terça-feira, 8 de março de 2011

O resgate da tartaruga sagrada

Centenas de vietnamitas se aglomeraram na capital Hanói na terça-feira para acompanhar a operação de captura de uma rara tartaruga gigante que vive no lago.
O animal de cerca de 1,8m de comprimento e 200 kg estaria muito debilitado e precisaria urgentemente de socorro. No entanto, não foi possível resgatá-lo.
Nem com a rede foi possível capturar a rara tartaruga gigante
Especialistas acreditam que existam apenas outros quatro indivíduos da espécie Rafeteus swinhoei vivos em todo mundo.
Muitos vietnamitas consideram a tartaruga sagrada e, embora especialistas calculem que ela tenha entre 80 e cem anos, a crença popular é de que o animal tenha mais de 300 anos de idade.
Reza a lenda que uma tartaruga do lago Hoan Kiem deu a espada usada pelo rei do Vietnã para derrotar invasores chineses há cerca de seis séculos.
Funcionários do governo realizaram uma limpeza do lago, retirando lixo e jogando água limpa, já que a poluição poderia ser a causa da doença do animal.
Fonte: BBC

segunda-feira, 7 de março de 2011

Carnaval de Oruro

A festa do Carnaval de Oruro, na Bolívia, é considerada uma das mais genuínas e interessantes do mundo. As máscaras arísticas usadas pelos diabos dançarinos, e a mistura de paganismo e religião com raízes históricas, levaram a UNESCO a considerar este Carnaval como Património Oral e Intangível da Humanidade em 2001.
O Carnaval de Oruro, cidade mineira localizada nos Andes da Bolívia a quase quatro mil metros de altitude, é um dos mais tradicionais e mais próximos das suas origens de todo o mundo.
As festividades do Carnaval de Oruro têm início quarenta dias antes da Páscoa, e dele fazem parte peregrinações ao Santuário da Virgem do Socavón, ritos de agradecimento à Pachamama, concursos de bandas de música tradicional, desfile de grupos folclóricos e musicais que dançam ao despique em pontos estratégicos da cidade.
O Carnaval ou A Diablada - representação da luta entre o bem e o mal, com a vitória do primeiro. O curioso do carnaval de Oruro é ser uma festa verdadeiramente sagrada e profana. Começa na semana anterior ao Carnaval, com o que chamam de convite em devoção à Virgem do Socavão (uma Nossa Senhora que apareceu numa mina, num dia 2 de fevereiro), que é quando os conjuntos visitam o templo. Na sexta-feira seguinte os fiéis realizam a bênção ("ch'alla") das paragens mineiras e no sábado os grupos dançam até o romper da aurora, quando acontece a saudação à Virgem do Socavão: os dançarinos entram na gruta do Cerro Pie de Gallo e as várias bandas locais começam a tocar músicas diversas, simultaneamente. As ruas da cidade ficam reservadas para essa explosão de som (bandas com muitos metais e melodias simples) e cores (máscaras bastante ornamentadas), e para sucessivas celebrações (como ao Tio, entidade que vela nas entranhas da terra) e bênçãos.
Nota da casa: O carnaval verdadeiro e legítimo é aquele celebrado pelos poopulares, não esse espetáculo comercializado, onde imperam o sexismo e a misoginia.
Original perdido.

domingo, 6 de março de 2011

O que constitui o sacerdócio

Segue abaixo uma série de textos divulgado por Herne na Sociedade Wicca, com uma importante reflexão sobre a característica, princípio e valor de um sacerdócio.
SACERDOTE É A PESSOA PREPARADA PARA OFERECER O SACRÍFICIO À DIVINDADE. Desconheço outro sentido para o termo.
Portanto, para ser sacerdote ou sacerdotisa, antes de mais nada a pessoa tem que saber qual o animal deve ser oferecido ao(s) Deus(es) do(s) qual(is) está a serviço, como fazê-lo, quando fazê-lo; ter sido treinado para isso; saber preparar as partes que estão destinadas ao(s) Deus(es) e como proceder; saber preparar as partes que estão destinadas ao consumo dele mesmo, de quem oferece o sacrifício e/ou da comunidade. Na maioria das vezes, também tem que saber como e onde recolher o sangue, o que fazer com ele, como conservá-lo (se o culto inclui a conservação) ou como dispô-lo.
Mas, também até onde eu sei, a Wicca não oferece sacrifícios e, portanto, não tem sacerdotes. Acho que se confunde muito "sacerdote" com "lider religioso". Um sacerdote não é necessariamente o líder; e um líder não é necessariamente um sacerdote. Historiacamente, inclusive, na maioria das vezes realmente não eram - reis-sacerdotes ou sacerdotes-reis são raríssimos na história, e assim mesmo bastante pontuais.
O "sagrado ofício" é o preparar e oferecer um sacrifício agradável aos Deuses. Por isso, babaorixás são sacerdotes: eles fazem o sagrado ofício de preparar e oferecer a "comida de santo".
Todo sacrifício significa a imolação de uma vítima para agradar um Deus/a. O termo latino - "sacrificium" - etmologicamente sempre se referiu a uma morte, uma imolação, uma morte (vigária ou como oferta) de um animal (inclusive o humano). Por isso, muitas vezes, o sacrifício era seguido do "banquete sagrado": depois de separada a parte que é do/a Deus/a, a outra parte era consumida pelos que ofereceram/participaram do sacrifício e pelo sacerdote. Nos sacrifícios clânicos, o animal imolado é sempre o ancestral totêmico, visando refazer os laços de ancestralidade e se "encher" da força totêmica desse ancestral.
Na verdade, o ato de matar o animal não pode ser separado do objetivo principal desse ofício, que é oferecer uma refeição agradável à Divindade! Esse é o papel do "sacerdote" - alimentar os Deuses com aquilo que lhes é agradável; saber como fazê-lo, como preparar, como apresentar e até quais os desejos daquela Divindade. A participação humana nesse banquete divino, podia ser totalmente impedida (ou limitada aos sacerdotes). Mas também podia ser significativa: algumas sociedades apresentam esse banquete sagrado como uma festa oferecida pelos humanos aos Deuses (esses como "convidados"); em outras, os humanos é que são convidados dos Deuses podendo "comungar" com parte desse sacrifício.
Se não há prática de sacrifício, também não há sacerdócio. Até porque não faria sentido, já que uma coisa remete à outra.
A palavra é romana e antiga; sempre teve esse sentido. Se tirarmos a referência à imolação do sacrifício, então essa pessoa também deixa de ser sacerdote. O uso do termo, portanto, se torna indevido e acaba gerando confusão, pois "cria" um novo sentido que nunca esteve relacionado à palavra. Faz parecer que os líderes wiccanos são sacerdotes como padres, babaorixás e tantas outras religiões que realmente têm a prática do sacrifício - que, como você disse, não faz parte da Wicca.
Toda a descrição [dada pela Mavesper na SW-NB] corresponde, certamente, à de um religioso (uma pessoa dedicada, consagrada à sua religião). Mas não a um sacerdote, exatamente por não incluir o sacrifício. Podemos, portanto, conversar sobre esse dia-a-dia, só insisto que esse não é, em hipótese alguma, o dia-a-dia de um sacerdote. Até porque esse, em nenhuma religião antiga, sacrificava todos os dias. Normalmente um sacerdote (ou corpo de sacerdotes) servia no templo por umas semanas e, pelo resto do ano, sustentava-se com outras atividades. O que significa que o cotidiano de um sacerdote é bem diferente o de um religioso.

Esse sentido de “sacerdócio” como sacrifício pessoal, como “oferecer o melhor de si mesmo” ou como o “privar-se de um bem” é muitíssimo recente. Etimólogos e sociólogos dizem que ela surge no início do século XX, entre as duas Grandes Guerras, se tornando mais corrente após a segunda delas. Esse novo sentido, portanto, é profundamente ideológico e um tanto quanto alienador. Pois afasta do seu verdadeiro sentido: sem a imolação, não há sacrifício... e sem sacrifício, não há sacerdote! Portanto, pelo que todos os estudos apontam, todos os textos antigos, todos os etimólogos e historiadores, a deturpação não está em associar sacerdócio ao sacrifício, mas em dissociá-los.
Desculpe, mas não creio que você possa ou tenha o direito de dar outro sentido a um termo que cultural, tradicional e etimologicamente sempre deve um sentido bem claro e preciso. Particularmente por ele ainda ser usado para designar aqueles religiosos responsáveis pelo sacrifício aos seus Deuses de outros povos, outras culturas e outras religiões. Muitas religiões ainda têm no sacrifício um oficio sagrado e, por isso, ainda preparam, formam e iniciam sacerdotes para isso. E assim como você [Mavesper-NB] apela para a antiguidade e a etimologia do termo “ECCLESIA” para justificar seu uso por wiccanos, não entendo porque para “sacerdocium” o mesmo critério não valha. Não podemos ficar oscilando entre sentido etimológico para umas palavras e o apelo à evolução de sentido para outras, pois isso gera confusão e dúvidas – quando recorreremos à etimologia e quando não? o que determinará a diferença? e quem fará isso e sobre quais critérios e parâmetros? Não existe um “sentido wiccano” de sacerdócio. Pode, no máximo, haver um uso wiccano desse termo arcaico dando-lhe um outro sentido que não é original... Mas é lógico que isso , então, é profundamente questionável.
Acho que o importante aqui é lembrar que a liderança religiosa não tem que ser sacerdotal. Se na wicca não existe sacrifício, então também não existe sacerdócio. Mas isso não significa que não tenha liderança religiosa. Muito menos que essa liderança seja inferior aos sacerdotes de outras religiões. Budistas não têm sacerdotes... mas ninguém questionará a autoridade religiosa de um monge, muito menos do Dalai Lamma.
As ações que você [Mavesper-NB] elenca – consagração pessoal, vivência dos mitos e serviço aos deuses – são, sem dúvida, ações religiosas, mas não sacerdotais. O sacerdócio exige sim – por definição – a prática consciente e sábia da imolação ritual e do preparo da refeição sagrada aos Deuses. Mas se mesmo sabendo disso se insiste em usar o termo “sacerdócio” com outro significado, também não se pode falar em duplo sentido ou em deturpação quando se questiona onde está o sacrifício entre wiccanos. A deturpação – infelizmente – parte de quem usa o termo erroneamente. E não tem como justifica o uso do termo pela prática do “Grande Rito”, pois ele não tem sentido sacrifical. E obviamente isso o diferencia – e muito – da Missa católica e de outros ritos cristãos que são nitidamente sacrificais. As vezes até literalmente: a Igreja Armênia ainda mantém (hoje, século XXI) o rito da imolação do cordeiro pascal, a aspersão de seu sangue e a queima da sua gordura.
Pela etimologia do termo - repito - o sacerdote se diferencia dos outros crentes pelo fato de ser especialmente treinado e preparado para oferecer o sacríficio agradável à divindade. Se retirarmos esse aspecto, então já não temos sacerdote e, obviamente, também não tem nada que o diferencie dos demais crentes.
Pois então: se alguns wiccanos se chamam de "sacerdotes" gostaria de saber qual é o sacrifício agradável à divindade que eles oferecem e como formam treinados e preparados prá isso. Se não têm esse treinamento, essa preparação e esse ofício, o que faz deles sacerdotes e os outros não? Em que seu cotidiano se diferenciaria dos demais wiccanos?
Eu não estou brincando nem faltando com seriedade. Estou levantando questões e até agora não recebi - nem de você [Mavesper-NB]- uma resposta razoável, que fosse embasada. A única coisa que tenho é: "todo mundo diz...", "todo mundo pensa assim...". Se formos por esse caminho, repito que a maioria do mundo é de religiosidade abraâmica, que considera a bruxaria uma coisa demoniaca... A quantidade de pessoas que fala isso está certa porque, em termos numéricos, é maior? Portanto, não creio que esse seja um bom argumento.
Por outro lado estou questionando, sim, o uso de termos de forma desvirtuada e que gera ilusão e equívocos nas pessoas. Nem você, nem eu, nem ninguém pode simplesmente pegar um termo e mudar-lhe completamente o significado para que ele se encaixe naquilo que eu penso e quero que ele signifique. Por isso torno a pedir: alguém tem algum embasamento (que não seja o achismo ou o número de wiccanos) para afirmar que o termo sacerdócio pode ser desvinculado de sacrifício?
Meus questionamentos não se tratam de "crença pessoal", como você [Mavesper-NB] insiste em colocar. Não estou com achismos. Estou questionando a partir de uma base etimológica, histórica, antropológica e teológica... E não recebi, em momento algum, resposta nesse nível. Você pode me apresentar algum estudo sério que embase a sua opinião sobre sacerdócio?Também não é verdade que sacerdócio e sacrífio estiveram ligados "em algum momento". Esse "meio tempo" são SÉCULOS! Enquanto que uma mudança do significado de sacríficio só começa a se esboçar no início do século XX e numa Europa ocidental e cristianizada, que tem outros motivos para fazer esse esforço. Também não é verdade que essa ligação "é passado"... E todos os ritos de diversas religiões que ainda fazem sacrifício? Vamos desconsiderá-los?
Com certeza sacerdócio é isso: o compromisso que se assume com a Divindade para servi-la! A questão aqui é que tipo de serviço o sacerdote presta à Divindade, posto que esse termo sempre se referiu ao serviço da imolação e preparação do banquete sagrado. Então, de que forma esse termo pode ser usado por líderes wiccanos explicitando o que é imolado e como se prepara o banquete.
Não estou falando, com isso, que toda religião tenha que fazer sacríficios. Existem aquelas que nunca tiveram essa prática. Porém, toda religião que faça sacrifícios desenvolveu uma classe de sacerdotes para isso... e, logicamente, toda religião que tenha sacerdotes, é porque faz sacrifícios. A forma e constância desses sacrifícios é muito variável; as características do animal a ser sacrificado, também. Mas ele existe de alguma maneira para que se justifique o título de "sacerdote" da classe responsável.

Acho que, aqui, a grande confusão é que se dissociou o termo SACERDOTE de sua raiz - o SACRIFÍCIO - e o associou ao conceito de LÍDER RELIGIOSO. Pela argumentação apresentada até agora, é isso que dá para entender. E - parece-me - ser o foco da polêmica. Se se está usando o termo "sacerdote" para designar aquelas pessoas que são "liderança religiosa", então realmente não tem que necessariamente se falar em sacrifício... mas tem-se que falar que o termo é impróprio e mal-utilizado.
O sacríficio como serviço aos Deuses (ou "sacro ofício") parte da idéia de que humanos e Deuses coabitam, dividem o mesmo espaço. Algumas religiões dizem que esse espaço é dos Deuses e nós somos seus convidados; outras já afirmam que esse espaço é humano e os Deuses são nossos convidados. De uma forma ou de outra, construimos espaços para esses Deuses e lhes prestamos serviços. Um deles é o de ALIMENTÁ-LOS. E é onde entra a função do sacerdote!
Por isso, a questão primária é: como os wiccanos alimentam seus Deuses?
Então, ou a Wicca não tem sacerdotes, ou ainda não ficou claro (e/ou público) que sacrifício é oferecido na Wicca para alimentar os Deuses. E se não ficou claro porque não é para ficar - por se tratar de "segredo de sacerdotes" - então também não se tem como debater o cotidiano sacerdotal em público. Porém, se não ficou claro porque ainda não se parou para pensar, um motivo a mais para continuarmos debatendo, não acha?
Vale lembrar, agora, as características que foram levantadas aqui sobre os sacrifícios:
1 - Os animais sacrificados são TOTENS, ou seja, representam uma Ancestralidade da comunidade;
2 - Por isso, os sacrifícios criam uma IDENTIDADE no grupo;
3 - Dessa forma, os sacrifícios têm uma função de COESÃO SOCIAL - na medida em que torna "parentes" todos os que comem da mesma carne de sacríficio;
4 - O sacrífico ALIMENTA A DIVINDADE;
5 - O sacerdote, por tudo isso, tem um papel social e político grande.

sábado, 5 de março de 2011

Conferência de Paganismo

Divulgado pelo Caturo [Gladius] e ecoando por aqui.
Em Portugal, Gilberto de Lascariz faz no dia 05 de março [hoje] um "workshop" sobre Paganismo.
No ano passado a Inglaterra fez-se ouvir no mundo com a legalização do Druidismo como religião oficial em Inglaterra. Este é o primeiro passo para gradualmente regressarmos ao Paganismo que, segundo o filósofo Alain Benoist, "é a religião original da Europa".
Ao longo da história do Paganismo encontrámos verdadeiros mitos avatáricos que ilustram esse processo de transformação da alma, desde Dionísio a Odin e, tão tardiamente quanto o século VII EC, figuras de culto como Ceridwen, Merlin e Taliesin.
Na realidade não existiu um Paganismo mas vários Paganismos na Europa, assim como vários modelos iniciáticos de transformação cognitiva, dos quais se deve realçar os modelos ctónicos e agrários, guerreiros e mágicos.
Programa:
- A Chegada da Luz do Antigo Paganismo e o crepúsculo do monoteísmo Judaico-Cristão.
- O Homem Pagão entre as Forças Ctónicas da Fertilidade e as Forças Celestes da Sabedoria.
- O Homem Sensorial e Imaginal como substrato cognitivo do Antigo Paganismo.
- Iniciação versus Religião. O significado da Iniciação no Antigo Paganismo.
- O Paganismo do Campo, o Paganismo dos Mistérios e o Paganismo da Teurgia.
- Os Quatro Mistérios Pagãos: Agrários, Guerreiros, Metalúrgicos e Eróticos.
- A Concepção da Alma e o relacionamento com o Mundo dos Mortos.
- Merlin e Ceridwen como avatares divinos da via xamânica do Ocidente.
- Dois mitos opostos do Paganismo: a descida ao Mundo Subterrâneo e a Ascensão pelas Esferas Planetares, enquanto mitemas dos impulsos contraditórios de Vida e Morte na Natureza.
- A via do corpo convulsivo como método extático em Dionísio.
- O Deus Cornudo (Cernunnos/Hu Gadarn/Dionísio) como epifania da Alma da Natureza.
- O Culto da Cabeça e o culto do Falo: dois pólos complementares do Paganismo.
- O caminho sacrificial do guerreiro astucioso em Odin.
- Magia sexual em Freya e Afrodite enquanto Via Sexualis do Paganismo.
- O significado do Sacramento entre os pagãos. A sua prática na vida quotidiana.
- A Via Onirosófica e os retiros oniromânticos.
- O Conhecimento do Daimon/Siddhe e o papel de Hermes na Tradição Pagã.
- Um programa de experimentação das vias pagãs para uso quotidiano.
Local: Sintra (Caminho dos Frades, a 500 m da Quinta da Regaleira)

sexta-feira, 4 de março de 2011

Hina Matsuri

Mais de mil bonecas foram reunidas no templo da cidade de Sendai. O Hina Matsuri, ou Festival de Bonecas, é uma tradicional celebração japoensa realizada sempre no terceiro dia de março para afastar maus espíritos.
Durante as celebrações, as famílias rezam pela felicidade e saúde das meninas do país.
Mais de mil bonecas, vindas de diferentes partes do Japão, foram exibidas no salão principal do templo da cidade de Sendai, no norte do país.
Tradicionalmente, as bonecas são expostas em cima de um tapete de vermelho.[G1]
A celebração tem esse formato desde o século XIX. A característica do Hinamatsuri são as bonecas tradicionais.
Plataformas dispostas em forma de uma escada são cobertas com um tecido vermelho. Nessas plataformas são colocadas as pequenas bonecas que representam o imperador, a imperatriz, senhoras da corte e músicos, todos com as mais finas vestimentas da corte do passado. Um jogo completo terá cerca de 15 bonecas, além de objetos de decoração, uma laranjeira e uma cerejeira, um espelho, instrumentos musicais, utensílios de mesa e equipamentos utilizados na corte.
As bonecas muitas vezes são presenteadas pela família da mãe da menina, quando esta vai realizar o seu primeiro Hinamatsuri.
O jogo completo pode ser adquirido numa loja de departamentos mas pode custar mais de 3 mil dólares. Assim, como um jogo para Hinamatsuri pode ser transferido de uma geração para outra, é considerado um bem de família.
No dia 3 de março, a menina convida seus amiguinhos para um chá na frente das bonecas, ocasião em que ela oferece aos convidados o hishimochi (um bolinho doce de arroz com formato de diamante), e o sakê sem álcool. Sendo a anfitriã, a menina poderá cantar uma música antiga para entreter seus amigos. Apesar de ser composto por belíssimas peças, as bonecas do Hinamatsuri só ficam expostas durante no máximo duas semanas. Depois, segundo a tradição, devem ser cuidadosamente empacotadas e guardadas, caso contrário, diz-se que as garotas da casa demorarão para se casar.
O Hinamatsuri tem origem na antiga prática do ritual da purificação, em que pessoas transferiam seus pecados para as bonecas de papel e arremessavam-nas no rio, ao mesmo tempo em que participavam de um piquenique aproveitando a primavera. Foi no período Edo (1603 a 1867) que essas bonecas passaram a ser modeladas com a aparência de membros da corte. Curiosamente, o festival de bonecas alcançou seu auge de popularidade nesse período, numa época em que a posição social da mulher tinha alcançado o nível mais baixo em relação ao homem. Hinamatsuri era a única ocasião em que uma menina se sentia importante: esse era o seu festival, ela convidava os meninos e cantava para os visitantes.[
Cultura Japonesa]

quarta-feira, 2 de março de 2011

A Noite de Shiva

O Mahashivaratri é um dos maiores festivais religiosos ocorridos na Índia. Festejado não só por adeptos da Tradição Shaiva, esta celebração é comemorada em vários locais do continente pan-indiano.
Na Índia, onde os devotos de Shiva são inúmeros, costuma-se observar – de acordo com o Shiva-Purána –, todos os meses, o Shivaratri, dia dedicado ao Senhor Shiva, na décima quarta noite da lua, i.e. o último dia da lua minguante. Essa devoção inclui jejum e cânticos devocionais.
O Mahashivaratri é um grande Shivaratri. Grande porque nesse período do ano, que se situa entre fevereiro e março, o poder exercido pela lua (negra), no último dia da lua minguante, é menor, em relação ao resto do ano. Daí a grande celebração.
O aspirante espiritual, aquele que se esforça para obter purificação e transformação interna, vê na comemoração desse evento uma oportunidade de entrega, através do jejum, da dança e da repetição do Nome do Senhor Shiva, entoando mantras e cânticos devocionais.
Inúmeros grupos distintos de devotos ao Senhor Shiva realizam a cerimônia de adoração (pújá) em uma extraordinária festa noturna. Os Páshupatas, Aghorís, Kápálikas e Kálámukhas, adeptos mais radicais da tradição Shaiva, comemoram o Mahashivaratri intoxicados por uma bebida inebriante chamada thandai (a base de cannabis, amêndoas e leite), cantando mantras, bhajans e kirtans enquanto dançam ao ritmo dos tambores. Lembranças de uma aurora xamânica.
A prática de cantar e louvar ao Senhor Shiva, por si, já tem o poder de acalmar a mente inquieta. Essa mesma prática, realizada com fervor na noite em que a lua tem mínima ascendência sobre a mente, tem seu valor potencializado. Por meio dela, a mente pode ser pacificada, para que a Luz Divina possa penetrar sem a resistência do ego.
Esta noite é sagrada porque é o dia em que Shiva toma a forma de Lingam, para benefício dos devotos. Portanto, nesta noite, os devotos do Senhor Shiva praticam a contemplação sobre o atmalinga ou jyotilinga, i.e. o símbolo da Suprema Luz da Sabedoria, e se convencem de que Shiva está no íntimo de cada um. A realização do abhisheka (banho sagrado no Shivalingam) e do agnihotra (cerimônia do Fogo Sagrado), torna explícita esta mensagem.
Na auspiciosa ocasião em que acontece o Mahashivaratri, é dito que o Senhor Shiva perfaz sua dança extática de realização. Neste feito, o Senhor é conhecido como Shiva Natarája. A dança simboliza a emoção da auto-realização para além dos reinos de vigília, sonho e sono profundo. Além das experiências do corpo e suas percepções, da mente e dos sentidos, do intelecto e dos pensamentos. Para além disso tudo o Senhor Shiva Natarája provê seus devotos com uma intoxicante dança de suprema bem-aventurança.

O Senhor Shiva
O Senhor Shiva – que significa “O Auspicioso” – é a terceira pessoa da Trimurti ou Trindade Hindu, e personifica o aspecto Destruidor ou Transformador de Deus. Shiva domina a energia de tamas, que representa a inércia ou ignorância e deve ser eliminada para que haja a renovação.
Muitas vezes, Shiva é tratado não só como o Destruidor ou o Transformador da Trimurti hindu, mas sim o próprio Absoluto, sendo denominado Maheshvára (Grande Senhor do Universo), Paramashiva (Consciência Cósmica), Páshupati (Senhor das Bestas), Natarája (Dançarino Cósmico), Bhairava (o Terrível), Dakshinamurti (o sábio que ensina em silêncio) etc., de acordo com a tradição.

Geralmente, o Senhor Shiva é representado como um renunciante vestido com peles de animais e adornado com cinzas, serpentes e colares de rudrákshas. Essa é a imagem personificada mais popular que apareceu primeiro nas upanishads e nos puránas. Estas escrituras idealizaram a imagem de Shiva que crescia (1500 a.C. a 100 d.C.) como um Deus soberano, que, como asceta, propunha a perfeição como meta de vida. Na Shvestáshvatara Upanishad, Shiva designa o arcaico Rudrá védico. Literalmente, Rudrá significa ‘trovão’, mas o nome denota ‘rugido’, ‘grito’. Este rugido expressa à fúria da tempestade com seus assustadores trovões. A partir desta aparição, Shiva se converte na versão benigna das forças mais assustadoras da natureza, alojadas no interior de todos os seres humanos.
Outra importante forma de Shiva é o Shivalingam. O culto a Shiva na forma do Lingam é o ponto alto no Mahashivaratri. A palavra lingam (ou linga) significa ‘símbolo’ ou ‘aquilo através do qual se pode ver outra coisa’. O Shivalingam é uma das mais sutis representações de Deus conhecidas pela humanidade. Trata-se de uma pedra em formato de elipse (ovalada) que, tendo uma configuração “abstrata”, tanto pode representar o Absoluto sem forma, quanto o Senhor dotado de atributos.
Por não ter uma forma humana ou animal específica, o lingam indica que Deus é sem atributos, estando além de qualquer limitação ou definição. Mas, como possui um formato básico, também mostra que o Senhor pode assumir a forma que desejar, como realmente o faz, ao se manifestar em toda a Criação. Ele simboliza todo o processo de Criação, Manutenção e Destruição do Universo, pois, do Sem Forma nascem todas as formas, que por fim, voltam a se dissolver no Absoluto.
Na intenção de reverenciar o Senhor Shiva, inúmeros devotos realizam as peregrinações aos doze jyotilingas. Um jyotilinga ou jyotilingam é um santuário onde o Senhor Shiva é adorado na forma de um lingam de luz. Na Índia existem doze santuários de peregrinação. Acredita-se que uma pessoa pode ver esses lingas como colunas de fogo através de perfuração no planeta depois que ele atinja um nível mais elevado de realização espiritual.
Fonte: Erick Schulz [link morto]
Nota da casa: Infelizmente, como é de se esperar, a belíssima cerimônia sagrada apenas foi noticiada pela imprensa local por que os sadhus fumam cannabis sativa.

terça-feira, 1 de março de 2011

Dez anos sem os Budas em Bamiyan

Há dez anos, em 1 de março de 2001, os Taleban ordenaram a implosão das gigantescas estátuas de Buda, escavadas no século 5 nas montanhas de Bamiyan, um vilarejo bucólico localizado na antiga Rota da Seda, que ligava a China e a Índia.
O amigo e jornalista afegão Farhad Peikar, que vive em Cabul, viajou 240 km até Bamyian para testemunhar o cenário atual. Ele contou ao blog Pelo Mundo o que viu e ouviu.
“Os nichos agora vazios de Bamiyan, que há dez anos abrigavam as maiores estátuas de Buda no mundo, com 38 e 55 metros de altura, são uma lembrança amarga da ira cega dos radicais islâmicos do Taleban. Não foram apenas as estátuas que eles destruíram, então, mas todo o vilarejo, povoado pela minoria xiita hazara. Essa gente foi torturada. Os Taleban não se deram por satisfeitos apenas em destruir os Budas, eles fizeram com que os moradores os ajudassem, mesmo contra a vontade. Eles tiveram de escalar as estátuas, pendurados em cordas, abrindo buracos na rocha para colocar dinamites. Quem não o fizesse, seria preso. E os habitantes daqui sabiam bem o que significa ir para uma prisão do Taleban, acusado de tortura e mortes. O povo de Bamyian não se esquece dessas atrocidads e odeiam os Taleban.”
Os nichos que antes abrigavam os Budas gigantes de Bamyian continuam vazios, apesar da queda do Taleban e da presença estrangeira no país há uma década. São apenas mais um sinal visível de que, apesar das tantas promessas de reconstrução do país, muito pouco, ou quase nada, foi feito. Quando estive em Cabul, em 2008, testemunhei com os próprios olhos a destruição. Pela janela do carro sacolejante – porque nem mesmo as ruas da capital têm asfalto! – passavem ruínas de prédios inteiros ainda da guerra civil, anterior à tomada do país pelo Taleban; marcas de balas por toda parte; ar seco, poluição, lixo; uma cidade sem luz, apesar de ser a capital. Durante os 15 dias que estive em Cabul, dois suicidas detonaram seus explosivos em ruas movimentadas da capital e nesses ataques morrem apenas afegãos, porque os estrangeiros costumam estar bem protegidos entre muros altos protegidos por barricadas, vidros à prova de balas e homens armados até os dentes. Os afegãos se perguntam o que toda aquela gente está fazendo no país!
Ele continua:
“A reconstrução dos Budas gigantes de Bamiyan tem sido discutida e discutida, mas planos concretos mesmo não há. Seriam necessários entre 30 e 50 milhões de dólares para restaurar as estátuas. Mas as pessoas aqui ainda não têm hospitais, escolas, às vezes nem mesmo comida para dar aos filhos. Como falar em gastar esse dinheiro para reerguer estátuas?”
A região de Bamiyan é uma das poucas ainda controladas pelas forças de coalizão. Em uma recente declaração, o comando do Taleban afirmaou ter retomado o controle de 75% do país – as estimativas de organizações de segurança global não diferem muito disso; falam em 72%. As tropas estrangeiras dominam as capitais das províncias, mas mais de 70% do Afeganistão é formado por vilarejos rurais, sobre os quais o Taleban teria voltado a exercer seu domínio.
Autora: Adriana Carranca [link indisponível]
Nota da casa: O mundo ocidental ficou chocado e repudiou o ato do Taliban. O mundo ocidental devia cobrir a cabeça de vergonha pelas centenas de estátuas, templos e santuários pagãos que foram destruídos depois que o Cristianismo se tornou a única religião oficial.