terça-feira, 29 de março de 2011

Como se mata uma cultura e um povo

Direto das Blas:
Londres, 28 mar (EFE).- A tribo indígena Enawenê-nawê começou seu ritual de pesca anual com o temor de que as cerca de 80 represas projetadas para o rio Juruena, no Mato Grosso, destruam os peixes dos quais dependem para subsistência, indica a organização não-governamental Survival.
O ritual Yakwa é reconhecido pelo Ministério da Cultura como parte do legado cultural do Brasil, mas no ano passado, pela primeira vez, não pôde ser realizado porque a tribo praticamente não encontrou peixes devido às obras no rio.
Os índios Enawenê-nawê se viram assim expostos a uma catastrófica escassez de alimentos. A empresa construtora das represas - destinadas a armazenar água para usinas hidrelétricas - teve de comprar 3 mil quilos de peixes para a manutenção da psicultura local.
Algumas das represas projetadas são financiadas pelo Grupo André Maggi, um dos maiores produtores de soja do mundo, pertencente ao senador Blairo Maggi.
Durante o ritual Yakwa, os índios passam vários meses na floresta, construindo complicadas represas de madeira nos rios para capturar os peixes, antes de levá-los de canoa a suas aldeias.
Esse ritual faz parte da cultura espiritual da tribo, além de ser essencial para a subsistência dos índios locais, já que os Enawenê-nawê não comem outros tipo de carne.
A tribo dirigiu uma carta à ONU em que dizem: "Não queremos que as represas sujem nossas águas, matem nossos peixes, nem que nossas terras sejam invadidas".
A tribo não deu autorização para a construção das polêmicas represas e realizou manifestações de protesto.
"É irônico que um ritual como o de Yakwa, reconhecido como parte do legado cultural do Brasil, possa deixar de existir muito em breve. Toda uma forma de vida corre perigo, a dos Enawenê-nawê", advertiu o diretor da Survival, Stephen Corry.[G1]

segunda-feira, 28 de março de 2011

Da "necessidade" de uma religião "evoluir"

Uma questão interessante e importante para se refletir, principalmente com tantos [pseudo]sacerdotes afirmando que uma religião deve mudar e evoluir:
"Como eu sempre digo, a Wicca hoje é muito mais do que os escritos de Gardner ou de quem quer que seja. O que várias pessoas fazem no mundo hoje é muito diferente do que aquilo que Gardner propôs um dia e isso não tem nada demais e não desmerece a Wicca de forma alguma. Só retrata o processo natural de evolução de uma religião!"
O que várias pessoas fazem não é do interesse do pagão, bruxo e wiccano sério, senão teríamos permanecido católicos ou seguido uma das muitas vertentes do Cristianismo. A Wica sempre foi mais do que Gardner ou outro autor escreve, mesmo porque nós não somos uma "religião de livro", só o Pavão vive estufando suas penas para promover seus livros como se fossem divinamente inspirados.

"Se a Wicca é uma religião que busca inspiração para sua espiritualidade na natureza, seria contraditório desejar que ela continuasse a ser praticada da mesma forma que era há mais de 5 décadas. Olhe a natureza e veja a evolução. Ela não pede nossa opinião e autorização para evoluir, nela a evolução simplesmente acontece. E o mesmo ocorre com uma religião, que é o resultado daquilo que outros um dia fizeram e pensaram e que seguramente teria mudado muito se as pessoas que a idealizaram ainda estivessem aqui."
A natureza não evolui. As espécies evoluem. Por processos ditados pela natureza. Uma religião não é um organismo e o que o autor propõe parece mais um estupro do que um cruzamento.
"Não precisa ir longe, é só ver quantas versões diferentes do Livro das Sombras existem, aquelas que foram escritas e rescritas pelo próprio Gardner entre a década de 50 e 60, com os adendos ou não de Doreen Valiente".
Para comparar LdS [Livro das Sombras], seria preciso ter acesso aos LdS. Apenas iniciados em linhagens tradicionais têm acesso aos LdS de covens pertencentes à WTB [Wica Tradicional Britânica], o que não é o caso do autor.
"Sobre minhas obras e minha visão, eu nunca chamei o que faço de 'Wicca Moderna', para mim é simplesmente Wicca e ponto. A questão de eu concordar ou não com uma religião não implica no fato de eu poder praticá-la ou não. Se fosse assim, os Cristãos teriam que estar praticando o Cristianismo primitivo até hoje e novas denominações não teriam surgido. Eles não mudaram o nome de sua fé somente porque alteraram aquilo que não concordavam em sua antiga religião e forma de praticá-la. Ainda se chamam de Cristãos. Se não fossem esses 'revolucionários', as missas ainda seriam realizadas em latim, sem que ninguém entendesse o que se era falado durante elas."
O autor não entende a própria religião, não entenderia a religião cristã. Quando alguém "não concorda" com uma religião, não tem como praticá-la, procura outra coisa. O que aconteceu com o Cristianismo foi mais um efeito social e político do que uma "evolução" da religião. O que aconteceu foi que diversos reinos católicos começaram a traduzir a bíblia para a língua local, além do latim, a única língua permitida pela Igreja. Nestes locais, cresceu um movimento para que qualquer pessoa pudesse ler e interpretar a bíblia, de onde surgiu o Protestantismo. As diversas vertentes contemporâneas do Cristianismo são fruto dessa livre interpretação e isto não consiste em uma evolução da mesma.
"Não acredito que 50 anos seja suficiente para deturpar ou evoluir nada. Até porque, qualquer coisas que evolui está em constante transformação, o tempo não para. A Wicca está em processo de evolução contínuo."
O autor usa esse argumento fajuto de que a Wicca está evoluindo para sustentar, embasar e impingir os valores, crenças e práticas dele, do seu coven e de sua "tradição".
Aproveito um texto divulgado no forum Amber and Jet [autor: Steph Brady] para esclarecer a questão:

1°) Ela [a religião] deve refletir os valores da sociedade mesmo quando a sociedade muda.
No texto integral, o autor cita o exemplo da segregação. A religão não mudou, o que mudou foram os hábitos e costumes das pessoas que são membros ou sacerdotes das mesmas. Infelizmente a segregação foi e é justificada ainda por leituras tendenciosas de livros, sagrados ou seculares. Haja visto o lamentável exemplo do Caturo e seu patente racismo, xenofobia e fascismo escamoteado como Neopaganismo.
2°) Ela deve ser relevante aos seus seguidores.
Definitivamente errrado. A religião deve ser relevante ao Deus ou Deuses que servem. Uma religião não pode ser um clube ou grupo social.
3°) Para uma religião crescer e prosperar ela precisa ter um processo de recrutamento eficiente.
Princípio básico do Paganismo, da Bruxaria e da Wica: Nós não fazemos proselitismo. A despeito disto, pelas formas nem sempre mais desejadas, nós somos o grupo que mais cresce.
4°) A religião precisa gerenciar continuamente sua percepção pública.
Os organizadores de templos, covens e grupos é que tem que ter essa preocupação em fazer uma boa assessoria de imprensa e relações públicas, reafirmando e esclarecendo os princípios e valores de uma religão. Não haveria muito o que fazer, nem sobre o que se sustentar, se uma religião transforma-se conforme o desejo de seus seguidores, praticantes e sacerdotes.
Nota final: O propósito de uma religião sempre foi a de servir ao Deus ou Deuses, não às vaidades ou objetivos pessoais das pessoas. Isto, quando acontece, é sinal de que o indivíduo está deparando com uma seita, ou pior, com um culto de personalidade.

sábado, 26 de março de 2011

Ateus, católicos e pagãos

Primeiro uma notícia direto das Blas:
Uma pesquisa baseada em dados do censo e projeções de nove países ricos constatou que a religião poderá ser extinta nessas nações. Analisando censos colhidos desde o século 19, o estudo identificou uma tendência de aumento no número de pessoas que afirma não ter religião na Austrália, Áustria, Canadá, República Checa, Finlândia, Irlanda, Holanda, Nova Zelândia e Suíça.
Através de um modelo de progressão matemática, o estudo, divulgada em um encontro da American Physical Society, na cidade americana de Dallas, indica que o número de pessoas com religião vai praticamente deixar de existir nestes países.
''Em muitas democracias seculares modernas, há uma crescente tendência de pessoas que se identificam como não tendo uma religião; na Holanda, o índice foi de 40%, e o mais elevado foi o registrado na República Checa, que chegou a 60%'', afirmou Richard Wiener, da Research Corporation for Science Advancement, do departamento de física da Universidade do Arizona.
O estudo projetou que na Holanda, por exemplo, até 2050, 70% dos holandeses não estarão seguindo religião alguma.
Modelo
A pesquisa seguiu um modelo de dinâmica não-linear que tenta levar em conta fatores sociais que influenciam uma pessoa a fazer parte de um grupo não-religioso.
A equipe constatou que esses parâmetros eram semelhantes nos vários países pesquisados, resultando na indicação era de que a religião neles está a caminho da extinção.
"É um resultado bastante sugestivo", disse Wiener. "É interessante que um modelo tão simples analise esses dados...e possa sugerir uma tendência."

"É óbvio que cada indivíduo é bem mais complicado, mas talvez isso se ajuste naturalmente", disse ele.[G1]
Em seguida, a reclamação do Jorge [Deus lo Vult]:
Os símbolos religiosos (nas repartições públicas inclusive) refletem a cultura de uma sociedade. E, queiram ou não queiram os ateus, não existe uma sociedade atéia natural. Nem nunca existiu, nem nunca é possível que exista, porque o elemento religioso é parte integrante da cultura humana.
O ateísmo é profundamente anti-natural, uma vez que o conhecimento de Deus pertence à natureza humana.
Meu comentário [com correções]:
"Jorge, desta vez eu tenho que concordar…em parte! };)
A proposta de “acabar com a religião” faz tanto sentido quanto propor acabar com a música, a poesia, o teatro.
O que eu discordo é quanto às intenções e motivos dos ateus. A motivação provém exatamente da constante mania da Igreja de se imiscuir em assuntos seculares.
A presença dos crucifixos, por exemplo, é resultado de uma imposição, não de uma confissão, por meio do uso da força e aculturamento, o que foi o caso dos aborígenes brasileiros.
Estes não desenvolveram uma cultura mais refinada porque não tiveram tempo. Mesmo os Europeus não estavam em uma situação melhor, antes da colonização romana. O que não quer dizer que nossos aborígenes sejam inferiores ou incultos. A mensagem de Cristo por acaso é “converta-se ou suma”? Se for, não é por acaso que quero distância dele.
Diga-se de passagem que, se os símbolos nas repartiçoes públicas devem ter uma relação com a história, o mais correto seriam símbolos pagãos.
E a civilização ocidental foi “segurada” exatramente por estes “bárbaros”, reis que ergueram seus reinos por cima das ruínas de Roma, a Igreja apenas pegou a oportunidade e tratou de firmar acordos e vínculos com estes reis."
Eu aproveito para descrever meu assombro e surpresa em ver, em blogs e comunidades pagãs, a reação e a preocupação com um livro publicado por um grupo católico sobre os perigos do Paganismo/Bruxaria/Wicca [com dicas de como nos converter]. Eu não estou preocupado com a possibilidade das religiões acabarem ou com projetos de conversão. Nós estamos bem aqui, mesmo depois de 19 séculos de censura, opressão e repressão. E vamos continuar por aqui. Graças aos Deuses!

terça-feira, 22 de março de 2011

A Deusa Cro-Magnon

Por ter crescido na Lituânia, Marija Gimbutas familiarizou-se com as tradições da Deusa Latima, a fiandeira, ou a tecelã da vida. Ela se lembra que as mulheres costumavam fazer-lhe oferendas de toalhas e artigos tecidos. À noite, a Deusa sempre fiscalizava seus seguidores espiando-os pela janela.
Embora a Lituânia tenha sido cristianizada durante o século XIV, ela permaneceu predominantemente pagã por muitos séculos ainda, devido à falta de habilidade dos missionários com a língua. A Deusa permaneceu como parte da cultura da Europa oriental em algumas áreas até o século XIX ou mesmo XX. Fascinada pela cultura com a qual cresceu, Gimbutas concentrou seus primeiros estudos em lingüística, etnologia e folclore.
Em 1942, Gimbutas completou seu mestrado pela Universidade de Vilnius, na Lituânia ocupada pela Alemanha; quatro anos mais tarde, ela doutorou-se pela Universidade de Tubigen, na Alemanha. Ambas as graduações foram em arqueologia. Sua dissertação centrava-se nas religiões antigas e pagãs, no simbolismo, nos ritos fúnebres e nas crenças da vida após a morte.

Nascida numa época em que a Lituânia era tão pagã quanto católica, Gimbutas possuía um ponto de vista único sobre a Europa e sua história. Durante anos, ela trabalhou em escavações no sudoeste da Europa e no Mediterrâneo, e começou a desenvolver a teoria sobre a existência de uma cultura que um dia, em uma época remota, prevaleceu na região.
Sua visão dos povos da pré-história européia é também um conto sobre o choque entre culturas e, especificamente, sobre a que um dia foi proeminente: a cultura da Deusa-Mãe. A pesquisa de Gimbutas fornece evidências de que antes dos indo-europeus dominarem a região, uma cultura completamente diferente existiu ali, uma cultura à qual ela se refere como cultura da Grande Deusa ou da Deusa-Mãe. Era uma cultura igualitária, embora centrada no materno como fundamentação para sua cosmologia.
Gimbutas se refere a essa cultura como matricista ou matrifocal, e não como matriarcal. Tratava-se de uma sociedade equilibrada. As mulheres não eram tão poderosas a ponto de usurpar o papel do homem. Os homens tinham seu próprio poder e posição, e executavam seus próprios deveres para benefício da família e do clã. Segundo Gimbutas, era uma sociedade comunal e comunista no melhor sentido da palavra. As Deusas eram verdadeiramente criadoras, e, de fato, criavam por si mesmas, quer fossem utensílios domésticos, quer fosse uma criança.
Diversos tipos de estatuetas de Deusas apareceram na Idade do gelo, mas elas não formam um panteão. Em essência, elas representam diferentes funções da mesma Deusa. A divindade era a própria natureza: a natureza que dá a vida, tira a vida, regenera-a. Essas eram as três importantes funções da Deusa, e elas compunham o ciclo vital natural.
As estatuetas posteriores à Idade do Gelo, com seios acentuados, eram esculpidas tipicamente com uma cabeça de pássaro. As estatuetas da Idade do Gelo também tinham seios grandes e cabeças de pássaro. A partir disso, ficou claro para Gimbutas que elas eram do mesmo tipo e que sua cultura continuou até os tempos históricos.
A religião sempre desempenhou um importante papel em qualquer cultura, tanto modernas quanto antigas. A cultura da Deusa não era diferente. Sua cosmologia era baseada no pássaro d’água e no ovo cósmico. No início, o mundo começou quando o pássaro d’água trouxe o ovo. O ovo rompeu e uma parte se tornou terra e a outra parte, céu.
Para a cultura da Deusa-Mãe, o templo era o centro da vida religiosa. Belos artefatos eram produzidos para seus altares e para a Deusa. As evidências sugerem que esse povo era grato pelo sustento que a terra proporcionava, e dava graças à Deusa. A alta sacerdotisa e a rainha eram a mesma pessoa nessa hierarquia de sacerdotisas. As mulheres eram mais prestigiadas pela vida nova que nascia delas e, em resultado, tinham mais influência na vida religiosa. Elas comandavam o templo e executavam rituais nos nascimentos, mortes e na mudança das estações.
As descobertas da Dra. Gimbutas, baseadas nos vestígios físicos e no que se pode deduzir da mitologia, sugerem que a vida política era regulada por um sistema avuncular. Os governantes da comunidade eram a rainha, que também era a alta sacerdotisa, e seu irmão ou tio. O homem dividia com ela a autoridade. A existência desse sistema era expressa na mitologia clássica, na qual casais de irmãos, Deusas e Deuses, são encontrados com freqüência.
Seria presunção sugerir que essa era apenas uma cultura de mulheres e que não existiam Deuses homens. Em sua arte, o masculino é menos representado, mas os Deuses homens, de fato, existiram. Em todas as mitologias a mãe terra existe com seu companheiro masculino ao lado.
“O Egito Antes dos Faraós”, de Edward Malkowski, pg. 231 a 235, Editora Cultrix.
Nota da casa: Eu peço encarecidamente aos pagãos, bruxos e wiccanos que leiam o tópico "A origem do mito moderno da Deusa-Mãe" antes de embarcar nessa idéia dourada de uma "antiga religião da Deusa".

segunda-feira, 21 de março de 2011

Ah, se falsidade matasse

Direto das Blas:
A actualidade da mensagem cristã foi, esta tarde, sublinhada pelo Cardeal Patriarca de Lisboa. Na sua segunda Catequese Quaresmal, dedicada à escuta da palavra de Deus, D. José Policarpo disse que a Bíblia não é uma palavra do passado.
“Se o cristianismo fosse só “uma religião do Livro”, o esforço da Igreja limitar-se-ia a analisar o texto para ver o que Deus disse ao seu Povo, nas diversas etapas da sua história. Mas nós acreditamos que a Palavra de Deus é actual, Ele continua a ser um Deus em diálogo com o seu Povo, a conduzi-lo pela sua Palavra em cada momento e circunstância da história. Se acreditamos que Deus continua a falar-nos, a atitude da Igreja tem de ser outra: a da escuta, coração aberto para escutar agora o que Deus diz à Igreja, que é o seu Povo”, disse.
Há o risco dos cristãos entenderem de forma errada a palavra de Deus se esse esforço for feito fora da igreja. O alerta foi lançado pelo Cardeal Patriarca.
Fonte: Rádio Renascença
Comentário da casa: Se o Cristianismo é mais do que uma "religião de livro", a Igreja não deveria recorrer à leitura da bíblia para embasar suas posições doutrinárias e dogmáticas a respeito da homossexualidade, do aborto, do sacerdócio das mulheres, do uso de métodos anticoncepcionais, da endemia do HIV ou da suposta autoridade da Igreja.
PS: Mude a Igreja ou mude dela.

Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial

Luanda - Assinala-se hoje, segunda-feira, 21 de Março, o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), em memória as vítimas do Massacre de Shaperville, um bairro sul-africano da província de Gauteng.
Em 21 de Março de 1960, vinte mil negros protestavam contra a “Lei do Passe”, que os obrigava a portar cartões de identificação, especificando os locais por onde eles podiam se movimentar no país.
Mesmo sendo uma manifestação pacífica, o exército atirou sobre a multidão e o saldo da violência foi de 69 mortos e 186 feridos.
Desde esse triste dia, registaram-se profundas alterações no contexto das nações, continuando no entanto a manifestarem-se nas mais diversas formas de discriminação racial.
A Declaração Universal dos Direitos do Homem, implementada em 1948, no seio da Organização das nações Unidas, estabelece regras que, sendo cumpridas, não permitem a discriminação racial.

O artigo primeiro indica que “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade”.
O artigo segundo refere que “ Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na presente Declaração, sem distinção alguma, nomeadamente de raça, de cor, de sexo, de língua, de religião, de opinião política ou outra, de origem nacional ou social, de fortuna, de nascimento ou de qualquer outra situação”.
O artigo sétimo da mesma Declaração, refere que “Todos são iguais perante a lei e, sem distinção, têm direito a igual protecção da lei. Todos têm direito a protecção igual contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação”.

Por sua vez, a Convenção Internacional para a Eliminação de todas as Formas de Discriminação Racial, no âmbito da ONU, define no seu artigo primeiro que “Discriminação Racial significa qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada na raça, cor, ascendência, origem étnica ou nacional com a finalidade ou o efeito de impedir ou dificultar o reconhecimento e/ou exercício, em bases de igualdade, aos direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos - político, económico, social, cultural ou qualquer outra área da vida pública”.
É no aprofundamento destes conceitos que devem assentar as formas de luta em prol de uma universalidade de direitos e deveres, onde não haja mais lugar para formas de discriminação, sejam elas de que forma forem.
Fonte: Angola Press

sexta-feira, 18 de março de 2011

Presidente Obama no Brasil

"Mr Obama, at your election I said that I was a witness of a historical moment. When, in Brazil, we elected the first woman as president, I said that, regarding the proportions, Dilma's election was also a historical moment.
Keep on the changes. Good trip and welcome to Brazil."
Publicado e divulgado em Presidente Obama no Brasil
Aproveito para divulgar a notícia que o Presidente Barak Obama inaugurou o Serviço Comunitário Interreligioso.
"Since his inauguration, President Obama has emphasized interfaith cooperation and community service – “interfaith service” for short – as an important way to build understanding between different communities and contribute to the common good.
Interfaith service involves people from different religious and non-religious backgrounds tackling community challenges together – for example, Protestants, Catholics, Muslims and Jews building a Habitat for Humanity house together across religious lines. Interfaith service impacts specific community challenges, from homelessness to mentoring to the environment, while building social capital and civility.
American colleges, community colleges, and universities have often been at the forefront of solving our nation’s greatest challenges. The White House is encouraging institutions of higher education to make the vision for interfaith cooperation a reality on campuses across the country.
The White House is launching the President’s Interfaith and Community Service Campus Challenge, an initiative inviting institutions of higher education to commit to a year of interfaith cooperation and community service programming on campus. This programming might take the form of campus Christian, Jewish, Muslim and secular student organizations implementing a specific year-long community service project. It might also involve students from a campus partnering with local religious groups to tackle a specific community challenge together."[White House]

quinta-feira, 17 de março de 2011

Crônicas universitárias

Cerca de cinqüenta jovens invadiram a capela do campus Somosaguas para protestar contra a Igreja Católica. Segundo o arcebispo responsável pela igreja, o grupo era composto em sua maioria por mulheres. “Elas cercaram o altar e leram frases que segundo elas, eram de autores cristãos falando sobre mulheres. Além disso os manifestantes leram reivindicações e ações judiciais contra a igreja e seus ensinamentos, colocaram cartazes na porta e nos bancos".
O arcebispo contou também que as moças ficaram despidas da cintura pra cima e fizeram rimas contra a igreja e a fé cristã. Uma estudante de economia nesse momento rezava no local, conta que duas das meninas gritavam que eram homossexuais.
Um relatório publicado posteriormente elevou o número de manifestantes para 70. E concluiu que o “mau gosto e a depravação tinham sido instalados na Universidade Complutense”.
A igreja diz que tais atos são absolutamente condenáveis pois atacaram a liberdade de culto e profanaram um lugar sagrado. Se os que cometeram tais atos são batizados, levarão as sanções canônicas.
O reitor da Universidade emitiu um comunicado lamentando o ocorrido.[Portal da Universidade]
Era para ter sido uma manifestação estudantil, nada mais, nada menos. Mas quando isso envolve um território da Igreja Católica, podemos ter certeza que as reações e retaliações virão.
Tudo começou quando as Associações Estudantis "Contrapoder" e "RQTR" convocou os estudantes a participarem das "Jornadas Feministas de Teoria e Prática Crítica", que ocorreram entre 7 e 11 de março na Faculdade de Políticas e Sociologia da Complutense.
No programa estava previsto para o dia 10 a pauta "Atos Corporais Subversivos", incluindo uma performance às 13 h de "crossdressing" para "desconstruir a regulação dos corpos".
Então um grupo de 50 jovens invadiu a capela da Universidade de Complutense.
Protagonizaram uma ação direta, um ato reivindicativo contra o sistema patriarcal e o poder da Igreja, de acordo com uma das participantes.
Fizeram uma procissão com uma imagem do Papa com uma cruz gamada no peito.
"Encarnamos como virgens e ascendemos como putas", disse uma das participantes.
O grupo, formado principalmente por mulheres, entrou na pequena sala dizendo palavras de ordem: "Contra o Vaticano, poder clitoriano" ou "Menos rosários e mais 'bolas chinesas' [bolas chinesas, ou ben-wa é um brinquedo erótico-NB]". Duas se despiram da cintura para cima e se beijaram no altar. Outras mostraram a barriga, onde escreveram palavras como "sobrevivente", "padeira" ou "bisexual".[El Pais]
A reação, dos poderes seculares e eclesiásticos, foram imediatas e pesadas. "Profanação", clamam os padres; "vandalismo", clamam os burgueses. Não é de agora que a nudez é vista com escândalo, escárnio e medo, especialmente por causa e devido à doutrina cristã.
Tudo que os estudantes queriam é protestar contra a Igreja Católica, a instituição que mais propaga e divulga o machismo, o patriarcado, a misoginia e o sexismo. Para que o público tenha realmente a liberdade de escolha, de opção, é necessário ouvir outras opiniões e pensamentos, o que evidentemente a elite dominante não pode permitir.
O mundo tem que ouvir estes estudantes, o ser humano tem que saber que ele é o único dono de sua vida sexual-afetiva, ele tem o poder sobre o seu corpo, seu erotismo e sua reprodução.

No que cosnta a este pagão, a única blasfêmia foi a desferida contra os corpos destas sacerdotisas, que se macularam por se exporem em um ambiente tão impuro, a única profanação foi contra a liberdade de expressão e opinião, o único vandalismo foi contra a verdade dita pelos estudantes.
APOSTASIA JÁ!

terça-feira, 15 de março de 2011

Não viemos aqui para salvar tua alma

Não é novidade quando alguém sofre de algum trauma emocional, físico ou psicológico que se procura respostas na religião. Para muitos, isto funciona muito bem e através do novo relacionamento com sua crença se encontra a força neles mesmos para superar o sofrimento que passaram e compartilhar o fardo que tiveram de carrregar.
Estas histórias de sucesso são altamente propagandeadas e frequentemente são usadas para validar esta ou aquela crença. "Venha a nós!" Dizem eles, clamando por sua atenção. "Nós resolvemos os problemas do Beto, nós podemos resolver os seus problemas também!"
Entretanto, como vimos antes, com esta premissa que a crença pode te "consertar", as pessoas se tornam desseletivas e voltam-se a o que quer que lhe seja agradável. Infelizmente nem toda religião tem a intenção de "consertar" quem quer que seja.
A WTB não é um lugar para as pessoas encontrarem redenção ou salvação. Veja, todos temos problemas. Nem todos têm 99% de problemas, mas todos temos problemas. Isto deve ser posto de lado diariamente para focar na tarefa que temos à mão. Se você está muito distraído pelas dificuldades da vida, outras áreas irão ficar prejudicadas. Quando isto se aplica ao trabalho com magia, ter uma bagagem emocional que afeta sua evocação é algo muito sério com que temos de nos preocupar.
Particularmente se você trouxer esta bagagem ao círculo. Sem falar dos efeitos de gerar energia em tal estado emocional, o que você traz consigo não afetará apenas você, terá repercussão para todos os envolvidos.
Trabalhar com magia ou participar em rituais pode deixar alguémm vulnerável, o círculo não é lançado por espetáculo! O círculo apenas pode manter fora o que não está lá dentro.
Ter probelmas não significa que a WTB não te serve. Mas quando um trauma do passado torna-se uma grande parte de sua vida a ponto de te controlar, você não está pronto. Ao contrárui das muitas vertentes do Cristianismo que oferece perdão e redenção, Wicca não está aqui para salvar quem quer que seja. Ela não serve para este propósito e se é isso que é procurado, procure em outro lugar senão todos os envolvidos vão sofrer (você por não encontrar o que procura, os demais pelos conflitos resultantes).
Quando procurar por uma crença, eu recomendo primeiro saber o que você quer dela.
Autor: Ash, no fórum da Amber and Jet.

Nota da casa: O Beto não tem problema algum. "Nós" somos perfeitamente normais. }%P

segunda-feira, 14 de março de 2011

O sacerdócio wiccano

Muito bem, diletos e eventuais leitores. Aqui eu dei espaço para o texto do Herne falando sobre os aspectos do sacerdócio no texto "O que constitui o sacerdócio". O texto tem elementos importantes para se entender o sacerdócio em um aspecto mais "acadêmico".
A guisa de contraponto e esclarecimento, eu considero igualmente importante o texto da Mavesper Cerydwen faando sobre o sacerdócio wiccano, um aspecto mais específico, um texto que contém elementos fundamentais e que devem ser divulgados.
1) A etimologia de sacerdócio estar ligada a sacrifícios de vítimas nada tem a ver com a definição atual, cotidiana e vernacular de sacerdócio. Todos nós aqui estamos carecas de saber o que é sacerdócio, é uma palavra que transcendeu e muito seu significado etimológico, razão pela qual debater em cima disso é perda de tempo. Wicca tem sacerdócio. [1]
2) Questão bem diferente é saber se Wicca tem sacrifício, em termos de imolação sacrificial. Respondo em duas partes.
2a) Sem sombra nenhuma de dúvida a Wicca tem seu maior mistério centrado no sacrifício que é o Grande Rito. Na sua forma não simbólica o Grande Rito demonstra, até mesmo nas palavras ritualisticas, que o sacricífico realizado é o semen do Deus, que pelo orgasmo fertiliza o Corpo da Deusa, que é o altar ancestral erigido para esse fim, onde toda a espécie humana já celebrou. Creio que vocês conhecem o texto classico do BoS gardneriano. O sacrifício do Deus Solar não se resume na compreensão do Samhain, mas se faz a cada dia, em mil formas, em todos os ciclos de morte-vida -renascimento que vievmos no universo - desde cada uma de nossas células que morre, até nossos entes queridos, modos de vida, crenças.
As palavras ritualisticas tipícas do GR revelam bem que o corpo da mulher é o altar e o gozo do homem o sacrifício. Alias, essas palavras, com algumas variações mistéricas, são proferidas durante o ato sexual sagrado.
Alias, o BOS gardneriano para em certo momento, quando sacerdote e sacerdotisa vão realizar o ato sexual sagrado. na hora do orgasmo, o sacerodte avisa a sacerdotisa da iminência do orgasmo e ela diz : "Eu sou o altar" e ele responde : "E eu sou o sacrificio" e goza. Mais literalidade que esse sacrifício eu acho dificil alguem conceber! [2]
Creio que pela simples leitura vocês chegarão à conclusão de que somente alguem que jamais leu rudimentos sobre Wicca ousaria afirmar que ela não realiza e celebra como o centro de seus mistérios o sacrifício do Deus de Chifres.
2b) Wicca admite vítimas sacrificiais, ou seja, morte de animais realizada ritualisticamente? Aqui eu respondo que parte da Wicca realiza sim sacrifícios animais. Notadamente as tradições com maior influencia do craft inglês, onde há o animal totêmico do coven, que deve ser morte e ter seu crânio fazendo parte da estaca de 7 em 7 anos. Outras tradições de bruxaria ampliam esse tipo de sacrifício para feitiços ou outros fins. Mas muitas linhagens de Wicca eliminaram as vítimas sacrificias, permanecendo apenas com o sacrifício do GR, simbólico ou concreto. [3]
BB - Mavesper Cerydwen, na Sociedade Wicca.
Notas e comentários esparsos:
[1] Por um lado eu tenho que concordar com a Mavesper. O sentido da palavra não pode ser reduzido ao estudo de sua etimologia, mas ao seu conteúdo e contexto histórico. Por outro eu devo discordar, pois nem sempre as definições "atuais", "cotidianas" e "vernaculais" estão corretas.
[2] O GR não é um sacrifício, mas uma reencenação do mistério central da geração do mundo. E até hoje não foi divulgado o BoS gardneriano, o que existe é a citação de um trecho do livro de Aidan Kelly, o "Crafting the Art Magical - Book I", onde ele analisa um texto supostamente de autoria de Gerald Gardner - "Ye Book of Art Magical".
[3] E aqui se desfaz uma das maiores ilusões e enganos que são propagados através de textos, livros e sites da internet que a Wicca "não aceita sacrifícios de animais".

domingo, 13 de março de 2011

Entre a discriminação e a liberdade religiosa

Eu li no blog do Wild Hunt sobre o incidente que aconteceu na edição de 2011 do Pantheacon, envolvendo o Coven Caya e um grupo de "mulheres" transgêneros, que foram proibidas de entrarem e participarem do "Ritual de Lilith", a ser conduzido pelas sacerdotisas do Coven Caya.
Isso acontece exatamente porque muita gente vê no Paganismo, na Bruxaria e na Wicca, um território seguro, um abrigo, um refúgio, onde cada um pode se sentir à vontade com suas opiniões, opções, escolhas e tendências. Confusões acontecem na comunidade pagã também por causa disso, por falta de bom senso ou de uma verdadeira obsessão por agendas pessoais e políticas, deixando de lado o aspecto espiritual e sagrado.
Um pequeno intervalo é necessário, para estabelecermos alguns parâmetros:
Gênero (português brasileiro) refere-se às diferenças entre homens e mulheres. Ainda que gênero seja usado como sinônimo de sexo, nas ciências sociais refere-se às diferenças sociais, conhecidas nas ciências biológicas como papel de gênero. Historicamente, o feminismo posicionou os papéis de gênero como construídos socialmente, independente de qualquer base biológica. Pessoas cuja identidade de gênero difere do gênero designado de acordo com o sexo são normalmente identificadas como transexuais ou transgêneros.[wikipedia]
Nas ciências sociais e humanas, papel social de gênero é um conjunto de comportamentos associados com masculinidade e feminilidade, em um grupo ou sistema social. Todas as sociedades conhecidas possuem um sistema sexo/gênero, ainda que os componentes e funcionamento deste sistema varie bastante de sociedade para sociedade.
A maioria dos pesquisadores reconhecem que o comportamento dos indivíduos é uma consequência das regras e valores sociais, e da disposição individual, seja genética, inconsciente, ou consciente. Alguns pesquisadores enfatizam o sistema social e outros enfatizam orientações subjetivas e disposições.
Com o passar do tempo mudanças ocorrem sob regras e valores. Entretanto todos os cientistas sociais reconhecem que culturas e sociedades são dinâmicas e mudam. Há extensos debates em como e o quão rápido estas mudanças ocorrem. Tais debates são especialmente intensos quando envolvem o sistema sexo/gênero, já que as pessoas possuem uma gama de visões diferentes sobre o quanto gênero depende do sexo biológico.[wikipedia]
A identidade sexual (ver Escala de Orientação Sexual de Harry Benjamin) indica a percepção individual sobre o gênero (e.g. masculino e feminino) que uma pessoa percebe para si mesma. Assim como o termo sexo pode assumir várias interpretações costuma-se separar orientação sexual do conceito de identidade sexual. O termo identidade de gênero aproxima-se da identidade sexual mas também mantém diferenças conceituais significativas.[wikipedia]
As "mulheres" transgêneros gritam "preconceito" e dianistas [como Z Budapest] grita "liberdade religiosa". Não há engano, isso aconteceu em uma convenção de Paganismo, não no Congresso Nacional, entre Evangélicos e a comunidade LGBT.
Em suma, há que saber diferenciar a questão de gênero da questão da identidade sexual. Um incidente não pode manchar a postura do Paganismo, da Bruxaria e da Wica diante da questão LGBT.
Deixando de lado a obsessão excessiva, ou o oportunismo de pessoas ou grupos em usar o Paganismo, a Bruxaria e a Wica como plataforma para objetivos de caráter político ou pessoal, tudo se resume a muito barulho por nada.
O ritual era de responsabilidade do Coven Caya. Como anfitriões, cabem aos membros deste coven decidir quem pode entrar ou não. O convite ao ritual é bem claro quando fala "mulher" e as minhas amigas trasngêneros me perdoem, mas por mais que vocês se esforcem ter um corpo de mulher, vocês não serão mulheres. Ser mulher é mais do que ter seios e vagina. Ser mulher é ter útero, é ter menstruação, é ser capaz de gerar filhos, é ter estrogênio naturalmente. Os pagãos e pagãs que sejam transgêneros continuam sendo bem-vindos/as, nós temos diversos grupos, irmandades e covens que estão prontos para receber a todos, basta que cada um procure o que é melhor para si. O que não é cabível é forçar sua entrada em um ritual, grupo ou coven que tem outras prioridades que não seu desejo pessoal de ser aceito/a, reconhecido/a e respeitado/a socialmente. Não tornem um caso isolado um motivo para alimentar os cristãos fundamentalistas, nem para criar uma fissura para dividir a comunidade.

Feriados pagãos na Ucrânia

Se você reclama de encontros online, bares decadentes e feriados pelo mundo não são o suficiente para achar o/a parceiro/a certo, pense em como era para seus ancestrais. Presos em uma vila, eles tinham poucas opções: ou suas esposas vinham da casa do ferreiro ou do oleiro? Para ter uma vidência eles tinham que confiar nos oráculos e outros métodos de auscultar a Mãe Natureza. E estas tradições tornaram-se tão enraizadas nos ucranianos que nem mesmo 100 anos de Cristianismo ou a influência do Comunismo puderam se livrar disso.
Para as celebrações de rituais pagãos mais gostosos, visite a Ucrânia no verão para o festival de Ivana Kupala. Em dezembro, o Dia de Santo André é outra oportunidade para uma boa quiromancia enquanto se despede ao sol para o inverno. A Epifania, celebrada em janeiro, ajuda a limpar os pecados - em lagos e rios gelados - mas não antes de uma boa dose de vidência. E quando paradas decadentes varrem as ruas da Europa e dos EUA, os ucranianos  vigiam pelos seus antepassados comendo panquecas durante a celebração da Semana da Panqueca.
O jeito mais fácil de experimentar o subrenatural é reservar uma viagem a Kiev em julho. Celebrado depois do solstício de verão no dia 6 de julho, Ivana Kupala faz reverência ao Deus dos frutos da terra. Lendas dizem que se você se aventurar dentro da floresta e achar uma samambaia florindo - embora seja praticamente impossível - comece a cavar. Esta samambaia magica esconde um tesouro. O rito apareceu em filmes, desenhos e livros infantis, todos contribuindo para sua grande popularidade no país.
Ninguém realmente se aventura nas florestas a não ser em 7 de julho. Com o adventio do Cristianismo as igrejas adotaram alguns elemntos da tradição religiosa e popular para forçar os pagãos para a nova religião. Os ortodoxos celebram este dia como o Dia de São João Batista, quando crentes se batizam em rios e lagos. Mesmo assim o feriado moderno ainda é mais associado com magia do que com religião. As pessoas vestem camisas tradicionais e caminham ao museu a céu aberto Pirohovo na região de Kiev. Um modelo da Ucrânia do século XIX, o museu fica em 150 hectares de terras verdes e lagos rodeando casas de telhados rústicos, velhos moinhos e legítimos bares ucranianos.
Durante o dia, as mulheres tecem coroas de flores e lançam nas águas tentando adivinhar de onde seu futuro parceiro virá. Depois de testarem suas habilidades em tecer coroas, as participantes são desafiadas a colocar uma vela acesa no meio dessa tiara natural. Aquelas cujas velas queimarem por mais tempo e cujas coroas flutuarem mais longe crêem que terão uma chance maior de se casarem em um ano. Os homens não se ocupam com coroas; ao invés disso eles tentam pegá-las com a esperança de se casarem com uma artífice em particular. Em outro ritual, casais pulam sobre uma fogueira, mãos dadas, para purificar a alma e mais sorte na vida.
Se, entretanto, em 13 de dezembro, sua vida amorosa não progrediu, Santo André pode dar uma mãozinha aos Deuses pagãos. O feriado é celebrado pela Europa, na Escócia, Grécia e Romênia o santo (um dos 12 apóstolos de Jesus) é honrado em orações na igreja, bares ou mesmo com um feriado bancário, em algumas vilas remotas do oeste da Ucrânia as pessoas atirarão uma bota por cima do telhado e murmurarão cânticos à luz de velas para achar um marido ou esposa. Antes de Santo André, há o sol e os pagãos precisam de uma data para darem uma festa de agradecimento em sua honra antes que ele vá dormir para o inverno. Você pode reservar uma viajem étnica para uma vila nas montanhas dos Cárpatos para ver estes rituais em ação.
Na Epifania, em 19 de janeiro, se você ainda não estiver alegremente casado/a, existem outras maneiras de espiar em seu futuro romântico. Um rito popular instrui às mulheres a irem passear e perguntarem aos passantes pelo nome, onde crêem que será o nome de seus noivos. Depois se banham na água gelada para purificar seus pecados. Muitos ucranianos, especialmente os políticos que as piadas dizem ter mais pecados que todos, entram em buracos no gelo - cortados na forma de uma cruz - para honrar o batismo de Jesus Cristo no rio Jordão. O Hydro Park em Kiev, o complexo de entretenimento construído pelos soviéticos nas margens do rio Dnipro, é o lugar para ir se você quiser dar um emrgulho ou ver outros mergulharem.
Em fevereiro e março chega a primavera pagã e também a Quaresma da igreja. O feriado de Maslyana frequentemente cai na última semana antes dos quarenta dias que precedem a Páscoa. Comer panquecas com carne, cogumelos ou doces recheios e ver danças folclóricas e jogos no museu de Pirohovo em Kiev nesta ocasião é uam alternativa mais autêntica do que se fantasiar para o Mardi Gras.
Fonte:
BBC

sábado, 12 de março de 2011

Pagãos em campanha pelo Censo

Pagãos estão em campanha para que druidas e bruxas declarem sua religião no Censo para ter maior reconhecimento ao grupo.
A Federação Pagã diz que quer o mesmo reconhecimento que as outras crenças.
Secularistas dizem que a questão opcional sobre qual religião que a pessoa é pode levar a resultados artificiais identificando [as pessoas] como cristãos.
Isto pode levar a uma excessiva provisão das escolas religiosa, argumenta a Associação Humanitária Britânica.
No Censo de 2001, mais de 70% das pessoas se declararam cristãs.
A Federação Pagã iniste que druidas, wiccanos, bruxas e outros pagãos constituem um grupo religioso sério e em crescimento.
Há dez anos atrás 42 muil pessos se declararam pagãs - o sétimo número mais alto de qualquer religião da Grá Bretanha - mas alguns especialistas creem que na verdade sejam 250 mil e isto é significantemente maior agora.
Pagãos não adoram a um único Deus, mas procuram pelo espiritual na natureza.
Algusn grupos se concentram em tradições, práticas ou elementos específicos tais como ecologia, bruxaria, tradiçoes celtas ou certos Deuses.
Wiccanos, druidas, xamãns, ecologistas sagrados, odinistas e pagãos ["heathen" tem um sentido de incivilizado, selvagem, inculto-NT] fazem parte da comunidade pagã.
Fonte: BBC
Nota da casa: Esta controvérsia também foi levantada aqui no Brasil e foi notícia em 2010, como se pode ler no texto "O Censo e as religiões" e em "Religiões se mobilizam para o Censo 2010".

terça-feira, 8 de março de 2011

Carnaval tradicional

Neste blog eu dei minha crítica ao texto de Og Sperle, divulgado no jornal virtual Extra, na coluna "Religião e Fé".
Nesta época de carnaval, onde até cristãos lamentam que o povo se joga em uma festa pagã, muito me espanta a declaração dele no mesmo jornal sobre o carnaval:
"Apesar de a religião Wicca ter suas raízes nos antigos cultos sazonais pagãos, o Carnaval não é propriamente uma festividade comemorada pelos wiccanos".
A pergunta mais óbvia é: por que os wiccanos não comemoram o carnaval? Afinal o carnaval original tem sua origem nos cultos agrários:
"As origens do Carnaval são obscuras e longínquas. Não temos como comprovar cientificamente o nascimento do Carnaval, entretanto, baseados em pesquisas da história da evolução do homem deduzimos que os primeiros indícios, do que mais tarde se chamaria Carnaval, surgiram dos cultos agrários ao tempo da descoberta da agricultura. Esclarecemos, ainda, que há dúvida quanto à data da descoberta da agricultura. Sabemos, no entanto, que o surgimento da agricultura só ocorreu após o final da última glaciação da Terra, há, aproximadamente, 10.000 anos a.C., quando melhores condições climáticas fizeram surgir nos lugares dos imensos glaciares, bosques e pradarias, ricas em recursos animais e vegetais. O novo ambiente da Terra fez com que os humanos saíssem das cavernas para os campos. Livres da predação dos grandes animais, desaparecidos, os homens evoluíram para a domesticação e criação dos animais e cultivo dos vegetais (sedentarização). Favorecidos pelo humos (ou limo) que deixava extremamente fértil as terras irrigadas pelo rio Nilo, teriam sido os povos que, primitivamente, habitavam as suas margens e que a partir de 4000 anos AC evoluíram para as unidades políticas chamadas "Nomos", os verdadeiros criadores da agricultura e dos cultos agrários. O homem começou a entrar no reino da comemoração. No momento da festa desligava-se das coisas ruins, que concretamente tinham ido embora (o inverno que o prendia aos abrigos) e saudava o que lhe parecia um bem ( a entrada da primavera, o término das enchentes do rio Nilo, o nascer e o pôr do sol), com danças e cânticos para espantar as forças negativas que prejudicavam as plantações".[CREM Pereira]
Por estas e outras que eu digo aos curiosos, simpatizantes e praticantes do Paganismo, da Bruxaria e da Wica, para tomarem cuidado com o que andam lendo.

Os Caretos de Podence

Não há Entrudo sem tropelias. Em Podence, aldeia do concelho de Macedo de Cavaleiros, nada, ou quase nada, detém os bandos de Caretos que todos os anos saem para as ruas em desenfreadas correrias, perseguindo as moçoilas para as “chocalhar”.
Talvez mais do que em qualquer outro lugar, o carnaval de Podence é uma elegia do movimento. Nos dias grandes da festa os Caretos só param para se dessedentar ou para combinarem mais uma investida sobre o Largo da Capela, a pequena praça da aldeia onde a gente do lugar e um punhado de forasteiros curiosos se juntam para assistir ao ritual. E como em todas as culturas e latitudes onde se celebra a funçanata, o mote da agitação está impregnado de um desígnio de licenciosidade, feição que tem pai e mãe na dualidade profana e religiosa da tradição: tanto desvario serve para despedida do Inverno e para anunciar a chegada da Primavera (em Podence, os foliões costumam contar com a benção assídua do sol), por um lado, e, por outro, para marcar (em excessos que supostamente se filiam nas antigas saturnais romanas, festas de homenagem a Saturno, deus das sementeiras) o início da Quaresma, um período de contenção no calendário religioso cristão.
As poucas centenas de habitantes de Podence ainda colhem uma parte substancial do seu sustento da actividade agrícola, cereais e castanha, essencialmente, ainda que nos últimos anos a oliveira tenha vindo a ganhar terreno. Nos difíceis anos da agonia do antigo regime e nos que se seguiram à revolução de Abril, a emigração sangrou uma boa parcela da população e o fenómeno teve as suas consequências tanto na dimensão das actividades agrícolas como na garantia de continuidade de tradições como as dos Caretos.
Nas festas do Entrudo, é a máscara que confere todo o poder. Às iras dos Caretos endiabrados ninguém se atreve a opôr-se. Apenas as Matrafonas (raparigas disfarçadas de homens, ou vice-versa) são poupadas à sumária justiça carnavalesca, assaz singular no caso da aldeia transmontana: os demónios mascarados lançam-se ao assalto das moças e, encostando-se a elas, ensaiam uma dança um tanto erótica, agitando a cintura e fazendo embater os chocalhos que trazem pendurados contra as ancas das vítimas. Rápido se aprende o que há a fazer: não resistir e deixar o corpo ser levado no balanço do ritual, a única forma de amenizar as nódoas negras.
Na investida bárbara que faz ecoar por toda a aldeia o alarido dos chocalhos e o tropel surdos dos passos, os Caretos levam tudo pela frente, indistintamente. É um modo de dizer: por detrás da máscara de latão os olhos em fogo procuram muitas vezes, confessam, “as moças mais apetecidas”, as da terra ou as que de fora vêm — ainda que inadvertidamente — para o sacrifício.
Dica dada pelo Caturo [Gladius]
Fonte: Bragança Net

O resgate da tartaruga sagrada

Centenas de vietnamitas se aglomeraram na capital Hanói na terça-feira para acompanhar a operação de captura de uma rara tartaruga gigante que vive no lago.
O animal de cerca de 1,8m de comprimento e 200 kg estaria muito debilitado e precisaria urgentemente de socorro. No entanto, não foi possível resgatá-lo.
Nem com a rede foi possível capturar a rara tartaruga gigante
Especialistas acreditam que existam apenas outros quatro indivíduos da espécie Rafeteus swinhoei vivos em todo mundo.
Muitos vietnamitas consideram a tartaruga sagrada e, embora especialistas calculem que ela tenha entre 80 e cem anos, a crença popular é de que o animal tenha mais de 300 anos de idade.
Reza a lenda que uma tartaruga do lago Hoan Kiem deu a espada usada pelo rei do Vietnã para derrotar invasores chineses há cerca de seis séculos.
Funcionários do governo realizaram uma limpeza do lago, retirando lixo e jogando água limpa, já que a poluição poderia ser a causa da doença do animal.
Fonte: BBC

Dia Internacional da Mulher

Este 8 de março marca os 100 anos da comemoração do Dia Internacional da Mulher. A ONU está celebrando a data com uma série de eventos em várias sedes pelo mundo. O Programa para o Desenvolvimento, Pnud, homenageia as embaixadoras da Boa Vontade da agência, incluindo a jogadora de futebol Marta Vieira da Silva. Já a Unesco vai promover, em Paris, um debate sobre a participação de mulheres na mídia.
O tema de 2011 é “Igualdade no acesso à educação treinamento, ciência e tecnologia: o caminho do trabalho decente para a mulher”.
Investimentos
Na véspera do dia, nesta segunda-feira, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, pediu mais investimentos para mulheres que trabalham no campo.
Neste 8 de março, a agência receberá várias líderes internacionais, em Roma, numa cerimônia para advogar a causa. Entre elas, a secretária americana de Estado, Hillary Clinton.
A vice-diretora do Departamento de Gênero e Emprego Rural da FAO, Eve Crowley, falou à Rádio ONU sobre o evento.
“A secretária de Estado, Hillary Clinton, a presidente da Libéria e outras pessoas vão falar sobre a necessidade de se fechar essa brecha e disparidades na agricultura e nas áreas rurais. É evidente que a disparidade de tecnologia estão entre as coisas mais agudas e importantes a resolver”, afirmou.
É a primeira vez que o Dia Internacional da Mulher será comemorado na ONU com eventos da nova entidade ONU Mulheres. A instituição reuniu quatro agências que tratavam do tema nas Nações Unidas para reforçar a agenda feminina no mundo.
Fonte: Correio do Brasil
Nota da casa: Como em todos os anos, eu lembro que, como homem e pagão, a mulher não tem apenas um dia dedicado à ela, mas todos os dias, pelo ano inteiro, por todos os anos, até o fim de minha vida.

Turnê Aphrodite: Les Folies

Recebida por email, da Pagan Federation América Latina:

Kylie Minogue estreou sua Turnê Aphrodite: Les Folies neste sábado (19) e a cidade escolhida para o primeiro show foi Herning, na Dinamarca. Há 20 anos no showbizz e com 42 anos de idade, ela matou as saudades dos fãs, que desde 2008 aguardavam uma nova turnê da cantora.
Ela também surpreendeu os fãs ao exibir um cenário inspirado na mitologia grega, com decorações luxuosas e grandiosas, que tomaram todo o palco do estádio da arena Boxen Jyske Bank.
Assim como aparece na capa de seu último álbum, Aphrodite, ela abriu a apresentação em cima de um púlpito relembrando a obra O Nascimento da Vênus, de Sandro Botticelli.
O figurino escolhido foi uma sandália no estilo gladiador cheia de brilhantes, com espartilho branco e orelhas de um mensageiro alado.
Como de costume, ela contou com um grande grupo de dançarinos, em sua maioria homens, todos com corpos bem definidos, que a ajudaram nas coreografias de seus sucessos.
Fonte: Notícias Terra

segunda-feira, 7 de março de 2011

Carta aberta para Sandy

Este blog é pagão, destesta a Polícia Ideológica do Politicamente Correto, se empenha na promoção da reconsagração do amor, do prazer, do desejo e do sexo. Este blog não comemora o carnaval midiático, que serve apenas para divulgar o sexismo. Este blog também tem espaço para política e propaganda, como os diletos e eventuais leitores devem ter acompanhado.
Considere, dileto e eventual leitor, como sendo este texto um parêntesis, um intervalo, um feriado, para que eu possa celebrar o carnaval como deve ser comemorado, comentando a minha profunda preocupação. Toda a luta das mulheres, como a de Simone de Beauvoir, foram em vão. O que se propaga e se divulga, ainda é o mesmo sexismo, machismo e supremacia patriarcal. Por palavras  ou ações de mulheres.
Como entender a declaração de Deborah Secco, ao falar de seu último trabalho, o filme "Bruna Surfistinha", dizendo que esta é a "personagem de sua vida"? O que há de bom nesta personagem? Será que esta é a glamourização midiática da prostituta que a Disney [ainda] não fez?
Como entender a participação da cantora Sandy no comercial da cerveja Devassa, antes protagonizada por Paris Hilton, um paradoxo denunciado aqui? O que há de bom na personificação? Não se pode ter um lado relaxado, descontraído, sem ter que recorrer à cerveja? A Sandy não pode ser mulher e fazer o que bem entender sem ter que recorrer à ingestão de uma bebida alcoólica? A Sandy tem consciência que fez uma propaganda que contradiz esta postura?
Nest sentido, achei muito pertinente a crítica do Roupas no Varal, no texto "Carta Aberta para Sandy".
Quando eu estava no ensino médio, você fez um desserviço pras meninas da minha idade, que é a mesma idade que a sua.
Foi a época da “garota sandy“: uma jovem, bonita, magra, de cabelo liso, a filha que todo pai e mãe queria ter, rica…. e virgem. E que afirmava que queria casar virgem.
A garota sandy era aquilo que nenhuma de nós éramos, mesmo que a gente tivesse uma ou outra característica dessas aí de cima. A verdade é que a gente nem queria ser daquele jeito.
Foi a primeira vez (que eu me lembre) que eu me vi sendo comparada com um modelo de mulher que eu não queria ser. E eram os outros que nos comparavam. Aí a gente foi se sentindo inadequada, umas mais, umas menos.
Qual era (qual é) o problema de não casar virgem? (Isso pra não perguntar qual é o problema de não querer casar…)
Você não acha um problema de fato, até porque há alguns anos você afirmou que não tinha casado virgem. Fico até aliviada por você, porque imagina se não fosse bom com seu marido? Ainda mais se a relação de vocês for monogâmica e conservadora… Não desejo uma vida sem orgasmo nem pro meu pior inimigo.
Mas voltando. O padrão “garota sandy” não foi uma reportagem qualquer que saiu na revista da folha. Reforçou um padrão que faz com que a anorexia e a bulimia estejam entre as principais doenças de jovens mulheres, que faz com que milhões de meninas e mulheres vivam sua sexualidade a vida inteira de forma passiva, em função do desejo e do prazer do cara, que faz as meninas e mulheres que são donas do seu desejo serem consideradas vadias, vagabundas, putas, devassas.
O machismo faz isso: separa as mulheres entre santas e putas, “valoriza” as santas e puras e desqualifica, discrimina, violenta as “putas”.
Deve ter algum motivo pra você se afirmar como santa, e não como puta, numa época da sua vida.
E daí eu vou te dizer, caso você ainda não tenha entendido o porquê dessa carta aberta, seu segundo desserviço pras mulheres. Ser a nova garota devassa.
Nem as santas, nem as putas, são donas do seu desejo, do seu corpo, da sua sexualidade. O símbolo da devassa, e o imaginário que essa cerveja construiu – e que você vai propagandear – é o de uma mulher feita nos moldes do que a maioria dos homens tem tesão por. Importa o tesão deles, e não o nosso.
As revistas femininas (e as masculinas) fazem isso também. Sabe aquelas dicas da Nova pra fazer qualquer mulher deixar qualquer homem louco na cama? Então. É o mesmo machismo, a mesma submissão.
Você de alguma forma tá querendo apagar a imagem de santa, usando a idéia de que você pode ser devassa?
Vou te dar um conselho… de mulher pra mulher: você não precisa ser santa, nem puta. Você pode ser livre.

Carnaval de Oruro

A festa do Carnaval de Oruro, na Bolívia, é considerada uma das mais genuínas e interessantes do mundo. As máscaras arísticas usadas pelos diabos dançarinos, e a mistura de paganismo e religião com raízes históricas, levaram a UNESCO a considerar este Carnaval como Património Oral e Intangível da Humanidade em 2001.
O Carnaval de Oruro, cidade mineira localizada nos Andes da Bolívia a quase quatro mil metros de altitude, é um dos mais tradicionais e mais próximos das suas origens de todo o mundo.
As festividades do Carnaval de Oruro têm início quarenta dias antes da Páscoa, e dele fazem parte peregrinações ao Santuário da Virgem do Socavón, ritos de agradecimento à Pachamama, concursos de bandas de música tradicional, desfile de grupos folclóricos e musicais que dançam ao despique em pontos estratégicos da cidade.
O Carnaval ou A Diablada - representação da luta entre o bem e o mal, com a vitória do primeiro. O curioso do carnaval de Oruro é ser uma festa verdadeiramente sagrada e profana. Começa na semana anterior ao Carnaval, com o que chamam de convite em devoção à Virgem do Socavão (uma Nossa Senhora que apareceu numa mina, num dia 2 de fevereiro), que é quando os conjuntos visitam o templo. Na sexta-feira seguinte os fiéis realizam a bênção ("ch'alla") das paragens mineiras e no sábado os grupos dançam até o romper da aurora, quando acontece a saudação à Virgem do Socavão: os dançarinos entram na gruta do Cerro Pie de Gallo e as várias bandas locais começam a tocar músicas diversas, simultaneamente. As ruas da cidade ficam reservadas para essa explosão de som (bandas com muitos metais e melodias simples) e cores (máscaras bastante ornamentadas), e para sucessivas celebrações (como ao Tio, entidade que vela nas entranhas da terra) e bênçãos.
Nota da casa: O carnaval verdadeiro e legítimo é aquele celebrado pelos poopulares, não esse espetáculo comercializado, onde imperam o sexismo e a misoginia.

domingo, 6 de março de 2011

O que constitui o sacerdócio

Segue abaixo uma série de textos divulgado por Herne na Sociedade Wicca, com uma importante reflexão sobre a característica, princípio e valor de um sacerdócio.
SACERDOTE É A PESSOA PREPARADA PARA OFERECER O SACRÍFICIO À DIVINDADE. Desconheço outro sentido para o termo.
Portanto, para ser sacerdote ou sacerdotisa, antes de mais nada a pessoa tem que saber qual o animal deve ser oferecido ao(s) Deus(es) do(s) qual(is) está a serviço, como fazê-lo, quando fazê-lo; ter sido treinado para isso; saber preparar as partes que estão destinadas ao(s) Deus(es) e como proceder; saber preparar as partes que estão destinadas ao consumo dele mesmo, de quem oferece o sacrifício e/ou da comunidade. Na maioria das vezes, também tem que saber como e onde recolher o sangue, o que fazer com ele, como conservá-lo (se o culto inclui a conservação) ou como dispô-lo.
Mas, também até onde eu sei, a Wicca não oferece sacrifícios e, portanto, não tem sacerdotes. Acho que se confunde muito "sacerdote" com "lider religioso". Um sacerdote não é necessariamente o líder; e um líder não é necessariamente um sacerdote. Historiacamente, inclusive, na maioria das vezes realmente não eram - reis-sacerdotes ou sacerdotes-reis são raríssimos na história, e assim mesmo bastante pontuais.
O "sagrado ofício" é o preparar e oferecer um sacrifício agradável aos Deuses. Por isso, babaorixás são sacerdotes: eles fazem o sagrado ofício de preparar e oferecer a "comida de santo".
Todo sacrifício significa a imolação de uma vítima para agradar um Deus/a. O termo latino - "sacrificium" - etmologicamente sempre se referiu a uma morte, uma imolação, uma morte (vigária ou como oferta) de um animal (inclusive o humano). Por isso, muitas vezes, o sacrifício era seguido do "banquete sagrado": depois de separada a parte que é do/a Deus/a, a outra parte era consumida pelos que ofereceram/participaram do sacrifício e pelo sacerdote. Nos sacrifícios clânicos, o animal imolado é sempre o ancestral totêmico, visando refazer os laços de ancestralidade e se "encher" da força totêmica desse ancestral.
Na verdade, o ato de matar o animal não pode ser separado do objetivo principal desse ofício, que é oferecer uma refeição agradável à Divindade! Esse é o papel do "sacerdote" - alimentar os Deuses com aquilo que lhes é agradável; saber como fazê-lo, como preparar, como apresentar e até quais os desejos daquela Divindade. A participação humana nesse banquete divino, podia ser totalmente impedida (ou limitada aos sacerdotes). Mas também podia ser significativa: algumas sociedades apresentam esse banquete sagrado como uma festa oferecida pelos humanos aos Deuses (esses como "convidados"); em outras, os humanos é que são convidados dos Deuses podendo "comungar" com parte desse sacrifício.
Se não há prática de sacrifício, também não há sacerdócio. Até porque não faria sentido, já que uma coisa remete à outra.
A palavra é romana e antiga; sempre teve esse sentido. Se tirarmos a referência à imolação do sacrifício, então essa pessoa também deixa de ser sacerdote. O uso do termo, portanto, se torna indevido e acaba gerando confusão, pois "cria" um novo sentido que nunca esteve relacionado à palavra. Faz parecer que os líderes wiccanos são sacerdotes como padres, babaorixás e tantas outras religiões que realmente têm a prática do sacrifício - que, como você disse, não faz parte da Wicca.
Toda a descrição [dada pela Mavesper na SW-NB] corresponde, certamente, à de um religioso (uma pessoa dedicada, consagrada à sua religião). Mas não a um sacerdote, exatamente por não incluir o sacrifício. Podemos, portanto, conversar sobre esse dia-a-dia, só insisto que esse não é, em hipótese alguma, o dia-a-dia de um sacerdote. Até porque esse, em nenhuma religião antiga, sacrificava todos os dias. Normalmente um sacerdote (ou corpo de sacerdotes) servia no templo por umas semanas e, pelo resto do ano, sustentava-se com outras atividades. O que significa que o cotidiano de um sacerdote é bem diferente o de um religioso.

Esse sentido de “sacerdócio” como sacrifício pessoal, como “oferecer o melhor de si mesmo” ou como o “privar-se de um bem” é muitíssimo recente. Etimólogos e sociólogos dizem que ela surge no início do século XX, entre as duas Grandes Guerras, se tornando mais corrente após a segunda delas. Esse novo sentido, portanto, é profundamente ideológico e um tanto quanto alienador. Pois afasta do seu verdadeiro sentido: sem a imolação, não há sacrifício... e sem sacrifício, não há sacerdote! Portanto, pelo que todos os estudos apontam, todos os textos antigos, todos os etimólogos e historiadores, a deturpação não está em associar sacerdócio ao sacrifício, mas em dissociá-los.
Desculpe, mas não creio que você possa ou tenha o direito de dar outro sentido a um termo que cultural, tradicional e etimologicamente sempre deve um sentido bem claro e preciso. Particularmente por ele ainda ser usado para designar aqueles religiosos responsáveis pelo sacrifício aos seus Deuses de outros povos, outras culturas e outras religiões. Muitas religiões ainda têm no sacrifício um oficio sagrado e, por isso, ainda preparam, formam e iniciam sacerdotes para isso. E assim como você [Mavesper-NB] apela para a antiguidade e a etimologia do termo “ECCLESIA” para justificar seu uso por wiccanos, não entendo porque para “sacerdocium” o mesmo critério não valha. Não podemos ficar oscilando entre sentido etimológico para umas palavras e o apelo à evolução de sentido para outras, pois isso gera confusão e dúvidas – quando recorreremos à etimologia e quando não? o que determinará a diferença? e quem fará isso e sobre quais critérios e parâmetros? Não existe um “sentido wiccano” de sacerdócio. Pode, no máximo, haver um uso wiccano desse termo arcaico dando-lhe um outro sentido que não é original... Mas é lógico que isso , então, é profundamente questionável.
Acho que o importante aqui é lembrar que a liderança religiosa não tem que ser sacerdotal. Se na wicca não existe sacrifício, então também não existe sacerdócio. Mas isso não significa que não tenha liderança religiosa. Muito menos que essa liderança seja inferior aos sacerdotes de outras religiões. Budistas não têm sacerdotes... mas ninguém questionará a autoridade religiosa de um monge, muito menos do Dalai Lamma.
As ações que você [Mavesper-NB] elenca – consagração pessoal, vivência dos mitos e serviço aos deuses – são, sem dúvida, ações religiosas, mas não sacerdotais. O sacerdócio exige sim – por definição – a prática consciente e sábia da imolação ritual e do preparo da refeição sagrada aos Deuses. Mas se mesmo sabendo disso se insiste em usar o termo “sacerdócio” com outro significado, também não se pode falar em duplo sentido ou em deturpação quando se questiona onde está o sacrifício entre wiccanos. A deturpação – infelizmente – parte de quem usa o termo erroneamente. E não tem como justifica o uso do termo pela prática do “Grande Rito”, pois ele não tem sentido sacrifical. E obviamente isso o diferencia – e muito – da Missa católica e de outros ritos cristãos que são nitidamente sacrificais. As vezes até literalmente: a Igreja Armênia ainda mantém (hoje, século XXI) o rito da imolação do cordeiro pascal, a aspersão de seu sangue e a queima da sua gordura.
Pela etimologia do termo - repito - o sacerdote se diferencia dos outros crentes pelo fato de ser especialmente treinado e preparado para oferecer o sacríficio agradável à divindade. Se retirarmos esse aspecto, então já não temos sacerdote e, obviamente, também não tem nada que o diferencie dos demais crentes.
Pois então: se alguns wiccanos se chamam de "sacerdotes" gostaria de saber qual é o sacrifício agradável à divindade que eles oferecem e como formam treinados e preparados prá isso. Se não têm esse treinamento, essa preparação e esse ofício, o que faz deles sacerdotes e os outros não? Em que seu cotidiano se diferenciaria dos demais wiccanos?
Eu não estou brincando nem faltando com seriedade. Estou levantando questões e até agora não recebi - nem de você [Mavesper-NB]- uma resposta razoável, que fosse embasada. A única coisa que tenho é: "todo mundo diz...", "todo mundo pensa assim...". Se formos por esse caminho, repito que a maioria do mundo é de religiosidade abraâmica, que considera a bruxaria uma coisa demoniaca... A quantidade de pessoas que fala isso está certa porque, em termos numéricos, é maior? Portanto, não creio que esse seja um bom argumento.
Por outro lado estou questionando, sim, o uso de termos de forma desvirtuada e que gera ilusão e equívocos nas pessoas. Nem você, nem eu, nem ninguém pode simplesmente pegar um termo e mudar-lhe completamente o significado para que ele se encaixe naquilo que eu penso e quero que ele signifique. Por isso torno a pedir: alguém tem algum embasamento (que não seja o achismo ou o número de wiccanos) para afirmar que o termo sacerdócio pode ser desvinculado de sacrifício?
Meus questionamentos não se tratam de "crença pessoal", como você [Mavesper-NB] insiste em colocar. Não estou com achismos. Estou questionando a partir de uma base etimológica, histórica, antropológica e teológica... E não recebi, em momento algum, resposta nesse nível. Você pode me apresentar algum estudo sério que embase a sua opinião sobre sacerdócio?Também não é verdade que sacerdócio e sacrífio estiveram ligados "em algum momento". Esse "meio tempo" são SÉCULOS! Enquanto que uma mudança do significado de sacríficio só começa a se esboçar no início do século XX e numa Europa ocidental e cristianizada, que tem outros motivos para fazer esse esforço. Também não é verdade que essa ligação "é passado"... E todos os ritos de diversas religiões que ainda fazem sacrifício? Vamos desconsiderá-los?
Com certeza sacerdócio é isso: o compromisso que se assume com a Divindade para servi-la! A questão aqui é que tipo de serviço o sacerdote presta à Divindade, posto que esse termo sempre se referiu ao serviço da imolação e preparação do banquete sagrado. Então, de que forma esse termo pode ser usado por líderes wiccanos explicitando o que é imolado e como se prepara o banquete.
Não estou falando, com isso, que toda religião tenha que fazer sacríficios. Existem aquelas que nunca tiveram essa prática. Porém, toda religião que faça sacrifícios desenvolveu uma classe de sacerdotes para isso... e, logicamente, toda religião que tenha sacerdotes, é porque faz sacrifícios. A forma e constância desses sacrifícios é muito variável; as características do animal a ser sacrificado, também. Mas ele existe de alguma maneira para que se justifique o título de "sacerdote" da classe responsável.

Acho que, aqui, a grande confusão é que se dissociou o termo SACERDOTE de sua raiz - o SACRIFÍCIO - e o associou ao conceito de LÍDER RELIGIOSO. Pela argumentação apresentada até agora, é isso que dá para entender. E - parece-me - ser o foco da polêmica. Se se está usando o termo "sacerdote" para designar aquelas pessoas que são "liderança religiosa", então realmente não tem que necessariamente se falar em sacrifício... mas tem-se que falar que o termo é impróprio e mal-utilizado.
O sacríficio como serviço aos Deuses (ou "sacro ofício") parte da idéia de que humanos e Deuses coabitam, dividem o mesmo espaço. Algumas religiões dizem que esse espaço é dos Deuses e nós somos seus convidados; outras já afirmam que esse espaço é humano e os Deuses são nossos convidados. De uma forma ou de outra, construimos espaços para esses Deuses e lhes prestamos serviços. Um deles é o de ALIMENTÁ-LOS. E é onde entra a função do sacerdote!
Por isso, a questão primária é: como os wiccanos alimentam seus Deuses?
Então, ou a Wicca não tem sacerdotes, ou ainda não ficou claro (e/ou público) que sacrifício é oferecido na Wicca para alimentar os Deuses. E se não ficou claro porque não é para ficar - por se tratar de "segredo de sacerdotes" - então também não se tem como debater o cotidiano sacerdotal em público. Porém, se não ficou claro porque ainda não se parou para pensar, um motivo a mais para continuarmos debatendo, não acha?
Vale lembrar, agora, as características que foram levantadas aqui sobre os sacrifícios:
1 - Os animais sacrificados são TOTENS, ou seja, representam uma Ancestralidade da comunidade;
2 - Por isso, os sacrifícios criam uma IDENTIDADE no grupo;
3 - Dessa forma, os sacrifícios têm uma função de COESÃO SOCIAL - na medida em que torna "parentes" todos os que comem da mesma carne de sacríficio;
4 - O sacrífico ALIMENTA A DIVINDADE;
5 - O sacerdote, por tudo isso, tem um papel social e político grande.