quarta-feira, 27 de maio de 2026

Estrangulando as gerações futuras

Conversa com o Gemini
https://revistaforum.com.br/politica/reducao-da-maioridade-penal-camara/

Na falta de um projeto sério de educação e inclusão social... prisão.

Escreva um texto crítico em tom de denúncia.


A Fábrica de Prisões e o Naufrágio do Futuro

A engrenagem mais cruel de um Estado omisso é aquela que escolhe onde investir o seu orçamento: se na construção de escolas ou no erguimento de grades. Quando assistimos à Câmara dos Deputados desenterrar e empurrar adiante propostas demagógicas como a redução da maioridade penal, o que testemunhamos não é um esforço por segurança pública, mas sim a assinatura de uma confissão de falência social. Na total ausência de um projeto sério, universal e emancipatório de educação e inclusão social, a única resposta que o Estado brasileiro parece conseguir formular para a juventude periférica é o cárcere.

A pressa legislativa em encarcerar adolescentes de 16 e 17 anos sob o pretexto de saciar um suposto "clamor social" camufla uma verdade incômoda: a incapacidade deliberada de garantir o básico. O topo da pirâmide política se recusa a debater a raiz da violência. É muito mais fácil, barato e eleitoralmente rentável apelar para o punitivismo estéril do que estruturar escolas de tempo integral, oferecer perspectivas de emprego, promover o acesso à cultura e arrancar os jovens das garras da vulnerabilidade social.

Alimentar o falido e medieval sistema prisional brasileiro com carne cada vez mais jovem não vai reduzir os índices de criminalidade; vai, sim, especializar a violência e fornecer mais mão de obra vulnerável para as facções criminosas que controlam os presídios. Chamar essa medida de "solução" é de um oportunismo rasteiro. O que se desenha não é a proteção do cidadão, mas a criminalização da pobreza e o sacrifício do futuro de uma geração inteira que já nasce privada de seus direitos fundamentais.

Punir o fruto de uma árvore que o próprio Estado negligenciou e deixou apodrecer é uma covardia institucional. A redução da maioridade penal é o atestado de que o país desistiu de educar. Diante da incompetência em acolher, sobrou o arbítrio de trancar. Denunciar esse retrocesso é um dever ético, pois uma sociedade que prefere punir crianças e adolescentes a educá-los é uma sociedade que já renunciou à própria humanidade.

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