terça-feira, 30 de julho de 2024

Chapecó inconstitucional

O prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD-SC), no Oeste de Santa Catarina, sancionou a lei que proíbe pessoas transexuais de participarem de competições esportivas onde integram equipes diferentes do sexo biológico. A lei já está valendo.

Segundo a determinação, “Fica estabelecido o sexo biológico como critério exclusivo para definição de gênero em competições esportivas oficiais, amadoras ou profissionais públicas promovidas, ou apoiadas pela Administração Pública, no Município de Chapecó”. O texto diz ainda que é vedada a participação de atletas transgêneros em categorias que não correspondam à identificação de sexo atribuída no nascimento.

A indicação do sexo biológico pelo atleta deve ser realizada no ato de inscrição na competição esportiva. Sendo que o atleta transexual que não informar o sexo biológico à entidade de administração do desporto ou dos organizadores da competição desportiva oficial será multado.

A multa, se aplicada, será revertida para a Fundação de Esporte de Chapecó. A lei entrou em vigor no dia 25 de outubro.

Fonte: https://ndmais.com.br/cidadania/cidade-de-sc-proibe-atletas-trans-de-competirem-em-categorias-diferentes-do-sexo-biologico/

A Procuradoria Federal dos Direitos dos Cidadãos (PFDC), órgão do Ministério Público Federal (MPF), está em movimento para suspender uma lei municipal de Chapecó (SC) que impede a participação de pessoas trans em competições esportivas.

A lei, sancionada pelo prefeito João Rodrigues (PSD) no ano passado, estabelece o sexo biológico como único critério para a definição de gênero nas competições esportivas oficiais, amadoras ou profissionais promovidas pela administração pública.

Denominada “Lei da Justa Competição no Esporte”, a norma prevê multas e possíveis responsabilidades administrativas para atletas transgêneros que não informarem seu sexo biológico real aos organizadores das competições. Segundo os integrantes do Grupo de Trabalho LGBTQIA+ vinculado à PFDC, a lei extrapola a competência legislativa dos municípios conferida pela Constituição Federal, cabendo à União e aos estados legislar sobre normas gerais e suplementares.

Para a PFDC, a lei de Chapecó não observa os princípios estabelecidos pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) sobre a participação de atletas transgêneros, e fixa critérios que consideram transfóbicos, excludentes e estigmatizantes. Eles também apontam uma violação à autonomia das entidades desportivas para organizar suas competições, caracterizando uma intromissão estatal incompatível com o regramento constitucional.

Os procuradores do MPF argumentam que a manutenção de uma lei municipal de caráter discriminatório perpetua violências institucionais contra a população transgênero e propaga discursos que incentivam violência física e estrutural. Eles defendem a apresentação de uma ação com pedido de medida cautelar para suspender a eficácia da norma municipal e que esta seja declarada inconstitucional.

A representação foi encaminhada para análise do procurador-geral da República, Paulo Gonet, a quem caberá acionar o Supremo Tribunal Federal (STF).

Fonte: https://jornalrazao.com/geral/mpf-quer-derrubar-lei-de-chapeco-e-liberar-atletas-trans-em-competicoes-esportivas

segunda-feira, 29 de julho de 2024

ICMBio destrói terreiro

O Terreiro de Jarê Peji da Pedra Branca, localizado no Parque Nacional da Chapada Diamantina (Parna), é alvo de polêmica após lideranças locais e religiosas denunciarem que, no último domingo (21), o local ficou totalmente destruído por ações de agentes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Segundo a nota em que consta a denúncia, houve ainda a destruição de dez imóveis da comunidade do Curupati, em ação que “foi realizada sem diálogo com os moradores, nem notificações prévias, nem negociação com autoridades municipais”, diz o texto. Liderança religiosa do Jarê, Gilberto Tito de Araújo, conhecido como Damaré, relatou que recebeu a notícia de moradores da região e, ao chegar no local, encontrou a porteira quebrada.

A comunidade afirma que a ação feita pelo ICMBio foi um desrespeito que teve cunho racista, visto que, no mesmo terreno, havia uma construção, que serve de moradia, que permaneceu intacta. Ainda, destacaram que o local pertencia à família de Damaré há 45 anos, ou seja, é anterior ao Parna.

“Esta ação não só desconsiderou a história e os direitos da família de Damaré, mas também demonstrou um desrespeito flagrante pelas tradições e a religiosidade de uma comunidade que há décadas contribui para a diversidade cultural e espiritual do Brasil. A destruição do terreiro representa uma perda irreparável para a comunidade de Lençóis e para a cultura brasileira como um todo. Além da destruição de aproximadamente 15 casas em uma região que reside mais de 35 famílias”, diz trecho do texto.

A prefeitura da cidade pediu uma reunião com o responsável pelo parque e garantiu que o município não recebeu notificação sobre a ação. Também, ressaltou que irá exigir uma investigação rigorosa e a responsabilização dos agentes envolvidos.

A gestão do Parque Nacional da Chapada Diamantina disse que as ações de fiscalização tiveram o objetivo de coibir irregularidades ambientais dentro da unidade de conservação e que não tinha conhecimento sobre o Terreiro de Jarê Peji da Pedra Branca. “O que foi apontado posteriormente como um terreiro que teria sido demolido na ação de fiscalização foi um imóvel recém-construído e sem ocupantes, que externamente não diferia de outros imóveis do local”, disse em nota.

“O ICMBio reconhece os direitos das comunidades tradicionais residentes no interior do Parque Nacional. Havendo a intenção de construção de novas residências ou imóveis com finalidades religiosas pelas comunidades tradicionais no Parque Nacional elas podem ser autorizadas pelo ICMBio, como já ocorreu em outras ocasiões”, acrescentou.

Quanto aos imóveis da comunidade do Curupati, o órgão federal afirmou que, através de imagens de satélite, foram identificadas oito novas construções a partir do ano de 2020. No local, a equipe de fiscalização identificou que havia 16 construções em andamento ou recém-construídas.

“Nos casos em que havia pessoas residindo nas novas construções os responsáveis foram autuados e não ocorreu qualquer ação no sentido de remover os imóveis. Nos casos de imóveis em fase de construção ou finalizados sem ocupação e que foram construídos sem a autorização do ICMBio estes foram demolidos, o que é previsto na legislação ambiental”, finalizou.

Fonte: https://correio24horas.com.br/minha-bahia/liderancas-religiosas-denunciam-destruicao-de-terreiro-pelo-icmbio-na-chapada-diamantina-0724

Era para ser um dia de festa no coração da Chapada Diamantina, mas uma ação inesperada mudou os rumos do culto aos encantados. Cerca de 50 pessoas se preparavam para “bater jarê”, como a prática de saudar os caboclos e orixás é conhecida, quando agentes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) realizaram uma inspeção no terreiro de Pai Gil de Ogum. A ação, até então inédita, violou o sagrado: um assentamento de mais de 30 anos foi retirado do templo após ameaças de multa. O caso ocorreu na manhã do último sábado (20).

No mesmo final de semana em que fiscalizaram o terreiro de Pai Gil, agentes do ICMBio demoliram parte do terreiro Peji da Pedra Branca, em Lençóis. Os templos ficam dentro do Parque Nacional da Chapada Diamantina, na parte norte, e são de tradição jarê, que mescla elementos do candomblé, cristianismo e indígenas. A religião é exclusiva da Chapada e ganhou projeção nacional com o romance Torto Arado, publicado em 2019, pelo autor baiano Itamar Vieira Júnior.

Os relatos de quem estava no terreiro de Pai Gil no momento da operação dão dimensão do ocorrido. O grupo do ICMBio era composto por dez servidores, pelo menos. Alguns deles estavam encapuzados e carregavam armas brancas, como facão e machado. Com o pretexto de que fiscalizavam denúncias de desmatamento ilegal e ocupação irregular, foram autorizados, pelas lideranças do templo, a entrar no local.

“Eles pediram para dar uma olhada, explicaram que estavam trabalhando e que precisavam realizar a abordagem. Sem ser muito invasivos, eles entraram no quarto onde o pessoal fica de resguardo e perguntaram se era um dormitório. Foram até a casa principal e começaram a chamar atenção para algumas irregularidades, na visão deles, que poderiam gerar multas”, contou Layra Silva, filha da casa há 13 anos.

Um assentamento de mais de três décadas, que fazia parte da história do terreiro, foi a irregularidade apontada pelos agentes da autarquia federal. Com medo das ameaças de multa, os filhos da casa e lideranças decidiram despachar o sagrado. “O assentamento tinha 33 anos e foi um dos primeiros que o meu pai de santo fez. Eles disseram que, diante do que tinha, era crime, e que nós poderíamos ser multados. Tivemos que tirar esse fundamento da casa, infelizmente”, explicou Layra Silva.

O pai de santo o qual Layra se refere é Gildasio de Oliveira, o Pai Gil de Ogum, que morreu em 2021, aos 58 anos. Naquele ano, o CORREIO fez uma reportagem especial sobre o futuro do jarê, na Chapada Diamantina, após a morte de um de seus maiores líderes. Os religiosos não revelam quais objetos faziam parte do assentamento - é um segredo da casa.

Para as religiões de matriz africana, os assentamentos concentram a força espiritual de uma divindade. Os objetos simbólicos utilizados variam a depender da casa e do encantado que será saudado. Materiais de porcelana e barro, alimentos e animais estão entre os itens mais comuns.

“Foi doloroso ter que tirar o assentamento. É uma ação que pode prejudicar o terreiro, porque nosso pai de santo não está mais aqui para executar o fundamento da casa. O assentamento é o coração do terreiro”, lamentou a filha de Pai Gil de Ogum. Essa não foi a única ação que causou revolta entre os praticantes do jarê no Parque Nacional da Chapada, no último final de semana.

Se no terreiro de Pai Gil de Ogum os servidores do ICMBio encontraram a casa cheia, ao chegarem ao terreiro Peji da Pedra Branca, a situação foi diferente. Uma caminhada de 30 minutos separa os dois templos religiosos, mas, o segundo imóvel teve um destino trágico. O Pedra Branca estava vazio e não houve quem impedisse a demolição de quase sua totalidade. O caso é investigado pela Polícia Civil.

Em nota, o ICMBio disse que a operação de fiscalização dentro do Parque Nacional da Chapada Diamantina teve objetivo de apurar denúncias de desmatamentos e ocupações irregulares. O órgão afirma que 16 imóveis em construção ou construídos a partir de 2020 foram identificados na região do Curupaiti.

“Os imóveis de moradores antigos foram mantidos, assim como os imóveis recém-construídos que contavam com a presença de ocupantes, sendo que esses receberam apenas autuação. As construções não ocupadas e sem autorização foram demolidas, conforme prevê a legislação ambiental”, pontuou.

Um dos imóveis foi o terreiro Peji da Pedra Branca. O ICMBio afirmou que “os fiscais iniciaram a demolição porque não identificaram, do lado externo, sinais de que era um imóvel com fins religiosos”. “Assim que os objetos de caráter religioso foram identificados no imóvel, a operação foi imediatamente interrompida”, concluiu o órgão. Para o presidente da Associação Brasileira de Preservação da Cultura Afro-Ameríndia (AFA), Leonel Monteiro, a ação teve cunho racista.

Apenas uma parede da casa, que contém imagens religiosas, ficou de pé após a ação. O ICMBio lamentou os danos causados e deu início a uma apuração interna para analisar os fatos. Três caminhões e armas de caça foram apreendidos na ação, segundo o órgão, que também determinou o fechamento de duas serrarias e quatro sítios rurais. Os equipamentos estariam envolvidos com a extração ilegal de madeira.

Em nota, o Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) informou que "instaurou procedimento para cobrar do Poder Público a adoção de medidas eficazes voltadas ao reconhecimento formal da prática de Jarê enquanto patrimônio cultural e a implementação de um plano de salvaguarda no município". O procedimento foi instaurado pela Promotoria Regional Ambiental do Alto Paraguaçu, em colaboração com o Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente (Ceama) e do Núcleo de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural (Nudephac).

A ação dos agentes da autarquia vinculada ao Governo Federal surpreendeu os religiosos e a prefeitura de Lençóis, que não sabiam que a fiscalização seria feita. A gestão municipal solicitou esclareciementos ao ICMBio, além da realização de uma audiência pública, segundo Uilami Dejan, diretor de Promoção da Igualdade Racial do município. 

O Parque Nacional possui 152 mil hectares - o equivalente a mais de 140,7 mil campos de futebol. São mais de 38 trilhas de entrada que podem ser acessadas por seis municípios: Andaraí, Ibicoara, Itaetê, Lençóis, Mucugê e Palmeiras. Além das belezas naturais que atraem visitantes de todo o país, o parque abriga, ao menos, três terreiros de jarê.

É o que estima Sandoval Amorim, presidente da Associação dos Filhos de Santo do Palácio de Ogum e Caboclo Sete Serra. Ele é líder do terreiro homônimo, fundado em 1949, pelo seu pai, Pedro de Laura, uma das figuras mais importantes do jarê. O terreiro Palácio de Ogum também fica dentro do Parque Nacional. Segundo Sandoval, não há registros de ações como as que ocorreram no final de semana.

“Foi a primeira vez que fizeram uma ação como essa aqui. Chama atenção que o parque foi criado em 1985, muitos anos depois da função dos terreiros que existem aqui. Não tem justificativa nenhuma para esse tipo de ato, sem diálogo com a população”, disse Sandoval Amorim. O Palácio de Ogum foi fundado pelo seu pai em 1949, 36 anos antes da criação do equipamento de proteção ambiental. Já Mestre Damaré, líder do terreiro que foi destruído, afirmou que a terra pertence a sua família há mais de 40 anos. 

O Parque Nacional foi criado a partir de um decreto do presidente José Sarney, em 1985. Entre os objetivos da criação do equipamento estão a “preservação de recursos naturais e de estruturas de interesse histórico-cultural existentes na área”. O documento não faz menção aos terreiros que precedem a criação do parque.

Fonte: https://www.correio24horas.com.br/amp/minha-bahia/terreiro-de-jare-retira-assentamento-de-mais-de-30-anos-apos-ameacas-de-agentes-do-icmbio-0724

Clínica clandestina fechada

Em uma operação realizada no último domingo (22) pela equipe da Operação Segurança Presente, 42 homens foram resgatados de um centro de reabilitação clandestino, conhecido como Projeto Decav, localizado em um sítio em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro. A operação foi desencadeada após a fuga de dois internos, que abordaram policiais em patrulha e denunciaram condições desumanas e maus-tratos.

O major Fagner Souza, coordenador da operação, revelou que os policiais foram até o local e confirmaram a veracidade das denúncias. “Os policiais foram recebidos pelo responsável pelo centro, que se intitulava pastor Omar Bernardo da Costa, e constataram o cenário insalubre no local. Confirmou-se a denúncia de maus-tratos. A situação era deplorável”, afirmou o militar.

Durante a inspeção, as autoridades constataram que o local não possuía condições adequadas para a reabilitação de dependentes químicos, com falta de profissionais capacitados e instalações insalubres. Os internos relataram receber pouca alimentação e de má qualidade, além de serem submetidos a castigos corporais, como surras, e interrupções frequentes do sono para orar.

Os homens eram obrigados a trabalhar sem remuneração em condições análogas à escravidão, sob a vigilância de três homens que atuavam como vigias, encarregados de manter a ordem e aplicar penas corporais.

O Projeto Decav não possuía autorização para funcionar como instituição de atendimento a dependentes químicos. Após a inspeção, o local foi interditado e o pastor Omar Bernardo da Costa, junto com os três vigias, foram encaminhados à 52ª Delegacia Policial (DP) e detidos pelo crime de cárcere privado.

A Delegacia de Assistência Social da Prefeitura de Nova Iguaçu foi acionada para prestar suporte aos internos, que foram levados a abrigos da prefeitura para tratamento adequado, e alguns retornaram para suas famílias. O caso agora está sob a responsabilidade do Ministério Público.

A descoberta do centro clandestino aconteceu após dois internos conseguirem escapar e relatar às autoridades as condições desumanas e o trabalho forçado a que eram submetidos. Eles também denunciaram que eram seguidos pelo suposto presidente do projeto, que dirigia um Hyundai Vera Cruz e costumava andar armado.

No local, os policiais encontraram dezenas de homens em condições sub-humanas e ouviram relatos de maus-tratos e exploração de trabalho. Além das punições físicas, como tapas na cara, os internos eram obrigados a orar durante a noite em intervalos de 40 minutos.

Com a ação, 36 pessoas foram resgatadas e encaminhadas para um abrigo pela Secretaria Municipal de Assistência Social de Nova Iguaçu, enquanto outras seis optaram por não ir para o abrigo. Rádios comunicadores e cadernos de anotações foram apreendidos pelas autoridades durante a operação.

A Operação Segurança Presente destacou a importância das denúncias e do trabalho conjunto entre as forças de segurança e os serviços sociais para combater violações dos direitos humanos e oferecer assistência adequada às vítimas.

Fonte: https://revistaforum.com.br/brasil/sudeste/2024/7/24/pastor-preso-42-homens-so-resgatados-de-clinica-de-reabilitao-ilegal-162686.html

Com uma ajuda da Simone

Há falas do passado que, ao serem relidas, nos causam um profundo desconforto. Em 2011, ao comentar o incidente no Pantheacon, eu escrevi palavras que hoje não me representam: a tentativa de definir o "ser mulher" através de critérios puramente biológicos como útero ou hormônios.

Como escritor e pagão, acredito que a estagnação é a morte da alma. Por isso, venho a público não apenas para corrigir um texto, mas para compartilhar o caminho que me trouxe até aqui.

O Devir de Beauvoir e a Realidade da Alma

Simone de Beauvoir nos ensinou que "não se nasce mulher, torna-se mulher". Embora eu questione sua visão datada sobre a origem da homossexualidade, sua máxima sobre o gênero permanece como um pilar de libertação. Tornar-se mulher é uma construção existencial, social e, no nosso contexto, espiritual.

Através de muito estudo e vivência, compreendi que a natureza não é binária. A existência de pessoas intersexuais e a jornada das pessoas transgênero são provas de que o Sagrado se manifesta em infinitas formas. Se a medicina hoje permite que o corpo reflita a verdade da mente, isso é um triunfo da vontade humana sobre a limitação da carne.

Lilith e o Labirinto dos Arquétipos

Lembro-me de uma antiga mentora que dizia que ninguém compreende Lilith totalmente. Ela muitas vezes é reduzida a conceitos deturpados ou simplistas. Mas, se Lilith é a primeira mulher a reivindicar igualdade e autonomia, como poderíamos excluí-la de qualquer corpo que pulse com esse mesmo desejo de liberdade?

O erro no Pantheacon foi meu também, ao tentar justificar a exclusão sob o manto da "tradição". Hoje vejo que as deidades que cultuamos — muitas delas andróginas, transgêneras ou hermafroditas — celebram a quebra de padrões rígidos.

Uma Nova Atitude

Minha retratação é direta: Mulheres transgênero são mulheres. Elas são bem-vindas, necessárias e sagradas em nossa comunidade.

Se você encontrar portas fechadas em grupos que se apegam ao passado, não gaste sua energia tentando forçar a entrada em rituais que não vibram na mesma frequência que a sua. Existem inúmeras vertentes, covens e divindades prontas para te acolher.

O Paganismo que eu defendo hoje é inclusivo, diverso e apaixonado. E para aquelas que buscam não apenas um ritual, mas uma conexão verdadeira com quem entende e celebra essa pluralidade... bem, vocês sabem onde me encontrar. Meu blog, minha comunidade e até meus lençóis estão sempre abertos para a verdade de quem sabe quem é. 😏🤭😍

Postagem recriada com Gemini, do Google.

domingo, 28 de julho de 2024

Très drôle


Começaram as olimpíadas de Paris.
Mas não foram as sabotagens, a presença de Israel (Estado terrorista e genocida) nem a infestação de ratos que chamaram a atenção.

O que deixou os conservadores, os direitistas e fundamentalistas cristãos foi a representação da Santa Ceia por drag queens na abertura dos jogos.

A cena é uma representação artística feita por Leonardo da Vinci. Baseado em um trecho dos Evangelhos.
Curiosamente os cristãos ignoram as verdadeiras origens da lenda da Santa Ceia.
Lembrando que Cristo nasceu e cresceu como judeu. Lembrando que a cena tem referência ao Pessach, uma comemoração judaica com referência ao Êxodo do Povo de Israel. Lembrando que a origem das Olimpíadas vem da Grécia Antiga e era uma celebração religiosa ligada ao Helenismo.

Os mesmos cristãos que não vêem problema em atacar as religiões de tradição africana e outras crenças.

A pauta de costumes é usada como motivo para ações políticas. Sem falar que é uma forma de homofobia e transfobia disfarçada.

Talvez isso seja uma crítica tosca diante do fracasso da direita (alternativa ou extrema) na última eleição na França. Na mentalidade desses milicos cabeça de penico, a abertura dos jogos foi esse "horror" por que a França está governada pela Esquerda, ou por causa da "cultura woke", um conceito tão imbecil e sem sentido quanto o da "ideologia de gênero".

Mas para este pagão que vos escreve, quem ganhou a medalha de ouro foi o pessoal que rebatizou a mascote das Olimpíadas como "clitorito".😏🤭

A rede incel e neonazi

Nos últimos anos temos acompanhado o crescimento de células neonazistas na internet que funcionam de forma diferente dos tradicionais grupos defensores de semelhantes ideias. São verdadeiras redes de ódio que contam com perfis de alto alcance nas redes sociais, fóruns de discussão abertos e fechados, além de uma miríade de perfis médios e pequenos que protagonizam os ataques, ameaças e apologias logo que os grandes soltam os chamados “apitos de cachorro”.

Ao contrário da antiga intelectualidade integralista ou dos bombadões tatuados oriundos de gangues, esses novos neonazistas são aparentemente mais frágeis. É comum que muitos desses perfis se identifiquem como jovens e adolescentes autointitulados “incels”, ou “celibatários involuntários” – o que demonstra suas dificuldades em relação ao sexo oposto que se transformam em misoginia.

Uma dessas redes de incels neonazistas tem coordenado ataques nas últimas semanas a uma série de perfis e influenciadores de esquerda no X, antigo Twitter. A Fórum entrevistou os responsáveis por dois desses perfis atacados, que detalharam os ataques e deram pistas de como funciona a dinâmica do grupo – ambos identificaram as mesmas práticas e procedimentos.

“Essa bolha de incels nazistas atua contra comunicadores de esquerda de uma forma geral e mudam de alvo conforme as coisas vão acontecendo nas redes. Ou seja, se uma pessoa faz algo que os incomode, passam a atacar. Já fui atacado, o Thiago Reis e o Lázaro Rosa também, e dezenas de outros comunicadores. Os ataques são coordenados, eles escolhem o alvo e então vem uma enxurrada de mensagens como forma de intimidar”, conta Vinícios Betiol, dono de um perfil pessoal no X, com seu nome verdadeiro, e mais de 150 mil seguidores.

Betiol diz que é comum, como no seu caso, a prática de ‘doxxing’. Em outras palavras, pesquisam dados pessoais do alvo, como endereços, vazam esses dados e passam a fazer ameaças de morte, estupro e violência de modo geral.

Por fim, Betiol relata que também utilizam fotos dos alvos para criar vídeos com técnicas de deep fake em que apareçam adornados com símbolos nazistas e proferindo discursos supremacistas. O interlocutor compartilhou alguns desses vídeos com a reportagem, e chama a atenção para uma peça em que manipulam a imagem de Marielle Franco deixando-a branca, loira, repleta de simbologias neonazistas e fazendo um discurso dessa natureza.

Antes de abordar os “procedimentos” para os ataques, é importante pontuar que o grupo utiliza uma espécie de código para evitar bloqueios nas plataformas e até mesmo eventuais processos judiciais. Tocando em miúdos, substituem os verbos problemáticos. “Matar” ou “executar”, nesse contexto, torna-se “resenhar”; já o verbo “estuprar” é trocado por “estudar”.

Betiol conta à reportagem que os ataques sempre começam quando um dos perfis grandes do grupo dispara uma mensagem tida como apito de cachorro, dando o sinal aos demais membros do ecossistema digital sobre quem é o alvo da vez.

A jovem responsável pelo perfil @maconhilda gravou um ‘spaces’ [espaço de chat por áudio na plataforma X] com a presença de diversos perfis dessa bolha e o compartilhou com a reportagem. Nele, um perfil identificado como “Felipe” (@Leme12) se mostra como uma espécie de liderança e aponta a existência de um grupo seleto e fechado por onde as atividades dessa rede de ódio seriam orquestradas.

Esse perfil é o mesmo que soltou um dos apitos de cachorro contra Betiol. Fazendo uma devassa nas suas postagens, é possível concluir que o operador do perfil se chame Felipe Leme. A identidade ainda não foi confirmada, mas encontramos algumas pistas.

A primeira delas são alguns artigos publicados pelo jornal A Razão, de Tijucas, Santa Catarina. É o mesmo veículo que em dezembro passado recebeu R$ 5 mil da deputada Júlia Zanatta (PL-SC) para publicar matérias elogiosas à parlamentar. O artigo fazia a ‘denúncia’ de que Leonel Radde (PT-RS) estaria “perseguindo cristãos” após os ditos “cristãos” atacarem a Arquidiocese de Porto Alegre por ter organizado um ato ecumênico e inter-religioso à época. Assinado por “Felipe Leme”, o artigo foi compartilhado nas redes tanto pelo jornal como pelo perfil @Leme12.

Fonte, citado parcialmente: https://revistaforum.com.br/brasil/sudeste/2024/7/25/exclusivo-como-atua-bolha-incel-neonazista-que-coordena-ataques-ameaas-perfis-de-esquerda-162733.html

The fear is over

I heard this everyday
Since the day I was born
"You are a sinner"

So I lived in guilty
Trying to understand
How can a baby can be a sinner

Day after day
From dust to dawn
I try hard to be right

But still
I heard this everyday
"You are a sinner"

You can be good
You can be nice
But you are a sinner

Then college days come
In the class of history
I heard about ancient times

There are other Gods
There are other beliefs
There are joy and happiness

There isn't shame
There isn't guilt
There isn't sin

That makes me wonder
Which is my origin
Which are my roots

To what Gods I belong
To what folks I belong
To what belief I belong

I realize then
I am a children of Gods
I born blessed

There is no sin
There is no Hell
The fear is over

In this night
Under the full moon
Under the oak

Would you like to join me?
Come and party with us
Come and meet your ancestors