quarta-feira, 3 de agosto de 2022

O projeto de teocracia no Brasil

Autor: Taurusan.

Nota prévia: este trata-se de um post feito no sub-reddit /r/Brasil, pelo utilizador /u/Taurusan, acerca da lógica de poder de algumas igrejas evangélicas no Brasil.

Nesse texto, pretendo expor de forma introdutória como há uma ameaça real e já em curso de formação de um Estado Teocrático no Brasil em que o executivo, legislativo e o judiciário (a nível municipal, estadual e federal) ficariam sob controle de pastores ou membros de igrejas evangélicas e que suas decisões seriam fundamentadas a partir de uma lógica religiosa e submetidas às diretrizes de suas respectivas igrejas.

Antes de expor a análise, é necessário esclarecer que por se falar em “evangélico” aqui se entende principalmente denominações pentecostais (como a Assembleia de Deus) e neopentecostais (Universal do Edir Macedo, Mundial do Valdemiro Santiago etc.). Evangélicos de missão (ou históricos) como luteranos, presbiterianos, entre outros são relativamente distintos em termos de doutrinas, perfil sociocultural e relação com a política quando comparados com neo/pentecostais (embora tenha ocorrido uma “pentecostalização” dessas denominações nas últimas décadas. Nota-se isso principalmente entre batistas).

A INTENÇÃO

Começamos a exposição pela Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), do Edir Macedo, porque ela é a principal personagem dessa história. É a que tem as intenções mais claras de tomada de poder, é uma das mais organizadas politicamente (a que iniciou uma atuação evangélica mais estruturada na década de 1990), com maior poder econômico e midiático, além de ser o grupo neopentecostal com mais fiéis no país.

Em 2008, Edir Macedo (em coautoria com Carlos Oliveira) publicou o livro “Plano de poder – Deus, os cristãos e a política”. No livro, Macedo afirma que Deus tem um plano político para os fiéis da IURD e para os evangélicos que sejam seus aliados: governar o Brasil.

Macedo diz que a “obra não se propõe à incitação de um regime teocrático. Até porque o Estado brasileiro é laico e a liberdade de crença é assegurada constitucionalmente”. Porém, nesses últimos quase 10 anos desde a publicação do livro, o que não falta são exemplos de violações à laicidade do Estado por parte de políticos evangélicos e, entre eles, de políticos ligados à Universal. Da mesma forma, a liberdade de crença assegurada constitucionalmente parece não existir nos discursos e ações de pastores da Universal quando se trata de religiões afro-brasileiras, de espíritas, ateus etc. Portanto, esta afirmação de Macedo não condiz com a realidade e é de esperar que a obra é sim uma incitação a um regime teocrático.

Além disso, na própria obra há diversos trechos que deixam isso claro. Macedo afirma que os cristãos devem participar do “projeto de nação idealizado por Deus para o Seu povo”. “[A Bíblia] não se restringe apenas à orientação da fé religiosa, mas também é um livro que sugere resistência, tomada e estabelecimento do poder político ou de governo […]”. Usando de um discurso maniqueísta bastante comum no meio neopentecostal (quem não está conosco está com o diabo), Macedo diz que “Existem os agentes do mal, que são aqueles que fazem oposição acirrada em vários sentidos — inclusive, ou principalmente, na política — aos representantes do bem”. Também afirma que “A potencialidade numérica dos evangélicos como eleitores pode decidir qualquer pleito eletivo, tanto no Legislativo, quanto no Executivo, em qualquer que seja o escalão, municipal, estadual ou federal”.

Quanto a outras denominações evangélicas, mesmo que não tenham – pelo menos, não de forma tão clara e organizada – um plano de poder como o da Universal, não escondem a intenção de estabelecerem uma nação regida pela moral cristã evangélica. Contudo, como essas outras igrejas (principalmente a Assembleia de Deus, maior denominação evangélica do país) tomam a Universal como modelo político a ser seguido, não é de se estranhar que outras denominações ou lideranças façam algo semelhante no futuro.

Uma última coisa a se mencionar é que essa intenção de domínio dos evangélicos num caráter antidemocrático, que vise impor a moral cristã ao Brasil está além de textos panfletários. Essa intenção está visível numa dimensão mais popular e abrangente, já inculcada na mentalidade dos fiéis e que pode ser melhor entendida a partir de uma expressão comum no universo evangélico: “O Brasil é do Senhor Jesus Cristo” (e suas variantes “tal cidade/estado é do Senhor Jesus”, “Feliz é a nação cujo o Deus é o Senhor”, sendo esta última um salmo). Essa expressão de “posse” de um território a determinada divindade e, consequentemente, a determinada religião, se sustenta, em parte, em uma característica inerente ao cristianismo e que tem sido uma das principais motivações para quase toda investida teocrática na história: o imperativo de converter todos ao cristianismo.

OS MEIOS

Os meios, as ferramentas para a instalação de uma teocracia evangélica no Brasil partem, particularmente, dos vastos poderes religioso, político, econômico e midiático dessas denominações.

Poder religioso / abrangência demográfica

Segundo o censo de 2010, 22,2% da população brasileira se declara evangélica. Um censo mais recente do Datafolha, de 2013, mostra que esse número já cresceu para 29%, sendo que 22% são neo/pentecostais. Portanto, há cerca 60 milhões de neo/pentecostais no Brasil.

Análises do perfil socioeconômico também mostram que estes milhões se encontram nas camadas mais pobres e menos escolarizadas do país, geralmente em contextos em que o poder público está totalmente ausente de suas vizinhanças e vidas. Somando-se a isso o fato de que uma estratégia de conversão comum no universo neo/pentecostal é atrair pessoas em situações de crise emocional, financeira, de saúde etc., o evangélico típico é um indivíduo de perfil manipulável e mais propenso a ser radicalizado. E considerando a participação política desses indivíduos, sabe-se que “eleitores evangélicos votam em seus pares, seus irmãos e pastores”.

Portanto, dezenas de milhões de brasileiros abertos à manipulação e radicalização prontos para votarem e apoiarem o que seus pastores sugerirem.

Poder econômico

Não é necessário se estender muito aqui, o poder econômico dessas igrejas é bem reconhecido. As principais lideranças religiosas neo/pentecostais são milionários e bilionários. Talvez, o que deixe mais claro, de forma sucinta, a dimensão desse poder é justamente o valor das riquezas das principais lideranças evangélicas do país divulgadas pela Forbes.

Vale ressaltar que Edir Macedo, por meio do grupo Record, também é dono de 49% de um banco, o Banco Renner.

Poder midiático

Mais uma vez, essa é outra dimensão de poder dessas igrejas bastante conhecida para qualquer brasileiro. E, também aqui, é a Universal que se destaca. Ela é dona da Rede Record, a segunda maior emissora no Brasil; o canal de notícias Record News; o jornal Folha Universal (circulação de mais de 2,5 milhões); a Rádio Record de São Paulo (que comanda um pool de outras 30 emissoras de rádio), a Rede Aleluia que possui 68 emissoras próprias; selos musicais. A Igreja Internacional da Graça de Deus, de R.R. Soares, ocupa o horário nobre da rede Bandeirantes, todas as noites, e conta também com uma concessão de televisão, a RIT (Rede Internacional de Televisão), que conta com 8 emissoras e mais de 170 retransmissoras. A Igreja Mundial do Poder de Deus, de Valdemiro Santiago, é dona da emissora Rede Mundial. A Igreja Apostólica Renascer em Cristo, de Estevan e Sônia Hernandes, opera várias emissoras de rádio em São Paulo e um canal de televisão, a Rede Gospel. Seria possível mencionar muitas outras igrejas, mas ficaremos apenas nessas.

Porém, a influência midiática das lideranças evangélicas tem ido além das tradicionais rádio e TV. Silas Malafaia, do ministério Vitória em Cristo, ligado à Assembleia de Deus, por exemplo, possui mais de 1 milhão e 300 mil seguidores no Twitter, além de 300 mil seguidores em seu canal no YouTube. Marco Feliciano, também ligado à Assembleia, tem meio milhão de seguidores no Twitter.

Poder político

Os evangélicos adentram a política nos anos 1980 e, desde então, só crescem em números e influência. Nos governos do PT, eles passam a ganhar papel de destaque nacionalmente e, no governo Temer, uma República Evangélica começa a ganhar seus contornos.

A força desse grupo se encontra particularmente no legislativo (municipal, estadual e federal), contudo, a tomada de cargos do executivo está em ascensão e é uma de suas estratégias políticas recentes, como será visto adiante. Em nível federal, a representação legislativa mais evidente deste grupo é a Frente Parlamentar Evangélica, conhecida popularmente como Bancada Evangélica. São 198 deputados e 4 senadores¹. Portanto, quase 40% dos deputados federais no Brasil pertencem à bancada Evangélica.

Adendo: Poder de coerção

Essa teocracia vem sendo gradualmente instalada no país por meio de atuação política e pressão popular, contudo, a possibilidade de criação de organizações evangélicas policialescas, paramilitares ou similares é possível, embora – por enquanto – ainda pareça pouco provável.

AS ESTRATÉGIAS

A professora da UFF, Christina Vital, que se dedica às relações entre evangélicos e política, em entrevista para a Folha de São Paulo, expõe algumas estratégias políticas recentes do evangélicos no intuito de estabelecer seu poder sobre o país:

Uma estratégia eleitoral de ocultação da identidade evangélica dos candidatos,
assumir cargos do executivo, com foco na presidência,
e assumindo a presidência, chegar ao Supremo Tribunal Federal.
Quanto à primeira estratégia, ela diz: “[…] eles adotaram um jogo de visibilidade e ocultação da identidade evangélica dos candidatos. Crivella não se registrou na Justiça como bispo Crivella, diferente do que fez o pastor Everaldo [candidato presidencial do PSC em 2014]”.

Quanto às segunda e terceira, ela afirma “[…] desde pelo menos 2014, há um investimento de importantes lideranças evangélicas em torno de unidade para ocupação dos Executivos”.

E nessa estratégia de chegar à presidência é que entra Jair Messias Bolsonaro:

Os evangélicos já ensaiaram a candidatura própria para presidente em 2014 com o Pastor Everaldo, no entanto, não teve muito sucesso. Isso está para mudar com o novo candidato dos evangélicos para 2018: Bolsonaro.

Bolsonaro, apesar de católico, é membro da Bancada Evangélica (há outros católicos também), assim como seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro. Porém, ano passado, Bolsonaro-pai foi batizado por ninguém menos que o Pastor Everaldo nas águas do Rio Jordão. Uma demonstração simbólica de aproximação com o eleitorado evangélico e com a alta cúpula (na época) dos políticos evangélicos.

E há uma declaração de Bolsonaro que deixa muito claro qual é sua opinião sobre a relação Estado/religião e quais suas intenções caso seja eleito Presidente da República. No início deste ano, ele disse:

– Deus acima de tudo. Não tem essa historinha de estado laico não. O estado é cristão e a minoria que for contra, que se mude. As minorias têm que se curvar para as maiorias.

A eleição de Bolsonaro seria a “cereja do bolo” nesse longo sonho de controle político da nação por parte dos evangélicos mais fundamentalistas, de se tornarem players do jogo político no país. Essa frase deixa clara a possibilidade da implementação de uma teocracia no país, apoiada por milhões de brasileiros radicalizados e um grupo cheio de poder político, econômico e midiático.

Se você se preocupa, acha possível uma ditadura militar no Brasil, uma teocracia evangélica é muito mais provável, porque ela já está em curso, é abertamente declarada e a cada ano se torna mais e mais real. É uma bomba prestes a explodir e destruir o que há de liberdades civis, políticas no Brasil… em nome de Deus! Essa é a maior ameaça antidemocrática nesse país.

Fonte (citado parcialmente): https://aventar.eu/2017/10/23/a-ameaca-de-uma-teocracia-evangelica-no-brasil-uma-analise-introdutoria/amp/
Nota: o artigo foi publicado há cinco anos atrás, mas continua verdadeiro e atual. Enquanto caminhamos para o pleito eleitoral, o atual presidente tem dado contínuas demonstrações de seu caráter fascista, neonazista, conservador e cristão fundamentalista.

O Sabelianismo

No cristianismo, sabelianismo (também conhecido como monoteísmo modalista, patripassianismo, unicismo, monarquianismo modal ou simplesmente modalismo) é a crença "unicista" de que Deus em sua unicidade se manifestou em carne e não em três pessoas distintas.

O termo sabelianismo deriva-se de Sabélio, um bispo do século III d.C. e defensor da tese. Ele foi um discípulo de Noeto, motivo pelo qual os seguidores desta crença são chamados nas fontes patrísticas de noecianos. Já em outras fontes o chamava de patripassianismo.

O sabelianismo histórico ensinava que Deus Pai era a única existência verdadeira de Deus, uma crença conhecida como monoteísmo absolutista. Um autor descreveu o ensinamento de Sabélio assim: A verdadeira questão, portanto, se torna esta, o que constitui o que chamamos de 'pessoa' na Divindade? É original, substancial, essencial à própria divindade? Ou é parte dos desenvolvimentos e formas de aparecer que a Divindade criou para si e para suas criaturas? A primeira opção, Sabélio negava. Esta última ele admitia completamente.

Os modalistas afirmam que o único número atribuído a Deus na Bíblia é "Um" e que não existe nenhuma trindade inerente atribuída a Deus explicitamente nas Escrituras. O número três nunca é mencionado na Bíblia com relação a três deuses, ou seja, "Deus pai, Deus filho e Deus Espirito Santo".

O numero três sempre aparece como manifestações da divindade, ou seja, Deus pai, o Filho de Deus (Único do gênero), e o Espirito Santo de Deus. Ex: Mateus 28:16-20 (chamado de "Grande Comissão), 2 Coríntios 13:14. A Comma Johanneum, é desacreditado por muitos académicos, esta é uma passagem considerada como interpolada em 1 João 5:7, onde não se encontra na maioria dos textos antigos e ficou conhecida principalmente pela tradução do rei James e em algumas versões do Textus Receptus e que não é incluída na maior parte das versões críticas modernas.

Já os trinitários acreditam que os três membros da Trindade estavam presentes como seres aparentemente distintos no batismo de Jesus e acreditam que há outras evidências nas escrituras para a crença trinitária (veja trinitarismo).

Modalismo tem sido principalmente associado com Sabélio, que ensinava uma forma dele em Roma no século III d.C. como um discípulo de Noeto e Práxeas.

Hipólito de Roma conheceu Sabélio pessoalmente e o mencionou na Philosophumena e sabia que Sabélio não gostava da teologia trinitária, mas ainda assim atribuiu a heresia à Calisto e Noeto, mas não a Sabélio, que ele diz ter sido pervertido. O sabelianismo foi adotado pelos cristãos da Cirenaica, a quem Demétrio, Patriarca de Alexandria escreveu cartas argumentando contra a crença [carece de fontes].

Acredita-se também que o termo grego homoousia ou "consubstancial", que era o favorito de Atanásio de Alexandria na controvérsia ariana, foi de fato um termo proposto por Sabélio e, por isso, era utilizado com ressalvas pelos seguidores de Atanásio. A objeção ao termo era a de que ele não existe nas escrituras e tem uma "tendência sabeliana".

O monarquianismo modal originou-se da influência da filosofia grega pagã, incluindo as teses de Euclides e Aristóteles, que baseavam sua lógica no monismo e nos argumentos aristotélicos sobre o conceito da energeia (energia) chamada metafísica. Como o conceito que a ontologia (também chamada de metafísica) podia ser reduzida ou para uma única substância detectável (chamada de teoria da substância) ou um único ser (o conceito do Absoluto), a lógica aristotélica foi a forma com que, ontologicamente (via metafísica), o filósofo helênico (pagão) Aristóteles pôde racionalizar para desconstruir a consciência humana, sua existência e o próprio ser para conseguir representar o seu ponto de vista da Mônade ou "unicidade" (unidade de todas as coisas), como unidade ou unicidade na "ideia" de Deus e a substância de Deus (ousia) como essência ou categoria universal acima do ser finito.

Modalismo é a ideia de Deus como esta única substância ou ser chamado em grego de ousia (São João Damasceno dá a seguinte definição do valor conceitual dos dois termos em sua dialética: Ousia é a coisa que existe por si própria e que não precisa de mais nada para sua consistência. Novamente, ousia é tudo que 'subsiste' por si e que não tem sua existência em outra coisa.). Esta ousia que então emana sequencialmente várias realidades infinitas (hypostasis) e não-criadas. Sabélio foi um dos primeiros teólogos cristãos que aplicou este raciocínio metafísico pagão (lógica aristotélica) no cristianismo. Ele tentou reduzir cada uma das hipóstases de Deus a simples "modos" da essência de Deus, uma única essência ou ousia, removendo assim qualquer distinção entre as existências de deus e a essência de Deus.

Posteriormente, estas realidades foram novamente representadas pelos filósofos não cristãos após o aparecimento do cristianismo, como o neo-platonismo que as representou como se amalgamando e fundindo uma na outra. Para Plotino, a Mônade ou Um (o dynamus, dunamis, potencial, potentia) e o Díade (criador, energeia, ato) ambos emanam a Tríade, Trindade (Espírito ou anima mundi). Plotino então reconciliando Aristóteles e Platão em suas obras, as Enéadas. Plotino ensina ainda que a energia ou ato tem que ter força ou potencial para emanar (dunamis ou potential definido como uma vitalidade indeterminada de acordo com A. H. Armstrong). Estas realidades se fundem em um mundo material (cosmos) ou Universo. Assim, Tomás de Aquino, em seu "Cinco Provas da Existência de Deus", inicia sua prova a partir de raciocínios de filósofos pagãos sobre a existência de um deus criador (demiurgo).

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Sabelianismo (citado parcialmente)

Salém perdoa a última bruxa

Autora: Maya Yang.
Demorou mais de três séculos, mas a última “bruxa” de Salem foi oficialmente perdoada.
Os legisladores de Massachusetts exoneraram formalmente Elizabeth Johnson Jr na quinta-feira, limpando seu nome 329 anos depois que ela foi condenada injustamente por feitiçaria em 1693 e sentenciada à morte no auge dos julgamentos das bruxas de Salem.
Johnson nunca foi executada, mas também não foi oficialmente perdoada como outros acusados ​​injustamente de bruxaria.
Os legisladores concordaram em reconsiderar seu caso no ano passado, depois que uma curiosa turma de educação cívica da oitava série do ensino médio de North Andover assumiu sua causa e pesquisou as medidas legislativas necessárias para limpar seu nome.
“Eles passaram a maior parte do ano trabalhando para obter este conjunto para a legislatura – realmente escrevendo um projeto de lei, escrevendo cartas para legisladores, criando apresentações, fazendo toda a pesquisa, analisando o testemunho real de Elizabeth Johnson, aprendendo mais sobre os julgamentos das bruxas de Salem. ”, disse a professora de North Andover, Carrie LaPierre, cujos alunos assumiram o projeto de pesquisa.
“Tornou-se bastante extenso para essas crianças”, acrescentou. Os estudantes então enviaram suas pesquisas para a senadora estadual Diana DiZoglio, democrata de Methuen.
A legislação subsequente introduzida por DiZoglio foi anexada a uma lei orçamentária e aprovada.
“Nunca seremos capazes de mudar o que aconteceu com vítimas como Elizabeth, mas pelo menos podemos esclarecer as coisas”, disse DiZoglio.
LaPierre ecoou as palavras de DiZoglio, dizendo: “Aprovar esta legislação será incrivelmente impactante em sua compreensão de quão importante é defender as pessoas que não podem defender a si mesmas e quão forte a voz delas realmente foram”.
Johnson é a última bruxa acusada a ser inocentado, de acordo com Witches of Massachusetts Bay, um grupo dedicado à história e tradição da caça às bruxas do século XVII. Não se sabe muito sobre ela, além do fato de que ela viveu em uma área que agora faz parte do norte de Andover e nunca se casou nem teve filhos.
“Por 300 anos, Elizabeth Johnson Jr ficou sem voz, sua história perdida com o passar do tempo”, disse a senadora estadual Joan Lovely, de Salem.
Vinte pessoas de Salem e cidades vizinhas foram mortas e centenas de outras acusadas durante um frenesi de injustiça puritana que começou em 1692, alimentado por superstições, medo de doenças e estranhos, bodes expiatórios e ciúmes mesquinhos. Dezenove foram enforcados e um homem foi esmagado até a morte por pedras.
Johnson tinha 22 anos quando foi apanhada na histeria dos julgamentos de bruxas e condenada à forca. Isso nunca aconteceu: então o governador William Phips jogou fora sua punição quando a magnitude dos erros grosseiros da justiça em Salem afundou.
Nos mais de três séculos que se seguiram, dezenas de suspeitos foram oficialmente inocentados, incluindo a própria mãe de Johnson, filha de um ministro cuja condenação acabou sendo revertida.
Mas, por algum motivo, o nome de Johnson não foi incluído em várias tentativas legislativas de esclarecer as coisas. Como ela não estava entre aqueles cujas convicções foram formalmente postas de lado, as dela ainda se mantinham tecnicamente.
Em 1712, Johnson apresentou uma petição de exoneração a um tribunal de Massachusetts, mas seu pedido nunca foi ouvido. Em 1957, Johnson foi novamente excluído de uma resolução legislativa que exonerou mais uma pessoa e se referiu a “certas outras pessoas”.
Quase 45 anos depois, quando a então governadora Jane Swift adicionou os nomes de mais cinco indivíduos à resolução, o nome de Johnson não foi incluído.
“A história e a luta de Elizabeth continuam a ressoar muito hoje”, disse DiZoglio. “Embora tenhamos percorrido um longo caminho desde os horrores dos julgamentos de bruxas, as mulheres de hoje ainda encontram seus direitos desafiados e preocupações descartadas”.
Fonte: https://www.theguardian.com/us-news/2022/may/27/last-salem-witch-pardoned-elizabeth-johnson-jr-massachusetts
Traduzido com Google Tradutor, com edição.
Nota: mesmo que ela fosse, não justificaria sua execução.

terça-feira, 2 de agosto de 2022

O Nestorianismo

O nestorianismo é uma doutrina cristológica proposta por Nestório, Patriarca de Constantinopla (428–431). A doutrina, que foi formada durante os estudos de Nestório sob Teodoro de Mopsuéstia na Escola de Antioquia, enfatiza a desunião entre as naturezas humana e divina de Jesus. Os ensinamentos de Nestório o colocaram em conflito com alguns dos mais proeminentes líderes da igreja antiga, principalmente Cirilo de Alexandria, que criticou-o particularmente por negar o título Teótoco ("Mãe de Deus") para a Virgem Maria. Nestório e seus ensinamentos foram condenados como heréticos no Primeiro Concílio de Éfeso em 431 e no Concílio de Calcedônia em 451, o que acabou por provocar o cisma nestoriano, no qual as igrejas que apoiavam Nestório deixaram o corpo da Igreja.

Porém, o crescimento da Igreja do Oriente no século VII e nos seguintes espalhou o nestorianismo por toda a Ásia. Há que se distinguir porém que nem todas as igrejas afiliadas com a Igreja do Oriente parecem ter seguido a cristologia nestoriana. A Igreja Assíria do Oriente, por exemplo, que reverencia Nestório, não segue a doutrina nestoriana histórica.

Nestório desenvolveu a sua cristologia como uma tentativa dedutiva e emocional de explicar e entender a encarnação do divino Logos, a segunda pessoa da Trindade, no homem Jesus Cristo. Ele estudou em Antioquia, onde seu mentor fora Teodoro de Mopsuéstia. Ele e outros teólogos da escola já vinham há muito tempo ensinando uma interpretação literal da Bíblia e enfatizavam a diferença entre as naturezas humana e divina de Jesus. Nestório levou consigo estas crenças quando foi apontado Patriarca de Constantinopla pelo imperador Teodósio II em 438

Os ensinamentos dele se tornaram então a raiz da controvérsia quando ele publicamente criticou o já tradicional título de Teótoco ("Mãe de Deus") para a Virgem Maria. Ele sugeriu que o título negava a humanidade plena de Cristo, argumentando que Jesus tinha duas naturezas vagamente relacionadas, a do divino Logos e a do humano Jesus. Assim, ele propôs o título Cristótoco ("Mãe de Cristo") como sendo mais adequado para Maria.

Os oponentes de Nestório acharam que este ensinamento estava muito próximo da já condenada heresia do adocionismo — a ideia que Cristo teria nascido um homem que foi depois "adotado" (escolhido) como filho de Deus. Nestório foi especialmente criticado por Cirilo, Patriarca de Alexandria, que argumentou que os ensinamentos de Nestório minavam a unidade entre as naturezas divina e humana de Cristo na Encarnação. Nestório por sua vez sempre insistiu que a sua visão seria a ortodoxa, mesmo depois que ela já tinha sido considerada herética pelo Concílio de Éfeso em 431, levando ao cisma nestoriano.

O Nestorianismo é uma forma de diofisismo e pode ser entendido como a antítese do monofisismo, que emergiu justamente como reação a ele. Enquanto o primeiro sustenta que Cristo teria duas naturezas vagamente unidas (divina e humana), o monofisismo contesta que ele teria apenas uma única natureza, a humana absorvida pela sua divindade. O monofisismo sobreviveu até hoje, transformado no miafisismo das modernas igrejas do oriente.

Nestorianismo se tornou uma seita distinta logo após o cisma nestoriano, iniciado na década de 430 Nestório tinha caído sobre o ataque dos teólogos ocidentais, principalmente Cirilo. Este tinha tanto motivos teológicos quanto políticos para atacar Nestório, uma vez que além de acreditar que ele estava incorreto em suas crenças, ele também queria enfraquecer o líder de um patriarcado competidor. Cirilo e Nestório pediram ao Papa Celestino I que interviesse no assunto e ele entendeu que o título Teótoco era ortodoxo, mas autorizou que ambos se desculpassem. Porém, Cirilo se utilizou esta opinião para atacar ainda mais Nestório, que acabou por solicitar ao imperador Teodósio II que convocasse um concílio para que todas as mágoas fossem endereçadas corretamente.

Em 431, Teodósio convocou o Primeiro Concílio de Éfeso. Porém, o concílio acabou finalmente ficando ao lado de Cirilo, defendendo que Cristo é uma pessoa divina que possui duas naturezas (uma divina e outra humana), e que a Virgem Maria é a mãe de Deus (Teótoco). O concílio também acusou Nestório de heresia e o depôs. O nestorianismo foi então oficialmente anatemizado, uma decisão posteriormente reforçada em Calcedônia em 451. Porém, uma quantidade de igrejas, principalmente as associadas com a Escola de Edessa, apoiaram Nestório — ainda que não necessariamente a sua doutrina completa — e se separaram das igrejas do ocidente. Após o cisma, muitos dos que apoiavam Nestório se mudaram para o Império Sassânida (Pérsia), onde eles se afiliaram às igrejas locais, conhecidas coletivamente como Igreja do Oriente.

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Nestorianismo (citado parcialmente)

Jornalismo e preconceito

Eu fiquei ressabiado quando eu soube que a HBO faria uma série sobre o assassinato de Daniela Perez. Primeiro, porque a Imprensa Brasileira é primaz em fazer sensacionalismo e em explorar a dor alheia (o que eu chamo de Imprensa Abutre). Segundo, que provavelmente o seriado vai ser usado (se assim o roteiro tocar no assunto) para fomentar o que eu chamo de "pânico satânico tupiniquim".

Eu lembro claramente a Imprensa fazer um escândalo sobre o suposto envolvimento do Guilherme de Pádua com magia negra e pacto satânico. Algo que foi feito em outros casos unicamente para ter mais audiência.

Então eu fiquei decepcionado quando o Diário do Centro do Mundo, pelas palavras de Kiko Nogueira, publicou uma matéria comparando os cultos conduzidos por Michele Bolsonaro com os rituais (de magia negra) que Rosane Collor fazia na residência oficial.

A renúncia de Collor, feita para evitar seu impeachment, teve motivos políticos, sociais e econômicos de sobra para seu ocaso, remexer nesse suposto envolvimento com magia negra apenas estimula o preconceito e a intolerância religiosa. Bola fora do Diário do Centro do Mundo.

segunda-feira, 1 de agosto de 2022

O Priscilianismo

O priscilianismo foi doutrina cristã pregada por Prisciliano, no século IV, com base nos ideais de austeridade e pobreza. Desenvolvida na Península Ibérica (a Hispânia romana), derivado de doutrinas gnóstico-maniqueísta ensinadas por Marcus, um egípcio de Mênfis, e, mais tarde considerado uma heresia pela Igreja Ortodoxa. Foi condenado como heresia no Primeiro Concílio de Braga em 563. Anteriormente, foi discutido no Concílio de Toledo em 400.

Após a execução de Prisciliano em 385, o movimento herético manteve-se em vigor durante ao menos dois séculos mais, como o demonstram os sucessivos concílios convocados para tratar o tema.

Imediatamente depois do processo de Tréveris, Magno Máximo, governador da Britannia, envia dois comissários a Hispânia para depurar as sedes episcopais de todo rasto de priscilianismo, iniciando-se uma cadeia de justiçamentos e deportações que acabaram por despertar as iras de setores da igreja oficial descontentes com o curso dos acontecimentos.

Martinho de Tours, Jerónimo de Estridão em Roma e Ambrósio de Milão representavam uma facção dentro do quadro de ortodoxos leais a Roma, que se opusera desde um princípio à ingerência imperial em assuntos eclesiásticos. São estes pais da Igreja, em especial Martinho, quem detêm o desproporcionado movimento itaciano, denominado assim pelo seu principal impulsionador, Itácio, o bispo de Ossónoba.

Em 388, Máximo foi derrotado e decapitado pelo imperador romano Teodósio, dos territórios Orientais, e a situação deu uma virada até o ponto de o próprio Itácio ser excomungado em 389 pela sua implicação direta no julgamento secular contra Prisciliano.

Naquele ano, segundo Sulpício Severo, vários discípulos viajam até Tréveris com a licença de Roma para exumar os restos do seu líder. À cabeça desta delegação encontrava-se Dictinio, autor de um dos poucos opúsculos priscilianistas dos quais se conhece a existência (embora não se conserve nenhum exemplar). Desse livro, intitulado Libra, conservam-se somente referências indiretas na obra de Santo Agostinho de Hipona Contra mendacium. Refere este autor que os priscilianistas consideram lícito mentir para proteger sua existência, até o ponto de que se recolhe um santo e senha mediante o que se reconhecem: Iura, periura, secretum prodere noli (Juramento de inviolabilidade dos segredos do grupo, ainda à custa de mentir).

Em 396, foi convocado um Concílio de Toledo no qual os seguidores de Prisciliano abjuraram das suas ideias e declararam abandonar os erros da seita, mas a constatação da sobrevivência de costumes priscilianistas (consagração da eucaristia com leite e uvas, jejum, a presença de clérigos com os cabelos longos) obrigou à celebração de um novo concílio em Toletum em 400. Neste sínodo assegura-se que onze dos doze bispos da Galécia eram priscilianistas. O único bispo não priscilianista era o da diocese de Bretoña, não galaica senão britânica (entre os séculos IV e V milhares de celtas da província romana de Britânia sob comando do bispo Maeloc cruzam a Armórica, na Gália, e a Galécia, fundando a província-bispado de Bretoña. Um par de séculos depois será também um monge bretão, Pelágio da Bretanha, o que anuncia a descoberta da tumba do apóstolo Santiago). As atas desse concílio recolhem o testemunho de abjuração da sua heresia de Simpósio, seu filho Dictinio e o presbítero Comásio.

Após a morte de Máximo, Teodósio foi proclamado imperador de Oriente e Ocidente, mas sua morte em 395 deixa de novo o império dividido entre seus dois filhos. Ao maior, Arcádio, corresponderam os territórios orientais e ao novo Honório, com apenas onze anos, o império ocidental, tutelado por Estilicão.

O movimento priscilianista foi-se transformando neste tempo numa sociedade secreta, que detinha suficiente poder no noroeste peninsular para que o papa Papa Inocêncio I decretasse a Regula fidei contra ones hereses, maxime contra Priscillianistas, em 404. Entre as filas do movimento priscilianista alguns autores incluíram Baquiário, um monge itinerante de finais do século IV, e Egéria, autora da primeira crônica de viagens à Terra Santa do cristianismo escrita por uma mulher.

Em 409, Honório definiu sua política contra o movimento priscilianista, condenando os seus seguidores a perder seus bens e direitos civis, chegando a impor multas aos funcionário públicos civis remissos a perseguir a heresia.

Foi o ano em que os bárbaros se espalharam-se pelo império, e o priscilianismo sobreviveu no noroeste peninsular, sobretudo no rural, ao amparo da confusão. Em meados do século V, Santo Toríbio, bispo de Astorga, tratou de arrebatar de mãos dos fiéis todos os livros priscilianistas e, compreendendo que ainda este remédio fosse ineficaz, remitiu ao papa Leão I o Communitorium, enumeração dos erros consignados nos livros apócrifos, e o Libellus, no qual refutava o priscilianismo. São Leão aconselhou a celebração de um concílio nacional, ou, se isto era impossível pelo estado de guerra em que ardia a Península, um sínodo de bispos galaicos. Foi convocado o sínodo de Aquis Caelenis (atual Caldas de Reis), onde os heterodoxos, ainda aparentando admitir a Assertio fidei, perseveraram nos seus doutrinas e práticas, até meados do século VI.

Finalmente o primeiro Concílio de Braga (561) voltou a fazer referência ao problema, condenando em sete dos seus dezessete cânones as proposições priscilianistas. O segundo concílio de Braga, celebrado vários anos depois, ainda reflete nas suas atas alusões à seita, e mesmo aparece uma alusão no IV Concílio de Toledo (683) no qual é condeado, como sinal priscilianista, o "delirante pecado" de não se cortar o cabelo dos cléricos galegos.

Prisciliano fundou uma escola ascética, rigorista, de talante libertário, precursora do movimento monacal, inspirada na tradição gnóstica, e oposta à crescente opulência da hierarquia eclesiástica imperante no século IV. Os aspetos mais polêmicos, em questões formais, são a nomeação de "mestres" ou "doutores" a laicos, a presença de mulheres nas reuniões de leitura e seu marcado caráter ascético.

As fontes principais que informam da particular liturgia do priscilianismo são os cânones promulgados nos sucessivos concílios. No Concílio de Caesaraugusta de 380, por exemplo, faz-se referência a costumes indesejáveis como "mulheres que assistem a leituras da Bíblia em casas de homens com quem não têm parentesco; o jejum dominical e a ausência das igrejas durante a quaresma; a recepção das espécies eucarísticas na igreja sem as consumir de imediato; o apartamento em celas e retiros nas montanhas; andar descalços (nudis pedibus incedere)".

Intentou a reforma do clero através do celibato e a pobreza voluntária, e posteriormente ampliou a reforma a todos os fiéis. Seu caráter maniqueu (dualismo alma-corpo, a primeira divina, o segundo mortal e, portanto, corrupto) leva o estabelecimento de um ascetismo difícil de praticar, sentando assim as bases (de maneira parecida à heresia donatista) do caminho de perfeição cátaro: uma moral mais laxa para os fiéis e outra mais estrita para os "perfeitos".

Advogou pela interpretação pessoal dos textos evangélicos, concebendo o princípio do livre exame. Exigiu que a Igreja voltasse a ligar-se com os pobres. Enfatizou o estudo dos símbolos e a superação do literalismo na interpretação da Bíblia. Não é fácil separar as asserções genuínas de Prisciliano das atribuídas a ele pelos seus inimigos, nem das quais posteriormente fizeram grupos que fossem etiquetados como "priscilianistas". O fato é que, para conseguir a sua condenação, foi acusado de usar magia (delito castigado pela lei romana), de reuniões noturnas com mulheres, gnosticismo e maniqueísmo, e posteriormente de negar que as três pessoas de Deus fossem diferentes e com isso negar o mistério da Trindade. Seu pensamento real ou suposto é chamado priscilianismo.

As suas reuniões, frequentemente noturnas, em florestas, covas ou em casas afastadas das cidades, e com a dança como uma parte importante da liturgia, incluíam tanto a homens como a mulheres. Substituiu a consagração oficial com pão e vinho por leite e uvas; acolheu as mulheres e os escravos nas sessões de leitura de textos evangélicos (incluindo apócrifos) e incorporou o conceito do emanatismo: a alma "surge" de uma espécie de armazém e deve descer até o mundo terrenal, onde é inevitavelmente corrompida pelo maligno. Esta origem divina da alma, junto com a concepção sabeliana do dogma da trindade, são os principais motivos de controvérsia teológica com os setores mais ortodoxos da Igreja.

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Priscilianismo

Dia mundial do orgasmo

Autora: Amélia Gomes.

Basta mexer no celular, que uma avalanche de notícias ruins invade a sua vida. Em portais de informação, nas redes sociais ou nas rotinas do dia a dia, como aquela ida ao supermercado, é impossível não ser afetada pela situação do país. Ou seja, além dos desencontros afetivos, problemas sociais podem atrapalhar o alcance do prazer.

“A sexualidade abrange todo nosso ser, ela é perpassada pela cultura, pela política, pela religião, por todo contexto social de onde vivemos. Então, fatores sociais podem sim afetar nossa vida sexual”, explica a sexóloga Maria da Conceição de Brito Leite.

Neste domingo (31), (foi) comemorado o Dia Mundial do Orgasmo. Para marcar a data, o Brasil de Fato MG conversou com especialistas sobre como driblar a atual crise do país, facilitar a vivência da sexualidade e gozar dos benefícios do orgasmo.

Como melhorar a vida sexual?

Para enfermeira Sofia Barbosa, uma boa alimentação e a prática regular de exercícios físicos contribuem para o alcance do orgasmo. Além disso, a masturbação e o uso de produtos que facilitem e estimulem o desejo, desde que você esteja à vontade para isso, podem ser bons aliados.

“Se a gente consegue se masturbar, sentir e conhecer quais são as nossas zonas erógenas, facilita a nossa capacidade de se colocar, de dizer nossas preferências, de construir nossas fantasias”, aponta a enfermeira.

Maria da Conceição ressalta que também é necessário cultivar práticas que contribuam com o alcance do orgasmo. “Um ato sexual prazeroso não acontece em um passo de mágica. É preciso dedicar tempo, energia e criatividade”, afirma. “A vida sexual deve ocupar um lugar importante no dia a dia”, completa.

Para a psicóloga, é necessário estar completamente conectado ao que está sendo feito naquele momento, seja sozinho ou em parceria, e se desligar do ambiente externo.

Melhora o sono, o humor e a imunidade.

Sofia explica que o orgasmo traz diversos vantagens ao corpo e à saúde, por exemplo, melhora a circulação, a imunidade, a qualidade do sono e até dores físicas, como as cólicas. “O orgasmo é uma descarga de prazer em que há a mobilização de músculos e de líquidos linfáticos que liberam muitos hormônios”, enfatiza.

A sensação de prazer e de bem-estar produzida após o orgasmo também estimula benefícios emocionais, como aumento da autoconfiança e da autoestima, e pode refletir também em uma melhora nos relacionamentos.

“A oxitocina, substância liberada durante o orgasmo, que a gente chama de hormônio do amor, que também está presente no parto, tem esse nome porque é o responsável pela nossa criação de vínculos. Ou seja, o orgasmo também traz essa sensação de maior intimidade com a parceria, melhorando o relacionamento como um todo”, completa.

Sem tabus e sem preconceito.

Diante da guinada conservadora da sociedade, que reforça valores como a heterossexualidade compulsória, o machismo e o conservadorismo, Maria da Conceição reforça que é importante praticar a vida sexual de forma livre e responsável, além de tentar abandonar estigmas e preconceitos.

“Esses padrões impostos pela sociedade quase sempre trazem consequências negativas. E, com a vida sexual reprimida, aparecem vários sintomas, como ansiedade, depressão e transtornos psicológicos”, pontua.

Fonte: BdF Minas Gerais.

Edição: Larissa Costa.

Publicação: https://www.brasildefato.com.br/2022/07/31/domingo-e-o-dia-mundial-do-orgasmo-e-possivel-ter-prazer-em-um-pais-em-crise