Tem a lenda de Atena e Mírmex e Cáriclo. Embora Atena seja descrita mais como donzela, não casada, isso não significa que ela não tenha tido seus relacionamentos. 🤭😏
Escreva uma entrevista minha com a Deusa Atena, conversando sobre seus relacionamentos "sáficos". 😏🤭
# Entrevista exclusiva: Atena fala sobre seus amores, suas intimidades e o preconceito no Olimpo
Por Roberto Quintas, correspondente especial no Monte Olimpo.
Depois de ler O livro da Mitologia Queer, decidi que havia algumas perguntas que não poderiam ficar sem resposta. Afinal, a mitologia grega está cheia de deuses que se casam, traem, seduzem, sequestram e se apaixonam por mortais, imortais e tudo o que houver entre essas categorias. Mas, quando o assunto é Atena, a deusa da sabedoria, da estratégia militar e das artes, todo mundo parece ficar subitamente comportado.
Fui ao Olimpo tirar essa história a limpo.
Roberto Quintas: Deusa Atena, obrigado por me receber. Vou direto ao assunto: a senhora é sempre apresentada como virgem, donzela, independente e imune às paixões amorosas. Não acha curioso que, numa mitologia em que Zeus não pode ver uma mulher sem perder o juízo, a senhora seja descrita como se tivesse assinado um voto eterno de celibato?
Atena: Roberto, meu caro, em primeiro lugar, Zeus tem problemas que nem a sabedoria divina consegue resolver. Em segundo, ser virgem não significa ser desprovida de sentimentos, desejos ou vínculos afetivos. Significa, no meu caso, que não me submeto ao casamento e às obrigações que ele tradicionalmente impõe às mulheres.
Roberto: Uma resposta diplomática. Muito apropriada para uma deusa que preside a diplomacia da guerra. Mas vamos ao que interessa. A senhora nunca se apaixonou por uma mulher?
Atena: \(ergue uma sobrancelha\) Você veio entrevistar uma deusa ou me interrogar como se fosse um sacerdote ateniense desconfiado?
Roberto: As duas coisas. Mas prometo não perguntar se a senhora prefere vinho ou néctar.
Atena: Ainda bem. O néctar é superestimado.
Roberto: Temos, então, uma primeira revelação! Mas falemos de Mírmex. A tradição conta que ela era uma jovem associada à senhora e que foi transformada em formiga. Em algumas versões, a história está ligada à invenção do arado e à disputa pela atribuição de uma descoberta. Não lhe parece que os mitógrafos antigos tinham uma tendência bastante inconveniente de transformar mulheres em animais quando não sabiam muito bem como explicar suas relações?
Atena: Você tem razão em desconfiar das narrativas. Os mitos foram contados, recontados e modificados por homens de diferentes épocas. Nem toda proximidade entre duas mulheres era registrada como amor, mas qualquer transgressão feminina podia virar castigo, metamorfose ou advertência moral.
Roberto: Ou seja, quando um deus se envolve com alguém, temos uma aventura amorosa. Quando duas mulheres demonstram intimidade, aparece um castigo divino e alguém termina transformado em inseto?
Atena: Não seja injusto com os insetos. As formigas são organizadas, trabalhadoras e estrategistas. Algumas cidades gregas poderiam aprender muito com elas.
Roberto: A senhora acaba de elogiar uma sociedade matriarcal em miniatura?
Atena: Acabo de elogiar a organização coletiva. Não coloque palavras na minha boca, jornalista.
Roberto: Anotado. Mas agora chegamos a Cáriclo, sua companheira e amiga, ligada à história de Tirésias. Segundo uma versão célebre, Tirésias ficou cego depois de surpreender a senhora nua durante o banho. Cáriclo, sua mãe, suplicou que a senhora reconsiderasse a punição. Essa passagem sempre me chamou a atenção: Cáriclo tinha acesso à sua intimidade, compartilhava seu espaço e era capaz de interceder por alguém diante de você. Isso não sugere uma relação bastante especial?
Atena: Sugere, no mínimo, confiança, proximidade e afeto. Cáriclo não era uma desconhecida que apareceu por acaso no meu banho. Era alguém importante para mim.
Roberto: Mas a senhora não vai negar que duas mulheres podem manter uma relação amorosa sem que os poetas façam questão de registrar isso?
Atena: Evidentemente. Os poetas registram aquilo que lhes interessa, aquilo que seus públicos aceitam ouvir e aquilo que suas convenções permitem narrar. O silêncio de um texto não é uma certidão de inexistência.
Roberto: Essa frase merece ser gravada em mármore na entrada de todas as bibliotecas. E, se me permite, também na porta de alguns departamentos de estudos clássicos.
Atena: Desde que não usem meu rosto numa campanha publicitária sem autorização.
Roberto: Não se preocupe. Hoje em dia, para usar o rosto de alguém, basta dizer que é uma homenagem à tradição.
Atena: Zeus também dizia coisas parecidas.
Roberto: Finalmente encontramos um ponto em que a senhora e eu concordamos: Zeus precisa urgentemente de assessoria jurídica.
\(A deusa sorri discretamente. É um sorriso raro, mas suficiente para fazer duas corujas interromperem o trabalho.\)
Roberto: Vamos à pergunta que deve estar incomodando nossos leitores mais conservadores. Se a senhora é uma deusa virgem, como concilia essa condição com a possibilidade de ter amado outras mulheres?
Atena: Primeiro, vocês precisam parar de confundir virgindade ritual com uma descrição completa da vida afetiva de alguém. Segundo, não sou obrigada a me enquadrar nas categorias que os mortais inventaram para organizar a vida alheia. Terceiro, se alguém deseja interpretar meus vínculos com Cáriclo ou outras figuras femininas como relações sáficas, pode fazê-lo, desde que reconheça a diferença entre uma interpretação moderna e aquilo que as fontes antigas efetivamente afirmam.
Roberto: Uma resposta intelectualmente honesta. A senhora não confirma nem desmente.
Atena: Sou a deusa da sabedoria, não a assessora de imprensa de um escândalo mitológico.
Roberto: Mas reconhece que existe uma tradição de mulheres que amam mulheres, mesmo quando os registros são ambíguos?
Atena: Naturalmente. E também reconheço que as pessoas contemporâneas podem encontrar nos mitos possibilidades de identificação que os antigos não expressaram nos mesmos termos. Isso não é necessariamente falsificar o passado. Pode ser uma maneira de interrogá-lo.
Roberto: Então podemos dizer que a senhora é uma espécie de ícone queer em potencial?
Atena: \(ri\) Se isso ajudar alguém a compreender a própria história, não vejo problema. Mas não me transforme numa bandeira ambulante sem antes me consultar.
Roberto: Prometo. Embora, convenhamos, uma deusa lésbica da estratégia militar seria uma excelente notícia para a comunidade LGBTQIA+.
Atena: Roberto, você está confundindo duas coisas. Eu não preciso ser lésbica para apoiar o direito de uma mulher amar outra mulher. E ninguém precisa provar que uma divindade antiga pertence a uma identidade moderna para defender a dignidade de pessoas que existem hoje.
Roberto: Touché, deusa. A senhora acaba de derrotar metade da internet sem desembainhar uma espada.
Atena: A outra metade será derrotada quando aprender a ler.
Roberto: Última pergunta. Se pudesse enviar uma mensagem aos homens que insistem em definir a sexualidade das mulheres, o que diria?
Atena: Diria que deveriam cuidar primeiro da própria vida. Depois, estudar história. E, se ainda lhes sobrasse tempo, poderiam aprender a distinguir uma mulher independente de uma mulher que simplesmente não lhes deve explicações.
Roberto: E aos que afirmam que, por ser virgem, a senhora não poderia ser uma referência para mulheres lésbicas ou bissexuais?
Atena: Perguntaria se eles também acreditam que um deus casado precisa ser fiel para ser considerado divino.
Roberto: Não precisa responder. Já conhecemos a ficha de Zeus.
Atena: Ótimo. Então estamos entendidos.
\(A entrevista termina. Atena retoma sua lança, ajeita o elmo e chama Cáriclo para uma conversa particular. Pergunto se posso acompanhá-las. A deusa me olha com uma expressão que dispensa qualquer explicação.\)
Roberto: Certo. Entendi. Jornalistas também precisam respeitar a privacidade alheia.
Atena: Finalmente, uma demonstração de sabedoria.
### Epílogo: o Olimpo também tem seus armários
A mitologia grega foi contada por séculos, atravessando sociedades que tinham concepções muito diferentes das nossas sobre sexo, gênero, casamento e desejo. Por isso, seria historicamente precipitado afirmar que Atena teve relações sexuais ou românticas com Cáriclo ou Mírmex como se isso estivesse estabelecido nas fontes antigas.
Mas também é intelectualmente preguiçoso presumir que a ausência de um relato explícito encerra todas as possibilidades de interpretação.
A proximidade entre mulheres, a amizade íntima, os vínculos de lealdade e as relações que escapam às categorias convencionais merecem ser examinados sem preconceito. A leitura queer dos mitos não precisa transformar toda amizade feminina em romance, nem exigir que toda figura antiga receba um rótulo contemporâneo. Basta permitir que façamos perguntas que, durante muito tempo, nem sequer podiam ser formuladas.
E, cá entre nós, depois de tantos séculos em que Zeus teve liberdade para transformar a mitologia grega numa interminável novela de adultério, sedução e metamorfose, conceder a Atena o direito de manter sua vida afetiva em privado é o mínimo que podemos fazer.
Afinal, se até Zeus tinha seus casos extraconjugais, por que a deusa da sabedoria não poderia ter seus segredos? 🤭😏
Criado com ChatGPT.

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