sábado, 2 de maio de 2009

Celebração, Paganismo e 1º de Maio

A respeito do significado religioso pagão do Primeiro de Maio, já neste blogue se disseram umas quantas palavras, que podem ser lidas aqui, texto que fala maioritariamente da tradição romnana, por um lado, e da tradição céltica mais bem conhecida, a da Irlanda, por outro. No caso de Portugal, não há, até agora, registo do que fariam nesta data os Celtas e/ou Lusitanos que viveram em território português. Perante tal escassez de fontes religiosas lusitanas e/ou célticas hispânicas, muitos pagãos portugueses têm, compreensivelmente, ligado a sua prática ao rito e mito da Irlanda, isto é, dos parentes conhecidos mais próximos.
Mas, porque no folclore nacional se encontram vestígios do Paganismo indígena, pode o estudo das tradições folclóricas ser proveitoso para quem queira reconstruir, ou recriar, um caminho religioso para o culto das antigas Deidades deste extremo ocidente europeu.
Quanto à tradição, ainda hoje, no dia 3 de Maio, rapazes e raparigas das povoações próximas do Cabeço das Fráguas sobem ao alto daquele monte, dançam, cantam e merendam um cabrito ou um borrego assado. Virá desses tempos este hábito? Não nos repugna aceitar que sim, pois é o único monte onde tal prática existe, embora seja hábito na região da Guarda fazer uma merenda, no campo, nesse dia.
A data de 3 de Maio pode também ligar-se a cultos pagãos indo-europeus e célticos, que sobrevivem no Dia das Maias. É costume, nas festividades beirãs e transmontanas, ofertar borregos aos santos festejados, arrematando-os depois no bazar de oferendas. Também é frequente os pastores levarem o rebanho a cumprir novenas em torno de certas capelas de santos ou santas da sua devoção, obrigando os animais a dar nove voltas, práticas que, pelo seu carácter supersticioso e pagão, muitos sacerdotes católicos, normalmente, contrariam. Em Trás-os-Montes ainda se conserva, em alguns lugares, no Felgar, por exemplo, o hábito de incorporarem na grande procissão do ano, juntas de bois, levando sobre as hastes sacos com cereal.

Fonte: Gladius

Campanha pela apostasia na Argentina

As iniciativas europeias para impulsionar o ateísmo e o afastamento da Igreja Católica chegaram à Argentina, onde membros de mais de 21 ONGs começaram nesta segunda-feira, 2 [Março], uma campanha para promover a renúncia ao catolicismo sob o lema "Não em meu nome". Os promotores da campanha, conhecida como "afastamento coletivo", pertencem a cerca de 25 organizações civis de todo o país dos mais diferentes setores, desde grupos de mulheres a favor da descriminalização do aborto até coletivos homossexuais, passando pela Associação de Ateus da Argentina, ArgAtea. Andrés Miñones, membro da ArgAtea, que promove a implantação dos valores laicos e é a única de seu tipo existente no país, explicou à Efe que o objetico é "abrir um debate na sociedade argentina para que as pessoas possam expressar sua discordância com algumas posturas da Igreja Católica". Miñones reconheceu que a Argentina é um país eminentemente católico e admitiu que os organizadores da campanha confiam em conseguir grandes deserções, embora tenha considerado que seja um passo importante lançar esse debate inédito. O gatilho para a iniciativa no país, lembrou, foi a polêmica que se iniciou em novembro passado no vizinho Uruguai sobre a descriminalização do aborto e a linha radical que a Igreja Católica uruguaia adotou com ameaças de excomunhão. A campanha se articula em torno de uma página na web (apostasiacolectiva.org) onde os interessados podem baixar uma carta de renúncia a seu batismo que devem dirigir a seus respectivos arcebispados.
Uma leitura mais profunda nos levam a afirmar que a apostasia é uma realidade.
Não celebrar os ritos, crer em dogmas e doutrinas, cumprir com os mandamentos morais ou obedecer à hierarquia eclesiástica por parte dos Católicos é um sinal que demonstra isso.

A notícia da apostasia coletiva ocorrida em diversas cidades do país [Argentina-NT] por parte de grupos agnósticos, ateus e descontentes com as religiões (especialmente a Católica), tem a ver com o direito de mudar de religião ou o de professar nenhuma.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Maio, mês de Maya

O mês recebeu seu nome da Deusa grega Maya [ou Maia-NT], uma das Pleiades, que é identificada como a Deusa da Fertilidade Bona Dea. Não se deve confundir com a Deusa hindu Maya, a Deusa da Ilusão.
Festas em Maio:
1ª de Maio – Festival da Bona Dea e Vinalia, a celebração da colheita de uva [e da produlção de vinho-NT] do ano anterior.
9 de Maio – Festa dos Larvae.

As "larvas" ou "lemures" são espectros ou espíritos dos mortos.
11 de Maio - Consagrado a Mania, Deusa da Morte e mãe dos Lares.
14 de Maio - Argeis, o ritual que acompanha a Procissão de Argei. Uma pricissão vai aos santuários de Argei; essas procissões iam pelos dezessete santuários especiais através das regiões de Roma na Servia como um rito preparatório. Os argeis são feixes em formas humanas que são atirados ao rio em Março.
15 de Maio - Mercuralia, em honra a Mercúrio.
Os mercadores espargem com água consagrada suas cabeças, navios e mercadorias.
21 de Maio - Vejovis, uma das quatro Agonalia.
Na tradição religiosa de Roma Antiga, a Agonalia era um festival celebrado várias vezes ao ano em honra de várias divindades, como Janus e Agonius, os quais os Romanos costumavam evocar nos seus empreendimentos importantes.
Vejovis era um dos Deuses antigos dos Romanos. Ele era um Deus da cura e foi associado ao Deus grego Esculápio.
23 de Maio - Tubilustrium, a Purificação dos Trompetes.
Uma ovelha é sacrificada para santificar [consagrar-NT] os trompetes usados em muitas das cerimônias públicas, é uma cerimônia de purificação e preparação tanto pelo inicio do ano sagrado e da estação da campanha militar.
25 de Maio - Consagrado a Fortuna, Deusa do Destino, Oportunidade, Sorte e Prosperidade.
29 de Maio - Ambarvalia.
A purificação ritual dos campos, quando as fronteiras entre os campos são purificados por uma procissão de animais sacrificatórios.
Fonte: Wikipedia e Nuova Roma, com edição e tradução.

1º de Maio

Amanhã será o Dia Mundial do Trabalhador, mas será uma data especial também para Pagãos por ser um dia sagrado. No hemisfério norte, nós comemoraremos ou Beltane, ou Walpurgis Night, ou May Pole. No hemisfério sul, nós comemoraremos o Sanhaim.
O interessante para este blog e para mim foi encontrar no livro "A invenção das Tradições", de Eric Hobsbawm e Terence Ranger, que a data do 1º de Maio pode ter origem nas festas populares.
"O principal ritual internacional destes movimentos, o 1ª de Maio desenvolveu-se espontaneamente dentro de um período surpreendentemente curto. [snip] A escolha desta data foi certamente bastante pragmática na Europa. [snip] Havia sido proposto, com certa razão, que essa data coincidisse com [snip] a data em que tradicionalmente se encerravamos contratos de trabalho [snip].
[snip] A escolha de uma data tão carregada de simbolismo pelas antigas tradições revelou-se importante [snip]. Desde o início, a ocasião atraiu e absorveu elementos simbólicos e rituais, principalmente a de celebração semireligiosa e sobrenatural, um feriado e um dia santo ao mesmo tempo.
[snip] O antigo simbolismo da primavera, a ele associado de maneira tão fortuita, foi perfeito para a ocasião [snip]." [Hobsbawm, E. & Ranger, T. - "A invenção das Tradições", pg. 291-292, Ed. Paz e Terra]
Apenas neste dia o sagrado e o profano se encontram e as pessoas celebram seus laços comunitários, religiosos e sociais. Eu duvido que os sindicatos locais incluam um Poste de Maio nas celebrações do "Dia do Trabalho". Certamente irão manter a celebração desvinculada de sua origem religiosa, preferindo o vínculo desta com os ideais marxistas.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Sacrifício

No início homens eram sacrificados, geralmente após batalhas entre grupos rivais ou mesmo quando as aldeias estavam com problemas: doenças, escassez de alimento, água, etc. O sacrifício era algo importante, pois somente heróis eram sacrificados: o guerreiro preferia morrer com a honra de servir seus deuses que negar este amor e optar por uma vida simplória e anônima.
Com o tempo os sacrifícios passaram a utilizar animais. Ao Homem viver seria sua maior honra, e se era para agradar os deuses, então que animais com sangue e olhos como os dele deveriam morrer. O Homem a vida dos outros animais passou a estar sob seu julgamento, e por um longo tempo os Deuses aceitaram essas ofertas de cordeiros, bois, bodes... bodes expiatórios. O Homem que não queria morrer por seus deuses, também não queria mais matar animais com seus gritos de dor e olhares fixos nos seus.
Assim os sacrifícios passaram a ser vistos como atos de crueldade à vida, sem heróis e sem bodes o Homem passou a utilizar plantas. Há exemplos como os troncos queimados em rituais invernais, de oferendas de grãos em barcos, de grandes esculturas humanas feitas de palhas e galhos. As plantas não possuem olhos e nem sangue, mas passaram a ser os novos heróis de sangue.
Com o surgimento das religiões e seus pecados, karmas e demais castigos, o sacrifício passou a ser novamente do Homem. Mas indisposto de honrar sua vida ao seu Deus, o Homem passou a sacrificar suas funções vitais, privando-se da alimentação, jejuando por dias e noites, do prazer do sexo, vendo-o como algo sujo e necessário apenas para reprodução, e demais prazeres.
O corpo, antes morada sagrada de um espírito herói passou a ser visto como uma máquina de maldade, e assim peças dessa máquina passaram a ser sacrificadas para agradar o novo Deus, ou mesmo os antigos Deuses. O Homem passou a ver a vida como algo desagradável e a morte como um banho de purificação, uma salvação.
Atualmente vivenciamos diversos sacrifícios. No atual mundo “civilizado”, não contente com o auto-sacrifício, o Homem passou a sacrificar os próprios Deuses em honra de... de si mesmo. O Homem querendo escapar de qualquer dor passou a negar sua religião, a pedir sem agradecer, a ver o alimento numa caixinha de papelão congelada e pré-cozida.
Estando o mundo espiritual dependente do mundo material, os Deuses aceitaram tal condição, mas o Homem esqueceu que extinguindo os Deuses estará extinguindo a si próprio, cortando o ciclo que alimenta os dois mundos, e assim morrerá, desaparecendo, anônimo, sem um pós-morte, sem salvação, sem nada.
Ainda que existam heróis, ainda que existam Deuses, a honra perdeu sua grandiosidade nas sociedades, o heroísmo passou a ser visto como algo de poucos, a ser evitado por afetar a integridade do Homem.
Você prefere viver pouco e morrer honrado(a) ou viver bastante e morrer anônimo(a)? Assim como Tétis profetizou a Aquiles: lutar em Tróia e alcançar a glória eterna, mas morrer jovem, ou permanecer em sua terra natal e ter uma longa vida, mas sendo logo esquecido? Pense nisto!
Por Arwëniem em Templo Ancestral [original perdido]

Propaganda e religião















Eu encontrei uma notícia curiosa no blog Wild Hunt: na Flórida e na Carolina do Sul [Estados dos EUA] foram autorizadas a produzirem placas de carro "religiosas", contendo imagens cristãs. De imediato, eu me lembrei do caso das propagandas ateístas nos ônibus em Londres, o que provocou uma grande polêmica.

Nos EUA, os Estados são confederados, ou seja, possuem uma liberdade relativa quanto a leis estaduais, mas desde que estas leis estaduais não violem a Constituição e é nessa base que alguns advogados locais estão contestando na Justiça tal autorização.
Na Grã-Bretanha, a iniciativa dos ateus se baseia no direito da liberdade de expressão e opinião, ainda que seja considerada agressiva e ofensiva.
No Brasil, fica ao encargo do proprietário enfeitar ou não seu carro com decalques que indiquem seus gostos, preferências, opiniões e crenças, desde que não violem as regras de trânsito.
A Propaganda tem o intuito de divulgar qualquer serviço, produto ou idéia, nisso incluindo crenças e descrenças. A Propaganda não tem a pretensão, a intensão ou a obrigação de ser verdadeira e tal atributo é ptencializado quando se trata de divulgar uma crença ou descrença. Tanto Cristãos quanto Ateus cometem os mesmos erros ao divulgarem por meio da propaganda clichês superficiais, generalizantes, discriminatórios e preconceituosos contra aqueles que tem uma opinião, crença (ou descrença) diferente.
Embora eu seja contra o proselitismo, como comunicólogo eu espero que a Propaganda continue sendo usada como veículo independente para divulgar os gostos, as preferências, as opiniões e as crenças de cada indivíduo. Tanto que sonho em algum dia poder encontrar produtos voltados para o público Pagão, como uma placa de carro semelhante à que enfeita o tópico no blog do Wild Hunt.

sábado, 25 de abril de 2009

Classe 101 de wiccanice

A questão surge frequentemente: "O que torna alguém falso ou um farsante?" O conceito de "pink-wiccano" é similar ao "twinkie" [bolo recheado conhecido no Brasil como "Ana Maria"-NT] tal como é usado nas comunidades indígenas americanas: uma pessoa que brinca com práticas espirituais ou leva a sério suas práticas mas segue mais a estereótipos do que a informação real. Praticar um numero significativo de um desses comportamentos característicos será o suficiente para te rotular assim. Se você acha isso ofensivo, então você provavelmente é um wilkano clássico.
1. Afirmar estar praticando um caminho realmente velho, mas não se esforça em encontrar o que as pessoas efetivamente faziam ou acreditavam nesse caminho, inventando as práticas enquanto afirma que era assim que os antigos faziam.
2. Ignorar qualquer coisa escura ou ameaçadora, mesmo pretendendo trabalhar com divindades sombrias. Falar como a divindade de sua escolha é sempre boa ou sempre certa, ou pretender que sua Deusa Sombria favorita é apenas mal compreendida.

3. Aceitar qualquer coisa que outro wilkano te disser ou que leu em algum livro com um enorme lua crescente em sua lombada. Alternativamente, aceita qualquer fonte como definitiva, se se importar com que os intelectuais pensem dela. E passar qualquer coisa que seja, que você ache que saiba ser, embora você tenha inventado.
4. Pegar tudo que foi trabalhado em qualquer tipo de desafio que envolva lógica ou fato. Apenas sentimentos realmente importam. Desconsiderar o que outros tem a dizer se não confirmar o que você acredita, mesmo se eles puderem provar suas afirmações.
5. Brigar com qualquer um que não te considere, especialmente se eles continuarem a apresentar evidências que refute suas afirmações e declare que no fim você está falando que "todo mundo tem capacidade de dar uma opinião" e então a sua opinião é tão boa quanto a de qualquer um.
6. Enfatizar ruidosamente que ninguém tem o direito de fazer julgamentos sobre o que você escreveu se eles não te conhecem bem fora da rede. Desconsiderando o que você evidentemente disse, apenas suas motivações declaradas deveriam importar para as outras pessoas.
7. Evitar conflitos a qualquer custo e entrar na discussões de outras pessoas, mesmo quando você não estiver diretamente envolvido, tentando fazer com que concordem pelo bem da concórdia. Concordar com outros apenas para arrefecer os ânimos, ou mesmo os instruir em como ele devem se dar bem. Se você modera um forum, apagua qualquer mensagem que não concorde com você ou que apresente opiniões incômodas.
8. Tenta fazer com que outros parem de profanar ou parem de falar em um assunto porque te incomoda.
9. Conta aos não wilkanos o quanto horrivel/desespiritualizado eles são por não aceitar todos os Pagãos, a despeito do comportamento deles.
10. Queixa-se frequentemente da perseguição ou repete de alguma forma o mito do "Tempo das Fogueiras", mesmo que não tenha sido perseguido.
11. Em conversas sempre assume que a Rede (ou outro código) se aplica a todos os Pagãos. Se for ligeiramente desafiado, age confuso; se for altamente desafiado, entra no modo Olho Gordo Master e acusa o infiel de satanismo, crowleyismo ou pior.
12. Dê palestras em qualquer dos assuntos favoritos da Wilka.
13. Insiste que a Wilka é qualquer coisa que você quiser que seja, a despeito da história. Exige respeito ao que você está fazendo, mesmo que arruine os esforços de seus percusores e iniste em chamar o lixo pelo mesmo nome. Não se importa em renomear o que você faz, embora parcamente baseada em uma forma original, porque você quer tirar vantagem das pessoas que vieram antes de você e alega uma forma de linhagem desconsiderando a lacuna entre o que eles fizeram e o que você faz.
14. Se sua crença é que "todas as Deusas são a Deusa e todos os Deuses são o Deus" e ultimamente todas as divindades são aspectos do Um, usando isso como desculpa para não aprender sobre ou trabalhar com divindades especificas. Ou, quando você evoca o Senhor ou Senhora pelo nome, mistura e equivale a outro casal de outro panteão de outra época.
15. Usa a incapacidade como uma desculpa para não verificar seus fatos ou aprender algo novo, ou como uma desculpa para adotar outros comportamentos fúteis. Reclama de perseguição se alguém ousa sugerir que usar um corretor ortográfico não é fora do propósito mesmo para uma pessoa incapacitada.
16. Assina seus emails/comentários com "Namaste" ou "BB" quando o conteúdo da mensagem insulta alguém ou contradiz a saudação.
17. Não demonstra qualquer sinal de ter sido tocado pela divindade ou por uma experiência estática. Se importa mais com o que a sociedade ou seus amigos pensam do que com o que as divindades pensam. Não fazer coisa alguma que possa desenvolver seu caminho/abilidades/percepção, que possam provocar alguma desaprovação ou te fazer perder a pose.
Autores: Freeman e Sky Dancer.

Fonte: Oak Forest Coven