terça-feira, 31 de agosto de 2010

O Censo e as religiões

O quesito religião, no Censo 2010, vem provocando confusões e manifestações pelo país. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) garante que não induz e nem restringe as respostas sobre credos. O coordenador técnico nacional do levantamento, Marco Antonio Alexandre, explica que todas as declarações serão registradas conforme anunciadas pelos entrevistados. Ele falou ontem com Zero Hora:
Zero Hora – As religiões listadas no computador de mão do recenseador foram escolhidas como?
Marco Antonio Alexandre – Essa lista nada mais é do que uma reprodução de tudo o que as pessoas declararam no Censo de 2000. Colocamos esses dados no que chamamos de banco descritor do PDA (computador de mão), facilitando a vida do recenseador. Quando ele vai a campo, pergunta a religião do recenseado. Ao digitar a resposta, o sistema busca a descrição semelhante no banco descritor e a apresenta ao recenseador. Ele pode clicar no nome correspondente à resposta ou continuar digitando até o final. O banco de dados de religiões tem 2.079 declarações diferentes.
Zero Hora – A Igreja Evangélica da Confissão Luterana no Brasil (IECLB) diz que não aparece neste banco de dados. O que ocorreu?
Alexandre – No banco de dados há somente a expressão Confissão Luterana do Brasil. Em 2000, o que nós recebemos de resposta foi Confissão Luterana do Brasil. Se alguém tivesse dito o nome completo, apareceria no banco de dados. Como a questão é autodeclaratória, as pessoas, às vezes, falam uma denominação que não corresponde ao termo correto da religião. É como elas conhecem e se referem a sua religião. Esse é nome que vai para o arquivo, que depois é classificado. Existem dezenas de denominação de umbanda, por exemplo. Tem umbanda do Brasil, de Iemanjá e assim por diante. O sistema irá agrupar essas denominações numa lógica e os identificará por meio de um código.
ZH – Algumas religiões estão fazendo campanha para que as pessoas falem corretamente o que são. Se as religiões serão agrupadas, como será possível identificá-las individualmente depois?
Alexandre – Para a divulgação, não há necessidade de desagregar todos os grupos. Não é usual para nós chegar a esse nível de detalhe. Quando precisar um estudo específico, o IBGE poderá fornecer um microdado daquele assunto. Se uma igreja quiser e se constituir um código específico, poderá saber a estimativa de fiéis.

Fonte: Zero Hora

Nota da casa: A Lua d'Inverno perguntou-me sobre como os [Neo]Pagãos estariam sendo registrados no Censo 2010. Considerando que o [Neo]Paganismo apareceu recentemente no Brasil (por volta da década de 80, século XX), ainda não há população mesurável para o Censo, sem falar que há muita desinformação sobre o [Neo]Paganismo e crises de identidade entre os praticantes das diversas vertentes do [Neo]Paganismo. Portanto, o resultado do Censo 2010 tenderá a uma nomenclatura generalizante.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Sexo, fitas e mentiras

PARIS (Reuters) - Gravações em que o ex-cardeal Godfried Danneels pede a uma vítima para não revelar que sofreu abuso sexual de um bispo estão amplificando um dos piores escândalos que já atingiram a Igreja Católica Apostólica Romana.
As fitas, gravadas secretamente pela vítima, foram publicadas em dois jornais belgas no sábado e mostram o antigo líder da Igreja na Bélgica pedindo para uma vítima que aceite um pedido de desculpas em particular ou espere um ano para que o bispo se aposente antes de tornar o caso público.
O encontro aconteceu no dia 8 de abril, num momento em que o Vaticano estava sob ataque por ter tentado encobrir casos de abuso sexual por padres em outros países.
Um porta-voz de Danneels negou que arcebispo de Bruxelas tivesse tentado encobrir o caso, que causou a renúncia repentina do bispo de Bruges, Roger Vangheluwe, 73, naquele mês. Contudo, as fitas mostram o arcebispo pedindo silêncio.
O porta-voz da Igreja na Bélgica, Jurgen Mettepenningen, confirmou à Reuters que as transcrições que apareceram nos jornais De Standard e Het Nieuwsblad eram genuínas.
"Lendo-se o que ele disse se vê que ele estava tentando evitar que o caso se tornasse público depois de tantos anos. É contenção, nada mais", escreveu o De Standaard num comentário, acusando Danneels de não ter compaixão.
A Igreja sofreu no último ano por conta de dois relatórios detalhados do governo da Irlanda sobre o abuso sexual e uma onda de acusações de abuso na Alemanha, Suiça, Áustria, Bélgica e Holanda. Cinco bispos já renunciaram por causa dos escândalos.
Documentos oficiais e cléricos publicados nos Estados Unidos este ano mostram como bispos americanos e o Vaticano lidaram com padres predadores sem informar à polícia dos crimes.
RARO RELATO DETALHADO
As fitas belgas são um raro relato detalhado de como um líder da Igreja Católica tentou persuadir uma vítima, o sobrinho de 42 anos de Vangheluwe, a ficar quieto sobre o caso.
Elas surgiram justo quando uma investigação policial sobre o escândalo estava prestes a cair por terra depois que uma invasão da polícia à residência de Danneels para apreender documentos foi considerada ilegal e as provas coletadas durante a ação foram anuladas no tribunal.
Em sua reunião privada, a vítima diz que sente ser sua obrigação relatar o caso à alta hierarquia da Igreja e pede ajuda a Danneels. O cardeal responde pedindo que a vítima não torne o caso público.
"O bispo vai renunciar no ano que vem, portanto eu acho que seria melhor você esperar", diz o cardeal, segundo as fitas. "Acho que você fará um favor a si próprio e a ele se não sair gritando o caso por aí."
O homem pede ajuda, mas Danneels, que havia renunciado do arcebispado em janeiro, diz que não pode disciplinar o bispo nem informar o Papa Benedito. O bispo deveria se entregar, ele diz.
Danneels diz à vítima que ele não deve tentar chantagear a Igreja e pede a ele que peça perdão e aceite um pedido de desculpas particular do bispo em vez de "afundar seu nome na lama".
"Ele afundou minha vida inteira pela lama dos cinco anos aos 18", diz a vítima, que nega estar tentando chantagear alguém. "Por que você sente tanta pena dele e nenhuma de mim?"
SEGUNDA FITA
Numa segunda fita, Danneels e Vangheluwe encontram-se com a vítima e um de seus parentes. O bispo pede desculpa e diz que durante anos buscou uma maneira de buscar perdão pelo que ele fez.
"Isso não tem solução", responde o parente. "Você destruiu nossa família."
Vangheluwe renunciou no dia 23 de abril, admitindo que havia abusado sexualmente "um garoto que me acompanhava" há aproximadamente 20 anos.
Segundo o De Standaard, ele saiu do cargo depois que um parente da vítima enviou um email a todos os bispos belgas exigindo que ele renunciasse até o fim de maio.
O jornal disse que a vítima decidiu trazer a público as fitas para responder a acusações de que ele havia tentado extorquir dinheiro chantageando Vangheluwe.
Em sua defesa, o porta-voz de Danneels Toon Osaer disse que o cardeal nunca quis encobrir o caso e que ele havia falado sobre o caso numa coletiva de imprensa no dia 24 de abril.
Fonte:
G1
APOSTASIA JÁ!

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Religiões se mobilizam para o Censo 2010

Polêmica criada pela não inclusão dos luteranos na pesquisa se espalhou entre outras crenças.
A preocupação da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) em ser identificada corretamente no Censo 2010 não é isolada. Outras religiões também estão preocupadas com o levantamento nacional e mobilizam seus fiéis a fim de evitar distorções e marcar território no imenso campo da fé no país.
A polêmica publicada ontem em Zero Hora envolvendo a IECLB, que não estaria listada nos computadores de mão dos recenseadores, causou desconfiança ao sistema usado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O coordenador técnico do Censo 2010, Marco Antonio Alexandre, esclarece que não há uma lista fixa e que a base de dados das religiões declaradas em 2000 foi instalada nos computadores apenas para facilitar o trabalho dos pesquisadores:
– A questão é autodeclaratória. Não há opções definidas. As pessoas é que vão dizer a religião que seguem.
A importância de responder corretamente o questionário tirou o sono de outros religiosos no país. A Federação Espírita Brasileira se antecipou e procurou o IBGE antes mesmo dos recenseadores saírem às ruas. A partir disso, lançou uma campanha nacional pela internet e também junto às organizações estaduais para que seus seguidores se declarassem não somente como espíritas, mas complementassem sua opção com outras expressões como kardecistas, Kardecismo, Centro Espírita, Doutrina Espírita, Federação Espírita Brasileira e Espiritismo.
– Ao se declarar espírita somente poderíamos ser confundidos com outras religiões, como os espiritualistas – explicou a presidente da Federação Espírita do Rio Grande do Sul, Maria Elisabeth Barbieri.
Crenças afros e ateus querem aparecer na pesquisa
As crenças afros também se uniram em razão do Censo. Representadas oficialmente no último levantamento feito em 2000 por apenas 0,03% da população, as autoridades religiosas e ligadas à defesa da raça negra montaram a campanha “Quem é de Axé diz que é”.
– Sempre fomos discriminados e historicamente as pessoas escondiam sua religião por medo de represálias. Acabavam se dizendo católicas, mas não eram. Estimamos que 10% da população segue crenças afro e queremos mostrar isso para o país – disse Baba Diba de Iyemonja, dirigente da Congregação em Defesa das Religiões Afro Brasileiras (Cedrab) e coordenador da mobilização no Rio Grande do Sul.
Até quem não acredita em Deus ou em um Ser superior também se preocupou com o Censo. Comunidades e fóruns na internet promovem uma campanha para que os pessoas sem religião se declarem como ateus. “É importantíssimo responder Ateu ao recenseador. Finalmente temos a chance de ser contados, vamos aproveitar”, escreveu um dos usuários do site Clube Cético.
Fonte: Zero Hora

Faça o que eu digo...

Cidade do Vaticano, 27 ago (EFE).- O Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso assinalou hoje a "manipulação da religião com fins políticos ou de outro tipo" como uma das causas da violência entre fiéis de diferentes religiões.
Esta é uma das conclusões incluídas na mensagem do presidente deste órgão, Jean-Louis Cardinale, sob o título "Cristãos e muçulmanos: juntos para vencer a violência entre fiéis de religiões diferentes", e divulgado hoje pelo Vaticano por causa do fim do Ramadã.
"A discriminação por questões de raça ou de identidade religiosa, a divisão e as tensões sociais são outras das causas da violência entre religiões, segundo Cardinale, que pediu a contribuição das autoridades civis e religiosas para remediar estas situações.
"A ignorância, a pobreza, o subdesenvolvimento e a injustiça são causas diretas ou indiretas de violência não só entre comunidades religiosas mas também no interior destas", acrescentou Cardinale.
Frente a uma questão que o Conselho considerou "de grande atualidade na sociedade", o documento destacou a importância de uma formação religiosa "objetiva" entre as gerações jovens e a necessidade de uma "educação baseada no respeito, no diálogo e na irmandade nos diferentes espaços educativos: em casa, no colégio, na igreja e na mesquita".
O Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso pediu também o "perdão" e a "reconciliação" para uma convivência pacífica, para se "reconhecer e respeitar a dignidade e os direitos de todo ser humano, sem distinção sobre raça ou religião, e a promulgar leis que garantam a igualdade entre todos".
Fonte: G1
Nota da casa: A Igreja dá mais uma demonstração do ditado "faça o que eu digo, não faça o que eu faço". Basta um estudo da história para perceber que a Igreja foi a que mais manipulou a religião com fins políticos, foi a que mais oprimiu e reprimiu outras religiões, os "hereges", as "bruxas".

Campanha pelo sacerdócio das mulheres

LONDRES, 26 Ago 2010 (AFP) -Os famosos ônibus vermelhos de Londres levarão mensagens a favor da ordenação sacerdotal das mulheres na Igreja Católica durante a visita do papa Bento XVI à Grã-Bretanha, em setembro, anunciaram os organizadores da campanha.
A associação Ordenação de Mulheres Católicas (CWO, na sigla em inglês) lançará sua campanha publicitária na próxima segunda-feira em 15 ônibus, que circularão durante quatro semanas pelas principais artérias da cidade com o slogan: "Papa Bento - Ordene mulheres agora!".
Bento XVI fará a primeira visita oficial de um pontífice ao eino Unido desde o cisma anglicano, no século XVI. Entre 16 e 19 de setembro, ele irá a Edimburgo, Glasgow, Londres e Birmingham.
"Esta é a única maneira de divulgar nossa mensagem, e uma boa oportunidade, já que o Papa estará no país", disse Pat Brown, porta-voz do grupo.
Fonte: G1
Nota da casa: Eu apóio essa campanha. Mas caso a Igreja continue negando, as católicas ainda podem optar por deixar a Igreja e escolher uma das muitas religiões do Paganismo. Aqui elas serão muito bem vindas.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

A experiência com a Deusa

A DEUSA NÃO É UMA TELENOVELA…
A Deusa não é uma moda, não é uma montagem de cenários, nem um ritual.
Ela não é um culto nem uma prática, não é uma crença nem uma fé nem uma dança em círculo… nem um carnaval ou um Sabat.
A Deusa não é um folclore nem o uso de vestes particulares, colares e pulseiras a imitar as mulheres ou as sacerdotisas de qualquer culto antigo, templo ou lugar…
A Deusa não é um ritual pagão, nem Wicca, nem bruxa, nem profana…
A Deusa não é casta nem sensual, nem é Virgem nem Pecadora…
A Deusa não é um símbolo nem uma imagem para adorar ou adornar…
A Deusa não serve de imitação de nada nem pode ser um escape para a nossa frustração ou para o nosso ego...
A Deusa é a Terra Mãe onde nascemos, a fonte da Vida, a dadora de alimentos, a Mãe de todas as coisas. Ela é a Vida e a Morte, a Manifestação da Prima Matéria na Terra, tudo o que se manifesta através do Espírito Uno e é Verbo e se torna carne. A Deusa é cada Ser Humano na sua plenitude consciente da dualidade mas unidos os dois lados de tudo: feminino e masculino, sol e lua, dia e noite, prazer e dor…
A Deusa é toda a Terra e é ainda a parte reprimida da humanidade, a parte da humanidade não expressa, é a parte Feminina da Humanidade banida das leis e da sociedade, é a Natureza destruída pela mão do homem, é o Yin complemento do Yang, parte integrante do Tao, é a receptividade da humanidade, o lado direito do cérebro activo, é intuição, é oráculo, é o feminino por excelência manifestado na Natureza e em cada cardo, botão de rosa, animal, criança, mulher ou homem.
A DEUSA É CADA MULHER DE HOJE QUE SE TORNA CONSCIENTE DO FEMININO SAGRADO...
A Deusa é cada Mulher realizada na sua essência primeira, na união das duas mulheres que o patriarcalismo dividiu para reinar…é a mulher que através do resgate da mulher ancestral, da mulher que foi ocultada pela história dos homens e calada pelos seus padres, santos, professores e escritores e que dá voz viva aos mistérios sagrados, através dos seus sentimentos mais fortes e profundos e ousa ser ela mesma sem medo de represálias. Porque Ela é a mulher una, a Mulher Útero – abençoado o seu ventre - a mulher total cuja experiência é vivida no presente, no seu coração, em cada momento da sua vida e em cada dia, livre de preconceitos e de dependências.
A Deusa é a Vida e a Consciência Plena na Mulher que dá à Luz o Homem.
A Deusa é uma experiência viva, vivida na nossa carne, na nossa alma e no nosso SER INTEGRAL. É passado e futuro sobretudo presente e eternidade…
A Deusa é todas as memórias da Terra Mãe registadas no nosso ADN…e por isso devemos antes de tudo lembrar quem fomos e quem somos na nossa pele…
"Devemos lembrar-nos como e quando cada uma de nós passou por uma experiência da Deusa, e se sentiu sarada e integral por causa desta. São momentos santos, sagrados, intemporais, embora por mais inefáveis que se possam revelar, sejam difíceis de reter em palavras. Mas, quando qualquer outra pessoa menciona uma experiência semelhante, isso pode evocar as sensações que voltam a captar a experiência; se bem que só aconteça se falarmos da nossa vivência pessoal. É por isso que necessitamos de palavras para os mistérios das mulheres, o que parece exigir que uma de cada vez explicite o que sabe - como tudo o mais que é de foro feminino. Servimos de parteiras às consciências umas das outras.” Travessia para Avalon, de Jean Shinoda Bolen.
Autora: Rosa Leonor, publicado em Mulheres e Deusas
PS [da Rosa Leonor]:
A Deusa não é nenhum ritual nem está em nenhum lugar especial...Ela não pertence a ninguém e é de todos/as os que a integram como realidade sentimento no seu coração: a Deusa não é um paliativo nem um folclore antigo nem há que ir nenhum lugar para a experimentar: Ela manifesta-se dentro de cada mulher e de cada homem. Sem que Ela se torne numa experiência interior e seja a manifestação natural nas nossas vidas do dia a dia de nada adianta ir rezar ou evocá-la nas estações...e a lugares ditos sagrados...embora as vezes possam haver revelações, mas não confundir rituais e magias ou ter posturas que são apenas cópias do passado. O templo da Deusa no nosso Mundo será diferente, não obedecerá aos mesmos rituais nem fórmulas...aqueles que mimetizam a Deusa não prestam nenhum culto à Deusa mas ao seu ego.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Buscadores

Geralmente 'buscadores' é usado para descrever se alguém está procurando por um 'caminho mais tradicional'.
Buscadores é tudo o que somos.
Iniciados são buscadores movendo-se em um caminho de alguma forma bem trilhado, de vez em quando tem marcas e placas para você saber que está na direção certa e você terá a companhia de um coven neste caminho.
Mas se você se perder deste caminho tudo o que você terá são olhares perplexos das pessoas se afastando de você e estes não verão porque seus olhos terão mudado.
De alguma forma, você verá isto acontecer de vez em quando, quando um velho iniciado começar a justificar por um novo nome de tradição. São os mesmos assuntos do ego agindo quando um membro da família escolhe deixar a casa e começa a fazer a sua própria. Você deseja-lhes bem, talvez fazer algumas sugestões aonde você sabe que uma ponte está coberta de água ou uma estrada é pedregosa demais, mas no fim quem percorre um caminho diferente ou novo terá que encontrar formas de percorrê-lo sem você.
Então iniciados continuam sendo buscadores, apenas com mapas de rotas e companhia. Se você tiver sorte é uam compnahia alegre e haverá amor.
Você não verá o termo sendo muito usado na "comunidade" neopagã. Devido ao ego. Um buscador implica ao não-iniciado que alguém está perdido. E se há algo que a cmounidade neopagã tem certeza é que eles não estão "perdidos".
Esta palavra tem tom cristão que eles não gostam, então eles não estão perdidos, eles "encontraram" o que procuravam. Ponto final, fim da discussão.
Um buscador verdadeiro descobriu que a busca é o que alguém está procurando, a espiritualidade é uma estrada cigana interminável de pesquisa e aprendizado e se você tiver sorte, o lar é um grupo de corações todos buscando a mesma coisa juntos. Desenvolvendo uma linguagem ao longo da caminhada e encontrar outros com interesses iguais para dividir a alegria do caminho pela vida a qual no fim é uma contínua procura por novos mistérios.
O rebanho neo-pagão está convencido que existe um fim na busca, é família e iluminação e ficar junto ao rebanho para proteção.
Não se pode ver muito do centro de um rebanho senão trazeiros e poeira.
Eu prefiro menos companhia para viajar.
Autora: Vicki, publicado no forum da Amber and Jet.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Festa na Loja!

Até hoje eu não sabia, mas ao acessar o Yahoo Respostas, veio ao meu conhecimento que hoje é Dia do Maçom!
O Senado Federal vai prestar homenagem à Maçonaria brasileira na sessão da próxima sexta-feira [hoje]. O evento será realizado em atenção a requerimento apresentado pelo senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), com apoio de colegas, para marcar a passagem do Dia do Maçom, comemorado na mesma data.
Segundo Mozarildo Cavalcanti, existem no Brasil cerca de 5 mil lojas maçônicas. A entidade dedica-se à realização de obras sociais e de cunho filantrópico, entre as quais a arrecadação e distribuição de alimentos e vestuário; a manutenção de creches, escolas, centros de apoio a idosos; e programas de combate às drogas.
O início da Maçonaria no país, ainda de acordo com o senador, ocorreu com o estabelecimento do Grande Oriente do Brasil (GOB), reconhecido pelo Grande Oriente de França. Posteriormente, o GOB se distanciou do Grande Oriente de França e se aliou à Grande Loja Unida da Inglaterra. A partir daí, a Maçonaria brasileira teve um desenvolvimento próprio, com surgimento de dissidências internas.
O dia 20 de agosto é a data em que ocorreu a fundação do GOB, por fusão das lojas Esperança, Comércio e Artes, União e Tranqüilidade, em 1822. Seu primeiro grão-mestre foi o patriarca da independência, José Bonifácio de Andrada e Silva.[ABN]
Primos, parabéns!

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

A Igreja no banco dos réus

Duas notícias que mostra um caminho para evitar ou coibir as declarações absurdas da Igreja, de cardeais, arcebispos, bispos e padres:
Aguascalientes, México, 16 Ago 2010 (AFP) -O cardenal Juan Sandoval Íñiguez, número dois da hierarquia católica mexicana, afirmou neste domingo que os juízes da Suprema Corte receberam dinheiro para ratificar a lei que estabelece o casamento homossexual na Cidade do México.
"Não duvido que (os juízes) tenham sido subornados por (Marcelo) Ebrard. Foram subornados por organismos internacionais", disse Íñiguez, referindo-se ao prefeito da capital mexicana.
Há dez dias, a Suprema Corte de Justiça do México declarou constitucional a lei que permite o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo, aprovada em dezembro na Cidade do México.
Na semana que vem, o tribunal deverá se pronunciar também sobre a possibilidade de adoção por parte de casais homossexuais.
Para o cardeal, a adoção de crianças por casais gays seria "uma aberração".
"Vocês gostariam de ser adotados por um casal de gays ou lésbicas?", indagou o clérigo.
"Acredito que (os juízes) não chegam a essas conclusões tão absurdas que vão contra o sentimento do povo do México se não for por motivos muito grandes. e o motivo muito grande pode ser o dinheiro que dão a eles", acusou.[G1]
Definitivamente, eu nunca vou entender porque os Cristãos/Católicos acham realmente que o Deus Cristão, se fosse tão Onisciente, Onipotente e Onipresente, realmente iria se importa com o que nós, meros mortais, fazemos em nossa curta e efêmera vida. E não é de agora que eu digo e afirmo que o Cristianismo é sexualmente opressivo, repressivo e alienador. Mas foi o prefeito da Cidade do México, México, que mostrou o caminho ou a solução:
O prefeito da capital mexicana, Marcelo Ebrard, apresentou nesta quarta-feira (18) um processo por danos morais contra o cardeal Juan Sandoval Íñiguez, que o acusou de subornar magistrados da Suprema Corte para validar casamentos entre pessoas do mesmo sexo.
O processo, apresentado no Tribunal Superior de Justiça do Distrito Federal, pede, além disso, a reparação do dano causado pelas declarações de Sandoval e solicita uma multa para o cardeal.
A ação legal se estende ao porta-voz da Arquidiocese Primada do México, Hugo Valdemar, que esta semana disse que as leis aprovadas no Distrito Federal causavam mais dano "que o narcotráfico".
Desta forma, Ebrard cumpriu sua ameaça de processar os hierarcas, em particular Sandoval, se ele não se desculpasse de acusá-lo de subornar juízes para que aprovasse a constitucionalidade dos casamentos homossexuais, assim como a adoção de crianças por casais do mesmo sexo, aprovada esta semana.
Em mensagem à imprensa após formalizar o processo, Ebrard disse que o apresentou "não só como defesa da minha honra e do meu prestígio, mas também como defesa do princípio histórico mexicano de separação entre a Igreja e o governo".
A constitucionalidade dos casamentos homossexuais no México foi aprovada em 5 de agosto e, no dia 12 do mesmo mês, foi determinado que todos os estados deviam reconhecer os matrimônios.[G1]
Uma idéia e inicativa que merece ser levada adiante. O Papa fez alguma declaração absurda sobre preservativos? Processo nele. O cardeal fez alguma declaração absurda sobre homossexualidade? Processo nele. O arcebispo fez alguma declaração absurda sobre aborto? Processo nele. Nosso ouvido não é penico. A Igreja só pode se manifestar publicamente se alguém perguntar a opinião dela. Enquanto isso não ocorre, fico na torcida para ver o que vai acontecer na Grã-Bretanha, com a visita do sr Ratzinger.

Fides et Amores

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad [vulgo "Armandinho"] declarou que o Brasil [ou seu "amigo" Lula] não devia se "intrometer" nos assuntos de "justiça" do seu país. Tudo porque o mundo pediu um ato humanitário e o Brasil ofereceu asilo para Shakineh Ashtiani, uma mulher que foi condenada a ser apedrejada até a morte [ou enforcada] por um julgamento marcado por irregularidades e fraudes processuais. Ou seja, Armandinho quer resguardar o "direito" do Irã de cometer assassinato institucionalizad, ginocídio, contra as adúlteras. E Armandinho e seus amigos vão continuar caçando os "infiéis", seja ao matrimônio, seja à religião.
A questão da (in)fidelidade conjugal surge na imprensa porque vivemos em uma sociedade onde a curiosidade pública gosta de meter o bedelho [e dar pitacos] na intimidade privada. Em pleno século XXI é impressionante que ainda se acredite na ideologia romântica do século XVIII. Depois de 50 anos que aconteceu a Revolução Cultural e Sexual, nós estamos voltando ao Puritanismo, ao Vitorianismo. Será que nada mudou?
De acordo com pesquisas recentes, o mito de que a mulher é a mais fiel que o homem está se desfazendo. As mulheres estão redescobrindo seu direito ao amor, ao desejo, ao prazer. E estão tendo a coragem de buscar uma vida erótico-afetiva plena e satisfatória. Em seus próprios termos.
A humanidade está redescobrindo e ressacralizando o amor, o desejo, o prazer. Nós estamos despertando nossa consciência para perceber que questões como família, monogamia, fidelidade e casamento são construções culturais e sociais que podem e devem ser repensadas e reconstruídas.
Nós somos a única espécie a sentir, exprimir e manifestar conscientemente o amor, nas suas mais diversas formas. Recusar, negar ou rejeitar essa nossa natureza é a verdadeira traição, a real infidelidade.
Independentemente de nosso estado civil, nós continuaremos apreciando a beleza, a aproveitar a vida. Cabe a cada um estabelecer suas prioridades, perceber suas necessidades, determinar seus objetivos e definir seus relacionamentos. Cabe a nós dar o tempo e o espaço em nossas vidas para a alegria, o prazer e o amor.

domingo, 15 de agosto de 2010

Nemorália - Festival de Diana

Dia 13 de Agosto é marcado pela celebração da Nemorália (também conhecido como «Festival das Tochas»), mais tarde adoptado pelos católicos como Festa da Assunção.
Este festival é realizado ou no dia 13 ou no dia 15 de Agosto ou na Lua Cheia de Agosto, em honra de Diana.
Neste dia, colocavam-se cornos de vaca - simbolismo de Hércules - na parte da frente do templo da Deusa.
Ovídio (século I a.c. ou VI A.U.C.) descreve esta celebração do seguinte modo:
«No vale Ariciano,
Há um lago rodeado de florestas com sombra,
Consideradas sagradas por uma religião dos tempos antigos...
Numa longa cerca, pendem muitas peças de novelos feitos de fios de linho entrelaçados,
E muitas tábuas estão lá colocadas
Como ofertas de gratidão à Deusa.
Muitas vezes, uma mulher cujas preces foram por Diana respondidas,
Com uma grinalda de flores coroando-lhe a cabeça,
Vai a pé desde Roma carregando uma tocha ardente...
Lá, uma corrente flui, sussurando, do seu leito rochoso...»
Durante a celebração, os adoradores formavam uma luminosa procissão de tochas e velas à volta das escuras águas do Lago Nemi, ao qual se chamava «Espelho de Diana». As luzes das suas velas juntavam-se às luzes da Lua, dançando, reflectindo-se sobre a superfície da água.
O festival é levado a cabo à maneira grega, isto é, Grecu Ritu, de cabeça descoberta.
Centenas juntavam-se junto ao lago, usando grinaldas de flores.
De acordo com Plutarco, parte do ritual (antes da procissão em torno do lago) consiste na lavagem do cabelo e na sua decoração com flores.
É um dia de descanso para mulheres e para escravos. Os cães também são honrados e adornados com flores. Os viajantes entre os bancos do norte e do sul do lago são transportados em pequenos barcos iluminados por lanternas. Candeias similares eram usadas pelas vestais e foram encontradas imagens da Deusa em Nemi, por isso Diana e Vesta são por isso, algumas vezes, consideradas como sendo a mesma Deusa.
Um poeta do primeiro século d.c. (oitavo século A.U.C.), Propertius, que não foi ao festival mas que o observou de fora, disse, a alguém que amava:
«Ah, se tu ao menos pudesses andar por lá nas tuas horas de ócio.
Mas não nos podemos encontrar hoje,
Pois que te vejo exaltada com uma tocha ardente
Em direcção ao bosque de Nemi foste tu
Levando uma luz em honra da Deusa Diana»
Pedidos e ofertas a Diana podem incluir:
- pequenas mensagens escritas em laços atados ao altar ou a uma árvore;
- pequenas estatuetas feitas de barro cozido ou de pão, representando partes do corpo que precisem de cura; pequenas imagens de barro de mãe e filho;
- finas esculturas de veados; dança e canto;
- fruta, como, por exemplo, maçãs.
Oferendas de alho são feitas à Deusa da Lua Negra, Hécate, durante o festival.
É proibido matar ou caçar qualquer animal durante a Nemorália.
Importa agora saber Quem é Diana.
Diana é uma Deusa Itálica celestial e luminosa. O Seu nome parece provir da palavra «Dius», que expressa a ideia de brilho relacionado com o céu. Diana tem um carácter nocturno e lunar, não sendo no entanto o mesmo que a Lua, como mais tarde veio tantas vezes a ser identificada. Há também aqui uma relação etimológica com os teónimos Janus (Deus dos Inícios) e Anna Perena, outras Duas Deidades latinas. Esta última pode estar relacionada com um monte hindu de nome Anna Purna. «Anna Perena» significaria «Anna Que fornece».
É possível que Anna e Diana, sendo teónimos de certo modo «pan-indo-europeus», fossem originalmente genéricos entre os Ítalos e agrupassem Deidades de distintos santuários como se Estas fossem aspectos diferentes da mesma Divindade, e aqui havia espaços para importações, sincretismos, etc.
É, desde cedo, uma Deidade protectora da virgindade e das meninas, embora também pudesse presidir aos partos, sob o nome de Diana Lucina, isto é, «Diana Que faz vir à luz», tendo este epíteto, Lucina, em comum com Juno.
Diana pode ter sido em tempos a parceira de Júpiter; todavia, na época histórica conhecida a esposa deste Deus é Juno.
Apesar de, por ter sido considerada equivalente à helénica Ártemis, ter adquirido, na mente dos cultuadores, um aspecto florestal de caçadora, nunca perdeu o Seu carácter propriamente lunar, o qual a própria Ártemis também possui. Tal como Ártemis, tem uma faceta violenta e sanguinária, vingativa, embora Se notabilize pelo Seu lado mais pacífico e protector.
Os Seus santuários mais antigos ficavam em Cápua - onde é conhecida como Diana Tifatina, ou Diana de Tifata, montanha situada a norte de Cápua, e onde Lhe é consagrada uma corça, símbolo de longevidade, garante da existência da cidade, o que traz repentinamente à memória o facto de que o romano Sertório conseguiu a estima e a admiração dos Lusitanos ao afirmar que se comunicava com uma corça mágica, e é de notar que a Deusa Diana foi das Deidades mais adoradas na Lusitânia - e em Arícia, povoação vizinha de Roma. Nesta última localidade, o Seu templo estava situado mais precisamente no bosque de Nemus. O facto de este local de culto estar associado a escravos pode ter a ver com a total liberdade de que estes gozavam no dia 13 de Agosto.
Aqui, no bosque de Nemus, onde Lhe chamam Diana Nemorensis, o Seu aspecto florestal é talvez mais marcado, pois que «Nemus» significa «bosque» com sentido sagrado, o que parece especialmente interessante, se se tiver em conta que «Nem», nas línguas célticas, significa ao mesmo tempo «Sagrado» e «Céu» e está na raiz da palavra «Nemeton», a qual por sua vez significa precisamente «Bosque Sagrado». Esta semelhança etimológica não surpreende quando se sabe que o Latim e o Celta são da mesma origem: partem do grande ramo Celto-Italiota da família Indo-Europeia ocidental. Em território hoje português, pouco a norte do Douro, viveram os Nemetati. Na Galiza registou-se uma «Nemetóbriga» já nos tempos da Romanização. Na Ásia Menor, actual Turquia, existiu uma povoação com o nome de Drunemeton.
O santuário de Nemi, perto de Roma, de origem latina, teria sido, de acordo com a tradição romana, fundado por Egerius Baebius ou Laevius, ditador latino que representava várias povoações, tais como Aricia, Tusculum, Tibur e Lanuvium, entre outras. Outro possível fundador poderá ter sido Manius Egerius. Entretanto, uma tradição estrangeira atribuía o surgimento do santuário ao herói helénico Orestes, o qual, depois de matar o rei Thoas do Queroneso Táurico (Crimeia), fugira com a sua irmã para Itália, trazendo consigo o culto de Diana Táurica. Em Nemi havia uma outra Deidade, associada a Diana, que era Vírbio – e Vírbio tinha com Diana uma relação similar à de Hipólito e Ártemis: um Deus jovem e moribundo e uma Deusa Mãe telúrica que O ressuscita, esquema assaz conhecido e divulgado no Mediterrâneo Oriental, classicamente representado pelo mito de Cíbele e Átis, Osíris e Ísis, Afrodite e Adónis…Aparentemente, os Romanos achavam que Vírbio era o mesmo que Hipólito.
Segundo Estrabão e Ovídio, vivia nos montes da floresta de Nemi um sacerdote-rei (Rex Nemorensis) que, em determinadas circunstâncias, tinha de lutar com quem o desafiasse, isto porque quem quisesse ocupar o lugar deste monarca tinha de o matar, golpeando-o com um ramo arrancado de certa árvore. Pode haver aqui uma semelhança com mitos célticos.
O templo de Diana mais importante foi o do monte Aventino, edificado antes de 509 a.c. ou 244 A.U.C. pelos Romanos com o intuito de colocar a confederação das cidades do Lácio sob a protecção da Deusa.
A igreja tentou abafar o Seu culto com a instituição da Assunção de Maria, no dia 15 deste mês - mas Diana permaneceu viva nas tradições populares dos povos meridionais onde a Romanidade deixou vestígios.
Nas colónias ou províncias imperiais, o culto de Diana assumiu diferentes formas.
Na obra «Guia Arqueológica de España», pode ler-se:
«Os Romanos conquistaram a povoação e chamaram-lhe Saltus Dianae, ou Santuário de Diana, mas na escavação arqueológica do local não se encontrou até ao momento nenhum templo, apenas inscrições e moedas romanas.»
É possível que o topónimo Font Janina (em Catalão) ou Ribagorza Fonchanina (em Castelhano), seja vestígio da Deusa, visto que se encontra nessa zona uma montanha com silhueta de mulher.
E que dizer do caso português?
Para começar, a Crónica Geral de Espanha, texto medieval, dá a conhecer um mito segundo o qual o nome «Lusitânia» deriva do facto de Hércules ter por aqui passado e resolvido dedicar jogos à Deusa Diana (Ludi + Diana = Lusitânia).
Entretanto, o templo de Évora é popularmente conhecido como o «templo de Diana», apesar de provavelmente ter sido local de culto imperial. Porque se estabeleceu então a ideia de que o templo era de Diana?
É de lembrar que na Antiguidade tardia ou nos primórdios da Idade Média, um certo evangelizador denunciava o culto das Dianas.
Fonte: Gladius
Nota da casa: E ainda tem gente [que se auto-intitula pagão e bruxo] que elogia a Igreja e o Cristianismo.

Britânicos organizam protestos contra visita do papa

A pouco mais de um mês da visita que o papa Bento 16 fará ao Reino Unido, entre os dias 16 e 19 de setembro, crescem as preocupações quanto a possíveis ações de protesto contra a presença do pontífice no país.
Segundo a edição online do jornal "Daily Telegraph" deste sábado, o grupo Protest the Pope ameaçou impedir que o cortejo papal alcançasse um dos locais de Londres onde ocorrerão os eventos programados. As ameças foram feitas durante um encontro público do grupo.
Na reunião, os opositores à viagem explicaram que o chefe de Estado do Vaticano vai percorrer uma estreita rua suburbana para chegar ao campus da St Mary's University College, onde falará a 3.500 estudantes sobre a importância da educação católica.
Um dos manifestantes assinalou que se o percurso for feito de carro, "aquela será uma ótima ocasião para bloquear a estrada". "Organizemo-nos", acrescentou ele, entre aplausos dos presentes.
Também um grupo de laicos e apoiadores dos direitos dos homossexuais planeja uma marcha pelo centro de Londres e uma manifestação no dia 18, quando Bento 16 fará uma vigília de oração no Hyde Park para 80 mil fieis.
De acordo com o jornal "The Independent", os promotores do evento enfrentam ainda o problema dos custos da visita, já que faltam à Igreja Católica local doações de mais de 2,6 milhões de libras esterlinas (o equivalente a R$ 7,18 milhões) para cobrir o orçamento.
Oficialmente, a instituição religiosa precisa recolher ao todo 7 milhões de libras para financiar a parte "pastoral" da viagem, ou seja, os grandes eventos públicos previstos para Glasgow (no Parque Bellahouston), Londres e Birmingham (onde será realizada a beatificação do cardeal John Henry Newman, no Parque Cofton).
Fontes da organização relataram ao jornal, porém, que o custo final ficará próximo a 8 milhões de libras. Até agora, a Igreja britânica recolheu somente 5,1 milhões de libras, provenientes em grande parte de doadores privados e da sociedade.
Entre outras medidas, a decisão de instituir a cobrança de entrada para os três eventos ao ar livre que serão presididos pelo papa suscitou muitas discussões nas últimas semanas. A iniciativa teria como objetivo contribuir com os altos custos previstos.
A visita já vinha despertando polêmicas desde antes de seu anúncio oficial. Em fevereiro, o pontífice foi bastante criticado no Reino Unido ao se opor indiretamente à Equality Bill, lei que estava sob análise do Parlamento local na época e que dá direitos de igualdade a homossexuais.
Posteriormente, um documento secreto da chancelaria britânica com piadas sobre a viagem veio a público, com sugestões de que o líder máximo da Igreja Católica abençoasse um casamento gay, inaugurasse um departamento para abortos em um hospital e lançasse um novo tipo de preservativos com o nome de "Benedict" durante sua estadia.
As controvérsias saíam à tona no momento em que o Vaticano era alvo de inúmeras críticas devido às denúncias de pedofilia que envolviam o clero de diversas nações -- inclusive o do Reino Unido. Ativistas ateus ameaçaram prender o pontífice assim que ele colocasse os pés no país, por considerarem-no responsável pelos crimes.
Fonte: Folha
Nota da casa: Os britânicos iniciaram a campanha, a humanidade deve agarrar a oportunidade para se livrar desse entulho autocrático. Apostasia Já!

sábado, 14 de agosto de 2010

Casamento em massa na Índia

Para tentar compensar meu desapontamento com a Bienal do Livro deste biênio, fraquíssima, com as editoras focando apenas nos livros de alta vendagem, a oferta mínima de livros alternativos, estandes vazios, muitos estandes para o público infantil, o inevitável aumento da presença "evangélica" e "espírita", além de dois curiosos estandes de divulgação do Islam [quem não te conhece que te compre!], eu encontrei uma notícia no G1 para comentar:
Indianos realizaram um casamento em massa neste sábado em Hyderabad, na Índia. Ao todo, segundo a imprensa local, 64 casais celebraram a união durante a cerimônia. Inicialmente, os organizadores esperavam cem casais, mas alguns não apareceram.
Este pagão que lhes escreve pergunta [afinal, perguntar não ofende]: as núpcias ou as luas-de-mel também serão coletivas?

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Mulheres 'santas' pagãs

Eu não gosto de comprar briga, mas tem Cristão que pede. Gostam de lembrar da condição das mulheres na Antiguidade [que, por sinal, era causada por uma sociedade patriarcal e machista como a atual] e de como o Cristianismo foi "melhor" para a mulher. Listam uma grande quantidade de mulheres santificadas pela Igreja para mostrar como esta preza a mulher.
Há alguns textos aqui sobre a evidente misoginia da Igreja e o blog Sexismo e Misoginia, da Adília, foi citado aqui como fonte. Há textos da própria bíblia e dos doutores da Igreja que provam o quanto a Igreja e o Cristianismo é misógino. Mas isso não é suficiente, os Cristãos me pediram que citasse nome de mulheres que foram grandes mitos na história de gregos e romanos.
Para dar uma referência bíblica, que tal a Rainha de Sabá?
No Iraque, antes chamado de Suméria, que tal Enheduana, sacerdotisa e a primeira escritora?
Que tal no Egito, com as rainhas Hashepsut, Nefertiti, Cleópatra VII?
Na Síria, antes chamada de Palmira, que tal a rainha Zenóbia?
Na Grécia, que tal Telesila, a poetisa e guerreira que derrotou os Espartanos?
Ou Diotima de Mantinea, aquela que ensinou a Sócrates?
Ou Agnodice, que ficou famosa por seu conhecimento em medicina, especializando-se em ginecologia e obstetrícia?
Ou Aristocréia, sacerdotisa que foi tutora de Pitágoras?
Ou Hipácia, a matemática e filósofa que foi trucidada pelos Cristãos?
Ou Hipárquia, a primeira "feminista" da história?
Na Turquia, antes onde havia a cidade de Tróia, que tal a rainha Helena?
Isso sem citar as inúmeras Deusas e outras figuras míticas da Antiguidade.

‘Cicciolinas’ brasileiras candidatas

Nem dançarinas de funk, jogadores de futebol ou lutadores de boxe. As personagens brasileiras aspirantes a um cargo político que chamaram a atenção dos franceses foram três profissionais do sexo. Uma atriz pornô que faz campanha dançando com roupas mínimas, uma stripper e uma empresária de swing de Fortaleza, Ceará, foram citadas no site de notícias francês Mediapart nesta semana. Em tom de chacota, o texto ressalta que as moças são da cidade “conhecida mundialmente como um dos melhores destinos para o turismo sexual”.
Citado no site, o vídeo de campanha da atriz pornô e candidata a deputada estadual Maria Isabel Gomes Barroso – ou Adriele Fatal, como deve aparecer na urna – foi divulgado em 2008, quando ela se candidatou a vereadora, e assistido quase 140.000 vezes. O slogan de 2010 é “Seu voto é fatal” e ela já adiou o lançamento do filme “Ela Vai pelos Ares com o Vizinho” para evitar problemas com a justiça. Mas, ainda assim, a candidatura de Adriele, que tem 38.000 reais em bens declarados, está ameaçada. O Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE) negou o registro por falta de documentos. A atriz recorreu ao TSE.
Quem também foi barrada pela justiça eleitoral foi Kátia Heffner, ou Maria Adelina Nascimento Holanda, que, apesar de ser dona de uma casa de swing (troca de casais), declara não ter nenhum bem. O TRE negou seu pedido de registro porque ela não apresentou vários documentos. Kátia ainda pode recorrer ao TSE.
Caso de sucesso – Entre as profissionais do ramo sexual do Ceará, Edvania Matias Goes, a Deborah Soft, é a mais bem-sucedida. Em 2004, com o slogan “vote com prazer”, a stripper recebeu mais de 11 mil votos e assumiu uma vaga na Câmara dos Vereadores de Fortaleza. Sua atuação por lá serviu para ela desistir de vez da antiga profissão e dividir a tribuna com os engravatados. Neste ano, Soft quer ser deputada estadual – e o TRE liberou sua candidatura.
Como diz o site francês, as profissionais do sexo cearenses que postulam um cargo político inspiram-se na atriz pornô italiana Cicciolina, eleita para o parlamento da Itália em 1987. Mesmo após assumir o cargo, a atriz estrelou filmes e, em 2005, posou para a Playboy da Sérvia, aos 53 anos. Ser capa da revista masculina, aliás, é um dos sonhos de Deborah Soft, “se programado e com uma assessoria”, como disse em uma entrevista quando foi eleita. Depois de conseguir 11 mil votos com uma campanha nada discreta, que ninguém duvide das aspirações da candidata.
Fonte: Veja
Nota da casa: Eu noticiei no texto "Horário Eleitoral" da candidata ao Senado na Austrália. Quando é nos países do "Velho Mundo", é chique, é moderno...quando é no Brasil, é vulgar, é promiscuidade...santa ignorância.

Lealdade Feminina em ação

Uma notícia que demonstra aquilo que a Musa oficial deste blog, Nana Odara, descreve como Lealdade Feminina:
Em um ato premeditado de desobediência civil, mulheres israelenses violaram a chamada Lei de Entrada em Israel, que proíbe a entrada de palestinos, e "contrabandearam" mulheres palestinas para passear em Tel Aviv, expondo-se ao risco de uma pena de dois anos de prisão.
"Quando uma lei é desumana e racista, desobedecer torna-se uma obrigação moral", disse à BBC Brasil Daphne Banai, uma das israelenses que participaram do ato de protesto.
"Enquanto os israelenses, inclusive os colonos, podem circular livremente em toda a região, os palestinos ficam presos em enclaves cercados por muros e pontos de checagem", afirmou.
Segundo as autoridades israelenses, as restrições à entrada de palestinos em Israel têm o objetivo de evitar atentados.
A proibição tornou-se praticamente hermética durante a segunda Intifada (levante palestino) que começou no ano 2000, depois de uma série de atentados suicidas realizados em grandes cidades israelenses.
'Libertação'
Daphne, de 61 anos, contou que o passeio com as mulheres palestinas foi um dos dias "mais emocionantes e felizes" de sua vida.
"Senti uma sensação de libertação naquele dia", disse Daphne. "A ocupação e o enclausuramento da população palestina em enclaves na Cisjordânia me fazem sentir em uma prisão", disse.
"Desafiar a lei e trazer as mulheres palestinas para passear em Tel Aviv e ver o mar me fez sentir uma sensação de liberdade por um dia", disse.
"Acho que a ocupação coloca não só os palestinos, mas tambem nós, os israelenses, em uma prisão."
Artigo
O desafio à proibição generalizada à entrada de palestinos em Israel começou com um ato isolado da escritora Ilana Hamermann.
Em maio deste ano, a escritora, de 66 anos, publicou um artigo no jornal Haaretz, relatando que havia "contrabandeado" três mulheres palestinas, em seu carro, para dentro de Israel, e as levado para ver o mar em Tel Aviv.
"Eu já faço isso há muitos anos, 'contrabandeio' amigos palestinos pois não reconheço a legitimidade da ocupação, dos muros, das cercas e dos pontos de checagem que Israel instalou na Cisjordânia", disse Ilana à BBC Brasil.
"Essas limitações à liberdade dos palestinos não contribuem para a segurança dos israelenses, muito pelo contrário, acho que é essa política de ocupação que nos coloca em risco", afirmou.
Anúncio
O gesto simbólico de Ilana comoveu mais onze mulheres israelenses, que seguiram seu exemplo e há alguns dias publicaram um anúncio assinado na imprensa local, declarando que haviam violado a lei, de maneira premeditada, e levado 12 mulheres e 5 crianças palestinas, para passear em Tel Aviv.
A operação foi cuidadosamente planejada e houve dois encontros preliminares com as mulheres palestinas, antes do passeio.
De acordo com Daphne, as mulheres palestinas, habitantes de duas aldeias próximas a Jerusalém, na Cisjordânia, sabiam que estavam assumindo o risco de serem presas pelas tropas israelenses.
Para conseguir passar pelos vários pontos de checagem no caminho, elas se disfarçaram de israelenses e não vestiram as roupas tradicionais palestinas, retirando inclusive o véu com o qual geralmente cobrem os cabelos.
"Para todas as mulheres envolvidas, tanto as israelenses como as palestinas, nosso passeio foi, antes de tudo, um ato politico", disse Daphne.
"Mas acabou sendo também um ato de prazer. Comemos juntas em um restaurante em Jaffa, fomos à praia de Tel Aviv, passeamos pela cidade e ao entardecer as levamos de volta para suas aldeias, passando por Jerusalém", conta.
Daphne relatou que, para as palestinas, o momento mais forte do passeio foi quando viram o mar pela primeira vez.
"A vida toda elas sofrem restrições à sua liberdade de movimentação, e ver aquela imensidão livre e sem fronteiras que é o mar gerou uma emoção e uma sensação de libertação, que só uma pessoa enclausurada pode sentir", afirmou.
Debate
Publicando esse ato de desobediência civil, as mulheres esperam gerar um debate na sociedade israelense sobre os limites da obediência e sobre o significado de leis que vigoram no país.
O grupo de direita Fórum Juridico em Prol da Terra de Israel entrou com uma queixa contra Ilana Hamermann junto à Procuradoria Geral da Justiça que, por sua vez, encaminhou o processo à policia.
A pena pela violação da Lei de Entrada em Israel pode chegar a dois anos de prisão.
As participantes israelenses estão dispostas a pagar o preço da violação da lei.
"Para isso estou disposta a ficar dois anos na prisão", afirmou Daphne.
Ilana e Daphne relataram que, desde a publicação do anúncio, receberam dezenas de telefonemas de outras mulheres israelenses, que querem participar do próximo "passeio".
"Depois da visita a Tel Aviv, as palestinas que participaram me disseram que milhares de palestinas estariam dispostas a fazer parte do próximo projeto, pois não aguentam mais a situação atual e querem aderir a atos de desobediência civil junto com mulheres israelenses", disse Ilana.
Fonte: G1

Dia de celebrar Hecate

O dia 13 de agosto era uma data importante no antigo calendário greco-romano, dedicada às celebrações das deusas Hécate e Diana, quando Lhes eram pedidas bênçãos de proteção para evitar as tempestades do verão europeu que prejudicassem as colheitas.
Na tradição cristã comemora-se no dia 15 de agosto a Ascensão da Virgem Maria, festa sobreposta sobre as antigas festividades pagãs para apagar sua lembrança, mas com a mesma finalidade: pedir e receber proteção.
Com o passar do tempo perdeu-se o seu real significado e origem e preservou-se apenas o medo incutido pela igreja cristã em relação ao nome e atuação de Hécate.
Essa poderosa Deusa com múltiplos atributos foi considerada um ser maléfico, regente das sombras e fantasmas, que trazia tempestades, pesadelos, morte e destruição, exigindo dos seus adoradores sacrifícios lúgubres e ritos macabros.
Para desmistificar as distorções patriarcais e cristãs e contribuir para a revelação das verdades milenares, segue um resumo dos aspectos, atributos e poderes da deusa Hécate.
Hécate Trivia ou Triformis era uma das mais antigas deusas da Grécia pré-helênica, cultuada originariamente na Trácia como representação arcaica da Deusa Tríplice, associada com a noite, lua negra, magia, profecias, cura e os mistérios da morte, renovação e nascimento.
”Senhora das encruzilhadas” - dos caminhos e da vida - e do mundo subterrâneo, Hécate é um arquétipo primordial do inconsciente pessoal e coletivo, que nos permite o acesso às camadas profundas da memória ancestral.
É representada no plano humano pela xamã que se movimenta entre os mundos, pela vidente que olha para passado, presente e futuro e pela curadora que transpõe as pontes entre os reinos visíveis e invisíveis, em busca de segredos, soluções, visões e comunicações espirituais para a cura e regeneração dos seus semelhantes.
Filha dos Titãs estelares Astéria e Perseu, Hécate usa a tiara de estrelas que ilumina os escuros caminhos da noite, bem como a vastidão da escuridão interior.
Neta de Nyx, deusa ancestral da noite, Hécate também é uma “Rainha da Noite” e tem o domínio do céu, da Terra e do mundo subterrâneo.
“Senhora da magia” confere o conhecimento dos encantamentos, palavras de poder, poções, rituais e adivinhações àqueles que A cultuam, enquanto no aspecto de Antea, a “Guardiã dos sonhos e das visões”, tanto pode enviar visões proféticas, quanto alucinações e pesadelos se as brechas individuais permitirem.
Como Prytania, a “Rainha dos mortos”, Hécate é a condutora das almas e sua guardiã durante a passagem entre os mundos, mas Ela também rege os poderes de regeneração, sendo invocada no desencarne e nos nascimentos como Protyraia, para garantir proteção e segurança no parto, vida longa, saúde e boa sorte. Hécate Kourotrophos cuida das crianças durante a vida intra-uterina e no seu nascimento, assim como fazia sua antecessora egípcia, a parteira divina Heqet.
Possuidora de uma aura fosforescente que brilha na escuridão do mundo subterrâneo, Hécate Phosphoros é a guardiã do inconsciente e guia das almas na transição, enquanto as duas tochas de Hécate Propolos, apontadas para o céu e a terra, iluminam a busca da transformação espiritual e o renascimento, orientado por Soteira, a Salvadora.
Como deusa lunar Hécate rege a face escura da Lua, Ártemis sendo associada com a lua nova e Selene com a lua cheia.
No ciclo das estações e das fases da vida feminina Hécate forma uma tríade divina juntamente com: Kore/Perséfone/Proserpina/Hebe - que presidem a primavera, fertilidade e juventude - Deméter/Ceres/Hera – regentes da maturidade, gestação, parto e colheita - e o Seu aspecto Chtonia, deusa anciã, detentora de sabedoria, padroeira do inverno, da velhice e das profundezas da terra.
Hécate Trivia e Trioditis, protetoras dos viajantes e guardiãs das encruzilhadas de três caminhos, recebiam dos Seus adeptos pedidos de proteção e oferendas chamadas “ceias de Hécate”.
Propylaia era reverenciada como guardiã das casas, portas, famílias e bens pelas mulheres, que oravam na frente do altar antes de sair de casa pedindo Sua benção.
As imagens antigas colocadas nas encruzilhadas ou na porta das casas representavam Hécate Triformis ou Tricephalus como pilar ou estátua com três cabeças e seis braços que seguravam suas insígnias: tocha (ilumina o caminho), chave (abre os mistérios), corda (conduz as almas e reproduz o cordão umbilical do nascimento), foice (corta ilusões e medos).
Devido à Sua natureza multiforme e misteriosa e à ligação com os poderes femininos “escuros”, as interpretações patriarcais distorceram o simbolismo antigo desta deusa protetora das mulheres e enfatizaram Seus poderes destrutivos ligados à magia negra (com sacrifícios de animais pretos nas noites de lua negra) e aos ritos funerários.
Na Idade Média, o cristianismo distorceu mais ainda seus atributos, transformando Hécate na “Rainha das bruxas”, responsável por atos de maldade, missas negras, desgraças, tempestades, mortes de animais, perda das colheitas e atos satânicos.
Essas invenções tendenciosas levaram à perseguição, tortura e morte pela Inquisição de milhares de “protegidas de Hécate”, as curandeiras, parteiras e videntes, mulheres “suspeitas” de serem Suas seguidoras e animais a Ela associados (cachorros e gatos pretos, corujas).
No intuito de abolir qualquer resquício do Seu poder, Hécate foi caricaturizada pela tradição patriarcal como uma bruxa perigosa e hostil, à espreita nas encruzilhadas nas noites escuras, buscando e caçando almas perdidas e viajantes com sua matilha de cães pretos, levando-os para o escuro reino das sombras vampirizantes e castigando os homens com pesadelos e perda da virilidade.
As imagens horrendas e chocantes são projeções dos medos inconscientes masculinos perante os poderes “escuros” da Deusa, padroeira da independência feminina, defensora contra as violências e opressões das mulheres e regente dos seus rituais de proteção, transformação e afirmação.
No atual renascimento das antigas tradições da Deusa compete aos círculos sagrados femininos resgatar as verdades milenares, descartando e desmascarando imagens e falsas lendas que apenas encobrem o medo patriarcal perante a força mágica e o poder ancestral feminino.
Em função das nossas próprias memórias de repressão e dos medos impregnados no inconsciente coletivo, o contato com a Deusa Escura pode ser atemorizador por acessar a programação negativa que associa escuridão com mal, perigo, morte.
Para resgatar as qualidades regeneradoras, fortalecedoras e curadoras de Hécate precisamos reconhecer que as imagens destorcidas não são reais, nem verdadeiras, que nos foram incutidas pela proibição de mergulhar no nosso inconsciente, descobrir e usar nosso verdadeiro poder.
A conexão com Hécate representa para nós um valioso meio para acessar a intuição e o conhecimento inato, desvendar e curar nossos processos psíquicos, aceitar a passagem inexorável do tempo e transmutar nossos medos perante o envelhecimento e a morte.
Hécate nos ensina que o caminho que leva à visão sagrada e que inspira a renovação passa pela escuridão, o desapego e transmutação.
Ela detém a chave que abre a porta dos mistérios e do lado oculto da psique; Sua tocha ilumina tanto as riquezas, quanto os terrores do inconsciente, que precisam ser reconhecidos e transmutados.
Ela nos conduz pela escuridão e nos revela o caminho da renovação.
Porém, para receber Seus dons visionários, criativos ou proféticos precisamos mergulhar nas profundezas do nosso mundo interior, encarar o reflexo da Deusa Escura dentro de nós, honrando Seu poder e Lhe entregando a guarda do nosso inconsciente.
Ao reconhecermos e integrarmos Sua presença em nós, Ela irá nos guiar nos processos psicológicos e espirituais e no eterno ciclo de morte e renovação.
Porém, devemos sacrificar ou deixar morrer o velho, encarar e superar medos e limitações; somente assim poderemos flutuar sobre as escuras e revoltas águas dos nossos conflitos e lembranças dolorosas e emergir para o novo.
Autora: Mirella Faur
Publicado em Mundos da Mi
Nota da casa: Enquanto isso, crianças petulantes e convencidas de sua "bruxidade" tentam iludir os peregrinos [como gostam de chamar seus leitores] falando como as "bruxas" fazem uso dos Santos cristãos.

A história de nós

Todos ansiamos por histórias. As histórias dão formas aos nossos desejos, sentimentos e objetivos, moldando nossas opiniões sobre tudo – dos nossos próprios corpos ao que é sagrado ou profano, bom ou ruim, possível ou impossível. As histórias nos oferecem figuras com quem rivalizar, a quem emular, imitar, admirar ou abominar. E é a partir das histórias que nos são contadas que nós construímos, inconscientemente, os roteiros de nossa vida.
Por isso há atualmente tanto interesse pelos mitos antigos e novos. O mais importante é que deriva da consciência cada vez maior de que como imaginamos nossas trajetórias, pessoais e sociais, pode afetar profundamente tanto nossas vidas quanto as dos outros. Isto não quer dizer que basta mudarmos as histórias e as imagens.

A revolução da consciência consiste nisso: a desconstrução e reconstrução gradual das histórias e imagens que por tanto tempo moldaram nossas mentes. Corpos e almas para se ajustarem às exigências de um sistema ativado pela punição, medo e dor. A revolução na consciência passa atualmente para um segundo estágio animado pela tomada de consciência de que temos escolhas, de que podemos fazer mudanças e que tais mudanças são essenciais nesta era de alta tecnologia.

Não há garantias de que conseguiremos nos libertar dos mitos e estruturas que ainda nos ligam a maneiras disfuncionais, injustas dolorosas de viver e morrer. A tentativa já é uma aventura extraordinária: uma hornada que é ao mesmo tempo interna e externa, conduzindo-nos a níveis cada vez mais profundos de consciência e a caminhos cada vez mais amplos e satisfatórios. Quanto mais integrados nos tornamos ao nos esforçar para construir o roteiro de nossa vida, mais abertos nos tornamos para as mudanças na consciência. Quanto mais tentamos novos caminhos, mais abrimos caminhos que tornam possível experimentar a vida de uma maneira que antes acreditávamos impossível.

Se perseverarmos, algumas das histórias daqueles que hoje têm a coragem de questionar, a vontade de escolher e a determinação de recuperar, o poder humano exclusivo de dar e receber amor serão os fundamentos para os novos mitos: mitos que, contra todos os obstáculos, assentam os alicerces de uma estrutura social que promoverá a grande capacidade para o prazer em relações afetivas que nos foi concedida.

Se conseguirmos completar a mudança de um mundo dominador para um de parceria, a realidade e os mitos de nosso futuro serão muito diferentes do que são agora. Nesse mundo seremos muito mais capazes de utilizar plenamente todos os nossos sentidos e capacidades para criar novas formas institucionais e mitos que nos permitirão expressar plenamente o milagre, o mistério e a alegria do que os místicos chamaram de a verdade sagrada de nossa unidade no amor. Haverá muito mais mitos de reverência, da admiração e do êxtase que nos foram concedidos sentir, inclusive a alegria, a admiração e o êxtase do amor físico. Haverá histórias sobre como os humanos foram concebidos no prazer e êxtase e não no pecado. Haverá imagens espiritualizando o erótico, em vez de erotizando a violência e a dominação. Ao invés de mitos sobre nossa salvação através da violência e da dor, haverá mitos sobre nossa salvação através do afeto e do prazer. Nesse mundo haverá vários ritos que conferirão significado à vida diária, inclusive rituais com flores, velas, música e vinho. Alguns poderão ser ritos em que a união do homem e da mulher será um ato extático, mágico. Esses ritos reconhecerão que o toque mas sagrado é o toque que dá prazer.

Ainda temos um longo caminho pela frente antes de alcançarmos este mundo, onde a espiritualidade voltará a ser erótica e o erótico, espiritual, onde o sexo poderá ser um sacramento e nossos corpos, santuários, onde saberemos, através da vida diária e não apenas em momentos de iluminação espiritual, que é através do amor que nos expandimos para abraçar os outros ao mesmo tempo que nos envolvemos neles e na unidade a que os místicos e amantes se referem como uma experiência de paixão intensa e perfeita paz. O caminho para este mundo é o caminho que muitas mulheres e homens escolheram seguir: o caminho da cura espiritual, sexual e social. Embora a maioria de nós talvez nunca veja este mundo, sua promessa nos estimula a prosseguir a jornada, enquanto continuamos a criar e viver a história humana.

Riane Eisler, O Prazer Sagrado, Editora Rocco, pg. 476-511. Citado livremente.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A Deusa Serpente e o Deus Touro

A serpente deixou sua impressão impregnada de religiosidade em toda a área mediterrânea, desde o Atlântico até o Indo e inclusive se prolonga por muitas outras áreas, por todas onde seu vigor, ainda se conserva, a cultura caracterizada pela adoração da Deusa Mãe e pela vida sedentária, agrícola e às vezes matriarcal de seus adoradores.
O touro e suas representações aparecem desde a pré-história como um símbolo no qual se reúne crenças religiosas com realidades cratofânicas, ou seja, manifestaçõe/revelações de poder e força do divino.
Da serpente divinizada provém a atribuição de sua tripla faculdade: origem da vida, sustento das almas depois da morte e previsão do futuro.
Pode-se dizer que a consideração do touro como símbolo, epifania ou manifestação de algo sagrado ou divino aparece no Crescente Fértil (Anatólia, litoral sírio-palestino, Mesopotâmia, Egiyo e mundo egeu) coincidindo com a irradiação do Neolítico e os testemunhos de agrarização a partir de 9 mil AC. Isto tem dado base para pensar que certos cultos ao youro se configuram a partir do Neolítico junto com práticas ritualísticas ou religiosas relacionadas com mitos referentes à potência tribal, à dos Deuses, à da fecundidade ou fertilidade e a poderes superiores que se manifestam no firmamento, na natureza e no mundo subterrâneo ou telúrico.
Toda uma série de representações que vão desde os tempos mais remotos até os mistérios helênicos, testemunham o ascendente cultural da Mãe Tellus e se extasiam diante de do atributo de seus seios fecundos ou diante da portadora desta virtude, a serpente.
Cultos relacionados com o touro, que em princípio repousam em um cerimonial propiciatório da fecundidade terrestre e humana, se acham nas altas culturas mesopotâmicas.
O substrato do ritual de uma cerimônia frequente na Antiguidade coincide: uma sacerdotisa ou uma jovem entra desnuda na caverna ou bosque, morada da serpente, levando-lhe uma oferenda. Se a serpente aceita e come, as espigas se inclinarão pelo peso dos grãos, as uvas amadurecerão, em uma palavra, o ano será fértil. O feito de apresentar-se desnuda confirma a eficácia fecundante do rito em terreno agrário e humano, admitida na Grécia, Roma, Babilônia, etc.
A linguística aplicada tem comprovado que gu(d) em sumério, nome de um bovino, significa "touro", "forte" e "valoroso" por extensão. Encontramos na Suméria a expressão consagrada "ama-an-ki" (touro selvagem do céu e da terra), na qual "ama" significa "touro selvagem" e "senhor". Daqui se tem que o touro seja o emblema da força soberana, que desde antigamente se considera assistida por poderes sobrenaturais.
Citado, traduzido e editado livremente dos textos do Canal Social, sobre a Deusa Serpente e o Deus Touro.