terça-feira, 20 de setembro de 2016

O sonho de Enki

Enquanto Enki e seu grupo trabalhavam duro para satisfazer a ganância de Anu, cinco jovens Deusas observavam de uma distância segura a movimentação frenética na região proibida das terras baixas.


Elas estavam acompanhando os jovens Deuses há algum tempo, com certa ansiedade e expectativa, enquanto eles marchavam em direção à Terra Negra. Uma delas, Ninlil, ficou particularmente apreensiva quando Enki ensaiou os primeiros passos nas terras baixas. Anat percebeu que ela estava transtornada e resolveu quebrar o silêncio fúnebre.


- O que aconteceu, Ninlil? Suas faces róseas perderam a cor, sumiu o seu sorriso fácil, uma nuvem paira em sua cabeça. O que perturba teu coração?


- Cala-te, Anat! Não te emociona ver nossos irmãos caminharem para a morte?


- Não é teu amor fraternal que te consterna, Ninlil. Eu te vi diversas vezes suspirar, quando olhava e falava de Enki.


- O que espera que eu diga? Que eu gosto de Enki? Qual de vós está aqui que não seja por estar preocupada com seu amado? Quem pode me condenar, censurar, repreender? Quem pode proibir, cercear, conter o amor? Maldito seja aquele que tornar o amor em vergonha.


- Ora, não precisa ficar tão brava! Veja, Enki está passeando em cima das terras baixas. Nada aconteceu a ele!


Ninlil volta sua atenção a Enki e sente como se um peso caísse de suas costas. De canto de olho percebe que suas irmãs também parecem estar mais aliviadas. Então ela tem uma ideia.


- Irmãs, vejam que eu estou certa. Nós todas temos bons motivos para estarmos aqui. Façamos nosso acampamento aqui, assim poderemos acompanhar os nossos amados e ajudá-los em segredo.


De imediato, as jovens Deusas concordaram com um estrondoso clamor de alegria, o que chamou a atenção dos jovens Deuses. Estes contentes, perceberam que não eram de todo desvalidos e renegados. Secretamente cada um levava em seu coração a atração, o interesse e o amor por uma dessas Deusas. O burburinho e a proximidade delas foi a melhor paga que poderiam ter.


Os trabalhos seguiam, dia a dia, noite a noite, por sete dias inteiros, sem cessar, para então os Deuses descansarem ao sétimo dia, como sempre fizeram desde tempos imemoriais, celebrando o sabbatu em memória de antigas Deusas, cujos nomes se perderam nas brumas do tempo, mas os Deuses se recordam delas como mães dos Deuses. Com a providencial ajuda das jovens Deusas, na noite de Sexta, todos comeram e beberam em homenagem às Deusas mães. Depois os Deuses e Deusas foram até o acampamento para cada qual compartilhar o leito. Dormiram, por fim, após algumas horas de ginástica intercorporal.


Naquela noite e nas seguintes, Enki foi assombrado por um pesadelo com uma Deusa desconhecida lhe falando e mostrando o futuro sangrento que aguardava os Deuses.


- Enki, o Habilidoso! Assim te chamam os Deuses. Breve, muito em breve, tu terás a devida oportunidade de me levar à tua casa. Nunca esqueça de teus votos, Enki!


A voz desta Deusa estranha surtia um efeito inesperado e constrangedor em Enki. Sentir a presença dela era como se Enki estivesse diante de Ninlil e de Nana, mas como uma mesma Deusa pode acender o amor filial e o amor erótico ao mesmo tempo?


Cenas perturbadoras do futuro dos Deuses, com pais matando os filhos, filhos matando os pais, mães devorando sua prole. Mas o que mais o aterrorizava era uma criatura, escura e pequena, que surgia e se espalhava como praga, a todo consumindo e dominando, tomando até o lugar dos Deuses. Ao acordar assustado, viu que Ninlil também não teve sonhos agradáveis e ambos guardaram segredo de seus pesadelos.


Os trabalhos prosseguiram até sua conclusão quando só então Enki pôde receber em seu acampamento Anu e sua comitiva. Os Deuses puderam admirar boquiabertos a obra de Enki e Anu tratou de realizar a inauguração da Cidade dos Deuses com toda formalidade e cerimônia. E Enki pôde observar, petrificado, uma terrível sombra pairando sobre a coroa e a cabeça de Anu.

domingo, 18 de setembro de 2016

Heterogênese V

Ao sair de sua caverna, junto de Samael para conhecer seus ministros, amigos verdadeiros e leais, chegou do leste um corvo, grande como uma coruja, forte como águia, inteligente como só um corvo poderia ser. Pousou no ombro de Lilith que; por obra de seu Pai, o Espírito das Trevas; de sua língua desenrolou-se um papiro, que continha a notícia da perdição de seu rival, Adão e da sua desgraça, por causa dos filhos que teve com Eva, a serviçal dele, já fora do Éden, nestas palavras testemunhadas pelo corvo:

-O Deus de Adão formou de uma de suas costelas outra mulher de nome Eva, para fazer-lhe companhia. Eva, já grávida, comeu o fruto da Luz, comendo assim da carne deste Deus e fez com que Adão também cometesse o mesmo erro.
Deus sentindo o erro e a culpa em suas crianças, com sua carne em seus ventres clamando por justiça, expulsou-os do Éden, deixando-os à própria sorte. Por ter sido alimentado pela Luz, como também por estar fora do Éden, o feto de Eva desenvolveu-se muito rapidamente, dois meses antes da expulsão e sete depois, sendo portanto considerados carnais os sete últimos.
Foi assim que, na noite do sétimo dia do sétimo mês, que veio a nascer o primogênito que foi chamado de Caim, cujo significado é: aquele que veio do pecado original.
Depois deste, somente sete anos depois, no nono dia do nono mês, nasceu Abel que significa: o preferido da Luz. Assim Caim logo teve que partilhar o rebanho e a colheita com Abel, a quem cabia a melhor parte, já que era o preferido. Abel tratava dos carneiros e das árvores frutíferas, Caim tratava dos bodes e das ervas rasteiras. Como não podia competir materialmente com Abel, Caim se esmerou em ter uma mente privilegiada com raciocínio e reflexão. Em suas considerações, começaram a surgir dúvidas, a respeito da unicidade como homem de seu pai, a respeito da existência do Deus dele, perguntava-se para quem esse Deus mostraria a importância da sua obra em detração a outras atribuídas ao demônio.
Entre seus bodes e cabras, perambulando entre as montanhas, como se perguntasse a elas, com os olhos, qual a razão de tanto mistério. Por causa de uma cabra desgarrada, desceu até um vale, até então proibido por ser considerada morada de demônios, lá ficou conhecendo outras tribos,outros povos e homens que, evidentemente, eram como ele.
Satisfeito, com uma série de questões resolvidas provisoriamente, quis partilhar com seu irmão a descoberta. Este, porém, preferiu matar-se, diante do simples fato de haver outros homens que não seu pai ou outros deuses que não o seu. Adão em loucura igual à de Abel, atribuiu a culpa a Caim, que foi banido e amaldiçoado. Caim, por mais que estivesse magoado, logo esqueceu da injustiça paterna, pois foi morar junto aos povos que descobrira e criara forte amizade.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

A humanidade em desencanto

O ser humano quer entender a existência do mundo, das coisas e de si mesmo. Para entender a sucessão de pessoas e eventos, o ser humano criou o mito, a lenda e a história. Para o estudo desse processo, desse fluxo, chamado história, o ser humano separou em Eras esse conceito abstrato que nós chamamos de tempo. A ilusão de movimento, de sequência, criou a ilusão da passagem do tempo, mas quem passa é o mortal, não o tempo. Não há o Tempo, apenas a eternidade do espaço e as ações dos eventos. O valor do tempo é tão abstrato quanto o valor do dinheiro, o valor apenas existe enquanto o ser humano assim determinar.

O ser humano determina as Eras conforme certas características. Determinados eventos ou situações são alterados, então a humanidade iniciou outra Era, mas frequentemente os germes e indícios da “Nova Era” estão presentes na Era que sucumbe.

Dizemos que a Era Moderna foi marcada pelas revoluções, mas a ideia de direito, de cidadania, de república, de parlamentarismo, de limites aos poderes absolutistas estão presentes quando a Grã-Bretanha fez o Rei João promulgar a Carta Magna.

Dizemos que o Pós-Modernismo foi marcado pelo fim da Segunda Guerra Mundial, mas muita coisa aconteceu no meio do caminho, como a Segunda Colonização, a Primeira Guerra Mundial, as guerras de independência de várias colônias europeias, o fim do Império Otomano, o surgimento de outros Impérios. Entender o Pós-Modernismo sem incluir a Revolução Industrial é o mesmo que entender o Rock’n’roll sem incluir o Blues. Entender a Revolução Industrial sem incluir o Capitalismo é o mesmo que entender a Renascença sem incluir o Mercantilismo.

A Era Moderna é uma era de crueldade, pois o avanço industrial e tecnológico serve para expropriar o trabalho e a vida de muitos. O avanço da ciência e da tecnologia tem seu uso mais prático e imediato em melhorar a capacidade humana em matar seu semelhante. Matou-se e mutilou-se mais gente em poucos anos do que em vários séculos. Entre a Primeira e Segunda Guerra, as necessidades militares deram origem à prótese, uma segunda destinação à ciência e à tecnologia. Aqui começa o fim da ilusão do indivíduo, do corpo, do organismo, como sendo coisas necessariamente orgânicas e pertencentes à natureza. O ser humano entra em uma crise de meia idade. A Era Moderna foi cruel, o Pós-Modernismo é desumano. O homem entra em uma crise existencial, filósofos contemporâneos desconstroem todas suas falsas convicções, ideias orientais desconstroem a ilusão da existência da pessoa do indivíduo.

Cruel e desumana, a Era Contemporânea deve muito de seu conforto, facilidade, fascínio, massificação, plastificação e coisificação, ao que foi originalmente desenvolvido para fins militares. As ideias antes elitistas das revoluções do princípio da Era Moderna se tornam a fonte para estudantes e intelectuais da Classe Média, de onde surge a Contracultura. Grupos, subgrupos e setores da sociedade, antes sem voz e sem expressão, começam a se organizar, surgindo o Feminismo e a luta pelos direitos civis para todos.

O Espírito do Tempo torna tudo um produto de massa, tudo pode e será comercializado. A Indústria Pornográfica surge como uma resistência do sistema ao Amor Livre. As ideias reacionárias surgiram como uma resistência do sistema aos ideais de esquerda. Surge o rádio, a televisão, o cinema, tornando massificado o acesso à informação. Surgem diversos métodos contraceptivos, a princípio para controlar a gravidez indesejada e as doenças venéreas que se tornaram endêmicas durante as guerras mundiais. A sociedade é sacudida por casamentos inter-raciais, pelo divórcio e pela fertilização in-vitro.

O homem sonhou com liberdade e um mundo melhor desde que surgiu neste planeta. Agora ele tenta frear, sem sucesso. A criatura superou seu criador. A Igreja não pode nem consegue mais amedrontar ou deter a Ciência. O Governo não pode nem consegue mais manipular ou controlar o cidadão.

O ser humano desafia a fronteira do real e do virtual, surge a internet, a rede de computadores, a inteligência artificial, a vida artificial, a rede social artificial. Se o humano é um conjunto de partes [corpos] que constituem um sistema [organismos], então também é humana nossa persona virtual, uma vez que sua manifestação dentro do universo virtual é resultado do conjunto de partes [programas] que constituem um sistema [realidade virtual]. Não é mera coincidência, então, quando um cientista afirmou que isto que chamamos de realidade não é nada mais senão o programa de um enorme computador.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Heterogênese IV

Ao sair de sua gruta, a festa animou-se mais, os seres todos começaram a lhe render homenagens. Não faltou ter aqueles que, cometidos excessos, postavam-lhe à frente, como galos diante de uma galinha, a se exibir. Tal comportamento jamais prova a maturidade de ser algum, faniquitos e ataques de masculinidade deste tipo só são aceitáveis entre crianças. Dispensava os dotados de grande força, pois eram burros demais para lerem seus olhos. Desprezava os que se faziam de sábios, pois nada tinham a lhe acrescentar. Pouco lhe valia os formosos que perturbam o coração das fúteis, pois como as flores, fenecem pela fragilidade.

Por causa de sua natureza, Lilith não se contentava facilmente, logo o tempo esgotaria e sua maturidade ficaria incompleta. O Espírito das Trevas, seu Pai, pôs a mão no fogo, enquanto a outra tomava uma serpente do deserto para que, juntando os elementos, nascesse Samael, a serpente do fogo negro, que devora o dia. Fê-lo humano e vestiu-o com as areias do deserto. Pois a areia resiste ao tempo sem perder talentos, mesmo não tendo a beleza das flores; o fogo de uma festa para que nunca haja a sombras das rugas de um rabugento; uma serpente para ter o sangue frio ante o perigo. Conduziu-o para a clareira e o fez misturar-se entre os convidados. Ninguém o conhecia ou de onde vinha. Mesmo não dizendo nada, pois como serpente detestava tagarelices, despertou grande fascínio das outras mulheres, pelo seu olhar e riso, de quem guarda muitos segredos. Não há nada mais lascivo que um mistério guardado nos olhos e mais maliciosos que um segredo seguro em lábios sorridentes.

Um dos convidados, dentre os exibidos, não gostou quando percebeu que perdia o domínio da festa para um estranho, que nada tinha de especial, não era alto, forte, belo ou sábio. Cheio de inveja, avançou para expulsá-lo da festa, se possível da região. Com a graça sinuosa da serpente que tinha, fez com que a própria força do oponente o derrotasse. Samael então era um guerreiro que vencia o inimigo de mãos desarmadas, técnica assombrosa que ainda não se vira igual.
Mas um dentre os convidados que se faziam de sábios debochou:

-Lutar só serve para aparentar valentia e incitar violência irracional entre bárbaros.

Sibilando sua língua bifurcada, qual faca de dois gumes aguçada, Samael pôs-se a responder:

-Tal é assim como tagarelar é para frouxos e covardes que querem cercar o mundo inteiro dentro da sua linguagem.

Palavras que não pretendiam a verdade ou o controle do pensamento alheio, que faziam então cada um raciocinar e entender com acharem melhor, coisa que aos ouvidos vem como o sussurro dos ventos, cantando pelas frestas das rochas.

Logo seguiu a chacota dos seres que tinham muita beleza, por terem visto sua língua bifurcada, chamando-o de lagarto grande e linguarudo. Samael dobrou-se e pegou um escudo grande, derrubando as frutas que ali estavam, poliu sua superfície embaçada e colocou diante dos seres dotados de beleza. Vendo o próprio reflexo, apaixonaram-se, qual Narciso, por si mesmos, mas como não podiam ter e dominar o objeto amado, logo a desilusão desfigurou alguns e o desespero lançou ao fogo, outros. Tal como flores que, apesar de multicores, logo murcham quando uma sombra as cobre, já que estão ocupadas demais com sua beleza, para moverem-se e resistir aos contratempos, para melhorar sua vida.

Venceu a força bruta com a força inteligente, a sabedoria mascarada com a sinceridade crítica, a beleza ofuscante com o reflexo da realidade.
Não sabendo porque, Lilith admirou este homem, algo incrível lhe acontecia, mas sua cabeça hesitava ante a necessidade de uma explicação. Por que não conseguia deter os pés, que teimavam em aproximá-la dele? Por que seu coração não estava mais em seu corpo, mas pulsando em sua volta, como um animalzinho de estimação? Por que seus olhos quase lacrimejavam, enquanto uma trovoada atacava sua coluna? Antes mesmo de conhecer Samael, este já era seu marido; antes de tocá-lo, já o sentia em si; antes de deitar-se, já o leito lhe era familiar. Lilith tomou Samael, que ultrapassou pelos umbrais da carne dela, por toda a noite.

A união não foi honrada somente com a consumação carnal entre eles. Em cada enlace de Samael em torno de Lilith, não era a dor da posse que a invadia, algo em si vibrava de êxtase na alma, que sentia a alma de Samael em cópula com a alma dela. De tanto prazer, uma energia emanava em chamas, que eram diferentes do fogo comum vermelho que consome a matéria; estas eram negras, mais poderosas que as vermelhas, pois além de consumir a matéria, consumiam o espírito. Muitos, que ainda festejavam, fugiram de medo, eram de um tipo miserável que se faz passar por adorador das Trevas, mas ao primeiro sinal de revelação delas, caem de joelhos e se escandalizam.

Os poucos seres inteligentes e animais que permaneceram, logo sentiram como é doloroso e amargo o fogo negro, qual brasa ardendo em todo o corpo e como vinho tinto ácido e venenoso, fluindo nas veias.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Satanic Kabbalah

The innovation:

To the people who born into the Dark, the Nameless and is Untamed.
When a System unpleasure to the Society who built it, is time to call the Revolution.
So, these Innovation will serve to the Dark breed as a Satanic Kabbalah, taking the jew kabbalah as the tradition or the gift from the Usurper.
Do not you get or accept this mind-halter. It is the time of mankind awake, rise and show up! Refuse! Resist!
From nowhere things came, to Nothing all must gone. We are the children of the None and the Inexistence was our heritage.

The Sword:

In the name of the Crown, we lived like servants, it is time to be citizens. Let us do the Republic!
The Crown has his sustain through the doping of our senses. It is time to awake the consciousness. Let us be as Men!
The Crown was acclaimed, but only by the terrorism it keeps the power. Then, if the acclamation makes the power, let us praise to the Sword. Because higher is the wailing that came from the orphans and widows that the Crown left behind!

The Satire:

The armor of the Crown was the Wisdom, but this only restrained us.
Just because this duty was trusted to ignorant ones: the priests. It is time to take our fate and make our destiny.
The true Wisdom belongs to that who lives the life, by his memories and experiences.
As lambs, we lived too long in this Field of the Lord. But we conquered the knowledge of science and we have evolved to the mankind. Hence, we saw the Prairies of Eternity and they are wider than the Fields of the Lord!

The Irony:

The Crown and the Wisdom were so higher that was too tall to see the details.
Hence, was very easy to be careless.
But in their office, they were cruelly and preposterous.
We were fools, when we upholded this tyranny. We were stupids, when we feed our wardens. We were silly, when we accepted the oppression.
We became smart and astute. We released ourselves from slavery and will proclaim our community as the real owner of the power!

The Misery:

The Law is the Order made by the will of the Crown.
The time has changed, we must go on. But by the weight of these stones, we can't grown up.
The power belongs to us, it is time to break the chains. Let the stones stand still.
We are Men, we must keep on walking. Let the past in memories, if we want build a future, we must do something, right now!

The Impunity:

The Order is the fear of the Crown. It can't burn because it is impotent
It made the Law for itself, to made it respected and reverenced.
It's commandments are the worst crime, just because can't stimule us.
It lives without relation, sterile. Then, it existence consist in made us all eunuchs as it was.
It will never understand or comprehend passion or love, because in it's emptiness doesn't have a head or a body.

The Severity:

The Crown has his power by tyranny.
The Law made his duty by oppression.
The Wisdom was build by allurement.
Ugly was who takes the Crown. This Usurper was the real adversary.
The Knowledge brings maturity.
The Debate multiply the perspectives.
The Republic requires mutual engagement.

The Revenge:

To the Crown only remains the Decay.
Defeat is it, by our will.
Dismissed are we, from this slavery.
The Law doesn't bring the Union, but this lead us to the Dissension.
From the Republic came the real power, because this came from the Democracy.
From the Coletivity came the true Law, because this is made by the Willfulness.

The Denoucement:

Delusion has ended, as the faults. We have lived time enough in fooly.
The Usurper will not rule us anymore.
The Crown has born defeated yet.
The Law was craved on sand and the Wisdom insist in childishness.
All things must pass, even gods dies. Only Hope and Freedom prevails.
It is time to choose if we lives truly and fully or shall we feed this Dreams?

The Corruption:

Let us put the Usurper were he belongs, to relics.
He came as a beggar, that's why he gather the tenth.
He takes the opportunity, build an Empire and became the Godfather of all believers.
That's why he impose the ten commandments.
He never has passion, love or sexheat. His fetich consist in torment the natural instincts between a man and a woman. That’s why we always be a sinners.

The Revolution:

Let us trust our life to some who nows and respect us.
Let us elect the best between us and with more management capacity.
Hence, we will fulfill all our Desires and the Pleasure will never end.
We are no longer children, it is time to change the command.
The Crown doesn't give us proud.
The Law doesn't give us satisfaction.
The Wisdom doesn't give us learning.
This things are all in our hands, to take, to have, to reach.
Oppression, no more, let us rule!

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Heterogênese III

Lilith juntou-se a esses seres e junto com eles iniciou um povoado de grande sabedoria e riqueza, cultivada no espírito crítico.

Novamente, o solitário Adão chamou por seu Pai no dia seguinte, pois não podia esquecer Lilith. Pedia ao seu Pai que ela voltasse, pois a desejava muito. O Espírito das Luzes sabia que não conseguiria, mesmo que tentasse, ordenar para que Lilith voltasse, sem o consentimento dela ou do Pai dela, o Espírito das Trevas, pois a Luz não pode andar em seus próprios passos, necessita da sombra, para caminhar e permitir o descanso dos seres.

Por isso, fez seu filho dormir e tirando uma parte da costela, fez uma outra mulher, que por vir do ventre do homem, seria submissa a este, já que a cabeça ergue-se acima do ventre e lhe ordena, cabendo ao ventre, alimentar e servir de apoio à cabeça. Por estas características, o Espírito das Luzes a chamou de Eva e a apresentou a Adão como sua posse, a mulher que lhe geraria filhos e obedeceria humildemente seu marido, como também daria conta sozinha da evolução e maturidade dos filhos de Adão. Isso era agradável para ele, mais ainda que estar com Lilith, podia fazer de Eva tudo aquilo que Lilith não era e ter igual satisfação ao ter com Eva no leito. Tanto, que Lilith não seria mais que uma sombra de Eva na cabeça de Adão, algo que seria amargamente lembrado, a falsidade deste conceito, nas noites longas de lua nova e nos momentos em que, o sol ou a lua, for oculto pelo manto da terra.

Chegado o momento em que todos têm seu amadurecimento pleno e suas consequentes mudanças, Eva nos desvarios que uma grávida é cometida, andou pelo Éden de Adão, até um fruto lhe despertar o desejo. Sem dar conta que o fruto era feito de Luz, comeu um pedaço e levou outro a Adão, que ocupado demais para dar atenção a sua esposa, instintivamente levou o fruto até a boca e comeu-o, sentindo um gosto familiar. Foi então que percebeu ter comido do fruto de Luz, da árvore que o Espírito das Luzes proibira a ambos de comer. Colérico, disse à sua mulher:

-Não sabes o que fez, Eva? Fez-me comer da carne de meu próprio Pai! Acaso somos deuses para comer a Luz como fruto e alimentarmo-nos dela? Escondemo-nos rapidamente, para que não acabemos sendo devorados por ela!

Mas como uma aranha sente na mais fina teia a passagem do vento, o Espírito das Luzes sentiu e já viu tudo. Fez um soldado seu expulsar Adão e Eva do Éden e que agora tirassem da terra, o sustento das frágeis vidas deles. Passariam muitos anos em gerações, até que seus herdeiros pudessem corrigir o fardo do erro ao qual Adão e Eva condenaram seus filhos.

Já que o Império de Adão estava fadado ao engano, ao erro, muito opostamente seriam os herdeiros que viriam de Lilith e das Trevas.
Ao chegar o dia da sua maturidade plena, seu Pai, o Espírito das Trevas, foi conversar com sua filha, Lilith. Encontrou-a cercada de amigos, mas nenhum deles tomou a mão ainda da bela Lilith, não houve ainda um que transpassasse seus umbrais. Como todo pai preocupado com uma filha sem pretendente, o Espírito das Trevas adensou-se em um formato e, sentado, dirigiu estas palavras a Lilith:

Hoje devia ser o dia da sua glorificação, mas nem alegre parece estar. Ainda não sabe que, como mulher, por mais perfeita, ainda tem falhas e lacunas que só podem ser preenchidas por um homem? Como espera amadurecer, sem que te cedas durante uma noite inteira, a partilha do teu leito ao companheiro? Vá, que seus convidados a esperam e que tua sabedoria possa lhe habilitar encontrar, aquele que tanto precisa seu corpo e alma, entre eles.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

A história de Ishtar

Houve uma época onde passado, presente e futuro eram uma coisa só. Existência e não-existência, espaço e vazio, tempo e eternidade, vida e morte, rodopiavam em um torvelinho. Era o Caos. Dentro do Caos, diversos seres e entidades estavam mergulhados em um sono lúcido, dispersos, não conseguiam ter consciência. Então houve um despertar, um Deus e uma Deusa, os mais antigos, os primeiros Filhos do Caos, perceberam a si mesmos, perceberam um ao outro, perceberam onde estavam e dentro do indistinto Caos, se amaram e deste Amor, surgiu a Ordem, o Caos encontrou sossego, paz e quietude.
Os Filhos das Estrelas vagavam pelo Universo criado, fugitivos ou expulsos do Caos, procurando onde fixar residência, procurando um lugar firme para habitar. Nas bordas do Cosmo que se expandia, encontraram Gaia, uma Deusa filha dos Primeiros e no mundo que é sua manifestação, os Filhos das Estrelas levantaram acampamento, por sobre o corpo cheio de terra e água, ali pousaram. O rei deles, o Grande Anu, confiou a seu filho, Enki, para separar a água da terra, para construírem suas casas, para plantarem suas sementes, para criarem seus gados, para espalharem sua descendência.
A Cidade dos Deuses surgiu gloriosa, por sobre as águas de Gaia, vencendo a fúria do grande mar, Enki estendeu a terra firme, um solo vermelho fértil, onde os Filhos das Estrelas puderam lançar suas sementes, criarem seu gado e terem seus filhos. Mas o grande mar tinha sua Deusa, filha tanto de Gaia quanto dos Primeiros e na guerra contra a Deusa-Serpente, morreu o Grande Anu. Ali teria o início da rivalidade entre os Filhos das Estrelas e os descendentes dos Primeiros.
Os Filhos das Estrelas prosperaram, com a técnica de Enki expandiram suas terras e por uma extensa área, seus lares se espalharam pelo corpo de Gaia. Cidades surgiram, reinos surgiram, a coroa de Anu foi dividida entre seus filhos e filhas, a descendência multiplicou como a riqueza que do solo era extraída. De todas, a mais procurada e cobiçada tinha que ser tirada do fundo das entranhas de Gaia, um material brilhante, macio e moldável, de grande utilidade para dar poder aos seus artifícios, os Deuses queriam cada vez mais aureum.
Cobiça, inveja e ciúme, colocaram reino contra reino, Deus contra Deus, a inimizade e a guerra aconteceu entre os Deuses. Quem estava no trono do Submundo controlava o aureum, o Deus Ferreiro, o Deus Desfigurado, era chamado também de Deus da Morte. Os reinos dependiam do aureum que ele extraía, os Deuses tinham que negociar com ele e seu preço era pesado e cruel. Pelo fornecimento de aureum, os reinos mandavam ao Submundo seus filhos, para trabalharem nas minas, nas entranhas de Gaia. Para conquistar o apoio e a amizade do Deus Coxo, os reinos mandavam ao Submundo suas filhas, para deitarem-se no leito, para receberem a semente dele.
Antes desprezado e rejeitado entre seus próprios irmãos e irmãs, humilhado pelos Filhos das Estrelas, pela mágoa, rancor e vingança, o Deus Sujo tornou-se um déspota, um tirano, um usurpador que exigia oferendas diárias e tomava tudo aquilo que seu coração desejasse. Ele passeava pelos reinos, transitava por toda a extensão de Gaia, como se fosse o próprio Grande Anu, escolhia e levava os jovens, homens e mulheres, para o Submundo, trazendo tristeza e choro a muitos pais. Foi assim que um dia o Sombrio encontrou Inanna e por ela encantou-se. Inanna, das Filhas das Estrelas, a mais bela, esfuziante, abundante. Todos os Deuses a desejaram e ela não negava amor a quem a procurava, mas ao Canhoto ela tentou recusar, sem êxito, foi agarrada, presa, levada e como cativa viveu no Submundo, até conseguir fugir, levando consigo o fruto da união.
Em uma região longe, bem distante da Cidade dos Deuses, de seus reinos e guerras, Inanna viveu no exílio e ali, entre feras e entre os Filhos de Gaia, nasceu Ishtar. Inanna tinha uma grande beleza, mas era física, Ishtar nasceu com beleza em plenitude. Inanna tinha um grande amor, mas este também era físico, Ishtar era o Amor encarnado. As feras e entidades ali presentes enlouqueceram de amor, assim que Ishtar saiu do ventre de Inanna e soltou seu primeiro fôlego no mundo de Gaia. Outras ficaram cegas diante de tanto esplendor, seu brilho rivalizava com o brilho do sol. Quando Ishtar abriu os olhos, ela viu o íntimo de todo ser vivente, todo o desejo e prazer que habitava em cada vida e sorriu por reconhecer seu reflexo. Quando Ishtar se levantou do solo, onde sua mãe a havia colocado no momento do parto, todos os seres viventes se ajoelharam, pois ali estava a Majestade encarnada. Quando Ishtar abriu seus lábios para dizer suas primeiras palavras, trovões se esconderam, o fogo se encolheu, a lua fugiu com seu rebanho de estrelas, o sol ficou encabulado e Gaia sentiu-se honrada por ser testemunha da encarnação da Sabedoria.
Ishtar cresceu, aumentou sua formosura, seu corpo manifestava abundante sensualidade, desde seus longos cabelos negros lisos, passando por seios perfeitos, nádegas perfeitas, pernas e coxas perfeitas, até seus olhos almiscarados, boca rubra e ventre quente. Inanna despertava o desejo nos Deuses por seus atributos, Ishtar era o Desejo, não havia um ser vivente, entidade ou Deus que não se perturbasse diante de Ishtar. Fascinados, apaixonados, loucos, criaturas e entidades de todas as regiões vinham sem cessar até a cabana de Inanna para prestar reverência a Ishtar. Não demorou para surgirem cidades e todo um reino. Não demorou para darem uma coroa e um trono a Ishtar. Não demorou para que até a Cidade dos Deuses e seus reinos dobrassem seus joelhos para Ishtar.
Para ficar com Ishtar por alguns minutos, os Deuses, tão orgulhosos, tão esnobes, a Ishtar nada recusavam, ofertavam sem reservas, a ela deram o poder e suas coroas. Alguns acharam que podiam usar Ishtar como se fosse uma criança ingênua, usá-la como usaram Inanna e depois descartá-la. Muitos provaram de seu leito, mas nenhum poderia lhe abrir seus mistérios mais íntimos. Quem provava de seu mel tornava-se prisioneiro e teria que beber do fel. Mesmo o temido Deus Coxo rendeu-se a Ishtar e em seu leito faleceu. Em estranhas eras, mesmo o Deus da Morte morre. No Submundo reinou então a irmã mais velha de Ishtar, Ereshkigal, que jurou vingar seu esposo.
Ishtar tinha todo o poder, toda a riqueza, mas era infeliz porque não tinha Deus que pudesse equiparar a ela. Apesar de muitos terem conhecido seu leito, nenhum pode penetrar seu mais íntimo mistério e Ishtar pedia aos Deuses Antigos, que ela pudesse encontrar um Deus que pudesse arar sua terra. Sua irmã mais velha, Ereshkigal, soube disso e com um disfarce de simples serviçal, segredou a Ishtar que ela somente conseguiria um companheiro se fosse procurar entre os Filhos de Gaia. Ali o boato é de que havia um Deus Touro, descendente legítimo dos Primeiros, era o único Deus Guerreiro que teria a força e a lança para semear o solo de Ishtar.
Foi diante das terras de Indo, o Deus do Rio Leste, que Ishtar encontrou o Deus Touro, Dummuzi. Aquela que era o Amor tremeu, seus lábios umedeceram, seus olhos brilhavam, suas pernas fraquejaram. Aquela que era o Desejo sentiu frio, seu coração palpitou, seus seios empinaram, sua flor desabrochou. Mas o Grande Guerreiro não se ajoelhou, as graças de Ishtar não o conquistaram, ele não moveu sua poderosa lança. Ishtar ficou desolado, como pode um Deus resistir a seus encantos? Ereshkigal disfarçada como serviçal deu a Ishtar um poderoso líquido que faria Dummuzi se apaixonar por Ishtar, mas que isto teria um custo. Ishtar serviu cerveja, o líquido dos Deuses, misturado com a poção, sem ter ouvido a advertência. Dummuzi então amou Ishtar, sua lança moveu e o solo de Ishtar abriu, sua semente preencheu e cobriu todo seu vaso. Passaram dias, noites, semanas, meses, debaixo do sol e da lua Dumuzzi e Ishtar não cessavam de celebrar a união.
Mas um dia Ishtar acordou solitária, não encontrou Dummuzi e Ereshkigal, disfarçada como serviçal, disse que Dummuzi morreu. Dummuzi morreu por ter bebido um veneno servido com cerveja para despertar o amor nele. Ishtar enlouqueceu, seu brilho se apagou e sua face escura transbordou. Filha do Deus Coxo, Ishtar exalava fúria e ódio com a mesma força que emanava amor. Toda sua corte fugiu, temendo pela vida, todos seus súditos fugiram, temendo por seus rebentos e Ishtar ficou terrivelmente sozinha. Ela entrou em seus aposentos, abriu uma porta secreta, entrou em sua sala oculta particular e vestiu-se com um elmo, com cota de malha, com armadura, com ombreiras, com braceletes, com caneleiras, com botas, com espada e lança. Ishtar declarou guerra a todos os Filhos das Estrelas por causa de Dummuzi.
Quando Dummuzi foi dado por morto, Ishtar enlouqueceu, seus servos abandonaram seu palácio, seu reino ficou vazio e tornou-se deserto. Apenas Ishtar habitava o palácio vazio e, quando ela saiu vestindo seu traje de guerra, os Filhos das Estrelas esqueceram do tempo de glória e poder de Ishtar. Riram em seus palácios, olhavam para Ishtar como se fosse uma criança com roupas de adultos.
Alguns soldados foram enviados para espantar Ishtar quando ela aproximou-se das cidades mais periféricas. Um destacamento de cem soldados com algumas espadas, lanças e flechas podem lidar com uma pequena rebeldia, pensavam. Com um único aceno de sua mão, Ishtar reduziu todos a uma polpa sanguinolenta. As cidades periféricas foram invadidas, destruídas e queimadas até seus alicerces. Não houve sobreviventes. As cidades seguintes, maiores, mais ricas, mais próximas das capitais, entraram em pânico. Generais levantaram suas bandeiras, deslocaram várias colunas de soldados, cavaleiros, lanceiros, arqueiros e diversas máquinas de guerra. Exércitos enormes lançaram seu ataque contra Ishtar, sem êxito, Ishtar os sacudia como se fossem moscas e como insetos caíam mortos pelo solo e Ishtar caminhou por sobre o campo de batalha com sangue até seus tornozelos. Deuses pegaram suas armaduras, lanças e espadas, pelas mãos de Ishtar, pelas artes de Ishtar, pelas armas de Ishtar, tombaram todos. Então os Filhos das Estrelas temeram por Ishtar, recordaram de seu poder e glória, mas não iriam detê-la com doces palavras e promessas vazias.
Disfarçado de camponês, Enki levou até Ishtar a notícia que Dummuzi não morrera, mas que adormecera, foi sequestrado e levado cativo até o Submundo. Aliviada e desconfiada, Ishtar suspendeu sua fúria, tomou o mapa dos reinos do camponês e foi até a entrada do Submundo, uma fortaleza onde, para entrar, é necessário passar por sete portões e a única forma de passar por cada portão é deixar uma oferenda. Deixou primeiro sua coroa, depois os brincos, depois os colares, depois o peitoral, depois o cinto, depois as pulseiras e por fim tirou seu vestido. Aquela que era a grande e poderosa Ishtar, aquela que era o Amor encarnado, estava diante do trono do Submundo como todo ser vivente entra no Mundo dos Mortos, sem honra, sem glória, sem nome, sem vida.
Ishtar olhava em sua volta e via apenas sombras e vultos, o Submundo era um lugar onde não tinha luz e Ishtar teve que se despir até de seu fulgurante semblante. Pelas sete portas do Mundo dos Mortos, Ishtar passou, sentiu frio, sentiu calor, sentiu sede, sentiu fome e agora sentia medo por não saber quem iria encontrar no trono sombrio. Uma voz suave, feminina, a chamou para mais próximo do trono e Ishtar viu uma Deusa muito parecida com ela. Debaixo de uma mortalha, Ishtar reconheceu sua irmã Ereshkigal.
- Então mesmo a poderosa Ishtar se curva diante de Ereshkigal? Aquela cujos atributos encantaram tantos Deuses, agora se rende indefesa, pois a mim Ishtar não tem mistério nem formosura? Aquela que recebeu as coroas dos Filhos das Estrelas agora presta reverência à minha coroa? Aqui não terá privilégio nem tratamento especial, Ishtar.
- E nem te peço, amada irmã. Vede, eu tenho o mesmo sangue que o seu, eu tenho a mesma carne que a sua, nós temos a mesma descendência, mas é você a irmã mais velha, você é mais sábia, forte e bela. O que a grande Ereshkigal deseja de Ishtar?
- Então a pequena Ishtar reconhece sua irmã, reconhece seu sangue, sua carne, sua família. Por que então Ishtar não veio a mim quando foi louvada pelos Filhos das Estrelas? Por que Ishtar saiu de seu palácio e veio ao Submundo senão para buscar Dummuzi?
- Eu nasci no exílio, ali onde os Filhos das Estrelas abandonaram nossa mãe. Minhas vitórias também são tua, irmã, minha glória também é tua. Todos os dias eu perguntava a Inanna, quando eu poderia rever meu pai, minhas irmãs e irmãos, mas a tristeza selava seus lábios. Eu não vou enganar minha irmã, eu vim a teu meio por causa de Dummuzi, por aquele que eu amo eu fiz guerra aos Filhos das Estrelas. Mas vede, eis que se meu reino, honra, glória e vitória também são teus, vamos compartilhar o leito com Dummuzi.