segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Fatores do ressurgimento do Paganismo na Europa

Michael Cooper, um professor de estudos cristãos da Universidade Trinity International, dos EUA (Illinois), elaborou em 2004 uma pesquisa a respeito do fenômeno do ressurgimento do Paganismo na Europa Ocidental. Segundo o autor, há mais trabalho a ser feito neste momento. Este primeiro ensaio tem por intuito discutir os fatores que contribuíram para a Ressurgência Gentia, bem como a crítica pagã atual à Cristandade Ocidental, para depois sugerir uma agenda missionária para "ir ao encontro" do Paganismo. O autor começa por dizer que o Neo-Paganismo nasce das antigas tradições européias num contexto pós-cristão. Ideológicamente, costuma afirmar-se como resistência contra os sistemas globalistas. Há, segundo Cooper, pelo menos cinco factores que contribuíram para esta retorno ao Paganismo no Ocidente. Individualmente, cada um destes vetores não pode ser visto como contribuições definitivas, mas, em conjunto, abriram a porta para ulteriores desenvolvimentos da identidade religiosa:

O carácter incompleto da cristianização

Diz respeito ao facto de a evangelização da Europa se ter feito à custa de muitas cedências aos paganismos locais, isto apesar de, ao mesmo tempo, o Cristianismo ter sido sempre intolerante para com os cultos religiosos indígenas, intolerância essa que se observa inclusivamente no pensamento de duas das maiores figuras intelectuais da Cristandade, Agostinho e Tomás de Aquino, ambos apoiantes da conversão ativa dos pagãos, tendo o segundo feito a apologia da supressão de outras religiões por meio do uso da força para alcançar tal efeito. Dum modo ou doutro, muito do que era pagão foi ficando, aberta ou disfarçadamente, no seio da cultura popular e também da erudita. Como dizia Alain de Benoist, "o Paganismo nunca esteve muito longe de nós, tanto na História como na mente sub-consciente, e também no ritual, na literatura, etc..."

O re-encantamento do mundo

Constitui uma reacção ao desencantamento do mundo suscitado pelo Cristianismo mais puro e duro que no dealbar da Idade Média se afastou decididamente de tudo o que fosse pagão. O Racionalismo e Cientificismo contribuíram para a dessacralização do mundo, ao negarem sistematicamente toda e qualquer visão sagrada da realidade, o que por sua vez conduziu ao laicismo e ao relativismo absoluto. Sucedeu entretanto que, ao contrário do que os positivistas e irreligiosos previam, a sociedade ocidental não se está a tornar hoje menos religiosa, antes pelo contrário - retorna o espírito do sagrado, do encantamento, ou seja, observa-se, segundo Cooper, o "reencantamento" da sociedade ocidental. A modernidade fica pois para trás, com a sua insuficiência em dar um sentido superior à vida, sendo substituída pela pós-modernidade, que é uma ânsia por uma nova consciência histórica, tradicional, continuadora duma memória mais antiga. Assim se entende, segundo outro autor citado por Cooper, o ressurgimento do Paganismo, que é, diz, uma espécie de escape ao mundo moderno urbano, na ideia de que o Cristianismo tem pouco ou nada a oferecer no que respeita aos grandes ciclos da Natureza.

A globalização

Tem a ver com uma interação entre culturas num contexto de homogeneização do mundo. Michael Cooper faz sua a teoria de que as raízes da globalização remontam aos séculos quinze e dezesseis com a expansão européia em todo o planeta e consequente colonização e imitações culturais. E os fluxos culturais acabam por não ser apenas do Ocidente para fora e são também de fora do Ocidente para dentro: tal como a Europa influenciou outras partes do globo, agora há outras partes do globo a influenciar a Europa e seus derivados. O resultado disto acaba por ser uma legitimação da existência de várias visões do mundo, e assim se vai estabelecendo uma cultura de pluralismo.

A incapacidade do Cristianismo

Explica-se pela insuficiência da doutrina cristã para responder às grandes questões dos Europeus da época pós-cristã. Há quem adira ao Paganismo como rejeição do Cristianismo, o qual oprimiu a Europa por demasiado tempo, rebaixando a mulher e desrespeitando o ambiente, mercê do seu desprezo pela Natureza e consequente dessacralização da mesma, observável na "desmitologização" da realidade. Philip Carr-Gomm sugere que o ressurgimento do Paganismo deve-se à queda das religiões estabelecidas que não são capazes de ir ao encontro das necessidades espirituais das pessoas, bem como pela crise ambiental e autoritarismo que trouxeram. Cooper indica, noutra parte do seu trabalho, que cerca de 56% dos jovens europeus vêem o ambiente, a poluição e o aquecimento global como suas principais preocupações. O Cristianismo mutilou as culturas tradicionais, étnicas, ao suprimir os seus vértices superiores, isto é, os seus Deuses. Prudence Jones e Nigel Pennick afirmam que o novo ímpeto pagão constitui uma resposta ao desejo de recolocar a Humanidade no seu contexto maior, que é ao mesmo tempo temporal e espacial, cronológico e físico - físico no sentido em que o mundo natural é uma parte essencial da vivência humana e cronológico no sentido da continuidade com as grandes mentalidades tradicionais, cujas raízes se perdem na noite dos tempos. O Paganismo oferece, segundo estes dois autores, "uma possível filosofia religiosa para uma sociedade multicultural".

A busca da identidade

Durante séculos o Cristianismo ofereceu à Europa uma identidade, mas a rejeição progressiva do Cristianismo faz com que uma busca identitária se inicie. A formação da União Européia parece poder criar uma nova identidade, mas enfrenta um desafio no facto de os Europeus se verem a si mesmos em relação à sua própria etnicidade. O vácuo criado pela queda do Cristianismo, incapaz de lidar com os temas que mais interessam aos Povos, leva a que os Europeus cada vez mais se voltem para outros caminhos que possam preencher o vazio pós-cristão. A grande divulgação das filosofias orientais levou a que se começasse a valorizar vias espirituais alternativas, e o Europeu acaba por se voltar para o fundo mais genuíno de si mesmo, isto é, o do culto aos seus Deuses antigos.
Fonte: Gladius

Nota: Eu já comentei que discordo dessa visão pseudo-nacionalista xenófoba que muitos neopagãos encampam, sem se dar conta que houve diversas "globalizações", como a dos próprios Celtas ou mesmo à dos Romanos. Eu repito: não há, na atualidade, forma alguma de "restaurar" a pureza étnica de povo algum.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Um novo puritanismo?

A nudez pode ser arte ou protesto, pode significar afeto ou defender causas humanitárias. Tornou-se uma manifestação de liberdade vencedora no mundo de hoje. É, portanto, intrigante que ela esteja sendo contestada agora no Brasil por atores e atrizes.
No século XX, em seu esforço para desvendar o inconsciente, Sigmund Freud, pai da psicanálise, disse que o sonho de estar nu em público é comum a todos os homens. Apesar da ligação estreita com vergonha e fragilidade, contudo, não se pode dizer que essas sempre tenham sido as conseqüências da nudez: ao longo da história, em diferentes contextos, o corpo despido também expressou orgulho, desafio ou liberdade.
Nas últimas semanas, a discussão sobre o significado da nudez para os brasileiros ressurgiu de onde não se esperava. Quem pôs o tema em circulação foi o ator Pedro Cardoso, em um discurso durante o lançamento de seu novo filme, Todo Mundo Tem Problemas Sexuais.
Sua tese surge meio deslocada em um tempo em que a nudez em suas várias formas – como os biquínis com tecido insuficiente para fazer uma gravata-borboleta – parece ter vencido. Mas ele atacou com força, sustentando que toda a indústria do entretenimento no Brasil estaria tomada por uma mentalidade "pornográfica", que força os artistas a se expor e assim os degrada.
A nudez está em toda parte. Não deixa de ser intrigante que essa questão esteja sendo discutida no Brasil nos dias atuais. Quando a nudez é aceitável? Quando ela é ofensiva? E quem decide isso? Uma varredura cultural e histórica sobre essas questões nos leva a conclusões surpreendentes.
É errada a idéia de que a "evolução da mentalidade", como dizia a geração que adorava tirar a roupa nos anos 60, vai sempre na direção de mais para menos roupa, de menor para maior permissividade. Cada cultura em cada era tem sua própria etiqueta e suas formalidades. Pruridos somem e reaparecem tempos depois.
Essa é uma das graças da civilização. O Brasil está vivendo uma fase mais recatada? Talvez não seja uma fase. Para o antropólogo Roberto DaMatta, a tese de que o Brasil do biquíni e do Carnaval é particularmente permissivo em relação à nudez é enganosa. Do ponto de vista de sua disciplina, explica ele, o uso de roupas, ou a falta delas, responde a certas molduras ou rituais.
No Carnaval, por exemplo, ninguém está realmente nu enquanto estiver coberto com algum elemento alegórico – ainda que seja a purpurina. E o regulamento da Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro é um eloqüente exemplo das sutilezas envolvidas nas definições da nudez: um destaque pode desfilar com seios, nádegas e tudo o mais à mostra. Mas, se deixar cair o tapa-sexo, comete falta grave e sua escola perde pontos.
"A fronteira entre a nudez aceitável e a obscena é uma dessas questões que não têm solução pronta", diz DaMatta. Vários tipos de justificativa são apresentados quando uma obra de arte com figuras nuas é censurada – do simples pudor até as teorias mais complicadas.
Um argumento clássico é o de que o "nu artístico", ao contrário do "nu vulgar", não desperta sensações carnais no espectador.
Esse argumento foi desmontado pelo crítico inglês Kenneth Clark. "Se um nu deixa de despertar no espectador um vestígio de sentimento erótico, por menor que seja, ele não é apenas arte ruim como falsa moral", escreveu Clark.
Mais recentemente, a crítica americana Camille Paglia sustentou que a grande arte não se mistura apenas ao erotismo, mas, em certas ocasiões, também à pornografia – quando explora "as forças extremas do instinto e da sexualidade atuando por baixo das convenções sociais". Na segunda metade do século XX, um novo fenômeno despontou com os movimentos hippie e beatnik: a nudez como forma de protesto social. Nos anos 80, os protestos envolvendo pessoas nuas passaram a fazer parte do repertório de entidades humanitárias.
Em seu blog, Pedro Cardoso sustenta que a nudez da televisão e dos filmes, na verdade, é uma deturpação de todas as manifestações legítimas da nudez, da arte real às passeatas para proteger os animais. Ela seria algo assim como uma forma de dominação imposta pelo "sistema" – e por isso deveria ser banida.
Nesse ponto, seu pensamento se aproxima do de feministas americanas como Andrea Dworkin e Catherine McKinnon, que atacaram a indústria pornográfica sustentando que ela era um fator de escravização política e econômica da mulher.
O que pode haver são restrições – impedindo que a pornografia, por exemplo, circule em qualquer lugar ou atinja as crianças. Esse é, aliás, o limite para a nudez em sociedades como a americana – ou a brasileira.
Controlá-la para impedir que atrapalhe o desenvolvimento de crianças faz sentido. "A exibição de conteúdo erótico na televisão, ainda que eventual, pode afetar as crianças mais do que se imagina", diz o psicanalista Joel Birman. "Elas são seduzidas sem perceber, e o resultado pode até mesmo ser traumático."
Bani-la para satisfazer adultos melindrosos ou puritanos é um erro (e não é descabido lembrar que a vida ascética costuma ser uma marca dos grandes autoritários.
Fonte: Veja [link indisponível]

Nota da casa: O discurso do ator, a despeito de estar disfarçado de contestação contra a exploração dos atores, da nudez ou da sexualidade, não explica o que ele considera uma "manifestação legítima da nudez" ou mesmo qual a relação entre esta e a ética. A nudez não tem qualquer função ética, pois ela teria que ter uma base moral e qualquer discussão nesse termo acabaria em uma contradição. Discutir a nudez em termos de ética não faz sentido algum porque induziria em considerar a nudez como anti-ética, quando a falta de ética está nas empresas de comunicação de massa, não na nudez em si mesma. Entrar nesse mérito daria ensejo a uma volta à censura, a mais repressão sexual, a mais distorções de comportamentos psicoafetivos, a mais violência sexual. A despeito de suas "boas intenções", o ator endossa um discurso que se pode considerar como neo-puritanismo.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Sonhos de uma noite de inverno

Este tópico vem, com um certo constrangimento de minha parte por não tê-lo feito antes, fazer uma reverência a Patrick Farley e ao seu trabalho entitulado Saturnalia, uma espécie de quadrinhos que tinham como intenção parodiar os panfletos de Jack Chick, que é conhecido por sua intolerância, fanatismo e fundamentalismo que exprime em seus panfletos em prol do Cristianismo. Apesar do fato de não fazermos proselitismo e de uma certa ingenuidade do Patrick, a obra (de 1995) deveria ser uma inspiração aos neopagãos para usar dos meios disponíveis para informar a opinião pública sobre nós. Segue abaixo uma transliteração da obra:

Cena inicial: uma cidade pequena em algum lugar dos EUA

Sra. Murray- Muito bem, crianças. Este será nossa melhor peça de Natal. Agora tirem suas fantasias e não esqueçam de desligar o Menino Jesus antes que sua cabeça derreta. 

Uma mãe- Obrigada, sra Murray. Nós todos apreciamos o esforço que você pôe neste projeto todos os anos.

Sra. Murray- Minha alegria é servir ao Senhor.

Uma mãe- Ei, aquele não é seu novo vizinho, senhor Thompson?

Sra Murray- Oh sim, eu acho que sim... Eu aposto que ele e sua querida esposa gostariam de trazer suas duas crianças para fazer a peça da Véspera de Natal! Será uma boa chance para trazê-los para a congregação! Eu vou pegar meu casaco.

Segunda cena: a sra. Murray sai na rua para conversar com o sr. Thompson.

Sra Murray- Ooooi, senhor Thompson! Olá! Eu sou Martha Murray, a professora da igreja aos domingos! Em nome da congregação, eu gostaria de dar as boas vindas a você e à sua família para a nossa vizinhança.

Sr Thompson- Grato, sra Murray! E por favor me chame de Bob.

Sra Murray- Decorando para as festas, não?

Sr Thompson- Oh sim, é a nossa época do ano favorita! Nós estamos nos preparando para uma grande celebração!

Sra Murray- Eu sabia que vocês eram uma familia religiosa! Por isso que eu queria...ah...convidar...uh...AAAAAHHHH!

Sr Thompson- Sra Murray, algo errado?

Sra Murray- Fique lonje! Oh Senhor Jesus...você me disse que estava decorando para as festas!

Sr Thompson- Mas nós estamos! Hoje a noite é véspera do Solstício de Inverno! Oh...Sandra e eu esquecemos de dizer que nós somos pagãos? [Cena mostrando a casa com uma decoração explicitamente pagã e erótica]

Sra Murray- Tire essa coisa horrível imediatamente!

Sr Thompson- Do que você está falando? Ninguém disse aos Robinsons na rua em frente para tirarem seu Papai Noel grande de plástico!

Sra Murray- Isso é diferente! Este não é um ídolo pagão pervertido! Não é?

Sr Thompson- Ah, sra Murray... quão pouco você sabe... [Segue algumas explicações sobre os símbolos natalinos, suas origens e correlações com o Paganismo. O autor mostra ingenuidade pois é exatamente por causa disso que os cristãos fundamentalistas criticam tanto o Natal]

Sra Murray- Eu não estou interessada em sua bobagem da Nova Era! Eu vou chamar as autoridades e prendê-lo a menos que você tire essa...coisa...imediatamente!

Sr Thompson- Escute, sra Murray...eu sou um cidadão que paga seus impostos e minha liberdade religiosa está protegida pela Constituição! Então você não vai...

Sra Thompson- Bob? O que está acontecendo?

Sr Thompson- Nada, querida.

Sra Murray- Sra Thompson!

Sra Thompson- Sra Murray, você gostaria de um biscoito caseiro de Solstício? Quente e fresquinho, saído do forno! [Cena da Sra Murray olhando para um biscoito de forma fálica]

Sra Murray[correndo]- AAAAAAAAAIIIIIIIIIIIIIIIEEEEEEEEEEE!

Sra Thompson- Não se preocupe, querido.

Terceira cena: a sra Murray começa a espalhar sua rede de intrigas.

uma mulher da congregação: O quê?

Sra Murray: Foi horrível! Chame a congregação! Reunião de emergência hoje à noite! Ore ao Senhor! [Cena da congregação se reunindo na frente da casa do sr Thompson]

um homem da congregação- Este é o lugar. Todo mundo pronto? [A congregação entoa cânticos natalinos]

Sr Thompson- Mas que porcaria? Que vizinhança é esta, onde uma família não pode sequer desfrutar de um ritual da volta do sol na privacidade de seu quintal? [Nota: a idéia do autor de fazer um ritual pagão em um quintal tão publicamente exposto contrasta com a privacidade alegada pelo personagem]

um homem da congregação- Nós não permitiremos esse tipo de abominação em nossa comunidade!

Sr Thompson- Nós interrompemos suas cantigas de Natal? Nós quebramos seus presépios? De onde vocês tiraram a idéia de que podem interferir em nossa religião? Tire a droga de seus dedos de minha cerca, pregador!

Sra Thompson- Querido...esqueça deles! O poder está aumentando...as estrelas estão descendo para nos tocar. E o ouro vermelho flui por entre meus quadris...

Sr Thompson[reverenciando]- Bendita seja minha rainha. [Os filhos dos Thompsons dão uma risada sacana]

Sra Thompson- Deixe que a tolice e a tristeza tomem aquele que acha defeito nisso!

Sr Thompson- Batam mais forte esses tambores, crianças! Papai e mamãe tem que acordar o sol. [Cena dos Thompson em pleno ritual de Solsticio. Papai e mamãe em comunhão carnal enquanto os filhos tocam os tambores. A congregação continua com suas cantigas natalinas]

padre- Senhor, tende piedade destas ovelhas teimosas...

[Sra Murray tenta seguir as intenções da congregação, mas algo parece tê-la afetado]

Quarta cena: a sra Murray desperta nua em um outro plano (astral).

Sra Murray- Onde eu estou? Que barulho é esse? É você!

Deus- Eu retornei. E uma vez que você foi uma boa menina, eu te trouxe um presente... [Deus em sua forma de Rei Azevinho/Papai Noel põe as mãos dentro da calça. Evidentemente o presente é seu falo]

Sra Murray- Eu...eu não posso...eu sou muito velha...

Deus [rindo]- Não há idade aqui pois eu sou mais velho que o próprio tempo e mais jovem que o amanhã. [Deus oferece um enorme falo a sra Murray]

Sra Murray [aceitando e recebendo Deus nela]- Como eu pude sequer esquecer...que o universo...é um eterno...SIM...

uma pessoa da congregação- Ela está voltando a si!

homem da congregação- Martha?

padre- Você desmaiou, Martha!

Sra Murray- Muito obrigada...vocês são tão gentis...feliz Natal para todos! E para todos uma boa noite![Fim]

Nota final: Ao contrário dos panfletos de Jack Chick, a estória termina sem uma conclusão se houve alguma mudança na vida da sra. Murray ou da congregação. Considerando a realidade dos EUA, a família Thompson certamente passaria por outras aventuras e perigos. Como eu disse, a estória é um tanto ingênua, mas cumpre com seu papel. Nessa época de festas de fim de ano, o "clima de confraternização" nos faz sermos melhores do que geralmente somos no resto do ano. Seria bom se pudéssemos sempre manter esse "clima" pelo ano inteiro, mas como o clima na meteorologia, o humor humano é extremamente inconstante - infelizmente muitas vezes por causa da crença, mas a descrença não é uma opção se for igualmente fanática e fundamentalista. A luta, portanto, não é contra uma religião, uma crença ou uma instituição que as representam, mas contra a doença da obsessão cujo sintoma são o fanatismo e o fundamentalismo.

sábado, 29 de novembro de 2008

A raiz dos problemas sociais

'A crença religiosa pode causar danos à sociedade, contribuindo através de taxas mais altas de homicídio, abortos, promiscuidade sexual e suicídio. Crer em e adorar a Deus não é apenas dispensável para uma sociedade saudável mas pode realmente contribuir para os problemas sociais.' The Times (27 de Setembro de 2005)

O cientista social Gregory Paul descobriu que os problemas sociais como homicídio, mortalidade precoce, prevalescimento de transmissão de doenças sexualmente transmissíveis, gravidez adolescente e aborto são 300 vezes maiores nos países cuja moral e valores são ordenados por modelos religiosos do que em nações seculares onde os motivos são baseados no senso comum.
Isto demonstra que, a despeito do clamor de encontrar soluções para o crime e desvio social em nossa sociedade, os políticos nunca conseguirão resolver esses problemas enquanto eles estiverem pressionados pela moralidade religiosa que eles invariavelmente estão vinculados. De fato, a conclusão assombrosa da pesquisa é que os próprios políticos são quem estão causando os problemas sociais ao aderir aos desejos dos ativistas religiosos. O que esta pesquisa verdadeiramente significa é que o pico da disfunção e sofrimento que é amplamente noticiada na imprensa todos os dias nunca será resolvido até ter uma separação formal entre Igreja e Estado.
Então, quando os políticos estiverem mais livres para tomar decisões baseadas no senso comum, as pessoas poderão se beneficiar com uma vida melhorada e mais feliz baseada em ideais humanos.
Entretanto, não é a religião em si mesma que é responsável pelo dano às sociedades ocidentais. A única religião que tem tido controle sobre sua sociedade nos últimos 2 mil anos é o Cristianismo.
A pesquisa mostra que todas as religiões organizadas irão afetar seus seguidores por contágio, mas a única claramente responsável por fazê-lo através da Europa e o Mundo Novo [Américas] é o Cristianismo.
Não é uma crença espiritual que causa o mal, mas as exigências irracionais e quase impossíveis que as igrejas ortodoxas fazem em suas congregações. São os perversos e supersticiosos medos que a religião ortodoxa injetam nas mentes das pessoas em uma idade impressionável.
A culpa, a intolerância e o constrangimento em proibir outras formas de crenças espirituais coexistir em termos iguais ensinam as pessoas como odiar os outros que são diferentes.
Ter uma espiritualidade é parte da condição humana. Isto não é um ataque à opção de crença. Mas uma crítica à religião ortodoxa. A religião ortodoxa é um parasita nocivo ainda pendurado no estômago macio da democracia, sugando a vida porque os sacerdotes que a conduz são repreensíveis ou incapazes.
Fonte: SAFF [destaque por conta da casa]

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Onde se encontram os demônios

Alguns dos textos deste blog abordaram sobre onde estão ou se encontram os Deuses, mas para o tema geral torna-se mais interessante desenvolver sobre onde estão ou se encontram os demônios.
Para os antigos gregos, os demônios (daemons) são entidades mais ligadas a este mundo a ponto de serem quase humanas. Por alguns mitos e lendas antigas, é bem provável que eles foram Deuses dos povos que habitaram a Grécia antes da dominação helênica.
Este tipo de supressão foi comum em diversos povos antigos, não foi novidade alguma isto ter acontecido com as crenças originais européias com a chegada do Cristianismo.
Pode parecer curioso e contraditório, mas a teologia cristã não existiria sem a concepção de pecado, Inferno, Apocalipse, Juizo Final, Diabo e demônios que cumprem com suas devidas funções tal como é preconizado na escatologia.
Na concepção doutrinária cristã, a realidade é dividida, separada, em dois grupos opostos e adversários, dentro de uma dicotomia extremamente maniqueísta. Mas o mais interessante desta concepção é a forma como ela é utilizada ora para sustentar as posições doutrinárias de um grupo, ora para criticar as posições doutrinárias de outros grupos.
Desde seu surgimento, grupos de cristãos viviam em contendas com outros grupos que se arrogavam as mesmas pretensões e somente com a instituição de um grupo dominante é que foi determinada o que se entendia por ortodoxia, relegando o restante como heresia ou apostasia.
Mas isso não evitou o primeiro cisma no Cristianismo, o que facilitou e possibilitou a ocorrência do segundo cisma e o aparecimento do Protestantismo. Quando o Protestantismo conquistou o mesmo prestígio das demais vertentes do Cristianismo, tornou-se um hábito de um acusar o outro de ser controlada pelo Diabo e de praticar cultos satanistas.
Por outro lado, em sua apologia, cada um usava de ocorrências pontuais - como os de possessão - para mostrar que o lado deles era o mais certo argumentando que o Diabo e os demônios procuram combater a verdadeira, santa e pura Igreja de Cristo.
Interessantemente o único consenso entre as diversas denominações cristãs - bem como nas religiões institucionalizadas - é que as práticas de magia, de adivinhação, de vidência, de mediunidade e de bruxaria são, efetivamente, características do culto satânico.
Não obstantemente, dentro do Cristianismo existem práticas que são uma forma de magia como o uso de bençãos, velas, medalhas, óleos, trechos da bíblia; existem êxtases, revelações e profecias que são formas de adivinhação, vidência e mediunidade.
A Bruxaria torna-se um caso mais sensível, pois ela é vista tanto como uma heresia quanto uma apostasia. Ao acusar as bruxas de terem certas crenças e práticas que são discriminadas preconceituosamente como um culto satânico, o discurso não tem como objetivo as efetivas características das bruxas nem as crenças e práticas da Bruxaria, mas apenas usá-las como um recurso simbólico para embasar e justificar os argumentos usados na exposição da doutrina peculiar do grupo ao qual o crítico pertence, tendo por objetivo a purgação e a purificação deste grupo destas práticas vistas como impróprias ao "verdadeiro" Cristianismo.
A demonização não é apenas um recurso argumentício providencial usado apenas no discurso religioso, mas também está presente no discurso ideológico, político, econômico, social e científico, muito embora usem de outras pressuposições e palavras.
Apenas no discurso artístico a demonização assume um caráter ambíguo que varia entre o sarcasmo/ironia e a contestação/militância, mas ainda cumpre com a função de servir como um meio de transmitir uma mensagem.
Para o Neopaganismo, a Bruxaria e a Wica, a mensagem é a de que tanto os Deuses quanto os demônios estão dentro de nós, faz parte de nossa essência. As religiões majoritárias nos tem feito projetar ou rejeitar essa essência e isso apenas nos tem deixado enfermos. Portanto, é tempo de tentar a alternativa de reconhecer, aceitar e assimilar essa essência, para nos tornarmos humanos mais sadios.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Bruxaria e linguagem

Considerar a Bruxaria como uma linguagem nos leva a algumas considerações bastante provocantes. Ao entender Bruxaria como linguagem, nós podemos considerá-la como a identidade de um povo. Enquanto linguagem, a Bruxaria possui então um conjunto coerente de signos e símbolos, que são combinados para formar um sistema de significados e significantes, que são ordenados segundo uma estrutura de ortografia e gramática, que devem ser aprendidos e preservados para manterem suas características intrínsecas. Enquanto linguagem, a Bruxaria se define, define o mundo e define a relação entre ela e esse mundo. As fontes que existem para se ter uma vaga noção de como é esta linguagem vem do folclore (o que inclui o que é pejorativamente chamado de crendice e superstição), de textos ocultistas (o que inclui os grimoires), de textos eclesiásticos (o que inclui as versões protestantes), de textos legais (o que inclui os processos) e de textos acadêmicos.

Signos e símbolos
Existem diversos ideogramas pictóricos – sejam enquanto códigos de alfabetos, como o thebano, seja enquanto desenhos, como o pantáculo – cujo uso constitui, configura e empresta um caráter sobrenatural aos mesmos. Existem também certos sinais comportamentais – seja enquanto uma marca, como o estigma, seja enquanto vestuário, como o chapéu – cuja presença evidencia, caracteriza e destaca um indivíduo como pertencente a este povo.

Significado e significante
Idéias aparentemente simples ganham outros contornos e desafiam os limites e fronteiras daquilo que supostamente deveriam significar. A natureza deixa de constituir somente a fauna e a flora para incluir o reino mineral. Suas fronteiras são estendidas abarcando com isto os planetas, revogando os limites entre o que é considerado “preternatural”, “natural” e “sobrenatural” para incluir um reino astral e os diversos espíritos e entidades que fazem parte deste mundo, desta natureza, desta realidade. Um signo ou símbolo deixa de ser um mero pictograma funcional representativo para se tornar efetivamente aquele objeto tornando evidente que, através do uso correto de uma seqüência de signos e símbolos, seja em um texto, seja em um cântico, seja em um desenho, se pode apossar, conter, direcionar, impelir esses objetos e energias presentes e em ação na natureza para justificar, construir, executar e provocar os próprios fenômenos da Bruxaria.

Ortografia e gramática
As relações estruturais nas quais significado e significante são auto-explicativos e auto-referentes são as que definem a Bruxaria como uma linguagem inteligível, não apenas no âmbito de quem a pratica, mas igualmente aos seus destinatários co-participantes deste contexto, uma vez que todos fazem parte do conjunto compreendido por natureza, mundo, realidade. Nestas condições, a escolha do tipo de feitiço nunca é aleatório, os elementos contidos na receita atendem a estas regras bem específicas. O conjunto de signos e símbolos, dentro destas regras, seguem um padrão rigoroso para sustentar e capacitar o significante e o significado das capacidades que se estimam deles a fim de produzir o fenômeno esperado da Bruxaria.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Governo britânico é instado a pedir perdão

LONDRES - O ministro da Justiça britânico, Jack Straw, foi instado nesta sexta-feira a pedir perdão póstumo aos homens e mulheres que foram executados na Grã-Bretanha sob a acusação de praticar bruxaria.
Um grupo de ativistas pediu a Straw que reconheça os "erros históricos da Justiça britânica" e peça perdão publicamente.
Uma cópia do requerimento também foi enviada ao secretário da Justiça escocês, Kenny MacAskill. Mais de 400 pessoas foram executadas na Inglaterra, e cerca de duas mil na Escócia, antes da promulgação da Lei de Bruxaria de 1735, que acabou com os julgamentos do gênero.
O pedido por um perdão oficial ocorre meses após o governo da Suíça se desculpar oficialmente pela morte de Anna Goeldi, decapitada em 1782 e considerada a última pessoa a ser executada por bruxaria na Europa.
O requerimento surgiu de uma família proprietária de uma loja de fantasias, que pediu ao historiador John Callow para investigar as histórias das vítimas britânicas.
Callow, editor do livro Witchcraft and Magic in Sixteenth and Seventeenth Century Europe ('Bruxaria e Magia na Europa dos séculos XVI e XVII', em tradução livre), afirmou que está na hora de reconhecer que os julgamentos por bruxaria foram as 'mais perigosas e trágicas' fabricações da história.
Fonte : JB Online [link morto]