terça-feira, 25 de novembro de 2008

Bruxaria e linguagem

Considerar a Bruxaria como uma linguagem nos leva a algumas considerações bastante provocantes.
Ao entender Bruxaria como linguagem, nós podemos considerá-la como a identidade de um povo. Enquanto linguagem, a Bruxaria possui então um conjunto coerente de signos e símbolos, que são combinados para formar um sistema de significados e significantes, que são ordenados segundo uma estrutura de ortografia e gramática, que devem ser aprendidos e preservados para manterem suas características intrínsecas. Enquanto linguagem, a Bruxaria se define, define o mundo e define a relação entre ela e esse mundo.
As fontes que existem para se ter uma vaga noção de como é esta linguagem vem do folclore (o que inclui o que é pejorativamente chamado de crendice e superstição), de textos ocultistas (o que inclui os grimoires), de textos eclesiásticos (o que inclui as versões protestantes), de textos legais (o que inclui os processos) e de textos acadêmicos.
Signos e símbolos
Existem diversos ideogramas pictóricos – sejam enquanto códigos de alfabetos, como o thebano, seja enquanto desenhos, como o pantáculo – cujo uso constitui, configura e empresta um caráter sobrenatural aos mesmos.
Existem também certos sinais comportamentais – seja enquanto uma marca, como o estigma, seja enquanto vestuário, como o chapéu – cuja presença evidencia, caracteriza e destaca um indivíduo como pertencente a este povo.
Significado e significante
Idéias aparentemente simples ganham outros contornos e desafiam os limites e fronteiras daquilo que supostamente deveriam significar. A natureza deixa de constituir somente a fauna e a flora para incluir o reino mineral. Suas fronteiras são estendidas abarcando com isto os planetas, revogando os limites entre o que é considerado “preternatural”, “natural” e “sobrenatural” para incluir um reino astral e os diversos espíritos e entidades que fazem parte deste mundo, desta natureza, desta realidade.
Um signo ou símbolo deixa de ser um mero pictograma funcional representativo para se tornar efetivamente aquele objeto tornando evidente que, através do uso correto de uma seqüência de signos e símbolos, seja em um texto, seja em um cântico, seja em um desenho, se pode apossar, conter, direcionar, impelir esses objetos e energias presentes e em ação na natureza para justificar, construir, executar e provocar os próprios fenômenos da Bruxaria.
Ortografia e gramática
As relações estruturais nas quais significado e significante são auto-explicativos e auto-referentes são as que definem a Bruxaria como uma linguagem inteligível, não apenas no âmbito de quem a pratica, mas igualmente aos seus destinatários co-participantes deste contexto, uma vez que todos fazem parte do conjunto compreendido por natureza, mundo, realidade.
Nestas condições, a escolha do tipo de feitiço nunca é aleatório, os elementos contidos na receita atendem a estas regras bem específicas. O conjunto de signos e símbolos, dentro destas regras, seguem um padrão rigoroso para sustentar e capacitar o significante e o significado das capacidades que se estimam deles a fim de produzir o fenômeno esperado da Bruxaria.

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