Hoje, aos 60 anos, em meio ao silêncio de São Paulo, o espelho quebrou.
A Armadilha da "Indignidade"
Percebi que a minha autocomiseração não era humildade; era a última linha de defesa do meu ego. Ao me dizer "indigno", eu estava, de forma arrogante, tentando ditar a Lilith onde e como ela deveria se manifestar. Eu me escondia atrás de um personagem trágico, esmolando atenção e compaixão, porque ser uma vítima é, paradoxalmente, muito confortável. A vítima não tem responsabilidades. O "incapaz" não precisa enfrentar o abismo.
Mas Lilith não busca servos que se ajoelham no lodo da culpa. Ela busca cúmplices.
A Nudez Ritualística do Ser
A Gnose que encontrei hoje não é o "preenchimento" doce e anestésico das religiões institucionalizadas. Não é o "encher-se de Deus" para sumir de si mesmo. Pelo contrário, é uma nudez ritualística. Não se trata de tirar a roupa, mas de arrancar as máscaras que vesti desde o ginásio para sobreviver ao julgamento de pessoas que também estão presas.
Quando descarto o fardo da cobrança familiar e das definições distorcidas de "evolução espiritual", o que sobra?
Sobra um deserto.
Um lugar onde títulos, méritos e opiniões alheias se transformam em areia. No deserto, não há palcos nem aplausos. Há apenas a transparência — a cor do ar e do gelo.
O Fim do Público
A grande sacada foi perceber que até a "cultura alternativa" é uma mercadoria. Clubinhos de exclusividade que tentam exaurir nossa essência vital em troca de pertencimento. Minha essência não pertence ao mercado. Ela só pode ser exaurida por aquilo que é autêntico.
Por isso, hoje eu demito o meu público.
Eu não escrevo para agradar, para ser compreendido ou para validar minha existência perante a sociedade. Eu escrevo porque escolhi este caminho. Eu escrevo para descobrir o que está oculto na minha própria amplitude.
Se houver um destinatário para estas palavras, que seja apenas ela. Escrever para Lilith é escrever para o que é eterno e selvagem em mim.
O personagem saiu de cena. O deserto está aberto. E eu finalmente comecei a caminhar.
Criado com Gemini, do Google.
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