segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Homer é católico

O jornal do Vaticano declarou que Homer Simpson, pai da família mais conhecida dos Estados Unidos, é católico.
"Poucas pessoas o sabem e ele faz tudo para o esconder, mas é verdade: Homer J. Simpson é católico", escreveu na edição deste fim-de-semana o L'Osservatores Romano, sob a manchete: "Homer e Bart são católicos".
Em Dezembro passado, o jornal elogiou a famosa série de desenhos animados no seu 20.º aniversário pelo seu pendor filosófico e abordagem irreverente da religião.
Este é o exemplo mais recente do esforço que o jornal do Vaticano tem desenvolvido nos últimos anos para ser mais relevante e segue-se aos louvores feitos ao jovem feiticeiro britânico Harry Potter e aos Beatles. Em 1966, John Lennon afirmou que a banda britânica era mais popular que Jesus.
O jornal citou uma análise de um padre jesuíta, Francesco Occhetta, sobre a conversão de Homer e do filho Bart, num episódio de 2005, depois de um encontro com o simpático padre Sean, cuja voz pertence ao ator Liam Neeson.
O L'Osservatore afirmou que a análise mostra que as anedotas da série de culto assentam em temas "relacionados com o sentido e a qualidade da vida".
"Os 'The Simpson' continuam a ser um dos poucos programas infantis em que a fé cristã, a religião e Deus são temas recorrentes", acrescentou. "A família reza em conjunto antes das refeições e, à sua maneira, acredita no paraíso".
Mas o produtor da série Al Jean afirmou que o Vaticano pode ter exagerado na sua análise, uma vez que Homer e Bart só pensaram na conversão no episódio de 2005, de acordo com o "site" Entertainment Tonight.
"Mostrámos claramente que Homer não é católico. Penso que ele não aguentaria deixar de comer carne às sextas-feiras", disse Jean, acrescentando que a família frequenta a Primeira Igreja de Springfield "decididamente Presbiteriana".
Fonte: Jornal de Notícias (original perdido).
Nota da casa: Eu demorei para fazer esta nota porque, para ser sincero, não dá para competir com auto-piada. Mas considerando o "nível" do debate que tenho com católicos, indicar Homer como católico faz todo sentido.
Originalmente publicado em 20 de outubro de 2010.
Resgatado com o Wayback Machine.

domingo, 17 de janeiro de 2021

O perfeito imbecil politicamente incorreto

Texto de Cynara Menezes, publicado no Carta Capital.

Em 1996, três jornalistas – entre eles o filho do Nobel de Literatura Mario Vargas Llosa, Álvaro – lançaram com estardalhaço o "Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano". Com suas críticas às idéias de esquerda, o livro se tornaria uma espécie de bíblia do pensamento conservador no continente. Vivia-se o auge do deus mercado e a obra tinha como alvo o pensamento de esquerda, o protecionismo econômico e a crença no Estado como agente da justiça social. Quinze anos e duas crises econômicas mundiais depois, vemos quem de fato era o perfeito idiota.

Mas, quem diria, apesar de derrotado pela história, o Manual continua sendo não só a única referência intelectual do conservadorismo latino-americano como gerou filhos. No Brasil, é aquele sujeito que se sente no direito de ir contra as idéias mais progressistas e civilizadas possíveis em nome de uma pretensa independência de opinião que, no fundo, disfarça sua real ideologia e as lacunas em sua formação. Como de fato a obra de Álvaro e companhia marcou época, até como homenagem vamos chamá-los de "perfeitos imbecis politicamente incorretos". Eles se dividem em três grupos:

1. O "pensador" imbecil politicamente incorreto:

Ataca líderes LGBTs (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Trânsgeneros) e defende homofóbicos sob o pretexto de salvaguardar a liberdade de expressão. Ataca a política de cotas baseado na idéia que propaga de que não existe racismo no Brasil. Além disso, ações afirmativas seriam "privilégios" que não condizem com uma sociedade em que há "oportunidades iguais para todos". Defende as posições da Igreja Católica contra a legalização do aborto e ignora as denúncias de pedofilia entre o clero. Adora chamar socialistas de "anacrônicos" e os guerrilheiros que lutaram contra a ditadura de "terroristas", mas apoia golpes de Estado "constitucionais". Um torturado? "Apenas um idiota que se deixou apanhar." Foge do debate de idéias como o diabo da cruz, optando por ridicularizar os adversários com apelidos tolos. Seu mote favorito é o combate à corrupção, mas os corruptos sempre estão do lado oposto ao seu. Prega o voto nulo para ocultar seu direitismo atávico. Em vez de se ocupar em escrever livros elogiando os próprios ídolos, prefere a fórmula dos guias que detonam os ídolos alheios –os de esquerda, claro. Sua principal característica é confundir inteligência com escrever e falar corretamente o português.

2. O comediante imbecil politicamente incorreto:

Sua visão de humor é a do bullying. Para ele não existe o humor físico de um Charles Chaplin ou Buster Keaton, ou o humor nonsense do Monty Python: o único humor possível é o que ri do próximo. Por "próximo", leia-se pobres, negros, feios, gays, desdentados, gordos, deficientes mentais, tudo em nome da "liberdade de fazer rir." Prega que não há limites para o humor, mas é uma falácia. O limite para este tipo de comediante é o bolso: só é admoestado pelos empregadores quando incomoda quem tem dinheiro e pode processá-los. Não é à toa que seus personagens sempre estão no ônibus ou no metrô, nunca num 4X4. Ri do office-boy e da doméstica, jamais do patrão. Iguala a classe política por baixo e não tem nenhum respeito pelas instituições: o Congresso? "Melhor seria atear fogo". Diz-se defensor da democracia, mas adora repetir a "piada" de que sente saudades da ditadura. Sua principal característica é não ser engraçado.

3. O cidadão imbecil politicamente incorreto:

Não se sabe se é a causa ou o resultados dos dois anteriores, mas é, sem dúvida, o que dá mais tristeza entre os três. Sua visão de mundo pode ser resumida na frase "primeiro eu". Não lhe importa a desigualdade social desde que ele esteja bem. O pobre para o cidadão imbecil é, antes de tudo, um incompetente. Portanto, que mal haveria em rir dele? Com a mulher e o negro é a mesma coisa: quem ganha menos é porque não fez por merecer. Gordos e feios, então, era melhor que nem existissem. Hahaha. Considera normal contar piadas racistas, principalmente diante de "amigos" negros, e fazer gozação com os subordinados, porque, afinal, é tudo brincadeira. É radicalmente contra o bolsa-família porque estimula uma "preguiça" que, segundo ele, todo pobre (sobretudo se for nordestino) possui correndo em seu sangue. Também é contrário a qualquer tipo de ação afirmativa: se a pessoa não conseguiu chegar lá, problema dela, não é ele que tem de "pagar o prejuízo". Sua principal característica é não possuir ideias além das que propagam os "pensadores" e os comediantes imbecis politicamente incorretos.

Originalmente publicado em 4 de dezembro de 2011.

Resgatado com Wayback Machine.

sábado, 16 de janeiro de 2021

Sob o manto da espiritualidade

Para um pagão, bruxo e wiccano não há ansiedade, expectativa ou obsessão. Aceitamos o mundo tal qual é e assim mesmo, sagrado e divino. Não tememos ao perceber que estamos na encruzilhada de uma época. O ser humano quer melhorar, mas tem medo de abrir mão de suas convicções e certezas, por mais ilusórias que sejam. Nós gostamos de encruzilhadas.

Diante da iminente mudança, há apenas poucas reações possíveis. Uma, é o de se agarrar ao dogmatismo doentio, obsoleto, ultrapassado, ditado por uma instituição que se arroga uma duvidosa e questionável autoridade espiritual.

Outra, tão perigosa quanto, é o de usar a espiritualidade e a religiosidade como um manto sobre preferências ou agendas pessoais para dar um sentido de sagrado, de segurança, de conforto, de proteção. Seitas e cultos à personalidade são fundados em cima disso, líderes carismáticos podem conduzir seu séquito a ações desesperadas e fatais.

Nem tudo que está revestido ou travestido de espiritualidade, de religiosidade, deve ser aceito, respeitado ou reconhecido como tal. Um grupo de subcultura é um grupo de subcultura. Paganismo, antigo ou moderno, está baseado na cultura, no respeito, nas crenças e nas lendas antigas, ancestrais e típicas de um povo.

Infelizmente, a liberdade de expressão, de opinião e de crença foi e será usada para justificar certas "espiritualidades" que são nada mais do que arapucas que oferecem a falsa promessa da transcendência. Infelizmente, criticar e denunciar estas fraudes serão contestadas usando a estratégia da vítima.

Relembro um trecho de um texto de minha autoria:

"O que leva alguém a procurar uma forma de espiritualidade talvez seja o ponto central do assunto. [...] Eu posso indicar minhas suspeitas que fazem uma pessoa repentinamente procurar por uma forma de espiritualidade.

Um dos motivos certamente é a moda, principalmente pela pressão do meio social em que esta pessoa vive. Para estes não faltam vigaristas, lojas e bugigangas, para os mais diversos fins. Estes certamente querem e gostam que seu caminho espiritual seja reconhecido e aceito como válido por outros, farão uma verdadeira apologia do grupo ou instituição que pertencem e transformarão as análises críticas contra esses mercenários como uma ofensa pessoal ou como uma infração ao legítimo direito universal de opção religiosa dado a todos.[...]

Outro motivo é a propaganda, pela qual uma pessoa é convencida de que as reivindicações daquele grupo, instituição ou caminho espiritual são válidos, quando estes não pressionam seus membros a considerar aquele caminho como sendo o único válido, o que ocasiona tantos conflitos e discussões. Neste caso também é igualmente importante o reconhecimento e aceitação, quando não de impingir a conversão. Para estes é fundamental considerar seus textos mais verdadeiros que a dita verdade que ali contém, bem como de santificar seus fundadores, profetas e iluminados".[Caminhos, espiritualidade, validade]

Assim, nenhuma novidade, diante das justificativas, explicações ou críticas aos meus comentários no Facebook quando eu discordei em considerar a subcultura [termo acertadamente colocado] do Vampyrismo como parte da comunidade pagã. A necessidade de ser aceito, de ser reconhecido, de fazer parte de uma comunidade são mais importantes do que a suposta espiritualidade e religiosidade que alegam ter. Apenas a velha mania de distorcer a história e a mitologia de forma desonesta.

Da mesma forma como se apropriam e aleijam a cultura e a crença de um povo [inconcebível a um pagão], querem se apropriar e aleijar de nosso movimento legítimo em busca de nossas origens, de nossas raízes. Estão usando elementos e símbolos do paganismo moderno como um manto de espiritualidade e religiosidade. Estão querendo se infiltrar na nossa comunidade para conseguirem o respeito e o reconhecimento que necessitam para satisfazerem seus egos. Ou para angariar prosélitos.

Eu encontrei um artigo igualmente bom e esclarecedor:

"Conquistar seu estado sagrado tornou-se simples: entregue a sua vida, seu discernimento, sua consciência e o que estiver em seus bolsos para a igreja e Deus sorrirá pra você!

Um versátil modelo de safar as pessoas de serem mais responsáveis por elas mesmas, de perceberem por si mesmas que suas escolhas, conscientes e inconscientes, precisam melhorar. Obedecer não é a mesma coisa que discernir por si mesmo.

A religiosidade virou sinônimo de instituição depositária de esperanças estéreis e incompreensões emocionais. Aliena-se a autoconfiança das pessoas. Emprega-se o sentido medíocre de um Deus que diz: isso é o certo e aquilo é o errado. E separam as pessoas em diferenças religiosas frente a um mesmo Deus.

Não se percebe o detalhe sutil da dominação aplicada. É uma exploração do medo que existe nas pessoas ou de seus prováveis desesperos circunstanciais.

Minha experiência diz: desconfie de qualquer promessa de liberdade quando também lhe trazem outro tipo de prisão. Liberdade espiritual existe no livre discernimento, no autoconhecimento, ou seja, na consciência perceptiva, amadurecida, esclarecida, autoconfiante.

É a consciência que precisa aprender a valorizar e a evoluir o melhor que há nela mesma. As religiões forçam para o lado oposto, viciam e atrofiam a capacidade de pensar, o potencial de compreensão e sensibilidade que existe em seus frequentadores.

Espiritualidade é algo mais sério e que envolve autonomia de direção interior. Liberdade autêntica de ser quem se é com a consciência em paz consigo mesma e com a humanidade. A autêntica espiritualidade não se limita a conhecer Deus através de religiões que mais dividem do que aproximam as pessoas. Espiritualidade é uma atitude sincera de conseguir perceber que o divino está em tudo e em todos".[Alexandre Arreios, no Artigonal]

Aliás, nada melhor do que deixar um texto de um divulgador do Vampyrismo, Lord A:

"Sim, podemos debater, podemos criticar, podemos nos expressar sobre aquilo que nos importamos, desde que o façamos com propriedade e boa argumentação. [...] Enquanto apenas 'transcendemos' a tudo e todos, apenas varremos para debaixo do tapete, e deixamos para depois nos decidirmos com o que importa.

Você não vai fugir da vida cotidiana, não vai conseguir fugir da necessidade de trabalhar e nem mesmo dos mais diversos problemas sociais pessoais e de terceiros. Você não vai deixar de ser alvo de fofocas pois encontrará pessoas das mais variadas índoles e caráter na sua jornada. Não existe transcendência que irá lhe afastar de tudo isso.

Tudo aquilo de que você foge ou deixa para depois - continua lá. Mais dia menos dia você irá ter que lidar com aquilo. Isso incomoda, angustia e perturba qualquer um ou sujeita durante seus projetos e relações ao longo da vida. Muitos ao se envolverem com a Subcultura Vampyrica, tanto em aspectos laicos/fashionistas quanto com aspectos politeístas/panteístas vêm procurando uma fuga ou uma forma de se mascarar tudo isso.

Ao longo do período de 1995 á 2008 assistimos muitos grupos e pessoas apelando em oferecer uma máscara transcendental constante a qual permitisse fugir da mão-de-obra de lidar consigo, de pesquisar, de pensar a respeito e assim limitar e ser chefe de alguma coisa.

Este implemento e aumento do escapismo transcendental, apenas empobreceu a vida cultural da Subcultura Vampyrica e acabou muitas vezes igualando padrões e atitudes alternativas da cena, a padrões, atitudes e comportamentos não alternativos que tanto criticamos na cultura solar ou dominante.

O excesso de transcendentalismo de apenas 'poder da mente' ou de fontes mais relacionadas a 'sugestionamento', 'submissão a mortos' aleatórias e 'personas magickas' - apenas estão exibindo uma imprecisão histórica, uma perda de identidade, falta de tolerância, apatia, preguiça de educação acadêmica comprovável, vínculos sociais e afetivos fragilizados, e só reafirmando síndromes de Peter Pan variadas e servindo de combustível para uma vindoura nova onda de exposição midiática descaracterizante e acusações bastante complicadas aos integrantes da Subcultura como um todo".[Armadilha transcendental]

"A vertente neopagã deu seus primeiros passos nas proximidade de Washington nos EUA, entre 1972 e 1975 através de encontros e celebrações de solstícios e equinócios.

Em nenhum momento podemos considerar a Subcultura Vampyrica/ cena vamp, seus integrantes e procedimentos fashionistas ou místicos como sequenciamento ininterrupto ou reconstrução dos antigos cultos de fertilidade da Terra do século X.Nem mesmo o termo Strigoi, é utilizado como forma de reviver algum culto de fertilidade da terra, cujos os fundamentos e práticas foram inevitavelmente perdidos nos meios do século XII".[A sede ou a fome]

No que me consta, eu não reconhecerei como parte da comunidade pagã. Aos demais, que cada um faça sua escolha.

Originalmente publicado em 8 de maio de 2011.

Resgatado com Wayback Machine.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Cai o pano

Depois do texto "Resistência ao arrebanhamento", o ambiente na SW engrossou. Muitos pagãos, bruxos e wiccanos arriscam se somar ao grupo dos "banidos" ao resistirem à proposta estapafúrdia da IBWB.
O texto da Morrighan é digno de anotar e divulgar aqui:
[...]ao tomar a atitude de legalmente criar uma igreja a qual engloba o mundo pagão como um todo no nosso país, estas respostas que eles estão aprontando para dar aos pagãos não deveriam "estar sendo aprontadas" agora não! Deveriam, diante mão, ter estas respostas porque são lógicas, coerentes, e que todos nós faríamos obviamente essas perguntas. Porque quando alguém toma a atitude de responder por um determinado grupo, isso significa minimamente que, esse mesmo grupo foi de alguma forma questionado/consultado. Ou seja, antes de responder até de uma forma "jurídica" por determinado grupo, esse deveria ser consultado. Tenho muitos anos como bruxa, e tenho muitos amigos no Rio de Janeiro que também o são. E não soube de nenhuma enquete ou nenhum aviso em vias de mídia. A única coisa que todos viram, foi o aviso nesta comunidade dizendo apenas "lançamento da igreja". Ou seja, isso já estava tudo preparado, sem consultar a comunidade pagã. E na realidade, só foi dado este aviso, ao meu ver, para dar uma mínima satisfação de um ato já concretizado. Pois eles chamaram para nos reunirmos e debatermos sobre a tal igreja. Oras, quem votou neles? Não sei. E 99%, aumentando o número do Sigfrid, do mundo pagão brasileiro não sabia de tal votação. Ou seja, não fomos nós. Eles dizerem que não há hierarquia... Oras, se eles são os 5 Elderes que obtêm em suas mãos o "poder" de julgar quem entra ou não, quem é bruxo ou não, quem é wiccano ou não nesse país, porque é isso que juridicamente eles vão ter o direito de fazer, obviamente são SIM sumos sacerdotes, e por tanto, os líderes e "chefes" da igreja de bruxaria e wicca do brasil. Esta hierarquia fica ainda mais nítida quando eles separam ou subdividem em sacerdotes, praticantes, ouvintes e etc...
As críticas que estão sendo feitas e virão a ser feitas obviamente não são de quem não tem o que fazer, como nosso amigo Gaius disse. O que acontece meu querido, é que eles abriram uma igreja EM NOSSO NOME sim! E se eles não quisessem ser criticados ou questionados, abrissem em nome de suas respectivas tradições uma igreja, e não com um contexto amplo e generalizado como wicca e bruxaria, porque aí eles não estão respondendo juridicamente por suas respectivas tradições, mas usando o nome de todo bruxo e todo wiccano deste país. Pois, aquele que, outrora antes de haver uma tal igreja legalizada, poderia bater no peito e dizer: "-Sou bruxo" ou "-Sou wiccano", após a abertura dessa igreja, que tem esse "poder" de determinar quem é o quê nesse país, não que isto vá afetar pessoalmente nossas opiniões, porque a bruxaria sempre foi e sempre será livre, o que aconteceu é que, perante a lei, agora nós temos um "representante" de todos nós. Oras, se era isso que eles queriam, representar uma comunidade em termos gerais, nós deveríamos ter sido consultados SIM. Porque se não, isso fica parecendo uma igreja fundada por 5 pessoas que não estão nem aí para a comunidade bruxa e wiccana desse país, mas que cismaram de abrir uma igreja para que finalidades, ninguém sabe, até mesmo pq ninguém foi consultado, para apenas ganhar um nome de "representantes da bruxaria e da wicca no brasil". Sinto muito se minhas palavras soam agressivamente. Quem me conhece, sabe que este não é o meu perfil. Mas realmente, irrita profundamente uma pessoa levantar uma bandeira de tal religiosidade sem que, 99% dos adeptos desta religião, soubessem de NADA.
Originalmente publicado em 12 de fevereiro de 2011.
Recuperado com o Wayback Machine.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

A igreja não deve dizer o que é crime

Em seu discurso na abertura da segunda Conferência Nacional de Políticas Públicas e Direitos Humanos de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais, na quinta-feira 15, em Brasília, o presidente da associação nacional ABGLT, Toni Reis, cobrou atenção do governo federal para não haver "retrocesso" na consolidação dos direitos do grupo.
Embora Dilma Rousseff não estivesse no evento, Reis pediu à presidenta, representada pelos ministros Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência), Maria do Rosário (Direitos Humanos) e Luiza Bairros (Igualdade Racial) o apoio a políticas públicas que garantam a laicidade do Estado.
O principal apelo foi pela liberação "imediata" do material didático pedagógico do Projeto Escola sem Homofobia.
Apelidado no Congresso como kit-gay, o material foi alvo de críticas da bancada religiosa por supostamente incentivar crianças à prática homoafetiva. Diante das resistências, o projeto foi abandonado pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, pré-candidato do PT à prefeitura de São Paulo – que não quis se indispor com os religiosos.
À época, Dilma também disse não concordar com o conteúdo do material.
A referência à proibição do kit levou Toni Reis a criticar a ala religiosa que, segundo ele, impede avanços na consolidação dos direitos da comunidade gay. "Não aceitamos num país laico como definido em sua Constituição que religiosos homofóbicos se tornem censores das políticas públicas", discursou.
A abertura do evento foi marcada justamente por protestos dos movimentos pelos direitos dos homossexuais contra a suspensão do kit.
Alinhado com o apelo, o presidente da associação afirmou que "o fundamentalismo religioso é uma erva daninha que tem se alastrado nas salas onde decisões importantes em relação aos direitos sexuais e reprodutivos devem ser tomadas para garantia de diretos".
E declarou: "A igreja não deve dizer o que é crime, assim como o Estado não deve dizer o que é pecado".
No discurso, Reis lembrou também que 70% da comunidade gay do Brasil já foi discriminada e 20% já sofreu violência física. Ele lembrou ataques recentes contra homossexuais praticados sobretudo por skinheads, de orientação nazista, que "têm aterrorizado homossexuais em vários lugares do nosso país".
Ele pediu que os congressistas aprovem a lei que criminaliza a homofobia, a aprovação do casamento civil e a lei de identidade de gênero, "que respeita a identidade civil das pessoas trans".
Em sua fala, Reis fez uma homenagem ao ministro do Supremo Tribunal Federal Carlos Ayres Brito, que relatou as ações que culminaram com o reconhecimento das uniões estáveis entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar. Ele pediu uma salva de palmas a ele.
O ativista agradeceu ainda a procuradora Deborah Duprat, autora do processo que resultou na decisão do STF.
Reis aproveitou a oportunidade ainda para lembrar que 75 países ainda criminalizam a homossexualidade em suas leis, com penas que vão de cárcere até a pena de morte (o que acontece em sete desses países).
"Mesmo com esse quadro desfavorável, tivemos um avanço importante nas Nações Unidas, que aprovaram uma resolução reconhecendo os direitos humanos da nossa população".
Ele destacou, entre as lideranças que defendem a bandeira, a presidenta argentina, Cristina Kirchner, que, segundo ele, "não mediu esforços para aprovação do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo e apoiou integralmente a Lei de Identidade de Gênero, que foi aprovada na Câmara dos Deputados por maioria esmagadora e que garante todos os direitos para as pessoas trans (mudança do nome civil e mudança de gênero)".
Outro exemplo, segundo Toni Reis, são o presidente Barack Obama e a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, "que defendem em todos os fóruns internacionais os direitos para as pessoas LGBTs"
"Obama e Hilary são exemplos a serem seguidos, pois estão conclamando todos os países a cessarem a perseguição contra homossexuais e pessoas trans, apesar de enfrentarem diariamente uma política fundamentalista expressa pelo Tea Party (os republicanos)".
O presidente da associação fez referência ainda ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que em 2008 compareceu à abertura da primeira Conferência Nacional LGBT, acompanhado de oito ministros. O comparecimento do presidente foi, segundo ele, um "marco do reconhecimento da nossa luta".
"Envolvimento e participação são fundamentais para transformar um país homofóbico num país que respeite as diferenças e combata a miséria, pois miséria não é só falta das coisas… é também deixar matar um homossexual a cada 36 horas no país", concluiu.
Texto de Editorial do Carta Capital.
Texto resgatado com Wayback Machine.

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

ONU pede proteção mundial a direitos dos homossexuais

GENEBRA (Reuters) - Homossexuais e transexuais enfrentam discriminação e violência por causa da sua orientação sexual em todas as regiões do mundo, o que inclui assassinatos, estupros e torturas - além do risco de pena de morte em pelo menos cinco países -, disse a ONU na quinta-feira.
O primeiro relatório oficial da entidade sobre o tema pede aos governos que protejam gays, lésbicas, bissexuais e transexuais (LGBTs), que punam as violações graves e revoguem leis discriminatórias.
"A violência homofóbica e transfóbica já foi registrada em todas as regiões. Tal violência pode ser física (incluindo assassinatos, agressões, sequestros, estupros e violência sexual) ou psicológica (incluindo ameaças, coerção e privações arbitrárias da liberdade)", diz o relatório de 25 páginas assinado pela alta comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay.
O texto foi encomendado em junho pelo Conselho de Direitos Humanos, que na época reconheceu os direitos iguais de LGBTs, e condenou toda forma de violência ou discriminação com base na orientação sexual. Países ocidentais consideraram a decisão histórica, ao passo que governos islâmicos a rejeitaram firmemente.
No último dia 6, em discurso no Conselho de Direitos Humanos, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, disse que "nunca deveria ser crime ser gay".
O relatório de Pillay diz que pessoas vistas como homossexuais podem sofrer violência espontânea "nas ruas", ou então abusos mais organizados, "inclusive por extremistas religiosos, grupos paramilitares, neonazistas e nacionalistas extremistas".
A violência contra LGBTs tende a revelar "um alto grau de crueldade", com mutilações e castração, segundo o relatório, que critica também os "assassinatos por honra" cometidos por parentes e membros de comunidades onde vivem os homossexuais.
O texto cita casos de assassinatos de gays na Suécia e na Holanda, a morte de uma transexual em Portugal, e crimes contra mulheres lésbicas, bissexuais ou transexuais em El Salvador, Quirguistão e África do Sul.
Outro caso destacado no relatório aconteceu no Brasil, onde um casal de lésbicas teria sofrido agressões em uma delegacia e sido obrigado a fazer sexo oral.
Atualmente, acrescenta o relatório, há 76 países com leis usadas para criminalizar comportamentos com base na orientação sexual e identidade de gênero. O texto não cita os países que impõem a pena de morte, mas ativistas dizem que são eles: Irã, Mauritânia, Arábia Saudita, Sudão e Iêmen, além de algumas regiões da Nigéria e Somália.
(Reportagem de Stephanie Nebehay) G1 Mundo.
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domingo, 10 de janeiro de 2021

Unesco lança em 2012 carta anti-homofobia

Brasília. Em 2012, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) vai lançar um documento com orientações a governos de todo o mundo para o
enfrentamento da homofobia em ambiente escolar.
O bullying contra estudantes LGBTs (lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros e transexuais) foi tema de uma reunião promovida pela entidade na semana passada no Rio de Janeiro, com a presença de especialistas de 25 países.
Os participantes conheceram experiências de combate ao problema desenvolvidas por diferentes países e houve o consenso de que a homofobia prejudica o desempenho de alunos homossexuais e muitas vezes leva a uma trajetória escolar interrompida, já que o jovem acaba desistindo de estudar por causa das agressões sofridas. Entre as principais recomendações que vão constar no documento estão a formulação de políticas específicas para atender esse público, o treinamento de professores para lidar com a questão e a produção de materiais de combate ao preconceito contra homossexuais nas escolas.
Ainda na semana passada, durante evento em Nova York, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, disse que o bullying contra crianças e jovens homossexuais é um problema que ocorre em escolas de todas as partes do mundo. "Ele afeta os jovens durante todo o caminho para a vida adulta, causando enorme e desnecessário sofrimento. Crianças intimidadas podem entrar em depressão e abandonar a escola. Algumas são até mesmo levadas ao suicídio. Isso é um ultraje moral, uma grave violação dos direitos humanos, além de ser uma crise de saúde pública", defendeu.
Segundo dados da Unesco, nos Estados Unidos, mais de 90% dos estudantes LGBTs dizem ter sido vítimas de assédio homofóbico.
Fonte: O Tempo Online.
Texto resgatado com Wayback Machine.