quarta-feira, 20 de julho de 2022

EUA aprova projeto que protege casamento LGBT

A Câmara dos Estados Unidos aprovou um projeto de lei para proteger os direitos do casamento LGBT+ e inter-racial. O texto, aprovado na terça-feira (19), foi apresentado na esteira da polêmica resultante de uma decisão da Suprema Corte que anulou o direito ao aborto e que pode levar a outras restrições sobre os direitos criticados por conservadores.

O projeto, aprovado por 267 votos a favor e 157 contra, prevê e estabelece proteções federais para o casamento igualitário e proíbe qualquer pessoa de negar a validade de uma união com base na cor de pele ou gênero do casal.

Apesar de aprovado pela Câmara, o projeto deverá enfrentar resistência de parlamentares conservadores no Senado.

Fonte: https://www.brasil247.com/mundo/camara-dos-eua-aprova-projeto-de-protecao-ao-casamento-lgbt-em-resposta-a-ataques-conservadores

terça-feira, 19 de julho de 2022

Os Montanistas

Autor: Leopoldo Costa

Também chamado de heresia frígia, ou Nova Profecia, foi  um movimento herético fundado no século II pelo profeta Montanus. Surgiu na comunidade cristã da Frígia, Ásia Menor, hoje parte da Turquia.

Posteriormente, chegou ao Ocidente, principalmente em Cartago sob a liderança de Tertuliano no século III. Quase sucumbiu nos séculos V e VI, embora alguns estudiosos indiquem que sobreviveu até o século IX.

Os escritos montanistas foram perdidos. As principais fontes para a história do movimento são a "Historia Eclesiástica" de Eusébio de Cesareia (História Eclesiástica) e, alguns textos de Tertuliano e Epifânio.

Eusébio, citando Apolinário de Hierápolis, relata que Montanus, era um recém convertido cristão de Ardabau, uma pequena aldeia da Frígia. Em 156 ele entrou em transe e sobre a influência do Espírito Santo, começou a profetizar. Ele conseguiu a adesão de duas mulheres, Prisca e Maximila, que também disseram ter recebido o Espírito Santo e começaram a fazer profecias. Eles começaram a viajar e propagar a seita. O movimento se expandiu pela Ásia Menor. Alguns textos indicam que várias cidades foram quase completamente convertidas ao Montanismo. Após o entusiasmo inicial ter diminuído, restaram como seguidores de Montanus apenas camponeses dos distritos rurais.

O princípio essencial do Montanismo era que o Paráclito, o Espírito Santo da verdade, a quem Jesus havia prometido no Evangelho de acordo com o evangelho de João, manifestou-se ao mundo através de Montanus e dos profetas e profetisas simpatizantes a ele. Isso não parecia, em primeiro lugar, negar as doutrinas da igreja ou atacar a autoridade dos bispos. Na época muitos profetas surgiram. Logo ficou claro, no entanto, que a profecia montanista era diferenciada. Eles induziam deliberadamente o êxtase e um estado de passividade entre os seguidores que afirmavam que as palavras que proferiram eram a voz do Espírito. Montanus também afirmava de ser a revelação final do Espírito Santo implicando assim que seus ensinamentos deveriam ser adicionados ao do próprio Cristo e dos Apóstolos para tornar-se uma doutrina mais completa.

Outro aspecto importante do Montanismo era a expectativa da segunda vinda do Messias, que se acreditava ser iminente. Essa crença não se limitou aos Montanistas, mas com eles tomou uma forma especial que deu suas atividades o caráter de um avivamento popular. Os Montanistas conclamaram todos os cristãos para se reunirem em Pepuza (Frígia) e prepararem-se para a segunda vinda do Messias. Eles acreditavam que a Jerusalém celestial logo desceria na Terra em uma planície próxima a vila.

Além do entusiasmo profético, o Montanismo pregava uma rigoroso procedimento. Propunha um rígido ascetismo, visando à preparação para o momento final, preceituando-se a castidade durante o casamento e proibindo-se as segundas núpcias. No plano alimentar instituiu-se o jejum durante duas semanas por ano e consumo de alimentos secos, sem o consumo de carne. Negavam a absolvição aos fiéis de pecados graves (mesmo após o batismo com confissão e arrependimento). As mulheres eram obrigadas ao uso de véu nas funções sagradas. Recomendava-se que os seguidores não fugissem às perseguições e que se oferecessem voluntariamente ao martírio.

Quando tornou-se evidente que a doutrina montanista era uma ameaça à igreja católica, os bispos da Ásia Menor se reuniram e finalmente decidiram em 177 excomungar os montanistas. Mantiveram o ministério cristão comum, mas impôs-lhe a obediência a patriarcas ortodoxos. O Montanismo continuou presente no Oriente até que uma severa legislação contra a seita editada pelo imperador Justiniano I (reinado 527-565) quase a extinguiu, porém alguns seguidores sobreviveram até o século IX.

O primeiro registro do Montanismo no Ocidente data-se de 177 e em 202 já havia um grupo de Montanistas em Roma. No entanto, foi em Cartago, no norte da África, que uma seita separada tornou-se importante. O convertido mais ilustre foi Tertuliano, que se interessou pelo Montanismo em 206 e finalmente abandonou a Igreja Católica em 212/213 para aderir a seita. Ele apoiava principalmente o rigor moral do movimento contra o que ele considerava de relaxamento moral dos bispos católicos. O Montanismo declinou no Ocidente no início do século V.

Fonte: https://stravaganzastravaganza.blogspot.com/2017/12/historia-das-heresias-montanismo.html

segunda-feira, 18 de julho de 2022

Presidente ataca instituições

Jair Bolsonaro voltou a espalhar mentiras, atacando as urnas eletrônicas durante reunião com embaixadores nesta segunda-feira, 18, no Palácio da Alvorada.

Ele baseou seu discurso no ataque hacker ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) durante as eleições de 2018. Segundo o chefe de governo, a Polícia Federal disse que os hackers poderiam alterar os dados fornecidos às urnas eletrônicas.

“Segundo o inquérito, os hackers ficaram oito meses nos computadores do TSE e, ao longo do inquérito, houve a conclusão de que eles poderiam alterar nome de candidatos, tirar fotos, transferir uma informação para outro. O próprio Tribunal Superior Eleitoral concluiu que há várias maneiras de se alterar o processo de votação”, disse Bolsonaro.

No entanto, o inquérito ao que o chefe de governo se refere não concluiu que houve fraude no sistema de votação em 2018 ou que os resultados das eleições foram adulterados. Segundo o TSE, o acesso dos hackers "não representou qualquer risco à integridade das eleições de 2018".

Bolsonaro também criticou os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin e Luís Roberto Barroso. O chefe de governo repetiu que Fachin foi responsável pela libertação do ex-presidente Lula, que lidera isolado as pesquisas de intenção de voto. Sobre Barroso, Bolsonaro disse que o ministro foi nomeado para o cargo por ter atuado no processo de extradição de Cesare Battisti.

https://www.brasil247.com/poder/ao-vivo-em-tv-publica-bolsonaro-usa-presidencia-para-mentir-a-embaixadores-sobre-urnas
Nota: ele pode alegar que foi em sentido figurado. E que seja dito: a Grande Mídia, os bancos e as empresas são cúmplices dessa traição.

Os Marcionitas

Autor: Cláudio Fernandes.

O Marcionismo, ou heresia Marcionita, foi uma seita que surgiu no século II, com Marcião de Sinope, e tinha por característica principal a rejeição ao Velho Testamento.

É sabido que o processo de expansão do cristianismo começou ainda no século I, tendo dois núcleos fundamentais: o judaico-cristão, praticamente circunscrito ao Oriente Médio, e o paulino e petrino (referente aos apóstolos Paulo e Pedro), de cunho mais universalista, que se direcionou para além do Oriente Médio e da Anatólia (atual Turquia), abrangendo todo o mundo helenístico e, sobretudo, o coração do Império Romano. As cartas apostólicas (de Pedro, Paulo, Tiago, Judas e João), os Evangelhos Canônicos e os chamados Atos dos Apóstolos são os principais documentos dessa época, chamada por alguns autores de Era Apostólica.

No contexto que sobreveio a essa era, a partir do século II, a Igreja Cristã Primitiva teve de lidar com as primeiras divergências no interior das interpretações canônicas. Essas divergências, ou dissidências, passaram a receber o nome de heresias (termo que provém do grego e significa “escolha” ou “opção deliberada”). Uma das mais famosas heresias foi a de Marcião de Sinope, que ficou conhecida como Marcionismo ou heresia Marcionita.

Marcião (85 a 150 d.C.), assim como a grande maioria dos cristãos daquela época, recebeu enorme influência das culturas que o circundavam, desde o judaísmo até a filosofia grega (e o helenismo), passando por outros sistemas culturais, como o persa. Essa última civilização, por meio do zoroastrismo (seita religiosa fundada pelo profeta Zoroastro, ou Zaratustra), também ofereceu ao cristianismo elementos para a compreensão teológica, que se deu por contraste, haja vista que, no sistema de Zaratustra, havia dois deuses, um bom e outro mau.

Dos quatro evangelhos canônicos, o único que não é sinótico, isto é, que não oferece uma sinopse (uma trajetória compactada e cronológica) da vida de Cristo, é o evangelho de João. O evangelista João, segundo alguns estudiosos, como Eric Voegelin, teve grande influência do pensamento religioso persa e, de forma ou de outra, acabou oferecendo fundamentos para doutrinas heréticas, como a de Marcião e de outros gnósticos. Nas palavras de Voegelin:

[…] o Evangelho de João, embora posterior ao de Lucas e Mateus, nada adianta sobre o nascimento e a juventude de Jesus, mas organiza a aparição de Cristo num drama cósmico. Num simbolismo claramente persa, o Logos estava com Deus e era ele mesmo divino; o Logos é o princípio da vida e a luz do homem. 'A luz brilha nas trevas mas as trevas não a apreenderam'. O mundo é uma luta entre as substâncias da Luz das Trevas.

Os dois deuses do zoroastrismo, Ormuzd e Ahriman, estão em disputa, como seres da Luz e das Trevas, respectivamente, isto é, como um deus da bondade e da verdade e outro da maldade e da mentira. Na compreensão de João, apesar de ser estritamente cristológica e nada herética, há muito da nomenclatura do zoroastrismo. Cristo é a encarnação da Luz, mas não é o vencedor definitivo das Trevas. Além disso, o termo satanás, ou satã, é de origem persa e significa o “acusador”, podendo ser identificado com Ahriman, o “príncipe deste mundo”. O Logos divino, segundo João, enviaria ainda, após a Ressurreição, a última manifestação da Luz, o chamado Paráclito, o Advogado ou Auxiliador.

Todo esse sistema teológico complexo montado por João influenciou decisivamente as primeiras gerações de pais da Igreja, mas também heréticos, como Marcião. Marcião, influenciado por João e pela tradição persa, acabou desenvolvendo a tese de que o Deus do Antigo Testamento não poderia ser o mesmo que Cristo, não poderia estar associado de nenhum modo à pessoa deste, haja vista que este era o Deus do Bem, enquanto aquele, do Mal.

Essa perspectiva Marcionita resultou na negação completa e absoluta do Antigo Testamento. Marcião elaborou seu próprio cânone sem conexão com as Escrituras judaicas. A esse respeito, Vogelin assinala:

Quanto às escrituras, Marcião rejeitou inteiramente o Antigo Testamento e criou um Cânone das escrituras, que consiste em um novo Evangelho, que ele mesmo compôs purgando o Evangelho de Lucas de seus elementos judaicos e as dez epístolas de Paulo. O cânone Marcionita transformou-se no modelo de construção do cânone da Grande Igreja: o Evangelho e as epístolas de Paulo substituíram a lei dos profetas.

O sistema de Marcião agregou uma grande legião de seguidores, mas acabou, com o tempo, sendo combatido por futuros doutores da Igreja, que assinalaram a conexão entre o Antigo e o Novo Testamento.

Fonte: https://brasilescola.uol.com.br/historiag/marcionismo.htm

domingo, 17 de julho de 2022

Acusadas, despidas e açoitadas

O Peru está investigando um caso chocante que aconteceu em um vilarejo remoto nos Andes. Sete mulheres foram submetidas a maus-tratos após terem sido acusadas de feitiçaria e forçadas a confessarem seus supostos atos de bruxaria.

Uma investigação foi aberta pelo Ministério Público do Peru ontem, 12, para averiguar como agiram os membros de "rondas camponesas" de vigilância, responsáveis por capturar e abusar das camponesas, que têm entre 43 e 70 anos de idade.

O caso veio a tona depois que um vídeo registrando uma mulher despida, pendurada por um pé, sendo açoitada para que confessasse seus “atos de feitiçaria” passou a circular pelas redes sociais e fez com que as autoridades fossem acionadas.

Segundo a agência de notícias AFP, as vítimas, que viviam no vilarejo de Chillia, com 12 mil habitantes, situado a cerca de 700 km ao norte de Lima, foram libertadas ainda ontem com a intervenção das forças perunas na área.

“Foram retidas por [supostamente] praticar feitiçaria e acusadas pelo fato de que muitas pessoas [do vilarejo] perderam suas capacidades físicas e teriam perdido suas vidas”, disse a defensora pública Eliana Revollar.

Ela acrescentou: “Foram liberadas após firmar um documento no qual se comprometiam a não denunciar [os maus-tratos sofridos] e a não realizar feitiçaria”. Um homem também estava entre os detidos, mas não há evidências de que tenha sido torturado.

Pelo Twitter, o MP peruano informou que abriu uma "investigação de ofício pelo suposto crime contra a liberdade, com agravante” de "sete mulheres e um homem” que “foram libertados após serem detidos pelas rondas camponesas do distrito de Chillia".

As detenções aconteceram em 29 de junho pelas “rondas camponesas” no remoto vilarejo”. Esses grupos foram criados há quase meio século com o intuito de combater o roubo de gado nas áreas mais distantes do Peru e acabaram se voltando contra as incursões da guerrilha Sendero Luminoso, entre 1980 e 2000.

Fonte: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/historia-hoje/camponesas-acusadas-de-feiticaria-sao-despidas-e-acoitadas-em-vilarejo-no-peru.phtml

Os Nazarenos

Seita do cristianismo primitivo; parece ter abraçado todos aqueles cristãos que nasceram judeus e que não queriam nem podiam desistir de seu modo de vida judaico. Eles eram provavelmente os descendentes dos judeus-cristãos que fugiram para Pela antes de Tito destruir Jerusalém; depois, a maioria deles, como os essênios em tempos passados, com os quais tinham algumas características em comum, viveu nas terras desertas ao redor do mar Morto e, portanto, permaneceu fora de contato com o resto da cristandade.

Por muito tempo eles foram considerados cristãos irrepreensíveis, Epifânio ("Hæres." xxix.), que não sabia muito sobre eles, sendo o primeiro a classificá-los entre os hereges. Por que eles são tão classificados não é claro, pois eles são repreendidos em geral com nada mais do que com a judaização. Como havia muitos cristãos judaizantes naquela época, os nazarenos não podem ser claramente distinguidos das outras seitas. O conhecido tradutor da Bíblia, Símaco, por exemplo, é descrito como um cristão judaizante e um ebionita; enquanto seus seguidores, os Simaquianos, também são chamados de "Nazarenos" (Ambrosian, "Proem in Ep. ad Gal.", citado em Hilgenfeld, "Ketzergesch." p. 441). É especialmente difícil distinguir os nazarenos dos ebionitas. Jerônimo obteve o Evangelho segundo os hebreus (que, uma vez considerado como canônico, mais tarde foi classificado entre os apócrifos) diretamente dos nazarenos, mas ele atribuiu não apenas a eles, mas também aos Ebionitas ("Comm. in Matt." xii. 13). Este evangelho foi escrito em aramaico, não em hebraico, mas foi lido exclusivamente por aqueles nascidos judeus. Jerônimo cita também fragmentos da exposição nazarênica dos Profetas (por exemplo , de Is. viii. 23 [na LXX. ix. 1]). Estes são os únicos vestígios literários dos nazarenos; os remanescentes do Evangelho segundo os hebreus foram recentemente reunidos por Preuschen em "Antilegomena" (pp. 3-8, Giessen, 1901).

Jerônimo dá algumas informações definitivas sobre os pontos de vista dos nazarenos ("Ep. lxxxix. ad Augustinum").

Relato de Jerônimo.

"O que devo dizer dos Ebionitas que fingem ser cristãos? Hoje ainda existe entre os judeus em todas as sinagogas do Oriente uma heresia que é chamada de Minéias, e que ainda é condenada pelos fariseus; [ seus seguidores] são comumente chamados 'Nazarenos'; eles acreditam que Cristo, o filho de Deus, nasceu da Virgem Maria, e eles o consideram aquele que sofreu sob Pôncio Pilatos e subiu ao céu, e em quem nós também Mas enquanto eles fingem ser judeus e cristãos, eles não são nenhum dos dois."

Os nazarenos, então, reconheceram Jesus, embora pareça de referências ocasionais a eles que eles consideravam a lei mosaica obrigatória apenas para aqueles nascidos dentro do judaísmo, enquanto os Ebionitas consideravam esta lei obrigatória para todos os homens (Hipólito, "Comm. in Jes." e. 12). Os nazarenos, portanto, rejeitaram Paulo, o apóstolo dos gentios. Alguns declararam até que os nazarenos eram judeus, como, por exemplo, Teodoreto ("Hær. Fab." ii. 2: οἱ δὲ Ναζωραῖοι Ἰουδαῖοί εἰσι); que exaltaram Jesus como um homem justo, e que leram o Evangelho de Pedro; fragmentos deste Evangelho de Pedro foram preservados (Preuschen, lcpág. 13). Além dessas referências, Teodoreto, porém, comete o erro de confundir os Nazarenos e Ebionitas; ele é o último dos Padres da Igreja a se referir aos nazarenos, que provavelmente foram absorvidos no decorrer do século V em parte pelo Judaísmo e em parte pelo Cristianismo.

O termo "Minæans", que Jerônimo aplica aos nazarenos, lembra a palavra "min", freqüentemente usada na literatura rabínica para designar hereges, principalmente os cristãos que ainda seguem os costumes judaicos; os rabinos conheciam apenas judeus-cristãos, que eram Ebionitas ou Nazarenos. Daí eles aplicaram o nome "Noẓri" a todos os cristãos, este termo permanecendo na literatura judaica até o presente momento a designação para os cristãos. Os Padres da Igreja, Tertuliano, por exemplo ("Adversus Marcion." iv. 8), sabiam disso muito bem; e Epifânio e Jerônimo dizem de uma certa oração supostamente dirigida contra os cristãos que, embora os judeus digam "nazarenos", eles querem dizer "cristãos" ("JQR" v. 131). No Alcorão também os cristãos são chamados de "Al-Naṣara". O nome pode ser rastreado até Nazaré, local de nascimento de Jesus. Os mandæans ainda se designam como "Nasoraya"; e eles foram anteriormente incorretamente considerados como o remanescente dos nazarenos.

Fonte: https://jewishencyclopedia.com/articles/11393-nazarenes

sábado, 16 de julho de 2022

Mais de 90% querem

Pela Redação RBA.

A agenda conservadora do presidente Jair Bolsonaro (PL) estimula a tramitação de mais de 200 projetos no Congresso Nacional que tentam proibir a educação sexual e a discussão de gênero nas escolas. Mas uma pesquisa revela que a imensa maioria da população brasileira discorda da ofensiva do governo federal. Mais de 90% aprovam que temas relacionados à igualdade de gênero e educação sexual sejam abordados nas salas de aula.

De acordo com o levantamento Educação, Valores e Direitos, 70% dos brasileiros acreditam que a escola é mais preparada do que os pais para falar de temas como puberdade e sexualidade. A maioria, – 91% –, também avalia que a educação sexual ajuda a crianças e adolescentes identificar e se prevenir contra o abuso sexual. Os dados indicam que a população sabe que discutir esses temas na escola também é importante para combater violência e preconceitos.

O estudo é resultado do trabalho de coordenação do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec) e da organização Ação Educativa. Realizada pelo Instituto Datafolha, a pesquisa consultou 2.090 brasileiros de 16 anos ou mais, em 130 municípios do país, de 8 a 15 de março de 2022. Divulgado neste mês de julho, o levantamento tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

“A pesquisa traz muitas notícias boas para a gente. Ela mostra como é grande a compreensão da população sobre a função social da escola, como parte de uma rede de proteção das crianças e adolescentes e como é uma peça essencial para enfrentamento das desigualdades entre homens e mulheres no Brasil”, avalia a assessora da Ação Educativa, Bárbara Lopes em entrevista ao repórter Jô Miyagui, do Seu Jornal, da TVT. À reportagem, o diretor de pesquisa do Cenpec, Romualdo de Oliveira completa que esse é o aspecto mais importante da pesquisa, de mostrar que a sociedade brasileira compreende a necessidade de discutir esses assuntos na escola.

Os dados também mostram que 96% acham que as unidades de ensino devem oferecer informações sobre doenças sexualmente transmissíveis e como se prevenir à elas. Além disso, 93% também se declararam favoráveis à aula sobre como evitar uma gravidez indesejada. Para os especialistas, o brasileiro, a despeito das desinformações, entenderam que abordar sexualidade nas escolas não significa estimular crianças e adolescentes a iniciar uma vida sexual.

“Na verdade, o que estamos tentando trazer são elementos e instrumentos para que crianças, adolescentes e jovens possam exercer a sexualidade de uma forma mais segura e protegida. Para que elas saibam os limites, até onde estão dispostas a ir e até que ponto é preciso dar um basta”, explica Bárbara. “Nós compreendermos que existe na sociedade uma opressão da mulher e que é necessário se insurgir contra isso e combater a cultura do machismo e do estupro. Enfim, toda uma série de construções sociais opressivas que a escola tem condições de debater, informar as pessoas e formá-las na perspectiva de superar esse estado de coisa”, acrescenta o diretor de pesquisa.

De acordo com a pesquisa, as centenas de iniciativas para proibir o debate de gênero e a educação sexual nas escolas não tiveram apoio expressivo dos brasileiros. Mas elas parte de um grupo pequeno que é barulhento. Os pesquisadores concluem que a “grande mensagem” do estudo é de “respeito pela diversidade”. “A gente vê com a pesquisa que as pessoas entendem que o papel da escola vai muito além de ser conteudista. O papel da escola é de fato preparar para a cidadania e para enfrentar os nossos grandes problemas sociais, como as desigualdades sociais de gênero e raciais”, finaliza a assessora da Ação Educativa.

Fonte: https://www.redebrasilatual.com.br/educacao/2022/07/90-brasileiros-divergem-bolsonaro-aprovam-genero-educacao-sexual-escolas/