sexta-feira, 8 de maio de 2015

As sacerdotisas da serpente e os antigos rituais sexuais

Mulheres vestidas com mantos escarlates, conduzindo rituais associados com serpentes, longe de olhares curiosos, servindo Inana [NB – Ishtar], a Deusa do amor, fertilidade e guerra. A cor de suas vestes era um simbolismo de seu poder, mas por que o sangue, em especial o sangue menstrual, parecia ser tão poderoso? Era pelo simples reconhecimento da nova vida que o ventre trazia? Ou este sangue tinha usos específicos?

O sangue tem sido parte de rituais de muitas religiões, desde a aurora do homem. Cristo afirmou que o sangue tem poder, mas por quê? Será que era por que este liquido nutritivo continha os encantamentos antigos?

O que a sociedade ocidental via como o Mal na forma de uma Mulher e de uma Serpente foi uma vez visto com a máxima veneração, ambas concedendo sabedoria e longevidade com todos que compartilhassem de suas essências. As sacerdotisas vestiam túnicas escarlates, a cor representando a fonte de seu poder e eram intituladas ‘hor’ (em grego, hieródulas), ou “muito amadas”, tendo influencia sobre reis e senhores nas terras que elas escolhiam habitar. Elas não ficavam casadas por toda vida, mas tinham filhos com diferentes reis e homens poderosos, assegurando alianças e proteções para seus descendentes. Talvez por causa desse comportamento nos relacionamentos que resultou que o significado de ‘hor’ tornou-se o que conhecemos hoje como “meretriz” [NB – ‘hor’ em inglês dá origem a whore e harlot]e a associação da cor escarlate com licenciosidade sexual e pecado.

Ao contrário das acusações que estas sacerdotisas estavam em prostituição ritualística, é mais provável que elas estavam no controle de suas escolhas de seus parceiros, junto com a alta sacerdotisa, que reencenava o casamento sagrado entre Dummuzi e Inana, com um jovem de sua escolha, uma vez ao ano, no equinócio de primavera. O mito de Inana deixa bem claro que ela não tinha vergonha em escolher amantes e os promovendo ao trono, suas sacerdotisas deviam seguir o exemplo.

Da Suméria ao Camboja, reis encenavam um ritual com a Deusa sob a ameaça de destruição do reino se o rei falhasse em sua obrigação. Este Casamento Sagrado [NB – Hiero Gamos] também conferia legitimidade ao seu reinado.

Como representantes do culto da Serpente, as mulheres certamente se asseguravam ao formarem alianças com homens poderosos e estabelecendo sua linhagem. Mas e quanto sua própria sociedade? Por que o sangue delas era reverenciado por aqueles que compartilhavam a mesma linhagem? Inana fazia parte do panteão sumeriano, identificado como sendo parte do culto da Serpente. Então as sacerdotisas tiveram origem dentro da sociedade sumeriana. Os Annunaki praticavam terapia hormonal, durante as batalhas os soldados bebiam o sangue de seus colegas abatidos, o que lhes dava a energia e a reidratação que precisavam. Originalmente os Annunaki bebiam o sangue menstrual das sacerdotisas, que se cria ter muitos nutrientes e continha a essência, que não apenas adiava a velhice, mas também os levava a um estado de consciência mais elevado. Durante as cerimônias do templo, as sacerdotisas também se excitavam, causando a liberação do fluído da glândula de Skene. Este fluído é plasma de sangue filtrado e também é uma fonte abundante de hormônios. Os Annunaki eram hábeis, então durante os rituais eles não bebiam a substância imediatamente, mas a destilavam.

Autora: Katrina Sisowath.

Fonte: Ancient Origins.

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