terça-feira, 12 de outubro de 2010

Dumuzi, o Deus Touro

Atualmente, pagãos modernos [neopagãos] e wiccanos celebram [ou seria melhor utilizar "mimetizar", como bem descreve a Rosa Leonor ?] a Descida de Inanna. Na liturgia tradicional wiccana, a descida da Deusa ao Submundo é uma linda cerimônia, mas não pode ser considerado uma cópia do mito sumério-acadiano.
O mito de Inanna é mal celebrado e mal compreendido, se os neopagãos e wiccanos celebrarem apenas Inanna. Qualquer celebração neopagã ou wiccana sem a presença do Deus Consorte é uma pobre e triste inversão da cegueira que dominou a civilização ocidental nos últimos 19 séculos.
Conheçamos a face do Deus das Bruxas [e Bruxos] no mito de Dumuzi:
Deusas antigas como Anath feritizavam a elas mesmas com o sangue de homens e touros. Entretanto a domesticação e criação de animais depende da compreensão dos papéis complementares dos sexos na reprodução. Não obstante, o comportamento sexual da criação de animais teve um enorme impacto da cultura e sexualidade humana. Estava abundantemente claro que o macho era requerido apenas para o momentâneo processo de fertilização, enquanto tanto o parto quanto a nutrição dependiam centralmente na maternidade.
Dumuzi primeiramente tentou persuadir Inanna de se casar um rei-pastor. O encontro então esquentou com a paixão da jovem Inanna pelo jovem rei-pastor Dumuzi e a consumação deles, ecoando a fecundidade pastoral completamente.[Dhushara]
Em homenagem ao mito de Inanna e Dumuzi, nada é mais esclarecedor [e escarnecedor] do que este trecho de um antigo hino:
Inanna disse: [...]
"Enquanto a mim, Inanna,
Quem irá arar minha vulva?
Quem irá arar meus altos campos?
Quem irá arar meu solo úmido?"
Dumuzi replied:
"Grande dama, o rei irá arar sua vulva.
Eu, o Rei Dumuzi, irei arar sua vulva."
Inanna:
"Entã are minha vulva, homem do meu coração!
Are minha vulva!"[Dhushara]
Como todo Deus da Vegetação, Dumuzi morre e Inanna vai ao submundo resgatá-lo, enfrentanto Ereshkigal, a Deusa do Submundo. Não faria muito sentido isto, se pensarmos que estas Deusas sejam as mesmas ou sejam manifestações de uma única Deusa. Não faz sentido algum copiarmos um mito tão carregado de erotismo, onde a união sexual, o Hiero Gamos, é crucial, se formos crer em uma Santa Ameba que pariu a criação por partenogênese. Faz menos sentido ainda o discurso contra o suposto sexismo e heteronormatividade da Wicca Tradicional.
Como o Deus e a Deusa das Bruxas [e dos Bruxos], Dumuzi e Inanna celebram o Hiero Gamos. A união, a cópula, entre o Deus e a Deusa é o que mantém a existência, da humanidade, da natureza, do mundo, do universo.

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