sábado, 24 de maio de 2008

Raízes míticas do Islamismo

Notícias pelo mundo de violência contra imigrantes não é surpresa para este pagão. A xenofobia é apenas uma das formas de histeria social contra o 'diferente', o 'estranho', que sempre acaba se tornando 'bode espiatório' quando existe uma crise na sociedade constituída.
Políticos, como são oportunistas, costumam 'defender' uma ou outra bandeira levantada pela opinião pública para conquistar ou manter o poder, mas as políticas de um país costumam ser traçadas por diversas negociações.
A mesma fobia pode ser vista entre as religiões monotéistas. Evangélicos acusando Católicos de terem 'origens pagãs', Católicos acusando Mórmons de terem 'origens pagãs', Judeus acusando Adventistas de terem 'origens pagãs' e Muçulmanos acusando Cristãos de terem 'origens pagãs'. Apenas (neo)Pagãos ostentam orgulhosos sua 'origem pagã', mesmo que acabem sendo atacados por todos os demais por serem um 'culto a Satan'.
Para variar um pouco, eu irei comentar as possíveis raízes míticas do Islamismo, incluindo até as refutações dadas por Muçulmanos.
Para iniciar, nada melhor que uma citação, baseada no fato de que o Islamismo é, como uma religião monoteísta, uma religião literária, baseada no Alcorão, Surata 53, 11-20:
O coração (do Mensageiro) não mentiu, acerca do que viu.
Disputareis, acaso, sobre o que ele viu?
Realmente o viu, numa Segunda descida,
Junto ao limite da árvore de lótus.
Junto à qual está o jardim da morada (eterna).
Quando aquela coisa envolvente cobriu a árvore de lótus,
Não desviou o olhar, nem transgrediu.
Em verdade, presenciou os maiores sinais do seu Senhor.
Considerai Al-Lát e Al-Uzza.
E a outra, a terceira (deusa), Manat.
Estas 'mulheres' são referidas ora como sendo 'as filhas de Allah', ora como uma metáfora para o tempo em que o povo árabe 'estava perdido na idolatria'. Alguns muçulmanos intelectuais dizem que não se pode falar da 'origem pagã' de Allah porque é um termo igual a 'Deus' na bíblia, mas se esquecem que há vários nomes e conceitos para 'Deus' na bíblia, como El, Elohim, Adonai, Yahveh (em português ficou simplesmente como 'Deus' ou "Senhor'), o que não explica e não refuta as raízes míticas.
O que custa (e muito) aos Muçulmanos é ver o óbvio de que se falava de Deusas, não de uma metáfora, não de mulheres, não de 'filhas'. Seus 'primos' também não tem muito como escapar, pois igualmente tanto no Cristianismo como no Judaísmo há a raiz mítica da Deusa. Os muçulmanos fazem a peregrinação a Meca para rodear cerimonialmente a Kaaba sete vezes, em sentido anti-horário para prestarem reverência à Pedra Negra, um meteorito curiosamente encravado em uma moldura que se parece muito com uma yoni.
Evidentemente, o Deus adorado pelo Judaísmo, Cristianismo e Islamismo não são os mesmos de suas raízes míticas, mas elas existem e conectam estas três religiões com a mesma herança cultural que os (neo)Pagãos tentam resgatar. Um dado curioso é que todos sempre distorcem fatos históricos e arqueológicos para sustentar suas posições, sejam críticas ou teológicas. Ora, se as evidências das 'origens pagãs' de cada uma dessas religiões levantados pelos críticos são praticamente as mesmas, então não cabe a qualquer de seus seguidores criticar seus 'primos' ou aos (neo)Pagãos.

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