessariamente utilizar o vocabulário de um professor de etiqueta.

Aliás, seria bastante interessante assistir a um filme de guerra no qual todos os soldados, mesmo diante de uma explosão, mantivessem uma linguagem impecavelmente educada.

— Meu Deus, cabo! Uma granada acaba de explodir ao nosso lado!

— Que situação desagradável, tenente!

Talvez seja o próximo grande sucesso da Angel Studios.

Mas existe uma questão mais profunda nessa discussão: a relação histórica entre religião, moralidade e controle da sexualidade.

Não é novidade que determinadas instituições cristãs desempenharam um papel central na repressão sexual no Ocidente. Durante séculos, diferentes autoridades religiosas contribuíram para estabelecer normas sobre casamento, desejo, prazer, reprodução, comportamento feminino e relações afetivas.

O corpo humano foi transformado em território de vigilância moral. O prazer, frequentemente apresentado como suspeito. A sexualidade, submetida a uma estrutura de culpa, pecado e disciplina.

Isso não significa que todos os cristãos pensem da mesma maneira, nem que toda tradição cristã tenha uma relação idêntica com essas questões. Existem comunidades religiosas que defendem liberdade, acolhimento e respeito à diversidade. Mas seria ingenuidade ignorar o peso histórico das instituições religiosas na construção dessas estruturas repressivas.

E o mais curioso é que essa preocupação seletiva com a pureza frequentemente conviveu com a tolerância a diferentes formas de violência, autoritarismo e desigualdade.

Pode-se mostrar uma guerra com centenas de cadáveres, mutilações e atrocidades, mas uma cena de intimidade entre dois adultos consensuais aparentemente representa um perigo muito maior para a família.

Pode-se transformar a violência em espetáculo, mas o corpo humano precisa permanecer cuidadosamente escondido.

É uma curiosa hierarquia de prioridades.

E aqui chegamos ao ponto fundamental: defender conteúdo adulto na cultura não significa defender pornografia indiscriminadamente, nem exigir que toda produção audiovisual apresente sexo, nudez ou linguagem explícita.

Significa defender a liberdade artística de abordar a experiência humana em sua complexidade.

Significa reconhecer que adultos são capazes de escolher o que desejam assistir, que classificações indicativas existem justamente para orientar o público e que pais podem estabelecer limites adequados para seus filhos sem exigir que toda a produção cultural seja adaptada às suas convicções particulares.

A proteção das crianças é importante. A liberdade de criação também.

Uma coisa não precisa destruir a outra.

O cinema não nasceu para funcionar como extensão de uma escola dominical, assim como não precisa funcionar como uma competição para descobrir quem consegue colocar mais nudez, violência ou palavrões em noventa minutos.

A qualidade de uma obra depende de sua capacidade narrativa, de suas escolhas estéticas, de sua interpretação da realidade e de sua contribuição artística. Não da quantidade de roupas que seus personagens vestem.

E, sinceramente, existe algo bastante preocupante na ideia de que uma produção cinematográfica precisa ser permanentemente submetida a filtros morais para ser considerada digna de distribuição.

A arte deve provocar, emocionar, incomodar, questionar, divertir e, eventualmente, escandalizar. Não precisa pedir autorização a um conselho de bons costumes antes de apresentar um personagem tomando banho.

Portanto, desejo muito sucesso à Angel Studios em sua empreitada. Que produza excelentes filmes dentro de suas convicções e encontre seu público.

Mas que não confunda sua liberdade de escolher o que produzir com qualquer autoridade moral sobre o restante da humanidade.

Quanto a mim, continuarei defendendo o direito de cineastas mostrarem corpos, desejos, intimidade e personagens que falam palavrões quando a narrativa exigir.

Não por qualquer interesse pessoal, evidentemente.

Minha preocupação é exclusivamente cultural, artística, histórica e humanitária.

Afinal, alguém precisa defender a dignidade dos adultos que desejam assistir a um filme sem que uma instituição religiosa fique fiscalizando quantas peças de roupa os personagens estão usando.

É uma causa nobre.

E, por razões puramente humanitárias, evidentemente, espero que o cinema continue bastante comprometido com a representação da anatomia humana.

A humanidade agradece.

A crônica também faz uma distinção que considero essencial: não precisamos gostar de todas as produções, mas precisamos preservar o direito de elas existirem. Liberdade artística não é obrigação de consumir conteúdo; é o direito de não deixar que uma moral particular determine os limites da imaginação coletiva. 😏

Criado com ChatGPT.

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