sábado, 26 de março de 2011

Ateus, católicos e pagãos

Primeiro uma notícia direto das Blas:
Uma pesquisa baseada em dados do censo e projeções de nove países ricos constatou que a religião poderá ser extinta nessas nações. Analisando censos colhidos desde o século 19, o estudo identificou uma tendência de aumento no número de pessoas que afirma não ter religião na Austrália, Áustria, Canadá, República Checa, Finlândia, Irlanda, Holanda, Nova Zelândia e Suíça.
Através de um modelo de progressão matemática, o estudo, divulgada em um encontro da American Physical Society, na cidade americana de Dallas, indica que o número de pessoas com religião vai praticamente deixar de existir nestes países.
''Em muitas democracias seculares modernas, há uma crescente tendência de pessoas que se identificam como não tendo uma religião; na Holanda, o índice foi de 40%, e o mais elevado foi o registrado na República Checa, que chegou a 60%'', afirmou Richard Wiener, da Research Corporation for Science Advancement, do departamento de física da Universidade do Arizona.
O estudo projetou que na Holanda, por exemplo, até 2050, 70% dos holandeses não estarão seguindo religião alguma.
Modelo
A pesquisa seguiu um modelo de dinâmica não-linear que tenta levar em conta fatores sociais que influenciam uma pessoa a fazer parte de um grupo não-religioso.
A equipe constatou que esses parâmetros eram semelhantes nos vários países pesquisados, resultando na indicação era de que a religião neles está a caminho da extinção.
"É um resultado bastante sugestivo", disse Wiener. "É interessante que um modelo tão simples analise esses dados...e possa sugerir uma tendência."

"É óbvio que cada indivíduo é bem mais complicado, mas talvez isso se ajuste naturalmente", disse ele.[G1]
Em seguida, a reclamação do Jorge [Deus lo Vult]:
Os símbolos religiosos (nas repartições públicas inclusive) refletem a cultura de uma sociedade. E, queiram ou não queiram os ateus, não existe uma sociedade atéia natural. Nem nunca existiu, nem nunca é possível que exista, porque o elemento religioso é parte integrante da cultura humana.
O ateísmo é profundamente anti-natural, uma vez que o conhecimento de Deus pertence à natureza humana.
Meu comentário [com correções]:
"Jorge, desta vez eu tenho que concordar…em parte! };)
A proposta de “acabar com a religião” faz tanto sentido quanto propor acabar com a música, a poesia, o teatro.
O que eu discordo é quanto às intenções e motivos dos ateus. A motivação provém exatamente da constante mania da Igreja de se imiscuir em assuntos seculares.
A presença dos crucifixos, por exemplo, é resultado de uma imposição, não de uma confissão, por meio do uso da força e aculturamento, o que foi o caso dos aborígenes brasileiros.
Estes não desenvolveram uma cultura mais refinada porque não tiveram tempo. Mesmo os Europeus não estavam em uma situação melhor, antes da colonização romana. O que não quer dizer que nossos aborígenes sejam inferiores ou incultos. A mensagem de Cristo por acaso é “converta-se ou suma”? Se for, não é por acaso que quero distância dele.
Diga-se de passagem que, se os símbolos nas repartiçoes públicas devem ter uma relação com a história, o mais correto seriam símbolos pagãos.
E a civilização ocidental foi “segurada” exatramente por estes “bárbaros”, reis que ergueram seus reinos por cima das ruínas de Roma, a Igreja apenas pegou a oportunidade e tratou de firmar acordos e vínculos com estes reis."
Eu aproveito para descrever meu assombro e surpresa em ver, em blogs e comunidades pagãs, a reação e a preocupação com um livro publicado por um grupo católico sobre os perigos do Paganismo/Bruxaria/Wicca [com dicas de como nos converter]. Eu não estou preocupado com a possibilidade das religiões acabarem ou com projetos de conversão. Nós estamos bem aqui, mesmo depois de 19 séculos de censura, opressão e repressão. E vamos continuar por aqui. Graças aos Deuses!

6 comentários:

Líh / Ari disse...

Seu blog é uma grande inspiração para mim! Gostei de saber que existem pagãos que sabem discutir sobre o mundo e não fechados em seus próprios.


Lígia.


www.arcodeartemis.blogspot.com

Nion disse...

Não tenho nada contra ateus, apenas fico com a impressão que eles pautam suas ideologias em cima do conceito "religião" ou "Deus" a partir das perspectivas judaico-cristãs e parece não conhecerem ou deixar-se conhecer nenhum outro conceito além desta parte específica do espectro religioso. Ora, se basearmos apenas nestes conceitos religiosos "ocidentais predominantes" é realmente frustrante e limitante estas visões de “religião” e “Deus” porque são modelos religiosos de intolerância e crenças obrigatórias. Penso que eles generalizam. Nem todas as religiões sequer acreditam num deus (e.g. Budismo), nem toda religião desmente e combate a ciência (na verdade as pagãs se dão muito bem com ela), nem toda religião submete seu povo à mazelas pela desculpa de uma vontade superior arbitrária, etc.

maurelio1234 disse...

@Nion

A briga ateus x teus é muito mais política que ideológica e cujo objetivo é recuperar o terreno ganho pelas igrejas judeo/cristãs nas sociedades ocidentais.

Nesse contexto, não faz sentido levar a discussão às minorias religiosas e desprovidas de poder nessas sociedades (budistas? pagãos?).

@Beto,

A presença de qualquer símbolo é resultado de imposição. Se eles estão lá é por que os católicos (de fato a igreja católica) têm poder suficiente para mantê-los lá. Se os ateus querem tirá-los é para dar uma demonstração de força. Se vc propôe substituí-los por símbolos pagãos é pra construir o discurso que beneficia o grupo do qual faz parte.

Beto disse...

Muito bem anotado, Maurelio 1234. O que escapou de sua análise foi que eu exerci uma reflexão em cima da afirmação do Jorge, tanto que eu uso a condicional "se".

Nion disse...

maurelio1234 não creio que os ateus tenham todos causas políticas como Marx o tinha, me parece realmente que uma grande maioria pertence à classe dos "cientístas" (de todas as àreas) que podem ver na religião um entrave à seu progresso. Por este motivo talvez ele seja mesmo uma causa política na medida que políticos e o Estado usem a religião com arma para manter um status quo - mas mesmo assim não deixa de ser ideologia da qual a política é apenas um refelxo de um todo maior.

Beto disse...

O caso Marx/Ateísmo é um pouco mais complicado, Nion. Marx era Judeu. A teoria dele apenas introduziu a noção de que "a religião é o ópio do povo", em sua análise socio-politico-econômica do "materialismo dialético". A visão de Marx prognosticou a visão generalizante e preconceituosa da religião, tomando a perspectiva judaica-cristã como modelo, tal como você indicou.