segunda-feira, 7 de março de 2011

Carnaval de Oruro

A festa do Carnaval de Oruro, na Bolívia, é considerada uma das mais genuínas e interessantes do mundo. As máscaras arísticas usadas pelos diabos dançarinos, e a mistura de paganismo e religião com raízes históricas, levaram a UNESCO a considerar este Carnaval como Património Oral e Intangível da Humanidade em 2001.
O Carnaval de Oruro, cidade mineira localizada nos Andes da Bolívia a quase quatro mil metros de altitude, é um dos mais tradicionais e mais próximos das suas origens de todo o mundo.
As festividades do Carnaval de Oruro têm início quarenta dias antes da Páscoa, e dele fazem parte peregrinações ao Santuário da Virgem do Socavón, ritos de agradecimento à Pachamama, concursos de bandas de música tradicional, desfile de grupos folclóricos e musicais que dançam ao despique em pontos estratégicos da cidade.
O Carnaval ou A Diablada - representação da luta entre o bem e o mal, com a vitória do primeiro. O curioso do carnaval de Oruro é ser uma festa verdadeiramente sagrada e profana. Começa na semana anterior ao Carnaval, com o que chamam de convite em devoção à Virgem do Socavão (uma Nossa Senhora que apareceu numa mina, num dia 2 de fevereiro), que é quando os conjuntos visitam o templo. Na sexta-feira seguinte os fiéis realizam a bênção ("ch'alla") das paragens mineiras e no sábado os grupos dançam até o romper da aurora, quando acontece a saudação à Virgem do Socavão: os dançarinos entram na gruta do Cerro Pie de Gallo e as várias bandas locais começam a tocar músicas diversas, simultaneamente. As ruas da cidade ficam reservadas para essa explosão de som (bandas com muitos metais e melodias simples) e cores (máscaras bastante ornamentadas), e para sucessivas celebrações (como ao Tio, entidade que vela nas entranhas da terra) e bênçãos.
Nota da casa: O carnaval verdadeiro e legítimo é aquele celebrado pelos poopulares, não esse espetáculo comercializado, onde imperam o sexismo e a misoginia.

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