segunda-feira, 18 de janeiro de 2021
Homer é católico
domingo, 17 de janeiro de 2021
O perfeito imbecil politicamente incorreto
Texto de Cynara Menezes, publicado no Carta Capital.
Em 1996, três jornalistas – entre eles o filho do Nobel de Literatura Mario Vargas Llosa, Álvaro – lançaram com estardalhaço o "Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano". Com suas críticas às idéias de esquerda, o livro se tornaria uma espécie de bíblia do pensamento conservador no continente. Vivia-se o auge do deus mercado e a obra tinha como alvo o pensamento de esquerda, o protecionismo econômico e a crença no Estado como agente da justiça social. Quinze anos e duas crises econômicas mundiais depois, vemos quem de fato era o perfeito idiota.
Mas, quem diria, apesar de derrotado pela história, o Manual continua sendo não só a única referência intelectual do conservadorismo latino-americano como gerou filhos. No Brasil, é aquele sujeito que se sente no direito de ir contra as idéias mais progressistas e civilizadas possíveis em nome de uma pretensa independência de opinião que, no fundo, disfarça sua real ideologia e as lacunas em sua formação. Como de fato a obra de Álvaro e companhia marcou época, até como homenagem vamos chamá-los de "perfeitos imbecis politicamente incorretos". Eles se dividem em três grupos:
1. O "pensador" imbecil politicamente incorreto:
Ataca líderes LGBTs (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Trânsgeneros) e defende homofóbicos sob o pretexto de salvaguardar a liberdade de expressão. Ataca a política de cotas baseado na idéia que propaga de que não existe racismo no Brasil. Além disso, ações afirmativas seriam "privilégios" que não condizem com uma sociedade em que há "oportunidades iguais para todos". Defende as posições da Igreja Católica contra a legalização do aborto e ignora as denúncias de pedofilia entre o clero. Adora chamar socialistas de "anacrônicos" e os guerrilheiros que lutaram contra a ditadura de "terroristas", mas apoia golpes de Estado "constitucionais". Um torturado? "Apenas um idiota que se deixou apanhar." Foge do debate de idéias como o diabo da cruz, optando por ridicularizar os adversários com apelidos tolos. Seu mote favorito é o combate à corrupção, mas os corruptos sempre estão do lado oposto ao seu. Prega o voto nulo para ocultar seu direitismo atávico. Em vez de se ocupar em escrever livros elogiando os próprios ídolos, prefere a fórmula dos guias que detonam os ídolos alheios –os de esquerda, claro. Sua principal característica é confundir inteligência com escrever e falar corretamente o português.
2. O comediante imbecil politicamente incorreto:
Sua visão de humor é a do bullying. Para ele não existe o humor físico de um Charles Chaplin ou Buster Keaton, ou o humor nonsense do Monty Python: o único humor possível é o que ri do próximo. Por "próximo", leia-se pobres, negros, feios, gays, desdentados, gordos, deficientes mentais, tudo em nome da "liberdade de fazer rir." Prega que não há limites para o humor, mas é uma falácia. O limite para este tipo de comediante é o bolso: só é admoestado pelos empregadores quando incomoda quem tem dinheiro e pode processá-los. Não é à toa que seus personagens sempre estão no ônibus ou no metrô, nunca num 4X4. Ri do office-boy e da doméstica, jamais do patrão. Iguala a classe política por baixo e não tem nenhum respeito pelas instituições: o Congresso? "Melhor seria atear fogo". Diz-se defensor da democracia, mas adora repetir a "piada" de que sente saudades da ditadura. Sua principal característica é não ser engraçado.
3. O cidadão imbecil politicamente incorreto:
Não se sabe se é a causa ou o resultados dos dois anteriores, mas é, sem dúvida, o que dá mais tristeza entre os três. Sua visão de mundo pode ser resumida na frase "primeiro eu". Não lhe importa a desigualdade social desde que ele esteja bem. O pobre para o cidadão imbecil é, antes de tudo, um incompetente. Portanto, que mal haveria em rir dele? Com a mulher e o negro é a mesma coisa: quem ganha menos é porque não fez por merecer. Gordos e feios, então, era melhor que nem existissem. Hahaha. Considera normal contar piadas racistas, principalmente diante de "amigos" negros, e fazer gozação com os subordinados, porque, afinal, é tudo brincadeira. É radicalmente contra o bolsa-família porque estimula uma "preguiça" que, segundo ele, todo pobre (sobretudo se for nordestino) possui correndo em seu sangue. Também é contrário a qualquer tipo de ação afirmativa: se a pessoa não conseguiu chegar lá, problema dela, não é ele que tem de "pagar o prejuízo". Sua principal característica é não possuir ideias além das que propagam os "pensadores" e os comediantes imbecis politicamente incorretos.
Originalmente publicado em 4 de dezembro de 2011.
Resgatado com Wayback Machine.
sábado, 16 de janeiro de 2021
Sob o manto da espiritualidade
Para um pagão, bruxo e wiccano não há ansiedade, expectativa ou obsessão. Aceitamos o mundo tal qual é e assim mesmo, sagrado e divino. Não tememos ao perceber que estamos na encruzilhada de uma época. O ser humano quer melhorar, mas tem medo de abrir mão de suas convicções e certezas, por mais ilusórias que sejam. Nós gostamos de encruzilhadas.
Diante da iminente mudança, há apenas poucas reações possíveis. Uma, é o de se agarrar ao dogmatismo doentio, obsoleto, ultrapassado, ditado por uma instituição que se arroga uma duvidosa e questionável autoridade espiritual.
Outra, tão perigosa quanto, é o de usar a espiritualidade e a religiosidade como um manto sobre preferências ou agendas pessoais para dar um sentido de sagrado, de segurança, de conforto, de proteção. Seitas e cultos à personalidade são fundados em cima disso, líderes carismáticos podem conduzir seu séquito a ações desesperadas e fatais.
Nem tudo que está revestido ou travestido de espiritualidade, de religiosidade, deve ser aceito, respeitado ou reconhecido como tal. Um grupo de subcultura é um grupo de subcultura. Paganismo, antigo ou moderno, está baseado na cultura, no respeito, nas crenças e nas lendas antigas, ancestrais e típicas de um povo.
Infelizmente, a liberdade de expressão, de opinião e de crença foi e será usada para justificar certas "espiritualidades" que são nada mais do que arapucas que oferecem a falsa promessa da transcendência. Infelizmente, criticar e denunciar estas fraudes serão contestadas usando a estratégia da vítima.
Relembro um trecho de um texto de minha autoria:
"O que leva alguém a procurar uma forma de espiritualidade talvez seja o ponto central do assunto. [...] Eu posso indicar minhas suspeitas que fazem uma pessoa repentinamente procurar por uma forma de espiritualidade.
Um dos motivos certamente é a moda, principalmente pela pressão do meio social em que esta pessoa vive. Para estes não faltam vigaristas, lojas e bugigangas, para os mais diversos fins. Estes certamente querem e gostam que seu caminho espiritual seja reconhecido e aceito como válido por outros, farão uma verdadeira apologia do grupo ou instituição que pertencem e transformarão as análises críticas contra esses mercenários como uma ofensa pessoal ou como uma infração ao legítimo direito universal de opção religiosa dado a todos.[...]
Outro motivo é a propaganda, pela qual uma pessoa é convencida de que as reivindicações daquele grupo, instituição ou caminho espiritual são válidos, quando estes não pressionam seus membros a considerar aquele caminho como sendo o único válido, o que ocasiona tantos conflitos e discussões. Neste caso também é igualmente importante o reconhecimento e aceitação, quando não de impingir a conversão. Para estes é fundamental considerar seus textos mais verdadeiros que a dita verdade que ali contém, bem como de santificar seus fundadores, profetas e iluminados".[Caminhos, espiritualidade, validade]
Assim, nenhuma novidade, diante das justificativas, explicações ou críticas aos meus comentários no Facebook quando eu discordei em considerar a subcultura [termo acertadamente colocado] do Vampyrismo como parte da comunidade pagã. A necessidade de ser aceito, de ser reconhecido, de fazer parte de uma comunidade são mais importantes do que a suposta espiritualidade e religiosidade que alegam ter. Apenas a velha mania de distorcer a história e a mitologia de forma desonesta.
Da mesma forma como se apropriam e aleijam a cultura e a crença de um povo [inconcebível a um pagão], querem se apropriar e aleijar de nosso movimento legítimo em busca de nossas origens, de nossas raízes. Estão usando elementos e símbolos do paganismo moderno como um manto de espiritualidade e religiosidade. Estão querendo se infiltrar na nossa comunidade para conseguirem o respeito e o reconhecimento que necessitam para satisfazerem seus egos. Ou para angariar prosélitos.
Eu encontrei um artigo igualmente bom e esclarecedor:
"Conquistar seu estado sagrado tornou-se simples: entregue a sua vida, seu discernimento, sua consciência e o que estiver em seus bolsos para a igreja e Deus sorrirá pra você!
Um versátil modelo de safar as pessoas de serem mais responsáveis por elas mesmas, de perceberem por si mesmas que suas escolhas, conscientes e inconscientes, precisam melhorar. Obedecer não é a mesma coisa que discernir por si mesmo.
A religiosidade virou sinônimo de instituição depositária de esperanças estéreis e incompreensões emocionais. Aliena-se a autoconfiança das pessoas. Emprega-se o sentido medíocre de um Deus que diz: isso é o certo e aquilo é o errado. E separam as pessoas em diferenças religiosas frente a um mesmo Deus.
Não se percebe o detalhe sutil da dominação aplicada. É uma exploração do medo que existe nas pessoas ou de seus prováveis desesperos circunstanciais.
Minha experiência diz: desconfie de qualquer promessa de liberdade quando também lhe trazem outro tipo de prisão. Liberdade espiritual existe no livre discernimento, no autoconhecimento, ou seja, na consciência perceptiva, amadurecida, esclarecida, autoconfiante.
É a consciência que precisa aprender a valorizar e a evoluir o melhor que há nela mesma. As religiões forçam para o lado oposto, viciam e atrofiam a capacidade de pensar, o potencial de compreensão e sensibilidade que existe em seus frequentadores.
Espiritualidade é algo mais sério e que envolve autonomia de direção interior. Liberdade autêntica de ser quem se é com a consciência em paz consigo mesma e com a humanidade. A autêntica espiritualidade não se limita a conhecer Deus através de religiões que mais dividem do que aproximam as pessoas. Espiritualidade é uma atitude sincera de conseguir perceber que o divino está em tudo e em todos".[Alexandre Arreios, no Artigonal]
Aliás, nada melhor do que deixar um texto de um divulgador do Vampyrismo, Lord A:
"Sim, podemos debater, podemos criticar, podemos nos expressar sobre aquilo que nos importamos, desde que o façamos com propriedade e boa argumentação. [...] Enquanto apenas 'transcendemos' a tudo e todos, apenas varremos para debaixo do tapete, e deixamos para depois nos decidirmos com o que importa.
Você não vai fugir da vida cotidiana, não vai conseguir fugir da necessidade de trabalhar e nem mesmo dos mais diversos problemas sociais pessoais e de terceiros. Você não vai deixar de ser alvo de fofocas pois encontrará pessoas das mais variadas índoles e caráter na sua jornada. Não existe transcendência que irá lhe afastar de tudo isso.
Tudo aquilo de que você foge ou deixa para depois - continua lá. Mais dia menos dia você irá ter que lidar com aquilo. Isso incomoda, angustia e perturba qualquer um ou sujeita durante seus projetos e relações ao longo da vida. Muitos ao se envolverem com a Subcultura Vampyrica, tanto em aspectos laicos/fashionistas quanto com aspectos politeístas/panteístas vêm procurando uma fuga ou uma forma de se mascarar tudo isso.
Ao longo do período de 1995 á 2008 assistimos muitos grupos e pessoas apelando em oferecer uma máscara transcendental constante a qual permitisse fugir da mão-de-obra de lidar consigo, de pesquisar, de pensar a respeito e assim limitar e ser chefe de alguma coisa.
Este implemento e aumento do escapismo transcendental, apenas empobreceu a vida cultural da Subcultura Vampyrica e acabou muitas vezes igualando padrões e atitudes alternativas da cena, a padrões, atitudes e comportamentos não alternativos que tanto criticamos na cultura solar ou dominante.
O excesso de transcendentalismo de apenas 'poder da mente' ou de fontes mais relacionadas a 'sugestionamento', 'submissão a mortos' aleatórias e 'personas magickas' - apenas estão exibindo uma imprecisão histórica, uma perda de identidade, falta de tolerância, apatia, preguiça de educação acadêmica comprovável, vínculos sociais e afetivos fragilizados, e só reafirmando síndromes de Peter Pan variadas e servindo de combustível para uma vindoura nova onda de exposição midiática descaracterizante e acusações bastante complicadas aos integrantes da Subcultura como um todo".[Armadilha transcendental]
"A vertente neopagã deu seus primeiros passos nas proximidade de Washington nos EUA, entre 1972 e 1975 através de encontros e celebrações de solstícios e equinócios.
Em nenhum momento podemos considerar a Subcultura Vampyrica/ cena vamp, seus integrantes e procedimentos fashionistas ou místicos como sequenciamento ininterrupto ou reconstrução dos antigos cultos de fertilidade da Terra do século X.Nem mesmo o termo Strigoi, é utilizado como forma de reviver algum culto de fertilidade da terra, cujos os fundamentos e práticas foram inevitavelmente perdidos nos meios do século XII".[A sede ou a fome]
No que me consta, eu não reconhecerei como parte da comunidade pagã. Aos demais, que cada um faça sua escolha.
Originalmente publicado em 8 de maio de 2011.
Resgatado com Wayback Machine.
sexta-feira, 15 de janeiro de 2021
Cai o pano
quarta-feira, 13 de janeiro de 2021
A igreja não deve dizer o que é crime
terça-feira, 12 de janeiro de 2021
ONU pede proteção mundial a direitos dos homossexuais
O primeiro relatório oficial da entidade sobre o tema pede aos governos que protejam gays, lésbicas, bissexuais e transexuais (LGBTs), que punam as violações graves e revoguem leis discriminatórias.
"A violência homofóbica e transfóbica já foi registrada em todas as regiões. Tal violência pode ser física (incluindo assassinatos, agressões, sequestros, estupros e violência sexual) ou psicológica (incluindo ameaças, coerção e privações arbitrárias da liberdade)", diz o relatório de 25 páginas assinado pela alta comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay.
O texto foi encomendado em junho pelo Conselho de Direitos Humanos, que na época reconheceu os direitos iguais de LGBTs, e condenou toda forma de violência ou discriminação com base na orientação sexual. Países ocidentais consideraram a decisão histórica, ao passo que governos islâmicos a rejeitaram firmemente.
No último dia 6, em discurso no Conselho de Direitos Humanos, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, disse que "nunca deveria ser crime ser gay".
O relatório de Pillay diz que pessoas vistas como homossexuais podem sofrer violência espontânea "nas ruas", ou então abusos mais organizados, "inclusive por extremistas religiosos, grupos paramilitares, neonazistas e nacionalistas extremistas".
A violência contra LGBTs tende a revelar "um alto grau de crueldade", com mutilações e castração, segundo o relatório, que critica também os "assassinatos por honra" cometidos por parentes e membros de comunidades onde vivem os homossexuais.
O texto cita casos de assassinatos de gays na Suécia e na Holanda, a morte de uma transexual em Portugal, e crimes contra mulheres lésbicas, bissexuais ou transexuais em El Salvador, Quirguistão e África do Sul.
Outro caso destacado no relatório aconteceu no Brasil, onde um casal de lésbicas teria sofrido agressões em uma delegacia e sido obrigado a fazer sexo oral.
Atualmente, acrescenta o relatório, há 76 países com leis usadas para criminalizar comportamentos com base na orientação sexual e identidade de gênero. O texto não cita os países que impõem a pena de morte, mas ativistas dizem que são eles: Irã, Mauritânia, Arábia Saudita, Sudão e Iêmen, além de algumas regiões da Nigéria e Somália.
(Reportagem de Stephanie Nebehay) G1 Mundo.
Texto resgatado com Wayback Machine.