sexta-feira, 12 de junho de 2009

O lado escuro

“Vocês vivem num mundo onde habitam personagens de uma grande escuridão assim como seres de grande espiritualidade a transbordar de amor, mas na verdade a maioria dos humanos encontram-se entre estes dois pólos. Cada um de vocês sabe da luz interior que brilha em cada um deles; cada um sabe também a parte de sombra pela qual já foi confrontado e que traz em si.
As duas faces são a expressão da dualidade que forma a natureza da vida que vocês conhecem pela vossa própria experiência humana. Ao longo da história, houve momentos de incrível iluminação espiritual mas também períodos de impenetrável escuridão e vocês podem constatar que estes dois extremos coexistem muitas vezes num mesmo momento e ocupam o mesmo espaço enquanto pólos da mesma energia.
Estes pólos opostos confrontam-se e opõem-se, e no entanto, vocês podem perceber que eles são simplesmente reflexos de um todo. Como estudantes de sabedoria esotérica, vocês aprendem que devem integrar as duas polaridades: o bem e o mal, a luz e a obscuridade, o amor e o ódio.
Enquanto estiverem a alimentar as forças opostas, a guerra reinará sobre todos os planos.” Le Haut Conseil de Sirius – Patrícia Cori Deste modo torna-se claro para nós que tanto a Igreja secular como os Governos do Mundo, manipulam há séculos as pessoas mantendo-as em permanente dualidade e em luta acérrima contra o seu pólo oposto – seja ele o feminino-negativo, seja ele o diabo ou o inimigo - em vez de clarificar que o que o verdadeiro Conhecimento nos propõe é a necessidade de integrar esses dois lados da natureza que coexistem dentro de nós e são parte do nosso ser para integrar e formar o Ser Uno ou Andrógino.
Que as polaridades principais como o feminino e masculino se encontram em luta e que essa separação é intencionalmente provocada pelos poderes da escuridão. Por isso a Integração do Pólo Feminino – completamente destruído por esses poderes - reverte-se da maior urgência. Eles sabem que o seu poder depende de separar a mulher do homem e na divisão intrínseca da Mulher em dois ou mais estereótipos, para impedir o encontro da “chama gémea” e a sua fusão alquímica, e assim exercem o controlo e a manipulação da humanidade através das Religiões e dos Estados, que coloca os seres humanos impotentes e temerosos entre um deus e um diabo fora de si mesmos.
A sujeição da mulher e a sua anulação é o factor fundamental para o reino do Poder Oculto que domina o Mundo na obscuridade e na mentira. Por essa razão as mulheres continuam a ser prostituídas e exploradas sem que os Estados façam nada, degradadas pelos meios de comunicação social, dos anúncios, e mesmo pelos Blogues de jornalistas e políticos que se servem de imagens aberrantes e destrutivas da sua beleza e a rebaixam ao lixo…
Eles promovem a alienação da mulher de si própria desde menina e do seu poder interior, educada para servir a espécie dos escravos que os humanos ainda são e da ideia única de produzir-consumir e morrer, na ilusão da evolução tecnológica que os afastou do contacto com a Natureza e a vida, dando-lhes instrumentos sofisticados e inúteis que poluem e destroem o sistema ecológico.
Milhões de telemóveis, computadores, jogos e televisões, carros, e paraísos artificiais para férias que não fazem senão destruir ainda mais o equilíbrio da Terra, da flora, da fauna e dos oceanos… O Eixo do Mal e o Eixo do Bem, representam os fundamentalismos americano e árabe, como pano de fundo dessa guerra milenar e nuclear, entre ocidente e oriente, que nos pode destruir a todos e que continua a alimentar os “vampiros invisíveis”…
A Mulher essencial, como mediadora das forças cósmicas e telúricas é a Pedra Basilar da construção do novo Mundo. As forças Yin, maternais, são absolutamente necessárias para entrar no período de oscilação da Terra para contrapor as forças Yang de destruição e guerra.
Sem o despertar interior da mulher em relação ao seu poder interno e sem a consciência da sua actual cisão, a mulher não conseguirá interagir no mesmo plano que o homem e o homem não pode integrar o seu feminino. Tal como os cientistas, com as suas fantásticas descobertas as inutilizam, por ignorarem a espiritualidade do Planeta, e ver Gaia como um ser vivo com Alma e emoções e sobretudo inteligência, também as mulheres que lutam pelos seus direitos e alteração das leis a seu favor, sem a dimensão espiritual do feminino sagrado, as inutilizam e acabam por as virar contra si próprias.
Considerar a evolução espiritual em conjunto sem que a mulher primeiro acorde para o seu feminino sagrado e primordial é um erro enorme porque se cai na ilusão de uma evolução que não é baseada na verdadeira integração dos pólos opostos complementares, continuando a luta agora mais subtil, entre o positivo e o negativo o e ainda o bom e o mau…
Ignorar que a mulher ainda não alcançou esse patamar de união consigo mesma e com a Deusa é ignorar algo de fundamental e servir ainda o mundo da escuridão… Um mundo supostamente espiritual, mas cheio de egos, medos, ódios e competição…onde o dinheiro e a aparência continuam a ser o apanágio de terapeutas e curadores, astrólogos, gurus e discípulos…que acabam na sua ingenuidade ou ignorância por servir os interesses dos senhores das trevas…
Pescado de: Alta Sacerdotisa [link indisponível]

Medo do Feminino

Toda a ideologia do patriarcado concebe o "feminino" como uma força irracional destrutiva. Entretanto, a desvalorização do Feminino deve ser entendida como uma tentativa de superação do medo do Feminino e de seu aspecto perigoso como a "Grande Mãe" e como a "anima".
No patriarcado, o inconsciente, o instinto, o sexo e a terra, enquanto coisas terrenas, pertencem ao "feminino negativo", ao qual o homem associa a mulher, e que todas as culturas patriarcais, até o presente momento, a mulher e o Feminino têm sofrido sob a atitude defensiva e o desprezo masculinos. Essa avaliação negativa não se aplica apenas ao caráter elementar e ao aspecto matriarcal, mas igualmente ao seu transformador.
Para o homem, que considera-se "superior", a mulher se torna feiticeira, sedutora, bruxa, e é rejeitada em virtude do medo associado ao Feminino irracional. O homem denuncia o Feminino como escravizador, como algo confuso e sedutor, que pode colocar em risco a estabilidade de sua existência.
Ele rejeita o feminino, especialmente porque ele o prende no casamento, na família e na adaptação à realidade, e o confunde quanto o pensar de si próprio. Como o indivíduo do sexo masculino é dominado pelo elemento espiritual superior, ele foge da realidade da terra e prefere ascender rumo ao céu.
O resultado dessa postura unilateral, torna o homem não integrado que é atacado por seu lado reprimido e em muitas vezes sobrepujado por ele. A negativização do Feminino não deixa que o homem experiencie a mulher como uma igual, mas com características distintas.
A conseqüência da altivez patriarcal leva à incapacidade de fazer qualquer contato genuíno com o Feminino, isto é, não apenas com a mulher real, mas também com o Feminino em si, com o inconsciente.Enquanto o indivíduo do sexo masculino não deixar desenvolver o Feminino (anima) em uma psique interior, jamais chegará a alcançar a totalidade.
A separação da cultura patriarcal do Feminino e do inconsciente torna-se assim, uma das causas essenciais da crise de medo que agora se encontra o mundo patriarcal. O medo da Sabedoria Feminina é notável, como uma mulher que nada fez foi convertida em uma bruxa maligna, é claro que sabemos que os homens principalmente cristãos temam qualquer mulher que tivesse acesso a sabedoria oculta, Hipácia é portanto símbolo da Ciência Divina manifestada na natureza feminina,acredito fielmente que Hipácia seja a direcionadora da sabedoria oculta, um ser especial uma estrela despertina, uma mulher enviada pela própria divindade feminina para manifestar sua vontade, mas como Deusa Aradia sem nada fazer foi considera maligna e perigosa, lembrando o que Aradia disse aos "Santíssimos" Padres:

-"Você só traz a punição para àqueles que se livraram da Igreja e da escravidão. Estes símbolos e roupa de autoridade que veste, só servem para esconder a nudez que nos faz iguais. Você diz que serve a um deus, mas você serve somente a seus próprios medos e limitações". [Evangelho de Arádia, de Charles Godfrey Leland - NB]

As pessoas (homens do patriarcado) na verdade não temiam Hipácia e sim a si mesmo a a sua propria ignorancia. Temam olhar o olho enterrado dentro de si mesmos.
Pescado de: Alta Sacerdotisa [link indisponível]

As mulheres selvagens

A fauna silvestre e a mulher selvagem são espécies em risco de extinção.
Observamos, ao longo dos séculos, a pilhagem, a redução de espaço e o esmagamento da natureza instintiva feminina. Durante longos períodos ela foi mal gerida, à semelhança da fauna silvestre e das florestas virgens. Há alguns milênios, sempre que lhe viramos as costas, ela é relegada às regiões mais pobres da psique. As terras espirituais da Mulher Selvagem, durante o curso da história, foram saqueadas ou queimadas, com seus refúgios destruídos e seus ciclos naturais transformados à força em ritmos artificiais para agradar os outros.
Não é por acaso que as regiões agrestes e ainda intocadas do nosso planeta desaparecem à medida que fenece a compreensão da nossa própria natureza selvagem mais íntima. Não é tão difícil compreender porque as velhas florestas e as mulheres velhas não são consideradas reservas de grande importância. Não há tanto mistério nisso. Não é coincidência que os lobos e os coiotes, os ursos e as mulheres rebeldes tenham reputações semelhantes. Todos eles compartilham arquétipos institivos que se relacionam entre si, por isso, têm reputação equivocada de serem cruéis, inatamente perigosos, além de vorazes.
Minha vida e meu trabalho como analista junguiana e cantadora, contadora de histórias, me ensinaram que a vitalidade esvaída das mulheres pode ser restaurada por meio de extensas escavações "psiquico-arqueológicas", e, através de sua incorporação ao arquétipo da Mulher Selvagem, conseguimos discernir os recursos da natureza mais profunda da mulher. A mulher moderna é um borrão de atividade. Ela sofre pressões no sentido de ser tudo para todos. A velha sabedoria há muito não se manifesta.
O título do livro, Mulheres que correm com os lobos, mitos e histórias do arquétipo da Mulher Selvagem, foi inspirado em meus estudos sobre a biologia de animais selvagens, em especial os lobos. Os estudos de lobos Canis Lupus e Canis rufus são como a história das mulheres, no que diz respeito à sua vivacidade e à sua labuta.
Os lobos saudáveis e as mulheres saudáveis têm certas características psíquicas em comum: percepção aguçada, espírito brincalhão e uma elevada capacidade para a devoção. Os lobos e as mulheres são gregários por natureza, curiosos, dotados de grande resistência e força. São profundamente intuitivos e têm grande preocupação para com seus filhotes, seu parceiro e sua matilha. Têm experiência em se adaptar a circunstâncias em constante mutação. Têm uma determinação feroz e uma extrema coragem.No entanto as duas espécies foram perseguidas e acossadas, sendo-lhes falsamente atribuído o fato de serem trapaceiros e vorazes, excessivamente agressivos e de terem menor valor que os seus detratores. Foram alvo daqueles que preferiam arrasar as matas virgens bem como os arredores selvagens da psique, erradicando o que fosse instintivo, sem deixar que dele restasse nenhum sinal. A atividade predatória contra os lobos e contra as mulheres por parte daqueles que não os compreendem é de uma semelhança surpreendente.
Chamo-a Mulher Selvagem porque essas exatas palavras, mulher e selvagem, criam llamar o tocar a la puerta, a batida dos contos de fadas à porta da psique profunda da mulher. Llamar o tocar a la puerta significa literalmente tocar o instrumento do nome para abrir uma porta.
Significa usar palavras para obter a abertura de uma passagem. Não importa a cultura pela qual a mulher seja influenciada, ela compreende as palavras selvagem e mulher intuitivamente.
Quando as mulheres reafirmam seu relacionamento com a natureza selvagem, elas recebem o dom de dispor de uma observadora interna permanente, uma sábia, uma visionária, um oráculo, uma inspiradora, uma instintiva, uma criadora, uma inventora e uma ouvinte que guia, sugere e estimula uma vida vibrante nos mundos exterior e interior. Quando as mulheres estão com a Mulher Selvagem , a realidade desse relacionamento transparece nelas. Não importa o que aconteça, essa instrutora, mãe e mentora vagem dá sustentação às suas vidas interior e exterior.
Portanto, o termo selvagem neste contexto não é usado em seu atual sentido pejorativo de algo fora de controle, mas em seu sentido original, de viver uma vida natural, uma vide em que a criatura tenha uma integridade inata e limites saudáveis. Essas palavras, mulher e selvagem, fazem com que as mulheres se lembrem de quem são e do que representam. Elas criam uma imagem para descrever a força que sustenta todas as fêmeas. Elas encarnam uma força sem a qual as mulheres não podem viver.
O arquétipo da mulher selvagem pode ser expresso em outros termos igualmente apropriados. Pode-se chamar essa poderosa natureza psicológica de natureza instintiva, mas a Mulher Selvagem é a força que está por trás dela .
A mulher selvagem carrega consigo os elementos para a cura; traz tudo o que a mulher precisa ser e saber. Ela carrega histórias e sonhos, palavras e canções, signos e símbolos. Ela é tanto o veículo quanto o destino.

Aproximar-se da natureza instintiva não significa desestruturar-se, mudar tudo da esquerda para a direita, do preto para o branco, passar do oeste para o leste, agir como louca ou descontrolada. Não significa perder as socializações básicas ou tornar-se menos humana. Significa exatamente o oposto. A natureza selvagem possui uma vasta integridade.
E então, o que é a Mulher Selvagem? do ponto de vista da psicologia arquetípica, bem como da tradição das contadoras de histórias, ela é a alma feminina. No entanto, ela é mais do que isso. Ela é a origem do feminino. Ela é tudo o que for instintivo, tanto do mundo visível quanto do oculto-ela é a base. Cada um de nós recebe uma célula refulgente que contém todos os instintos e conhecimentos necessários para nossa vida.
Clarissa Pinkola Estés, in "Mulheres que correm com os lobos".

Pescado de: Mulheres & Deusas

Entrevista com May East

A Planeta na Web entrevistou May East em uma de suas curtas passagens por São Paulo. Ela explicou porque o resgate do feminino é tão importante para o futuro do planeta.
Planeta na web - Como você traz esses ensinamentos do eco-feminismo para o Brasil?
May - A reconsagração do ventre, por exemplo, que é um dos trabalhos que faço aqui, é de profunda intimidade da mulher consigo mesmo, de resgate da sua conexão com seu ventre, seu cálice de luz, seu centro de gravidade -- mas ao mesmo tempo é um trabalho profundamente politizado. Historicamente há as feministas políticas, que representam o yang do yin dos anos 50 e 60, que queimavam sutiã em praça publica, Depois temos essas mulheres que vieram nutrindo a chama do que era ser mulher em sociedades secretas, muito preocupadas em serem interpretadas como mulheres quer estão fazendo bruxaria. Essas duas vertentes da reemergência do feminino do século 20 muitas vezes fluíram em oposição. As feministas políticas olhando para as mulheres do retorno da deusa dizendo "essas mulheres estão num exercício narcisista, não estão conseguindo articular esse corpo de valores na sociedade e mudá-la", e as mulheres do retorno da deusa sem poder para realmente fazer essa articulação, essa tecedura, do mistério do feminino na realidade -- nem mesmo de passar para os seus filhos homens e mulheres. Então aconteceu foi o encontro de Beijing, na China, há quatro anos. Foi um encontro histórico para a reemergência da mulher, porque lá estavam as feministas políticas e as mulheres do retorno da deusa, e elas perceberam que tinham que entrar em diálogo e começar a trocar. Foi aí que o eco-feminismo assentou na consciência das mulheres. As feministas perceberam que se continuassem com sua ação política mas ao mesmo tempo estivessem ancoradas, enraizadas nos mistérios do que é ser mulher, elas seriam mais eficientes agentes da transformação. E as mulheres do retorno da deusa perceberam que não há mais tempo mesmo de ficar relembrando o passado, nós temos que mudar o hoje pra garantir o futuro das próximas gerações. É fantástico, é um privilégio estar encarnada como mulher nesse momento e poder fazer esse resgate consigo mesma, passar para as filhas... Eu sou apaixonada pelo que eu faço.
Planeta na web - E os homens, como ficam nessa história?
May - Quando encontrei o Craig ele há muitos anos trabalhava com o movimento de homens. Percebemos nesse encontro que o mais fácil mesmo era polarizar, as mulheres ficarem celebrando o passado, inaugurando o presente e sonhando o futuro, e os homens buscando essa nova identidade do masculino. Então fomos treinados num método chamado de Reconciliação entre o Feminino e o Masculino. O crucial para a questão do masculino e do feminino é o entendimento. Existe uma série de métodos para que a gente saia da comunicação defensiva entre homem e mulher, onde só escutamos aquilo que é necessário para empilhar munição para ganhar no duelo de quem tem a verdade mais forte ou melhor articulada. Nós percebemos que, ao longo dos séculos, o que era ser mulher e ser homem era segredo dos respectivos clans, e começamos tentar explorar um novo caminho: uma vez que já resgatamos o feminino, convidar os homens a visitar, em termos simbólicos, e serem introduzidos ao que é ser mulher -- e vice-versa.[Planeta Web]
Nota: Partes sublinhadas por conta da casa.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Religião Popular

Existem três grandes religiões majoritárias monoteístas que dividem a preferência das pessoas pelo mundo: o Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo. No Oriente podemos dividir esse bolo ainda mais com as religiões do Budismo e do Hinduismo, mas o comportamento dessas cinco religiões acabam se igualando em um aspecto: a manifestação da "religião oficial" pelas pessoas comuns.
Ao contrário dos impérios seculares, esses impérios religiosos, para conquistar a massa de seguidores que têm, aceitaram, adapatram, assimilaram ou misturaram as crenças comuns do povo na liturgia oficial. A religião oficial teve de conviver com a religião popular, mesmo porque em seu esqueleto existem muitas bases que vieram da religião popular.
A religião popular é a manifestação mais autêntica, rica e voluntária que toda pessoa exerce em sua espiritualidade. Ela é a religião mais original, autêntica e nativa de cada local e, a despeito disso, a mais universal em seus elementos e práticas. Esta é a religião que subsiste e resiste pacificamente há milênios dentro das religiões institucionalizadas, sobrepondo obstáculos, fronteiras, linguagens, tempo e cultura. Muitas vezes ela é fruto da adaptação da doutrina oficial e intitucionalizada em termos mais comuns, mais simples, mas sem deixar de ser dinâmico e profundo em sua visão do mundo e do sagrado. Muitas vezes ela é uma mistura única de diversas crenças provindas de muitos povos e enriquecida com a chegada de outros povos com suas crenças, mas seu conteúdo e propósito continuam o mesmo.
Muitos de seus seguidores abrem seus corações e casas a incontáveis santos e outras entidades. Mesmo hoje, as massas em muitos países acham "Deus" muito distante e ocupado para atender suas necessidades pessoais.
Eles praticam sua própria forma de espiritualidade centrada na terra. Eles se voltaram a um panteão de poderes auxiliadores - espíritos, fadas, santos mortos e ancestrais - para protegê-los de feitiços, agouros, olho gordo e outros males causados por espíritos malfazejos.
Esta crença multifacetada é familiar a todos que conhecem as lendas populares. Nestas fantasias populares [folclore] assim como em mitos pagãos no mundo, as pessoas praticam magia e pedem a espíritos bons em suas lutas diárias pelos préstimos necessários na luta contra espíritos malignos - a suposta fonte dos males, misérias e outras condições dolorosas na vida. Crentes em muitos países ainda se comunicam com espíritos através de sonhos, visões e profecias. Eles ainda apelam a forças ocultas usando diversos amuletos, encantamentos, magia, astrologia, feitiçaria e bruxaria. A muitos, a lua crescente e minguante tem uma parte nesses rituais.

Por tempos, como todo império, as religiões institucionalizadas tentaram, em vão, suprimir a religião popular. Em alguns casos, aconteceram verdadeiros levantes populares em defesa da tradição antiga, da herança cultural, do folclore popular. Ainda hoje existe uma forte resistência por parte das religiões institucionalizadas em aceitar certos preceitos consagrados pelo povo e ainda existe um enorme preconceito e discriminação contra a religião popular por parte do conhecimento acadêmico. Para ambos os grupos, a religião popular é ignorante, inculta e supersticiosa. Por motivos e objetivos diversos, tanto "Deus" quanto a "Ciência" têm tentado acabar com a alegria e a festa do povo. Nesse mês de festas juninas, nada mais desafiador e contestador do que ver a população continuar com seus folguedos, a despeito da censura autoritária dos "senhores" do sagrado e da razão.
Como disse um escritor/filósofo: Ridendo Castigat Mores.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Promoção, aceitação ou confusão

Eu faço pesquisas pela internet atrás de textos interessantes e deparo-me com um movimento entre os Católicos em torno do Oitavo Dogma, que é a "promoção" da Virgem Maria ao cargo de "Corredemptrix", para o desespero dos Evangélicos que vêem nisso (com certa razão) uma forma de Paganismo.
Evidentemente os Católicos negam, dizem que venerar não é o mesmo que adorar, mas há um culto a Maria (mariologia). Essa personagem mítica cristã foi anteriormente "promovida" a Santa, a Mediatrix e a Rainha do Céu, eu creio que será dificil a tarefa de incluir Maria como Co-redentora, pois isso é meio passo para torná-la uma divindade. Se bem que a Igreja não deve ter nenhum escrúpulo em transformar a Santissima Trindade em uma Quatríssima Trindade.
Como se isso não fosse o suficiente, temos no meio Pagão os movimentos Diânicos e agora me deparo com um movimento chamado Aristasia que é bem parecido com o Dianismo radical, propondo o "retorno ao matriarcado primievo e à religião da Deusa", vista como a divindade única, criadora de tudo. Um Monoteísmo Feminista. Não vejo em que pode ser diferente de um Monoteísmo Machista. Foi dessa forma de entendimento da Realidade Divina focado em uma divindade absoluta que a humanidade tem tentado se libertar, os males do patriarcado não podem ser sanados através de um matriarcado.
Discutir de forma razoável com pessoas imbuídas de uma crença, especialmente quando essa crença nega fatos históricos e antropológicos mais básicos, não é uma tarefa fácil e eu não estou falando apenas dos Cristãos, eu tenho dificuldades em debater até entre Pagãos. Simplesmente porque debaixo do que hoje se chama Paganismo pode se encontrar uma diversidade enorme de crenças, Panteístas, Politeístas, Panenteístas e até mesmo Monoteísmo. Mas uma vez que falei dos primos, os Cristãos, eu imagino se algum dia irão (como os outros primos monoteístas, os Judeus e os Muçulmanos) aceitar ou adotar Maria como uma Deusa.
Nisso, Católicos e Aristasianos parecem concordarem: Maria é Janua Coeli, a "Porta do Firmamento", semelhante ao Axis Mundi, equiparada a Cristo como Mediadora e Redentora.
Citando o texto de um site Aristasiano: "Os dois solstícios, são chamados Janua Coeli ou 'Porta do Firmamento'; pois eles são dois pontos de entrada e saída do mundo-caverna no qual existimos. Os solstícios de inverno e verão são conhecidos como os Portões de Dea ou os Portões da Donzela e isso corresponde exatamente com os mistérios solsticiais".[Mother God]. Citando o texto de um site Católico: "Maria é chamada Porta do Céu porque foi o caminho que o Senhor escolheu para do céu descer à terra. Convinha que, como pela mulher começou a destruição do mundo, também fosse pela mulher que começasse a reconstrução; e como Eva abriu o caminho à obra fatal de Adão, também Maria abrisse o caminho à obra prima do segundo Adão, Nosso Senhor Jesus Cristo, que veio salvar o mundo morrendo na Cruz".[Deus lo Vult]
No primeiro texto, nota-se um certo sabor Gnóstico, maniqueísta mesmo, ao definir este mundo como estando em uma "caverna" - na escuridão - como se isso fosse algo ruim, maligno. No segundo texto, temos a boa dicotomia cristã que proveio do Maniqueísmo e do Judaísmo, onde o mundo jaz no pecado e precisa ser salvo. Em ambos, parece, ao meu ver, que é uma tentativa de transformar Deuses masculinos (como Janus) em Deusas, ou transformar manifestações divinas masculinas em femininas.
Para os Pagãos em geral, em especial os wiccanos tradicionais, os solstícios são parte da Roda do Ano e parte dos mitos do Deus e da Deusa, juntos, em cooperação. Com exceção dos Diânicos radicais, não faz o menor sentido para nós falar na Deusa como absoluta, a divindade única, criadora de tudo, nós não adoramos a Santa Ameba ou, como disseram alguns pagãos, a Jeovulva, muito embora consideremos a mulher o templo sagrado e sua yoni o portal sagrado.
Mas, enfim, cada um no seu quadrado, cada louco com sua mania. Tentar dialogar com Pagãos tem sido difícil, tentar debater com Cristãos tem sido um desperdício. Melhor eu cuidar das minhas coisas.

A caixa de Pandora

Este tópico não irá falar do mito de Pandora e sua caixa, mas de uma situação que se parece muito com tal mito. Desde 2004 eu comecei a me interessar por Paganismo e Wicca, cheguei a participar do forum da Abrawicca no Yahoo e na comunidade Sociedade Wicca no Orkut, sendo banido de ambas, por motivos diversos, mas correlatos aos assuntos que exponho nesse blog.
Pois bem, qual não é minha surpresa ao ver na comunidade de onde eu fui banido alguns textos que são emblemáticos porque se parecem com os textos de minha autoria e que foram os motivos de meu banimento.
Antes, um texto pequeno falando de sexo (!): "Sexo é sagrado, TODO ATO SEXUAL QUE ENCERRE PRAZER É UM RITUAL DA DEUSA, TODO ATO DE AMOR É UM RITUAL DA DEUSA. MAS ACHAR QUE SOMENTE ATOS SEXUAIS COM AMOR SÃO "BONS" PARA BRUXAS É NEGAR A PROPRIA ESSENCIA DA BRUXARIA.TODOS OS ATOS DE AMOR E/OU PRAZER são rituais da Deusa".
Curiosamente eu fui expulso do forum da Abrawicca no Yahoo acusado de patrocinar a pedofilia. Minha postura diante do sexo é muito mais liberal e não-convencional do que o de muitos pagãos, bruxos e wiccanos, isso não deve ser novidade aos meus eventuais leitores, mas o texto indica uma certa hipocrisia. Se todos os atos de amor e prazer são um ritual à Deusa (o que eu concordo), como fica a questão da idade, do consentimento, do estupro, da violência sexual?
Agora eu vejo esse texto, de autoria da mesma pessoa:
"AVISO IMPORTANTE: pessoas inescrupulosas e diversos ignorantes sobre a religião Wicca costumam fazer ritos de inciação em massa, para dezenas ou até - absurdo! - centenas de pessoas. Esses ritos não sósão perigosos, porque conduzidos por leigos ou pessoas de má fé, como produzem uma auto-ilusão em novatos que acreditarão ter sido iniciados sem que isso tenha qualquer respaldo mágico, energético, nem espiritual.
Não criticamos pessoas que pratiquem outras modalidades de paganismo, mas criticamos veementemente quem usa indevidamente o nome Wicca e ensina a pessoas práticas esotéricas misturadas que nada têm a ver com nossa religião pagã e iniciática.
Uma iniciação de verdade é um processo que demora. Ela precisa ser um marco de transformação na vida. Ela só pode ser feita se seu Iniciador conhecer vc intimamente, seconviver no seu dia a dia e acompanhar sua vida. Ninguém pode ser iniciado por uma pessoa que só vai conhecer ou ver rapidamente em um falso rito de iniciação.
Para que alguém seja iniciado de verdade, precisa muitas coisas, entre elas:

- Aprender e vivenciar rituais com os Deuses antigo por diversas Rodas do Ano;
-Saber se comunicar com os Deuses e estar intimamente conectado com eles;
- Saber a história da bruxaria;
- Ter aprendido técnicas magicas complexas e magia dos elementos;
- Saber conquistar e criar aliados magicos e guardiões;
- Ter vivido um profundo processo de auto-conhecimento e ser umapessoa madura, livre e equilibrada em quaisquer circunstancias;
-Ser usado pelos Deuses como seu instrumento consciente no mundo;
- Amar a Deusa e Seu Consorte o suficiente para ser seu Sacerdote ou Sacerdotisa para o resto da vida.
NÃO ACEITE UM FALSO RITO DE INICIAÇÃO!
Se vc deseja aprender a religião Wicca de verdade e não ser enganado, a Abrawicca está à disposição com cursos, esclarecimentos e indicações de pessoas idôneas para ajudá-lo.
ABRAWICCA - ATIVISMO WICCANIANO NO BRASIL
"Diga "NÃO" à banalização da religião Wicca".
Mavesper Cy Ceridwen
Sacerdotisa Wiccaniana [sic] há 16 anos
Presidente Nacional da Abrawicca".
Igualmente emblemático, uma vez que eu fui banido da Sociedade Wicca exatamente por defender a Wicca contra a sua banalização e por combater certas imposturas, criticando "veementemente quem usa indevidamente o nome Wicca e ensina a pessoas práticas esotéricas" que pouco têm a ver com a Wicca (como no caso da autoiniciação).
A postura da Sociedade Wicca tem mudado aos poucos depois que eu fui banido. Tem adotado uma postura de seriedade (embora de fachada), defendendo em muitos textos certas posturas "tradicionalistas", abandonando inclusive alguns epítetos (como o epíteto de "pioneiro da Wicca" para o Pavão). Ou seja, como Pandora, depois que abriu a caixa, quer desfazer a lambança (para não usar outra palavra) que provocou, mas é impossível deter os efeitos daquilo que começou. Eu vou ficar assistindo o circo pegar fogo.