quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Feliz Dia do Ekenko

No dia 24 de Janeiro as cores e cheiros bolivianos tomam conta da Praça Kantuta - este ano a festa promovida pela Associação Gastrônomica Cultural Folclórica Boliviana Padre Bento, será realizada nas instalações do Clube de Regatas Tietê, na Av. Santos Dumont, 843 Bairro: Ponte Pequena (Próximo ao metrô Armênia). A festividade também será realizada na Rua Coimbra, pontos de concetração da comunidade boliviana em São Paulo. Veja a programação.
A comemoração é especial: uma homenagem ao dia do Ekeko, o Deus da abundância. Reunidos, bolivianos, peruanos, equatorianos, argentinos e claro os paulistanos. Nas barracas, pequenos artesanatos chamados Alasitas simbolizam os sonhos que os fiéis querem ver realizados no ano que está começando. Há malas, ônibus e carros que representam o desejo de viajar ou voltar à terra natal; saquinhos de arroz e mesas de jantar que remetem à fartura dentro de casa; galinhas que prometem dar um jeito na vida amorosa; maços de dólares, euros, e outras moedas para trazer abonança. Depois de comprada a Alasita, é preciso levá-la para o Yatiri, um homem vestido roupas coloridas (poncho de aguayo) gorro de lã de Vicunha (chullo) vai abençoá-la. Só ele pode fazer isso: rega o objeto com álcool, vinho, passa pela fumaça da fogueira, (saumerio) enquanto pede, em aymara (idioma indígena da Bolívia), para o Ekeko realizar o desejo do fiel. Ao final, resta apreciar as apresentações de danças típicas, comer uma empanada, ou salteña, comprar um chá de coca ou uma colorida malha típica e ir para casa, com a enorme esperança de que a vida ainda vai melhorar.
O Ekeko, é um deus da abundância, fertilidade e alegria de origem aymara ou colla, que ainda recebe verdadeiro culto no altiplano andino, sobretudo no solsticio de verão, quando se celebra a feira da Alasita.
É um ídolo que se crê provê de abundância ao lar onde se lhe tributava oferendas de álcool e cigarros.
Toma a forma de uma pessoa sonridente, ligeiramente obesa, vestida com roupas típicas do altiplano e carregando grande quantidade de bultos de alimentos e outros objetos de primeira necessidade que penduram de suas roupas.
Actualmente a estatueta que o representa tem um orifício apropriado em sua boca para poder lhe introduzir cigarros acendidos, que a estátua ``fumaria``.
Originalmente o nome proviria do quechua iqaqu (quechua: ekjakjo ).

História
O Ekeko é uma divinidade venerada desde séculos antes da conquista do território pelos espanhóis. Seus seguidores achavam que afugentava a desgraça dos lares e atraía a fortuna.
Pensa-se que se originou entre os habitantes da cultura Tiwanaku. Depois da conquista pelos aymaras e depois pelos Incas, adotaram a divinidade, e converteram-na em símbolo da fertilidade e a boa sorte.
Em 1612 , o jesuita Ludovico Bertonio, publicou o "Vocabulario da Língua Aymara" onde menciona a esta dividade andina.
Ecaco, I. Thunnupa. Nome de um de quem os índios antigos contam muitas fábulas e muitos ainda nestes tempos as têm por verdadeiras.
O arqueólogo paceño Carlos Ponce Sanginés opinava que as antiguísimas figuras antropomorfas (com importuna prominente e adendo fálico) seriam da época do Império inca, e antecessoras do equeco da época da colônia.
Manuel Rigoberto Paredes escreveu que estas miniaturas de estatuetas fálicas seriam remanentes de remotas festas sagradas do solsticio de verão.
No ínicio, o Ekeko era de pedra, importunado, tinha rasgos indígenas e não levava nenhum tipo de vestimenta: sua nudez era o símbolo da fertilidade.
Na colónia o culto à divindade tomou nova força em La Paz (atual sede de governo da Bolívia ) durante o cerco que esta cidade suportou durante o levantamento indígena de Túpac Katari contra o controle espanhol.
A Igreja Católica tentou erradicar seu culto em tempos da colônia, sem maior sucesso, ainda que a imagem chegou a sofrer certas mudanças: foi vestida e seus rasgos alteraram para os de um mestiço.
Hoje em dia, existe na serra sul do Peru como no ocidente de Bolívia a crença de que o Ekeko é capaz de conceder os desejos de seus seguidores se estes lhe oferecem uma cópia dele em miniatura, e muitos têm em casa uma imagem para que lhes resolva os problemas, deixando dinheiro a seu lado e mantendo um cigarro acendido em sua boca, que se se consome até a metade é sinal de mau agouro . As figuras que lhe oferecem são de cerâmica, metal ou pedra e reproduções exatas o objeto de suas petições: automóveis, electrodomésticos e alimentos. Quando se deseja amor, se lhe entregam miniaturas de galos e galinhas. A divindade é conhecida nos diferentes lugares do mundo onde colónias de emigrantes bolivianos têm estendido seu culto.
A figura do Ekeko tomou grande popularidade na província de Buenos Aires (Argentina) durante o período hiperinflacionário dos anos 80. Ali seus adeptos tomam-no como uma espécie de "patrão da fortuna".
Fonte: Bolivia Cultural [link morto]

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

A luta entre Osiris e Set

Assim como os mitos dos antigos Gregos e Romanos foram-nos contatos muito tardiamente, quando os homens insensatos queriam tomar o trono dos Deuses e ainda vivem nessa perigosa ilusão androcêntrica, os mitos dos Egípcios antigos também nos chegam tardiamente e de segunda mão.
Um dos principais mitos dos antigos egípcios fala da luta entre Osiris e Set.

Osíris era um deus da mitologia egípcia, associado à vegetação e a vida no Além.
Osíris, é sem dúvida o deus mais conhecido do Antigo Egito, devido ao grande número de templos que lhe foram dedicados por todo o país; porém, os seus começos foram os de qualquer divindade local, e é também um deus que julgava a alma dos egípcios se eles iam para o paraíso. Para os seus primeiros adoradores, Osíris era apenas a encarnação das forças da terra e das plantas. À medida que o seu culto se foi difundindo por todo o espaço do Egito, Osíris enriqueceu-se com os atributos das divindades que suplantava, até que, por fim substituiu a religião solar.[wikipedia]

Seth é o deus egípcio da violência e da desordem, da traição, do ciúme, da inveja, do deserto, da guerra, dos animais e serpentes. Seth era encarnação do espírito do mal e irmão de Osíris, o deus que trouxe a civilização para o Egito. Seth era também o deus da tempestade no Alto Egito. Era marido e irmão de Néftis. É descrito que Seth teria rasgado o ventre de sua mãe Nut com as próprias garras para nascer. Ele originalmente auxiliava Rá em sua eterna luta contra a serpente Apep na barca lunar, e nesse sentido Seth era originalmente visto como um deus bom.[wikipedia]

Na antiga cultura egípcia Set passou por períodos de imensa popularidade alternados por períodos de total rejeição. Set, nos períodos pré-dinásticos e arcaicos, era uma divindade essencialmente positiva, visto como uma extensão da existência. Ele era dessa forma deus da expansão dos limites/fronteiras e das mudanças radicais do ser - particularmente nascimento, circuncisão, iniciação, morte na batalha e renascimento através da cerimônia Abertura da Boca.
Popular entre os orientais - seu primeiro local de culto sendo o Pelusium no delta oriental do Nilo - o culto de Set rapidamente se espalhou para áreas vizinhas, onde ele foi identificado com deuses locais de Iniciação. Dois exemplos de tais locais de culto são Kharga no sul e o povoamento líbio de Ombos, onde Set foi identificado com o deus local Ash na II dinastia.
A adoração original de Set como uma divindade circumpolar/estrelar sofreu um declínio com o surgimento da adoração solar na IV dinastia.[Xeper][link morto]

Osiris, como toda divindadeda vegetação, tem que morrer para então renascer e trazer consigo a primavera, a fertilidade dos campos e dos rebanhos dependem disso. Coube a Set essa tarefa, a Isis de recolher seus pedaços [o caminho iniático imita essa busca] e a Horus vingar seu pai. Set, como toda divindade conturbada, foi relegado ao papel do traiçoeiro, do invejoso, do maligno. Esta história, nós, pagãos, bruxos e wiccanos conhecemos bem. Deuses antigos sendo demonificados e seus cultos sendo proibidos.

A luta entre Osiris e Set parece-se com a luta do Rei Carvalho e do Rei Azevinho. Ambos lutam não por inveja, mas pela Deusa. Set não invejava Osiris nem queria seu poder. Ele queria Isis, apesar de Neftis, porque ela era a primogênita de Nut, a Grande Deusa e, portanto, a primeira na linha sucessória. Ser o Consorte da Deusa foi quem tornou Osiris abençoado com terras férteis e Set tendo que viver no deserto.
Set apenas lutou pelo seu direito legal e real de ser o consorte de Isis. Afinal, Set lutou ao lado de Ra contra Apep. Apep era um Deus ou uma Deusa Serpente que, como todas as divindades ctônicas, estão ligados ao submundo, ao estado primordial e ao Caos. Nessa luta, Set precedeu a outros Deuses ordenadores, como Marduk e Zeus, mas sua sorte foi diferente. Ele não conquistou os favores de Isis, ou levou mais do que um ferimento dessa batalha. Ele não venceu a sua própria escuridão.

Nós travamos a mesma luta que teve entre Osiris e Set. Alguns se enganam, achando que podem subliminar seu lado escuro, vivendo dentro de preceitos religiosos que nos instam a ter certos comportamento e rejeitam outros, mas isso frequentemente resulta em neurose, fanatismo e fundamentalismo. Santidade nunca combinou com sanidade. Outros se iludem, achando que podem alcançar a iluminação dando vazão ao seu lado escuro, mas isso frequentemente resulta em psicopatia, megalomania e auto-destruição. Perversidade nunca combinou com veracidade.
O Caminho do Sábio, enveredando pelos Bosques Sagrados, vive entre a luz e a sombra. Não desperdiça sua vida em uma santidade inócua e hipócrita. Não empobrece sua vida com uma indulgência pueril e estúpida. Nós não rejeitamos nem elogiamos a sombra. Nós a reconhecemos como parte de nós mesmos, de nossa natureza, nos abraçamos e nos reunimos em nosso verdadeiro Ser.

domingo, 23 de janeiro de 2011

No centro da Arte Tradicional

Bruxaria Tradicional é um termo sujeito a uma série de equívocos que, na verdade, advêm do próprio termo. A idéia completa é que a bruxaria seja uma categoria extremamente ampla que passa através de toda a história e geografia, e conta toda uma série de concubinas, prisioneiros, astrólogos, mulheres bonitas, gente miserável, criminosos, hereges e assim por diante. É um termo pejorativo que denota aquele que desafia a ordem social cívica e seus limites. Isso significa que toda a idéia da 'bruxa' seja um termo desenvolvido pela ordem social profana, e como tal, é natural que a idéia da Arte das bruxas convide igualmente aqueles que desejam restaurar a intenção no coração da matéria, tanto as almas perdidas que vivem na alienação da Arte, e aqueles que procuram impor seu evangelho sobre a Arte das bruxas. Dada a diversidade que a própria palavra tem sido sujeita, é natural e verdadeiro que a Arte também fique sujeita a diversidade de fé e rito - mas isso nunca muda a doutrina em sua raiz.
A Arte das bruxas é tradicional - e mesmo se a idéia do que é tradicional, hoje, seja geralmente limitada a uma idéia bastante horizontal, profana e cívica de transmissão de algum tipo de conhecimento, a questão é outra. Uma Arte tradicional deve ser tradicional no verdadeiro sentido da palavra: deve revelar uma fundação em uma visão tradicional do mundo, que reconhece a importância do espírito de tal forma que teremos a encruzilhada ali, girando através dos mundos, convergindo como duas serpentes - uma em tempo telúrico e a outra através de anjos, elementais e espíritos, com uma sede pela manifestação repetida. A Arte tradicional é sempre orientada a partir de uma compreensão profunda, e da aceitação de como o ponto e o círculo são mediados por um milhão de tons, como o arco-íris e as escalas de cinza ...
Esta origem complexa também resulta em acusações de elitismo, direcionadas aos poucos grupos tradicionais da Arte que escolheram mostrar uma face pública por algum tempo. Esse elitismo é muitas vezes entendido em premissas modernas, que define uma "elite " como algo superior, enquanto se refere simplesmente sobre eleitos pelo sangue e ancestralidade. Isso não quer impor uma polaridade de superioridade e inferioridade a qualquer um, mas de parentesco ou não-parentesco. O fato de que você nunca possa pedir para ser introduzido em um clã fechado - e ter que ser convidado pelo reconhecimento de consanguinidade - provoca a alguns devido a um sentimento infeliz de inferioridade. A partir deste complexo de inferioridade e desejo velado na alienação, vemos criaturas rastejando para fora de seus buracos, pregando alguns evangelhos estranhos. Eles querem formar federações e querem reunir seguidores - tudo em nome de inferioridade e injustiça - ainda que o evangelho soe diferentes nas palavras que abrangem os complexos que estão exercendo.
A Arte propriamente pode assumir muitas formas, de caminhos solitários a adoção de uma forma de guilda ou ordem como aprendiz, caminhante e mestre, assim como um membro de um clã. No coração da Arte, encontramos ainda o mistério que liga tudo isso – relaciona-se à terra feita fértil pelas estrelas, anjos e todas as suas implicações. É neste mistério, simples e grandioso, que se estende ao centro da terra, da mesma forma que ao ponto imóvel nos céus, que encontramos a Arte - e aqui se encontra a explicação da diversidade. Terra e a esfera se comportam de maneiras diferentes, de região para região, como fizeram ao longo do tempo. Nisto encontramos a fluidez da Arte, como o Único Mistério possui mil caminhos. A Arte segue as leis silenciosas da Natureza - não da sociedade ou a ordem cívica. Ela fala da grandeza da Terra e dos muitos sábios que deram o seu sangue, ossos e carne à terra. A Arte fala na voz de terra, dos lugares selvagens, dos anjos e ancestrais - e como esta lingua ser "humana"? Esta é uma linguagem que fala com sua alma e agita seu coração!
Acredito que muitos dos delírios modernos sobre a Arte decorram de nossa ordem cívica que insiste em valores artificiais e mundanos. Os que buscam, perdidos neste assalto à natureza se sentirão ainda mais perdidos, e suas alienações serão dolorosamente evidentes à medida que tentam chamar os espíritos de uma terra agora coberta de concreto, asfalto e vidro. Um jardim dá consolo nessa alienação - e se você cuidar bem do jardim e dos espíritos, eles irão falar com você – mas na falta de até mesmo esse pequeno pedaço de terra abençoada, a pessoa estará perdendo uma parte importante da Arte propriamente.
Tenho afirmado através meu livro Artes da Noite (Editora Rosa Vermelha), que a bruxa é uma imagem poética de um legado que pertence a todos nós - e acredito que isso seja muito verdadeiro. Porém, este legado fala através da terra e do espírito, assim como era e é agora. Precisamos buscar esse legado nas nascentes e bosques, nas cavernas e lugares selvagens. É aqui, nos domínios da Natureza selvagem que esse legado é encontrado - não em federações, ou nas nefastas condenações e exaltações, ou em brigas sobre crenças. A Arte fala sobre a voz pura da natureza, assim como ela fala do sangue e o estimula a ser sábio para encontrar a sua paz.
Tradução do original publicado em Speculum Celestae, de Nicholaj de Mattos Frisvold
Fonte: Speculum Celestae [tradução divulgada no blog Diablerie, entrada do dia 18/01/2011]

sábado, 22 de janeiro de 2011

Dia Nacional dos Voduns

O Dia Nacional dos Voduns no Benin/África é comemorado em 10 de janeiro. Durante todo o dia em várias regiões do Benin, o povo entusiasmado se aglomeram nas portas dos templos executando rítmos, cânticos e danças em louvor aos Voduns. Todas as ruas e vilas são decoradas com motivos que lembram os ancestrais e os Voduns.
As mulheres fazem as melhores iguarias e os homens preparam o vinho de palma, que serão degustados no decorrer das festividades. As mulheres usam suas melhores roupas nativas e se enfeitam para agradar os deuses, os homens tocam os mais variados instrumentos musicais emitindo ritmos divinos e cantigas regionais que falam da tradição dos Voduns. Nas primeiras horas da madrugada os sacerdotes e sacerdotisas saúdam e homenageiam Legba, Sagbeto e os Ancestrais, acompanhados pelo povo.
No amanhecer oferecem sacrifícios e presentes aos Voduns. Começa a festa. Em Ouidah os adeptos de Mami Wata (mães das águas) improvisam altares nas areias das praias, rios e córregos onde são oferecidos balaios enfeitados com fitas, flores e presentes para os Voduns das águas. Diante desses altares, o povo canta e dança louvando os deuses.
O ponto culminante dessa comemoração é a hora em que esses presentes são colocados em pequenas embarcações e levados para alto mar onde serão oferecidos aos deuses; o povo acompanha todo esse movimento com gritos frenéticos e louvores. Essa data foi estabelecida após ser proclamada a independência do Benin. O governo constituído por beninenses elegeu Sossa Guedehouhoungue como Presidente Nacional do Culto aos Voduns, oficializando assim a religião.
Os principais templos aguardam a chegada de Sossa para dar início os rituais culminantes de comemoraçao ao Dia Nacional dos Voduns. Sossa se apresenta em praças públicas, onde os adoradores de Vodum o aguardam para saudá-lo por sua luta em prol da religião. Sossa Guedehouhoungue faleceu em 27/01/2001 e foi sepultado em 25/02/2001 na cidade de Dotou.
Sua urna mortuária viajou por quase toda a África, onde o grande líder recebeu rituais fúnebres como a ultima homenagem de um povo que tanto lutou para que seus direitos religiosos fossem respeitados. O dia 10 de janeiro é o marco de uma grande vitória religiosa e Sossa sempre será lembrado como o grande Sacerdote de Vodum. Comemorar e honrar os antepassados e Voduns, é uma prática natural para o povo Fon.
Fonte: Okitalande [link indisponível]
Nota da casa: Aos irmãos Caribenhos, de sangue nativo, africano, espanhol e francês, Feliz Dia do Vodun!

As crenças e práticas das bruxas

Delas era uma religião de experiência: elas eram práticas em tudo que faziam, não confiando em livros. Sentimentos e emoções eram parte importante de suas experiências de vida em geral e realizavam seus rituais em particular. [pg. 278] As bruxas eram modestas no que elas admitiam quando elas não sabiam certas coisas, inicialmente sobre a história de sua tradição [...] [pg. 283]
De acordo com o dicionário, um rito é o evento aonde o ritual relaciona-se com as coisas que são feitas nele. Hoje em dia é mais comum falar de um ritual como a coisa toda [...]
Havia ações simbólicas e práticas – coisas que eram feitas porque elas foram sempre feitas e estava certo ou porque precisavam para alguma razão especial.
Ainda que os velhos ritos fossem ocasiões alegres e mudavam a cada tempo, eles tinham uma estrutura de abertura e de fechamento – invocando e agradecendo aos Deuses. Dentro desta estrutura, no coração do rito, havia espaço para palavras e ações espontâneas. [pg. 286]
As bruxas faziam magia e eu acho que tem duas razões para a reticência delas. Primeiro, sua moral era para curar, não para prejudicar e elas não queriam que suas técnicas caíssem em mãos erradas. A segunda é que algumas das técnicas para aumentar o poder envolviam algo considerado depravado. Elas usavam o sexo.
O uso do sexo pelas bruxas como uma forma de aumentar o poder era natural e franco sem qualquer das inibições como as que a sociedade tem com o que é um processo natural. [pg. 287]
O círculo das bruxas tinha duas funções principais, uma prática outra espiritual.
Sua função prática era manter o poder que é gerado dentro de uma pequena área para que pudesse ser direcionado no que as bruxas chamavam de Cone de Poder [...]
As bruxas disseram que trabalhavam, nuas porque era a única forma de obter poder.
Habilidade psíquica e habilidade de fazer magia são lados da mesma moeda e as bruxas são proficientes nos dois. Mas eram técnicas que precisavam ser exercitadas. [pg. 289]
Fonte: Wiccan Roots - Philip Heselton [Capall Bann]
Nota da casa: Estas são traduções de alguns trechos do livro “Wiccan Roots” de Philip Heselton. Evidente, a tradução não foi literal e me restringi aos parágrafos mais objetivos. A minha intenção não é provar, mas divulgar os elementos que este blog tem defendido desde a sua inauguração.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

O Dia de Reis

Eu entrei no ritmo do Tribunal de Justiça e estou produzindo em velocidade lenta. Acabei de ler o livro Wiccan Roots e espero em breve citar algumas partes interessantes sobre Bruxaria, mas até o texto sair do forno, eventual e dileto leitor, refestele-se com a série de textos [presentes] dados pela Qelimath, no blog Diablerie [link morto].
Certamente estarão citados por aqui, mas por ora, irei citar [e traduzir] o texto do blog Speculum Celeste.

Seis de janeiro, o Dia dos Reis magos [Dia de Reis no Brasil-NT] anunciando a epifania é um dia peculiar. Ele anuncia o fim dos 12 dias do natal e então celebra os signos do zodíaco e os sinceros apostolos de Jesus. Reina a confusão se o Dia de Reis começa no dia 5 ou 6 de janeiro o que traz a carta coringa, Escaiotes - o elemento de movimento e transformação que tornam a teofania possível. É o dia da iluminação, declaração e manifestação da promessa que se torna possivel pelos três reis magos.
É também o dia consagrado à "mais antiga", Befana no folclore italiano. Befana toma a forma da bem conhecida bruxa que monta uma vassoura que é como o Santo Nick e Krampus rastejando chaminé abaixo para recompensar e punir as crianças. No Haiti é o dia de Simbi – uma classe de espíritos associados com a magia, as florestas e milagres aparecendo nas esquinas obscuras da criação. Um dia em que as florestas revelam-se em toda sua glória nas fontes de água e cachoeiras.
É também um dia marcado pelo desordem no ciclo da saturnália quando o lider era escolhido pela sorte. Nos dias modernos este costume é encontrado na Rosca Espanhola feita em honra dos reis magos. O bolo contém uma única fava - e aquele que encontrar é feito rei por um dia - e às vezes um tolo pela vida toda. É o ultimo dia quando as  Moiras tentam seduzir Saturno para revelar o dia da Era Dourada para aqueles que tiverem olhos para ver.
É um dia, como a Sexta Santa, quando o véu entre os mundos está mais frágil e na Escandonávia era costume fumegar a casa e o solo intensamente nesse dia - o décimo segundo dia do ciclo natalino como é notado na última chance do maligno tentar agarrar o mundo . Juniper e estoraque, olíbano e mirra traz uma atmosfera mais agradável e uma tora de frutas coberta de mel e galões de vinho tinto perfumado e cidra irá convidar saturno e Jupiter para abençoar a casa.
Intrigantemente é a jornada dos três reis magos que definem os doze dias onde a Caçada Selvagem corre pelo mundo debaixo do sol. O ciclo da noite mais longa naturalmente convida os cidadãos da noite para festejar na ausência do sol. A jornada do sábio mediada pelos terrores de Odin e a horda de mortos te traz para a encruzilhada do ouro.
Esta é a última chance da noite e da magia antes que o sol tome o reino e despertede seu exílio. É um dia de cobras e serpentes - de iluminação e profecia. É o dia onde o juramento nunca deve ser feito. É um dia onde o que é feito poderá entrar nas salas do ouro e da prata e marcará o mundo para sempre com uma fagulha e uma visagem do infinito e da miraculosa possiblidade. Este é o dia quando o tolo pode governar e o que quer que consiga ao menos ter o cheiro da coroa real - roubando ou não. É o dia que liberta a vontade e dá conforto e um oásis em nossa jornada. Tudo isso dá motivo para celebrar, porque hoje nós todos podemos ser reis – reis da tolice ou sabedoria de acordo com a vontade das Moiras. Jogemos o velho na noite da folia tola e ascendamos nos rios da busca porque neste dia, seja visível ou invisível, o bom Deus Saturno presenteia com sua cornucópia ouro, vinho, loucura e sabedoria. Mas nunca se esqueça que um tolo com uma coroa permanece um tolo mas um sábio com uma coroa governa para sempre!

Nota da casa: E apenas os Cristãos não se dão conta dessa peculiar contradição da visita dos reis magos ao seu divino redentor.

sábado, 15 de janeiro de 2011

A tragédia como espetáculo

Recentemente fomos bombardeados com reportagens das chuvas e alagamentos no Rio e em São Paulo, com cenas impressionantes. Como se isso nunca tivesse acontecido antes. Como se nossos governantes não soubessem do perigo. Como se os populares não soubessem do risco. Como se a tragédia e a perda material e humana fosse mudar nosso estado de negligência e omissão, como se tantas mortes fossem mudar a forma de ocupação dos populares, como se os governantes fossem dar alguma prioridade ao planejamento urbano. Simplesmente vamos juntar os corpos, consolar os parentes, reconstruir as moradias e aguardar a próxima tragédia.
Infelizmente esta é a característica da Imprensa Brasileira, a Imprensa Abutre. E não é apenas no Brasil que as reportagens vão em busca de corpos, como abutres. No exterior, neste blog, eu critiquei a forma como os mais belos festivais e as mais lindas cerimônias de outros países só entravam no noticiário local e internacional se acontecesse uma tragédia.
Na Índia, o Santuário de Sabarimala apenas foi notícia não por sua beleza, sacralidade ou significado. Apenas a tragédia. Não há uma linha sequer sobre o Santuário ou sua história. Eu tenho que recorrer ao oráculo virtual [Google] para ter mais informações.

Sabarimala Sree Ayyappa Temple é um dos templos mais antigos e proeminentes templos de Sastha no país. Localizado na Gates Ocidentais no distrito de Kerala, Sabarimala Sri Dharmasastha Temple é um dos poucos templos na Índia que está aberto a todos os credos. O santuário de Sabarimala é um dos mais remotos santuários no sul dÍndia que ainda atrai de três a quatro milhões de peregrinos todos os anos.
A peregrinação começa em novembro e termina em janeiro.[Sabarimala][link morto]

Ayyappa , Hariraraputra, Sastra, Bhutanathan, Ayyannar são todos nomes de uma deidade muito famosa hoje em dia mas que durante muito tempo era praticamente confinada ao estado de Kerala onde fica seu principal templo.
Ayyappa, como seu nome Hariraraputra (Hari = Vishnu , Hara = Shiva, Putra = filho) diz é filho de Vishnu e Shiva , como? Ele é filho de Shiva com a forma feminina de Sri Vishnu , Mohinimurthi a “Forma do Encanto”, que é uma forma de Vishnu muito exaltada em Kerala.
Mohini já havia aparecido anteriormente, tanto para salvar o néctar da imortalidade da mão dos demônios lançando Seus encantos femininos e iludindo-os e também a pedido de Shiva que não se suportou tamanha beleza e A perseguiu por todo o universo tomado pelo desejo.
É dito que Shiva verteu seu sêmen e Vishnu como Mohini o conteve em Suas mãos e do poder de ambos Mohini formou uma criança, Ayyappan, uma cominação da energia de ambos.
A historia de Ayyappa neste planeta é ligada os estado de Kerala, onde ele tem seu principal templo, que se chamava Pandalam na antiguidade, abaixo irei dar uma resumida no seu passatempo.
Na época que o rei Rajashekara reinava sobre Pandalam, durante umas de suas expedições de caça, o rei ouviu o barulho de uma criança a margem do rio Pampa (foto abaixo), ao ir em direção ao barulho ele deparou se com uma criança resplandecente no local, que tinha uma bela jóia ao redor se seu pescoço (Manikhantan), o rei não sabia que o belo menino era filho de Vishnu e Shiva; O rei era piedoso, caridoso, devotado e justo, mais não havia sido agraciado com um filho, ele era um grande devoto do Senhor Shiva e sua esposa, a rainha, era devota do Senhor Vishnu e ambos oraram pedindo um filho para sua deidade favorita, e ao ver a criança o rei a encarou como a resposta a suas preces.
O raja levou o menino ao seu palácio e o criou como seu filho onde ele foi educado nas ciências e nas artes marciais além das escrituras sagradas, durante este tempo outra esposa do rei deu a luz a um menino mais o rei ainda assim considerou Ayyappa como seu herdeiro e o declarou como Yuvaraja (príncipe herdeiro).
O primeiro ministro, por inveja a Ayyappa, se juntou a segunda rainha e planejou um modo de tirar Ayyappa da posição de herdeiro, no dia da coroação de Ayyappa como herdeiro do trono a rainha fingiu que passava muito mal e com um plano feito pelo Primeiro Ministro arrumaram um médico fajuto que prescreveu que a rainha só sobreviveria que tomasse leite de uma tigresa, o rei pediu a vários querreiros de seu exercito mais nenhum se viu capaz de conseguir tão difícil ingrediente.
Então Ayyappa se ofereceu para conseguir o leite da tigresa, o rei concordou mais com aperto no coração temendo que seu filho não sobrevivesse.
Ayyappa então foi para o interior da floresta cumprir sua divina obrigação, após entrar na floresta foi atacado por um ladrão que ao perceber o poder do jovem se rendeu a ele e Ayyappa o aceitou e este ladrão, um muçulmano chamado Vavar, como seu melhor amigo( o que leva a crer que o passatempo deve ter ocorrido por volta do século XIII, um dos principais motivos de sua vinda na Terra era libertar uma jovem que havia sido transformada em demônio e residia na floresta onde era conhecida como Mahishi, que só poderia ser morta e liberada por um filho de Vishnu e Shiva, Ayyappa encontrou com a demônio na floresta e a matou liberando a jovem que havia sido amaldiçoada , a bela jovem pediu a Ayyappa que a aceitasse como esposa mais este disse que queria ser brahmacary (celibatário), disse a jovem que ela deveria residir na floresta que ele residiria em um templo próximo a ela e quando os peregrinos que fossem ali deixassem de aparecer então ele se casaria com ela, este local e hoje Sabarimala.
Indra ao ver a vitória do filho de Vishnu e Shiva apareceu e presenteou o jovem com vários tigres, Ayyappa então com seus tigres voltou ao palácio.
Ao entrar no palácio todos ficaram chocados ao ver o jovem Ayyappa montado sobre uma feroz tigresa e acompanhado pelos filhotes desta com o leite em suas mãos, ao ver que o menino tinha origem divida a rainha e o ministro caíram suplicando o perdão e o rei ficou maravilhado e tomado de amor e devoção, Ayyappa então se revelou como filho de Vishnu e Shiva e instruiu o rei acerca da salvação, Ayyappa então conduziu o rei até a floresta atirou uma flecha que atingiu o topo de Sabarimala ( neste local vivia Sabari uma mulher idosa de origem tribal que era devotada a Rama , que ofereceu frutas silvestrea a Rama e Lakshmana quando ambos se dirigiam a Lanka para resgatar Sita) e disse que naquele local deveria ser construído seu templo, o rei então ordenou que o templo fosse construído, e hoje é um dos locais de peregrinação mais importantes da Índia.
Após isso Ayyappa abençoou o rei e os outros presentes e desapareceu, o templo foi construído e Parashurama (encarnação de Vishnu que vive pelos lados de Kerala que Ele mesmo criou) pessoalmente fez a deidade de Ayyappa em madeira e instalou no templo onde está atualmente.
O templo é pequeno em comparação a vários da Índia e na sua entrada existem 18 degraus de ouro que representam os desejos que precisamos vencer nesta vida, uma vez ao ano milhões de pessoas, a grande maioria homens, faz o voto de visitar vários locais sagrados e de fazer varias austeridades num total de 41 dias que culmina na chegada em Sabarimalai, onde após carregar dois cocos, um deles cheio de ghee representando o ego, os oferece a Ayyappa quebrando os perante a entrada do templo.[Sanatha Dharma]

Nota da casa: Uma vergonha, mas como diria Felipe Neto, nós somos responsáveis pela forma como nos é transmitidas as notícias. Nós gostamos de fofoca sobre celebridades? Dá-lhe TV Fama [eu prefiro chamar de TV Lama]. Nós gostamos de saber da vida dos ricos? Dá-lhe Amaury Jr [um tipo de "Caras" televisivo, repugnante, considerando o nível médio do brasileiro]. E assim vamos nos "pocotizando", como disse o Luciano Pires.