terça-feira, 20 de maio de 2008

Anna, a última bruxa

Entre a miséria, as pestes e a inquisitória repressão religiosa, Anna, com suas faces róseas e sua primorosa boca que Renoir pintaria somente dois séculos depois, florescia em sua mocidade despertando a cobiça dos homens e, dentre eles, o sacerdote da Igreja do gélido povoado de Wasterkingen da Suíça.
E foi num dia após o culto religioso que ela fora convidada a permanecer na Igreja com o pretexto de auxiliar na limpeza do sacro altar. Altar este, cenário da barbárie que lhe foi feita, onde pega por traz teve sua boca amordaçada quando sentiu o fungar quente e mal cheiroso em sua nuca, e em sua pele macia de pêssego, os dentes afiados e o roçar da barba mal feita do Monsenhor, enquanto suas saias eram levantadas e rasgadas desvendando suas alvas e sedosas pernas fortes de camponesa esculpidas do trabalho nos Alpes. Sentiu em suas ancas as unhas sujas serem cravadas na carne. E entre suas volumosas nádegas tenras a introdução brutal que a fez quase desfalecer em transe e dor. Quando virada de frente, pode ver o homem com o olhar satânico, o animal que tanto fedia com o suor escorrendo na testa, ávido por devorá-la, morder-lhe até sangrar os seios; que pela pouca idade ainda não haviam acabado de crescer. E ele debruçou sobre seu delicado corpo mais de uma centena de quilos gordurosos fazendo-a perder o fôlego deflorando seu sexo até então imaculado. E sobre a luxuosa mesa gelada de mármore carrara do altar, junto ao ouro dos castiçais e do Santo Graal, às hóstias e sob aquele teto de pinturas celestiais e estátuas de Santos martirizados, ela aguardou submissa, até o estrebuchar saciado da besta.
Fugiu como uma louca! aos prantos, escorrendo pelas pernas, toda descabelada, de carne e roupa rasgada! Não ia contar a ninguém sua vergonha, mas o sacerdote temendo sua denúncia gritou na porta da igreja: "Bruxa! Peguem a bruxa!" Foi pega pelos moradores que confirmaram seu estado de bruxa. A família interferiu, denunciou o Monsenhor, mas também foi arrolada na farsa. Levados a Zurique e encarcerados no presídio de Wellenberg, foi a julgamento pela Igreja que para comprovar de suas práticas satânicas despiram-na frente aos jurados mostrando as marcas em seu corpo. As marcas de quem havia se deitado com o demônio!
Em 15 de setembro de 1701, o cantão de Zurique, no norte da Suíça, executou pela última vez uma pessoa por bruxaria, Anna Rutschmann. Depois de um julgamento por bruxaria, foram executados oito pessoas, um homem e sete mulheres, a ultima, Anna Rutschmann. A causa desta execução em 1701 foi uma denúncia de bruxaria, apresentada por 32 moradores do povoado. Os acusados foram levados a Zurique, entregues à Igreja e encarcerados no presídio de Wellenberg, onde foram torturados até que se declararam culpados. Consta que Anna foi a ultima bruxa, mas a Igreja continuou queimando hereges por quase 100 anos após o fato. Pode parecer arcaico, mas a caça as bruxas continuou com a conivência da Igreja com a escravidão dos negros, da conivência do Papa Pio XII com os nazistas anti-semitas, com o preconceito contra os separados, divorciados, homossexuais e etc.
Autor: Madeu St'Ore

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