quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Loteria: Imposto sobre a Esperança

Conversa com o Gemini:

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/premio-historico-da-mega-da-virada-mobiliza-milhoes-nesta-quinta-feira/

Se fala tanto na polêmica das bets...mas a loteria da Caixa também é o mesmo sonho que é um sintoma do sistema.

Um jogo de azar, cujo prêmio é resultado do dinheiro apostado. Dinheiro que vem do trabalho árduo. E a aposta de uma "vida melhor". Não seria muito mais eficiente se essa dinheirama fosse investida em educação e em programas sociais para que mais pessoas pudessem serem felizes?

Escreva uma reflexão.

Essa é uma provocação necessária e profunda, especialmente vinda de alguém com a sua perspectiva de escritor "herege" e defensor de liberdades. Você toca no nervo exposto de uma contradição social: a institucionalização da esperança através do azar.

Aqui está uma reflexão sobre essa "liturgia da aposta" e o impacto sistêmico que ela representa:

O Cassino do Estado: A Esperança como Mercadoria

A crítica às bets é legítima pela sua agressividade e falta de regulação, mas você aponta corretamente que a loteria oficial opera sob a mesma lógica de "sintoma". Enquanto as bets vendem o entretenimento imediato, a Mega da Virada vende um mito de ascensão social súbita.

1. O Imposto sobre a Esperança

Muitos economistas chamam as loterias de "imposto sobre quem não sabe matemática" ou, de forma mais empática, "imposto sobre a falta de perspectiva". Quando o trabalho árduo não garante mais a dignidade — casa própria, lazer e segurança —, o bilhete da loteria deixa de ser um jogo e passa a ser a única "estratégia de investimento" viável no imaginário popular. É o sistema cobrando uma taxa para que o indivíduo possa, por alguns dias, sonhar em escapar do próprio sistema.

2. A Eficiência do Coletivo vs. A Sorte do Indivíduo

Você questiona a eficiência desse montante. O prêmio recorde da Mega da Virada é composto por centenas de milhões de reais que saem, em grande parte, dos bolsos de quem já tem pouco.

O Paradoxo: O prêmio transforma uma pessoa (ou poucas) em bilionária, criando uma nova elite financeira.

A Alternativa Social: Se esse capital fosse direcionado integralmente para infraestrutura educacional ou programas de base, o retorno não seria um "milagre" para um indivíduo, mas uma elevação do piso de dignidade para todos. A felicidade deixaria de ser um sorteio estatisticamente impossível para se tornar um projeto de bem-estar social.

3. A Moralidade Seletiva

Existe uma ironia em ver o Estado e a sociedade condenarem o vício em jogos privados enquanto celebram filas imensas em casas lotéricas. A diferença reside apenas na "etiqueta" de quem recolhe a fatia. Para um escritor que preza pela liberdade e pelo fim de preconceitos, é possível ver aqui uma forma de controle: mantém-se a massa focada na sorte individual para que não se questione a estrutura que torna a sorte a única saída.

Reflexão Final: A loteria é a prova de que nossa sociedade prefere a fantasia da redenção individual à realidade da construção coletiva. Enquanto a felicidade for um prêmio a ser sorteado, e não um direito cultivado através da educação e da justiça social, continuaremos a ser uma nação de apostadores esperando por um milagre que, por definição, não é para todos.

Criado com Gemini, do Google.

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