sábado, 8 de maio de 2010

Quando sexo ainda é tabu

Três notícias que demonstram a que ponto a nossa sociedade está sexualmente doente, graças à repressão sexual imposta pela Igreja:
Livro sobre sexualidade gera polêmica.
Na terra em que refrões como "toma pirraia" e "chupa que é de uva" fazem sucesso, falar sobre sexo, quem diria, ainda é um tabu. Prova disso é a polêmica causada pela adoção do livro paradidático "Mamãe, como eu nasci?" neste ano pela rede municipal do Recife. A obra, escrita há 18 anos pelo educador Marcos Ribeiro, foi motivo de protesto de pais e responsávels por alunos de escolas da Zona Norte do Recife. Eles se queixaram das ilustrações do livro, voltado para crianças de 7 a 10 anos de idade. As páginas, que entre outras coisas mostram um menino e uma menina se masturbando, deixaram até professoras de cabelo em pé. O paradidático faz parte do kit escolar dos estudantes do 4º e do 5º ano da rede, com idades entre 8 e 10 anos. O material foi distribuído na semana passada a 25 mil alunos de 208 escolas municipais. A Prefeitura do Recife marcou uma reunião na próxima semana para definir como a obra será trabalhada a partir de agora.[Diário de Pernambuco]
Debate sobre o tema ainda é tabu.
Segundo os especialistas em sexologia humana entrevistados pelo Diario de Pernambuco, as famílias estão delegando à escola o papel de educar os filhos. À escola, na verdade, cabe a função de repassar conhecimento. Já a família tem a obrigação de transmitir valores. Quando isso não acontece, a família é omissa. Então, quando a escola vai além em questões que os pais não gostariam, chovem protestos. E quando o assunto é educação sexual, há um vácuo. As pessoas não estão preparadas. A educação sexual eficaz, na verdade, não existe.
"A gente tem que admitir que não existe educação sexual. Sempre que se toca neste assunto, as pessoas fogem. Tudo choca. E, quando se fala em educação sexual, só se pensa em reprimir. Não pode transar, não pode engravidar. Qualquer coisa que fale sobre prazer, como por exemplo a masturbação, que é o prazer pelo prazer, tudo é reprimido. É um pânico infundado", avaliou a ginecologista e especialista em sexologia humana Angelina Maia.
Ela afirmou que o livro do autor Marcos Ribeiro émuito sério. Mas que a maior parte da família recifense não está preparada para ele. Primeiro porque os pais não estão mais junto dos filhos como antes, por causa do trabalho. "A educação foi terceirizada. Os pais estão largando os filhos nas escolas", disse.
A psicoterapeuta sexual Vitória Menezes concorda. "O pré-adolescente já tem, por si só, curiosidade em relação a sexo. Mas isso não é motivo para pânico. Pelo contrário. É o momento em que a família deve chegar e conversar com os filhos, para entrar no assunto de forma natural", ensinou.[Diário de Pernambuco]
Malu Rodrigues [16] fez 'O Despertar da Primavera' na capital sem autorização.
A atriz emancipada Malu Rodrigues, de 16 anos, que mostra o seio e simula um ato sexual no musical “O Despertar da Primavera”, atuou durante pouco mais de dois meses na peça encenada no teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, sem qualquer autorização da Justiça paulista. A última apresentação foi no dia 2 de maio. O Ministério Público paulista e o fluminense pedem esclarecimentos aos responsáveis pela garota e pelo espetáculo por suspeita de ele ter infringido o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) por mostrar a parte íntima da garota e permitir que ela interpretasse uma cena de sexo.
Segundo o juiz titular da Vara Central da Infância e Juventude em São Paulo, Adalberto José Queiroz Telles de Camargo Aranha Filho, informou ao G1, na sexta-feira (7), o ECA determina que qualquer pessoa com menos de 18 anos de idade precisa de alvará do órgão para se apresentar em teatros. A emancipação, que permite ao adolescente ter alguns direitos civis de adultos, não é levada em consideração pelo estatuto, de acordo com ele.
Segundo o estatuto, compete à autoridade judiciária disciplinar autorizar, por meio de portaria ou mediante alvará, a entrada, permanência ou participação de criança ou adolescente, desacompanhado dos pais ou responsável, em teatro e seus ensaios. Deverá se levar em conta a natureza do espetáculo.
O juiz ainda entende que a questão se a criança ou o adolescnte irá fazer ou não cenas de nudez sempre deve ser informada ao juiz competente para que ele decida sobre a sua participação no evento. “Nos termos do ECA há proibição de crianças e adolescentes exibirem partes íntimas do corpo em público”, disse Adalberto Aranha Filho.
O advogado Alberto Zacharias Toron, que representa os interesses da Divina Comédia, em São Paulo, uma das empresas responsáveis pelo “O Despertar da Primavera”, discorda do juiz. Ele disse que o fato de Malu ter sido emancipada pelos pais exime a adolescente de obter o alvará para participar da peça. “Considerando que a menor de 18 anos já era legalmente emancipada, não havia necessidade de alvará judicial para a sua atuação artística. Aliás, isso, segundo as informações que obtive, foi expresso por funcionário do cartório [da vara central]”, afirmou o advogado. “Eu entendo assim, mas pode, no entanto, se estabelecer uma controvérsia sobre a lei.”O advogado Ricardo de Moraes Cabezon, presidente da Comissão da Criança e do Adolescente da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP), falou ao G1 que o texto do ECA dá margem a muitas interpretações distintas sobre a validade ou não do alvará para emancipados.
“Não precisa necessariamente de alvará. Mas, independentemente de mostrar o seio, precisa informar ao juiz, por cautela, sobre os integrantes menores de idade que compõem o elenco da peça e sua situação jurídica. No caso da moça [Malu], a emancipação. A Justiça não deve, porém, se ater apenas ao ECA, pois emancipação gera situação excepcional. Entretanto, acho no mínimo estranho colocar justamente a menina de 16 anos emancipada na cena que causa a polêmica”, afirmou o advogado Cabezon.[G1]
Nota da casa: E ainda teve um arcebispo que [como é de praxe na Igreja] tentou desviar a responsabilidade de seus pares nos escândalos de abuso sexual ao afirmar que "A sociedade é pedófila". Mas o melhor mesmo foi a admissão do porta-voz do sr Ratzinger, Federico Lombardi: "As autoridades eclesiásticas consideram não ser competentes sobre temas de carácter médico e psicológico, para os quais se remetem naturalmente os estudos de especialistas e as pesquisas". Ao longo deste blog, o distinto leitor irá encontrar diversos artigos que contestam a visão oficial, mas eu recomendo que o/a sr/a comece pelo "Curando a doença social".

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