Antes da delegacia, esse tipo de crime raramente chegava aos registros oficiais, as vítimas sofriam caladas, por medo, vergonha ou desconhecimento. Ou seja, o aumento das denúncias de intolerância religiosa em Alagoas não é um sinal de agravamento é prova de que o Estado está presente.
Por trás das estatísticas, há histórias como a de Mãe Nadja Cabral, Ekedy de Oxum, artesã e presidente da Undeke Alagoas. Negra, mãe solo e avó, Nadja enfrentou preconceito dentro e fora de casa.
“Fui humilhada, agredida e excluída só por usar um turbante. Minha religião não é moeda de troca. Quem me ama precisa aceitar minha fé, meus turbantes e meu trabalho pelo meu povo”, desabafa.
Instalada no Complexo de Delegacias Especializadas (CODE), em Mangabeiras, a unidade reúne uma equipe multidisciplinar — policiais, psicólogos e assistentes sociais — voltada à investigação e ao atendimento humanizado.
A delegacia se tornou referência no Nordeste no combate à intolerância religiosa, ao racismo, à homofobia e a outras formas de violência contra minorias.
“Ela foi criada justamente para oferecer um espaço seguro, onde pessoas de religiões de matriz africana se sintam vistas e respeitadas. O aumento das denúncias mostra que há confiança no Estado e que as vítimas sabem que terão resposta”, afirma a delegada Rebeca Cordeiro.
O Governo agora amplia essa rede de proteção, articulando a Secretaria de Direitos Humanos, o Núcleo de Integridade da Informação e organizações da sociedade civil em novas ações de prevenção, educação e enfrentamento à desinformação religiosa — uma das principais fontes de preconceito no ambiente digital.
Para o secretário de Estado da Segurança Pública, Flávio Saraiva, o Governo de Alagoas assumiu o compromisso de proteger todas as formas de fé e expressão religiosa. “A criação da Delegacia Yalorixá Tia Marcelina representa mais do que uma estrutura policial — é um símbolo de respeito, acolhimento e coragem para transformar o silêncio em denúncia. Cada registro feito é uma voz que se levanta contra o preconceito e reafirma que, em Alagoas, a intolerância não tem espaço”, disse.
Relatos como o de Nadja inspiram campanhas e formações promovidas pelo Governo de Alagoas em escolas, comunidades e órgãos públicos — reforçando que combater a intolerância é educar para o respeito.
O secretário de Direitos Humanos, Marcelo Nascimento, confirmou que a criação da delegacia é uma vitória para todas as pessoas de matriz africana e população negra em geral, pois os crimes são motivados por preconceito religioso, racial e desinformação. “A delegacia garante o direito à liberdade de crença, que é assegurado pela Constituição, além de oferecer um canal oficial para denúncias e acolhimento de vítimas, combatendo assim o preconceito cruel e construindo uma sociedade mais inclusiva”.
A intolerância religiosa é crime, previsto na Lei nº 7.716/1989. O registro de ocorrência é essencial para que a Polícia Civil investigue e o Judiciário puna os responsáveis.
A Delegacia Yalorixá Tia Marcelina mantém canal permanente de denúncias e atendimento com sigilo e acolhimento garantidos.
Fonte: https://www.tnh1.com.br/noticia/nid/intolerancia-religiosa-apos-criacao-de-delegacia-numero-de-denuncias-triplica-em-alagoas/
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