sexta-feira, 6 de agosto de 2010

O mito da fidelidade da mulher

Mulheres traem pelo mesmo motivo que homens: por desejo, por vontade. A diferença é que elas costumam culpar o marido ou o namorado. “Ele não me dava mais atenção”, dizem. “Não era mais romântico, não me elogiava, nem sexo queria.” O livro mais recente da antropóloga Mirian Goldenberg desfaz o mito de que o homem trai por sexo e a mulher trai por amor ou desamor. Se assim fosse, o homem seria sempre culpado: quando trai e quando é traído. Não é justo com eles.
Homens e mulheres gostam de acreditar que o marido é safado por natureza, e a mulher casada é santa por dedicação. Esses rótulos podem parecer convenientes, mas contaminam as relações amorosas. Trabalhando há 22 anos com dilemas de casais, Mirian diz, em seu livro Por que homens e mulheres traem?, que a maior diferença entre eles e elas não é o comportamento, mas o discurso.
“Em vez de assumirem o desejo, as mulheres preferem se fazer de vítimas. Sentimentalizam o caso extraconjugal e botam a culpa no marido. Os homens assumem ter sido infiéis porque quiseram. Raramente culpam a própria mulher.” Cada vez mais, porém, a infidelidade feminina segue os mesmos padrões da infidelidade masculina. No livro da antropóloga, “Mônica” é uma mulher dos novos tempos. “Ela está muito bem em seu casamento e ama o marido. Mas surge um desejo sexual louco e novo em sua vida e ela se joga nele. Rompe a calmaria porque decide viver seu próprio prazer.”
O desejo de se sentir desejada conduz a pequenas e grandes infidelidades femininas. As mulheres escutaram, quando crianças, que seu maior objetivo na vida seria casar e ter filhos. No futuro, elas teriam um único homem para chamar de seu. E seriam únicas para um homem só. A idealização da monogamia romântica não mudou muito, mas a realidade a longo prazo é bem outra.
Mulheres são um pouco Leila Diniz no exercício da sedução, mas não necessariamente na transgressão. As obrigações sociais jogam sua libido num lugar invisível e inatingível. Várias sublimam o prazer ao assumir o papel de mãe. Isso não significa que abram mão de suas fantasias. Conheci mulheres absolutamente certinhas, monogâmicas, que casaram virgens e têm sonhos delirantemente libertários.
Algumas não se contentam em fantasiar. Catherine Deneuve, em A bela da tarde, de Buñuel, é uma das personagens mais enigmáticas do cinema. Bem casada, rica, belíssima, ela se entrega a desconhecidos após o almoço como prostituta de luxo. É um exemplo extremo de desvio. Mas, se a infidelidade feminina fosse apenas um fetiche, Nélson Rodrigues não teria tocado com tanta propriedade a alma da classe média brasileira. Novelas como a atual Passione soariam falsas. Ali, as protagonistas traem compulsivamente, das cinquentonas às ninfetas. Traem por desejo, por sexo, por diversão.
O psicanalista Contardo Calligaris acha que as mulheres são tão infiéis quanto os homens. Não vê nisso um problema. “As mulheres só são campeãs na fidelidade companheira e solidária. Em hospitais ou presídios, os visitantes são mulheres. Mas, sexualmente, não vejo diferença. Caso contrário, existiria um problema lógico. Se os homens heterossexuais são infiéis, quem são suas amantes – todas solteiras e livres ou também casadas e namorando outros?”
Contardo acha a palavra infidelidade muito pesada para a traição puramente sexual: “Jamais deixaria minha mulher se ela me contasse algo parecido. Mas sou fiel. Acho um saco trair. Ter outra relação dá um trabalho horroroso”.
Nos tribunais do Rio de Janeiro, recentemente, o juiz Paulo Mello Feijó ignorou o pedido de indenização por danos morais de um marido traído. Para o juiz, marido traído é marido relapso. “Homens de meia-idade, já não tão viris, descarregam suas frustrações nas mulheres, chamando-as de gordas e deixando-lhes toda a culpa por seu pobre desempenho. E elas buscam o prazer em outros olhos, outros braços, outros beijos (...) e traem de coração.”
A ideia de que a mulher só trai por razões sublimes, “de coração”, não corresponde à realidade. Se ela for infiel, será por desejo e por vontade própria.
Autora: RUTH DE AQUINO - Revista Época
Divulgado pela Universidade Livre Feminista
Nota da casa: Eu creio que todos são livres para amar e se relacionar com quem quiser, com quantos quiser, da forma que quiser. Pena que na prática as mulheres que eu conheço e demonstro carinho, atenção e amor preferem acreditar no mito romântico da monogamia e se privam de amar e serem amadas. Infelizmente ainda há muito medo de amar, de demonstrar sentimentos. Infelizmente a pressão dos tabus e proibições sociais impede que tenhamos uma vida erótico-afetiva sadia e satisfatória.

8 comentários:

Sírinx disse...

Mito romântico da monogamia? HAHAHA
Acho que o único mito aqui é esse mito do feminismo barato e ultrapassado que já está caindo por terra em nossa sociedade atual.
A destruição da instituição familiar fomentada pela marginalização da figura paterna serve aos interesses dos governos uma vez que, com a figura paterna removida, o governo pode justificar o aumento de impostos como forma de "tomar conta" das mães solteiras.
O Feminismo por si é uma ideologia barata como fim de fragmentar a sociedade, assim como a ideologia homossexual que vem crescendo nos últimos anos cada vez mais.
Milhares de mulheres em seus 30 e 40 anos amargadas e frustradas em suas vidas amorosas são a prova desse fracasso.. Mas afinal, ninguém entende o que está errado, não é mesmo? Ainda defendem ideais libertários e útopicos, Igualitarismos e outras farsas da modernidade que nada tem a ver com a realidade em si, com o que ela mostra.

roberto quintas disse...

O comentário da Sirinx é o discurso padrão típico do/a alienado/a. Nasceu e viveu há tanto tempo em uma jaula que não é capaz de conceber que existe algo além dos limites da "realidade" que lhe inculcaram. O comentário é tão absurdo e incoerente que torna espantoso e incrivel que venha de uma mulher e pagã [suponho que o seja pela tônica do blog dela].
A "intituição familiar" era antigamente liderada pela mulher.
A homossexualidade naõ apenas existia mas tinha até uma função social, na antiga sociedade grega.
Essa conversa de que interessa ao governo a margunalização da figura paterna cheira a teoria de conspiração. Eu desconfio de qualquer teoria de conspiração.
O Feminismo, como todo movimento humano, está sujeito à falhas e erros, mas não tira seus méritos.
A questão homossexual está se tornando mais evidente em nossos dias porque existem condições sociais, políticas e culturais para se discutir, evitar é obscurantismo.
"Milhares de mulheres" são amarguradas e frustradas porque ainda estão tentando se adequar ao sistema, à identidade e papel sexual que uma elite dominante [secular e sacerdotal] lhes impinge. Alternativas existem, mas primeiro as mulheres tem que romper com esses padrões machistas/patriarcais dominantes.
Eu entendo muito bem o que está errado. Errado é confundir igualdade legal com igualdade factual. Errado é achar que todos os males advém da "modernidade". Errado é se apegar a um castelo de cartas chamado de "realidade" e reagir de forma irracional ao que ameace esta visão limitada de mundo. Errado é ver uma mulher pagã aceitar o cabresto do sistema e servir de porta voz dos ideais dessa elite.

Sírinx disse...

Citação sua:"Nasceu e viveu há tanto tempo em uma jaula que não é capaz de conceber que existe algo além dos limites da "realidade" que lhe inculcaram. O comentário é tão absurdo e incoerente que torna espantoso e incrível que venha de uma mulher e pagã" > Com o que citei anteriormente sua afirmação já foi praticamente refutada o resto é observação pessoal e embasamento algum. Provavelmente confundiu meu posicionamento com moralismos do judaico-cristianismo.
(Continua)

Então sobre o Feminismo.Você sim realmente sustenta uma visão completamente contraditória no seu posicionamento à respeito da mulher.Tem uma visão liberal, típica do marxismo cultural que assola nossa sociedade, afirmando idéias distorcidas como o "amor livre" que nada mais é que uma concepção profundamente materialista que não tem nada de verdadeiramente espiritual(para um pagão).Isso também apresenta respaldo no primeiro argumento colocado aqui(o artigo e seu trecho).
Vivemos na era pós-moderna,era do Kaly Yuga onde tudo cai no vazio, pessoas usam-se como objetos e caracterizam isso como relacionamento.Pensam no ter acima de todas as coisas e afogam-se no consumismo desenfreado, nos luxos e excessos mundanos. Não vivemos em uma era de opressão, onde está a opressão? Na era do pós-feminismo mulheres fazem o que querem de suas vidas.É uma questão de escolha simplesmente. Sociedade machista e patriarcal? Desculpe, mas está vivendo em que época? As mulheres nunca foram realmente privadas de seus "direitos".Há relatos de historiadores sobre mulheres que trabalhavam(fora de casa)no século XIX quando seus maridos não tinham condições de sustentar a família por si só. Nas famílias mais abastadas as mulheres não necessitavam trabalhar,ficavam em casa e tinham empregadas para cuidar dos afazeres domésticos. Não afirmo que todas conquistas foram negativas para nós mulheres, mas sim que muito do que envolve o movimento Feminista não passa de mito e seu resultado final é o feminino negativo. Mas se você refletir sobre as mulheres que principalmente se encontram por trás do movimento verá que muitas delas realmente abominam o sexo masculino, ou seja.. Sugiro que leia o artigo: http://legio-victrix.blogspot.com.br/2011/03/o-mito-do-feminismo.html
E o polêmico estudo de Simon Sheppard: http://legio-victrix.blogspot.com.br/2011/07/como-o-feminismo-levou-duas-guerras.html
(Continua)

Sírinx disse...

Acredito que não deve conhecer muito sobre neurociência. Pois existem também estudos que comprovam como o cérebro feminino e masculino são diferentes.No mundo criado como homens e mulheres atuam. Porque o homem pensa instintivamente e a mulher maternalmente.Acredito que tenha capacidade cognitiva de analisar racionalmente estudos acadêmicos, científicos e biológicos do corpo humano em pelo menos milhões de anos e existência desde o Neanderthal. Mulheres e homens não são iguais. A mulher não é nem pior ou melhor que o homem quando assume seu papel determinado pela natureza ao longo de milhões de anos, assim como ele também o faz.
Trabalhamos com FATOS quando falamos sobre antropologia e estes falam por si. De forma que uma pesquisa que apresente que uma maioria de homens não querem ter namoradas e esposas promíscuas é uma prova fatual que está nas pesquisas. Muitos homens não querem assumir relacionamentos sérios pois existem milhares de "mulheres livres" que possam suprir suas necessidades sem comprometimento. É fato e até senso comum.

Creio que tampouco deva ter contato com materiais de conteúdo esotérico e ocultos que tratam de concepções pagãs, uma vez que seu ponto de vista apresenta uma clara amputação espiritual.Para refrescar sua memória: http://distributistreview.com/mag/2011/09/distributism-and-marxism/

Em seu discurso fala em "cabresto do sistema" quando em verdade demonstra crer nas próprias distorções dessa elite à qual condena e trata o que difere do propagado pela "história-oficial" meios de comunicação e afins como simplesmente "Teoria da conspiração". E de fato sou bem mais jovem que você, estive submetida à essas informações em um período de tempo muito mais curto, de modo que seu efeito não foram o bastante para neutralizar meu ponto de vista no que se refere à "realidade", muito menos no que se refere à busca de respostas para esta "realidade".
Uma vez refutado o argumento essencial e central que sustenta suas afirmações, não há mais o que discutir.

roberto quintas disse...

Acredito que você não conheça a diferença entre igualdade legal e igualdade factual.
Acredto que você está consumindo algo que supostamente leva o rótulo de esoterismo pagão, mas o que consome é produto desse mesmo "modernismo" que condena.
Eu indiquei em seu discurso o que é uma pobre e remendada teoria de conspiração. Para seu secto é importante e crucial que creia nisso sem questionamento, o que reafirma sua condição de alienada.

roberto quintas disse...

Refutada em seus delírios, Sirinx.
E caso você não tenha se lido ou considerado suas p´roprias afirmações, elas são, em suma, posições judaico-cristãs.
A sua posição sobre a muulher e seu papel na sociedade reflete uma teoria moderna ridícula e absurda baseada no Nacional-Socialismo, uma ideologia moderna, que nada tem a ver com Paganismo. Se voc~e tivesse um pouco de conhecimento histórico e antropológico, veria que essa posição e papel da mulher surgiu na Idade Média, tal como foi definido pelo Catolicismo.
Leia a história, cara Sirinx, até meados do séuclo passado, mulheres não votavam, não tinham direitos e ainda continuam sendo consideradas mero objeto sexual.
Eu li os links e não passam de babação de ovo Nazista.

roberto quintas disse...

Nenhuma de suas fontes contém embasam,ento histórico ou antropológico, não passam de delírio místico. Quando tiver argumentos melhores, quando tiver a ousadia de questionar Julius Evola e pensar por conta própria, não de acordo com o lider de seu secto, seus comentários voltarão a aparecer neste blog.

Raquel Duartt disse...

Difícil acreditar que li os comentários patético desse "Sirinx"