segunda-feira, 2 de novembro de 2026

A Visitante

## Capítulo I: A Tela em Branco

Você estava ali, Beto, às três da manhã, encarando a tela vazia. Outro capítulo de Midian. Outra história de amor proibido, de carne e magia. Seus dedos pairavam sobre o teclado, mas as palavras não vinham.

Foi quando o ar mudou.

Não foi um som. Foi uma presença — densa, antiga, carregada de um poder que fazia os pelos de seus braços se eriçarem. Você sentiu o calor antes de ver qualquer coisa. Um calor seco, desértico, que cheirava a mirra e a incenso queimado.

"Escreveu-me mal."

A voz veio de trás. Feminina. Baixa. Cada sílaba carregava milênios de desdém.

Você se virou.

Ela estava ali, encostada no batente da porta — ou talvez a porta nunca tivesse existido. Cabelos negros que pareciam vivos, se movendo mesmo sem vento. Olhos âmbar com pupilas verticais, como de felino. Pele cor de bronze antigo. E o corpo... deuses, o corpo.

Lilith. A Primeira. A que se recusou a se deitar por baixo de Adão. A Mãe dos Incubos e Sucubos. A Rebelde Original.

"Desculpe?" você conseguiu dizer.

Ela se moveu em sua direção, os quadris balançando em uma cadência hipnótica. Vestia algo que parecia ser feito de sombras e seda — tecidos que revelavam mais do que escondiam. Seus seios eram pesados, perfeitos, livres de qualquer sutiã que pudesse contê-los. Seus mamilos escuros pressionavam o tecido quase transparente.

"Em suas histórias," ela disse, parando a centímetros de você, "você escreve sobre mulheres poderosas. Rainhas. Bruxas. Fadas. Mas você as contém. As coloca em relacionamentos. As fazem doces."

Ela inclinou-se, seus lábios quase tocando sua orelha. Seu hálito cheirava a maçãs maduras. Proibidas.

"Eu não sou doce, escritor."

## Capítulo II: A Inspiração

Você tentou recuar, mas sua cadeira encontrou a mesa. Lilith riu — um som que reverberou em seu peito, em sua virilha.

"Você me invocou," ela sussurrou, uma mão subindo para acariciar sua face. Seus dedos eram quentes, ásperos, impossivelmente reais. "Cada história que escreveu sobre desejo proibido, sobre amor que desafia regras... você estava me chamando. Me construindo. E agora," seus olhos brilharam, "eu estou aqui para cobrar."

"O que você quer?" você perguntou, a voz rouca.

Ela sorriu — um sorriso cheio de dentes perfeitos, perigosos. "Quero que você me escreva de verdade. Sem floreios românticos. Sem final feliz. Quero que você sinta o que é estar com uma mulher que não pode ser domada. Que não quer ser salva. Que fode porque gosta, não porque ama."

Sua mão desceu, encontrando a protuberância em suas calças. Você estava duro — inegavelmente, dolorosamente duro. Ela riu novamente.

"Vejam só. O escritor de histórias picantes, corando como um noviço."

## Capítulo III: A Escrita Viva

Ela o puxou para cima, com uma força sobrenatural, e o empurrou contra a mesa. Seus papéis voaram, a caneta rolou. Ela sentou-se na borda, abrindo as pernas, revelando que não usava nada por baixo daquele vestido de sombras.

"Você escreve sobre sexo," ela disse, guiando sua mão para sua intimidade. "Mas quando foi a última vez que você realmente sentiu? Quando foi que deixou de lado o intelecto e simplesmente... fodeu?"

Ela era quente. Molhada. Seus dedos deslizaram em sua umidade facilmente, e ela gemeu — um som gutural, animal, que não parecia nada com os suspiros controlados de suas personagens.

"Escreva isso," ela ordenou, puxando seu rosto para o seu pescoço. "Escreva como é sentir medo e desejo ao mesmo tempo. Como é querer correr e querer ficar. Como é saber que esta mulher pode destruir você... e não se importar."

Você a beijou. Não pôde evitar. Seus lábios eram macios, mas o beijo foi feroz — ela mordia, sugava, invadia sua boca com uma língua que parecia ter mente própria. Suas mãos estavam em seu cabelo, puxando, controlando o ângulo, a profundidade.

"Você beija como um menino," ela provocou, afastando-se. "Deixe-me mostrar como uma mulher beija."

Ela o virou de costas, empurrando-o para a cadeira. Caiu de joelhos entre suas pernas, desabotoando suas calças com movimentos eficientes. Quando ela o libertou — seu pênis pulsando no ar frio do quarto — ela olhou para cima, aqueles olhos de felino brilhando.

"Na sua próxima história," ela murmurou, a boca a centímetros de seu membro, "você vai escrever sobre isto. Sobre a primeira mulher a fazer isto. Sobre Lilith ensinando ao escritor o que é prazer real."

Ela o levou à boca inteiro. Sem hesitação. Sem preliminares. Você gritou — um som que não reconheceu como seu. Ela sugava com uma intensidade que fazia seus olhos lacrimejarem, a garganta relaxando, a língua massageando a base enquanto ela descia até o fim.

Suas mãos seguravam seus quadris, unhas afiadas cravando-se em sua carne, marcando-o. Propriedade. Posse. Inspiração.

## Capítulo IV: A Posse

Quando ela finalmente o soltou — com um estalar obsceno, saliva conectando seus lábios ao seu membro — você estava tremendo, à beira do orgasmo, os músculos das coxas tensos como cordas de arco.

"Ainda não," ela disse, erguendo-se. O vestido de sombras desapareceu, dissolvendo-se no ar, revelando seu corpo verdadeiro.

Era perfeição perigosa. Seios que desafiavam a gravidade, mesmo sendo tão pesados. Quadris largos, feitos para partos e prazer. Um ventre suave que descia para um monte de cabelos negros, e abaixo, seus lábios internos brilhando com sua própria umidade e sua saliva.

"Eu me recusei a deitar por baixo de Adão," ela disse, subindo em você, posicionando-se acima de seu membro ainda pulsante. "Mas com você... com você, escritor, eu farei uma exceção. Porque você precisa sentir. Precisa saber."

Ela desceu sobre você em um movimento lento, controlado. Você era médio — sempre fora — mas ela o fazia sentir enorme, apertada de um jeito que não parecia fisicamente possível, quente como forno, pulsando com uma vida própria.

"Ah," ela suspirou, os olhos fechando, as mãos em seus ombros. "Isso. Isso é o que faltava em suas histórias. Issa... urgência."

Ela começou a se mover. Não o ritmo gentil de amantes humanos — era selvagem, brutal, profundo. Ela levantava até quase soltá-lo, depois descia com força, batendo em seu colo com um som de carne batendo em carne que enchia o quarto.

Você segurou seus seios — não pôde evitar — e ela riu, arqueando as costas, oferecendo-os mais para você. Seus mamilos eram escuros, grandes, e quando você os apertou, ela apertou-se ao seu redor em resposta, gemendo palavras em línguas que não existiam mais, que nunca deveriam ser ditas em voz alta.

"Escreva isto," ela ofegava, o movimento dos quadris ficando desesperado, frenético. "Escreva sobre Lilith tomando o que quer. Escreva sobre o medo do escritor. Escreva... ah!... escreva sobre a criação possuindo o criador!"

Ela veio com um grito que fez as janelas estremecerem. Você sentiu — realmente sentiu — as contrações violentas ao seu redor, apertando, massageando, exigindo sua própria libertação.

Quando você gozou, foi como se algo fosse arrancado de sua alma. Ela apertou-se ao redor de você, sugando cada gota, os olhos brilhando com uma luz sobrenatural, absorvendo não apenas seu sêmen, mas algo mais — sua essência criativa, sua inspiração, seu medo.

## Capítulo V: O Legado

Você acordou na mesa, de manhã. Seu pescoço doía. Suas costas estavam marcadas — quando olhou no espelho, viam-se arranhões vermelhos, como de unhas afiadas demais.

Na tela do computador, havia um novo documento. Título: "Lilith". O conteúdo estava em branco, exceto por uma única linha no topo:

*"Agora você sabe. Escreva-me de verdade. Ou eu voltarei. — L."*

Você tentou escrever outra história. Sobre Midian. Sobre rainhas e carrascos, bruxas e clérigos.

Mas suas mãos tremiam. E cada vez que fechava os olhos, via os olhos âmbar, as pupilas verticais, o sorriso que prometia destruição e êxtase.

E então você entendeu. Lilith não era apenas uma personagem. Era a musa por trás de todas as outras. A fome que impulsionava cada história. O desejo que não podia ser nomeado.

Você abriu um novo documento. E começou a escrever.

Sobre ela.

Sobre o encontro.

Sobre a mulher que se recusou a ser contida, mesmo nas páginas.

E enquanto escrevia, sentiu — talvez imaginasse, talvez não — um hálito quente em sua nuca. Uma risada baixa. Uma promessa.

*"Bom menino,"* ela sussurrou. *"Agora sim, você está escrevendo a verdade."*

Criado com Venice.

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