segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Magos e bardos

Os druidas não eram os iletrados que em geral se supõe. Quando os Romanos os encontraram ao invadir Ynys Mon, a ilha sagrada dos druidas, estes eram capazes de ler em grego e continuariam a ser parte vital de uma tradição que inspiraria a pesquisa científica e social nos mil anos seguintes, mesmo depois de eliminados, apesar da sombra anti-intelectual que pairou sobre a Europa Ocidental entre o final do Império Romano e o Renascimento.
Das entenas de imagens de Deuses e Deusas encontrados em território Celta, a maioria parece seer de deidades locais, o que é de se esperar em uma religião descentralizada e individualista. Algumas eram deidades familiares, pois havia um forte componente de veneração ancestral no modo de vida de alguns dos Celtas mais antigos. Havia, também, claro, os Deuses mais poderosos, como Cernunos, concebido na forma de um homem com chifres de veado. No caldeirão de Gundestrup do século I AC, encontrado na Dinamarca, há a maravilhosa imagem de uma figura divinizada, talvez Cernunos, que segura s homens elos tornozelos, mergulha-os no caldeirão da vida e restabelecendo os mesmos no nosso mundo. O cornudo permaneceria um símbolo positivo poderoso durante séculos, até ganhar características negativas e ser apresentado como o Diabo no sistema de crenças cristão. Não podemos ter certeza do lugar ocupado por Cernunos na Escócia central no final do século VI, se é que desempenhou aí algum papel, embora tenha sido comparado à Dagda, o Bom Deus dos irlandeses na Antiguidade.
Os antigos acreditavam que a alma era imortal e que quando uma pessoa morria, sua alma viajava para um além-túmulo, fosse subterrâneo ou uma ilha no mar, aparentemente um lugar agradável. Era chamado, entre outros nomes, de Tir-na-nog, Terra da Juventude.
Os Celtas acreditavam que uma vez por ano, nos festejos de Sanhaim, quando 31 de outubro vira 1º de novembro, esse mundo e o além se sobrepõem e os habitantes de cada mundo podem visitar o outro.
Os Celtas não tinham um sistema de crenças único e estabelecido. Como os antigos Egípcios, reuniram uma quantidade de cosmogonias e sistemas religiosos para fazer uma única grande mistura de religões. As analogias existentes à idéia de Deuses como Cernunos foram matéria fundamental de adoração, sendo mais importante, obviamente, o sol. Círculos de sol e suásticas são símbolos celtas comuns que remetem às raízes de sua filosofia.
Os druidas reverenciavam a natureza. A força mais óbvia e fundamental da natureza é o sol. O ano foi repartido em quatro partes: Sanhaim, o primeiro dia de novembro; Imbolc, o primeiro dia de fevereiro; Beltane, o primeiro dia de maio e Lugnasadh, o primeiro dia de agosto. Todas as quatro partes envolviam a veneração pelo sol, mas Lugnasadh era um festival sagrado em particular, consagrado ao Deus solar Lugh.
Já foi dito que é impossível, sem o acesso aos escritos dos druidas, reconstruir seu antigo modo de vida. Entretanto, se os antigos tinham como base a natureza, em particulas a natureza humana, temos a mesma matéria-prima disponível que eles. Excluindo ou tratando como algo complementar e opcional os símbolos, rituais e cultos divergentes de personalidades, voltamos ao que temos em comum. A resposta à pergunta fundamental de por que estamos aqui é simplesmente isso: estamos aqui uns pelos outros.
Adam Ardrey, Em Busca de Merlim, pg. 89 - 99, Editora Record.

domingo, 10 de outubro de 2010

Aphrodisias

Os gregos deram-lhe o nome da deusa Afrodite. A Igreja chamou-lhe Stauroupolis, isto é, “cidade da cruz”. Duas civilizações, duas maneiras de dizer o amor na arte e na religião.
O culto a Afrodite foi agregando os poderes que os povos lhe atribuíram ao longo dos tempos. À sua intercessão em favor das colheitas e da fertilidade juntaram-se influências religiosas das populações da Anatólia e, mais tarde, do mundo greco-romano.
Aphrodisias, denominação dada pelos gregos no século II a.C, ganhou relevância durante o Império Romano, tendo-se afirmado como importante pólo cultural.
A cidade distinguiu-se pela excelência da escultura em mármore, exportada para várias regiões do Império, como é o caso de uma alegada imagem de Afrodite encontrada em Pax Julia (Beja). Alguns dos melhores exemplares descobertos entre as ruínas podem ser apreciados no museu local.
Entre os edifícios destaca-se o “Tetrapylon”, pórtico de entrada constituído por quatro grupos de quatro colunas coríntias, totalmente reconstruído em 1990. Há também um teatro, mais tarde convertido pelos romanos em palco de lutas de gladiadores, e uma “ágora”, espaço público de encontro e discussão de ideias.
O “bouleuterion”, construção destinada aos membros do conselho da cidade, assemelha-se a um pequeno teatro. A vocação política e artística do espaço é comprovada por duas das oito estátuas encontradas no local, nas quais se retrata um cidadão de Afrodisias e a figura do deus Apolo a segurar uma lira.
Os vestígios do culto ao imperador romano estão patentes no “Sebasteion”, nome que advém da palavra “Sebastos”, ou seja, “venerável”, forma grega equivalente ao latim Augustus (Augusto), título honorífico concedido ao césar.
A cidade singulariza-se também pelas dimensões do seu estádio (aproximadamente 260 por 60 metros) e pelo seu notável estado de conservação. Inicialmente destinado a competições atléticas inspiradas na civilização grega, o recinto foi parcialmente transformado em espaço para jogos, actividades circenses e espectáculos com animais selvagens.
Aos poucos, a comunidade cristã interveio nesta herança. A transformação do templo dedicado a Afrodite em basílica cristã é considerada um caso único entre todas as conversões de espaços pagãos em igrejas.
As paredes e colunas foram removidas, tendo sido reutilizadas para aumentar e modificar a antiga arquitectura.
Afrodisias tornou-se sede do bispo metropolita de Caria e o seu nome passou a Stauroupolis, “cidade da cruz”. A mudança é um sinal de que a influência dos cultos pagãos permaneceu viva por várias gerações, mesmo depois da difusão do cristianismo.
Fonte: Eclesia
Nota da casa: O autor descreve como "um caso único". Este caso deve ser o único que os Cristãos com um orgulho assustador admitem a destruição dos cultos e templos pagãos.

sábado, 9 de outubro de 2010

Pelo direito do sacerdócio

MONTREAL, Canadá, 9 Out 2010 (AFP) -Apesar das ameaças de excomunhão do Vaticano, uma sexta mulher canadense foi ordenada sacerdote neste sábado, indicou a integrante de um grupo de apoio ao sacerdócio de mulheres.
O grupo Mulheres Sacerdote Católico Apostólico Romanas ordenou Linda Spear, uma professora aposentada de Quebec, em uma igreja anglicana de Sutton, Quebec, no leste do Canadá.
Segundo Bridget Mary Meehan, que foi ordenada bispo em 2006 nos Estados Unidos, o grupo Mulheres Sacerdote Católico Apostólico Romanas foi fundado pouco depois de 2000 e cresceu rapidamente.
As primeiras sete mulheres padre foram ordenadas num barco no Danúbio em 2002 e, desde então, outras 80 mulheres viraram padre nos Estados Unidos e outras 20 em todo o mundo.
Spear é a primeira oriunda de Quebec, mas a sexta canadense que se converte em sacerdote católica. Foi ordenada simbolicamente pela bispo americana Andrea Johnson, que já foi excomungada.
Spear pode celebrar sacramentos como casamentos, mas estes não são reconhecidos pelo Vaticano, que limita o sacerdócio aos homens.
"Não estamos deixando a Igreja, estamos dando o exemplo vivo de Jesus sobre a igualdade nos evangelhos. Jesus chamou homens e mulheres para serem discípulos", afirmou Meehan.
"Desobedecemos uma lei injusta da Igreja, que proíbe a ordenação de mulheres e é motivo de discriminação", acrescentou.
Fonte: G1

O modo de vida dos druidas

Os escritos dos druidas e dos antigos foram destruídos; tudo o que sobrou foi seu eco em obras resgatadas pela curiosidade dos Gregos e pelo proselitismo dos Romanos e Cristãos.
Aristóteles fala com respeito da filosofia dos druidas no século IV AC, uma perspectiva reproduzida pelos filósofos Gregos em Alexandria Roma no século I AC. Diógenes Laércio, um historiador da filosofia no século III AC, vê os druidas como grandes intelectuais imersos na sabedoria da Antiguidade, cujo credo era honrar os Deuses, não fazer o mal e ser corajoso. Somente mais tarde, devido ao proselitismo político e ainda depois disso, para promover o Cristianismo, que os druidas passam a ser apresentados de uma maneira depreciativa.
Estrabão e Plínio, o Velho, dizem que o nome druida deriva da mesma raiz da palavra grega drus, carvalho. Também se admite que tenha origens indo-européias e que significa robusto. Pelos propósitos apresentados, qualquer que seja a derivação da palavra, eu entendo os druidas como uma das classes de intelectuais dos Celtas. Embora as fontes clássicas e cristãs tendam a se concentrar nos homens, as fontes celtas também fazem referência às mulheres.
Júlio César forneceu um relato razoavelmente justo e informativo sobre como via os druidas:
Os druidas celebram a adoração dos Deuses, organizam os sacrifícios públicos e privados e dão as diretrizes em todas as questões religiosas. Um grande número de jovens aflui para eles em busca de instrução, sendo muito respeitados pelo povo. Atuam como juizes em quase todos os conflitos, sejam entre tribos ou indivíduos; quando um crime é cometido ou ocorre um assassinato, ou surge uma disputa por heranças e fronteiras, são eles que julgam o assunto e apontam a recompensa a ser paga e recebida pelas partes interessadas. Qualquer indivíduo ou tribo que desrespeitar seu arbítrio é banido da participação nos sacrifícios – a punição mais severa que se pode das a um Gaulês.
Segundo Estrabão:
Os druidas além da ciência da natureza, também estudavam a filosofia moral. Acredita-se que eram os mais justos dos homens, sendo assim encarregados das decisões de casos que afetavam tanto os indivíduos como o povo; de fato, em tempos passados, eles foram árbitros na guerra e conduziram os oponentes a uma trégua quando se alinhavam para a frente de batalha; os casos de assassinato eram, na maioria, confiados às suas decisões.
Júlio César descreveu como a sociedade Celta estava dividida em classes distintas incluindo druidas e guerreiros:
Os druidas não estão habituados a participar de guerras nem pagam impostos como o restante das pessoas. São isentos dos serviços militares e de todas as obrigações. Tamanhas recompensas encorajam muitos a se iniciar no aprendizado, tanto por vontade própria como impelidos pelos pais e parentes. Eles são orientados a memorizar um grande número de versos e poesias e dessa forma passam vinte anos em treinamento.
Plinio, o Velho, fornece o relato mais vívido de uma cerimônia druídica ao descrever uma clareira de carvalhos onde os druidas com mantos brancos e podões de ouro cortavam viscos das árvores no sexto dia lunar. Seguia-se a isso um banquete e o sacrifício de dois touros brancos.
A comunidade dos druidas estava intrinsecamente fundamentada na natureza e, portanto, permitia tanto homens como mulheres em suas fileiras. Muitos sistemas religiosos primitivos refletiam esse fundamento natural ao favorecer casais compostos de homem e mulher. As mulheres ocuparam um lugar central em muitos sistemas religiosos da Antiguidade ou, pelo menos, mantiveram uma posição de igualdade ao lado de um Deus. Isso era natural: as mulheres geram a vida diretamente; os homens, indiretamente. Deuses [e Deusas – NB] sem um par contrariavam as leis da natureza.
Adam Ardrey, Em Busca de Merlim, pg. 71 – 80, Editora Record.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Atis, o Deus frígio

Mas você não sabe quem é Cibele, sabe, forasteiro? Ela era a Grande Mãe de todas as coisas, a mãe de toda a vida. [...] Sua história é a seguinte: Atis, seu jovem amante, a traiu com uma ninfa e Cibele vingou-se induzindo-o a um frenesi durante o qual ele cortou os próprios testículos com uma faca e morreu sob um pinheiro. Cibele o trouxe de volta à vida como seu divino consorte, mas assegurando-se de que ele lhe seria perpetuamente fiel. [Duncan Sprott, A Filha do Crocodilo, pg. 474]
A Frigia é tanto um reino quanto um local na Anatólia, a península situada na atual Turquia, palco onde a orgulhosa civilização ocidental tem suas raízes. Ali, Hititas, Frigios, Assírios, Persas, Macedônios, Romanos ajudaram a forjar a nossa civilização. Ali acredita-se que estava situada a cidade de Tróia, donde Eneas - um dos fundadores de Roma - nasceu. Foi dali que a dinastia dos Ptolomeus, ao reinar no Egito conquistado por Alexandre, adotou o culto à Deusa-Mãe, conjugando-se com os cultos à Isis e Diana, Deméter, Ceres, Artemis foram assimiladas nesse grande culto à Deusa-Mãe. Muito do que hoje se confunde e se afirma sobre a existência de um grande e antigo culto à Deusa Mãe provém desse sincretismo resultante da helenização do mundo conhecido.
A importância de Átis no culto acabou sendo diminuída, como aconteceu com Osiris, pela ascenção de sacerdotes ligados ao culto destas Deusas. Mas continuou sendo temido a ponto de figurar nos cultos a Mithra, outro Deus que foi adotado pelos Romanos, de origem Persa.
Para nós, Pagãos Modernos [neopagãos] o culto à Deusa [ou Deusas] sem um consorte é um sacrilégio, uma blasfêmia, uma heresia, pois induz à emasculação. Em nossos cultos, o Deus deve ser celebrado e compreendido.
Então, quem é Atis e como perceber nele a face do Deus Cervo?
Usando o oráculo virtual [Google], eis o que encontrei:
Atys, Attys, Attes, Attis ou Attin (Atus, Attus, Attês ou Attin). Filho de Nana e um belo pastor de Celanae, uma cidade frígia.[Theoi]
A historia de suas origens em Agdistis, registradas pelo viajante Pausanias, tem alguns elementos não-gregos: disseram a Pausanias que o daemon Agdistis inicialmente nasceu macho e fêmea. Mas os Deuses do Olimpo, temendo Agdistis, cortaram o órgão masculina e jogou fora. Eles cresceram e formaram uma amendoeira e quando a fruta foi aberta, Nana que era filha do Deus-rio Sangarius pegou uma amêndoa e a colocou em seu colo. A amêndoa desapareceu e ela ficou grávida. Nana abandonou o bebê (Attis). O infante foi criado por um bode. Quando Atis cresceu, seus belos cabelos longos eram divinos e Agdistis/Cybele ficou apaixonado/a por ele. Mas os padrastros de Atis o enviaram para Pessinos, onde ele deveria casar-se com a filha do rei. Assim que a música matrimonial foi cantada, Agdistis/Cybele apareceu em seu poder transcendente e Atis enlouqueceu e cortou seus genitais.[wikipedia]
Atis é um Deus da Vegetação, como o Deus das Bruxas em sua forma de Homem Folha [Green-Man]. Os mitos dos Deuses da Vegetação contém uma Deusa que é apaixonada ou tem algum vínculo com o Deus. Este vínculo ou paixão demonstra a forte ligação entre fertilidade e virilidade. Mas também tem o sacrifício/morte do Deus da Vegetação para sua ressurreição posterior, demonstrando a forte ligação com o nascimento, morte e ressurreição encenada pela natureza todos os anos.
Cibele não teria motivos para endoidecer Atis por este estar enamorado por uma ninfa [ou estar se casando com a filha do rei], pois estas personagens podem muito bem ser manifestações da Deusa, senão uma filha ou uma sacerdotisa Dela. O mito é um recurso que nossos antepassados usaram para explicar o mistério, tanto da natureza quanto do ser humano, desse ciclo de nascimento, crescimento, morte e ressurreição e vincular isto com a fertilidade/fecundidade dos campos, dos rebanhos e de nós mesmos, dando uma dimensão sagrada e mística ao amor, ao desejo e ao prazer.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O Deus Caçador

A face do Deus das Bruxas [e dos Bruxos };)] como um caçador noturno certamente perturba a imaginação puritana e provincial de muitos neopagãos - especialmente os que adotam o vegetarianismo e defendem os "direitos dos animais". Mas eu não vou criticar esta visão e sim falar de Herne.
Usando o oráculo virtual [Google], eis o que encontrei:
Na mitologia céltica, a entidade chamada Herne (mesma raiz de horn e de corno), Cernunos, Carnum, representa o ciclo infindável de morte e renascimento vivenciado pela natureza e, portanto, acabou associada não somente aos rituais da fertilidade, mas, também, ao Submundo, o reino Inferior onde habitam os mortos. Sob esse aspecto, como captor e regente dos mortos, Herne recebia o nome de Gwyn Mab Nud ou Arawn e era o governante de Annyvn, o Submundo celta, e portanto um equivalente do greco-romano Hades/Plutão.
Gwyn Mab Nud ou Arawn eram tidos como os condutores da chamada Caçada Selvagem que, por ocasião do Equinócio de Outono, fendia os céus setentrionais da Europa numa celebração dionisíaca da vida que era uma rememoração em nome dos finados e, também, uma preparação para a morte simbólica da natureza que, em breve, perderia seu viço ante a chegada do Inverno*. A trompa desses deuses caçadores era um presságio para a morte, e uma lembrança, de que a vida se nutre do passamento cíclico da luz para a escuridão, e de que, deste modo, a Longa Noite do Inverno também fazia parte da natureza harmoniosa do Mundo.[Duvendor]
No folclore inglês, Herne o Caçador é um fantasma equestre associado à Floresta de Windsor e o Grande Parque na região inglesa de Berkshire. Sua aparição é notada pelo fato que ele tem chifres em sua cabeça. [Dizem que ele é o condutor da Caçada Selvagem]
Dizem que Herne foi um caçador à serviço do Rei Ricardo II dentro e em volta da Floresta de Windsor. Ele salvou a vida do rei quando este foi atacado por um corço branco, mas foi mortalmente ferido. Um mago local curou-o com seus poderes mágicos, o qual envolvia atar os chifres do animal morto na cabeça de Herne. Em troca, entretanto, Herne teve que deixar sua vida de caçador. Os outros caçadores o consideraram um ladrão. Como resultado, ele perdeu o favro do rei. Ele foi encontrado no dia seguinte enforcado em um carvalho.
A referência mais antiga de Herne vem da obra de Shakespeare, "The Merry Wives of Windsor". [As Alegres Comadres de Windsor]
Isto registra muitos aspectos do fantasma de Herne. Mais detalhes de visões relatadas foram acrescentados ao folclore local, como a de 1920. Ele aparecia portando chifres, algumas vezes debaixo da árvore onde foi enforcado, mas na maior parte das vezes é visto cavalgando, acompanhado por outros caçadores e as almas cativas daqueles que ele encontrou em sua jornada. Ele é então um fantasma de um presságio ruim.[wikipedia]

sábado, 2 de outubro de 2010

Sobre opiniões e hipocrisias

O Gaius me disse em outro tópico a seguinte frase: "Mavesper, apesar de muito conhecimento sobre Wicca você peca em didática e paciência, que tal tentar ter um pouco mais de tato ao lidar com as divergências de pensamento?"
Eu convido vocês a pensarem um pouco sobre o que realmente significa esse conselho. O que seria esse "tato' que ele me pede?
É verdade que a bruxaria tem diversas vertentes, e que dentre estas muitas coisas são divergentes e até contraditórias. Mas esse conselho do Gaius, na verdade, tem a ver com o que no orkut se tornou o “politicamente correto”, que acaba sendo uma verdadeira ditadura, que detona a propria razão de ser da comunidade.
Se alguem chega e diz uma asneira enorme, por exemplo, que o caldeirão tem que ser de gelo, porque aprendeu na tradição da patagonia que era assim... daí vem alguem e diz, "olha, isso não tem nada a ver com bruxaria, não pode ser assim". Se ele disser isso diretamente, afirmando o óbvio, que caldeirão de gelo é uma puta besteira, já virão mil mensagens criticando o que esta ensinando o correto e defendendo o idiota que falou a bobagem inicial.
Onde vocês acham que isso leva uma comunidade? As pessoas que sabem alguma coisa acabam ficando caladas ou então tem um enorme e exaustivo trabalho de ter que pedir desculpas toda vez que vão falar algo sério. Porque senão são apedrejadas.
Quem não tem paciencia ou vira um monstro, como vocês estão fazendo comigo, ou simplesmente sai e vocês ficam sem as informações proque haja saco para aturar essa politicagem do hipocritamente correto...
Vocês não percebem o quanto isso empobrece os dialogos? Mesmo pessoas com a maior paciencia como o Dayne ou a Lua Serena chegam a um ponto de saturação. Ou então acabam perdendo muito mas tempo e energia do que deveriam só porque o que vale aqui é a ditadura dos ignorantes.
Há que haver um limite para o que se considera essencial e toda bruxaria acata e o que é modificável de tradição para tradição. É isso mesmo que eu quero que as pessoas façam. Eu, você, todos. Que aprendamos a dizer claramente o que é essencial ou não é. Sem medo de sermos taxados de antipaticos ou ditadores. E que possamos admitir toda a diversidade desde que ela não deturpe a essencia da religião.
Se um bruxo não sabe que ele co-cria a realidade com os Deuses e APENAS POR ISSO ele celebra as estações - sabbats e esbats - na verdade ele é apenas um papagaio, que só repete as celebrações porque acha bonitinho. Faz festinhas, não oficia ritos religiosos... SE o bruxo não sabe, e não tem a convicção de que ele é um instrumento dos Deuses para que os ciclos ocorram, ele não tem consciencia de seu papel.
O que eu estou chamando de essencial na bruxaria é isso: a consciência de que nossas celebrações são feitas porque somos co-criadores com os Deuses, eles precisam de nós para isso, como nós precisamos deles, porque nosso papel no Todo é de moldadores - afinal é isso que significa a etimologia da palavra Wicca
Se mais pessoas, mais gente experiente tivesse a coragem de ser direto como eu costumo ser, certamente menos gente perderia tempo aprendendo bobagens e todos estariamos contribuindo para a melhora da Wicca como um todo no Brasil.
Autora: Mavesper Cy Ceridwen, na comunidade Sociedade Wicca.
Nota da casa: Isto foi dito em alto e em bom som em uma comunidade que me baniu. exatamente por defender os princípios e valores da Wicca. Não existem coincidências.